Publicado por: Domingos Sávio | fevereiro 9, 2010

Precisão : navegar é – viver não.

Publicado por: Domingos Sávio | fevereiro 9, 2010

…prá pensar, na verdade não há!

PS – “Papai”

Logo que apareceu aquela figura
vinda do horizonte como um sol a nascer
eu comecei a acreditar no fim ou no começo de tudo.
Um brilho metálico nos olhos.
Uma carícia especial pelas mãos.
Um sorriso de verdade.
Uma pressa calma.
Um colorido imenso.
Uma palavra sólida.
Aos poucos ele se ia, entre raios, ventos e nuvens.
E deixava um rastro.
Um perfume.
Um exemplo.
Um desejo.
Uma vitória.
Uma saudade…

Jaak Bosmans

Publicado por: Domingos Sávio | fevereiro 9, 2010

Poema Espiritual. Murilo Mendes

Eu me sinto um fragmento de Deus

Como sou um resto de raiz

Um pouco de água dos mares

O braço desgarrado de uma constelação.

A matéria pensa por ordem de Deus,

Transforma-se e evolui por ordem de Deus.

A matéria variada e bela

É uma das formas visíveis do invisível.

Cristo, dos filhos do homem és o perfeito.

Na Igreja há pernas, seios, ventres e cabelos

Em toda a parte, até nos altares.

Há grandes forças de matéria na terra no mar e no ar

Que se entrelaçam e se casam reproduzindo

Mil versões dos pensamentos divinos.

A matéria é forte e absoluta, sem ela não há poesia.

Publicado por: Domingos Sávio | fevereiro 9, 2010

Os ninguéns – Eduardo Galeano.

As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chova ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinhacai do céu da boa sorte , por mais que os ninguéns a chamem a mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.

Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:

Que não são embora sejam.

Que não falam idiomas, falam dialetos.

Que não praticam religiões, praticam supertições.

Que não fazem arte, fazem artesanato.

Que não são seres humanos, são recursos humanos.

Que não tem cultura, têm folclore.

 Que não têm cara, têm braços.

 Que não têm nome, têm número.

 Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais  da   imprensa local.

 Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata!!!

Publicado por: Domingos Sávio | fevereiro 9, 2010

Até quando?

30/03/2009  
   

 

     Até quando? Esta é a pergunta que todos os meses, há quase quatro anos, Sérgio Gabardo faz a si mesmo, às autoridades brasileiras e, particularmente, às autoridades gaúchas. Irresignado com o descaso das autoridades na apuração dos autores do brutal assassinato de seu filho Mário, Gabardo tem buscado, durante todos esses anos, confortar-se através do seu incansável protesto, em que pergunta: Até quando?

 Enquanto Gabardo não tiver resposta para essa pergunta, nenhum cidadão honesto nesse país poderá sentir-se em paz enquanto seus filhos não chegam em casa. A impunidade constitui a liberdade concedida ao bandido pelo Estado, do mesmo modo que constitui o encarceramento do cidadão honesto.

 Até quando seremos prisioneiros da inoperância do Estado? Até quando as entidades de Direitos Humanos cobrarão das autoridades pelo conforto e pela proteção de assassinos, estupradores e sequestradores, ao mesmo tempo em que, sinicamente, ignoram a luta solitária de Sérgio Gabardo?

 Enquanto não tivermos respostas para tantas perguntas, façamos coro ao cidadão Gabardo. A luta dele é também nossa, porque nossos filhos, assim como o dele, poderão ser as próximas vítimas da falência do Estado e da incompetência das autoridaes.

 Mais uma vez, reproduzimos aqui o protesto de Gabardo escrito no dia 29 de março, dia do assassinato de seu filho Mário Gabardo.

 Senhores:

 Mais uma vez, eis-me aqui, não para lamentar, mas para registrar novamente o meu mais veemente protesto frente ao descaso das autoridades ditas da segurança pública do Rio Grande do Sul. Neste domingo, dia 29, o brutal assassinato do meu filho Mário (de apenas 20 anos) completa 42 meses. São noites de angústia, aflição e uma imensa saudade. Mário, como vocês sabem, foi assassinado na noite de 29 de setembro de 2005, quando chegava para um churrasco de confraternização com um grupo de amigo, colegas de infância.

 De lá para cá, tenho sido acompanhado permanentemente pela dor da perda e pela incerteza a respeito do que efetivamente ocorreu com meu filho. Quem foram os mandantes do crime, quem foram os executores, e por qual motivo ocorreram tantos erros no trabalho de investigação dos “órgãos competentes”.

 São perguntas que ninguém consegue responder-me, aumentando minha convicção de que a impunidade continua premiando a bandidagem, com a complacência das autoridades que mostram absoluto e hediondo descaso.

 O Estado, representado por suas forças de segurança pública, constitucionalmente constituídas também para essa finalidade (descobrir a autoria dos assassinatos), me deve essa explicação. Quero sim, saber quem matou a sangue frio o meu filho. A dor que sinto é forte demais para que eu esqueça essa tragédia. Mas essas autoridades parecem esquecer, sem que ninguém cobre nada. Sinto-me sozinho nessa luta!

 Não é à toa que assistimos ao Governo do estado envolto em sucessivos escândalos. Na verdade, muitos desses escândalos datam da época em que o Mário foi assassinado, tendo como Secretário da Segurança, uma pessoa de insensibilidade imensurável. Nunca foi capaz de conseguir um minuto em sua ocupadíssima agenda para me receber, tão ocupado estava em arquitetar os muitos crimes que agora estão vindo à tona.

 Os reflexos da ausência de políticas sérias de combate à marginalidade são agora visíveis e vêm a público. Sem dúvida alguma, o objetivo dos órgãos de governo responsáveis pela segurança pública era outro. Está confirmado perante toda a sociedade gaúcha.

 Enquanto os escândalos se amontoam, pais, como eu, continuam sem respostas. Falta sensibilidade e vontade de agir conforme os preceitos constitucionais para os quais esses organismos foram criados: garantir a segurança para a sociedade e, na falta dela, trabalhar de forma eficaz, a fim de encontrar e encaminhar para a punição com os rigorismos da legislação, os mandantes e/ou executores de um crime tão bárbaro quanto esse.

 A inoperância e a insensibilidade me forçaram a viver com a dor de um pai que até agora não sabe o que realmente aconteceu com seu filho naquela noite de setembro de 2005. Impuseram-me a condição de cobrar insistentemente resultados positivos do trabalho da Polícia. É para isso que ela existe.

 Procuro formas, todos os dias, de lutar contra a saudade e a dor de saber que o Mário não está mais ao meu lado. E, pior, com a certeza de que a impunidade é o grande prêmio concedido aos assassinos, que contam com o descaso das autoridades, razão pela qual continuam a fazer vítimas, gozando de uma terrível liberdade.

 Decidi escrever todos os meses, no dia 29, para lembrá-los de que aqui existe um pai que viu seu, então, único filho ser assassinado, sem que as autoridades fizessem a sua parte para prender seus assassinos. Faço isso, também, no intuito de deixar claro que sou absolutamente contrário ao esquecimento, principal combustível desse Governo que controla o foco da administração conforme suas conveniências políticas, e não para fazer frente às necessidades da sociedade.

 Sds,

 Sérgio

 Pai do Mário

PS – Estado por Estado da Federação encontrarei casos iguais a esse. Milhares de pais e mães estão vivendo essas perdas. Essas mortes em vida. Até quando? Calados ficaremos? Estamos em uma guerra civil? O que fazer? Fugir? Se esconder? Blindar-se? Ou enfrentar civicamente?

 

Publicado por: Domingos Sávio | fevereiro 9, 2010

Frases que tem de ser soltas…

Deus não pode estar em todos os lugares e por isso fez as mães.

Ditado judaico

 

Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados
por sua personalidade, não pela cor de sua pele.

Martin Luther King

O coração das mães é um abismo no fundo do qual se encontra sempre um perdão.

Honoré de Balzac

Os filhos são para as mães as âncoras da sua vida.

Sófocles

Apenas em torno de uma mulher que ama se pode formar uma família.

Friedrich Schlegel

Cem homens podem formar um acampamento, mas é preciso uma mulher para se fazer um lar.

Provérbio Chinês

Publicado por: Domingos Sávio | fevereiro 9, 2010

Chico para nos lembrar…

Publicado por: Domingos Sávio | fevereiro 8, 2010

Clarice/Coragem/Lispector.

Publicado por: Domingos Sávio | fevereiro 8, 2010

Mário Quintana. AMÉM. De novo.

Publicado por: Domingos Sávio | fevereiro 8, 2010

Cecília eternamente Meireles…

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.
PS - E minha alma, sem luz nem tenda,
passa errante, na noite má,
à procura de quem me entenda
e de quem me consolará…

Cecília Meireles

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