Arquivo de agosto, 2012

360 (2012)
Cotação: Bom
Drama, 110 min.
Por Houldine Nascimento

 


Levemente inspirado na peça “Ronda”, do escritor austríaco Arthur Schnitzler, 360 está em cartaz desde a semana passada no Brasil e marca a terceira experiência internacional de Fernando Meirelles (“O Jardineiro Fiel” e “Ensaio sobre a cegueira”) na direção. Com roteiro do inglês Peter Morgan (“A Rainha”, “O Último rei da Escócia”, “Frost/Nixon”), tudo funciona realmente como um círculo. Para integrar o elenco, Meirelles convidou atores de várias partes, tentando estar em consonância com o próprio enredo. Variando de nomes conhecidos, como Rachel Weisz, Jude Law e Anthony Hopkins, a outros com que o público não está habituado, a exemplo da eslovaca Lucia Siposová.
Resumindo o máximo possível: a trama parte de Viena, onde Blanka (Lucia), sempre acompanhada pela irmã, se envolve em uma negociata com um gigolô para se prostituir e criar armadilhas para roubar executivos. É assim que se chega à figura de Michael Daly (Jude), que está em Bratislava a negócios e acaba caindo numa arapuca. Continuando o ciclo, chegamos a Paris, onde um dentista argelino (Jamel Debbouze) vive o dilema da religião ao se apaixonar pela assistente, casada com um russo. Em seguida, surge Londres, onde a mulher de Michael, Rose (Rachel) está tendo um caso com um fotógrafo brasileiro, Rui (Juliano Cazarré). A namorada dele, Laura (Maria Flor), descobre a traição e se manda para o Brasil, mas antes vai aos EUA não se sabe por que motivo.
Posteriormente, o filme aporta numa prisão do Colorado, na qual se encontra Tyler (Ben Foster), que está saindo em regime condicional. No avião para a América, Laura interage com um senhor (Hopkins) em busca do paradeiro da filha desaparecida há alguns anos. Por conta de uma nevasca, ficam presos no aeroporto, e é lá que Laura se depara com Tyler e a partir disso cria-se um bom momento de tensão. Depois, há o retorno a Paris, onde alguns dos personagens já apresentados se envolvem num desfecho satisfatório, voltando ao ponto de partida. A conclusão a se tirar de tudo isso é que a vida é mesmo um ciclo.
Coprodução entre Brasil, Reino Unido, Áustria e França, 360 foi rodado em locações, com seis línguas faladas ao todo. Apresentado pela primeira vez no Festival de Toronto, no ano passado, o filme não foi bem recebido pela crítica estrangeira, cujas maiores queixas são as de que resulta “superficial”. Em parte, eles têm razão, pois em obras com múltiplas tramas, não há tempo hábil para desenvolver tantos personagens, de forma que alguns saem de cena com a sensação de que poderiam oferecer muito mais. São os casos de Juliano Cazarré e Rachel Weisz (com quem o diretor trabalhou em “O Jardineiro…”, conferindo a ela o Oscar de atriz coadjuvante).
Em contrapartida, Anthony Hopkins e Ben Foster entregam interpretações interessantes. O primeiro está simples e bem comovente na pele de um pai consciente de seu erro e com esperança de encontrar alguém que ama. Já o segundo assume um papel de um ex-presidiário buscando se reabilitar do vício, proporcionando o principal clímax da fita.
Assinada por Adriano Goldman, a fotografia opta por cores neutras e se constitui num dos pontos positivos do filme. Junto com a montagem de Daniel Rezende, contribui para que o longa nunca fique cansativo. As canções que compõem a trilha sonora foram escolhidas pela esposa de Fernando, Ciça, e se revelam adequadas. Claro que o bom resultado só se tornou possível graças ao apuro de Meirelles, que desde que estourou com “Cidade de Deus” ainda não cometeu grandes equívocos.

 

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                                 J   A   C   Q   U   E   L   I   N   E

 

De fato, este “post” estaria menos deslocado numa coluna sobre cinema ou artes cênicas em geral. Mas acredito que nem o nosso Houldini já ouviu falar dessa “jovem”. Certamente a grande maioria dos que lerem não saberão de quem se trata ou já a viu alguma vez. Afinal, como cantaria Chico Buarque; “ela assim como veio, partiu, não se sabe prá onde!”  No começo dos anos 60 ela surgiu como um furacão. Arrebatadora. Audiência certa e fiel fosse na TV, rádio,teatro,cinema e… música. Para se ter idéia, passados 50 anos, mais ou menos, aquela “musiquinha” vez em quando me vem à mente e meio sem querer me pego à “cantarolar” como sempre.  Com seu ar de “Lolita” francesa, exalando sensualidade pelos poros, Jacqueline era cobiçada por garotinhos, adolescentes, coroas, idosos… e realmente admirada e/ou invejada pelas mulheres.

Jacqueline Myrna, na verdade nasceu na Romênia em 4 de dezembro de 1944, em Bucareste. Não se sabe ao certo mas, provavelmente sua família chegou ao Brasil fugindo ainda dos horrores da guerra. Aos 17 anos, estava decidida à tornar-se atriz e, embora não se saiba se ela chegou a ter algum treinamento, foi imediatamente participar de programas humorísticos. Com seu sotaque lindamente desconcertante (Araraquara era “arrarraquarra”. Carioca virava “carriôca” etc) e aquele corpão adolescente perfeito. Tudo emoldurado  por uma atmosfera de ingenuidade, que enlouquecia a libido nacional. E naquela época, nem se imaginava o surgimento das chamadas “revistas masculinas”. Na TV, ela foi muito bem apresentada ao fazer um quadro semanal como a “linda estrangeira inocente” sempre cercada por um garanhão nativo, ficando famoso o seu bordão “brasileiro é tão bonzinho!” que, nos anos 70 voltou à moda interpretado pela americana KATE LYRA (então esposa de Carlinhos Lyra) na mesma  A Praça é Nossa.  Logo logo, Jacqueline estaria monopolizando as atenções. Aparendo em outros tantos programas de TV, estreando no cinema com 3 filmes do ucraniano naturalizado brasileiro, Constantin Tkaczenco, “Isto é Streap-Tease”, “Superbeldades” e “Amor na Selva”. Desse ponto em diante, começou a descobrir-se como atriz e a exigir papéis mais relevantes. Portanto, embora lotasse os teatros com suas performances (que incluíam esquetes cômicos e dramáticos,dança e canto), foi atuar na novela de IVANY RIBEIRO, A INDOMÁVEL, grande sucesso da TV EXCELSIOR.  E não demorou à filmar com o Walter Hugo Khoury.  Por sua atuação em  “As Cariocas” recebeu o prêmio Governador do Estado de melhor atriz. Em 1968 magnetizou a audiência por outra grande atuação ao lado do ator PAULO JOSÉ em  “As Amorosas”. E ao filmar no Brasil, o cineasta egípcio GINO PALMISIANO a fez estrelar seu “A Desforra”. Assim, nossa deusa afrancesada seguiu carreira cinematográfica, filmando com os principais cineastas brasileiros na época, até 1971 com o filme “As Confissões de Frei Abóbora”.  Com o movimento cultural brasileiro em plena efeverscência na música, no teatro,no cinema, literatura… apesar do recrudescimento do regime militar (ou por isso mesmo!),e antes de as portas começarem à se fechar, JACQUELINE MYRNA casou-se com um estrangeiro e mudou-se para a Europa definitivamente. Desde então, ninguém sabe onde foi de fato residir, se ainda esta viva (estaria beirando os 80 anos). Sumiu e nunca mais se falou dela por aqui. Teria filhos ?

 

Ah……………….. Johnny não está loki bicho!  A musiquinha, à qual eu me referi lá em cima, chama-se FRANCESINHA DE ARAQUE. Estourou em todas as mídias de então. Bem ou mal, todo brasileiro repetia (e tentando emular o sotaque) suas primeiras estrofes. Deixou a Jovem Guarda no chinelo e até as feras do rock. Olha eu aqui, agorinha à cantarolar “de São Paulo/vim pro Rio de Janeiro/de São Paulo/vim pro Rio de Janeiro/por favor ninguém me toque/eu aqui sou carriôca…” Obrigado Jacqueline! Deus te abençoe!

PORQUE O SÁBADO SOM É UM SUCESSO.

Publicado: 21/08/2012 em Poesia

Valendo-se da prerrogativa sem chavões e da novíssima gramática redigida por Johnny B. Good, teço (sic) algumas considerações a respeito da estável e bem sucedida e agradável coluna SÁBADO SOM. Do mais que brother, o broderonio João Carlos de Mendonça.

O cara. Que veio de Yellow House-Tamarineira Village e içou âncora em Candeias. Passeando por Villas Lobos, Tom Jobim, Beatles e uma bela enciclopédia musical no coração, tem feito a diferença aqui no fuquinha mais querido do Brasil.

Que o digam seus fiéis trinta e três leitores.

No princípio era o SOM. E o SOM se fez verbo. Na LETRA de João e por conta da vinda de MACCA ao Brasil, a coluna começou a sua estória de sábados maiúsculos.

Nunca foi brincadeira. Ou melhor brincadeira séria sim, com a mesma leveza que as crianças fazem do brincar o seu ofício de amar e estar na vida,

João foi garimpando direto do coração e da sua rara memória musical, de grande instrumentista que é, as suas histórias e a sua boa vontade de construir algo que se leia sempre e esteja disponível.

Como um privilégio de se escutar um raro disco. Uma partitura descoberta todo sábado em forma de poesia musical.

E o passeio é muito interessante. Múltiplo. Um diamante que já nasceu lapidado e que nosso João Carlos ainda nos propõe um brilho extra.

Nos brinda com releituras e com informações que muitas vezes nos é nova. Como se fosse possível e é possível o passado ser transformado em presente. Um presente mesmo, embalado musicalmente, com textos primorosos.

E a idéia de um livro?

Como bom escritor a recusa é imediata.

Lhe basta (por enquanto creio eu) escrever aqui e ali na blogosfera sem a pretensão de tornar imortal aquilo que já é… eterno.

E qual a razão do sucesso?

João respondeu na blogosfera: os amigos. Os corações dos amigos. Olhos atentos dos amigos. A sua generosidade.

Eu não sei o que dizer.

Acho que João está certo.

Mas sei também o trabalho que ele teve nos últimos três anos para compor este livro que está aqui no Fusca.

Desejo a todos boas leituras. e outras releituras melhores ainda.

Porque se Carlos Pena Filho nos legou que é dos sonhos dos homens que uma cidade se inventa,

Os sábados tem muito mais Som porque João não inventou uma coluna. Ela a compôs.

Obrigado amigo.

V A N G E L I S
Já na última metade dos anos 60, a música de VANGELIS fazia sucesso por aqui, embora poucos ou ninguém soubesse de quem se tratava. Primeiro com Marie Jolie, depois com Rain And Tears ,It’s Five O’clock e mais adiante com We Shall Dance. Tanto nas rádios como nos “assustados” bem como nos clubes e boates. Era o APHRODITE’S CHILD, grupo grego, liderado pelo tecladista e compositor Evángelus Odysséas Papathanassíu ou melhor, Vangelis Papathanassíu.
Já em Vólos, sua terra natal, aos 4 anos burilava ao piano suas primeiras canções. Autodidata, não tinha paciência para estudar teoria e técnica musicais e só bem mais tarde, já com a carreira em andamento resolveu voltar aos estudos. Há muitas controvérsias nas biografias do artista, mas de fato, ele formou algumas bandas na Grécia, que mais serviam para animar festinhas antes de juntar-se a mais 3 amigos para formarem o APHRODITE’S CHILD. A curiosidade aqui é que o guitarrista cantava muito bem mas a voz que marcaria o som do grupo era a de ninguém menos que a do contra-baixista Demis Roussos. Ele mesmo. Aquele que por um bom período viraria “arroz de festa” no Brasil, desfilando semanalmente no Programa do Chacrinha. A verdade é que o conjunto estourou na Grécia e ganhou o mundo.
Conta-se que ele estava na França durante as históricas revoltas de 68 e que de lá mudou-se definitivamente para a Inglaterra. Estranho porque, o último álbum do Aphrodite’s Child, 666, cujo título sugestivo, longe da “estória” bíblica, era uma alusão crítica à ferrenha ditadura grega e, justamente por isso, foram convidados à Londres (tal Gil e Caetano). Reza a lenda que por interferência do governo grego, não conseguiram gravadora e a banda se desfez. Imediatamente convidado pelo YES para integrar o grupo, onde já vinha ensaiando e participando de gravações, pelo mesmo motivo não permaneceu no conjunto. De qualquer forma, o álbum-duplo 666, apesar de “difícil”, com longos trechos narrativos, sons dramáticos e meio chato, encerrava com uma das mais belas, modernas e instigantes canções do rock, chamada BREAK (simplesmente comovente). A música, lançada em “single” foi merecidamente seu maior sucesso. Chave de ouro e ápice da carreira do Aphrodite’s Child.
Apesar de “censurado” no YES, com o genial líder do grupo, Jon Anderson, iniciou uma carreira elegantíssima, formando a muito bem sucedida dupla JON & VANGELIS, que nos legou discos maravilhosos e hits inesquecíveis como I HEAR YOU NOW, STATE OF INDEPENDENCE (esta,regravada por DONNA SUMMER sob a produção do QUINCY JONES) e a maravilhosa DEBORAH. Aliás, já o seu primeiro disco solo, HEAVEN AND HELL (com Jon nos vocais) foi devidamente aclamado. Vangelis conseguia extrair sons,timbres e texturas com seus teclados que fizeram escola (Jean Michel, Kitaro e outros menos votados que o digam), o que fatalmente o levou às trilhas sonoras para o cinema. E aos prêmios, como o OSCAR pela música de CHARIOTS OF FIRE , cujo tema principal, passou à ser “massacrado” por pianistas de churrascaria do tipo Richard Clayderman. Sua carreira no cinema é vasta, mas vale destacar sua parceria com o diretor Ridley Scott para quem compôs as trilhas de BLADE RUNNER e 1492 – A CONQUISTA DO PARAÍSO. Condecorado na França com o título de CAVALHEIRO DA ORDEM DAS ARTES E LETRAS, teve sua obra orquestral, MYTHODEA, adotada pela NASA nas missões à Marte. Seu último trabalho reconhecido foi a trilha ALEXANDRE,O GRANDE de Oliver Stone. Ufa! Para quem saiu “corrido” da Grécia, até que o rapaz se deu bem. Ou não ?

 

 

À Beira do Caminho (Brasil, 2012)
Um homem enclausurado em sua amargura. Um garoto à procura de um pai. Duas vidas que se cruzam no sertão nordestino. Esse é o ponto de partida em À Beira do Caminho, novo trabalho de Breno Silveira, o mesmo diretor de “Dois Filhos de Francisco” e “Era uma vez”. O homem é João (vivido por João Miguel), um caminhoneiro que sofreu alguma desilusão num passado recente e por isso escolhe se comportar dessa forma. O garoto é Duda (o estreante Vinícius Nascimento), órfão de mãe e que decide pegar uma carona no caminhão sem que o dono saiba. O seu desejo é encontrar o pai, que teria ido há alguns anos para São Paulo.
O início do filme é construído com ar de suspense, com os planos rodados à noite e escurecidos. Surgem os conflitos entre os dois e João quer se livrar a qualquer custo de Duda. Aos poucos, vai-se acompanhando em flashes a razão do endurecimento de João. Descobre-se que houve duas mulheres na sua vida. Há o reencontro com uma delas, Rosa (Dira Paes), que por algum motivo dispara: “Ela vai te perdoar, João”. Mas quem seria “ela” e por que alguém o perdoaria?
O processo de transformação de sua personalidade também é curioso. O menino é uma espécie de “catalisador”, sendo responsável por tal mudança. Algo parecido com o ocorrido em “Central do Brasil”. É preciso encarar o passado e Duda é quem aponta o caminho a João. Na jornada pelas estradas do sertão, as frases dos para-choques dos caminhões demarcam a trajetória: “Não há mal que perdure, nem há dor que não se cure”; “Quando a saudade não cabe no peito, transborda pelos olhos”.
Como é sabido, À Beira do Caminho foi o grande vencedor da última edição do Cine PE, quando conquistou cinco ‘Calungas’, incluindo as de melhor filme e roteiro. Breno Silveira se inspirou nas canções de Roberto Carlos para a formação da trama. Elementos de suas músicas são notados nas cenas, além de toda a trilha sonora ser pontuada por elas. Ainda esse ano, o diretor terá lançado um filme sobre a vida do Rei do Baião (“Gonzaga – De pai pra filho”). Embora tente conduzir o filme buscando fugir dos chavões, o longa-metragem acaba por cair em alguns deles. No entanto, não comprometem o resultado final, sustentado nas boas interpretações da dupla protagonista.

 

 

 

Deus da Carnificina (Carnage, 2011)
Nem tudo o que Roman Polanski toca é ouro, infelizmente. Aclamado por trabalhos como “Repulsa ao Sexo”, “O Bebê de Rosemary” e “Chinatown” (definitivamente sua obra-prima), o diretor franco-polonês traz agora uma “dramédia” de costumes. Adaptação de peça escrita por Yasmina Reza, que fez sucesso há alguns anos nos EUA, Deus da Carnificina é seu décimo-nono longa de ficção.
Ele conseguiu reunir um bom elenco. O mote da trama é uma briga na escola entre dois alunos (um ataca o outro com um pau, quebrando dois dentes). Os pais decidem se reunir para conversar sobre o acontecido. Os do agressor, Alan e Nancy (Christoph Waltz, de ‘Bastardos Inglórios’, e Kate Winslet) visitam os pais do garoto agredido, Michael e Penelope (John C.Reilly e Jodie Foster).
O filme se passa praticamente todo no apartamento. A princípio, um encontro amistoso. No decorrer da trama, vamos conhecendo um pouco da vida de cada um, suas manias, com o que trabalham, etc. Contudo, os ânimos se exaltam aos poucos, até que a situação chega ao tão esperado ápice de descontrole.
Há certas peças que não funcionam no cinema. ‘Deus da Carnificina’ parece ser mais um desses casos. Como se trata se um texto originalmente teatral, depende da força das interpretações. Os quatro atores fazem o possível para que dê certo na telona, mas a sensação que se tem não é essa. Resulta mediano.

 

E R I C       C L A P T O N

É um conforto vê o Clapton quase setentão, ostentando saúde, serenidade , cantando, compondo e, principalmente, tocando suas guitarras sempre melhor que nunca. O pior já passou, mas dando uma olhada para trás enxerga-se um homem instável com as mulheres (sempre em busca do “inatingível”), com os músicos das bandas que participou, e que as drogas e outros vícios ainda mais agravaram. Sua infelicidade crônica, venceu até a admiração dos fãs que picharam os muros de Londres com a frase Clapton Is God!
Aos 9 anos de idade,Eric Clapton descobriu que seus pais eram seus avós e que a jovem que julgava ser sua irmã, era na verdade, sua mãe. Essas revelações o tornaram mais ainda retraído e calado. Seu aproveitamento escolar degringolou, todavia, voltou ao violão (que tinha largado por achar que não se desenvolveria) com tudo. Por esse começo, já dá para compreender sua exacerbada paixão pelo “blues”, aqueles mais antigos,recheados de melancolia e perdas. Peregrinou por alguns grupos de pouca relevância mas ao chegar à Londres foi cooptado pelos YARDBIRDS, começando a se sobressair e emplacando sucessos como For Your Love, já fazendo história. Inexplicavelmente, com o grupo no topo, a velha insatisfação reapareceu e ele largou o conjunto (Jimmy Page ocupou sua vaga) e foi juntar-se à radicalmente “blueseira” banda de John Mayall, prá continuar mais ainda empolgando as audiências. Quando tudo parecia estar em ordem, largou também o grupo. Nesse período conheceu o novo rival, de quem se tornaria amigo, JIMI HENDRIX que, apenas incendiava a Inglaterra. Clapton então juntou-se à dois músicos da “nata” do rock inglês, o baixista Jack Bruce e o baterista Ginger Baker para formarem a lendária banda CREAM. Esta já nasceu lenda. Um estrondo que durou pouco, mas o suficiente para ser referência desde os anos 60. E vieram mais problemas.
O CREAM se deteriorou ligeiro, graças à guerra de egos. Jack Bruce era considerado,com razão, uma das melhores vozes do rock e Eric não se satisfazia em cantar pouco e tocar sua guitarra. Tremendamente envolvido com drogas pesadas, de repente caiu de amores pela esposa do quase-irmão George Harrison, que havia inclusive escrito um hit para o Cream, BADGE, e que depois levou-o para participar da gravação de While My Guitar Gently Wips com os BEATLES.
Nesse mesmo tempo, Eric juntou uma pá de músicos do primeiro time para formar o DEREK AND THE DOMINOS com quem gravou seu primeiro grande clássico, LAYLA. Inspirado numa lenda árabe, a canção era claramente alusiva à Srª Harrison, Patty. Apesar de a letra derramada, LAYLA era um tremendo rock acelerado e precisava de um acabamento mais “sentimental”. No dia seguinte, o brilhante baterista (e tecladista) JIM GORDON apareceu com uma “coda” puxada pelo piano que era tudo que a música precisava. Mas, enquanto a canção ganhava as paradas, já não bastando o incômodo de sua relação com o casal Harrison, vieram a morte de Hendrix e a prisão do parceiro Jim Gordon que, sofria de esquizofrenia e durante uma crise,surtou e esfaqueou a própria mãe, que não resistiu. Nem Clapton . Afundado nas drogas e na depressão, o gênio internou-se para tratamento, largando tudo. Ensaiou uma volta com um disco solo em 70,mas retornou à clínica, de lá só saindo rapidamente,para colaborar no CONCERTO PARA BANGLA DESH.
À partir de então, Clapton começou à vencer suas dependências. Com a separação do casal Harrison, juntou-se com Patty, com quem viveu alguns anos. Aliás, nesse quesito, continuou o mesmo. É muito difícil listar seus “affairs”, casamentos e namoros (Sharon Stone e Sheryl Crow, incluídas), mas musicalmente, Eric começou uma guinada positiva em sua carreira, com seu disco 461 Ocean Boulevard , um trabalho brilhante que tornou-se referência em termos de rock. No álbum, apresentou ao mundo o “rei do reggae”, BOB MARLEY, ao gravar o super-hit, I Shot The Sheriff, entre outras canções geniais. E daí em diante, seguiu colecionando sucessos que cada vez mais o colocam entre os maiores artistas da música pop. Para uma significativa maioria é ainda o maior guitarrista vivo.
PS: I LOVE YOU:
– A simpatia e generosidade de ERIC CLAPTON não tem limites. Mesmo em seus piores momentos, não deixou de colaborar com os colegas, seja em discos e/ou shows. É sempre protagonista e presença marcante em eventos ligados ao rock, blues e até celebrações da música country.
– Pouco se comenta mas, o relacionamento de Harrison com sua esposa começou à se deteriorar não apenas por sua ligações com a cultura indiana ou suas “escapadas”. Certamente o que mais pesou foi o fato de Patty ser estéril. Não podendo lhe dá herdeiros. Tanto que ele compareceu ao casamento dela com Clapton e chegou à cita-los na música BYE BYE LOVE (“I hope she’s happy… and old Clapper too!”). A amizade dos dois permaneceu até a morte do George. Gravaram e excursionaram juntos quase sempre.
– À partir dos anos 90, Clapton vem alternando seus álbuns . Sempre após um disco de rock/pop segue um novo trabalho radicalmente dedicado ao “blues”.
– O álbum ERIC CLAPTON MTV UNPLUGGED foi um estrondoso sucesso e o disco mais premiado de sua carreira e da série da MTV. Imperdível.
– Parece que o gênio se aquietou com seu último casamento. Dando uma regulada na agenda para se manter mais próximo da família. Também dedica-se com afinco à sua Fundação que ajuda no tratamento contra todo tipo de drogas e o alcoolismo.
– Não foi por “fresquices” que Clapton não foi nominado no ÁLBUM BRANCO. Naquele tempo, as gravadoras não permitiam que seus artistas participassem em discos das concorrentes.

VERSÃO OU AVERSÃO BRASILEIRA

A história das versões musicais no Brasil remete aos anos 30 e 40. Sabe-se que em princípio eram feitas diretamente para desenhos animados da Disney, o que é compreensivo, como ainda costuma acontecer. Mas, já naquela época, gente do peso de Braguinha e Aloysio de Oliveira se especializaram nas músicas de Hollywood, principalmente as de Charlie Chaplin, enquanto o Haroldo Barbosa, preferia as canções hispano-americanas como o bolero mexicano, o tango argentino e mais tarde,nos anos 50, a guarânia paraguaia, segundo monografia de Claudio Calabria que, oportunamente cita o final dos anos cinqüenta, no nascimento do rock ‘n’ roll, quando fomos buscar na Itália (Marcianita e Banho de Lua) e até na Alemanha (Boogie do Bebê) originais para “abrasileirarmos”. Até que veio a Jovem Guarda.
Realmente, à partir de 1964 a coisa desandou beirando o tragicômico. Embora gente como Erasmo Carlos, Renato Barros,Carlos Imperial e outros tantos, cometessem versões à mil por hora, não podemos deixar de citar dois versionistas que praticamente dominaram o mercado: ROSSINI PINTO e FRED JORGE. Talvez,e bota talvez nisso, só o Roberto Carlos não tenha registrado nenhuma versão escrita por um deles. Não gosto de admitir isso mas,salvo um gol aqui e outro ali, a maioria do que se produziu era lixo. Apenas denegriram boas canções.
Não sou inimigo das versões. Há verdadeiras pérolas nesse nicho mas, observem que em geral, foram escritas por verdadeiros gênios da MPB. Gente com bagagem e curriculum de categoria e que, quando o fazem, acontece eventualmente e principalmente respeitando o tema original da música. Posso citar ÍNDIA, FASCINAÇÃO, SORRI, ou mais prá cá, Caetano com NEGRO AMOR de Bob Dylan, CHICO BUARQUE que descobriu a italiana (?) MINHA HISTÓRIA e GILBERTO GIL com NÃO CHORE MAIS de Bob Marley. E tem muito mais, prá perder a conta.
Por outro lado, o que se fazia nos anos 60 era tão ruim, que até hoje a tragédia continua via duplas sertanejas, grupos de forrofuleiro, axé e pagodeiros. Os Beatles foram massacrados. Inclusive com “letras” que versavam exatamente sobre o inverso da letra original. Imagine uma música que diz “será que ela sabe que a dor pode levar ao prazer ?” transformada na canhestra MEU BEM por Imperial. Tem até a Melô do Pedófilo (Ah! Deixa essa boneca e vem brincar de amor). O que diria Lennon ao saber que seu refrão “Cristo, do jeito que as coisas estão, eles vão me crucificar!” transformado em “o mundo de hoje não é tão triste assim!”. E fiquemos por aqui. Numa mesa de bar num sábado, a gente gasta uma tarde só com mais exemplos.
Tudo bem com as versões mas sabe o que eu ouvi de um parente dias desses ? Com toda delicadeza possível ele falou-me que não entendia tanto estardalhaço em torno dos Beatles. Afinal, tinham boas músicas mas as letras eram tão medíocres! E terminou citando todos os trechos das versões gravadas por Renato e Seus Blue Caps. É ou não é prá ficar incrível ?
À guisa: você já ouviu uma música romena chamada DRAGOSTEA DIN TEI ? Ouviu! Na versão de Latino virou o sucessão, FESTA NO APÊ.

AUTORETRATO, POR LAURA RIDING

Publicado: 03/08/2012 em Poesia

Para um quase amigo

Para trás!

Sou pedra.
…….Você tem de rasgar sua carne para escavar meu peito.

Sou tempestade.
…….Ninguém relaxa comigo.

Sou montanha.
…….Moureje até o topo, e vire um solitário.

Sou gelo.
…….Você tem que congelar para que eu derreta.

Sou mar.
…….Não vou devolver você.

Se isto o assusta,
Para trás! Para trás!

Ainda que, se você for meu amigo,
Não lhe serei nada disso.

tradução: Rodrigo Garcia Lopes

.

PS –

ALÉM

Dor é impossível de se descrever
Dor é a impossibilidade de descrever
Descrever o que não é possível descrever
O que deve ser uma coisa além da descrição
Além da descrição para não ser conhecido
Além do conhecido mas não mistério
Não mistério mas dor não claro mas dor
Mas dor além mas aqui além .

AMIGOS REAIS SIM. VIRTUAIS NÃO.

Publicado: 02/08/2012 em Poesia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IN MEMORIAN DE WILLIAM ALBUQUERQUE, MAURO ROBERTO LIMA (CASCÃO) E ALEXANDRE LIMA CAVALCANTE.

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HÁ QUEM LOUVE E COM ACENTUADA RAZÃO, QUE A WWW VEIO PARA MELHORAR E AUMENTAR OS RELACIONAMENTOS.

A REDE É DO TAMANHO QUE A HUMANIDADE ACHAR DE BOM TAMANHO. OU SEJA INFINITO ELEVADO AO INFINITO.

É IMPOSSÍVEL, ANDANDO PELA CIDADE, ACHAR ALGUÉM QUE NÃO ESTEJA UM TAQUINHO PLUGADO.

EXISTEM OS INTEGRALMENTE PLUGADOS, VICIADOS E DEPENDENTES DA REDE E DE SUAS MARAVILHAS TECNO.

EXISTEM OS PLUGADOS PELO TRABALHO. AS TELETELAS AÇOITANDO PRÁ VALER NOSSOS OLHOS, CORAÇÕES E MENTES.

OS MEIO PLUGADOS E OUTROS TANTOS TIPOS DESTA FAUNA EXÓTICA, QUASE NOVA E QUE FICA VELHA MUITO RÁPIDO.

HÁ UMA ENORME CRISE DE IDENTIDADE.

LOUVAMOS UNS AOS OUTROS.

RECEBEMOS ELOGIOS TANTO QUANDO OS FAZEMOS.

O EGO AGRADECE.

A FOGUEIRA DAS VAIDADES ENLOUQUECE. OU DRUMMONIANAMENTE ENLOUCRESCE. SE FOSSE POESIA. MAS NÃO É.

E NOS ACHAMOS COM TANTOS AMIGOS, TANTOS AMIGOS…

QUE DE REPENTE VERIFICAMOS QUE TEMOS AMIZADES, COLEGAS, COMUNS, BONS, GENTE BOA, MAS NÃO AMIGOS.

AMIGO É MUITO DIFERENTE.

CONTAMOS UNS DOIS OU TRÊS, MEIA MÃO E OLHE LÁ, QUE CONHECEMOS MESMO. DURANTE TODA A VIDA.

DE FREQUENTAR A CASA.

DE SABER OS PROBLEMAS.

DE VIBRAR COM OS SONHOS E AS SUAS REALIZAÇÕES.

DE OLHAR NO OLHO.

DE CHORAR JUNTOS.

DE SORRIR IMENSOS MOMENTOS.

AMIGOS REAIS.

VIRTUAIS NÃO.

E A VIDA ME ENSINA MAIS UMA LIÇÃO.

ELOGIOS?

NUNCA MAIS.

POIS AS PALAVRAS DANÇAM, FALSAMENTE. NÃO MERECEMOS NOS ILUDIR NEM ILUDIR NINGUÉM.

AMIZADE SE FAZ COMO AS PLANTAÇÕES E AS ESTAÇÕES.

TUDO NO SEU TEMPO.

QUE A VIDA É REAL.

E O VIÉS É DO MANO CAETANO.