Em memória de Gilberto Maymone, Francisco Neto & Cia Ltda. Foram muitos, tantos. Contra a homofobia que ataca os artistas, bancários, gente de todas as classes, pelas suas escolhas sexuais. Como se isso definisse se podemos ou não viver mais um pouco, um pouquinho só nesse mundão de Riobaldo…

Amor de poeta

Marcelino Freire


O poeta?

Conheci o poeta, sim, na rua.

É, na rua.

Lembro como se fosse hoje, agorinha. Existia uma praça e a gente ficava até a noite. Encostado, vendo o povo passar. Os caras para lá, lálálá. A gente às vezes assobiava sujo.

Eu trabalhava perto da São Bento. Perto da São Bento, não lembro.

Nasci em Araxá.

Sou mineiro de Araxá.

O poeta?

Ele estava de óculos, como sempre. E eu pisquei, eu pisquei assim.

Assim, ó: assim, para conquistar.

Não, não sabia.

Importante era presidente da república, governador. Nem sabia o que um poeta fazia da vida.

Não sabia.

Eu gostava de música.

De samba.

Samba de roda.

Ele me levou para sua casa, sim. Tocou piano, uma marchinha.

A gente ficou ali.

Ficou ali, só. Não tinha essa afobação no primeiro dia.

Dava para ver que era gente educada, letrada. Perguntou se eu estudava. Estudei nada. Escola era para quem tinha uma boa família.

E para quem não tinha preguiça. Eu não queria nada com a vida.

Morava na Barra Funda, Santa Cecília.

18 anos, acho.

O meu sorriso era bonito, ele dizia. E o meu corpo era bonito. Eu gostava de correr, montar, fazer exercícios.

E nadar no Rio Pinheiros.

No Rio Pinheiros, para você ver.

Ele deu um livro para mim. Eu aceitei.

O livro assinado. Se eu soubesse que valia alguma coisa não tinha jogado o livro na rua.

Jogado na chuva. Pisado em cima. Eu tinha roubado era a biblioteca toda.

Era uma biblioteca muito bonita.

Muito bonita.

Poesia nunca encheu barriga.

Até hoje é assim, não é?

A gente se encontrou outras vezes, na mesma esquina. Na mesma praça. Hoje nem sei o que foi feito daquela praça.

Você sabe o que foi feito daquela praça?

No terceiro dia, não sei. Ele veio me tocar. Eu cheio de saúde, deixei. Lálálá.

Eu não era bobo.

Ele me dava dinheiro, me dava camisa, comprava sapato. Mas foi ficando meio pegajoso. Pegajoso.

Agüentei por causa das facilidades, entende? Eu queria um terno, sei lá, uma casa.

Sim, uma casa para morar.

Ganhei um terno e um chapéu novo.

Ele conheceu meu pai, minha mãe. Conheceu minha irmã pequena.

Minha irmã pequena era doente. Morreu de repente.

Ele pagou o enterro todo.

Foi osso quando eu arranjei uma namorada. Foi osso. A coisa engrossou para o meu lado.

Queria compromisso, pode?

No meu pensamento, não era assim tão sério.

Ele inventou uma viagem só para me tirar de perto da Bebel.

Bebel era o nome dela.

Maria Isabel.

Pagou tudo e eu fui com ele. Conheci Pernambuco. Bebi muita água de coco. A gente viajou pelo Nordeste do Brasil.

Como é lindo o meu Brasil, ele dizia. Demorou cinco anos, não sei.

Que a gente ficou junto.

Ele falava sempre que tinha um livro novo. Me mostrava o jornal. Queria que eu entendesse o que ele lia, como podia? Eu, burro desse jeito.

Burro, burro.

Coisa comprida, de dá sono. Mas eu ficava ali, no maior interesse. Me dava de tudo, não queria que eu voltasse para a praça. Queria que eu ficasse com ele, a vida inteirinha.

Coisa chata. Não ia dar certo.

Fui ficando nervoso. Dei para beber. Ele ganhava uns vinhos importados. Era comigo mesmo.

O quê?

Eu também fumava. Depois que a coisa foi me cansando, aumentei o número do cigarro.

Comecei a beber cachaça.

Muita cachaça.

Ele detestava. Vivia querendo salvar o mundo com a sua poesia. Até hoje não sei para que servia tanto verso, tanto verso.

O Tietê tá aí, não deixou de morrer. São Paulo, dá dó de ver.

De quando em quando, eu lembro dele. Não dá pra esquecer, não é?

Era homem muito bom o poeta.

O que mais você quer saber? Mais o quê?

Descobriram o amante do poeta.

É. Todo mundo só fala nisso. O senhor é que foi o amante do poeta? Onde conheceu o poeta? Na rua?

A fofoca tá em tudo que é jornal.

Pode perguntar para o pessoal, ninguém daqui acredita. Ninguém acredita.

Faz tempo que eu não recebo assim tanta visita.

PS – Você vê aquela gorda?Ela sofre da obesidade,
Você vê aquele gay? Ele sofre da homofobia,
Você vê aquele “viciado” na rua? Ele sofre da desigualdade social,
Você se olha no espelho e descobre que sofre de sua propria ignorância.

A Academia Brasileira de Letras perdeu, não o poeta que ganhou as estrelas , sempre passarinho…

” Senhor! Que buscas Tú pescar com a rede das estrelas?” Mário Quintana.

Na voz de Flávio José. Primeira:

Lisbela e o prisioneiro, na voz de Elza Soares:

Uma homenagem de um fã:

Rosa, João Guimarães & Drummond.

Publicado: 24/01/2012 em Poesia

João Guimarães Rosa


“Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranqüilos e escuros
como o sofrimento dos homens.”

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Um chamado João

“João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?
Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas,
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?
Tinha pastos, buritis plantados
no apartamento?
no peito?
Vegetal ele era ou passarinho
sob a robusta ossatura com pinta
de boi risonho?

Era um teatro
e todos os artistas
no mesmo papel,
ciranda multívoca?
João era tudo?
tudo escondido, florindo
como flor é flor, mesmo não semeada?
Mapa com acidentes
deslizando para fora, falando?
Guardava rios no bolso,
cada qual com a cor de suas águas?
sem misturar, sem conflitar?
E de cada gota redigia nome,
curva, fim,
e no destinado geral
seu fado era saber
para contar sem desnudar
o que não deve ser desnudado
e por isso se veste de véus novos?

Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
e precipites prodígios acudindo
a chamado geral?
Embaixador do reino
que há por trás dos reinos,
dos poderes, das
supostas fórmulas
de abracadabra, sésamo?
Reino cercado
não de muros, chaves, códigos,
mas o reino-reino?
Por que João sorria
se lhe perguntavam
que mistério é esse?

E propondo desenhos figurava
menos a resposta que
outra questão ao perguntante?
Tinha parte com… (não sei
o nome) ou ele mesmo era
a parte de gente
servindo de ponte
entre o sub e o sobre
que se arcabuzeiam
de antes do princípio,
que se entrelaçam
para melhor guerra,
para maior festa?

Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
de se pegar.”

Carlos Drummond de Andrade -22/11/1967 - Versiprosa

 

Postei aqui há poucos dias a matéria com seu Lucas.

Dono do último táxi fusca e cor de  laranja que tinha os dias contados para rodar no Recife.

Apareceu tanto na imprensa, que sua vida sofrida , de tanta luta, foi abreviada.

Bandidos lhe roubaram a vida.

Seu Lucas.

Seu Fusca.

Nossa saudade.

 

PS – Carlos Pena Filho disse tudo:

“Recife, cruel cidade,
águia sangrenta, leão.
Ingrata para os da terra,
boa para os que não são.
Amiga dos que a maltratam
inimiga dos que não,
este é o teu retrato feito
com tintas do teu verão
e desmaiadas lembranças
do tempo em que também eras
noiva da revolução.”(Guia Prático da Cidade do Recife – O Fim, 1999:142-143)

 

 

 

Você cria seus filhos.

Lutando contra a pior das drogas: a televisão.

Sobrevive a família encontrando no DNA de todos os ancestrais o caminho do bem.

Seus filhos correspondem. Dão muito trabalho.

Mas as alegrias infindas.

E tudo vai passando.

Chega então o momento em que um deles lhe avisa:

- vou para o protesto contra as passagens de ônibus amanhã.

Você se lembra dos seus 17 anos e alguma coisa.

Você se lembra do primeiro congresso depois da reabertura da UNE.

Você foi ao primeiro comício de Arraes.

Participou das campanhas de Marcos Freire e Jarbas. Quando este não havia sido clonado.

E seus pais ali do lado lhe advertindo. Em vão…

Hoje eu rezo. Apenas.

Rezo para que um tiro de borracha não pegue na minha filha.

Ou uma porrada, ou um inocente gás de fazer chorar. Quem ri são os políticos.

Os próprios policiais que descarregam no braço o que o cérebro e o coração escasseiam: respeito ao próximo.

Não posso impedir minha filha de comparecer a um ato coordenado pela casa de Tobias Barreto.

Ela que nem matriculada ainda está no curso de Direito.

Mas é a vida.

E ela é muito perigosa mesmo.

Fico aqui rezando. Conselhos? – já desfiei um rosário deles.

Não adiantou comigo.

Pois a juventude tem seus ideais e suas idéias.

E isto é aproveitado muito bem pela nossa escória política.

Aqueles que andam de carros blindados e cujos filhos vão ao exterior.

Nós ficamos na Terra Brasilis, com crack e tudo.

Assalto a banco e tudo.

Tiros nos sinais e tudo.

E mesmo assim mantemos a fé.

A poesia nossa de cada dia que nunca nos falta.

A música que nos acompanha nos momentos de seca.

Os amigos e os familiares.

Então é ir.

E voltar.

Porque como diria Riobaldo:

“Eu careço de que o bom seja bom e o rúim ruím, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero todos os pastos demarcados… Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero. Ao que, este mundo é muito misturado.” Guimarães Rosa.

Para Edgar Mattos

” O homem não tem uma natureza, mas uma história.

   O homem não é um objeto, mas um drama.

   Sua vida é algo a ser escolhido, inventado ao longo de sua trajetória,

   e um ser humano é fruto dessa escolha e invenção.

   Cada ser humano é seu próprio romancista e , embora 

   podendo optar entre ser um escritor original ou um plagiarista,

   não pode escapar da escolha…

   Ele está condenado a ser livre.”

A VIDA EM 24 FPS. POR HOULDINE NASCIMENTO.

O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy, Inglaterra, 2012).  Suspense, 122 min. Cotação: ***1/2

Há alguns anos, “O Jardineiro Fiel” (2005), de Fernando Meirelles, havia dado uma lição de como uma obra de John Le Carré deve ser levada ao cinema. O filme era um thriller muito intrigante, que trazia o lado sujo da indústria farmacêutica, e não à toa é considerado a melhor adaptação de um livro dele. Entretanto, foi com romances de espionagem passados na Guerra Fria que Le Carré se fez notar. Um conhecimento que adquiriu enquanto diplomata no início dos anos 60. E o que é a sua especialidade, é trazido mais uma vez em “O Espião que Sabia Demais”, saído da publicação homônima de 1974.

Logo nos primeiros minutos, ficamos sabendo do que se trata: há um agente duplo no Circus, alto comando do serviço secreto britânico (o MI-6). E a missão de George Smiley, interpretado por Gary Oldman, é justamente descobrir quem é que envia as informações sigilosas para os soviéticos. Essa desconfiança partiu de Control (John Hurt), chefe dessa divisão de elite do MI-6 e que não tem condições de continuar a investigação.

Ex-membro do Circus, Smiley foi forçado a se aposentar há pouco depois de uma operação em Budapeste, na qual não estava envolvido, dar errado e tem de sair de seu descanso para averiguar essa suspeita de que uma das quatro pessoas com quem trabalhou na alta cúpula é o espião. Para isso, solicita a ajuda de Peter (Benedict Cumberbatch), que ainda continua a trabalhar no serviço secreto. Será preciso muita paciência para desvendar o caso, tal qual a analogia que se faz com as peças de um tabuleiro de xadrez.

Apresentado em uma narrativa não-linear, causa confusão na cabeça do espectador pelas inúmeras informações que surgem a cada minuto. Apesar de ritmo lento, o mais que denso roteiro exige muita concentração para que se captem as nuances. O diretor sueco Tomas Alfredson (aquele do terror vampiresco “Deixe Ela Entrar”) elaborou o filme contando bastante com a inteligência do público. De qualquer forma, é bem provável que uma única visualização não seja suficiente, o que configura um grande problema.

A história resulta datada e a sensação tida é de que os roteiristas despejaram além do que puderam dela (e só corrobora a tese de que não é fácil adaptar John Le Carré). Há mais de três décadas, precisamente em 1979, o mesmo texto originou uma minissérie na BBC com Alec Guinness no papel principal e fazia todo sentido naquele momento.

A seu favor, pode-se destacar o elenco de primeira classe (poucas vezes nos últimos anos se viu atuações tão pontuais). Encabeçado por Gary Oldman, que tem um desempenho extremamente analítico, calculista, diferente do que nos habituamos a ver (pouco lembrado em premiações, ele desta vez pode receber sua primeira indicação ao Oscar), também traz figuras conhecidas do grande público como o já citado John Hurt, o recém oscarizado Colin Firth, Mark Strong, Toby Jones e Tom Hardy.

Ao contrário do que se possa pensar, este é um filme sério e quase não tem relação com os tantos longas que se fazem nessa linha, tentando dar uma abordagem mais realista e com bem menos glamour (soa até irônico dividir espaço com “Missão Impossível 4”, ainda em cartaz no Brasil). Consegue fazer uma boa reconstrução da época, auxiliada por uma discreta fotografia que alterna entre o marrom e tons pastel.

Esquecido no Globo de Ouro, “O Espião que Sabia Demais” foi nomeado a 11 categorias do BAFTA, a maior premiação do cinema inglês. Conduzido com frieza, é um genuíno suspense, em que se acompanha passo a passo o seu delinear. Não é para qualquer um.

Tropa de Elite 2 fora do Oscar 2012

 

Na última quarta-feira (18), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles, responsável por distribuir os prêmios do Oscar, divulgou a lista dos nove filmes semifinalistas à categoria de filme em língua estrangeira. E o brasileiro “Tropa de Elite 2” foi um dos 54 eliminados.

 

Continuam na disputa: o iraniano “A Separação”, que é o favorito;

“Bullhead”, da Bélgica;

“Monsieur Lazhar”, do Canadá;

“Superclásico”, da Dinamarca;

O documentário alemão e em 3D “Pina”, de Wim Wenders;

“Footnote”, de Israel;

“Omar Killed Me”, do Marrocos;

“In Darkness”, da Polônia;

E por fim “Warriors of the Rainbow: Seediq Bale”, de Taiwan.

 

Os cinco nomeados serão anunciados na próxima terça (24).

 

Opinião: Já joguei a toalha. Francamente, quando fazemos um filme de grande qualidade e reconhecido pela própria crítica americana, eles tratam de rejeitar… A mesma coisa fizeram com “Cidade de Deus”. Não sei o que se passa na cabeça dessa turma…

 

 DESPACHO EM VERSO

 

                                              Por EDGAR MATTOS

 

A professora Lucyde Almeida Barbosa,lotada em São Bento do Una, dirigiu, em versos,  ao Secretário Estadual de Educação,  o seguinte requerimento:

 

“Exmo. Sr. Secretário de Educação

Desejaria apenas um minuto de atenção

Afastei-me da escola

Sem a sua permissão

Mas mandei requerimento

Justificando a razão

Desse meu afastamento

Pra cursar pós-graduação

Afastamento já aprovado

Pela Creuza Aragão

 

Como o curso começava

No início do mês em questão

Aproveitei todos os sábados

Feriado não levei em consideração

Dando as aulas que podia

Por antecipação

Completei a carga horária

E fiz recuperação

Tudo como explicitam as leis

Que regem a Educação

 

Mas como sempre acontece

Houve reprovação

E os trinta e dois reprovados

Da escola, aprontaram a delação

Dirigiram-se ao Dere

Que lhes deu toda razão

Mandou-me fazer novamente

Uma nova recuperação

Para aprovar todo mundo

Causou-me indignação

Se eu cumpri a minha parte

Consciente da minha missão

 

Complementei carga horária

Fiz recuperação

Aprovei quem tinha condição

Disso não tenham dúvida não

Por que me condenam ?

Por antecipar uma reposição ?

Ou por não jogar analfabetos

No meio da multidão ?

Então eu pergunto Excelência

Que papel é o do professor ?

De trabalhador da messe

Ou do circo o senhor ?

 

Eu conheço a videira

Que dá frutos de valor

Eu conheço a videira

Que dá vinho sem sabor

Quem mais conhece o filho

A mãe ou o genitor ?

Assim senhor Secretário

Analise a situação:

Não se pode reprovar !

Como anda a Educação

Se não agi com justiça

Não me dê nenhuma atenção

Ou defira o meu requerimento

Se der a isso aprovação

Porque tenho certeza de estar certa

E espero em Deus solução”

 

Para não mudar a forma do processo, eu, então o titular da Secretária Estadual de Educação, também despachei em verso:

 

Professora Sueli

Dessa terra de São Bento

Eis o que resolvi

Sobre seu afastamento

Para a pós-graduação

Que feito sem requerimento

Deu em tanta confusão

Se não houver prejuízo

Como reza a informação

Professora lhe aviso

Dou-lhe absolvição

Em homenagem a  seu verso

Que tem ritmo e picardia

Lhe perdoo mas lhe peço

Aprenda que autonomia

Tem limite no direito

Pois nesta Secretaria

Se se deixar “levar no peito”

Ensino vira anarquia

Sem São Bento que dê jeito.!

R  O  C  K     B  R  A  S  I  L

 

Uma crítica contumaz que se fazia e se faz ao chamado Brock é que,diferente dos outros tantos estilos musicais, este carece de um sotaque brasileiro. Nos anos 80, quando definitivamente o rock sentou praça por aqui, houve até quem relacionasse os “nossos”  com os originais estrangeiros.  Algo do tipo B-52s (Blitz), THE SMITHS (Legião Urbana), DURAN DURAN (RPM), HARRISON (Lulu),STONES (Barão Vermelho),THE POLICE (Paralamas) etc, etc. Ora, toda e qualquer música popular não veio do nada. Se formos atrás, elas estão bem distante, lá nas cavernas dos nossos antepassados. Os cantos e batuques tribais dos escravos africanos deram no blues/jazz e as canções do folk anglo-saxão deram na country music americana e, todos juntos deram no ROCK.  Este em particular, ao aportar na Jamaica virou “rock steady” e então, o reggae. Pelas mãos mexicanas/gitanas de CARLOS SANTANA deu-se o Latin Rock e no Reino Unido, virou o eternamente festejado British Rock, de onde se originou o psicodelismo,o progressivo, o heavy metal,o punk e o new wave e…

Foi com um olho nas Big Bands que Severino Araújo fundou a nossa eterna Orquestra Tabajara que além de Tommy Dorsey e Glenn Miller acrescentou a “gafieira” aos metais em brasa. Foram nossos heróis de formação erudita, que ralavam nas noites cariocas tocando jazz que trouxeram o samba prá pedaço e raiaram com a Bossa Nova e, hoje em dia, qualquer esquimó a identifica como música autenticamente brasileira.

A coisa toda é um “processo”. Às vezes lento, às vezes rápido. Acreditem mas, CAUBY PEIXOTO, AGOSTINHO DOS SANTOS e ELIS REGINA gravaram rocks sem muita aceitação mas, quando CELY CAMPELO lançou suas versões bem apropriadas, a coisa pegou e sobrou até para seu irmão TONY e o fugaz CARLOS GONZAGA. A JOVEM GUARDA, apesar de bem sucedida comercialmente, manteve as “versões” como padrão embora ROBERTO e ERASMO criassem alguns clássicos nos primórdios. Justamente o TROPICALISMO, já chegou com todos os ingredientes do rock brasileiro, juntando tudo,inclusive a Jovem Guarda,na panela. Claro que OS MUTANTES faziam rock com a cara (e a coragem) de MPB mas, é só dá uma olhada na época para se identificar em Gil,Caetano e Gal as mesmas tendências. Aquilo era rock sim e muito verde-amarelo-azul-anil. Mais tarde houve sim uma tentativa  fracassada de se copiar o “rock progressivo” mas ERASMO CARLOS e principalmente RITA LEE e o RAUL SEIXAS já esbanjavam nossa malemolência musical em seus inseparáveis rock and rolls. Nada mais brasileiro.

Só no início dos agora históricos ANOS 80 o rock tirou seu visto de permanência no Brasil. De início, tocando fundo a alma brasileira com temas do agrado nacional: humor e amor. A BLITZ estourou com o casal suburbano das batatas fritas. OS PARALAMAS cantavam a moto que papai proibia de Vital que, por trás das lentes era um cara legal. Paulinha e o KID ABELHA não queriam saber de solos de guitarra e de bermudas, o caso era sério. O BARÃO descrevia a trajetória de Bete Balanço para os “insensíveis” TITÃS enquanto a atônita LEGIÃO URBANA questionava: será só imaginação ?  É claro que, as gravadoras foram às nuvens e despejaram, sem critérios lixos do tipo METRÔ, MAGAZINE, SILVINHO BLAU-BLAU, CAMISA DE VÊNUS, ENGENHEIROS, NENHUM DE NÓS, YAHOO e… haja paciência ! Mas quem tinha bala na algibeira cresceu, depurou-se e criou canções que, marcaram uma geração e permanecem, já incorporadas à melhor música brasileira. Estilos foram depurados, experimentações musicais e líricas foram urdidas e só as tragédias da vida nos privou de artistas brilhantes que ainda prometiam mais e melhores “blues”. Confesso que não gostava da LEGIÃO. Achava que não estava a altura do talento do Renato Russo com sua voz e versos poderosos (mas é óbvio que não sou o Senhor Verdade Absoluta). CAZUZA cada vez mais cortava o cordão umbilical e o mimo dos papais e crescia como pessoa e artista. IRA,PARALAMAS e TITÃS mantiveram o nível de qualidade (Hebert Vianna é um gênio assim como o Arnaldo Antunes). LULU SANTOS continua perene como o último romântico (e guitarrista fantástico). PAULA TOLLER é sempre ótima e dulcíssima. Será que o Mangue Beat vingaria se os 80 não abrissem as portas ? E mesmo desse movimento musical pernambucano pudemos constatar que “quem é bom fica!” e gera frutos.  O SKANK já está entre os grandes e mesmo o deboche,a ironia e as piadas certeiras dos MAMONAS (que tanto me fizeram gargalhar) não escondiam os bons músicos que eram e a inteligência malandra do DINHO. O lixo “broda”, o gato enterrou, como de costume. E temos sim o nosso rock. Ou melhor… roque !

 

POSFÁCIO ESPECIAL DE LUXO POR EDGAR MATTOS:
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Mais que todas as instrutivas sabatinas do nosso Maestro JC, esta de hoje eu qualifico de ‘essencial”. De forma sintética e clara ela explica a origem de tudo. O processo. Mais Lavoisier ( foi ele mesmo ? ) do que nunca: nada se cria, tudo se transforma. Muito pedagógico. Simples e abrangente.Etimologicamente magistral ! Hoje vou dormir menos ignorante. Ao som de um brasileiríssimo roque…

 

PS – João Carlos, me permite esse vídeo “intrometido” no seu belo artigo.

Vamos esperar o nosso Engenheiro de Som chegar de Porto.

Mas vamos mandando nossos rocks por aqui. Brazucas. Do bão.

 

A não-violência e a covardia não combinam. Posso imaginar um homem armado até os dentes que no fundo é um covarde. A posse de armas insinua um elemento de medo, se não mesmo de covardia. Mas a verdadeira não-violência é uma impossibilidade sem a posse de um destemor inflexível.

Mahatma Gandhi

 

 

DIA NACIONAL DO FUSCA.

Publicado: 20/01/2012 em Estatuto do Fusca

O DIA MUNDIAL É OUTRA ESTÓRIA. LÁ PROS MUNDARÉUS DE JULHO.
Aqui é hoje.
E tome Fusca.
Eis o vídeo do clube do Fusca do ano passado.
Quem tiver alguma nova estória.
Estão na Tribuna Fusca.
Justa homenagem aos fuquinhas.

19 de Janeiro de 1982.

36 anos e uma consagração.

Não adianta lembrar a data. Nem os trinta anos que se passaram.

A maior cantora do Brasil.

E acordamos em branco e preto.

Não havia a Web.

Não havia as ondas dos celulares.

Não havia os teclados loucos.

A pressa inimiga. As teletelas. BBB nem pensar.

Mas havia ELIS .

A pimentinha.

Nossa musa que amava o Recife e eu só vim saber hoje.

Que gostaria de voltar a terrinha após o último show em 1979 e não voltou mais por aqui.

A mulher que mais amou e mais cantou as dores das impossíveis separações.

E continuamos atrás da porta.

Esperando a sua volta.

Como os nossos pais.

Que da mesma forma que os nossos filhos também viveram o furacão.

Num Janeiro ensolarado houve um rápido eclipse.

E distante, uma pequena homenagem ao Criador.À Capela.

Ela foi falar com D’us sem piano e sem falsete.

PS – João Carlos faria algo muito mais belo, poético e musical. André Gustavo no Som e Arsênio completando com toda literatura e a história de Elis. Atrevimento meu. Mas está incompleto e será completado ainda por Magna, Edgar e Tadeu. E quem mais vier neste Arrastão de Saudades.

Só para lembrar:

” Metade de mim é um Anjo
A outra metade Tsuname
O conjunto efeito do momento”.
Elis.

Terça de Paz.
Terça de Agradecimento.
Terço no Pátio do Terço tomando uma caeba.
Ou um Bu-canas.
Terça de joelhos.
Terça com o vizinho arrancando os últimos miligramas de paciência.
Terça em semitom.
Terça em tablatura.
Terça em bemóis.
Terça de Céu.
É um longo caminho meus Brodas.
E até aqui nos ajudou Nosso Senhor Jesus Cristo.

Woke up this morning
Singing an old, old Beatles song
We’re not that strong, my lord
You know we ain’t that strong
I hear my voice among others
In the break of day
Hey, brothers
Say, brothers
It’s a long long long long way
Os olhos da cobra verde
Hoje foi que arreparei
Se arreparasse a mais tempo
Não amava quem amei
Arrenego de quem diz
Que o nosso amor se acabou
Ele agora está mais firme
Do que quando começou
It’s a long road
A água com areia brinca na beira do mar
A água passa e a areia fica no lugar
E se não tivesse o amor
E se não tivesse essa dor
E se não tivesse sofrer
E se não tivesse chorar
E se não tivesse o amor
No Abaeté tem uma lagoa escura
Arrodeada de areia branca

O Cinema em 2011

Pode-se dizer que o ano foi positivo para o cinema, apesar dos tantos desastres (que nunca deixaram de aparecer qualquer época fosse). 2011 foi marcado pelo retorno de um importante cineasta: Terrence Malick. Conhecido por sua introspecção, entregou “A Árvore da Vida”, obra que busca desvendar a origem de tudo e pela qual venceu a Palma de Ouro em Cannes.
Na contramão disso, o dinamarquês Lars Von Trier trouxe um filme apocalíptico (“Melancolia”) e que ficou ofuscado por sua piada de mau gosto sobre nazismo, no mesmo festival, embora tenha dado o prêmio de atriz à Kirsten Dunst.
Não é bem uma volta, mas é bacana constatar que o bom e velho Woody Allen está com a criatividade dos tempos áureos aflorada. Desta vez, realizou um filme num universo semelhante à “Rosa Púrpura do Cairo”. De maneira encantadora, “Meia-noite em Paris” mostrou a relação existente entre as culturas da França e dos EUA através da fantasia de um roteirista (Owen Wilson), no que talvez seja o melhor alter ego de Woody.
E o que dizer de Pedro Almodóvar? Quando se pensava que os esquemas de melodrama eram sua especialidade, ele resolve fazer com muita competência um suspense com ares de terror e ficção científica. “A Pele que Habito” marcou também o retorno de uma descoberta sua, o astro Antonio Banderas, a um de seus trabalhos.
No Brasil, o filme do ano sem dúvida é “O Palhaço”, do versátil Selton Mello. Uma fita maravilhosa e que nos deu uma sensação de nostalgia. Ainda merecem menção:
“Cópia Fiel”, primeiro trabalho do iraniano (e perseguido no seu país) Abbas Kiarostami na Europa;
“Namorados para sempre”, de Derek Cianfrance;
“Tudo pelo poder”, drama político de George Clooney;
“Super 8”, de J.J. Abrams;
“Planeta dos Macacos – a origem”, de Rupert Wyatt;
“Reencontrando a felicidade”, de John Mitchell;
“X-men: primeira classe”, de Matthew Vaughn;
“Harry Potter e as relíquias da morte 2”, de David Yates, encerrando o ciclo da série;
O ganhador do Oscar “O Discurso do Rei”, de Tom Hooper;
“O Garoto de Bicicleta”, dos irmãos Dardenne;
“Biutiful”, de Alejandro Inárritu;
“A Árvore”, de Julie Bertuccelli;
“Homens e Deuses”, de Xavier Beauvois;
“Bravura Indômita”, dos irmãos Coen;
“Medianeras”, de Gustavo Taretto;
“Reino Animal”, de David Michôd;
“Somewhere”, de Sofia Coppola;
“Um Sonho de Amor”, de Luca Guadagnino;
“Missão impossível: protocolo fantasma, de Brad Bird;
“Em um mundo melhor”, de Suzanne Bier;
“Incêndios”, de Denis Villeneuve;
“127 Horas”, de Danny Boyle;
“Inverno da Alma”, de Debra Granik;
“O Guarda”, de John Michael McDonagh;
“Poesia”, de Chang-dong Lee;
“A Chave de Sarah”, de Gilles Paquet-Brenner;
“Os nomes do amor”, de Michel Leclerc;
“O Homem do Futuro”, de Claudio Torres.
Alguns diretamente em DVD:

“A Minha versão do amor”, de Richard Lewis;
“Hanna”, de Joe Wright;
“Toda forma de amor”, de Mike Mills;
“Ganhar ou Ganhar: a vida é um jogo”, de Tom McCarthy;
“A Grande Virada”, de John Wells;
As animações também tiveram um bom ano com “O Mágico”, “Enrolados”, “Rango”, “Rio”, “Operação Presente”, “Gato de Botas”.
Apesar de tantas obras a se destacar, “Cisne Negro” é o melhor lançamento feito em nosso país. O longa do brilhante Darren Aronofsky (“Réquiem para um sonho”, “O Lutador”) contava a vida de uma bailarina, Nina Sayers (Oscar de atriz para Natalie Portman), entregue à busca pela perfeição, numa fascinante mescla de suspense e terror.

(*) Houldine Nascimento é Jornalista e autor do Excelente blog do Dine blogdodine.wordpress.com
E faz aniversário esta semana.
Vamos lá Houldine qual é o dia mesmo?

C A R L Y    S I M O N

Não bastasse ser uma bela morena com uma boca a la Sophia Loren, CARLY SIMON é dona de uma voz elegante e de um talento natural para compor. Ao contrário da maioria,nasceu em berço dourado. Seu pai era um bem sucedido proprietário de  editora.Contudo, a garota teve de ralar para ganhar notoriedade, cantando música folk ao lado da irmã como as Simon Sisters durante os anos 60. Sequer chegou à gravar algum disco.

Carly ainda hoje é uma artista coerente.Raramente teve estrondosos sucessos mas ganhou prestígio por se manter longe de modismos circunstanciais, desenvolvendo uma carreira perene,conquistando seu espaço aos poucos,sem arrebatamentos.Seus albuns sempre venderam bem e seus shows ainda lotam estádios pelo mundo, mas sempre sem exageros. Já no início dos anos 70,quando iniciou realmente sua carreira solo,podia-se notar que ali estava uma artista com conteúdo.Não foi à-toa que passou à conviver com grandes celebridades da música de então.Gente como Mick Jagger,Lennon,Paul Simon (não são parentes)  e casando-se com James Taylor, com quem teve um filho.

Curiosamente, CARLY à cada década conseguiu um “super hit number 1″ . Em 71 sua canção That’s the way I’ve always heard it should be chegou às paradas com sua letra versando sobre as dificuldades de um casamento.Como se vê, a conversa já começou longe do “cursinho pré-vestibular”, a voz da estreante era a de uma mulher. Ela foi em frente e já no segundo disco, NO SECRETS, de 72, The Right Thing To Do , abriu as portas do mercado internacional, mas a tocante balada You’re So Vain (com um modesto Mick Jagger no “backing vocal”) foi mais além, estabelecendo a cantante no mesmo patamar dos colegas incensados.Longe do deslumbramento,CARLY dividiu com o maridão James Taylor os vocais na regravação empolgante de Mockinbirde na deliciosa canção escrita por Taylor, Mexico. Ora mergulhando,ora voltando à tona ,CARLY SIMON marcou a década interpretando uma balada escrita para a trilha sonora de 007 – O Espião Que Me Amava, levando para casa  o OSCAR com NOBODY DOES IT BETTER. Nessa mesma época,sua cançãoYou Belong To Me chegou ao topo, interpretada pela banda The Doobie Brothers, embora poucos saibam que é de sua lavra.

Nos anos 80,em meio ao fogaréo das bandas “new wave” , CARLY SIMON não mudou de itinerário e meio “sem querer como quem quer”,pelas beiradas estourou com o album COMING AROUND AGAIN ,música tema do filme A Difícil Arte de AmarDesse mesmo disco,mais dois sucessos nasceram quase instantaneamente: Itsy Bitsy Spider , canção de temática infantil ,e a magistral interpretação do clássico As Time Goes By.Simplesmente,arrebatadora.Aquela gaita entremeando com o canto de Carly é um achado soberbo.

A mulher cada vez mais linda,continuou administrando a carreira na maciota e certamente estimulada pela boa recepção à AS TIME GOES BY,em meados dos anos 90, depois de uma rigorosa pesquisa, lançou um album imperdível chamado FILM NOIR. Uma coleção de canções temas de filmes antigos, arranjadas com muita elegância, formam um “todo” prá lá de chic. Lily Marlene e Every Time We Said Goodbye são as minhas favoritas. Já mais recentemente, depois de se redescobrir como intérprete e dentro da mesma linhagem,CARLY lançou o disco MOONLIGHT SERENADE sobre o qual nem é preciso comentar. Pelo arranjo da canção-título vê-se logo que estamos diante de pérolas.Puro bom gosto.

Que não se espere grandes surpresas dessa novaiorquina,cantora,compositora,pianista e violonista. CARLY SIMON,já chegando aos 70 anos,continua bela , cantando como nunca. E levando a vida na valsa… ou seria na bossa ?

A Revisao….

Publicado: 14/01/2012 em Poesia

O Fusca é finito. Ainda não finda.

Obrigado a todos é pouco.

A VIDA é muito maior que as vaidades humanas.

Um blog é apenas e tao somente um blog.

Nada mais, nada menos.

 

Domingos Savio

 

Poema de Chaplin.

Publicado: 07/01/2012 em ESPIRITUALIDADE, Poesia

Até o fim do recesso.

Peço desculpas a todos.

Mais uma semana e o Fusca volta na boa.

Em paz.

Eis a poesia nossa de cada dia, direto do BLOG : GALAKA.WORDPRESS.COM

 

 

Charles Chaplin -poemas

Posted on janeiro 20, 2008

 

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?
Charles Chaplin

Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.
Charles Chaplin

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é… Respeito.
Charles Chaplin

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz
Charles Chaplin

Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.
Charles Chaplin

Cada um tem de mim exatamente o que cativou, e cada um é responsável pelo que cativou, não suporto falsidade e mentira, a verdade pode machucar, mas é sempre mais digna. Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão. Perder com classe e vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a quem mais se atreve e a vida é muito para ser insignificante. Eu faço e abuso da felicidade e não desisto dos meus sonhos. O mundo está nas mãos daqueles que tem coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos.
Charles Chaplin

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é “muito” pra ser insignificante”
Charles Chaplin

 

31 /12/11

Eu lembro muito bem que mandei  um e-mail pro Domingão com um comentário sobre a visita de PAUL  McCARTNEY ao Brasil em novembro de 2010 que terminou em post. No dia 8/12/10, nos sempre tristes aniversários da “passagem” de LENNON, sugeri   que o Arsênio escrevesse algo sobre. Ainda acho que seria um texto maravilhoso, certamente, mas ele insistiu para que eu o fizesse e assim foi feito, porque eu não queria que aqueles 30 anos de saudades fossem ignorados.

Fiquei muito feliz com a receptividade de todos.Com a boa vontade e o carinho (tão raros noutros lugares)) da turma ,que mesmo não tendo eu,o dom da escrita, longe das maestrias dos gurus Edgar e Arsênio , das poesias do Domingão,Magna,Maia  e do Tadeu (vai ser jubilado por falta), Tadeu que não conhecia os TRAVELING WILBURYS e virou fã e,isso por si só,já fez o SS valer a pena. Então ,não tive pudores e enxerido como nunca (eu sou do tipo que se oferece), propus ao ex-dono do blog (agora o blog é nosso e ele é apenas mais um sócio KKKK) fazermos o SÁBADO SOM. E generosamente o Domingos me cedeu este espaço nobilíssimo . Sinceramente, quando me dei conta do meu “impulso”, tremi nas bases. Percebi que tinha muita história prá contar,relativas à música mas, dei-me conta  de que não eram tantas assim. O que fazer Jesus ? De repente, estava no Google, nos livros e revistas velhos, pesquisando, dirimindo dúvidas e na mais engraçada mendicância de “assuntos”. E então ?

Meu objetivo nunca foi ser professoral, dono da verdade e do bom gosto. A minha idéia, sempre, foi “levantar” a bola, propor um tema prá gente papear na “barbearia nos dias de sábado” (agora a barbearia foi promovida à salão-de-beleza com a feliz chegada da Magna). Confesso que não faço questão de preciosismos. Certamente fui impreciso em mil momentos mas,a idéia é essa. Alguém vai corrigir meus vacilos e pronto. Ótimo. Falamos de grandes feras do mundo  mágico da música. Visitamos estes craques internacionais e brasileiros. De cabeça,lembro que o primeiro “post” que escrevi em 2011, exatamente no dia 1/1/11,foi sobre o Creedence Clearwater Revival.  Então vieram  Deodato, Evinha , Raul Seixas, Glenn Miller, Pink Floyd, Yes, Elis Regina, Simonal, Wilburys, Chico Buarque, Roberto Carlos, Jovem Guarda, Phil Spector, Elvis, Isolda, Big Boy, The Who, Gal, Dominguinhos, Refazenda, Berry Gordy Jr, Geraldo Maia, Pepperland, Zé Rodrix, Liminha, Sticky Fingers (Stones), Novos Baianos , Lulu Santos, Os Mutantes, Elton John, Djavan, Beto Guedes, Helena Dos Santos, Taiguara, Karen Carpenter, Billy Presto Queen. Santana, Paul Simon, Allen Klein, Bangla Desh, White Album , Stevie Wonder, Tamarineira Village e o Manual do Festival. Haja assunto! Esqueci alguém ?

Ora, o melhor pedaço a gente guarda pro fim, certo ?  A parceria sempre certeira,oportuna e carinhosa do broda  ANDRÉ GUSTAVO. Cuja participação é/foi/será  no mínimo FUNDAMENTAL. Sempre. FELIZ 2012 meus queridos. Todos vocês!!! E não se animem! Vem muito mais “Sábado Som” à caminho.

Sem palavras…

Agora, Engenheiro do Fusca, cadê Magna? cadê Tadeu Rocha?

Deram o zignaw foi?

Quede o povo?

Achei.

Pense num piloto de Fusca burro,kkkkkkkk

Foi a Germana. Febe tife.

Óia:

 

Tribuna livre

Publicado: 30/12/2011 em Poesia

Foi bom para todos_?

Aloi que os urubu taum solto-
Andre quede as foto?
6 de la manhana.
Vamosimbora.
O fusca nao para. Noia.
Germana vai matar outro febe tife.
Vou trabaiaaaa.
Abracao a tdos-

Dom Mingao.

Caetano mandou avisar. Aqui da Terra mesmo.

Ontem, 21 anos.

Na trilha certeira dos brodas Edgar e João.
André e Arsênio.
E tantos outros.

No exemplo dos nossos pais.

Agradeço a Ana Luiza.

Aguentar esse chatonildo por 21 anos já lhe garante um bom lugar no Nosso Lar.

Agradeço aos meninos.

Como nos legam nossos amigos, os meninos e as meninas cresceram.

Eita, como estão bonitos.

Já estão rumando na direção das suas vidas.

Mas serão sempre os nossos ninos e ninas.

E mais não digo que o dia amanheceu.

E tem este longo dia até que a noite nos acalente.

Sem nóia e com o trocadilho do Paranóia só tem uma rima nessa hora:

Quem tem um amigo tem um tesouro,

o dinheiro não compra, nem diamante nem ouro.

Quem tem Arsênio, Edgar, Magna, André, Osvaldo, Tadeu, Houldine, é rico

Por essa riqueza.

Por todas essa riquezas.

Este ano teve imensas dores. Difíceis de suportar.

Pensei no recesso

Desisti em menos de 48 horas.

Agradeço aos anônimos que forçaram uma defesa coletiva.

Em prol do nosso Fuscopoeta caçula.

Mas, o principal é que este ano. Meus amigos.

Foi um ano inesquecível.

Lembrei de uma grande amiga que já levitou.

Muito cedo. Aos 30 anos.

Lembro dela com alegria.

Isso é muito importante.

Ela me legou a seguinte frase:

” Deus não dá nem uma gota a mais de dor que você possa suportar. Mas também  não dá nem uma gota a menos.”

Isto foi em 1981.

Para mim foi este ano de 2011.

Que nunca vai terminar.

Mas que ontem à noite.

No dia do meu aniversário aqui no Rosarinho.

Nos dias felizes do ano inteiro.

Eu sei que a contabilidade fecha no azul.

E isso não é pouco.

Repito: eu sou um homem rico.

Milionário.

Igual a vocês.

Porque tenho vocês.

Porque temos nossas famílias.

Porque com certeza, quando partirmos, o mundo terá sido um lugar melhor.

SHALOM.

E VAMOS DE CAETANO. E ARROI:

 

Torpedaço de Edgar Mattos.

Publicado: 28/12/2011 em Edgar Mattos

AGRURAS DE UM ACADÊMICO

PorEDGAR MATTOS

 

Não, não se trata de eventuais incômodos eventualmente sofridos por um eventual imortal – apelido dado àqueles que, logrando o feito admirável de conseguir ingressar numa confraria dita literária, teimam em não morrer para dar vaga aos que, ansiosos e pretensiosos, aspiram a nela também ingressar…

É que outra, e bem mais democrática,  é a Academia a que há um ano pertenço, mediante simples pagamento de matrícula e mensalidades. Ao contrário daquelas onde se estagnam as mentes, nesta se exercitam os músculos.

Já conformados à monotonia das caminhadas, eis que, de repente, contemplados por uma dessas incessantes e surpreendentes descobertas da Medicina, os velhinhos se viram admitidos ao espelhado templo dos jovens narcisos. Ei-los pois – e eu dentre eles – a dividir, com a atlética turma das barriguinhas “tanquinho”, ferros, pesos, esteiras e máquinas com direito até a, disfarçadamente, conferir na balança e no espelho algum efeito dos seus esforços.                        Confesso que para chegar lá, tive que vencer resistências. Sou – vocês já sabem – muito orgulhoso e muito competitivo, e temia enfrentar comparações e disputas que, setentão, jamais poderia vencer. Cedo descobri não haver razão alguma para tais temores. É que, naquele espaço, as pessoas se acham tão concentradas e embevecidas na autocontemplação dos seus corpos que não enxergam mais ninguém. Então, pra sorte minha, salvo para algum instrutor mais atencioso, na Academia eu me sinto um homem invisível. O que me dá, mesmo em horas de maior frequência, uma ótima sensação de privacidade. Para vocês perceberem que não exagero, raramente troco, com algum rosto, mesmo os já bem conhecidos, após meses de convivência, algum cumprimento. Nem mesmo um lacônico “oi”*. Claro que não pretenderia manter com ninguém qualquer bate-papo prática incompatível com a execução de exercícios.  Mas aqui começa a discriminação. É que, entre eles, os componentes da mesma tribo juvenil, há sempre instantes de confraternização às vezes até ruidosamente incômoda. Não tanto quanto os estridentes sons da insuportável música ( ? ) “bate-estaca” que, embora favoreça o ritmo dos exercícios, estupra os meus pobres tímpanos contribuindo, decerto, para agravar minha incipiente surdez.

Tudo isso, porém,  se faz suportável na vantajosa compensação do enorme bem estar físico e psíquico que o exercício me traz. Apenas um detalhe me faz sentir velho, ultrapassado, demodé – a incivilidade reinante que, certamente, não é característica da juventude atual, mas apenas uma atitude conjuntural da “cultura acadêmica”. Não se pense pretenda eu, naquele contexto, gozar das prerrogativas da chamada terceira idade. Até me faz bem ser tratado como uma pessoa “normal”. O que me torna deslocado, um ser alienígena, é o descumprimento das mais corriqueiras regras de convivência. Não me refiro – e seria exigir demais – à falta de gestos de cortesia. Mas ao completo desuso de expressões da mais elementar educação, tipo “por favor”, “com licença” e “muito obrigado”. Para não falar na conduta egoística e irritante de monopolizar a um só tempo dois aparelhos, usando-os alternadamente; também na  desobediência à recomendação de, após o exercício, colocar os pesos nos seus lugares; ainda na forma “espaçosa” de se comportar, sem respeito ao “território” alheio; enfim, no flagrante e total desrespeito ao outro. E, note-se, que o meu horário, já escolhido exatamente por isso, é o menos frequentado, com o que esses problemas são bastante minimizados.

Outro dia, porém,  fui agradavelmente surpreendido pela forma cortês e até prestimosa com que fui tratado por um jovem, ajudando-me na regulagem de uma máquina, sorridente e gentil. Cheguei até a supor tratar-se de um novo instrutor. Nada disso, era um cliente assim como eu. Sua “diferença” não era também aquela que você, leitor preconceituoso, pode  estar pensando. O rapaz, que ao terminar seus exercícios, se despediu de mim com um aperto de mão, era realmente uma figura estranha, inusitada, destoante naquele ambiente de incivilizados robôs. Esse “cara”, de quem não sei ainda o nome e que continuou, nos dias seguintes, a me cumprimentar com a simpatia de um velho amigo, era realmente um espécime raro naquele árido ambiente “acadêmico”. Era tão somente um ser humano, uma pessoa, ou resumindo tudo, apenas um jovem educado…

 

* Claro que se trata de um exagero literário; há, realmente, gente ( poucos ) que até, de vez em quando, diz “oi” pra mim…

 

 

A LEI DA GRAVIDADE

 

Por EDGAR MATTOS

 

 

Esse “causo” não aconteceu comigo. Me foi relatado por um técnico em abastecimento d´água chamado a prestar consultoria em determinado município para instalação de uma adutora. Considerando que a situação topográfica e as disponibilidades municipais indicavam, como solução mais econômica e mais eficiente, a escolha de uma adutora por gravidade, fez o competente consultor recomendações bem claras sobre a imprescindível declividade do terreno, especificando detalhadamente os graus da inclinação necessários para obtenção do rendimento satisfatório na distribuição da água.

Eis que meses mais tarde foi chamado com urgência pelo prefeito que o recebeu visivelmente aborrecido. É que a distribuição de água estava sendo feita de forma precária dando margem a constantes reclamações, a maior parte delas referente á pouca força com que o líquido estava chegando às torneiras.

Constatando facilmente que suas instruções técnicas não haviam sido observadas, meu amigo, pessoa muito tranquila, procurou explicar ao irritado chefe do executivo municipal:

-  Prefeito, sua adutora foi projetada levando-se em conta a lei da gravidade. Construída sem o declive necessário, ela não poderia funcionar a contento.

Foi aí que o Prefeito, homem de pouca instrução e muita arrogância, arrotando importância e prestígio, indagou desafiadoramente ao engenheiro:

-  Seu dotô, não conheço essa tal lei que o sinhô tá falando; me esclareça logo se ela é federá, estaduá ou municipá. Porque se ela for federá, eu consigo do meu deputado um projeto para nós modificá ela;  se for estaduá, falo com o governadô, que é gente minha, e logo tudo será resolvido; agora, se for municipá essa tal lei da gravidez quem vai revogar ela agora mermu sou eu…

-

 

A INESQUECÍVEL LILI

 

PorEDGAR MATTOS

 

 

Maria José Andrade, no meio educacional tratada simplesmente por Lili, foi uma professora que conheci nos meus primeiros tempos de Secretaria de Educação, eu, então, um jovem e incipiente assessor jurídico, ela, Coordenadora do Núcleo de Supervisão Pedagógica de Limoeiro. Personalidade marcante, exigente, rigorosa, exemplar no cumprimento das suas obrigações, tinha uma aparência dura e rústica, bem característica das abnegadas mestras do ensino rural. No entanto, por sob uma fisionomia severa e tensa, se escondia uma mulher sensível, emotiva a mais não poder, facilmente levada às lágrimas. Vibrava como ninguém com as coisas da Educação e com as  vitórias do Santa Cruz, que comemorava envergando com orgulho a camisa tricolorem pleno trabalho. Umafiguraça a minha amiga  Lili.

Com a  transformação dos Núcleos em Departamentos ela se tornou, naturalmente, Diretora do Departamento Regional de Educação do Vale do Capibaribe, com sede em Limoeiro. À semelhança de outras professoras e dirigentes, devotava aos titulares da Secretaria um verdadeiro culto, tributo reverencial tão autêntico e tão sincero que, pelo menos nela, não se apequenava em intenções bajulatórias.

Para cada Secretário, atribuía ela um adjetivo de exaltação que oficializava colocando-o como timbre de blocos, papéis de ofício e outros materiais de expediente do seu Departamento Regional. Lembro, por exemplo, que para José Jorge, escolheu o qualificativo de “excepcional”, fazendo constar do rodapé dos seus impressos o elogioso epíteto: Prof. José Jorge de Vasconcelos Lima – um Secretário Excepcional. Já para Joel de Hollanda ela escolheu outra louvação:- Joel de Holanda – um Secretário Transcendental.

Acontece que meu antecessor imediato na Secretaria, assim que assumiu o posto,  não sei por qual capricho,  entendeu de exonerar Lili do cargo que exercia há mais de 20 anos. Isso lhe causou imenso choque levando-a até a ser hospitalizada. Três meses depois, no entanto, investindo-me no cargo de Secretário de Educação de Pernambuco, um dos meus primeiros atos  foi reconduzir Lili a suas antigas funções. E o fiz movido, não apenas por amizade, mas sobretudo por um autêntico sentimento de Justiça posto que, como já ressaltei, nenhuma razão plausível existia para substituí-la.

Claro que ela, sentimental como era,  me ficou imensamente grata e, na primeira oportunidade em que fui a Limoeiro fui recebido com uma festa digna de candidato majoritário em campanha: faixas na rua me saudando, fogos de artifício a espoucar  e banda de música a entoar dobrados.

Na oportunidade, brincando com ela na intimidade de velhos amigos  tentei embaraçá-la:

- E aí Lili,  você gastou todos os seus adjetivos com meus antecessores e não sobrou nenhum para mim. Então qual vai ser a minha legenda ?

Mas para minha amiga Lili, oradora eloquente, não haveria de faltar vocabulário para o discurso laudatório. Além disso,  administradora previdente e organizada, não era de se deixar surpreender. Por isso, segura de si, me respondeu com incontido entusiasmo:

- Dr. Edgar, o seu título vai ser o maior de todos. Aliás, já está impresso neste bloco que passo às suas mãos.

E foi com um misto de admiração e acanhamento que,  no rodapé de cada folha do Bloco timbrado do DERE de Limoeiro, pude ler o mais novo exagero de Lili,  do qual, desta feita, o beneficiário era eu::

. Dr Edgar Mattos – um Secretário Inexcedível !

Grande Lili ! Não tive também dificuldade para encontrar agora um adjetivo para homenagear a sua memória. Sem a sua mesma criatividade, escolhi apenas o qualificativo ditado pelo meu sentimento:

- LILI – UMA AMIGA INESQUECÍVEL 1

                        

 

The Ides of March (EUA, 2011). Cotação: ****1/2
Drama, 101 min. Direção e roteiro: George Clooney. Com: Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood, Marisa Tomei e Jeffrey Wright.

“A política é mesmo um jogo sórdido”. Um pensamento quase enraizado no inconsciente coletivo. É partindo dessa ideia que George Clooney fez “Tudo pelo Poder”, título que não tem a ver em absoluto com o original: The Ides of March (numa tradução literal “Os Idos de março”, passagem vinda da obra Júlio César, de Shakespeare). Conseguiram tirar toda a poesia do nome, mas (ainda bem) não o potencial do filme.

Baseado em “Farragut North”, peça de Beau Willimon que tomava livremente como referência a campanha de Howard Dean nas primárias do Democrata em 2004, o filme mostra exatamente os bastidores de uma disputa pela vaga de representante do partido à presidência. Durante cerca de 94 minutos, acompanhamos a trajetória de Stephen Meyers (Ryan Gosling), um jovem assessor de um dos candidatos em questão, o Governador Morris (George Clooney).

A trama custa um pouquinho a começar. O estado de Ohio é onde a história se concentra. Morris tem uma leve vantagem sobre o adversário, Pullman. Há um impasse pelo fato de os Republicanos pretenderem participar da votação e ameaçarem intervir na escolha em prol de Pullman e, assim, tirar da disputa o candidato mais difícil de ser batido.

Com a ameaça de uma derrota, se faz necessário ter o apoio de um senador (Jeffrey Wright), embora Morris relute. O chefe de campanha Paul (Philip Seymour Hoffman) tenta convencê-lo a aceitar. No lado do adversário, Tom Duffy (Paul Giamatti) alicia o promissor Stephen e é a partir disso que os problemas começam a surgir e os ideias de ética do rapaz a desmoronar na mesma proporção em que se dão os acontecimentos. A peça-chave de tudo é uma estagiária (Evan Rachel Wood), figura já marcada por colocar em risco a política norte-americana (vide o escândalo envolvendo o ex-presidente Bill Clinton e Monica Lewinsky).

Perdemos a conta de quantas vezes a política foi abordada no cinema. “Z” e “Todos os Homens do Presidente” são alguns dos tantos que tratam disso. Dos bastidores, cuidam “A Grande Ilusão”, “Segredos do Poder” e “O Candidato”. Felizmente, Clooney não deixa seu filme cair na banalidade ao entregar uma envolvente trama, que prende as atenções não por trazer algo novo (o que aqui não acontece), mas pelo grande teor de verossimilhança.

Este é o quarto filme comandado por ele. Sempre conhecido pela atuação em trabalhos que o alçaram à condição de galã, Clooney vem nos últimos anos desconstruindo essa imagem ao buscar obras mais desafiadoras (“Syriana”, “Conduta de Risco”). A estreia como diretor aconteceu em 2002 com “Confissões de uma mente perigosa”, pelo qual foi elogiado. Três anos depois, realizou “Boa Noite e Boa Sorte”, um passo adiante e que o fez ser considerado um dos melhores cineastas de 2005. “O Amor não tem regras” (2008) foi o seu deslize, agora consertado.

Ryan Gosling entrega uma atuação precisa, uma de suas características. Não por acaso é tido como o maior de sua geração (não deixem de vê-lo em “Drive”). O comportamento de seu personagem por vezes causa inquietude no espectador, em particular a partir do momento em que ele descobre algo que pode comprometer seriamente a campanha. Para criar uma empatia, tenta-se desenvolver o lado pessoal de Stephen.

Os atores de suporte também desempenham bem seus papéis, destaque para o sereno Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti (excelente na figura de um assessor disposto a tudo) e a solar e belíssima Evan Rachel Wood. A veterana Marisa Tomei aparece como uma jornalista ávida por furos.

É um período difícil para ir ao cinema por conta das festividades de Natal e ano novo. Mas quem se propor a assistir a “Tudo pelo Poder” será levado a reconhecer as diversas situações a que está habituado na política. Clooney também promove um jogo conosco graças às tantas reviravoltas que há e, pelo que pude perceber, o público gosta quando é desafiado dessa forma.

*Aproveito para desejar a todos os amigos do Fusca um ótimo Natal e um feliz 2012. J

 

Houldine Nascimento.

E N T Ã O    É    N A T A L…

 

O período natalino é sempre comovente. Mesmo sabendo  que por debaixo dos panos o estímulo ao consumo desenfreado e irresponsável prepondera sobre a fé, impondo uma cultura  de gastos inconsequentes com presentes, festas e mais festas, reformas de residências, roupas e que tais, o Natal sempre toca nossos corações e nos deixa mais sensíveis (pena que só em dezembro isso aconteça).

 

Uma das coisas que me remetem à infância eram os Natais, especialmente porque em minha casa aquelas canções não saiam da vitrola; Jingle Bells, Noite Feliz, Brincadeira de Papel (?) … tinha também aqueles discos dos Pequenos Cantores da Guanabara e a onipresente Harpa Maravilhosa  que a gente ouvia em cada esquina, em cada residência, em cada loja do centro e nos sentíamos sob a neve.  E como cães pavlovianos  babávamos férias, presentes e confraternizações (no caso dos adultos tinha também o 13º ). Mas que aquelas canções nos tocavam, ninguém pode duvidar. Lembro de um episódio , quando ainda adolescente em Casa Amarela , quando estávamos na Missa do Galo  na Igreja da Harmonia e o repertório continuava o mesmo dos cultos dominicais, então, ao final, inesperadamente, quando nos preparávamos para voltar para casa e participarmos da festiva ceia e da troca de presentes, o coral  começou (e todos aderiram)  aqueles versos:  “noite feliz/silêncio e paz/oh Senhor/Deus de amor/pobrezinho/nasceu em Belém…”  (e eu só imaginava aquele bebê sendo cruelmente imolado numa cruz), o Zé Mané aqui não se segurou. Por mais que eu tentasse,as lágrimas  jorravam e minhas mãos não conseguiam disfarçar… foi inesquecível (como vocês podem notar) , lindo. Um momento de pura magia e emoção. Se os presentes morressem ali, naquele momento, iríamos todos direto ao Nirvana.

Curiosamente, num país tão rico e diversificado musicalmente,o Brasil não tem tradição na criação de canções propícias à esta fase do ano. No máximo,com relação àquelas velhas canções de Natal, nossos autores escreviam versões para os originais americanos que nos são tão familiares. Diferente dos mercados europeu e americano que absorvem bem esse tipo de música. Vários artistas que admiramos,não raro,gravam discos anuais com temática natalina, criam e recriam músicas inesquecíveis que,pasmem,fazem grande sucesso também por aqui,embora poucos percebam tratar-se de temas natalinos. Tanto que em janeiro de 1988, Once Upon A Long Ago de McCartney,estourou em nossas rádios (e era quase Carnaval). Outras tantas tornaram-se emblemáticas, como a definitiva interpretação de Stevie Wonder para a AVE MARIA e a icônica Happy Xmas de John Lennon. Mas acreditem, Sting,David Bowie,Madonna,Rihana,Lynyrd Skynyrd,Sinatra,Bing Crosby,Sarah Vaugham,Dionne Warwick,Elton e tantos outros (até bandas de “heavy metal”)  registraram e registram músicas no estilo. Outro dia, vi um filme em que o HUGH  GRANT  interpretava um sujeito “bom vivant”,namorador e imaturo afetivamente,que sobrevivia às custas dos Direitos Autorais de uma canção natalina escrita pelo pai,que ano após ano voltava às paradas  no período adequado.E ele destestava a música.

Como se vê, por aqui, de fato não há mercado para esse tipo de canção.É uma pena, mas prova  disso foi o louvável esforço do nosso Ivan Lins que,poucos anos atrás,além de iniciar uma campanha entre os colegas, lançou um CD com canções com temática natalina,explorando nossos melhores rítmos (baladas,inclusive) mas que não  foi nem um pouco exitoso. O jeito é nos contentarmos com a  “maravilhosa” versão que “cometeram” para a voz de SIMONE:  Então é Natal…

PS:  FELIZ NATAL aos broda. À todos os irmãos/amigos que leem (e os que não,também) a  poesia do nosso querido FUSCA e o nosso Sábado Som. Happy Xmas! Hare Krishna! Axé!

 

 

 

DR. GOOGLE NOS INFORMA. NÓS DA ZONA NORTE. VAMOSIMBORA.

ÓIA:

RUA PROFESSOR AUGUSTO LINS E SILVA, NR 666 – FONE: 3462-7222.

NO PARANÓIA DO MAR.

A PARTIR DAS DEZENOVE O CLOCK COMO LEGOU JOÃO.

E VAMOS SIMBORA.

EU VOU.

ESPERO QUE TODOS TAMBÉM .

E QUE A GENTE TROQUE MUITOS ABRAÇOS E SEJAMOS MUITO FELIZES.

E FIM.