Arquivo de junho, 2011

Faz mais de 30 anos. E é eterno. E belo.
Faz mais de 30 anos, que numa tarde de sábado o vinil na radiola fez uma família inteira marejar.
Uma tarde inesquecível, com a visita do belo, da poesia viva e latejante, da dor sertaneja de um gênio nordestino. Que falava eu tenho a sina nordestina e não sou um nordestinado.
Vejam que maravilha. A dor da perda da filha numa sublimação extraordinária:

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Pessoal do Ceará.

Publicado: 29/06/2011 em Poesia

Depois de receber um presentaço, um poemaço de Patativa Assaré, o que posso fazer eu minha nobre confrade, amiga e poeta Magna Santos? Lembrar desse Pessoal. Do Ceará.

28 de Junho. Havia uma torcida para nascer no mesmo dia do pai.

Que nada. De forma alguma.

Daniel quis o seu dia. E pronto.

Quanta felicidade!

O garoto marchando para a vida adulta de cabeça erguida.

Nos trazendo alento e conforto.

Quando muitos pais estão se debruçando em preocupações, Daniel vem dividir o seu tempo em nos ajudar com as nossas.

Sempre disposto a um sorriso, já chega com seu jeito generoso , pacífico, amoroso, gentil, com uma solução em mãos. Traz sempre o auxílio. Raramente pede. Raramente incomoda.

É muito bom partilhar com ele a vida. Nesta fase em que se encontra, segundo ano de Economia, já descortinando os mistério de uma universidade pública, já refeito das decepções e pronto para novos desafios, é muito prazeiroso vê-lo de pé na vida.

Com os seus próprios esforços.

Vai em frente meu filho. Tocando o seu violão, cujo dom herdastes do teu avô, que do Hubble te ilumine e te guie, tenho certeza, que ele já faz isso.

Vai em frente.

Neste teu dia, só teu, agradeço aos céus a tua vida. A tua presença, a tua luz, o teu coração.

Firme, segue a tua jornada. Terás a tua vida pela tua correção e pelo teu caráter.

És um homem e muito me orgulha ser teu pai.

Parabéns.

 

E então chega Edgar Mattos, meu irmão caçula, meu amigo e conselheiro, poetizando e versando num repente agalopado, cantando e dizendo sim, viva a amizade de verdade:

Caráter, integridade e paixão, muita paixão
(Que provar era preciso sua humana condição )
………………………………………………………………….
Mais que dinheiro vale amigos ter na Praça
Por isso mais que rico, ele é milionário…
Por esse Domingão a gente ergue a taça
Que hoje ele se faz feliz cinquentenário !

Chegou João Carlos, o nosso Johnny B. Good e fez esse poema/hai-kai/yellowhousianamente:

Broda,
Hoje é domingo e amanhã é Domingos 5.0
Se eu tivesse talento bem que escreveria um poemaço a altura do teu carinho e coração
ou escreveria as palavras certas para um post comovente.
Mas sou apenas um rapaz latindo ali no canto.
Um velho rocker mendigando um dicionário de afetos.
Mas agradecido.Aos céus e aos seus
por dividirem o pai,o marido,o primo,o irmão…comigo e com os fusconautas.
Domingão poeta,escrita esperta,roqueiro e mpbzeiro
alvi-RUBRO de indignação e broda dos brodas.
Um presente que ganhamos na Internet.
Decreto baixado: amanhã é SEGUNDA SEM LEI!
Feliz cinquentinha. E ano que vem a gente faz um festaço.
Afinal, 51 é uma boa idéia.             Há braços, Johnny B. Goode. “
 
 

Chega então Arsênio e com inspiração farta, que lhe é peculiar, manda esse voleio que nem Roberto Coração de Leão faria melhor, ainda bem que não é contra o Náutico:

“DOM MINGÃO, Domingos: Sancho pança Quixote de La Macha Leminskiano. drummondiano, muriliano, pessoano, beatles ferrenho, mas confessadamente um adepto da saga de Robert Zimmerman; na MPB vai de Chico a Chico Sciense com mesma naturalidade de quem toma um chicabom; mente atormentada diante daquilo que  o Brasil poderia ter sido e que não foi; sabe a cor de Carlos Pena Filho, mas escuta e absorve com o mesmo deleite Patativa e Louro do Pajeú;   alvirrubrissimamente irmão de todos vocês, humanistiticamente irmão de todos nós, com seus arroubos, atos impensados, outros pensadíssimos, alguns prensados; aí eis que surge  o poeta sem a bile, capaz de, apenas com tres páragrafos, sintetizar tomos enciclopédicos, de uma clareza solar, meditarrâneca, que resplandence o seu pranto humano, seu eterno instante de gula, seu trilhar de gente, seu amor à poesia, pessoas, poetas; áspero irmão que sabe o mel suntuado nas colmeias da constrição, que quanto mais arenga mais vai em busca do perdão; pai excelente, cidadão antenado, safo, como sóe acontecer com aqueles que se formaram na Tamarineria Village; capaz de deixar ao mundo mensagens nem mesmo dele sabidas, toitiço no BB, e tome na requenguela do gordo;  abres as portas de  tua casa com um sua peculiar safistação, que mesmo longe, estamos perto; o filho caçula, que encontrou o prumo, para o regojizo da  saudosa e eternamente luminosa memória dos pais; Dom Migão, o rei do Americano, o impávido defensor de Eládio, frequentador antológico da jaqueira (muitos dizem ser uma aparição espírita o seu vulto correndo ou andando …) confessor dos pecados e confidente do perdão, presente na vida dos irmãos, cunhado e esposo nos eixos, que ao lado de Ana, legou à humanidade três diamentes lapidados, seus melhores poemas, seu tudo nesta terra cada vez mais cheia de nada: Daniel, Gabriela, e Isabella.  O surgimento de sua presença na minha vida tornou-me mais humano; errei, erramos, apesar de alguns percalços, algumas diatribes e escorregões, ambos aprendemos. Mas quem de nós escapa impune…
Decerto, 50 anos requer algum um tempo de remorso, mas também de felicidade plena, a mesa posta, e mais que isso, verficar que cada um dos integrantes dela,  atestam a sua legitimdade como pai, filho e marido; é um tempo de acertamento, de lembranças e de olhar para futuro.

 
Com suores lívidos ou não. O futuro. A palavra escrita, a comunicação entre os homens e as coisas, torná-las menos angustiadas, a serenidade ou madureza cientes de que os sonhos da existência não podem naufragar; fazer com que a linguagem entre os humanos seja cada vez mais uma semeadura capaz de justapor o liame que prende o homem às galáxias; aos cinquenta ganhar um novo espoucar de luzes, revelar estrelas antigas e estradas encobertas pela poeria da existência, detectar nos lugares fechados uma nesga de porta, um recomeço,  o limiar da claridade, que é  cada vez mais crucial para uma pasiagem menos dorida.
No dia em que festejamos o dia dos teus anos, saber que a tua solidariedade humana é mais real que tua própria infância (posto que dela nascida), um afeto concretamente invisível, com pavimentos escritos por lutas e paz, complacência e o perdão.  “

Abraços do amigo Arsenio 
 

Então eu chego no Fusca e me deparo com outro poema. Magna Santos. Sementeiras. Semear. Sempre ar e há um poema por onde ela passa. E ela me presenteia com este poema, que compartilho com vocês. E quem diz é Magna:

CARTÃO DE ANIVERSÁRIO : É hoje! Meio século e “mais não digo”, porque quem diz é o senhor tempo que acolhe nos braços o menino que um dia foi e sempre será: o nosso Domingos.

Outro dia ele nasceu e Deus lá de cima deve ter pensado: melhor dar-lhe um nome no plural. E assim foi. Não se sabe (ou não sei) que dia da semana, mas o gosto por todos os dias concentrou-se num: domingo, acrescentando um S para completar todos os demais. Tempos preciosos, onde a ilusão da divisão – passado, presente e futuro – se coaduna num pingo de orvalho todas as manhãs, de preferência na Jaqueira, no meio dos poetas, loucos e transeuntes em busca de paz.

Quem sabe o Marco Zero possa lhe dizer algo todos os dias? Marco ZERO. Vejam só. Este número que tanto buscamos, muitas vezes, para derrubar por terra tudo que ainda teima em nos dividir em pedaços. Somos tantos que mal temos tempo de atinar.

Assim, nosso amigo Domingos chega aos cinquenta, pilotando um Fusca que mais parece um trem de felicidade, fraternidade, amizade, compaixão. Ô Trem bão, diria o mineiro! Aqui se juntam todos: pernambucanos, cearenses, nordestinos, paulistas, gente, em diversas partes do país: Tocantins, Pernambuco…toda nação espiritual, esportiva, política e poética, bordando o coração das palavras ora com suavidade ora com acidez, porque aqui, com nosso Domingos, o lugar é da humanidade, com acertos, erros, pedidos de perdão…como deve ser.

Desse modo, meu amigo, que possas atinar para tudo que há de mais sagrado no dia de hoje. E o que há de mais sagrado neste momento é a gratidão. Gratidão pela tua vida, pela tua família, pelo tempo (senhor de todas as lições), pela alegria, pela presença, pela palavra fraterna que ofereces a todos sem distinção e recebes, porque aquele que planta sempre vem a colher, já dizia Jesus.

És um junino, um canceriano, um pai de família, um marido, um amigo, um trabalhador, um cidadão, um poeta. Como vês, és vários. Que todos eles, então, sejam muito muito felizes!

Parabéns agora, hoje e sempre! Que Deus te abençoe!

Ah, mais não digo.

Abração!

Magna

 

E estou então não satisfeito, pois a sede do 5.0 é infinda, esperando outros, já pensaram que ousadia? Pedir presentes no dia do aniversário. kkkkkkkkkkkk

Obrigado mesmo, a todos, de coração. Amigos imensos. Intensos. Verdadeiros.

AMÉM !!!

E Tadeu Rocha, poeta de primeira, sem nem piscar vai logo dizendo:

Domingos,
Feliz tudo.
Que tua vida seja sempre para o melhor.
Que a inspiração continue transbordando em você poesia e crônicas maravilhosas.
Que a amizade seja sempre o combustível do fusca, que continua sempre turbinado.
E que o Náutico em breve possa trazer alegrias como nunca.

Tadeu Rocha

 

André Gustavo :

E o Engenheiro do Fusca,não quer nem saber dos Engenheiros do Havai, vem de Ed Motta e mais uns trezentos vídeos, que Engenheiro que é bom, é Poeta, Odontólogo, alvirrubro e pei bufe etc e coisa e tal, o homem é a febe tife:

E o maior cantor do Brasil(ao lado de Milton Nascimento),manda um parabéns de derrubar toitiço.Derrubou JC e vai derrubar vc também amigo!!:

http://www.youtube.com/watch?v=ZCgJMIe0Sgs

  G L E N N    M I L L E R

Eu tinha certeza que IN THE MOOD era um rock and roll. Mais precisamente um “rockabilly” ( variante do rock derivado do country caipira). Tinha até aquela jogada de, num determinado momento a música baixar o volume, um pianinho esperto fazer o contraponto com os sopros, sutilmente, até a bateria virar e a banda atacar com vigor voltando ao tema inicial. Típico dos primeiros rocks. Ah, a introdução dos metais seria algo como “wah-ba-po-loo-bah… de Tutti Frutti de Little Richard”. Mas não era um rock. A maravilhosa IN THE MOOD era um “swing“. Estilo de música animada, para danças de salão, executadas pelas orquestras de sopros americanas que ficaram conhecidas como BIG BANDS. Tommy Dorsey liderava uma das melhores da época. Mas o pai da matéria chamava-se Glenn Miller.

Logo após deixar a Universidade do Colorado, Glenn foi tocar seu trombone na orquestra de Ben Pollack, mas já em 1930 era um músico independente, bastante conceituado em Nova York. Os arranjos que escrevia para as big bands dos colegas eram brilhantes. Os espaços sempre muito bem preenchidos, com contrapontos que se harmonizavam lindamente. Sabia fazer uma canção ter a suavidade necessária ou, noutros casos, faze-la crescer e ganhar impacto, o que exigia habilidade e competência dos músicos. Pode ser um clichê mas o trabalho de Glenn Miller é atemporal. Ainda hoje seus arranjos são reproduzidos mundo afora e regravados ano após ano, sem perder um milímetro de beleza e modernidade.

Enquanto tentava montar sua própria orquestra, que aliás nunca dava certo, Miller escrevia arranjos para Tommy Dorsey e Ray Noble, até que em 1938 finalmente conseguiu formar sua “big band” com os músicos que sonhava, e já no final do ano seguinte era a mais elogiada e requisitada orquestra do estilo. Seu trombone virou marca registrada porém, bastante copiada à partir de então.

Ao criar um exercício para um aluno praticar, Glenn se deu conta da bela melodia que poderia sair dali. Foi em frente e finalmente nasceu sua MOONLIGHT SERENADE. Outros dois estouros foram a empolgante e já citada In The Mood e a balançada Chatanooga Choo-Choo.

Foi nesse período que Glenn entrou pro Exército durante a Segunda Guerra. Serviu na Europa como capitão, passando posteriormente à major. Como não podia ser diferente, liderou a orquestra da Força Aérea animando as bases americanas espalhadas pelo continente. Quando voava da Londres para Paris, seu avião desapareceu, imagina-se, próximo ao Canal da Mancha e jamais foi encontrado. Assim, aos 40 anos, o genial Glenn Miller faleceu no dia 15 de dezembro de 1944.

Miller protagonizou dois filmes em Hollywood. Em 1941 filmou “Sun Valley Serenade” e no ano seguinte “Orchestra Wives”. No entanto, o filme mais representativo, produzido 9 anos após sua morte foi o GLENN MILLER STORY, lançado em 1953, sucesso de bilheteria e crítica no mundo inteiro.

Embora alguns especialistas afirmem que sua música pouco acrescentou ao jazz, a grande maioria destes a reconhece como a música mais autêntica e representativa daquela época. Quanto ao jazz nem vou discutir, mas que Miller tinha rock and roll nas veias, tinha. IN THE MOOD que o diga.

 

 

Especial de São João para João Carlos e Magna.

E obviamente para todos os amigos que eu já conheço e que pude apertar a mão, dar um abraço.

Uma espécie de continuação do post – como você gasta o seu tempo –

Depois do prumo de João Carlos nos mostrando (principalmente a mim que reclamava) os benefícios da Internet  e o quanto ela pode ser útil em função do tempo que se esvai, agora vejo que a telefonia é uma benção.

Viva o celulóide.

Viva mesmo. Não conheço João Carlos e nem Magna. André Gustavo trocamos umas palavras , um aperto de mão na Jaqueira. Nem Tadeu Rocha.

Já fui hóspede de luxo de Edgar Mattos. Saímos juntos com Arsênio e a turma do Blog do Roberto.

De lá conheço um bocado de gente.

Daqui conheço por telefone João Carlos e Magna.

E que ligações mágicas!

Aconteceram de tarde, lá no banco. E foram bálsamos, creio que para eles também. Para mim foi um banho de cachoeira.

A sonoridade da amizade via telefonia móvel.

Um milagre.

E enquanto a gente não se encontra, uma vez que o tempo escorre alucinado, o telefone faz o mesmo tempo parar, e as canções são palavras, são versos, são risadas.

Quantas risadas boas meus amigos. Quanto poema um em riba do outro.

Escutando a voz da amizade verdadeira…

Do blog  Carpinejar. Endereço: http://carpinejar.blogspot.com/

TEMPO É TERNURA

Viver tem sido adiantar o serviço do dia seguinte. No domingo, já estamos na segunda, na terça já estamos na quarta e sempre um dia a mais do dia que deveríamos viver. Pelo excesso de antecedência, vamos morrer um mês antes.
Está na hora de encarar a folha branca da agenda e não escrever. O costume é marcar o compromisso e depois adiar, que não deixa de ser uma maneira de ainda cumpri-lo.
Tempo é ternura.
Perder tempo é a maior demonstração de afeto. A maior gentileza. Sair daquele aproveitamento máximo de tarefas. Ler um livro para o filho pequeno dormir. Arrumar as gavetas da escrivaninha de sua mulher quando poderia estar fazendo suas coisas. Consertar os aparelhos da cozinha, trocar as pilhas do controle remoto. Preparar um assado de 40 minutos. Usar pratos desnecessários, não economizar esforço, não simplificar, não poupar trabalho, desperdiçar simpatia.
Levar uma manhã para alinhar os quadros, uma tarde para passar um paninho nas capas dos livros e lembrar as obras que você ainda não leu. Experimentar roupas antigas e não colocar nenhuma fora. Produzir sentido da absoluta falta de lógica.
Tempo é ternura.
O tempo sempre foi algoz dos relacionamentos. Convencionou-se explicar que a paixão é biológica, dura apenas dois anos e o resto da convivência é comodismo.
Não é verdade, amor não é intensidade que se extravia na duração.
Somente descobriremos a intensidade se permitirmos durar. Se existe disponibilidade para errar e repetir. Quem repete o erro logo se apaixonará pelo defeito mais do que pelo acerto e buscará acertar o erro mais do que confirmar o acerto. Pois errar duas vezes é talento, acertar uma vez é sorte.
Acima da obsessão de controlar a rotina e os próximos passos, improvisar para permanecer ao lado da esposa. Interromper o que precisamos para despertar novas necessidades.
Intensidade é paciência, é capricho, é não abandonar algo porque não funcionou. É começar a cuidar justamente porque não funcionou.
Casais há mais de três décadas juntos perderam tempo. Criaram mais chances do que os demais. Superaram preconceitos. Perdoaram medos. Dobraram o orgulho ao longo das brigas. Dormiram antes de tomar uma decisão.
Cederam o que tinham de mais precioso: a chance de outras vidas. Dar uma vida a alguém será sempre maior do que qualquer vida imaginada.

Rua J.P. Bittencourt 109

Publicado: 22/06/2011 em Poesia

São João. Aniversário de Dona Amélia.

Frequentadora assídua deste blog. Sempre vestida com uma camisa retrô 1945.

A casa cheia. Como só as casas de antigamente e umas privilegiadas de hoje em dia conseguem ficar. E estar.

Uma mesa repleta de tudo que é bom que de São João e São Pedro vem. Tudo feito com tanto carinho por tia Celina, mamãe, tia Mariazinha (mãe de Carlos).

Todos os primos reunidos.

E os tios também.

Bombas, peidos de véia. Balões. Muita gente.

Muita união.

Muito suor, muita correria, molecagens sadias.

Umas queimaduras aqui, outras acolá.

Balões rasgando o céu. Luiz nos 8 baixos. Meu pai no piano.

A turma no coral e um violão ou outro apontando.

A cerveja descendo redonda na garganta dos adultos com suas conversas infinitas.

Eu provei, uma, duas, três. Pensava: que gosto ruim da gota.

Para mais tarde tomar alguns hectolitros.

São João . Aniversário de dona Amélia.

A casa continua de pé. A mangueira resiste. O cajazeiro também.

Outras árvores foram parindo frutos no terreno.

Meu irmão mora por lá.

Tudo isso para dizer que a saudade é igual a uma fogueira de São João e um hai-kai de Quintana:

” Que importa restarem cinzas, se a chama foi alta e bela”.

 

Cansa. Parece uma fábula, ou uma tragédia grega. Nós empurramos a pedra e ela desce morro abaixo, e tome a empurrar a pedra de novo… mas não tem jeito:


A urgência de Clarice Lispector.

Publicado: 20/06/2011 em Poesia

 

Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.

Clarice Lispector

 

Amy Winehouse titubeia. Volta da clínica , faz show surpresa e quando tudo parece bem, se apresenta na Sérvia completamente chapada. E é vaiada. Prá mim, que a milhas de distância do palco pude assistir o show, que nem foi lá essas coisas diga-se de passagem, e muito caro também , acho que com tudo que a mídia promove hoje em cima de um artista, essa moça sempre vai receber aplausos. Não tem lógica. Da mesma forma que Adele,( aí uns posts abaixo, que minhas filhas gostam muito) acaba de dizer que vai parar de cantar por causa de uma laringite proveniente do cigarro. A mesma Adele que faz o estilo caretona, disse que prefere parar de cantar do que parar de fumar.

Vamos então, para mim, zé roelisticamente falando escutar esse ao vívo com um violão de aço. Escuta aí Johnny B. Goody, Arsênio, Magna, Edgar, André , Tadeu, Carlos, enfim Brothers & Sisters. Amy canta muito. Ou cantava. Que eu não entendo nunca os artistas que tem uma propensão danada a morrerem jovens. Sid Vicious & Cia. Ltda:

 

“Eu me chamo Zé Limeira
Da Paraíba falada,
Cantando nas Escritura,
Saudando o pai da coalhada,
A lua branca alumia,
Jesus, José e Maria,
Três anjos na farinhada.”

O velho Tomé de Souza
Governador da Bahia
Casou-se no mesmo dia
Passou a pica na esposa
Ele fez que nem raposa
Comeu na frente e atrás
E passou pelo caís
Onde o navio trafega
Comeu o padre Nobrega
E os tempos não voltam mais

Napoleão era um
Bom capitão de navio
Sofria de tosse braba
No tempo que era sadio,
Foi poeta e demagogo
Numa coivara de fogo
Morreu tremendo de frio.

Pedro Álvares Cabral
inventor do telefone
começou tocar trombone
na Volta de Zé Leal
Mas como tocava mal
arranjou dois instrumento
daí chegou um sargento
querendo enrabar os três
Quem tem razão é o freguês
diz o Novo Testamento”

Frei Henrique de Coimbra
Sacerdote sem preguiça
Rezou a primeira missa
Perto de uma cacimba
Um índio passou-lhe a pimba
Ele não quis aceitar
E hoje vive a chorar
Embaixo de um pé de jureme
O bom pescador não teme
As profundezas do mar

Getúlio Vargas morreu
Foi com saudade da esposa,
Lampião inda tá vivo
Morando perto de Sousa
Por detrás do sete-estrelo
tem um casal de raposa.

No tempo do Padre Eterno
Getúlio já governava
Plantava feijão e fava
Quando tinha bom inverno
Naquele tempo moderno
São João viajou pra cá,
Dom Pedro correu pra Iá,
Escanchado num tratô…
Canta, canta, cantadô
Que seu destino é cantá.

“Saíram lá de Belém
Cristo e Maria José,
Passaram por Nazaré,
Foram Betelelém,
Chupô cana num engem,
Pediu arrancho num brejo,
De noite armuçou um tejo
Lá perto de Piancó,
Na sexta-feira malhô
Foi que Judas vendeu Jésus!”

“Jesus saiu de Belém,
Viajando pra o Egito,
No seu jumento bonito,
Com uma carga de xerém,
Mais tarde pegou um trem,
Nossa Senhora castiça,
De noite Ele rezou Missa
Na casa dum fogueteiro,
Gritava um pai-de-chiqueiro:
Viva o Chefe de Puliça!”

“Quando Jesus veio ao mundo
Foi só pra fazê justiça
Com treze ano de idade
Discutiu com a doutoriça,
Com trinta ano depois,
Sentou praça na puliça.”

“Jesus nasceu em Belém
conseguiu sair dali
passou por Tamataí
por Guarabira também
Nessa viagem de trem
foi parar num entrocamento
Não encontrando aposento
dormiu na casa de um cabo
jantou cuscus com quiabo
diz o Novo Testamento”

“São Pedro, na sacristia,
Batizou Agamenon,
Jesus entrou em Belém
Proibindo o califom,
Montado na sua idéia,
Nas ruas da Galiléia
Tocou viola e pistom”.

 

Que beleza !

Publicado: 19/06/2011 em Poesia

“O amor que a gente sente.”  Por Luiz Schettini Filho. Ed. Bagaço.

págs 27 e 28:

Lembrei-me de uma outra coisa. Acho que já aconteceu com muita gente o medo, a inibição ou mesmo a mudez momentânea na hora em que – no nosso julgamento – teríamos mesmo é que falar. Aliás, as pessoas pensam que as declarações de amor têm de ser, necessariamente, faladas. Isso não é verdade. Há momentos em que o silêncio é insubstituível no encontro de duas pessoas. É nesse momento que se olham, nos olhos, e deixam tranparecer todo o amor do mundo.

As palavras são boas quando ditas com propriedade e, igualmente, boas quando as silenciamos por não saber dizê-las, nos momentos em que a emoção as sufoca. Às vezes, o silêncio transmite o que sentimos com perfeição que não cabe nas palavras, mesmo aquelas cheias de toda a poesia.

O silêncio não existe, apenas, pela ausência do que dizer. O silêncio é também uma forma de a gente falar. De respeitar. De preservar. De acariciar. De tornar eterna a palavra que não se ousou dizer. Afinal, para que palavras, se o silêncio é a confirmação de todas as palavras que não sabemos dizer? Talvez sejamos mais sábios quando entendemos o silêncio do que quando compreendemos as palavras.

Não precisamos ter medo do nosso silêncio, nem ficar angustiados por causa das palavras que não dissemos, da forma que desejamos. O amor que temos dará voz ao silêncio  e fará belas as palavras desarrumadas em uma frase de amor!

PS – Dona Amélia, tinha uma frase que legou para a sua descendência: ” Sempre me arrependi por haver falado, nunca por haver calado.” Dá o que pensar. Bastante.

PS II – Este livro de Schettini é impróprio para adultos. Escrito para adolescentes. Como nos legou Leminski:

quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta adolescência

vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência

vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito

vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito

então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência.

 

Adele.

Publicado: 19/06/2011 em Atualidades

Dica das meninas. Que a ouvem muito.
Estou aprendendo a gostar.
De verdade.

 O S    M U T A N T E S

Eles chegaram por volta de 1966 e já com dois pés à frente da turma da Jovem Guarda. Souberam ler com clareza o que acontecia no mundo musical na ocasião e, em vez de meramente copiarem ou virarem pastiche do vanguardismo inglês, optaram por apimentar aquelas modernas sonoridades com muita brasilidade. Tanto musical quanto comportamental. Além da competência instrumental bem acima da média, suas apresentações eram teatralizadas.Tinha humor, coreografias e literalmente, eles se fantasiavam no palco.

Os irmãos Arnaldo e Cláudio Baptista tinham um grupo de baile com outros 3 companheiros quando conhecerem Rita Lee.Juntos formaram o grupo O SEIS que,logo após a entrada de Sérgio Baptista (o habilidosíssimo irmão caçula) se desintegrou, restando apenas Arnaldo,Sérgio , Rita e um baterista itinerante.Se perdeu o interesse pelos palcos, Cláudio, que era meio Prof. Pardal meio técnico em eletrônica, passou a desenvolver instrumentos,pedais e outras bugigangas para o grupo que, com efeito, ajudou à forjar o som da banda (distorções, delays, ecos e pedais de volume). Assim, já com o nome OS MUTANTES, curiosamente sugerido por Ronnie Von, conheceram o maestro Rogério Duprat que resolveu adota-los e, como estava começando a “emoldurar”  o som da Tropicália, apresentou o conjunto a Gilberto Gil, e este, sob arranjos do maestro, utilizou a banda nas apresentações de 2 músicas no Festival da Record: BOM DIA (com Nana Caymmi) e DOMINGO NO PARQUE (com o próprio Gil) que levou a Segunda Colocação. A presença daqueles cabeludos psicodélicos empunhando guitarras elétricas ao lado do violão de Gil e da orquestra da Record causou “frisson” e literalmente deixou o público desconcertado. Se o pessoal “cabeça” abominava instrumentos eletrônicos, por outro lado, não podia deixar de admirar o talento e a graça dos Mutantes, e assim, entre protestos e aplausos, o juri, conservador mas competente, negou-lhes o Primeiro Lugar mas carimbou com honras as apresentações da canção maravilhosa e tão brasileira de Gil.

O baterista DINHO já era fixo da banda mas constava sempre nos créditos (discos e shows) como convidado e o mesmo se deu com LIMINHA, contra-baixista, que entrou na festa, uma vez que Arnaldo vinha gravando pianos e órgãos que,obviamente, tinha de usar nos palcos.Assim os dois foram definitivamente incorporados e com essa formação, o grupo gravou o primeiro album onde entre outras, se destacaram as canções PANIS ET CIRCENSES (Caetano/Gil) e TREM FANTASMA (Mutantes-Caetano) além de MINHA MENINA (Jorge Ben). Na mesma ocasião participaram do disco-manifesto TROPICÁLIA OU PANIS ET CIRCENSES com Gil,Caetano, Nara Leão, Gal, Tom Zé e outros, todos sob a batuta de Duprat.Também dividiram com Caetano as vaias da platéia “cabeça” (de novo) do FIC-SP, na apresentação de É PROIBIDO PROIBIR e, com sua habitual irreverência, enquanto Caetano abria o esculacho, OS MUTANTES simplesmente, continuaram tocando… de costas.

A porrada definitiva veio no ainda careta IV Festival da MPB quando apresentaram suas duas recentes criações: DOM QUIXOTE (Mutantes), uma magistral aula de vocalização sob uma melodia incomum (parecia um mantra ou opereta) e a iconoclasta e moderna (até hoje em dia) 2001 (Rita Lee/Tom Zé). Alicerçada num acompanhamento moda-de-viola animada, com direito à canto com sotaque “bem caipira” na primeira parte e uma levada de rock na segunda parte, a letra futurista de 2001 parecia contradizer a melodia (ah mas como se harmonizavam !). De repente a música pára e entra uma série de efeitos sonoros (coisas do brother Cláudio) voltando invertida. A parte rock vira caipira , terminando com a parte caipira em puro rock and roll. Pronto. Uma revolução,uma ruptura estava declarada. Passada em cartório.

Estas duas desconcertantes canções foram lançadas no album seguinte, MUTANTES, que ainda incluia pérolas como MÁGICA, cuja parte final evoca Satisfaction dos Stones, ALGO MAIS,um balançado e pegajoso jingle feito para a SHELL (propaganda para televisão e rádio)  e a épica CAMINHANTE NOTURNO.

Não havia absolutamente nada parecido com o som dos Mutantes no Brasil. Não lembro de mais ninguém tentar produzir algo parecido, mas se alguém tentou , deu com os burros n’água. Para se ter idéia,logo após o segundo disco, o grupo foi excursionar na França.Tocaram no MIDEM em CANNES e literalmente pararam o trânsito no Olympia em Paris. A polícia francesa teve trabalho redobrado no teatro e nas imediações. Essa receptividade do público e da crítica européia calou a boca de muita gente, e por tabela mais ainda tornou patética a “Passeata Contra A Guitarra”.

Seguiram-se mais 3 discos. A DIVINA COMÉDIA OU ANDO MEIO DESLIGADO, fundamental. Além da canção título, trazia jóias como HEY BOY,DESCULPE BABY, QUEM TEM MEDO DE BRINCAR DE AMOR, PRECISO URGENTEMENTE ENCONTRAR UM AMIGO (Roberto/Erasmo) e JOGO DE CALÇADAS.O hit TOP TOP puxava o disco JARDIM ELÉTRICO, e a clássica BALADA DO LOUCO, o album NO PAÍS DOS BAURETS (baurets era como Tim Maia chamava seus cigarrinhos de maconha). Nesse ponto da história, quando os irmãos Sérgio e Arnaldo tentavam conduzir a banda pelos caminhos do rock progressivo, Rita Lee foi se desgostando e terminou optando pelo rompimento definitivo. Do grupo e do seu casamento com Arnaldo.Eu considero a existência dos Mutantes até ai. Mesmo o conjunto tendo ainda seguido carreira sem ela, transfigurou-se para pior. Um monstrengo pretencioso e sem imaginação, até o final melancólico.

Só sei que, depois daquele sopro de vida musical na MPB, daquelas apresentações onde tinha de um tudo; desde versão debochada de Chão de Estrelas, chiliques de Flávio Cavalcante  até certidão de casamento rasgada ante o sorriso amarelo de Hebe Camargo, eles não deixaram pedra sobre pedra na cultura nativa. E Caetano cantaria com propriedade, no final de sua música ELES: “Os Mutantes são demais!”

 

A Digitalis Consult informa:

Publicado: 15/06/2011 em Poesia

A Digitalis Consult realizará em Recife nos dias 18 e 19 de junho o Curso Prático de SPED Contábil . . 

Serão disponibilizados lap tops para todos os participantes para a realização de dinâmicas e simulações.

Local: Hotel Mercure, Rua Estado de Israel, 203 Ilha do Leite, Recife-PE

Data: 18 e 19 de Junho

Horário: Das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30

Carga horária: 16h/a

Investimento: R$ 900,00 (últimas vagas)

Mencione o código DIGITALIS3038 para obter desconto de 10%.

Estão inclusos no valor da inscrição:

Curso Prático de SPED Contábil;

Material didático;

Almoço de Relacionamento no Restaurante Couvert (térreo do Hotel), no sábado e domingo.  

Seguem mais informações anexas.

Ligue para a DIGITALISConsult. Tire suas dúvidas

Vagas limitadas!

Atenciosamente,

Digitalis Consult

(81) 3038.9006 | (81) 3038.1069

Esta tarde o Sol saudou os poetas !

Publicado: 14/06/2011 em Poesia

Eu bem que tentei. Fiquei com a imagem gravada no quengo. O celulóide de zero vírgula três pixel ou pincel ou o que seja não pegou nada. Mas Gabi me presentou com essa foto que trouxe do Twitter que veio de um amigo que não sei se foi ele que tirou, mas só sei que foi assim como diria nosso irmão João Carlos:

ENCONTRO COM PESSOA

Hoje encontrei Pessoa

Numa sala contígua à da esperança

Não esperava sua presença

Sua ausência nem me era sentida

Muito menos doída

 

Tenho sonhos que não vejo

Donde só entra o que sinto

Pressinto

Ou antevejo

 

Quem é esse de olhos doídos

De sorriso deserto

De peito estreito

E suave descanso?

Quem é esse que eu não conhecia

E já conhecia

Antes de imaginar?

Quem é ele que não vive em sonhos

Mas em realidade

Se faz passar?

 

Quem é ele?

 

Pessoa de heterônimos

Aparece em derradeiro

Depois de tantas línguas

Passadas e estudadas

 

Acaso teimastes em voltar?

Acaso espreita a natureza

Ao luar?

Ah, pastor de palavras…

Cada cria recriada

Nos versos artesanais

Ah, rebanhador de letras…

 

Acaso te dedico esta canção que não escutas

Acaso também te sonho novamente

E se, por acaso, adormeces

Eu me despeço

Te digo impropérios

Te solto um verbo que não posso dizer

Mas, te escrevo…

Em letras garrafais.

 

Magna Santos