O meu coração me levou até aqui… Janeiro 5, 2010
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Quando decidi escrever um blog.
Criar um blog. Sem saber necas de como fazer.
O fazer com todos os termos
do meu analfabetismo inglês.
Que a WordPress sempre gostou de me torturar. E ainda gosta. Muito.
Eu confesso. Estava zarpando num fusca por uma estrada inteiramente nova.
Demorou para acertar a hora do blogue. Vejam.
E fui capengando. Daniel me ajudando.
E o fusca pegando no empurrão , que o coração dos amigos é muito grande mesmo.
Que o diga Arsênio. Sócio majoritário do blogue. Com méritos.
Feitas as pazes com a poesia.
Aniversário de minha filha Gabriela.
Coração em paz.
Uma lady. No dizer do mestre Roberto Vieira.
Começo a peleja.
Correndo o pior dos riscos que a gente observa no mundo corporativo:
- se você não sabe prá onde vai, com certeza não vai chegar lá mesmo.
Mas algo sempre me aquieta (ou quase sempre) quando coloco o login e a senha
e mergulho no fusca.
O coração nessas horas sempre está apertado, mas com vontade de explodir.
E isso prá mim é amor.
Vontade de distribuir poemas dos grandes mestres.
Que no bate-bola com os irmãos Arsênio, Clávio, Edgar, Julinho, Houldine, João Carlos, Carlos Henrique que trazem comentários/poemas. Novos poemas/comentários.
E mais uma vez me desculpem, tem mais gente. Muito mais. Me perdoem.
Que enriquecem e vão tocando o fusca no automático.
Fico na arquibancada. O time em campo. Muita alegria.
A verdade é que meu coração me levou até aqui.
Assim coloquei como tema desse post.
E espero que ele me leve mais longe.
E a cada momento oportuno, como já houve com o aniversário de Bela.
O aniversário de casamento. Poesias para Ana. Que é uma poesia para mim. Diariamente.
Quando chegar o aniversário de Daniel.
Os aniversários e momentos especiais dos amigos. Da vida. Das nossas vidas.
E todas as oportunidades que eu possa merecer.
Pois a poesia não mais me tem como um traidor.
Não escrevo mais em guardanapos de bar.
Em papéis de pão. Antigos papéis de telex.
Não, agora , por sorte minha. Escrevo sem caneta.
De veneta, guiado pelo lado esquerdo do peito. Feito agora. Agorinha mesmo.
Amém.
PS – Se esse fusca batesse o motor hoje eu estaria feliz e satisfeito, como de fato estou. A viagem foi longa e bela. E muitos quilômetros de boas conversas, poemas
ficou registrado. Prá mim tá de bom tamanho.
Mas o motor é 1.500. Tá disposto. Então vamos em frente. No toitiço.
O fusquinha. Prá matar saudades… Janeiro 5, 2010
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PS – O prazer em andar de carro antigo não está em acelerar a mais de 200km/h, e sim guiar o automovel antigo e relaxar apreciando a natureza ouvindo o poh-poh-poh … poh-poh-poh.
O teu carro novo daqui ha dez anos será um carro velho, e meu carro antigo continuará a ser um clássico.
Um carro novo, qualquer um pode comprar, basta ter dinheiro. Para comprar um carro antigo é necessário ter amizades, conhecimento e outras coisas que o dinheiro não compra.
Uma carro antigo não se vende, se transfere o privilégio de possuí-lo a um amigo.
Quando te perguntam na rua qual é o valor do seu carro: “Carro antigo não tem preço porque não existe para vender: quem achou um tem, quem não tem fica só olhando”
O carro antigo diz para seu dono:
Não corra,
Deixe ele passar,
Não tenha pressa,
Relaxe e aproveite.
Carros antigos, uma paixão sem limite de idade.
Carro antigo é cultura.
Carro antigo é como mulher de amigo: você olha, admira mas não toca.
O carro clássico não é um carro vulgar, ele é algo especial. Especial, não só para o seu dono; por onde ele passa é logo notado. Estacionados lado a lado apaga o moderno. Quem o conduz volta aos velhos e bons tempos. Quando os modernos o cruzam em altas rotações, mal percebem o alegre compasso de seu pulsante motor.
Talvez os clássicos nos dêem o pequeno gosto da poesia que o mundo esqueceu de dar à vida.
E poucos privilegiados tem o prazer de pilotar.
O Carro Antigo exige atenção, disciplina, amor e carinho; quanto mais antigo, mais ele precisa de sua atenção, sua disciplina, seu amor e carinho, e a retribuição vem naturalmente.
Possuir um carro antigo realiza no presente um sonho do passado.
A beleza do carro antigo, é a história que nele está inserida.
Viva a vida ao máximo, mas aproveite com cuidado pois sua vida é tão rara como seu carro antigo.
As pessoas costumam confundir o velho com o antigo. O primeiro não exige nenhum esforço para obtê-lo , apenas devemos deixar o tempo agir de forma predominante e covarde; enquanto o segundo exige de nós o máximo de carinho, respeito e amor tornando-o tão único e especial o qual podemos chamá-lo de clássico.
Deixa que os novos passem, passem a voar. Devagar eu vou chegar e com meu antigo vou abafar.
Quem possui um carro antigo, possui também um pedaço da história.
Quanto mais velho eu fico mais rápido eu era.
Carro antigo não anda nem voa, carro antigo desfila.
Se um carro antigo é mais lento, não importa. Em cima dele você tem o privilégio de não precisar ter pressa.
Andar de carro antigo, é sentir estar no passado, mas curtindo o presente.
O deles vrummmmmmmmmmmmm…….. O meu tuh tuh tuh …….
José Osmane
Terra, Caetano e Drummond. Janeiro 4, 2010
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Quando eu me encontrava preso
Na cela de uma cadeia
Foi que vi pela primeira vez
As tais fotografias
Em que apareces inteira
Porém lá não estavas nua
E sim coberta de nuvens…
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?…
Ninguém supõe a morena
Dentro da estrela azulada
Na vertigem do cinema
Mando um abraço prá ti
Pequenina como se eu fosse
O saudoso poeta
E fosses a Paraíba…
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?…
Eu estou apaixonado
Por uma menina terra
Signo de elemento terra
Do mar se diz terra à vista
Terra para o pé firmeza
Terra para a mão carícia
Outros astros lhe são guia…
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?…
Eu sou um leão de fogo
Sem ti me consumiria
A mim mesmo eternamente
E de nada valeria
Acontecer de eu ser gente
E gente é outra alegria
Diferente das estrelas…
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?…
De onde nem tempo, nem espaço
Que a força mãe dê coragem
Prá gente te dar carinho
Durante toda a viagem
Que realizas do nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne…
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?…
Na sacada dos sobrados
Da velha são Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do Imperador
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito…
Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?
Terra!
ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU
Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.
Jorge de Lima. No toitiço. Janeiro 4, 2010
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Anjo daltônico
Tempo da infância, cinza de borralho,
tempo esfumado sobre vila e rio
e tumba e cal e coisas que eu não valho,
cobre isso tudo em que me denuncio.
Há também essa face que sumiu
e o espelho triste e o rei desse baralho.
Ponho as cartas na mesa. Jogo frio.
Veste esse rei um manto de espantalho.
Era daltônico o anjo que o coseu,
e se era anjo, senhores, não se sabe,
que muita coisa a um anjo se assemelha.
Esses trapos azuis, olhai, sou eu.
Se vós não os vedes, culpa não me cabe
de andar vestido em túnica vermelha.
Vinicíus. Enquanto Augusto Schmidt não vem. Janeiro 4, 2010
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Vinicius de Moraes
UM DIA, casualmente, eu disse a um amigo que a guitarra, ou violão, era “a música em forma de mulher”. A frase o encantou e ele a andou espalhando como se ela constituísse o que os franceses chamam um mot d’esprit. Pesa-me ponderar que ela não quer ser nada disso; é, melhor, a pura verdade dos fatos.
0 violão é não só a música (com todas as suas possibilidades orquestrais latentes) em forma de mulher, como, de todos os instrumentos musicais que se inspiram na forma feminina — viola, violino, bandolim, violoncelo, contrabaixo — o único que representa a mulher ideal: nem grande, nem pequena; de pescoço alongado, ombros redondos e suaves, cintura fina e ancas plenas; cultivada, mas sem jactância; relutante em exibir-se, a não ser pela mão daquele a quem ama; atenta e obediente ao seu amado, mas sem perda de caráter e dignidade; e, na intimidade, terna, sábia e apaixonada. Há mulheres-violino, mulheres-violoncelo e até mulheres-contrabaixo.
Mas como recusam-se a estabelecer aquela íntima relação que o violão oferece; como negam-se a se deixar cantar, preferindo tornar-se objeto de solos ou partes orquestrais; como respondem mal ao contato dos dedos para se deixar vibrar, em benefício de agentes excitantes como arcos e palhetas, serão sempre preteridas, no final, pelas mulheres-violão, que um homem pode, sempre que quer, ter carinhosamente em seus braços e com ela passar horas de maravilhoso isolamento, sem necessidade, seja de tê-la em posições pouco cristãs, como acontece com os violoncelos, seja de estar obrigatoriamente de pé diante delas, como se dá com os contrabaixos.
Mesmo uma mulher-bandolim (vale dizer: um bandolim), se não encontrar um Jacob pela frente, está roubada. Sua voz é por demais estrídula para que se a suporte além de meia hora. E é nisso que a guitarra, ou violão (vale dizer: a mulher-violão), leva todas as vantagens. Nas mãos de um Segovia, de um Barrios, de um Sanz de la Mazza, de um Bonfá, de um Baden Powell, pode brilhar tão bem em sociedade quanto um violino nas mãos de um Oistrakh ou um violoncelo nas mãos de um Casals. Enquanto que aqueles instrumentos dificilmente poderão atingir a pungência ou a bossa peculiares que um violão pode ter, quer tocado canhestramente por um Jayme Ovalle ou um Manuel Bandeira, quer “passado na cara” por um João Gilberto ou mesmo o crioulo Zé-com-Fome, da Favela do Esqueleto.
Divino, delicioso instrumento que se casa tão bem com o amor e tudo o que, nos instantes mais belos da natureza, induz ao maravilhoso abandono! E não é à toa que um dos seus mais antigos ascendentes se chama viola d’amore, como a prenunciar o doce fenômeno de tantos corações diariamente feridos pelo melodioso acento de suas cordas… Até na maneira de ser tocado — contra o peito — lembra a mulher que se aninha nos braços do seu amado e, sem dizer-lhe nada, parece suplicar com beijos e carinhos que ele a tome toda, faça-a vibrar no mais fundo de si mesma, e a ame acima de tudo, pois do contrário ela não poderá ser nunca totalmente sua.
Ponha-se num céu alto uma Lua tranqüila. Pede ela um contrabaixo? Nunca! Um violoncelo? Talvez, mas só se por trás dele houvesse um Casals. Um bandolim? Nem por sombra! Um bandolim, com seus tremolos, lhe perturbaria o luminoso êxtase. E o que pede então (direis) uma Lua tranqüila num céu alto? E eu vos responderei; um violão. Pois dentre os instrumentos musicais criados pela mão do homem, só o violão é capaz de ouvir e de entender a Lua.
| Encontraremos o amor depois que um de nós abandonar os brinquedos. Encontraremos o amor depois que nos tivermos despedido E caminharmos separados pelos caminhos. Então ele passará por nós, E terá a figura de um velho trôpego, Ou mesmo de um cão abandonadoo, O amor é uma iluminação, e está em nós, contido em nós, E são sinais indiferentes e próximos que os acordam do seu sono subitamente. |
Augusto Frederico Schmidt.
Veríssimo. O filho. Enquanto Murillo Mendes não vem. Janeiro 4, 2010
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Bom mesmo
Tem uma crônica do Paulo Mendes Campos em que ele conta de um amigo que sofria de pressão alta e era obrigado a fazer uma dieta rigorosa. Certa vez, no meio de uma conversa animada de um grupo, durante a qual mantivera um silêncio triste, ele suspirou fundo e declarou:
- Vocês ficam ai dizendo que bom mesmo é mulher. Bom mesmo é sal!
O que realmente diferencia os estágios da experiência humana nesta Terra é o que o homem, a cada idade, considera bom mesmo. Não apenas bom. Melhor do que tudo. Bom MESMO.
Um recém-nascido, se pudesse participar articuladamente de uma conversa com homens de outras idades, ouviria pacientemente a opinião de cada um sobre as melhores coisas do mundo e no fim decretaria:
- Conversa. Bom mesmo é mãe.
Depois de uma certa idade, a escolha do melhor de tudo passa a ser mais difícil. A infância é um viveiro de prazeres. Como comparar, por exemplo, o orgulho de um pião bem lançado, o volume voluptuoso de uma bola de gude daquelas boas entre os dedos, o cheiro da terra úmida e o cheiro de caderno novo?
- Bom mesmo é o cheiro de Vick VapoRub.
Mas acho que, tirando-se uma média das opiniões de pré-adolescentes normais brasileiros, se chegaria fatalmente à conclusão de que nesta fase bom mesmo, melhor do que tudo, melhor até do que fazer xixi na piscina, é passe de calcanhar que dá certo.
Mais tarde a gente se sente na obrigação de pensar que bom mesmo é mulher (ou prima, que é parecido com mulher), mas no fundo ainda acha que bom mesmo é acordar na segunda-feira com febre e não precisar ir à aula.
Depois, sim, vem a fase em que não tem conversa. Bom mesmo é sexo!
Esta fase dura geralmente até o fim da vida, mesmo quando o sexo precisa disputar a preferência com outras coisas boas (“Pra mim é sexo em primeiro e romance policial em segundo, mas longe”). Quando alguém diz que bom mesmo é outra coisa, está sendo exemplarmente honesto ou desconcertantemente original.
- Bom mesmo é figada com queijo.
- Melhor do que sexo?
- Bom…Cada coisa na sua hora.
Com a chamada idade madura, embora persista o consenso de que nada se iguala ao prazer, mesmo teórico, do sexo, as necessidades do conforto e os pequenos prazeres da vida prática vão se impondo.
- Meu filho, eu sei que você aí, tão cheio de vida e de entusiasmo, não vai compreender isto. Mas tome nota do que eu digo porque um dia você concordará comigo: bom mesmo é escada rolante.
E esta é a trajetória do homem e seu gosto inconstante sobre a Terra, do colo da mãe, que parece que nada, jamais, substituirá, à descoberta final de que uma boa poltrona reclinável, se não é igual, é parecido. E que bom, mas bom MESMO, é nunca mais ser obrigado a ir a lugar nenhum, mesmo sem febre.
Luiz Fernando Veríssimo
PS - Prefiro o inferno definitivo à duvida provisória
Um clássico. Janeiro 3, 2010
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PS – Esse clipe me traz recordações muito boas. Yellow House efervescia. Fumaçava. O Coliseu lotava, ainda. O bom rock feito na zona norte. E tínhamos a TV e John e Yoko. Ela continua viva. Ele nunca morreu. “Começando novamente” foi a linha divisória da loirinha que lascava o Sabiá para uma nova vida onde Sabiá não se lascava tanto. Um novo amor. Amém.
A melhor capa. A melhor banda. Fala aí João Carlos(***) Janeiro 3, 2010
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(***) Todos os beatlemaníacos do fusca: Arsênio, Clávio, Carlos Henrique. Todos. É que a batuta do maestro João Carlos acendeu o fogo e pôs pimenta no caldeirão. Hoje foi uma tarde de comentários felizes. Continuemos na medida de outros finais de semana. A felicidade é uma arma quente. Então:
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”: duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.
PS- 15 detalhes sobre o album Sgt Pepper’s , que segundo os beatles foi o “sargento pimenta” que ensinou a banda a tocar:
- O Sargeant Pepper’s foi o oitavo álbum da banda.
- O disco foi gravado nos famosos estúdios de Abbey Road em um período de 129 dias, custando 25 mil libras (hoje, o equivalente a aproximadamente R$ 96 mil).
- O Pink Floyd estava gravando “Piper at the Gates of Dawn” no estúdio ao lado, ao mesmo tempo.
- Acredita-se que a idéia de fazer o disco como se Sargeant Pepper’s fosse uma banda de verdade tenha sido de Paul McCartney.
- O álbum foi feito para ser tocado de uma vez só, do começo ao fim.
- Semanas depois do lançamento do disco, Jimi Hendrix já tocava a música-título em seus shows.
- Foi o primeiro álbum de rock a ganhar o Grammy de melhor disco do ano e de melhor disco contemporâneo.
- A revista Rolling Stone colocou o Sargeant Pepper’s em primeiro lugar numa lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos.
- O design da capa foi feito por Peter Blake: uma colorida colagem de fotografias de papelão em tamanho real de pessoas famosas, incluindo Marlon Brando e Karl Marx.
- A atriz Mae West inicialmente recusou aparecer na capa, mas mudou de idéia depois de receber uma carta dos Beatles.
- O design original foi modificado antes do lançamento do disco, com as imagens de Jesus e de Hitler sendo retiradas da foto.
- Havia rumores de que a música “Lucy in the Sky with Diamonds” seria uma referência à droga LSD. Lennon sempre negou isso, insistindo que a canção foi inspirada em um desenho feito por seu filho, Julian.
- A letra da música “Being for the Benefit of Mr Kite” foi adaptada quase que palavra por palavra de um antigo cartaz de circo, que John Lennon comprou numa loja de antigüidades.
- A voz de McCartney foi acelerada na canção “When I’m 64″ para que tivesse um som mais original.
- Com quase cinco milhões de cópias vendidas, “Sergeant Pepper’s” foi o álbum mais vendido na Grã-Bretanha em todos os tempos (excluindo coletâneas).
PS II – Tô mexendo em casa de maribondo. Lá vem tromba.
O Hubble captou nosso bate-bola. Janeiro 2, 2010
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Viramos a página do tempo. Pelo menos o nosso tempo. O tempo dos calendários.
Porque temos outro tempo. Sagrado. Inviolável.
Que não depende senão dos corações e mentes e nossos espíritos.
E do quanto somos capazes de amar. A todos. Além daqueles que já amamos:
“Amar os estranhos, os diferentes. Os que batem de frente e teimam de teimar com a nossa opinião. Os sozinhos, os distantes, os abandonados. Os invisíveis.”
Nossas esposas, nossos filhos, nossos pais, nossos amigos.
Irmãos, irmãs, a sobrinhada toda, que é mesmo que filho e que filhos são também na verdade.
É esse tempo, que é medido pelo bate-bola do nosso lado esquerdo do peito.
Nosso melhor lado. Talvez. Mas com certeza o lado que dá a vida um brilho novo.
Que faz realmente um ano ser novo. Independentemente da ilusão dos dias.
É o lado que solta a pedra das nossas mãos. Trava a língua. Estende o perdão.
Lado teimoso porque briga com o outro lado, mais teimoso ainda.
E não é fácil perdoar. Pedir perdão então. De joelhos?
E rezar! Agradecer a um Deus que ninguém sabe o nome. Mas sabe que ele É.
E não importa, pelo menos assim vejo, se frequentamos templos, cantamos, louvamos.
Vestimos túnicas. Entoamos mantras. Carregamos bíblias, rosários, alcorões.
Não importa nem o tamanho da fé.
O mestre nos legou… se ela for do tamanho de uma semente de mostarda…
Pois é. Pois ia. A poesia é a minha religião.
Porque através da sua lente eu enxergo melhor meu lado esquerdo.
E paro de brigar com o lado mau. Tento e vivo perdendo.
E agradeço as bençãos. Infinitas.
E cada ser que passou ao meu lado, desde que entrei neste mundo maravilhoso e louco, espero, não tenha sido em vão.
Há muito que fazer.
Sim.
Saíremos com a obra inacabada.
Mas queira Deus, a caminho da Eternidade, do mistério, do insondável…
Deixando aqui amores, amigos, filhos, poemas, que nos olharão, como essa foto aí e dirão:
esse era dos nossos. Da raça humana. Gente boa.
Amém.
PS -” Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar.”






