Arquivo de fevereiro, 2010

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Antes, durante e depois do almoço.

Publicado: 28/02/2010 em Poesia

Enviados pelo camarada João Carlos.

My friend came to me, with sadness in his eyes
He told me that he wanted help
Before his country dies

Although I couldn’t feel the pain, I knew I had to try
Now I’m asking all of you
To help us save some lives

Bangla Desh, Bangla Desh
Where so many people are dying fast
And it sure looks like a mess
I’ve never seen such distress
Now won’t you lend your hand and understand
Relieve the people of Bangla Desh

Bangla Desh, Bangla Desh
Such a great disaster – I don’t understand
But it sure looks like a mess
I’ve never known such distress
Now please don’t turn away, I want to hear you say
Relieve the people of Bangla Desh
Relieve Bangla Desh

Bangla Desh, Bangla Desh
Now it may seem so far from where we all are
It’s something we can’t neglect
It’s something I can’t neglect
Now won’t you give some bread to get the starving fed
We’ve got to relieve Bangla Desh
Relieve the people of Bangla Desh
We’ve got to relieve Bangla Desh
Relieve the people of Bangla Desh

Cora e Drummond.

Publicado: 28/02/2010 em Poesia

Conclusões de Aninha.

Cora Coralina.

Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.

O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?

Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
“A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar.”
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra.


PS –  Em 1980, Carlos Drummond de Andrade, como era de seu feitio, após ler alguns escritos da autora, manda-lhe uma carta elogiando seu trabalho, a qual, ao ser divulgada, desperta o interesse do público leitor e a faz ficar conhecida em todo o Brasil.

Sintam a admiração do poeta, manifestada em carta dirigida a Cora em 1983:

“Minha querida amiga Cora Coralina: Seu “Vintém de Cobre” é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia ( …).” Editado pela Universidade Federal de Goiás, em 1983, seu novo livro “Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha“, é muito bem recebido pela crítica e pelos amantes da poesia. Em 1984, torna-se a primeira mulher a receber o Prêmio Juca Pato, como intelectual do ano de 1983. Viveu 96 anos, teve seis filhos, quinze netos e 19 bisnetos, foi doceira e membro efetivo de diversas entidades culturais, tendo recebido o título de doutora “Honoris Causa” pela Universidade Federal de Goiás. No dia 10 de abril de 1985, falece em Goiânia. Seu corpo é velado na Igreja do Rosário, ao lado da Casa Velha da Ponte. “Estórias da Casa Velha da Ponte” é lançado pela Global Editora. Postumamente, foram lançados os livros infantis “Os Meninos Verdes“, em 1986, e “A Moeda de Ouro que um Pato Comeu“, em 1997, e “O Tesouro da Casa Velha da Ponte“, em 1989.


Texto extraído do livro “Vintém de cobre – Meias confissões de Aninha”, Global Editora — São Paulo, 2001, pág. 174.

A mosca azul.

Publicado: 28/02/2010 em Poesia

 

Ela é onipresente. Tenho quase certeza.

Mas é visível o estrago dessa mosquinha, tão singela, cujo veneno é mortal.

Lento na maioria das vezes, mas capaz de derrubar governos…

E não é que nosso guia, como nos lega Elio Gaspari, terminou inoculado?

Coitado.

Do ABC, das marmitas, da caninha 51, da greve de fome.

Da viuvez precoce, de dona Marisa, que hoje desafia o tempo cada dia mais nova…

Ares de Brasília. Fazem milagres.

Lula , Lula, Lula. Os que vão morrer te saudam.

Viestes do povo, da mais pura existência e não aprendestes nada?

Bastou o menu do Alvorada e lasquem-se os mortais, o povo, essa figura virtual?

Lasquem-se todos, viva Sarney, Renan e Collor.

Esses agora são a tua turma.

Viva o Esmolão.  Realizada  a maior ascensão de classes do mundo capitalista moderno.

Moderno?

A classe média espremida, achatada, pior do que carro quando vai virar sucata.

Dane-se a classe média. Que desapareça. Vamos elevar as cotas, vamos dar mais dinheiro ao MST.

Trabalhar é coisa de trouxa.

Para ser Presidente o trabalho não consta do currículo.

Vale a VAIDADE.

Cheguei no ponto. Custei mais cheguei.

A VAIDADE.

Esse câncer que corrói tantos os bens nascidos quanto os vindos da periferia.

Tanto faz , porque não há prova de títulos.

A vaidade de FHC. De lascar. A singular figura de dona Ruth Cardoso. Sem palavras.

A vaidade de LULA. De lascar também. A grotesca figura de dona Marisa. Nem comento.

A ida de Lula a Cuba, a Venezuela, a Bolívia, ao Paraguai. Desastres. Acompanhado de outros desastres na comitiva. O top-top. O Ministério mastodontico. O  inchaço de Brasília.

A mosca azul é um absurdo que nem Kafka sonhou nos seus piores pesadelos.

O que há de bom nesses quase oito anos com certeza há de ficar.

Que nenhum governo é feito só de moscas azuis, vaidades e sacanagens.

Não falo dos 900 mil bancários da era FHC que entregou a Lula apenas 400 mil.

Que vai entregar para Dilma menos do que isso.

Essa categoria não existe. Não estou puxando a brasa para mim. Afinal eu sou rico.

Pelo menos para Lula.

O que causa indignação. Violenta indignação. É que a vaidade é fruto livre e está a disposição de qualquer um.

O sujeito escreve um livro.

Tem um blogue.

Vira vereador.

Compõe uma música.

Dá uma entrevista no bom dia Pernambuco.

Pronto. Fudeu. Agora virou pop star.

Lá em cima é mais complicado. A vaidade sob as alturas do Dubai World Trade Center.

É diferente. É muito pior.

Acima do bem e do mal. Pode falar o que quiser. Grotescamente. O que quiser.

Nada lhe cola. Nenhuma crítica lhe arranha.

Podem bater. Sou inoxidável.

É por essas e outras que de vez em quando como nessa noite de insônia,

eu pego o “fusca” e vou dar uma voltinha (perigosa) em Santo Amaro.

Só passo na frente. É suficiente.

Lá ficaram meus pais, avós, tios, primos, amigos, conhecidos e estão por lá milhares

de desconhecidos.

Mas todos com algo em comum. Extraordinariamente comum.

Todos são apenas esqueletos. E como no famoso conto, se você procurar entre os ossos,

não vai saber a diferença entre um José da Silva e um Batista da Silva.

Entre Miguel Arraes e  um Severino ou Severina dos mangues de João Cabral.

É santo remédio contra essa mosca que dá  no toitiço de qualquer um.

Não importa o cargo.

Bater no presidente até que é bom.

Mas a gente tem de saber que também temos de saculejar a requenguela do juízo , quando a mosquinha virar em nossa direção.

Dona Dilma cuidado com a mosca. Ela também gosta de mulheres.

A senhora tá na mira.

PS – A vaidade é um princípio de corrupção.

Machado de Assis

     Da Agência Estado
  • Dilma empata com Serra em cenário com Ciro na disputa, diz CNT/Sensus
  • Pesquisa Ibope mostra Serra com 36% e Dilma com 25%
  • Base governista troca convocação de Dilma por Vannuchi na CCJ do Senado
  • FHC diz que Serra será candidato do PSDB e critica campanha antecipada
  • Para Serra, uso político da cassação de Kassab ‘seria ridículo’

  • Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (27) mostra queda na diferença entre os pré-candidatos do PSDB, o governador paulista, José Serra, e do PT, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão presidencial.

     O levantamento, publicado na edição de domingo pelo jornal Folha de S.Paulo, aponta Serra com 32% das intenções de voto; Dilma Rousseff, com 28%; o deputado federal Ciro Gomes (CE), pré-candidato do PSB, com 12%; e a pré-candidata do PV, senadora Marina Silva (AC), com 8%. Na mostra anterior do Datafolha, divulgada em dezembro de 2009, Serra tinha 37%; Dilma 23%; Ciro 13%; e Marina 8%.

    A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 25 de fevereiro. Do total de entrevistados (2.623), 9% disseram que vão votar branco, nulo ou em nenhum dos candidatos e 10% informaram que estão indecisos. O levantamento tem margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

    A pesquisa também apresentou um cenário sem a presença de Ciro Gomes. Nessa simulação, Serra tem 38%, Dilma vai a 31% e Marina Silva fica com 10% das intenções de voto. Na pesquisa de dezembro de 2009, o tucano tinha 40%, Dilma registrava 31% e Marina tinha 11%.

    No cenário de segundo turno, numa eventual disputa entre Serra e Dilma, o tucano lidera com 45% das intenções de voto e a petista aparece com 41%. O levantamento realizado em dezembro apontava Serra com 49% das intenções de voto e Dilma com 34%. Em outro cenário de segundo turno, Dilma vence com 48%, contra 26% de Aécio.

    De acordo com o Datafolha, o pré-candidato Serra registra o maior índice de rejeição entre os presidenciáveis, com 25%; seguido de Dilma com 23%; Ciro, com 21%; Aécio, com 20%; e Marina, com 19%.

    A pesquisa avaliou também o índice de aprovação do presidente Lula. Na mostra, a aprovação ficou em 73% (de ótimo e bom). Na pesquisa de dezembro, este índice foi de 72%, o mais alto patamar de popularidade apurado pelo Datafolha.

    A maré vai encher…

    Publicado: 27/02/2010 em Poesia

    A portaria de FHC.

    Publicado: 27/02/2010 em Poesia

    Prá não dizer que não falei das flores…

    a putaria, ops a Portaria continua. É o compromisso do sr. Sorbonne abrindo o hoskoff para o FMI e doando nossas empresas para o amigos dele. Da patota dele. Dele mesmo. Que FHC nunca foi besta nem nunca vai ser.

    … foi no dia 25. Mestre João Carlos avisou e mandou um torpedo, direto do Hubble, do celular de John.

    Mestre Lucídio. Torpedo de Bonito.

    Publicado: 27/02/2010 em Poesia

     

     

    O anão triste.

    HILDA HILST 

    De pau em riste
    O anão Cidão
    Vivia triste.

    Além do chato de ser anão
    Nunca podia
    Meter o ganso na tia
    Nem na rodela do negrão.

    É que havia um problema:
    O porongo era longo
    Feito um bastão.
    E quando ativado
    Virava… a terceira perna do anão.

    Um dia… sentou-se o anão triste
    Numa pedra preta e fria.
    Fez então uma reza
    Que assim dizia:
    Se me livrasses, Senhor,
    Dessa estrovenga
    Prometo grana em penca
    Pras vossas igrejas.

    Foi atendido.
    No mesmo instante
    Evaporou-se-lhe
    O mastruço gigante.
    nenhum tico de pau
    Nem bimba nem berimbau
    Pra contá o ocorrido.

    E agora
    Além do chato de ser anão
    Sem mastruço nem fole
    Foi-se-lhe todo o tesão.

    Um douto bradou: Ó céus!
    Por que no pedido que fizeste
    Não especificaste pras Alturas
    Que lhe deixasse um resto?

    Porque pra Deus
    O anão respondeu
    Qualquer dica
    É compreensão segura.

    Ah, é, negão? Então procura.

    E até hoje
    Sentado na pedra preta
    O anão procura as partes pudendas…
    Olhando a manhã fria.

    Moral da história:
    Ao pedir, especifique tamanho
    Grossura quantia.

    Postem seus poemas. AMÉM!

    Publicado: 27/02/2010 em Poesia

     

     

     

     

     

    ‘Blue Marble’ é a mais detalhada visão do planeta Terra já vista, informou a NASA; cientista sobrepuseram imagens até chegar a esta, que está disponível em diversos formatos no site da agência espacial americana. ( fonte: site UOL).

    João Carlos nos envia!

    Publicado: 27/02/2010 em Poesia

    E este zé aqui assina embaixo . Parabéns a Maurílio Ferreira Lima pelo texto. E obrigado ao mestre João Carlos por ter enviado. Quem sabe sabe. Não é a questão de Zapata ter morrido em Cuba ou no Kazaquistão. Era um preso político. Que morreu fazendo greve de fome. E o nosso LULA ignorou solenemente. Parabéns Presidente. Vai para o Nobel da Paz já já.

    Depois de 85 dias de greve de fome faleceu em um hospital em HAVANA o preso político ORLANDO ZAPATA. Ele é um dos centenas de presos políticos presos há anos em Cuba e sempre torturados e famílias perseguidas.
    Fazia 38 anos que ninguém morria por conta de uma greve de fome e Orlando Zapata morreu no dia em que o Presidente do Brasil visitava Cuba, levava milhões de dólares do Brasil para financiar a Ditadura cubana e posou sorrindo ao lado de Fidel Castro, doente e altamente debilitado, não transmitindo sequer a certeza de que sabia o que estava fazendo.
    No Brasil perguntado pela imprensa se tratou com o ditador cubano sobre o grevista de fome e os outros prisioneiros políticos, cinicamente declarou que os familiares dos presos políticos não o procuraram em Cuba, e se disseram que enviaram uma carta ele não recebeu. Pois bem Presidente, não precisa o Senhor receber uma carta .
    A morte de ORLANDO ZAPATA é a manchete de todos os JORNAIS, TV E RÁDIOS DO MUNDO. Tudo isto o Senhor leu no resumo da imprensa nacional e internacional esta manhã. Portanto escreva uma mensagem pessoal e outra como Chefe de Estado e envie ao Ditador cubano Raul Castro solicitando a libertação dos presos políticos cubanos .
    O Senhor deve este gesto ao mundo.

    http://maurilioferreiralima.com.br

    Kid Paulinha.

    Publicado: 27/02/2010 em Poesia

    Para Paulinha Toller

     

    cada um de nós

    vai

    tentando,

    acertando

    ponteiros,

    afinando

    a

    viola

    correndo do tempo;

    cada um de nós

    vai

    levantando

     a

    poeira;

     apostando

    na

     vida

    lutando

      desde a chegada:

    No futuro

    alguns de nós

    terão saído de cena,

    o apito

    o tempo

    a camisa

    o suor

    as lembranças.

    Tudo terá sido

    Uma enorme saudade

    Do futuro.

     

     

    A Meritocracia no governo LULA.

    Publicado: 26/02/2010 em Poesia

    Lá em Brasília encontra-se o CARA.

    O Presidente com parca instrução acadêmica, atacado incessantemente pela mídia tucana.

    Os poderosos midiáticos.

    O Presidente que abriu concurso público como nenhum outro o fez.

    O Presidente que acabou de receber um importante prêmio internacional.

    “Que deixou muito neguinho e branquinho e tucano e demo ouriçados.”

    Ponto para Lula. Não vejo outra forma de se ingressar no serviço público.

    Assim é  e foi desde tempos imemoriais.

    Mas existem os cargos comissionados.

    Existem os já concursados que estão lá por baixo e precisam subir.

    Existem os que não conseguem emprego pelo exílio auto-imposto nos sindicatos.

    Mas o governo LULA deu um jeitinho para acomodar os camaradas.

    Na empresa que eu trabalho, concursado, desde 1982, passamos poucas e boas.

    Com Sarney, Collor e o pavão de cauda aberta FHC.

    Tristes tempos. Alegria porque assim como no bloco nós sofre mas nós goza. Assim o éramos.

    Vou citar dois exemplos invertidos e pervertidos da Meritocracia atual.

    Lembrando que saí daqui para Garanhuns para votar em Lula (o sapo barbudo segundo Brizola), no primeiro e segundo turno da eleições de 1989.

    E nunca mais parei de votar. Parei agora que em Dilma nem com o Roussef eu voto.

    Um camarada, ou companheiro ou o que seja militou durante 12 anos no SEEB.

    Que é Sindicato dos Bancários de PE.

    Sua nobilíssima função: entregar jornais do sindicato.

    Sua roupa padrão: bolsa de couro, sandálias de couro, jeans e camiseta branca.

    Em 2004 assume um importante cargo de Analista Master na Vice-Presidência em Brasília.

    Cargo que para ser devidamente ocupado o aspirante tem que passar por rigorosa disputa interna, que inclui prova de títulos, entrevistas, exames, certificações.

    O companheiro, talvez esquecido desses detalhes , passou direito. E assumiu o cargo.

    Na greve acontecida no mesmo ano, o camarada veio em nossa cidade e ficou contra greve.

    Seu argumento: – Agora eu sou Governo!!!

    Aposentado em 2008 com um salário muito acima da média dos mortais aqui.

    Outro caso. Um dos últimos colegas que tive na agência no cargo de Gerente-Geral.

    32 anos de Banco. 15 como Gerente.

    Aposentou-se em 2008. Salário menor do que o camarada.

    Tirem suas conclusões.

    O prato está servido.

    O mesmo ocorre na Petrobrás, na Caixa, nos Ministérios.

    É um enraizamento igual ao parasitas quando atacam as grandes árvores.

    A sede dessa gente não tem fim.

    Agora sabe o que o colega camarada fazia lá em Brasília.

    PORRA NENHUMA.

    Esse texto tem autor:

    Domingos Sávio Maia de Sousa

    Tão curta é a vida , Cecília…

    Publicado: 25/02/2010 em Poesia

    Madrigal para Cecília Meireles

    Cacaso
    (Antônio Carlos Ferreira de Brito)

    Quando na brisa dormias,
    não teu leito, teu lugar,
    eu indaguei-te, Cecília:
    Que sabe o vento do mar?
    Os anjos que enternecias
    romperam liras ao mar.
    Que sabem os anos, Cecília,
    de tua rota lunar?
    Muitas transas arredias,
    um só extremo a chegar:
    Teu nome sugere ilha,
    teu canto:um longo mar.
    Por onde as nuvens fundias
    a face deixou de estar.
    Vida tão curta, Cecília,
    a barco tragando o mar.
    Que céu escuro havia
    há tanto por te espreitar?
    Que alma se perderia
    na noite de teu olhar?
    Sabemos pouco, Cecília,
    temos pouco a contar:
    Tua doce ladainha,
    a fria estrela polar
    a tarde em funesta trilha,
    a trilha por terminar
    precipita a profecia:
    Tão curta é a vida, Cecília,
    tão longa a rota do mar.
    Em te saber andorinha
    cravei tua imagem no ar.
    Estamos quites, Cecília,
    Joguei a estátua no mar.
    A face é mais sombria
    quanto mais se ensimesmar:
    Tão curta a vida, Cecília,
    tão negra a rota do mar.
    Que anjos e pedrarias
    para erguer um altar?
    Escuta o coral, Cecília:
    O céu mandou te chamar.
    Com tua doce ladainha
    (vida curta, longo mar)
    proclames a maravilha.

    Rio, 1964.

    A verdadeira fé. De Borges.

    Publicado: 25/02/2010 em Poesia

    Uma oração

    Jorge Luis Borges


    Minha boca pronunciou e pronunciará, milhares de vezes e nos dois idiomas que me são íntimos, o pai-nosso, mas só em parte o entendo. Hoje de manhã, dia primeiro de julho de 1969, quero tentar uma oração que seja pessoal, não herdada. Sei que se trata de uma tarefa que exige uma sinceridade mais que humana. É evidente, em primeiro lugar, que me está vedado pedir. Pedir que não anoiteçam meus olhos seria loucura; sei de milhares de pessoas que vêem e que não são particularmente felizes, justas ou sábias. O processo do tempo é uma trama de efeitos e causas, de sorte que pedir qualquer mercê, por ínfima que seja, é pedir que se rompa um elo dessa trama de ferro, é pedir que já se tenha rompido. Ninguém merece tal milagre. Não posso suplicar que meus erros me sejam perdoados; o perdão é um ato alheio e só eu posso salvar-me. O perdão purifica o ofendido, não o ofensor, a quem quase não afeta. A liberdade de meu arbítrio é talvez ilusória, mas posso dar ou sonhar que dou. Posso dar a coragem, que não tenho; posso dar a esperança, que não está em mim; posso ensinar a vontade de aprender o que pouco sei ou entrevejo. Quero ser lembrado menos como poeta que como amigo; que alguém repita uma cadência de Dunbar ou de Frost ou do homem que viu à meia-noite a árvore que sangra, a Cruz, e pense que pela primeira vez a ouviu de meus lábios. O restante não me importa; espero que o esquecimento não demore. Desconhecemos os desígnios do universo, mas sabemos que raciocinar com lucidez e agir com justiça é ajudar esses desígnios, que não nos serão revelados.

    Quero morrer completamente; quero morrer com este companheiro, meu corpo.


    Thiago que tua luz chegue a Carlos.

    Publicado: 25/02/2010 em Poesia

    Fio de vida

    Thiago de Mello

    Já fiz mais do que podia
    Nem sei como foi que fiz.
    Muita vez nem quis a vida
    a vida foi quem me quis.

    Para me ter como servo?
    Para acender um tição
    na frágua da indiferença?
    Para abrir um coração

    no fosso da inteligência?
    Não sei, nunca vou saber.
    Sei que de tanto me ter,
    acabei amando a vida.

    Vida que anda por um fio,
    diz quem sabe. Pode andar,
    contanto (vida é milagre)
    que bem cumprido o meu fio.

    Na tarde em que as coronárias oclusas, entristecidas, me pedem para cantar. julho/98

    Tom Zénfiando o dedo…

    Publicado: 25/02/2010 em Poesia

    Será que eu posso dizer mais alguma coisa?
    46 anos separam uma foto da outra.
    Meus pais erraram? Creio que não.
    Por que o vício joga o sujeito neste estado
    deplorável?
    Por que não conseguimos nos livrar dele?
    Amanhã estarei dando o meu último passo
    em direção a uma restauração,
    vou me internar no CPTRA.
    Não aguento mais ver meus filhos sofrendo
    e a minha mãe também.
    Desde Julho/2007 que eu faço parte do GAC
    (Grupo de Apoio Carismático),
    da Igreja Episcopal, do Bispo Dom Paulo Garcia.
    Foram tantas as recaídas que eu não tenho
    coragem de contar.
    O máximo de tempo que consegui passar
    sem beber de lá pra cá foram 90 dias.
    (continuo daqui a 35 dias, pois amanhã estarei me internando
    e vou ficar ausente da internet. Queiram me desculpar.)

    Abraços,

    Carlos Maia.

     

    PS – Esse ser humano, poeta, pai ,está aí expondo no seu blog a sua dificuldade em lidar com algo perigoso: o álcool. Copiei tudo e trouxe para cá. Esse ser humano é meu primo. Podia ser eu, meu irmão, meus amigos da Yellow House que já levitaram, um estranho. A dor é igual. A coragem desse pedido de socorro sai do grotesco e de uma provável apelação , para uma crueza digna. Expor a sua miséria momentânea dessa forma é dizer que mesmo assim caído, ele na verdade já está se levantando. Como não tenho crença religiosa, nem posso ser considerado cristão, peço aos amigos do blog que pensem positivamente por Carlos. Que foi ser gauche na vida e estabacou-se. Como eu já me estabaquei e voltei. Como muitos nunca voltaram. E quantos tantos outros nunca foram e ficaram de cara limpa.

    Não se trata de julgar. Certo ou errado. Bom ou mal. Trata-se de uma questão em que nossas humanidades tem de encontrar pessoas assim e tentar de alguma forma lembrar a elas que a cura só depende do esforço que irão fazer, das escolhas que irão optar e da ajuda que irão pedir. Porque sozinho a viagem é na maioria das vezes sem volta.

    AMÉM.