Arquivo de agosto, 2009

Breves Notas – Habemus Poeta !!!

Publicado: 31/08/2009 em Poesia

O POETA MAIOR

 

De todos os poetas brasileiros do século XX, escolhi o mineiro Carlos Drummond de Andrade como o meu predileto.

 Desde garoto, influenciado pelos meus pais, enveredei no mundo da leitura. Com naturalidade, pois irrequieto como toda criança hiperativa, não seria na base da imposição que meus pais despertariam interesse tão salutar.

 Uma coisa puxou a outra, e leitor de romances, comecei a ler poesia com treze anos. Cecília Meirelles e Ferreira Gulllar foram os primeiros grandes nomes da nossa lírica com os quais dialoguei. Na imponência da Juventude, desandei a escrever versos. Queria ser um astro da Poesia Brasileira… Efusão juvenil perfeitamente compreensível, essa ânsia passou, mas o amor pelos poemas tornou-se eterno.

 Aos 15 anos, debutei diante da Poesia de Carlos Drummond de Andrade. “A Rosa do Povo”, justamente o livro do vate mineiro consagrado pela crítica como obra-prima , foi o primeiro livro dele que devorei.

 Aliás, tornou-se livro de cabeceira. Poemas não foram feitos para a leitura cronológica e clássica, tal qual se dá com o romance. Não há o embate do página a página. Com um exemplar de poemas nas mãos, o cidadão pode começar pelo meio, ir até o fim do livro, render-se ao começo… enfim, não há capítulo a ser ultrapassado.

 Depois vieram Bandeira, Carlos Pena, Quintana, Murilo Mendes, Jorge de lima, Vinicius de Moraes, Mário e Oswald de Andrade, Augusto dos Anjos, Raul de Leoni, Schimidt, Cora Coralina, Alberto da Cunha Melo, os parnasianos, Cruz e Souza, os marginais – capitaneados por Leminsky e Chacal –  e tantos outros igualmente merecedores de destaque.

 Mas de Carlos Drummond de Andrade guardo uma predileção indelével. O poema “No meio do Caminho”, escrito no final da década de 20 (salvo engano, por volta de 1928), não reflete apenas um arroubo de modernidade. Considerem a época em que foi escrito. Foi um escândalo.

 Os Poetas da Academia Brasileira de Letras – tiranos de uma época falida, mas que mandavam no pedaço – não poderiam jamais identificar que aqueles versos traduziam uma vivência visceral de um ser já moderno. Foi um soco no bom mocismo que contaminava a literatura belletrista de outrora.

 Taxado justamente como “Urso Polar”, devido a uma aversão congênita a bajuladores e holofotes, Drummond era capaz, conforme anotou seu grande amigo João Cabral, de ser efusivo quando falava ao telefone e granítico em palavras quando diante do interlocutor. Mas sempre fiel à sua concepção de poesia, jamais deixou-se levar pelos falsos louros dos ramos do Rei.

 No dia seis de agosto de 1987, já doente e desgostoso com a vida, sem escrever, viu o chão fugir aos seus pés. Sua única filha, Maria Julieta, morrera após árdua luta contra o câncer. Deposto pela dor, uma semana depois, o Poeta partiria.

 Eu tinha doze anos. Mas lembro como se fosse hoje o destaque dado pelo Jornal Nacional: Cid Moreira ao dar a notícia e encerrar a matéria, levantou-se em sinal de respeito, sob a narração do poema “José”.

 Por ocasião de sua morte, eu ainda não lia poemas. Drummond era apenas uma figura lendária do Brasil. Eu, apenas um garoto apaixonado por futebol e pela garota da minha sala. Depois de muitos anos, já drummondiano de carterinha, pude entender o fascínio que a poesia do mineiro exerce sobre as pessoas.

 Graças ao Poeta Maior, hoje compreendo que:

 “Da garrafa estilhaçada

no ladrilho já sereno

escorre uma coisa espessa

que é leite, sangue… não sei.

  

Por entre objetos-confusos,

mal redimidos da noite,

duas cores se procuram,

suavemente se tocam,

amorosamente se enlaçam,

formando um terceiro tom

a que chamamos aurora”.

 Parafraseando Edilberto Coutinho sobre Carlos Pena Filho, afirmo categoriacamente:  Carlos Drummond de Andrade apenas pensa que morreu.

 

Arsenio Meira Junior

 

 PS – Muita água rolou desde o primeiro bate-bola no blog do Roberto. De JRN até Arsênio nós fizemos amigos pouco a pouco. A ele agradeço também o anti-ácido que colocou nas minhas palavras. Sabedoria grande para um jovem poeta. Isso é bom. Ter amigos assim. Que venham mais textos/poemas para enriquecer este espaço. Agradeço de coração. E vamos em frente que : “a vida é prá valer, a vida é prá levar, Arsênio velho camará “.

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mario quintana de novo

 “Amor
Quando duas pessoas fazem amor
Não estão apenas fazendo amor
Estão dando corda ao relógio do mundo”

Mário Quintana

PS – E  a gente segue em frente. A vida assim o quer. Tocando a viola, rindo com os amigos, celebrando a fogueira ao longe, que pulamos. Todos nós. Heróis anônimos. Vamos sobrevivendo. Melhor se fosse diferente. Mas a luta está aí. A segurança não tem prá ninguém.Então que os anjos nos garantam, não nos deixem servir à mesa como banquete desumano. Que os anjos estejam em cada lugar onde a escuridão teime em ficar. E que a sua luz, assim como a luz de todas as mães, poetas e crianças, expulse o mal para longe.

 

Minha mulher nasceu de novo

Publicado: 29/08/2009 em Poesia

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10 minutos depois de colocar o post para Dona Célia.

Toca o telefone.

Minha esposa chorando. Fui assaltada, levaram o carro!

Na frente do novo endereço. A nova casa tão sonhada.

Você tá bem, lhe pergunto. Você tá viva? Como se precisasse tocá-la.

A voz não era suficiente. A minha embargada.

Chorava ela, o marcineiro e o ajudante que correra feito louco atrás dos bandidos.

Minha caçula se chega. Digo que está tudo bem. Sua mãe está calma.

Ela precisa pular no pescoço da mãe como sempre faz.

Vamos de táxi.

Vamos à delegacia.

Seguradora/Cartões/Banco/Família/Amigos/

Começa a romaria. Assistimos ao vivo o show de um plantão.

De uma delegacia.

Partimos em frente.

Ela relembrando o assalto.

A dificuldade em entregar a chave.

A arma engatilhada. A ferocidade do assaltante.

A bolsa de um quilômetro de comprimento.

Enfim o chaveirinho do Náutico. Buchuda camisa de borracha.

Rapidez quando preciso.

Carro entregue. Vida salva.

Vida que continua.

Minha mulher nasceu de novo.

 

PS –  Agradeço ao meu irmão Agostinho. Primeiro que liguei e que me socorreu. Agradeço aos amigos de quem me lembrei o número e que estiveram ao alcance da ajuda. E finalmente agradeço ao sr ladrão que não tirou a vida do meu tesouro. Por muito menos , no Brasil inteiro mães, pais, maridos, mulheres choram as vidas inocentes perdidas nessa guerra insana das nossas cidades. Ao sr. Governa a dor os meus sinceros agradecimentos pelo Pacto pela Vida. Pelo menos os bandidos estão agindo com profissionalismo. No meu caso pelo menos.

Para dona Célia / Para todas elas

Publicado: 29/08/2009 em Poesia

enpregada domestica

PARA DONA CÉLIA

 

 

Quando manhãzinha

ela responde nhô?

eu frio suor na espinha

remota memória

senzala.

Hein???

A senhora me chamou?

Sim!

Suas mãos são um holograma.

Posso ler o sertão inteiro

e entender Guimarães

e a Rosa

nos seus olhos

rasos como sua alma.

E ela lava, passa,

os dias

e cozinha.

O juízo inteiro.

A vida inteira.

Nesse batente.

Por quantas casas terá sido

a sua romaria?

Não será aqui o seu fim

Espero…

Mas lhe dou um abraço

 o que de fato provoca um recuo

um refugo

Endoidou sinhozinho?

Não dona Célia!

Não!

Estou abraçando virtualmente

todas vocês!

Que deixam seu lares

para cuidar de outros.

Porque a vida é assim.

Não tem justiça e não tem

tempo prá esperar/

Que a Bolsa chegue

para toda a família…

PS – De Luiza e Dulcinéia que me criaram, passando por Antonia e aí todo uma geração e mais outra que pude acompanhar na casa dos meus irmãos e na minha casa. Profissão que hoje pode ter FGTS já começa a ganhar o respeito que merece. Gratidão é muito pouco. Fizeram parte das nossas vidas como parentes mesmo. Viraram nosso sangue isso é o bastante. Mais não dá porque seria invadir a privacidade delas.

 

Para Julinho… de Adelaide

Publicado: 29/08/2009 em Poesia

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Hino de Duran(Francisco Buarque de Holanda)

Se tu falas muitas palavras sutis
Se gostas de senhas sussurros ardís
A lei tem ouvidos pra te delatar
Nas pedras do teu próprio lar

Se trazes no bolso a contravenção
Muambas, baganas e nem um tostão
A lei te vigia, bandido infeliz
Com seus olhos de raios X

Se vives nas sombras freqüentas porões
Se tramas assaltos ou revoluções
A lei te procura amanhã de manhã
Com seu faro de dobermam

E se definitivamente a sociedade
só te tem desprezo e horror
E mesmo nas galeras és nocivo,
és um estorvo, és um tumor
A lei fecha o livro, te pregam na cruz
depois chamam os urubus

Se pensas que burlas as normas penais
Insuflas agitas e gritas demais
A lei logo vai te abraçar infrator
com seus braços de estivador

Se pensas que pensas estás redondamente enganado
E como já disse o Dr Eiras,
vem chegando aí, junto com o delegado
pra te levar…

PS – Quando na verdade o meu amigo Júnior, codinome aí de riba, foi que me deu esse rela e essa lição. Ele foi um dos mestres a colocar anti-ácido nas minhas palavras. E com ele, muito mais jovem do que eu, mas com pensamento sexagenário, aprendi também que colocar o guizo na cabeça do gato é tarefa insana… bom conselho esse. Fica a homenagem. Espero que gostes meu nobre. A foto não sei não… De peso-pesado para peso-pesado fica melhor …rsrsrs

*Crédito da foto (blog quinta categoria acho).*

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Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Cora Coralina  (Outubro, 1981)

PS – A poeta Cora Coralina escreveu seu primeiro livro aos 76 anos/ Deixou este planeta em 1985/ Na verdade seus poemas estão entre nós e são sementes que cabe a cada um plantar/ dentro do seu sonho/ para não esquecermos que este mundo vale a pena/pois a poesia/é desde sempre…

 



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PS – Diante dessa eterna grandeza de um homem do povo, um santo homem eu nem sei o que pedir, por isso façam suas preces meus amigos se precisarem. Eu digo ao Pai todo dia. Já tenho demais da conta. Ajude outro. Não é conversa fiada não. Perguntem a minha mulher, aos meus filhos, aos meus amigos. Saúde e paz é tudo. São mais do que tudo. Dito na lata assim sem pretensão nenhuma de ordem alguma, de maneira que posso dormir feliz olhando para o Dom da Paz e sabendo que cada blogueiro que por aqui passar, também vai ter esse santo olhar diante de si. E que do firmamento ele nos ajude nessa estrada severina .De tantos olhares cabrais, de tanto mangue e tanta fome. E de tanta esperança… que nunca sai do açude desse olhar.

Para Ela que me faz tão poeta

Publicado: 28/08/2009 em Poesia

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Ela que a primeira vez que me viu

ainda fumava

tossiu para depois sorrir.

Ela que quando apertou minha mão

não saiu mais de mim.

Sim, dito não sei quantas vezes

mais do que um gesto

um aceno para a vida

que me chamava em urgência.

Hora de nascer uma nova família

Ela e eu

cada dia melhor na sua companhia.

Na confiança dos seus olhos

no seu abraço

no exercício diário da construção desse amor

nos enlaces

nas distâncias e nas

montanhas que atravessamos juntos e

chegamos muitas vezes a desertos quando queríamos sombra.

E prosseguimos

como quem sabe

que já nos cabemos e nos sabemos

e que de tudo que levamos dessa vida

a nossa vida juntos foi uma grande maravilha.

Nem sei como agradecer

nem mesmo se é preciso

pois quando se ama o outro é mais do que uma metade

é uma certeza

e tenho dito

porque não mais preciso dizer dessa mulher

minha mulher

esposa

mãe dos meus filhos

a quem agradeço cada respiro/suspiro/olhar/

simplesmente sem ela

eu já não saberia nada

nada seria.

 

PS- Para minha esposa, fiel companheira, nesses 19 anos de caminhada. Muita estrada. E uma construção que é uma felicidade tamanha que esse poema não cabe em si de tanto contentamento.

assassinos

Uma nação inteira assustada. Vendo seu patrimônio diluir-se em transações mal explicadas.

Uma nação inteira indignada.

Pois não está vendo nada. As raposas não deixam que fatos contábeis venham ao mundo real.

Balanços não explicam aquilo que está torto.

Não nascemos assim. Em berço esplêndido.

Nascemos lutando e crescendo , severinos e silvas.

E ficamos de fora. Haja sobrenomes e pois não e pois sim.

Nariz empinado. Nariz de palhaço. Nada contra… os palhaços.

Tentamos um cartão vermelho, tamanho gigante.

Tentamos camisas e faixas.

Tentamos.

Temos o voto?

É a nossa arma! Branca.

Quando iremos usá-la?  Tarde, noite, tem a Bolsa. Da família inteira.

Mas insistimos todo dia indo ao trabalho.

Procurando emprego.

Nas arquibancadas.

Sofrendo muito. Sorrindo muito… pouco.

Caminhando em direção ao abismo achando que na última hora

O raio caia pela terceira vez no mesmo lugar…

Será o Senado, A Câmara dos Deputados, o seu clube de coração ou qualquer outro lugar?

Com a palavra o silêncio dos inocentes… A ser quebrado.

PS – Recomendo a leitura do livro Mentes Perigosas. O psicopata mora ao lado. Poetas sabem disso. Crianças sabem disso. Da campanha contra a violência infantil: ” Meninas não querem ter nem as unhas quebradas”.  Pelos nossos filhos e por tudo que há de se mudar no nosso país, nossa cidade.E   por nossos clubes, que são, como diria o mestre Arsênio: “A mais importante das coisas menos importantes.”

beer
Só mais uma, por favor. Umazinha só. Aqui, à mesa. Eu estou com sede. Estou de fogo. Estou carente. Traga, urgente. Está me ouvindo? Eu pago o que for preciso.
Quanto é, meu amor?
Sei que você já fechou as portas. Do seu coração. O seu juízo em combustão. Tanta confusão na cabeça. Eu entendo. Mas suplico. Uma única, juro. Para entrar num susto. Num gole, num fôlego.
Um sentimento gostoso. A derradeira força. Eu peço. Como se pede um abraço. Um afago. Um beijo. Cavalheiro, prometo. Será a última. E não volto mais.
Não encherei o seu saco. Desaparecerei do pedaço. Você não me verá depois dessa. Rastejar para quem quer que seja. Essa agonia. Essa ladainha. Essa peleja.
Mas hoje eu necessito. Para alegrar o meu inferno. Pessoal. O trânsito que tem atropelado. O meu astral. Uma paixão que foi embora. Na boca da estrada. Essa lembrança que me mata. Feito vício. Deixa tonta a minha memória.
Agora, já.
Por que essa demora? Este desprezo? Estou com medo.
Tenho pavor. O mundo derretendo. As camadas de gelo. O sol cinza. Desta cidade de São Paulo. Ave!
Umazinha só, repito.
Aqui, ó. Sou eu.
Este farrapo humano, perdido. Em que nos tornamos. Todos juntos. A caminho do mesmo abismo. Moço, mocinha. Faz de conta de que sou um enforcado. À beira da sarjeta. Um calabouço aberto. Um buraco no concreto. Eu peço: misericórdia!
Eu tenho direito. Venha olhar você no meu olho. Esquerdo. Estou no escuro do fundo do poço. É agora ou nunca. Um gesto só. Solidário, para sempre. Você me entende?
Nem precisa ser a mais forte. Daquelas que a gente recebe. Direto da fonte. A mais gostosa, a mais quente. Não precisa ser a melhor.
De repente, aquela que você tiver. Aí, jogada. Sem valor. Esquecida na estante. Ela me serve. Na prateleira, ela me serve. Em qualquer chão de bandeja.
É essa que eu quero. Sério.
A única.
Chame o Marquinhos, o dono do bar. Eu falo com ele. Da importância que será. Neste momento em que tento escapar. De uma hecatombe. Em que tento me sustentar. Levantar os ossos. Para continuar. A luta.
Essa vida que não tem cura. Difícil de equilibrar. Eu espero. O tempo que for. E aí? Vai dar ou não vai dar? Que porre!
Para a minha alma bêbada, pô!
Uma palavrinha só resolve.
.
Marcelino Freire, escritor marginal pernambucano
 
PS – Marcelino Freire alcançou fama. Mas continua o mesmo excelente poeta, escritor contista, dos bons. Li esse poema na revista Continente. Me viciei nele. Uma enriquecida dessas num fusquinha como é o meu blog é um luxo. Muito embora nem ele me conheça nem eu o conheça. Mas quem sabe nos mercados de Recife um dia eu o encontre e a gente beba umas palavras com outros bêbados anônimos…Ou nos mercados de São Paulo, Parati, Olinda, etc pei bufe e coisa e tal.

Noronha

Publicado: 26/08/2009 em Poesia

fernando-de-noronha

Depois de um dia de trabalho. Um dia todo e meio. Banco. Ruas. Engarrafamentos.

A noite me encontra lenhado. Do baianês de quando morei por lá.

Mas essa paisagem, creio eu, é a paz da absolvição do zagueiro CLÁUDIO LUIZ.

Como dito e cantado milhares de vezes nos nossos carnavais em Madeira do Rosarinho:

” e dizer bem alto que a injustiça dói, nós somos timbús de lei que o cupim não rói…”

PS- E para lembrar que trabalho no prédio que tem o nome do imortal compositor e Mestre C A P I B A !

NÁUTICO S.A.

Publicado: 26/08/2009 em Poesia

nautico

 

Precisa dizer mais nada?

O danado é que não dá para tirar a coceira da garganta.

O Náutico é o mais épico dos times nos garante XICO SÁ.

Estaria ele tomado de uma Kfourite aguda?

Creio que não.

Só um clube se desfaz de um jogador que faz gols numa hora crítica, para em seguida falar em dívidas que são quase o valor da venda ,para em seguida dizer a torcida: vamos cair mas quem assumir vai pegar o clube saneado.

Creio que não.

O  Náutico é épico exatamente desde o ano de 1969.

Até então era ético. Campeão. Dava orgulho.

Parou no tempo. Fossilizado. Imbecilizado.

Com uma das torcidas mais fiéis e mais fantásticas que existem no planeta bola.

Mas isso só não basta quando quem está dentro vê o clube como se estivesse dentro de um carro blindado. Com película preta grau 100.

Transparência Zero.

Ia esquecendo do Colegiado. Que tanto elogiei. Mas que pegou no sono.

Enquanto a gente , como no samba do Chico vai ficando na janela vendo a banda passar.

Saravá alvirrubros. Um dia eles passarão, Quintanamente nós passarinhos.

 

Sabiá

Para o mestre Roberto Vieira

Publicado: 26/08/2009 em Poesia

 A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
 
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

 É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

 É uma elegância desobrigada.

 É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.

 Nas pessoas que escutam mais do que falam.

 E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas no boca a boca.

 É possível detectá-las nas pessoas que não usam um tom superior de voz.

 Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

 É possível detectá-la em pessoas pontuais.

 Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

 É elegante não ficar espaçoso demais.

 É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.

 É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

 É elegante retribuir carinho e solidariedade.

 Sobrenome, jóias, e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

 Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.

 Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

 Educação enferruja por falta de uso.

 * Quem souber o autor por favor informe. Recebi por e-mail de uma colega do banco.

 

 

PS – Ao mestre com carinho. Aprendi nessa estrada cibernética que pode-se ser ácido sem estragar a corrente elétrica. Que a verdade chega, mansa e calmamente por mais que tentem escondê-la. E que nesta vida levamos muito pouco, mas este pouco é tão grande que nos faz perder o medo da morte, porque quem tem um amigo tem um horizonte, um norte, mais do que um blog, mais do que um trabalho gigantesco que eu posso testemunhar até hoje, Roberto me ensinou que a arte da convivência transcende como um oceano o rio das indiferenças. Obrigado amigo e vamos em frente!
 
 

 

Ave Sangria

Publicado: 26/08/2009 em Poesia

ave sangria

Até que enfim meus amigos.Para Almir, o almirante da Village . João Carlos músico que acompanhou e participou dessa banda mágica: AVE SANGRIA. Eterna banda. Tempos imemoriais. Naquela época dirigente de futebol que prestasse botava dinheiro do bolso do time. Jogador vivia uma vida no mesmo clube. As torcidas (desorganizadas) eram separadas por barbante. Músico era confundido com terrorista e tinha que andar com a carteira da O.M.B. E finalmente : a gente podia sair lá do centro do Recife a pé até  o subúrbio que nada acontecia. Isso chamava-se dar uma banda, entre outras coisas. Saravá.

A vida como ela era

Publicado: 25/08/2009 em Poesia

Papai tio Adalberto Duda

1970. Brasil tri-campeão. Eu,meu pai, meu tio e meu irmão na kombosa do velho tio Lídio. O pau comendo solto, dom Helder morando bem pertinho dali. E a gente na boca do vento .Os velhos conversando, eu lendo, que mundo era esse ? Mas que era um tempo bom isso era. Tão bom que ainda relembro os passeios na marrom e os sonhos da padaria Quatro Cantos. Um pedaço de Portugal no Brasil. E lá no quintal uma mangueira generosa que ainda existe por lá. Envergada ,mas que dá uma manga espada de furar a alma da gente.

UM DIA ESPECIAL

Publicado: 25/08/2009 em Poesia

Prá você que me acorda feliz com sua alegria cheia de vida/ Prá você que canta para o sol e me faz acreditar na humanidade/ Prá você que é tudo de bom e que me dá um presente no dia do seu aniversário/ Prá você que é tão importante neste mundo que  ser seu pai é uma missão além de mim/ Mas tento ser o melhor pai que você merece/ E você merece muito amor, muito respeito e muita compreensão/ Te amo minha filha e que hoje mais do que nunca a gente se aperceba de que vale a pena o amor/ e que a esperança não pode nos faltar à mesa/ Um beijo de pai.

PS- Como em todos os tempos ,lhe acordamos ao violão do jeito que você gosta. Do jeito que a nossa família sente esse amor tão grande e que é o nosso tesouro nesta vida. Vida breve, vida longa. Chama alta e bela não importa o tempo o que temos.É para joelho nenhum parar de beijar o chão.

ZUMBIS DO SENADO???

Publicado: 25/08/2009 em Poesia

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/luizcaversan/ult513u610199.shtml

Saudades de Patativa do Assaré

Publicado: 25/08/2009 em Poesia

Alô companheiros da blogosfera. Primeiro chute. Primeiro tempo. Bola rolando e as mesas cheias. Atmosfera de boteco, conversas de boteco, nosso senadinho.
É dessa maneira bipolar como a nossa sociedade, mas sem frescura, sem hipocrisia que me apresento. Esmulambado. Encontrei minha definição em dois autores. Um conterrâneo o Marcelino Freire. Cara bom do caralho. De Sertânia e que vive em São Paulo e no mundo. Outro o Carpinejar. Esse um mestre. Nos dois me encontrei quando estive mais perto de marcar um gol… contra. É assim os poetas morrem e vivem salvando os outros. No caso esses dois craques estão bem vivos. Graças a Deus, e ao dono do boteco.
É isso. Poemas. Crônicas. Futebol. Política. Tudo nas devidas gavetas, sem balaio de gato. Sem utopias mas espero com muitas polêmicas.
Que venham os amigos. Todos convidados.
Tem muito blog bom mesmo. Blog bom do cacete. Eu estou entrando na fila, lá no último lugar.
Mas estou.
Cante lá que eu canto cá já disse o MESTRE Patativa do Assaré.

Publicado: 25/08/2009 em Poesia

UM POEMA DE ÚLTIMA HORA:

Urgência/pontos corridos/tempo/

quem falou em futebol?

Digo da vida/ diga lá também/

se a gente não se pendura/

se equilibra/

volta e meia desempena…

e conta os pontos

perdidos.

PS – Escrito na  Restauração. Gente saindo pelo ladrão? Gente sendo cerzida numa máquina de costura enferrujada e gigante. Assustador. Mesmo prá quem tomou umas branquinhas botando fogo pelas ventas. Assustador sr. governador. Como disse o poeta você que governa a dor.