Arquivo de outubro, 2009

INVESTIDOR CLÁSSICO!

Segundo um site, uma mulher apelou e colocou um anúncio no Craigslist pedindo
ajuda para um problema... diferente:

"Eu sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada
e tenho classe. (...) estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo
meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais
neste site? Ou esposas de gente que ganhe isso? Vocês poderiam me mandar
algumas dicas? Eu namorei um homem de negócios que ganha por volta de 200
a 250 mil. Mas eu não consigo passar disso. 250 mil não vão me fazer morar
em Central Park West. Eu conheço uma mulher da minha aula de ioga que casou
com um banqueiro e vive em Tribeca, e ela não é tão bonita quanto eu, nem
é inteligente. Então, o que ela fez de certo que eu não fiz? Como eu chego
no nível dela?" 

Sim, a garota estava pedindo dicas sobre como arrumar marido rico. Mas isso
não é o mais legal, o melhor da história é que um cara, possivelmente um
economista ou investidor, deu a ela uma resposta tão bem articulada e fundamentada
que eu não resisti e tive que postar aqui: 

"Eu li seu anúncio com grande interesse e pensei com cuidado sobre seu dilema.
Fiz a seguinte análise da situação.
Primeiramente, não estou gastando seu tempo, pois me qualifico como um homem
que atende seu orçamento; ou seja, eu ganho mais de 500 mil por ano. Isto
posto, eu considero os fatos da seguinte forma: 

Sua oferta, quando vista da perspectiva de um homem como eu, é simplesmente
um péssimo negócio. Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você
sugere é uma negociação simples. Você entra com sua beleza física e eu entro
com o dinheiro. Ótimo, fácil. Mas tem um problema. Sua aparência vai se acabar
e meu dinheiro vai continuar existindo, perpetuamente... de fato, é bem possível
que meus rendimentos aumentem, mas é certeza absoluta o fato que você não
vai ficar nem um pouco mais bonita!
Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou
um ativo rendendo dividendos . Você não somente sofre depreciação como esta
depreciação sempre aumenta! Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar
gostosa pelos próximos 5 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. Então
o fim de sua aparência começa cedo. Aos 35 anos você já estará acabada!
Então, usando o linguajar de Wall Street, nós a chamaríamos de "trading position"
(posição para comercializar), e não de "buy and hold" (compre e retenha)
- que é o que você deseja ... daí o problema... casamento. Não faz sentido,
do ponto de vista de negócios, "comprar" você (que é o que você quer), portanto
prefiro alugá-la . Se você estiver pensando que estou sendo cruel, eu tenho
a dizer o seguinte: Se meu dinheiro vai se acabar, você também vai. Então,
quando sua beleza se esvair eu tenho que ter uma opção de saída. É simples
assim. Um negócio razoável, portanto, é um namoro, e não casamento.
Paralelamente a isso, bem no início da minha carreira me ensinaram sobre
mercados eficientes. Assim, eu me pergunto com uma garota "articulada, com
classe e maravilhosamente linda" como você ainda não achou seu tio Sukita.
Acho difícil acreditar que você é tão bonita quanto diz e os 500 mil dólares
ainda não te encontraram, nem que fosse pra um "test drive".
Por sinal, sempre há um jeito de você descobrir como ganhar dinheiro por
conta própria, para que não precisemos ter essas conversas difíceis.
Com tudo isso dito, devo dizer que você está tentando da maneira certa. É
a clássica "capitalização via golpe do baú". Espero que tenha sido útil e,
se quiser negociar um contrato de aluguel, fale comigo." 

PS - Comentários só gréa por favor. A tensão pré-jogo está acabando com meus últimos neurônios.
Anúncios

É do Jabor. Espero que gostem.

Publicado: 31/10/2009 em Poesia

idosos se beijando
O cara diz que te ama, então tá… Ele te ama.

Tua mulher diz que te ama; então, assunto encerrado: você sabe que é
amado porque lhe disseram as três palavrinhas mágicas.

Mas ouvir que é amado é uma coisa, sentir-se amado é outra… uma
diferença de quilômetros. A demonstração de amor requer mais do que
beijos, sexo e palavras. Precisa de lealdade, sinceridade…

Sentir-se amado, sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que
zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão
dando certo, que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma
sacudida em você quando for preciso.

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou há
dois anos.

Vê-la tentar reconciliar você com seu pai.

Ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com
delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d’água.

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a
mágoa em munição na hora da discussão…

Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro…
Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe
que tudo pode ser dito e compreendido.

Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar
um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito
tempo ou vê graça em compartilhar o dia-a-dia…

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas
fala; quem não concorda de qualquer jeito com qualquer coisa, mas escuta,
argumenta e busca o entendimento.

Ou seja: Eu te amo não diz tudo!

Então: “Me ame quando eu menos merecer,pois é quando eu mais
preciso.

PS – ALICE RUIZ (SONHO DE POETA).

Quem dera fosse meu
o poema de amor definitivo
Se amar fosse o bastante
poder eu poderia
pudera, às vezes,
parece ser esse
meu único destino
Mas vem o vento e leva
as palavras que digo minha canção de amigo. Um sonho de poeta
não vale o instante vivo.
Pode que muita gente
veja no que escrevo
tudo que sente
e vibre, e chore e ria como eu, antigamente, quando não sabia
que não há um verso, amor,
que te contente.
 
 
 

 

Encontrei este poema pequeno. De uma grande lembrança. De um grande fim após um amor intenso. Época de solteiro, liberado pela censura conjugal. Gostei do que escrevi naqueles tempos. Eram outros. Mas acho que todos nós quando garimpamos alguma coisa no passado e nos prende a atenção ,revela-se que valeu a pena. Tudo que foi vivido. Nada a se arrepender. Até do sacrílégio momentâneo. Birra de novo adulto. Vamos lá.

Quando anoitece em Recife:

 

“Os rios vão prateando suas curvas com os faróis

 que nas ruas servem de alento aos solitários/

 As praças vão ficando sozinhas, com suas


árvores respirando conforto pela ausência dos homens.

 As ruas

vão

ficando mudas

 em conversas imagináveis com os sinais de trânsito,


abertos ao nada e a ninguém.”

                               

    Duda

Aí eu acho pouco e mando esse PS:

Errei, errei sim e não tem volta.
A vida tem dessas coisas, já disse algum poeta distraído. Os amores
não se refazem, os corações não colam, os cacos não vingam. Nada pode
ser feito no terreno do nada, na caliça da seca, no lodo do rio domado
pelo sol.
A distância é a medida exata do funeral. Enterrado no imaginário de
cada um o amor não tem mais chance de ressurreição!! Desafio para um
cristão que acredita que Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para
nos salvar.
Ledo engano.

Errei, errei sim e não tem volta.
Mas se a p… do tempo pudesse voltar…

 Mesmo uma cicatriz no coração deixa lembranças. Todo amor não há
de ter sido em vão. Toda boa lembrança permanece com cores que só vão
desbotar no final do filme. Quando os olhos já não alcançarem a luz…

Meus amigos vinte e poucos anos são vinte e poucos anos. Mas quanta coisa neles eu ainda me enxergo. Ainda bem. Até o escrever. É a tal adolescência Leminskiana que só acaba lá pelos 70.

A balança está do nosso lado!

Publicado: 31/10/2009 em Poesia

Caráter X Reputação”

 

Caráter é o que somos…
Reputação é aquilo que os outros pensam que somos.

Esta diferença é mostrada em um poema escrito por William Davis:

Às circunstâncias entre as quais você vive determinam sua reputação.
A verdade em que você acredita determina seu caráter.

A reputação é o que acham que você é.
O caráter é o que você realmente é…
A reputação é o que você tem quando chega a uma comunidade nova.
O caráter é o que você tem quando vai embora…

A reputação é feita em um momento.
O caráter é construído em uma vida inteira…

A reputação torna você rico ou pobre.
O caráter  torna você feliz ou infeliz…
A reputação é o que os homens dizem de você
junto à sua sepultura.
O caráter é o que os anjos dizem de você
diante de Deus.”

Carpinejar lendo a alma feminina

Publicado: 31/10/2009 em Poesia

O QUE EU ESTAVA PROCURANDO MESMO? 
Fabrício Carpinejar

 

Meu desespero não é calculado. Caso fosse, seria depressão. Um suicídio planejado com antecedência é assassinato.

Eu não sei quando vou explodir, costuma acontecer no momento em que não estou preparada. Naquele instante em que controlei a respiração e restabeleci a paz, que baixei a guarda e me vi salva de mim, dos meus colapsos e iras infernais de dizer a verdade mesmo quando ela não me fará falta e diferença ao mundo. Uma frase que entra torta, um cumprimento dissimulado, uma pergunta maliciosa e gritei bobagem e queimei os manuais de geladeira.

Nenhuma vontade de freqüentar o supermercado na sexta de noite, porque significa cozinhar no dia seguinte. Superei a fobia para não reclamar depois da geladeira vazia. A fila me irritou um pouco, mas não foi isso que me irritou completamente. Irritou-me perceber que esquecerei duas ou três coisas que sempre esqueço de comprar e que só me lembro quando guardo os mantimentos no armário. Mas não foi isso que me irritou completamente.

O que me irritou não tem nada a ver com quem disse. Não tem nada a ver com a tensão pré-menstrual. Nada tem a ver com o mercado, ou com as bolsas como bóias na esteira. Nada tem a ver. Ia tudo bem, havia assinado o cartão de crédito, deixava o balcão quando a atendente soltou o riso e perguntou: “Ah, encontrou tudo o que procurava?”.

Ela atrasou a fala automática na hora de passar todos os produtos e tentou recuperar o tempo perdido. Deve ter sofrido o pânico de contrariar a orientação do gerente. Ou o receio de uma cobrança dos colegas. Falou rapidinho, como quem diz tchau. Falou rapidinho, assim como se aprende na auto-escola a dar o pisca-alerta mesmo que já tenhamos dobrado a rua. Já ouvi a frase tantas vezes e nunca me incomodei. O problema foi o atraso da pergunta, que acentou sua gratuidade.

“Encontrou tudo o que procurava?”. Retornei o rosto para ela e não menti: não encontrei dois quilos a menos, não encontrei um namorado que não seja casado, capaz de responder mensagens no final de semana, não encontrei algo de novo para entreter minha mãe e não escutar que está ficando tarde para que tenha filhos, não encontrei um trabalho que me pague mais e me inspire a trabalhar menos, não encontrei um livro que não me faça dormir, não encontrei uma calça 38 que me sirva, não encontrei minha infância quando não pedia permissão para ser mulher, não encontrei minha amiga que morreu cedo no acidente de carro, não encontrei um motivo fora de mim para que justificasse o esforço de ser bonita, não encontrei uma frase inteligente em nenhum pára-choque de caminhão, não encontrei o orgasmo vaginal, não encontrei gentileza quando chorava, não encontrei um par para dançar, não encontrei um vinho que melhorou depois de abrir a rolha na noite anterior, não encontrei um segredo que não se transformou em gripe mal-curada, não encontrei uma manicure que não tire lascas quando chego atrasada, não encontrei uma tristeza que arrume a cama, não encontrei um nome para pôr como beneficiado no seguro de vida, não encontrei paciência para cachorro ou gato, paciência para flores na jardineira, não encontrei um restaurante que o garçom olhe primeiro para mim, não encontrei uma vingança pontual (minha maldade demora a elaborar respostas), não encontrei uma forma de segurar meus seios, não encontrei uma foto que não me veja assustada.
Aqui, ou na minha casa, não encontrei. Trinta e três anos sem reposição. Mas volto outro dia. 
 
PS – Isso é que é entender a alma feminina. Ou não?

Declaração…

Publicado: 31/10/2009 em Poesia

Declaração Livre dos Direitos das Pessoas
Desobrigadas DA Felicidade Constante

I – Toda pessoa tem o direito de errar, mesmo que já tenham explicado a ela mil vezes o certo sem que ela tenha entendido, pois o tempo de compreender e aprender é de cada um.

II – Toda pessoa tem o direito de mudar de idéia, de se contradizer, de voltar atrás, de recomeçar, pois a melhor coisa DA vida é mudar, principalmente nas coisas que a gente pensava serem imutáveis.
III – Toda pessoa tem o direito de chorar, de sentir dor, de soluçar e de ficar com AR melancólico, pois o riso, muitas vezes, é falso, enganador e insano.
IV – Toda pessoa tem o direito de fazer silêncio, de calar, de não responder, de ficar quieta e não sair tagarelando, pois no silêncio estão as melhores respostas.
V – Toda pessoa tem o direito de se cansar e de ficar doente, pois o corpo, muito mais sábio que a mente, não é de Ferro e sabe sinalizar a hora de parar.
VI – Toda pessoa tem o direito de enraivecer, de xingar, de esmurrar as paredes, de jogar coisas no chão, de gritar. Pois, como disse aquele poeta, tem coisas que só o grito consegue dizer.
VII – Toda pessoa tem o direito de perder, pois só quem perde sabe o quão inesquecível e instrutiva pode ser uma derrota.
VIII – Toda pessoa tem o direito de se Dar mal nos negócios, de não conseguir lidar com dinheiro, de não querer ser Rico, pois quem tem muito normalmente esquece como é viver com pouco.
IX – Toda pessoa tem o direito de ter medo, pois o medo é um bom anjo DA guarda.
X – Toda pessoa tem o direito de duvidar, de perder a fé e de achar que tudo vai Dar errado, pois às vezes, tudo dá errado mesmo, e não é culpa de ninguém.
XI – Toda pessoa tem o direito de não saber, pois quem já sabe tudo perde o motivo de viver.
XII – Toda pessoa tem o direito de falar bobagem, pois nem sempre é legal ser inteligente.
XIII – Toda pessoa tem o direito de se esconder, pois todo refúgio é recuperador.
XIV – Toda pessoa tem o direito de se achar o camarada mais ferrado do mundo, pois o problema de cada um é o pior do mundo para cada um.
XV – Toda pessoa tem o direito de reclamar, pois externar o descontentamento ajuda a gente a pensar sobre ele.
XVI – Toda pessoa tem o direito de desperdiçar uma boa chance, pois mesmo as boas chances, muitas vezes, não chegam em boas horas.
XVII – Toda pessoa tem o direito de não ser feliz incondicionalmente o tempo todo, pois a infelicidade faz parte da vida. E é mais feliz quem sabe lidar com ela do que quem a ignora.

 

PS – PROJETO DE PREFÁCIO (Mário Quintana).

Sábias agudezas… refinamentos…
– não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre…
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.

 

natureza

 

Porque sonhar nunca é demais. Sonhos fazem parte desse nordeste. Sonhos casam com feijão.

Já nos ensinava Origénes Lessa. Sonhos são agreste e sertão esperando a água.

O sonho aí da foto é prá quem pode. E eu posso. Sonhar.

Um dia, quem sabe, como diria Leminski quando acabar a adolescência. Lá pelos 70.

Sei não. Em Canoa Quebrada tem muita beleza. Aqui nosso Pernambuco é de matar de inveja.

Água de coco. Sei não. Tudo belo demais. Sonhos e realidade.

Estou de volta. Nada como uma bela imagem. E uma derrota do Timbú.

Nada como ser nordestino.

E ser roubado a vida inteira pelo sul maravilha. Que de maravilha não tem e nunca teve nada .

Voltemos com Recife, acordemos a nossa bela cidade para voltar a ser a NOIVA DA REVOLUÇÃO.

Sejamos entricheirados. Prontos para a guerra.

Cansa ser nordestino. Essa história graciliana de que somos antes de tudo fortes. Sei não.

Estão nos roubando faz tempo. Existe um gargalo. Um aneurisma.

É a Bahia.

Que sempre me foi linda. Ela nos separa de todo o resto lá de baixo.

Por isso a Bahia ganha uma importância mundial. Deveria ser a sede da ONU.

Lá prá cá. Cá prá lá. Não importa.

Sejamos entricheirados. E como somos pernambucanos. E poetas. Matemos os nossos inimigos com poesia, sol e mar.

Que isso ninguém nos rouba . Em todos os tempos. A gente tá ganhando de goleada.

 

PS – Que Gaciba nunca mais consiga correr o tempo necessário para passar no teste da FIFA. Nunca mais. Que para isso ele consiga uma toxoplasmose e reverta em paralisia de sua pernas. Porque correr para roubar sem precisar é o maior dos crimes. Soltem os presos que roubaram por fome e miséria. Não os que mataram. Principalmente os nossos sonhos. Esses são de lascar.

Facundo Cabral na veia!!!

Publicado: 28/10/2009 em Poesia
Não estás deprimido, estás distraído.
Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia.
Não estás deprimido, estás distraído.
Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma.
Além disso, a vida não te tira coisas: te liberta de coisas, alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude.
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas são apenas lições. Não perdeste coisa alguma: aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção.
Não existe a morte, apenas a mudança.
És movido pela força natural da vida. A mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha;a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.
Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu. Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo.
E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros.
Lembra-te: “Amarás ao próximo como a ti mesmo.”
Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever; porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os teus vizinhos.
Não estás deprimido, estás desocupado.
Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for tua vez.
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão.
Dá sem medida, e receberás sem medida.
E não te deixes enganar por alguns maus, por alguns homicidas e suicidas.
O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso.
Uma bomba faz mais barulho que uma carícia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida.
*   *   *
PS – Meus amigos, meus irmãos. Poetas do agora. Poetas de todos os tempos. Vocês e a minha família me levaram até esse texto. Cada comentário escrito aqui ou falado, ou cochichado. Cada voz que tentou (e conseguiu) me ajudar me levou até esse texto. Facundo Cabral. Que já havia passado pela minha vida e cujo texto já enviei para muita gente. Hoje ele me ajuda a levantar. Obrigado a todos. Eu também levantei por cada um de vocês e por mim. Amém.

Ao destino

Publicado: 26/10/2009 em Poesia

Minha canção desafina,

os tons são vivos, mas a pintura

logo se revela negra.

A cada dia vou caminhando

sem pressa, para que o infortúnio

não ganhe todas.

Não mereço a sorte de ter a dor como

companhia.

Estar alegre, família, amigos, sonhos

já é uma definição de vida. Sobrem exemplos.

Eu nunca fui um bom menino,

não seria agora, que a barba clareia,

o cabelo escassa, a barriga se espraia o cérebro

desande, trocando acordes e palavras.

Não é agora neste presente que mudaria o riff.

Não tem viola que aguente,

nem ouvidos para tantos sonhos.

Inacabado é o projeto profissão,

não há quem não tenha deixado,

pranchetas, calculadoras,

réguas, matrizes, derivadas.

Não há quem não tenha deixado,

jalecos, maletas, livros.

Muitos livros se perderam

no meu caminhar.

À companhia de alguns poetas,

sempre vivos,

eu continuo,

é segunda-feira.

Dia das imortais sentenças,

dos desafios eternos

chacoalhando meus dedos,

como dirigir esta vida?

PS – Passe essa mágoa. Passe logo. Os dias merecem que meus olhos acordem felizes. Meus filhos merecem maçãs em formas de palavras. Minha companheira mais amor e versos e amor. Os amigos o retorno. Sempre. Que viver é de graça. Viver é sempre assim. Nunca se sabe….

esperança

FABRÍCIO

Não tive medo de fracassar na vida. Isso não! Eu sempre me senti o próprio fracasso. Seria desnecessário me assombrar. Restava-me não ser descoberto com facilidade. Fingi que escutava, que estava presente, que me interessava pela minha história.

No fundo, não contei com outra alternativa. Acreditei em mim porque ninguém iria acreditar em meu lugar. Como desejava que algum colega tivesse feito o difícil trabalho de confiar em mim e me dado um pouco de folga. Queria dizer “cuide de minha vida, que já volto”, assim como quem deixa um par de chinelos na areia para mergulhar.

Apartar-me um pouco da briga louca que é provar a todo momento que tenho sentido. Desde que nasci, não encontrei descanso, sujeito a perder a qualquer instante o respeito. Receio de perder os irmãos, os pais, a mulher, os filhos, os amigos. Perder a chance de ser lembrado. Perder a si por incompetência, já que não me ensinaram a ser o Fabrício(*). Deram-me um nome e me acostumei a atender os chamados para aplacar a fome e a sede. Não tive mérito, um cão faria o mesmo por necessidade.

A solidão foi o meu caráter. Descobri que não é se matando que me tornarei importante em minha vida. Não é me abandonando que me tornarei importante em minha vida. Não é fugindo que me tornarei importante em minha vida. É amando o que me faltava amar: eu. Ali, escondido, mirrado, o menino que gostaria de ter sardas e ser ruivo, que passava horas sozinho para não ser obrigado a interromper o assobio. Não sou de chorar. Quando estremeço, sou de abraçar, de costas para as lágrimas.

Nasci sem expectativas. Não diria que conformado, que nunca fui. Mas é como se estivesse em desvantagem. Demoro para aprender. Eu tentava, mas um pensamento ficava atrás, saía do ritmo e não havia como buscar a turma depois. Consentia com a cabeça para não atrapalhar a lição. Não aceitava abandonar pensamentos de repente enquanto todos se apressavam em anunciar resultados. Não sobrei em casa, careci. Durmo até hoje encolhido. Achava a cama de solteiro espaçosa. Batia-me a culpa por desperdiçá-la. Um degrau me contentaria.

Raramente consigo me recordar da infância. Meus três anos? Meus quatro anos? Meus cinco anos? Só com hipnose e ainda duvido. Escrevo não por excesso de memória, pela fartura de vivência e aventura, e sim pela precariedade dela. Anoto compromissos em agendas antigas, atrasado em preencher os dias em que não vivi. Invento lembranças para não parecer tão à toa e de passagem por aqui. Tão a esmo. Tão vadio. Ser processado por desviver e povoar um nome sem propósito e ambição. Faço um esforço para me mostrar ocupado, que nenhum emprego me faria suar dessa forma. Nas redações escolares, odiava temas como “conte-me suas férias”. Era capaz de plagiar os alegres veraneios da menina ao lado. Minhas mentiras são necessárias pelo simples fato de que não existem recordações para substitui-las. Em apuros, tomo a memória de meus irmãos como se fosse minha.

Amadurecer é não estar preparado. Quem afirma o contrário envelheceu antes de amadurecer.

PS (*) É o texto que eu não escrevi neste sábado , mas que daria minha vida para tê-lo escrito. Vou sair dessa lan house o mais rápido possível. O suficiente para colocar na prateleira a minha dor. E seguir em frente. Sei que o poeta aí de cima tem amigos. Também os tenho. Superamos as dificuldades. Com certeza. Mais uma laborada do destino. A gente colhe esperanças onde não há senão um deserto. O que já foi um excelente emprego, hoje é um vazio de idéias, de emoções. Falta vida. Não me basta existir. Não. Eu digo sim para outros horizontes. Ainda há tempo.  Clarice Lispector tem razão quando diz: “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”

Um pequeno conto

Publicado: 22/10/2009 em Poesia

“Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas.”

Pérolas são produtos da dor; resultados da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou grão de areia.

Na parte interna da concha é encontrada uma substância lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia a penetra, ás células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas, para proteger o corpo indefeso da ostra.

 Como resultado, uma linda pérola vai se formando. Uma ostra que não foi ferida, de modo algum produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada. O mesmo pode acontecer conosco. Se você já sentiu ferido pelas palavras rudes de alguém?

 Já foi acusado de ter dito coisas que não disse? Suas idéias já foram rejeitadas ou mal interpretadas? Você já sofreu o duro golpe do preconceito? Já recebeu o troco da indiferença?

A maioria aprende apenas a cultivar ressentimentos, mágoas, deixando as feridas abertas e alimentando-as com vários tipos de sentimentos pequenos e, portanto, não permitindo que cicatrizem.

Assim, na prática, o que vemos são muitas “Ostras Vazias”, não porque não tenham sido feridas, mas porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em amor.

 

PS- É um texto comum. Circula na Internet como água. Mas sempre que o leio ,alguma coisa nova acende no meu coração e me envia um sinal, um aviso. Como dessa vez. Como na música de Chico que diz: ” Deixe em paz meu coração que ele é um poço até aqui de mágoa, e qualquer desatenção, FAÇA NÃO, pode ser a gota d’água”.  Quanta mágoa nos acompanha silenciosamente vida afora, até nos distanciarmos , nos separarmos dela. O tempo é curto. É isso que esse texto invoca neste momento. Nem sempre dá tempo de se fazer uma pérola. Nem sempre. Esse texto me lembrou um anjo, uma colega/irmã de trabalho que de repente, tão de repente se vê com pouco tempo, para uma doença que devora o tempo, mas que acredito não devore pérolas e ela vença esse jogo e a gente possa escutar seu sorriso benéfico novamente. A sua companhia pacífica, o nosso anjo de todos os dias. Tomara meu Deus tomara que ela volte logo. Mais brilhante. Jóia rara. Infinitamente humana. Como só ela sabe ser.

Para Ana Luiza

Publicado: 21/10/2009 em Poesia

Ana Luiza

Não importa o nosso tempo/

é muito maior

tudo que vivemos.

Não tem fim o teu olhar/

sobre o meu.

Pela tua luz enxergo melhor

a construção do dia

as estrelas/ sempre elas/

poesia tem que ter estrela?

Se você é música

meus ouvidos te esperam/

se você é esperança

minha alma se encanta/

se você é caminho

minha mão logo te alcança/

para fazermos nosso passo.

Não tenho tempo/

curta é a estada/

pequeno o viver/

oxigênio,

sinto a tua falta/

cerrado , flores, muitas coisas

preciso dizer

outra vez que te amo/

preciso esgotar esse amor/

e não encontro descanso/

sem te enxergar/

ali tão perto/aviões chegando/

empurrando o carrinho

olhar de carinho/

abraço de uma saudade,

apenas um dia/

uma eternidade.

 

PS – Antes que a vida nos consuma, no dizer de Quintana, antes que queimemos como tochas vivas na fogueira dessa beleza universal, é sempre bom ter saudade, dizer que amamos a quem amamos , nem que saia uma poema de uma saudade por apenas um dia. Um dia é muito. Um dia é uma vida inteira. Revisitada enquanto caminho sozinho no apartamento. O lençol cobrindo a solidão da cama, despindo a minha ausência, pois ausente estou quando não a vejo.

 

A gente pluga é no coração

Publicado: 20/10/2009 em Poesia

Desculpem o título. A situação é a mesma. O shopping é outro.

O mestre Carlos me ensinou. Relógio contando. Conta barata. É legal mesmo.

Mas o que conta nessas horas. O que está contando é o relógio dos amigos.

Não tem ponteiros , mas marca um tempo infinito. O tempo de quem vale a pena.

Aqueles que ligam, mandam mensagens, sinais de fumaça, tocam os tambores.

São meus mestres. Todos. Sem exceção.

Muito mais que um terabyte. Amizade não se mede. Não cabe num HD.

A lan sabe disso. Acompanha minha briga com as teclas , com o backspace.

Pressa, sede, agonia. Vontade de encontrar todo mundo. No nosso arvoredo.

Santo de cada dia.

Estou devendo trocentos comentários ao Roberto. Mas sei que ele vai a galope.

Eu vou perdendo a sua Ferrari. Desgosto. Depois vou ler e saborear, como um vinho. No Recife Antigo.

Carlos, duas vezes. Arsênio. Osvaldo. Clávio. Edgar Mattos. Quantos gestos generosos.

Preciso continuar garimpando. Neruda chamou daquela casa que Carlos Henrique mandou as fotos. Casa que quase sucumbe a um temporal.

Drummond puxou a orelha de Arsênio que puxou a minha.

Quintana passarinho nem ligou. Está do lado onde ele já sabia que não havia mistérios.

Clarice, ah Clarice. Macabéa me incomodou noite passada. Teve um sonho. Um poema enfumaçado. A maçã no escuro. Não entendi nada.

Vinicius disse que tava todo mundo na casa de Caymmi. Nem liguei.

Essas rodas de poetas mortos são uma constante na minha vida. Desde que vi uma janela nunca mais me incomodei com os mortos. Eles não se atrevem aos meus sonhos. Viram encanto e seus poemas  o canto que me interessa nessa vida.

Vida que tem Carpinejar na linha de frente tabelando com Roberto Vieira.

E esse velho fusca tabelando com Arsênio, Carlos Maia, Clávio.

A singela e incomensurável sabedoria de Edgar Mattos.

O lirismo de Osvaldo, abrindo um Tocantins para Pernambuco orgulhar-se.

A bola rolando. O tempo muito mais devagar agora que estou chegando ao fim.

Sede menor. Saudade não.

Distância não sei se há.

Pontes já construímos.

E definitivamente isso ninguém nos tira.

 

PS – ” O tempo onde você mais aprende, mais cresce, mais tira lições, é normalmente o tempo mais difícil da sua vida”. Dalai Lama.

Desplugado

Publicado: 18/10/2009 em Poesia

Meus amigos, irmãos, poetas, de libação e  noites sem fim. Estou off-line.

Que situação. Mudança de endereço.

Sem linha. Sem internet.

Lan – house. Shopping. Salvação.

Dependo dela para me comunicar com vocês.

Melhor seria tambores . Pombos-correio. Cartas. Máquinas de escrever.

Mas foi aqui na Web que a gente bateu o primeiro papo.

É aqui que coloco poemas dos gigantes. Aqui também moram esses assombros humanos.

Moram vocês, além do coração é claro. Morada primeira.

Conto os segundos, os 86.400 segundos do post anterior. Para que tudo volte ao normal.

Mas existem as praças, as bibliotecas, os botecos, as igrejas, sei lá. Existem lugares.

Também tão reais quanto este.

Para nos encontrarmos. Vamos ver. Vamos torcer.

Fernanda Montenegro me ensinou hoje cedo. Que vive sem informática.

Opção de uma das senhoras mais dignas que já vi nessa roda viva dos artistas.

Ela afirma que parou no fax. Até lá ela conseguiu. Fantástico.

Eu preferiria ter parado nas máquinas de escrever. Lembram Quintana, será?

Lembram a maioria dos meus poemas passados a limpo numa velha Olivetti.

Que ficaram com o timbre de cada tecla, boa ou defeituosa.

Muita gente passando. Noite intensa. Boa viagem.

Acho que vão acabar os meus minutos. Do dia e da lan-house também.

O shopping vai fechar.

Desculpem amigos irmãos. Depois respondo cada poema escrito como comentários.

Arsênio, Carlos, Osvaldo.

Sócios-remidos deste fusquinha.Lata velha. Eita . Tá rolando muita tv no meu quengo.

Amanhã fuço outra dessas lan da vida.

Um abraço no coração de todos.

Como diria Lulu Santos sábado a noite todo mundo quer ter uma vida boa.

Então tá.

Saravá.

PS – ” O tempo atreve-se a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera. O mesmo amar é causa de não amar, e o ter amado muito de amar a menos.” Pe . Antonio Vieira ( Sermões).

És um senhor tão estranho…

Publicado: 12/10/2009 em Poesia

Mais uma que recebi na web em julho de 2005 ,sem autor. Quem souber fineza informar:

 A   CONTA
                                                      

 Imagine que você tenha uma conta-corrente e cada manhã acorde com o saldo de R$ 86.400,00.
 Só que não é permitido transferir o saldo de um dia para o outro. Todas as noites o seu saldo é
 zerado, mesmo que você não tenha conseguido gastá-lo. O que você faz: gastará cada centavo, é claro!!!
 Todos nós somos clientes desse banco de que estamos falando. Chama-se TEMPO. Todas as
 manhãs, credita-se para cada um 86.400 segundos. Todas as noites, o saldo é debitado, como
 perda, pois não é permitido acumular este saldo. Todas as manhãs, sua conta é reinicializada e  todas as noites, as sobras do dia se evaporam.
 Não há volta. Você precisa gastar, vivendo o presente, o seu depósito diário. Invista, então no  que for melhor: na saúde, felicidade e sucesso! O relógio está correndo. Faça o melhor para o  seu dia-a-dia.
 Para você perceber o valor de um ANO, pergunte ao estudante que foi reprovado.
 Para você perceber o valor de um MÊS, pergunte a alguém que esteja voltando de férias.
 Para você perceber o de uma SEMANA, pergunte ao editor de uma revista semanal.
 Para você perceber o valor de um DIA, pergunte a um trabalhador diarista.
 Para você perceber o valor de uma HORA, pergunte aos amantes que estão esperando para
 se encontrar.
 Para você perceber o valor de um MINUTO, pergunte a uma pessoa que perdeu o avião.
 Para você perceber o valor de um SEGUNDO, pergunte a uma pessoa que conseguiu evitar
 um acidente.
 Para você perceber o valor de um MILÉSIMO DE SEGUNDO, pergunte ao medalha de prata
 em uma Olimpíada.
 Valorize cada momento que você tem!
 Lembre-se: o tempo não espera por ninguém.
 Ontem é história.
 O amanhã é um mistério…
 O hoje é uma dádiva. Por isso é chamado de PRESENTE!!!
 Usufrua-o P L E N A M E N T E !!!

PS — Estou fazendo contas em duplicidade. 29 pontos até chegar aos 42, 45. Sei não. É muita reza minha Nossa Senhora. Haja hora, minuto e segundo. Relatividade, Einstein e Timbú. Que misturada da gota serena. Eita ressaca.

Tributo a Leminski

Publicado: 10/10/2009 em Poesia

poemas-de-paulo-leminski-pichados-muro-curitiba

O bandido que sabia latim. Sabia muito mais. E me olha do Hubble.

Leminski da fria Curitiba. Enxergou outro Brasil que coube num Hai-kai.

Ou haicai ou como quer que se fale e se escreva. Muitos deles. Infinitos.

O coração imenso apertado entre palavras mágicas. Precisas.

A poesia maior. A prosa também. As músicas.

O bandido que temos em nós e que é muitas vezes o lado bom que nos salva.

Leminski que salvou muita gente. Que foi um alento na fria Garanhuns.

Quando amores iam e viam e o coração batucava um samba tronxo com muita birita.

E que tem sido companhia constante neste fusca. Apertado. Mas com um coração grande.

Com amigos que são poetas e que não tem vergonha de dizerem e apreciarem e o tempo todo falarem de poesia e pão.

Que a vida é feita de muita coisa boa. Além do pão. Além mar.

E poesia é uma delas.

Como me falava no passado um cliente que já partiu, mas deixou um legado:

Domingão, a gente só consegue conversar sobre poesia, livros, e afins com muito pouca gente.

Olhávamos a turma pronta para o rachão no nosso clube.

Assuntos: cerveja, futebol e mulher e muita mentira. Que sempre se mente prá contar vantagem.

E o amigo me disse: Esse bandido eu não sou mais.

E fomos bater nossa bola, porque ninguém é santo. Atire a primeira pedra.

Quem nunca ofendeu um poeta, um escritor, um músico, um artista.

Ofensas que batem e voltam. A alma é de borracha.(*)

E Leminski é meu pastor.

 

PS -tudo claro/ainda não era o dia
      /era apenas o raio . (Paulo Leminski).
[do livro Distraídos Venceremos

(*) Peço licença a Beto Guedes.

A sua decisão

Publicado: 09/10/2009 em Poesia

Ser Feliz é Uma Decisão

Uma senhora de 92 anos, delicada, bem vestida, com o cabelo bem penteado e um semblante calmo, precisou se mudar para uma casa de repouso.

 Seu marido havia falecido recentemente e a mudança se fez necessária, pois ela era deficiente visual e não havia quem pudesse ampará-la em seu lar.

 Uma neta dedicada a acompanhou.

 Após algum tempo aguardando pacientemente na sala de espera, a enfermeira veio avisá-las que o quarto estava pronto.

 Enquanto caminhavam, lentamente, até o elevador, a neta, que já havia vistoriado os aposentos, fez-lhe uma descrição visual de seu pequeno quarto, incluindo as flores na cortina da janela.

 A senhora sorriu docemente e disse com entusiasmo: Eu adorei!

 Mas a senhora nem viu o quarto… Observou a enfermeira.

 Ela não a deixou continuar e acrescentou:

 A felicidade é algo que você decide antes da hora. Se eu vou gostar do meu quarto ou não, não depende de como os móveis estão arranjados, e sim de como eu os arranjo em minha mente.

 E eu já me decidi gostar dele…

 E continuou: é uma decisão que tomo a cada manhã quando acordo. Eu tenho uma escolha, posso passar o dia na cama remoendo as dificuldades que tenho com as partes de meu corpo que não funcionam há muito tempo, ou posso sair da cama e ser grata por mais esse dia.

 Cada dia é um presente, e meus olhos se abrem para o novo dia das memórias felizes que armazenei…

 A velhice é como uma conta no banco, minha filha… De onde você só retira o que colocou antes.

 A lição de uma pessoa idosa e sem a visão dos olhos físicos é de grande profundidade e contém ensinamentos valiosos.

 E o primeiro deles é que a felicidade é uma decisão pessoal.

 Depende mais da nossa disposição mental do que das circunstâncias que nos rodeiam.

 Cada pessoa tem, na intimidade, o potencial de armazenar as belezas que deseja ver em sua tela mental, ainda que ao seu redor a paisagem seja deprimente.

 Para isso é preciso construir um mundo de felicidade nesse banco de lembranças que Deus ofereceu a cada um de seus filhos.

 E quando se constrói um mundo de paz e felicidade, portas à dentro da alma, é possível compartilhar essa realidade com aqueles que nos cercam.

 Assim é que se não temos em nossa vida os enfeites que desejamos, arranjemos tudo isso em nossa mente. É uma forma de ver as coisas com olhar positivo e otimista.

 Além disso, como toda criação começa na mente, é bem possível que venhamos a concretizar esse sonho alimentado na alma.

 Se você ainda não havia pensado nessa possibilidade, pense agora.

 Comece, sem demora, a depositar felicidade na conta do banco das suas lembranças, para poder resgatar sempre que desejar.

 Se você abrir a janela, pela manhã, e seus olhos físicos puderem ver apenas paisagens deprimentes, abra as janelas da alma e contemple um jardim em flor.

 Respire fundo e sinta o perfume de jasmim, de rosas e cravos, ouça o canto dos pássaros que voam, ligeiros, pelo ar.

 Perceba a brisa acariciando seu rosto, e curta a melodia dos grilos e cigarras que cantam para alegrar suas horas.

 Decida ser feliz, ainda que seja uma felicidade que só você pode sentir. E lembre-se sempre: a felicidade não depende de como as coisas estão arranjadas, mas de como você as arranja na sua mente.

 PS – Peguei o ” Trem Azul “ontem no Vagão. A opção de todos à mesa é de serem felizes todos os dias. Um grande e precioso sim para a vida. Pelo exemplo de cada um se confirma a frase.

PS II – No oceano sem fim da WEB recebemos, enviamos garimpos textos com a expressão: “Autor desconhecido” , “Anônimo” “Desconheço a autoria” e por aí vai. Esse texto é mais. Que com certeza tem dono. Mas eu não sei. Quem souber me diga .

Beneméritos

Publicado: 08/10/2009 em Poesia

temp99121

Eles existem. São reais. Não são de Varginha.

Não aparecem em fotos surreais. 

Essa não é a causa deles. Eles aparecem o tempo todo. Em todas as colunas. Sociais.

Eles não são uma espécie rara na humanidade.

O ego é maior do que o coração. A ação precede um interesse. Não a bondade.

Não a generosidade.

E sim ao ego.

 Monstruoso. Do tamanho da terra.

O holofote é o alimento dessa espécie.

Precisam ser vistos e admirados. Quanta admiração!!!

Precisam de alguém ou uma multidão a lhe deitar elogios.

Camareiros a lhes carregar a pasta. A soberba. A vaidade.

O que seria deles sem a vaidade. Nada lhes seria mais danoso.

Antes que se perca a vista, o andar. Mas a vaidade lhes alimenta.

É o seu oxigênio. Faz sua vista alcançar as fronteiras sem fim de uma mente doentia.

E qual a finalidade então dessa biografia ?

É que existe o contrário.

As pessoas gigantes. Anônimas. Desinteressadas da vaidade. Interessadas pelo próximo.

Vivem uma missão.

Aqui na terra são indispensáveis.

Muitas vezes o seu trabalho sustenta uma pequena comunidade.

Uma creche. Um asilo. Um hospital.

E só vamos saber disso quando eles partem.

Não precisamos de beneméritos. Nunca.

Precisamos de gente. Precisamos de seres humanos.

Solidários.

 

PS – Qualquer semelhança com alguma instituição será mera coincidência. Inclua-se aí o meu amado , falido e em processo de liquidação ,o Clube Náutico Capibaribe. Não é um epitáfio também. Graças a Deus não sou um benemérito. Nem conheço nenhum.

(*) Charge do site do artista Régis Soares.

O medo causado pela inteligência

Publicado: 07/10/2009 em Poesia

NerdBurro

Marcelo Albert de Souza

Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar o seu 1.º discurso, na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu desempenho naquela assembléia de vedetas políticas.
O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse-lhe em tom paternal: “Meu jovem, você cometeu um grande erro.
 Foi demasiado brilhante neste seu primeiro discurso. Isso é imperdoável !

Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco.
Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta”.
Ali estava uma das melhores lições que um velho sábio pode dar ao pupilo que se inicia numa carreira difícil.
Isso, em Inglaterra. Imaginem aqui, no Brasil, em Portugal.
Vale a pena lembrar uma famosa trova de Ruy Barbosa:
“Há tantos burros a mandar em homens inteligentes que, às vezes, penso que a burrice é uma Ciência”.
A maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência.
Temos de admitir, por outro lado, que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados na conquista de posições importantes.
 Sabem ocupar os espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não revelam o apetite do poder.
Mas, há que ter em consideração que esses medíocres, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de defender bem as posições conquistadas – como que com verdadeiras muralhas de granito por onde talentosos não conseguem passar.
Em todas as áreas encontramos dessas fortalezas inexpugnáveis a quaisquer legiões de lúcidos.
Dentro deste raciocínio, que poderia ser uma extensão do “Elogio da Loucura”, de Erasmo de Roterdão, somos forçados a admitir que uma pessoa precisa de fingir que é burra se quer vencer na vida.
É pecado fazer sombra a alguém, até numa conversa social.
 Assim como um grupo de senhoras burguesas, bem casadas, boicota, automaticamente, a entrada de uma jovem mulher bonita no seu círculo (com medo de perderem os maridos), também os encastelados medíocres se fecham como ostras à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar.
Eles conhecem bem as suas limitações, sabem como lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizam “com uma perna às costas”…
 Enfim, na medida em que admiram a facilidade com que os mais lúcidos resolvem problemas, os medíocres repudiam-nos para se defenderem.
 É um paradoxo angustiante !
Infelizmente, temos de viver com estas regras absurdas que transformam a inteligência numa espécie de desvantagem perante a vida.
 Como é sábio o velho conselho de Nelson Rodrigues… “Finge-te de idiota, e terás o céu e a terra”.
 O problema é que os inteligentes gostam de brilhar! Que Deus os proteja, então, dos medíocres!…

PS – “A maldição de pensar fez suas vítimas: em minha geração, vi muitos poetas se transformarem em críticos, teóricos, professores de literatura”
Paulo Leminski.

Saudades

Publicado: 06/10/2009 em Poesia

  Saudades

Poesia enviada por Nelma Guerra : autor desconhecido

KCAMRKTWMCA5HSTWXCAOJ5FKBCARRGEA6CAT1D3U2CAMW5Y7ACAU8WJJLCA6THHCQCAT1E9FFCAG4VM1ICA2C8WSECA8H53LCCAQ519UMCABF3Z1WCA1HY7S2CA9VJ43MCA24GECPCAANG8LA

Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades…
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei…
Sinto saudades ,DA MINHA ADOLESCÊNCIA
DO MEU COLÉGIO QUERIDO
do meu primeiro amor, do meu segundo,
do terceiro, do penúltimo
e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser…
Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,
lembrando do passado e apostando no futuro…
Sinto saudades do futuro, que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser…
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei,
de quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram
e de quem não me despedi direito;
daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre;
de coisas que tive e de outras que não tive mas quis muito ter;
de coisas que nem sei que existiram.
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes,
de casos, de experiências…
Sinto saudades do cachorrinho que eu NÃO tive
um dia e que me amaria fielmente, como só os
cães são capazes de fazer,
dos livros que li e que me fizeram viajar, dos discos
que ouvi e que me fizeram sonhar,
das coisas que vivi e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar
não sei o que, não sei onde, para resgatar alguma coisa
que nem sei o que é e nem onde perdi…
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar
sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano,
em inglês, mas que minha saudade, por eu ter nascido
no Brasil, só fala português, embora, lá no fundo,
possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se
usar sempre a língua pátria, espontaneamente,
quando estamos desesperados, para contar dinheiro,
fazer amor e declarar sentimentos fortes, seja lá
em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um
simples “I miss you”, ou seja lá como possamos
traduzir saudade em outra língua, nunca terá a
mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta
que sentimos de coisas ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades…
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes em que sinto este
aperto no peito, meio nostálgico,
meio gostoso, mas que funciona melhor do que
um sinal vital quando se quer falar de vida
e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de
que somos sensíveis, de que amamos muito o
que tivemos e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência…
Sentir saudade,
é sinal de que se está vivo!

PS – A amizade é um amor que nunca morre. (Mário Quintana).