Arquivo de julho, 2010

No mote dado a Zé Limeira em Campina Grande: Escrevi o nome dela/Com o leve do azul do Céu, disse:

A minha póica maluca
Brigou com setenta burro
Deu cento e noventa murro
Na cara de Zé de Duca
Dei-lhe um bofete na nuca
Que derrubei seu chapéu
Vai chegando São Miguel
Montando numa cadela
Escrevi o nome dela
Com o leve do azul do Céu.

Eu me chamo Zé Limeira
Cantador do meu sertão
O sino de Salomão
Tocando na laranjeira
Crepusco de fim-de-feira
Museu de São Rafael
O juiz prendeu o réu
Depois fechou a cancela
Escrevi o nome dela
Com o leve do azul do Céu.

Quando Abel matou Caim
No Rio Grande do Sul
Deu-lhe um quilo de beiju
Com as beradas de capim
Nisso chegou São Joaquim
Que já vinha do quartel
Cumode prender Abel
Dois pedaços de costela
Escrevi o nome dela
Com o leve do azul do Céu.

————————————————————————–

O velho Tomé de Souza
Governador da Bahia
Casou-se no mesmo dia
Passou a pica na esposa
Ele fez que nem raposa
Comeu na frente e atrás
E passou pelo caís
Onde o navio trafega
Comeu o padre Nobrega
E os tempos não voltam mais

Napoleão era um
Bom capitão de navio
Sofria de tosse braba
No tempo que era sadio,
Foi poeta e demagogo
Numa coivara de fogo
Morreu tremendo de frio.

Pedro Álvares Cabral
inventor do telefone
começou tocar trombone
na Volta de Zé Leal
Mas como tocava mal
arranjou dois instrumento
daí chegou um sargento
querendo enrabar os três
Quem tem razão é o freguês
diz o Novo Testamento”

Frei Henrique de Coimbra
Sacerdote sem preguiça
Rezou a primeira missa
Perto de uma cacimba
Um índio passou-lhe a pimba
Ele não quis aceitar
E hoje vive a chorar
Embaixo de um pé de jureme
O bom pescador não teme
As profundezas do mar

Getúlio Vargas morreu
Foi com saudade da esposa,
Lampião inda tá vivo
Morando perto de Sousa
Por detrás do sete-estrelo
tem um casal de raposa.

No tempo do Padre Eterno
Getúlio já governava
Plantava feijão e fava
Quando tinha bom inverno
Naquele tempo moderno
São João viajou pra cá,
Dom Pedro correu pra Iá,
Escanchado num tratô…
Canta, canta, cantadô
Que seu destino é cantá.

BRAVÍSSIMO !!! Maestro. BRAVÍSSIMO. Amém lá do HUBBLE. Ore por todas essas crianças. Elas agora tem um futuro.

Aos que vierem depois de nós

Bertolt Brecht
(Tradução de Manuel Bandeira)

Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
[(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: “Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!”

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.

Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.

Em 1981, meu velho me convida para irmos ao Conservatório Pernambucano de Música ,ouvir o violoncelista pernambucano  Antonio Meneses, que voltava do exterior para um recital na pequena sala do conservatório. Teria sido 1982. Agora não lembro…

Música de Câmara. Eu sabia lá o que era isso. Viajandão que era, tive uma aula inesquecível. Na saída meu pai encontra Eliana Caldas, Cussy de Almeida, outros maestros. Uma festa.

Eu quietinho. Chapado. 

Fui apresentado aos monstros sagrados da música pernambucana. Confesso que fiquei bastante inquieto, pois o meu conhecimento rudimentar de teoria musical não me permitia ir além da esquina. E tome aula.

D’outra vez, no Santa Isabel, de novo Adalberto de Sousa chama o seu caçula e lá vamos nós ouvir a Orquestra Sinfonica do Recife . Bonito prá cacete. Melhor ainda era estar ao lado do cara que dizia, entre intervalos, você prestou atenção ao Spalla, olha os metais, e tome diferenciação em ouvidos privilegiados e educadíssimos para a arte da música. Pianista que era, meu pai escutava uma Orquestra Sinfônica como poucas vezes pude assistir na minha vida. As violas, violinos, clarinetes. Eu balançava a cabeça em total dissonância. Terrível.

Outra vez na saída, a pianista e amiga Eliana Caldas, que havia tocado neste dia e de novo o velho amigo Cussy de Almeida.

Essas recordações deixei para hoje, para este sábado, final do mês de Julho. No mês de agosto que se anuncia meu pai faria aniversário. E o maestro levitou dia 23 de julho.

A última vez que tive o prazer de falar com Cussy de Almeida foi recentemente. Ele adentra de cadeira de rodas e aparelho de oxigênio pelo PAB Forum lá no Joana Bezerra. Dirige-se a minha mesa. Dificuldades ao falar. Eu com dificuldades no olhar que marejava lembrando tudo isso acima. Lembrando do presente com a Orquestra dos Meninos do Coque: A Orquestra Cidadã. Viera o maestro receber dinheiro a que tinha direito em ação judicial. Conversamos pouquíssimas palavras.

Na saída não se conteve e me disse: eu já lhe conheço de algum lugar?

Bancário sempre ouve essas afirmações e por ser tão “rodado” sempre respondo: pode ser. Da agência tal, e por aí vai.

Mas não me contive. A cadeira já estava fazendo a curva e eu falei o nome do meu pai. O maestro parou. Ordenou o retorno e disse: meu filho, eu e seu pai éramos muito amigos. Ele lembrava! Me emocionei. Ele fitou-me com olhos expressivos e mais não falou.

Nos despedimos para sempre. Logo depois ele iria para a UTI e daí para a ETERNIDADE.

Penso como deve ser hoje se existir céu e a vida continuar depois dessa peleja terrena.

Talvez por lá eles leiam blogues. Ou tenham os seus próprios. Mas com certeza deve estar rolando um dueto “piano e violino” prá lá de bom.

 

PS – É difícil escrever memórias das pessoas que amamos. E que perdemos. Meus filhos me perguntam desde que aprenderam a falar  sobre o avô que eles nunca conheceram. A não ser por fotos, uma gravação antiga que conseguimos digitalizar. Algumas cartas. Dói. A saudade é uma dor invisível e tão presente como o aço que corta e dilacera nossa carne. Mas os sacerdócios da Medicina e da paternidade se uniram a religião chamada música. Esse foi o seu legado. E assim está feito. Tenho absoluta certeza que os filhos de Cussy de Almeida tem o mesmo sentimento e o mesmo orgulho pelo grande maestro e ser humano que ele foi. E vamos cuidar dos nossos meninos. Para que mais jovens se apaixonem pela música e possam sobreviver e escapar ao extermínio diário das nossas esperanças.

André da Capadócia.

Publicado: 30/07/2010 em Poesia

Al Jarreau falando “MARACATUUUUUUUU”.Pois é.Samba-jazz virou Jazz-samba,com sotaque gringo.Da poha:

 

 

Jorge de Capadócia é uma das minhas preferidas de Jorge Ben.As duas versões são fantásticas,mas a de Caetano ganha por um cabelo de sapo.Ícone do samba-rock,samba-jazz ou seja lá que nome se dê ao rítimo que sacudiu a MPB na década de 1960,Jorge Duílio Lima Meneses merece figurar,com louvor,entre os maiores de nossa música.Mais que nada é tocada no mundo todo,tendo sido regravada por gente de peso, como Al Jarreau.O LP Samba Esquema Novo deve estar armazenado em qualquer MP3 player que se preze.

É F-U-N-D-A-M-E-N-T-A-L:

E Jorge também, como nos avisa em canto gregoribaiano Caetano ,com esse torpedo atômico e eterno. E vivam os frígios, gregos e romanos que 10 mil anos atrás habitaram essa belíssima região. Onde vive uma brasileira que dança a roda sufi. E apois

E que Jorge proteja meus amigos e suas famílias. E que nossos inimigos tenham olhos e não nos vejam. Amém. E tome lança no toitiço deles. Amém de novo.

Quando a economia vai bem…

Publicado: 28/07/2010 em Poesia

 

…mesmo que sem justiça social.

Ainda que, a mobilidade das classes aconteça de forma lenta.

Mesmo assim o termômetro de uma eleição presidencial se dá pelos indicadores econômicos.

O povo corre atrás do pão e do circo. O pão ganho honestamente. O circo, normalmente dado pelos governantes.

O que cabe na conta final é que provavelmente o nosso Presidente Lula irá fazer o sucessor.

Salvo alguma zebra, pois Serra está se despedaçando e todos que o apoiam nos estados estão pulando fora.

Ou quase todos.

Não é fácil fazer política apunhalando-se os seus correligionários.

Já nos legava Tancredo Neves: para fazer política você tem que meter a mão na m…

O problema é que depois você tem de levantar a cabeça e governar um país.

Aí que são elas, nos deixava Leminski com a interrogação na mão e no pescoço.

Plínio de Arruda Sampaio aí embaixo. Fica o discurso. Apenas!!! A utopia entrou em coma e muita coisa ultrapassada está simplesmente: ultrapassada.

Não é possível a um vivente inteligente dizer que: FHC e LULA são IGUAIS. SÃO NÃO. Me desculpem. SÃO NÃO.

Na pele e no coração os oito anos de FHC foram sangue, ferro e fogo. Sem tréguas.

Os oito anos de LULA não foram doces prá mim não. Carreguei um piano pesado prá cacete. Mesmo assim vejo que outras classes foram favorecidas. Amém.

 

PS -Até que o sol não brilhe, acendamos uma vela na escuridão.

Confúcio

Do Blog Vi o Mundo de LUIZ CARLOS AZENHA:

Plínio de Arruda Sampaio passou aproximadamente sessenta anos de sua vida atuando na política nacional. Foi um dos fundadores do PT e o autor de planos de reforma agrária para os presidentes João Goulart e Lula. Promotor público aposentado, completou 80 anos na segunda, 26 de julho, como candidato à presidência da República pelo PSOL.  Nessa entrevista a Manuela Azenha, ele diz que os principais candidatos contra os quais concorre — Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva — fazem parte de um mesmo sistema e que sua candidatura tem como objetivo principal mostrar outra possibilidade à sociedade brasileira.

Viomundo – Existe uma polarização entre Dilma e Serra nas eleições. O senhor acha que existe diferença entre esses dois candidatos que justifique essa polarização?

Plínio de Arruda Sampaio – Não, não existe. Ali, na verdade, é uma disputa de poder, pura e simplesmente. Porque a política econômica dos dois é semelhante, pode haver diferenças mínimas mas não uma diferença significativa. A polarização é falsa, criada exatamente para evitar que entrem outros na disputa, para excluir os demais. É isso que eu vou fazer e demonstrar na eleição pelo PSOL.

Viomundo – O senhor se considera parte de uma terceira via, junto com a Marina Silva?

Plínio – Não, a Marina está no mesmo sistema. A Marina faz parte do mesmo esquema. Ela ontem declarou nos Estados Unidos que não modificaria a política econômica do Lula. Então, qual é a diferença dela para os demais? Para mim, nenhuma.

Viomundo – O senhor foi um dos fundadores do PT. Acha que o governo Lula fez jus à história do PT?

Plínio – Absolutamente, foi uma total traição aos ideais do partido. O PT nasceu nos anos 80 como um partido contra a ordem estabelecida, contra o capitalismo, era um partido socialista. E nós fizemos essa trajetória com grande galhardia, grande coragem, sucesso, entre 80 e 89. A derrota de 89 é que não foi suficientemente analisada. Foi mal analisada. Primeiro se entendeu que foi um acidente  e que em 94 deveríamos fazer um terceiro turno. Foi um erro, nada mudou mas acharam que o discurso tinha sido um pouco radical e que era necessário ter alianças um pouco mais amplas etc. De 89 a 94  essa idéia não foi aplicada muito fortemente, tinham a idéia do terceiro turno.  Na outra, a de 98, aí sim, a segunda derrota foi mal analisada. É isso: “Vamos fazer o partido procurar o pequeno empresariado, pequeno, médio, mas depois qualquer um. E vamos usar o discurso mais tranquilo”. Daí ele foi endireitando até 2002, que é a rendição total.

Viomundo – O curioso é que parte da esquerda não considera o Lula de esquerda mas a direita, sim…

Plínio – Olha, para a direita é interessante considerar o Lula de esquerda porque ela quer capitalizar os votos da direita, mas ela sabe muito bem, tanto é que, na verdade, o apóia.  O Lula hoje tem a cobertura dos jornais, tudo.

Viomundo – O senhor acha que o voto no PSOL divide os eleitores da Dilma, favorecendo Serra?

Plínio – Nunca me preocupei com isso. Não estou fazendo campanha para enganar ninguém, vou atacar tanto o Serra quanto a Dilma. Os dois são muito ruins para o povo brasileiro. Independentemente das figuras pessoais, não faço ataque pessoais, nunca fiz. É um problema ideológico. A política deles é ruim para o pobre.  O nosso lado é o lado do pobre. Nosso lema fundamental é a igualdade. Se tem esse efeito, pode ter. Mas também tiro voto do Serra, porque sou um homem com uma inserção social muito parecida com a dele.  São pessoas mais velhas,  profissionais, economistas, professores de universidade, que tenderiam a ir com o Serra se eu não fosse candidato. É só você ver a lista de meus apoiadores, são todos intelectuais, professores de universidades, da Unicamp. Então eu tiro voto dos dois.

Viomundo– Como o senhor compara os governos FHC e Lula?

Plínio – Eu considero que não mudou nada. Qual foi a declaração escrita do Lula? Eu vou seguir a política do FHC. E seguiu totalmente. Tem diferença de estilo. O Fernando é um sujeito muito mais distante do povo do que o Lula. Mas de substância não mudou coisa nenhuma.

Viomundo – E quanto à reforma agrária?

Plínio – Parece incrível, mas o Lula assentou menos famílias que o FHC. Quem fez o programa de reforma agrária do Lula fui eu, coordenamos uma equipe que preparou esse programa. A nossa tese foi um milhão de famílias em quatro anos. A equipe financeira vetou o gasto, que era uma porcaria, um gasto mínimo, que nem se compara com o que se gasta para pagar o credor do governo. Foi vetado, passou para 500 mil famílias, e nem isso conseguiu cumprir em 8 anos. Fizeram 130 mil assentados, menos pessoas que o FHC.

Viomundo – O senhor defende a reforma agrária desde a época do João Goulart. Como o senhor avalia os dois cenários, o de então e o de agora?

Plínio – Para você ter uma idéia, a grande medida, a mais radical, com a qual todo mundo fica preocupado hoje, é você poder desapropriar fazendas de mais de mil hectares. Mais de mil hectares é uma fazenda imensa. Na reforma agrária que eu planejei para o Goulart, o Jango chegou pra mim e disse: “Olha, acho que você devia colocar no seu relatório que de 500 hectares para baixo nós isentamos. De 500 para cima, nós pegamos tudo. De 500 é uma propriedade produtiva pequena, cabem umas 60 a 80 famílias, dá um trabalhão. Vamos de 500 para cima. Eu concordei. E hoje, 50 anos depois, nós estamos pedindo mil e achando que é radical. Então a situação daquele tempo, o processo de pressão de massas era muito maior, de modo que hoje é mais difícil.

Viomundo – Mas o senhor acredita que a reforma agrária pode ser aprofundada?

Plínio – Tanto acredito que estou nisso de cabeça. Sou presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), estamos lutando por isso desde a ditadura.

Viomundo – A Marina Silva tem uma posição muito crítica quanto aos transgênicos. Qual é a posição do senhor e como avalia a política do governo Lula nessa área?

Plínio – Acho nefasta, uma política muito ruim. Porque não é o problema de saber se o transgênico faz bem ou mal à saúde, esse é um assunto controverso, ninguém sabe direito. O que se sabe é que o transgênico, a semente dele, está nas mãos da Monsanto e ela bota o preço que quiser. Segundo, você não tem como escolher, a semente do transgênico vem trazida pelo vento, por um pássaro, minha semente fica infectada e eu tenho que comprar da Monsanto. Isso é um absurdo. Eu fico bobo de ver como a Marina ainda ficou no ministério depois de engolir isso. Não entendo. Por isso você me pergunta: a Marina é deles? É. Tanto é que chora, chora, faz cara triste mas aceita. Não sabe pedir demissão.

Viomundo– O Rudá Ricci concedeu uma entrevista à Carta Maior explicando o velho dilema da esquerda: o de tentar “popularizar” a esquerda. O senhor acha que o Lula conseguiu fazer isso?

Plínio – Não, porque ele não contou ao povo o que é a esquerda. O povo pensa que isso que está aí, o Bolsa Família, esses auxílios, é a esquerda, mas não é.  Isso é um populismo, assistencialismo, paternalismo, mas não a esquerda. A esquerda é realmente limitar o capitalismo, por um freio no capitalismo. Isso ele não fez.  A nossa crítica ao Lula — e fundamentalmente a mais terrível –  é que ele engana a população, ele gera na população uma sensação de que tudo está resolvido. Então ele desvia a atenção da população. Claro que para uma pessoa com um salário muito pequeno, o salário dobrou. Mas foi o Lula que dobrou? Não, foi a situação econômica do mundo que se refletiu no Brasil. O que o Lula fez para estimular esse consumo? Ele tirou imposto, então o produto ficou barato e o cidadão entrou na Casas Bahia.  Ele diz: “ Ao entrar na casas Bahia você entrou para a classe média” e o cara acredita. Agora, esse mesmo cidadão está sabendo que lá embaixo, a educação está uma coisa horrível. O filho dele não aprende na escola pública, volta com piolho para casa, quando não com um tiro. A saúde é um horror. Quem não tem plano médico médio leva seis meses, um ano para fazer um exame. Nem se diga uma cirurgia. A violência não é possível ser maior. Uma bala louca matar um menino dentro de uma escola. O que melhorou? A economia brasileira? A economia brasileira era industrial, hoje ela é agrário-exportadora. Quer dizer, voltamos aos anos 30! A antes de 30! Uma economia, portanto, que vai depender de preços que não são fixados dentro do Brasil. O mercado interno não é mais determinante do dinamismo econômico. A desnacionalização… O que tem de importante na indústria brasileira não é nosso, é estrangeiro. Então a verdade é que está muito mal. A situação é muito perigosa, é que não explodiu a doença. Realmente, a posição do Lula é muito nefasta, muito ruim.

Viomundo –Desse ponto de vista, o senhor acha que a candidata do Lula é mais perigosa que um tucano?

Plínio – Bom, o outro é um candidato muito truculento. O Serra é um homem de atitudes muito radicais, de modo que, sem dúvida nenhuma, a criminalização da pobreza vai aumentar no tempo dele. Se você me perguntar o que é pior, a peste ou a fome, não sei (risos). Os dois são indesejáveis.

Viomundo– O senhor acha que a Dilma pode fazer um governo mais à esquerda que o atual?

Plínio – A Dilma é uma incógnita total. O absurdo dessa sociedade é o seguinte: pelo aval do Lula, ela tem condições de se eleger. Uma pessoa que você não tem a menor idéia de como ela vai se comportar com o poder na mão. Não posso te dizer, simplesmente.  O PT são dois mundos. Há o mundo dos petistas, daqueles que acreditam. A grande maioria dos petistas ainda acredita no PT e na sua proposta, apenas está sendo anestesiada, pensando: “O Lula diz, é muito possível fazer”. Esse petista está sendo enganado. Agora, a cúpula traiu inteiramente.

Viomundo – O senhor declarou que espera obter de 3 a 5% dos votos no primeiro turno. O que o senhor quer com sua candidatura?

Plínio – A candidatura tem um propósito eleitoral evidente. É claro que quero ganhar e vou fazer de tudo para ganhar essa eleição. Mas eu tenho que ter o pé na terra. Eu tenho um minuto de televisão, os outros tem cinco, seis, dez minutos.  Eu não tenho dinheiro nenhum para campanha, eles tem 100 milhões, pelo menos. Eles tem o governo atrás, a máquina do governo. É muito difícil ganhar. O que eu quero é o debate, que o povo brasileiro saiba que existe uma outra possibilidade. Eu quero que essas coisas que estão sendo escondidas venham para cima, sejam conhecidas porque isso faz avançar a consciência popular. Depois da eleição, aqueles que deram seu voto ao PSOL, nós vamos procurá-los, vamos recomeçar essa luta pelo socialismo no Brasil.

Das Kapital. Inicial…

Publicado: 27/07/2010 em Poesia

INTERLÚDIO

E o sol que pairava fixo sobre nós,
Finalmente negou sua luz.
Nuvens escuras!
Nossa pequena ilha.
Raios! Trovões!
Vendaval de delícias.

EM TEMPO

De tanto esmurrar o vento
Sangrei os meus punhos, perplexo!
Mas o verdadeiro absurdo
É estar partindo sem você

Se hoje a aventura nos parece comédia
Amanhã a saudade nos tece um drama
– Motorista! Esqueça o aeroporto…

ANDARILHO

Sou estranho na cidade estranha
Os carros seguem sem direção
Sou atropelado pelas pessoas nas calçadas
O guarda da esquina me sorri
Não carrego bagagem, nem saudade.
– Só nada

Nos jornais vejo as mesmas notícias
O guarda da esquina se aproxima
_ Documentos! (…) Tudo bem.

Caras vazias contemplam meu rosto
Não fabrico sorrisos – caminho!
Paisagem: carros, fumaça, pessoas…
Poeira no rosto. Estou sujo!

Olhos navalhas
Cortam meu corpo
A ferida lateja na entranha
Outro policial
– Documentos! (…) tudo bem.

Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.

Carlos Drummond de Andrade

 …entre a Justiça e a Verdade, a Harmonia e o Amor?

Esse é o mote.

O homem, a luta e a eternidade

Murilo Mendes 


Adivinho nos planos da consciência
dois arcanjos lutando com esferas e pensamentos
mundo de planetas em fogo
vertigem
desequilíbrio de forças,
matéria em convulsão ardendo pra se definir.
Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades,
o mundo ainda é pequeno pra te encher.
Abala as colunas da realidade,
desperta os ritmos que estão dormindo.
À guerra! Olha os arcanjos se esfacelando!

Um dia a morte devolverá meu corpo,
minha cabeça devolverá meus pensamentos ruins
meus olhos verão a luz da perfeição
e não haverá mais tempo.

Primeiro Barrichello: passa Schumacher!!!  Agora Massa: arregaça Alonso!!!

Na nefasta política,  a turma das charges não perde tempo. Vejamos:

Pescado no blog Acerto de Contas.

Procês II – Cléo Pires.

Publicado: 25/07/2010 em Poesia

Delfim, Margareth Tatcher, Menahem Begin, Lula, Dirceu, Dilma, Vampiro, Índio, Temer, Sarney, FHC, THC, Crack, Loló, Cocaine, LSD, Jarbas, Jungmann, Marco Maciel, Krause, Krause a filha, Fields (todos), ACM NETO e família, Cabral e família. Política é o fim. Caetano está certo. Por isso este belo presente procês. Poetaços do dia a dia. Guerreiros em suas profissões. Poetas nas horas também do dia a dia que não existem horas vagas. Nós é que vagueamos por aí. E viva eu, viva tú e viva o rabo do tatú. De pires na mão. Fui.

PS – Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas.

Séneca

Procês.

Publicado: 24/07/2010 em Poesia

O compositor que “ousou” chamar Caetano de velho compositor baiano.
A cantora que até hoje me faz cativo do ano de 1979. Ao ouvir esta música fiquei “incrível” como diz João Carlos. Nunca mais a requenguela do toitiço volta ao normal.
Ufrpe/Dce/Cannabis/Elis/Juventude/Greve/Salvador/Recife/Amor/Malu/ Meus pais/
Yellow House e fim.

PS – “Sou apenas o meu tipo inesquecível apesar de,ás vezes, me achar uma porcaria”

(Elis Regina)

“Minha alucinação é suportar o dia-a-dia, e o meu delírio é a experiência com coisas reais.”

Belchior

No site do Terra tem uma série inteira denominada Predadores em Alta Velocidade. Os animais são diretos.

Os homens usam a política para engabelarem uns aos outros.

 Os animais comem porque é e sempre foi assim.

E mais não digo, quem vos fala direto do Hubble é Murilo Mendes:

 

NOVÍSSIMO JOB 

 Eu fui criado à tua imagem e semelhança.

Mas não me deixaste o poder de multiplicar o pão do pobre,

Nem a neta de Madalena para me amar,

O segredo que faz andar o morto e faz o cego ver.

Deixaste-me de ti somente o escárnio que te deram,

Deixaste-me o demônio que te tentou no deserto,

Deixaste-me a fraqueza que sentiste no horto,

E o eco do teu grande grito de abandono:

Por isso serei angustiado e só até a consumação dos meus dias.

Por que não me fizeste morrer pelo gládio de Herodes,

Ou por que não me fizeste morrer no ventre da minha mãe?

Não me liguei ao mundo, nem venci o mundo.

Já me julguei muito antes do teu julgamento.

E já estou salvo porque me deste a poeira por herança.

Alguma coisa está errada…

Publicado: 24/07/2010 em Poesia

Leio estarrecido que os jovens que já podem votar, não foram aos TREs tirar seus títulos de eleitor.

Vamos ter uma eleição com uma base de eleitores do “primeiro voto” razoavelmente reduzida.

Minha filha não vai votar. 16 anos e necas de política. Não teve interesse. Para ela nem Dilma, nem Serra, nem Marina. Nada vezes nada.

Terrível a notícia. Pelo menos para mim.

Será esse o caminho da democracia? O voto facultativo?

Uma eleição em que nada “pega” no atual PR. Fala abobrinhas em quantidades astronômicas. Pouco importa. Aumentou em 68% o número de pessoas com mais de 50 anos de idade que conseguiram emprego. Isso em 08 anos, claro.

Tanto mais se bate no seu Lula, mais a economia bafeja o sopro da prosperidade (que nada tem a ver com justiça social) e derrubam-se os ataques dos “cara-pálida”.

Um detalhe que incomoda o zé aqui. Lá nos EUA a imprensa tem lado. Assumidamente todos os jornalistas saem do armário.

O NYT diz: sou DEMOcratas. O WP arrota: sou REPUblicana(o) ops.

Aqui a única voz que assumiu o seu lado, foi a voz de Mino Carta. Em editorial da Carta Capital ele explica porque apoia Dilma.

Não seria tão bom que a Veja, a Época, a Isto É, os jornalões das famílias Marinho, Frias e outras etnias de mandarins fizessem o mesmo?

“Veja”-se as duas últimas pesquisas realizadas pela Vox Populi e Datafolha:

– Na primeira: 41×33 para a candidata do chefe.

– Na segunda: 37×36 para o vampiro comedor de índio.

E aí fusconautas/fuscopoetas? Política não é realmente um orgasmo?

PS – No JC de hoje, o artigo Casa Grande & Burrice de Joca Souza Leão está supimpa. Valeu André. Virei fã de carteirinha do cara. É no gogó gugu.