Arquivo da categoria ‘Coluna de João Carlos’

It’s only SCORSESE … BUT I LIKE IT !

joao carlos de mendonca
Por João Carlos de Mendonça.

O fato é que dia desses, conversando com o primo Sílvio Cavalcanti sobre o tema, ele me deu uns toques interessantíssimos sobre os documentários musicais produzidos e/ou dirigidos por MARTIN SCORCESE, inclusive detalhes que creio, a grande maioria dos fãs de rock e blues desconhece. Fiquei matutando sobre e… entrei em campo. Achei um bom material e constatei que conhecia 99% do conteúdo mas não lembrava das mãos de Scorsese neles. São filmes fundamentais , e acreditem, todos estão entre os melhores já produzidos.O cineasta evidentemente, revela-se um profundo conhecedor do rock. Alguém que certamente acompanha (e acompanhou de perto) toda a cena e que, como todos nós, tem suas preferências. Então tão !

WOODSTOCK (1969)
O festival mais icônico do rock, embora meio bagunçado, revelou ao mundo boa parte dos talentosos artistas que, à partir dali, ganhariam corações e mentes daquela e várias gerações. Destacando-se JOAN BAEZ, RITCHIE HAVENS, JOE COCKER, THE WHO, SANTANA e JIMI HENDRIX. Mais que os 3 discos lançados, foi o excelente filme o maior responsável pelo seu sucesso extraordinário. MARTIN SCORCESE não só trabalhou na montagem como atuou como assistente.

THE BAND: THE LAST WALTZ (1978)
Dirigido por nosso personagem, A ÚLTIMA VALSA documenta o show de despedida do grupo THE BAND de forma irretocável. Tanto que, para muitos, é o melhor filme no estilo. O brilhante conjunto que gravou e excursionou com BOB DYLAN, faz um balanço musical de seu melhor material com participações estelares: O próprio DYLAN, ERIC CLAPTON, VAN MORRISON, MUDDY WATERS e RINGO STARR, entre outros. Imperdível. Foi por esse filme que virei fã de carteirinha do THE BAND.

ERIC CLAPTON: NOTHING BUT THE BLUES (1995)
Diz-se, fala-se, comenta-se… mas ninguém viu! Ao menos oficialmente. Acontece que Scorsese montou uma biografia do mais celebrado guitarrista/cantor/compositor de sempre, recheado de depoimentos e performances ao vivo, especialmente do disco From The Cradle. Infelizmente esse não chegou às telas e ninguém sabe a razão. Também é impossível descobrir a origem das cópias piratas que rolam mundo afora. Deve ser, no mínimo, ótimo !

NO DIRECTION HOME: BOB DYLAN (2005)
Este documentário cobre o periodo inicial da carreira de DYLAN (1961/1966). Registra a chegada do bardo à Nova York (para conhecer seu guru, WOODY GUTHRIE). Seus primeiros sucessos, suas apresentações acústicas e a fase em que juntou-se ao THE BAND para eletrificar sua música, quando foi tachado como “traidor” pelos fãs folk-radicais. A verve afiada de Dylan, devidamente captada pelo diretor, é uma delícia! Bastante revelador e portanto, fundamental.

SHINE A LIGHT: THE ROLLING STONES (2008)
Muito mais que a filmagem de um show (na verdade foram dois), SCORSESE também dá um “show”, revelando pormenores, depoimentos do grupo lá “das antigas” e traços da personalidade dos 4 membros remanescentes da melhor banda de rock em atividade. Absolutamente caprichado, o filme exibe o conjunto como nunca antes. Seja na sonoridade, nas imagens. O repertório não poderia ser melhor, e as rugas não são disfarçadas… muito pelo contrário, revelam que quem tem história sabe o que sabe. As presenças decorativas de CHRISTINA AGUILERA e JACK WHITE (do White Stripes) não estragam nada mas BUDDY GUY faz diferença… e como ! A nota engraçada/curiosa é a presença do próprio Scorsese discutindo com a banda no início das filmagens e, na saída do palco, orientando (bem excitado) os câmeras ! Sorte dos Stones de terem um fã tão fã como o cineasta.

GEORGE HARRISON : LIVING IN THE MATERIAL WORLD (2011)
Sensacional e absolutamente completo. A personalidade do genial “beatle” GEORGE HARRISON é exposta com indisfarçáveis carinho , admiração e respeito. Começando pela infância em Liverpool, a paixão pelas guitarras, os ídolos,a amizade colegial com McCartney, a entrada nos Quarrymen de Lennon, a descoberta do sexo e da barra pesada de Hamburgo, a soberba carreira com os BEATLES, a carreira solo, os projetos paralelos, os amores, o filho único e a definitiva “levitação” do beatle mais amado. Tudo isso recheado por depoimentos mais que significativos e claro, música da melhor qualidade! O filme revela com competência o envolvimento de Harrison com a cultura indiana e como ele absorveu tudo aquilo. Genial !

Outro item essencial do envolvimento de Scorsese com a música é a coleção THE BLUES de 2003. Além de produzir todos os 7 episódios, para os quais ele convocou 6 colegas, ele mesmo dirigiu um deles. Biscoito finíssimo.

Agora entendo porque ele é reconhecido como “o maior cineasta americano vivo”. Já não bastasse sua obra genial na, digamos, filmografia “convencional”, o currículo musical de Martin Scorcese nos revela um brilhante, inventivo e com conhecimento de causa, roqueiro empedernido. Se você já assistiu alguns dos musicais acima, há de concordar comigo ! Yeah !

Os 70 anos de Martin Scorsese

Por Houldini Nascimento.

 

houldine nascimento

Um dos maiores nomes do cinema americano, Martin Marcantonio Luciano Scorsese completará, no dia 17 de novembro, 70 anos. Para celebrar esse grande momento, preparamos um especial com a vida e a obra do diretor nova-iorquino.

Nascido no distrito de Queens e criado em Little Italy, lugar que serviu de inspiração para vários de seus filmes, Scorsese é uma figura querida no meio cinematográfico. Scorsese tem raízes fincadas na Itália (seus avós emigraram para os EUA). Não por acaso, traz muito do país europeu para os seus filmes. De baixa estatura, “Marty” – como é chamado carinhosamente – conta com obras de enorme valor em sua carreira.

Sua trajetória se confunde com a própria formação da Nova Hollywood, período em que os diretores foram peça-chave na indústria. Dos grandes nomes daquela geração, é o que continua a fazer bons filmes.

O destaque inicial se deu com “Caminhos Perigosos” (1973), primeiro trabalho com Robert De Niro e contando com a presença de Harvey Keitel, seu amigo de escola. O filme é colocado informalmente como o início da “Trilogia da Máfia”, abrindo caminho para “Os bons companheiros” e “Cassino”. Antes de ser aceito pela Warner, Mean Streets (título original) foi rejeitado pela Paramount, contrariando as expectativas.

Um ano depois, por indicação da protagonista Ellen Burstyn, dirigiu “Alice não mora mais aqui”. A atriz recebeu o Oscar por sua interpretação. A sua primeira obra-prima veio em 1976: Taxi Driver realizava uma abordagem dura das ruas de Nova Iorque, sob a visão do ex-combatente do Vietnã, Travis Bickle (De Niro). O longa foi agraciado com a Palma de Ouro, além de 4 nomeações ao Oscar. Há inclusive um monólogo impactante de um personagem feito pelo próprio diretor. A imponente trilha jazzística ficou por conta do lendário Bernard Herrmann.

Após os três sucessos, Scorsese partiu para um musical. O processo de feitura de New York, New York foi bastante conturbado, pois não havia um roteiro definido. Além disso, Martin sofria com o seu consumo desenfreado de drogas e as várias relações amorosas, incluindo o caso mantido com Liza Minnelli, estrela deste longa-metragem. Não em vão, o filme não obteve o êxito dos trabalhos anteriores.

Ele ficou magoado com a crítica. Somado a isso, tinha graves problemas de saúde. De Niro foi muito importante para sua recuperação. Por pouco nunca ouviríamos falar em “Touro Indomável” (1980). Mas o filme saiu, felizmente. A história trazia a vida do pugilista Jake La Motta, em uma primorosa fotografia em P&B. Robert De Niro venceu o Oscar de melhor ator e surgiu a primeira indicação para Scorsese na categoria direção. Martin acabou sendo derrotado por Robert Redford (“Gente como a gente”).

Ao longo da década de 80, mais trabalhos de bom nível: “O Rei da Comédia”, “Depois de Horas”, “A Cor do Dinheiro” e “A Última Tentação de Cristo” – católico fervoroso que é.

Em 1990, realiza o que é considerado um dos grandes filmes de máfia: “Os bons companheiros”. Novamente com a participação de seu ator favorito, De Niro, e Joe Pesci (“Touro Indomável”) é uma obra vigorosa, em que emprega toda energia em cada plano. The Goodfellas é colocado no mesmo patamar de “O Poderoso Chefão” e “Era uma vez na América”. Robert ainda apareceu em “Cabo do Medo”, remake do filme de 1962, transformando num thriller contínuo; e “Cassino”, trazendo a máfia de Las Vegas, durante a década de 70.

Mais perspectivas de sua cidade natal surgem com “A Época da Inocência”, ambientado no século 19, e “Gangues de Nova Iorque”, que trata da complicada formação da cidade, com a conflituosa imigração irlandesa. “Gangues…” marca o início de uma parceria entre Martin e o ator Leonardo DiCaprio, que se estendeu em “O Aviador”, biografia sobre o excêntrico magnata Howard Hughes; “Os Infiltrados”, refilmagem que garantiu uma tardia estatueta do Oscar para Scorsese, apenas na sexta nomeação; e “A Ilha do Medo”.

Recentemente, teve sua primeira experiência com o 3D ao realizar “A Invenção de Hugo Cabret”. Diferentemente de quase todos os filmes no formato, se vale de praticamente todos os recursos dessa tecnologia, além de executar uma belíssima homenagem ao início do cinema, em particular a Georges Méliès, um dos responsáveis pelo estabelecimento do cinema enquanto arte.

É interessante observar que foi preciso que cineastas consagrados fizessem uso da tecnologia para tirar bom proveito dela (Wim Wenders e Werner Herzog também foram bem-sucedidos em seus trabalhos com o 3D).

Scorsese também realizou bons documentários, muitos deles sobre músicos (como João bem abordou em seu texto). Ele tem alguns projetos encaminhados e o que chama mais atenção é uma biografia sobre Frank Sinatra, que deve ser lançada em 2014. Já no próximo ano, tem ao menos um filme para estrear: “O Lobo de Wall Street”, com DiCaprio no papel central.

Martin é cinéfilo de alto nível, além de “mecenas” da sétima arte (ele é o presidente da World Cinema Foundation, que tem como objetivo preservar filmes de regiões menos privilegiadas). O que impressiona é que, quanto mais o tempo passa, mais competente fica.

Festival
No 5º Janela Internacional de Cinema do Recife, que acontece desde o dia 9 e vai até o dia 18 deste mês, um clássico do diretor será exibido no São Luiz, próximo sábado (17), às 22h. É a grande oportunidade de ver “Taxi Driver” na tela

                                           A  S     M  U  S  A  S

 

No Brasil, os compositores costumam omitir suas musas. Mulheres que deram origem a muitos clássicos da MPB continuam desconhecidas. Até porque, a maioria é imaginada, uma mistura de várias pessoas, ou até mesmo “encomendadas” como  as personagens de filmes e novelas. Lá fora, é um pouco mais fácil identificar, até porque muitas são deliberadamente, citadas nas canções ou em depoimentos dos autores. Outras tantas são tão óbvias que não são novidades. Recentemente foi lançado um livro muito interessante sobre o assunto. Fiz um esforço para não ser tão “lugar comum” mas como veremos, é inevitável.

LOLA

Esta deusa inspirou 2 canções antológicas: LOLA (THE KINKS) e  TAKE A WALK ON THE WILD SIDE de LOU REED. Lola era presença constante nas boates mais “chics” de Londres. Lugares freqüentados pela elite pop da Inglaterra.

 

SARAH , a primeira esposa de BOB DYLAN, com quem viveu até o final dos anos 70. Foi a musa   da balada SARAH do álbum DESIRE de 1975.

 

PATTIE BOYD, foi casada com George Harrison e com Eric Clapton. Depois, dizem, teve um caso com Ron Wood. Pattie era uma jovem modelo quando conheceu George nas filmagens de A HARD DAY’S NIGHT. Casaram em 1966 e se separaram em 1974. Ainda no final dos 60, Clapton escreveu para ela sua clássica LAYLA. Clapton que,pela amizade com Harrison,engoliu sua paixão até a separação do casal. Mas o casamento dele com a musa durou tanto quanto espumas ao vento. George sempre afirmou que SOMETHING foi criada à partir de uns versos de James Taylor, mas o mundo todo acredita que Pattie foi a musa inspiradora desse clássico dos BEATLES.

                                                                              

  EMILY, a garota saboreando um picolé Fri-Sabor Morando/Côco foi a musa da canção SEE EMILY PLAY do primeiro disco do PINK FLOYD.
   

PRUDENCE FARROW   acompanhava a irmã, a atriz MIA FARROW na Índia, no “ashram” do Maharish, e meditou tanto que pirou,trancando-se em seu bangalô.   Todos ficaram preocupados. Então John Lennon escreveu uma canção que com Paul e George foram cantar para ela. DEAR PRUDENCE, gravada no White Album.

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ANGIE BOWIE ,mulher inteligente,sexy e de forte personalidade. Foi esposa de DAVID BOWIE que escreveu para ela o hit SPIDERS FROM MARS. Sim, é ela mesma a musa de ANGIE dos ROLLING STONES.

JANE ASHER, já era uma atriz respeitada em Londres,apesar de seus 17 anos, quando começou à namorar McCartney. A relação durou até 1968. Alguns clássicos dos BEATLES foram inspirados em Jane, como HERE,THERE & EVERYWHERE e AND I LOVE HER. Foi no piano de Jane que nasceu YESTERDAY e FOR NO ONE.

NICE foi a primeira esposa de Roberto Carlos,com quem casou ainda nos anos 60. Todo mundo sabe que ele escreveu canções para todas as suas esposas e “casos”. Mas foi durante o relacionamento com Nice que ele escreveu suas melhores baladas. DETALHES, por exemplo.

 

FLORA GIL, essa bela morena, no fim dos anos 70 prendeu o coração de GILBERTO GIL. Desde então, ninguém chega à ele senão por ela. A esposa anterior do artista foi brindada com duas pérolas: Sandra e Drão  (uma lindíssima espécie de mea culpa) mas no disco LUAR, Gil se superou ao escrever para sua musa um dos mais sublimes momentos da MPB, a bossa-nova FLORA.

Foi exatamente assim, como na foto, que essa então jovem morena de aproximadamente 15 anos foi cortejada pelos olhos de Tom e Vinícius. Pois é, HELÔ PINHEIRO, apenas A GAROTA DE IPANEMA.

 

Não lembro de outra mulher na vida de Erasmo Carlos senão NARINHA. Essa bela mulher simplesmente inspirou a letra de COMO É GRANDE O MEU AMOR POR VOCÊ. E teve mais, citada nominalmente em COQUEIRO VERDE, Narinha faleceu prematuramente e desde então não se tem notícia de outra musa na vida do Tremendão, ao menos, significativamente. “Sou forte/mas não chego/aos teus pés” , assim cantou Erasmo em MULHER. Precisa dizer mais ?

   GLÓRIA PIRES é uma das melhores atrizes brasileiras. Tão admirada que, a gente até perdoa o fato de ela ter sido casada com Fábio Jr. Afinal, era quase uma adolescente. Desde então, mantém um relacionamento estável e consistente com o injustamente ignorado compositor ORLANDO MORAIS, que escreveu para ela PODEROSO CHEFÃO, A CANÇÃO. Acho que só eu escutei essa maravilha!

  DEDÉ VELOSO, coincidentemente irmã de SANDRA (ex-esposa de Gil), casou-se com CAETANO VELOSO ainda no auge do Tropicalismo e o casamento durou até meados dos anos 80. Terminou sem nenhum estardalhaço. Como é notório, Caetano não poupa ninguém. Que o digam, SÔNIA BRAGA (Tigresa), VERA ZIMMERMAN (Vera Gata) e REGINA CASÉ (Rapte-Me Camaleoa). Mas foi para quem que o nosso querido compositor escreveu MINHA MULHER, QUEIXA e VOCÊ É LINDA ?

Claro que eu sei que este “post” exibiu apenas uma dose e que faltaram muitas musas. Justo essa que você está lembrando agora. Será que teríamos Jealous Guy,Woman e Starting Over sem YOKO ONO ? Ou mesmo My Love e Maybe I’m Amazed sem LINDA ?  Estaríamos ouvindo Fool To Cry dos STONES sem BIANCA JAGGER ?  Que mulher poderia ter sido a inspiração para Carinhoso, Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda, Carolina ou Ela é Carioca ? Não faço a menor idéia. Se você sabe, a hora é essa!

 

 

 

 

 

  

 

J O R G E   B E N    J O R

Chega a ser surpreendente constatar o quando Jorge Ben Jor vem mantendo uma carreira musical perene desde 1963. Seu “site” oficial não disfarça a imodéstia ao trata-lo como única unanimidade na MPB. Realmente,para mim, Jorge Ben Jor é de fato um fenômeno singular, goste-se ou não de sua arte. Tecnicamente, trata-se de um artista extremamente limitado. É um músico de poucos recursos,um melodista simplório e um letrista óbvio.Mas sempre “correndo por fora” conseguiu emplacar sucessos consecutivos como cantor e como compositor, com os mais variados intérpretes e de vários movimentos musicais, desde a Bossa Nova até os dias atuais. Até a “patrulha ideológica” dos anos de chumbo, sequer ousou fustiga-lo, mesmo sendo ele o autor de um hino ufanista como País Tropical. Preferiram caçar o intérprete,o Simonal.

Jorge, nunca escreveu uma canção verdadeiramente antológica.Digna de enciclopédia de MPB. Seus grandes e muitos sucessos são canções agradáveis,geralmente balançadas,malemolentes e não raro,de letras até, ora incompreensíveis ora juvenis ou primárias. No entanto conseguem chegar ao gosto popular tanto quando ganham a simpatia e a admiração de seus pares. Aqui e alhures. Sua segunda música lançada, MAS QUE NADA ,não só foi apenas regravada exaustivamente no exterior,  foi a única (isso mesmo: única) música em “português” a alcançar o 1º lugar nas paradas americanas. É mole ?

No auge da Bossa Nova, Carlos Imperial até tentou empurrar sua rapaziada no movimento.Mas seus protegidos da Turma da Tijuca não foram bem aceitos. Eram o Tim Maia,Roberto Carlos,Erasmo e o Jorge Ben. Este último que,curiosamente curtia LUIZ GONZAGA e ATAULFO ALVES, fazia um samba tão longe das raízes tradicionais quanto da sofisticação harmônica da Bossa (misto de maracatu ?), que caiu no gosto popular logo na estréia com Chove Chuva e em seguida com Mas Que Nada (ela mesma!). Esnobado pela corrente bossanovística (ou bossanovista),mesmo assim transitou bem pela Jovem Guarda claro, e era também figurinha carimbada no FINO DA BOSSA. E naquele tempo,quem aparecia num era imediatamente descartado do outro.Enquanto OS INCRÍVEIS (O Vendedor de Bananas) e ERASMO (Menina Gata Augusta) estouravam com suas criações, ELIS REGINA fazia o mesmo com Zazueira e Se Segura Malandro e Jair Rodrigues com Papa Gira. Quando o TROPICALISMO chegou, o primeiro convidado foi Ben Jor. E foi entrando com tudo. Que Pena,Tuareg (Gal Costa), A Minha Menina (Os Mutantes), Mano Caetano (Maria Bethânia), além dos duetos em disco com GIL. Na verdade,até hoje em dia,essa turma,especialmente Caetano e Gal, gravam e regravam Ben Jor, sempre. Quando a dupla TOQUINHO & VINÍCIUS estava no auge, Jorge lançou uma canção cheia de candura e de harmonias um pouco fora de seus padrões. QUE MARAVILHA!, como eu viria à constatar mais tarde, tinha um toque de TOQUINHO, seu parceiro naquela música.

Mais para o fim da era dos Festivais, emplacou, na voz de MARIA ALCINA, a sacolejante e quase ingênua FIO MARAVILHA , cujo tão entoato refrão,resumia-se a “Fio Maravilha/nós gostamos de você”. No final dos anos 70,ao lado de um entusiasmado Caetano Veloso, voltou às paradas com IVY BRUSSEL. Pouco antes, surgira um movimento musical de tiro curto,o BLACK RIO. A referência ? Claro, Ben Jor. Se nos anos 80, não fez nada memorável, continuou sendo reverenciado por vários ícones do BRock,como Lulu Santos, Kid Abelha e principalmente, Fernanda Abreu. O MANGUE BEAT pernambucano,já nos 90, o tomou como parâmetro e influência indisfarçável. Evocando seu primeiro LP, SAMBA ESQUEMA NOVO, a banda recifense MUNDO LIVRE S/A não vacilou para nomear seu também album de estréia como Samba Esquema Noise. E mesmo nos dias atuais,seu estilo é copiado ou quase plagiado por cantores e grupos. SEU JORGE e a BANDA EDDIE que o digam!

Creio que seria bem mais fácil indicar “quem não gravou” Jorge Ben Jor do que “quem gravou” (uma verdadeira lista telefônica). Embora seu último sucesso nos remeta aos anos 90, uma música com 2 acordes e letra indecifrável chamada W/BRASIL (que se sustenta no arranjo irresistível do genial SERGINHO TROMBONE), Jorge Ben Jor continua lotando teatros,arenas e estádios daqui e do mundo.Internacionalmente, é um dos artistas brasileiros mais reconhecido e admirado.

À bem da verdade, desde os primórdios, BEN JOR fazia um samba dançante, diferente de tudo o que se fazia, e calçado numa base rítmica contagiante, conquistou o público com sua originalidade embora suas letras não fossem (nem são) grandes coisas. Desde então,vem burilando e modernizando seu “balanço”, sempre cercado por músicos no mínimo, brilhantes. Quem copiou ou aderiu ao estilo,até tentou disfarçar chamando-o de “sambalanço” ou “samba-rock” e, teve até um clone de pouco fôlego chamado BEBETO, alguém lembra ? E então ? JORGE BEN JOR é ou não é um fenômeno ?

– Segundo o próprio, longe de coisas tipo numerologia, a mudança de JORGE BEN para JORGE BEN JOR deu-se por questões relativas aos Direitos Autorais internacionais. Sua grana estava sendo depositada,por engano,na conta de George Benson.

– Um famoso e muito competente (além de popular) crítico musical dos anos 60/70,já falecido, Zé Fernandes, chamava-o simplesmente de enganador! Caetano Veloso chama-o de gênio!

– CHICO BUARQUE, mais polidamente, afirmou que havia artistas que ele admirava e que o influenciavam muito. Por sua vez, havia aqueles que ele admirava mas não o estimulavam musicalmente. Instado, confessou: no primeiro caso,Caetano. No segundo, Jorge Ben Jor!