Arquivo de novembro, 2010

Fuscatube. Por André Gustavo.

Publicado: 30/11/2010 em Poesia

Coluna do Arsênio Meira.

Publicado: 28/11/2010 em Poesia

“NELSON RODRIGUES, O ETERNO ANJO DA LITERATURA BRASILEIRA”

 

Depois que li em 1990 o best seller de Zuenir Ventura “1968: o ano que não terminou”, o jornalista Nelson Rodrigues começou a tomar vulto em minha imaginação.

Eu tinha 15 anos. Nelson foi um Jornalista nato e também um baita dramaturgo.  Por imposição de uma miscelânea de fatos, o livro de Zuenir o situou com exatidão como o protótipo do reacionário.

Aquela época era assim e Zuenir não foi injusto.

Mas o que me leva hoje de volta ao “Anjo Pornográfico” é a dimensão do seu teatro, o impacto que este produziu no cenário cultural brasileiro e os demais vulcões literários rodrigueanos.

O impacto a que me referi, aliás, redundou na catarse ou libertação da arte dramática no Brasil, pois até o surgimento da sua segunda peça Vestido de Noiva, nossos autores e atores viviam sob a custódia da mesmice ante uma platéia sonolenta e pueril.

Nelson magnetizou o público, e ao libertar suas vozes obscuras, traçou um significado contundente das paixões interiores, que costumeiramente revelam a hediondez dos inocentes e a pútrida mesquinhez dos moralistas. Despertou na plateia uma ira recalcada e adormecida, graças a uma profusão de personagens inesquecíveis e incômodos, posto que oriundos do mesmo habitat onde nós, expectadores, vicejamos.

O jornalista, o homem que latejava em si mesmo, cujo  “sangue cheirava a tinta” , nos dizeres do velho amigo Otto Lara Resende, também é o protagonista destas notas.  Pois parece claro que o ambiente jornalístico propiciou a munição, ou boa parte dela, para a construção do seu imenso mural literário.

Filho de um jornalista que fez história na Imprensa, entrou pela primeira vez na redação de um jornal ainda de calças curtas, e de lá só saiu para morrer. Seus pais nasceram em Pernambuco, e Nelson e seus irmãos mais velhos nasceram no Recife. No entanto, ele e seus irmãos chegaram ao Rio de Janeiro ainda de calças curtas, de onde que é justo dizer que todos assumiram a feição dos cariocas.

Nelson foi repórter de esporte e polícia, articulista de ponta e crítico literário; seus irmãos foram grandes jornalistas, ligados à arte, com destaque especial para Mário Filho, o inventor da crônica esportiva, hoje nome do maior (ainda será?) estádio de futebol do mundo, o Maracanã.    

Mas Nelson forjou seu aparato existencial em meio às atividades jornalísticas. No fim, já alquebrado por uma série interminável de doenças, motivadoras de seguidas internações, entrava em constante estado de delírio simulando a cena que marcou sua existência: os dedos dispostos, ávidos para o encontro com a palavra escrita na velha máquina de escrever, um encontro, nunca definitivo, com o registro de suas obsessões.

Foi, por muito tempo, o escritor mais popular do Rio de Janeiro, nos anos dourados de JK (décadas de 50 e 60).

O jornalismo e a escrita franqueavam admiração literária e pouco dinheiro no bolso, como sói acontecer num país iletrado e permanentemente entregue às moscas. Escreveu incessantemente os contos de a “A Vida Como Ela é ….” no Jornal “ÚLTIMA HORA” do então getulista Samuel Wainer.

De 1951 a 1961, sua pena retratou com cortante prioridade uma penca de mulheres adúlteras, homens pacíficos e… traídos; vizinhas gordas, patuscas, machadianas, cunhados canalhas, primas viçosas e “engraçadinhas”, enterros, velórios suburbanos, crimes, seres dostoievskianos (Nelson era vidrado demais no velho Fiódor), Anas kareninas, enfim, a realidade pungente que emanava de suas estórias (ou historias) fez com o jornal fosse o palco para onde convergia toda a graça, a ironia e as mazelas da realidade humana. 

Viveu sob os apupos das vaias, mas também sob os olhares rútilos dos admiradores. Cabotino, enchia literalmente o saco dos colegas, à cata de elogios para suas peças. Estes colegas eram Vinicius de Moraes, Paulo Mendes Campos, Décio de Almeida Prado, Manuel Bandeira, Otto Lara Resende e etc.

Todos se freqüentavam, numa amostra de como aqueles anos foram férteis para a Cultura Brasileira.

Nelson, ao iniciar a série de suas famosas “Confissões”, no Correio da Manhã, legou aos leitores lirismo e polêmica em doses que só os gênios ousam destilar.

 Patético, obsessivo, real e imaginário, dono de uma biografia que lhe dava o direito a invocar tragédia e ironia, não poupava os desafetos, e fiel a si mesmo, produzia belas catilinárias contras coisas e pessoas envoltas em hipocrisia e poses.

 Era um ferrenho destruidor de reputações falsas e um autêntico voyeur de sanduíche de mortadela, como lembrou seu grande amigo Otto, em delicioso perfil do dramaturgo. Sem poder degustar de tal iguaria, em função da úlcera que lhe atormentava os sentidos, às vezes convocava um colega para que comesse um desses sanduíches para ele … ver.

Através de suas memórias, é possível distinguir um Brasil espirituoso de um outro país rançoso, sombrio e caquético. Não tinha papas na língua, e chegou a dizer, quando agonizava na cama de um hospital, a título de “última palavras” (não foram as últimas), que Karl Marx era um perfeito idiota! Imaginem tal afirmação nos idos da década de 60 ou 70, época em que a idolatria a Marx englobava coristas, protéticos, estagiários e toda a fina flor da intelectualidade.

O sofrimento a que foi submetido pelo destino, antes de desumanizá-lo e destruí-lo, convocou sua pena, que de prontidão, não se fez de rogada.

 E como jornalista literário, se assim podemos catalogar esta espécie de escritor que vagueia e ilumina as redações dos jornais, alcançou um patamar reservado para poucos; e esses poucos atendiam pelo nome de Rubem Braga e Otto Lara Resende.

Nelson, avis rara, foi um fiel reprodutor da melancólica realidade cotidiana, espécie de paideuma da classe média. Misturou realidade e ficção como um verdadeiro mestre, esgrimando idéias sem dar chances aos inimigos.

A sua crônica autobiográfica A Menina sem estrela pode ser examinada sob a ótica do paroxismo da realidade fictícia. Otto Lara sentenciou: “é uma das páginas mais comoventes da Literatura Brasileira”. Maior verdade não há.

Nelson misturou dantescamente as ambições humanas mais vulgares com os sonhos mais insólitos, num cadinho onde perpassam ingredientes que podem escapar a nós, simples mortais, mas que não soavam estranhos a uma inteligência refinada e constituída pelos mais tortuosos símbolos.

Graças ao estilo primoroso e fluente da sua narração e a capacidade de transformar o mais reles dos fatos num fenômeno literário, é que seu vulto merece as distinções de praxe.

Não importa a alcunha de “Reacionário’ com que o rotularam os militantes da época; se considerarmos a sua capacidade de reduzir a pó alguns tipos tão afeitos a mentiras e falsas convicções, esse adjetivo hoje soa como um prêmio, uma homenagem digna de nota.  

Não existem mais exemplares como Nelson Rodrigues.

Fernando Pessoa foi um meteoro que se abateu ruidosa e eternamente sobre as hostes do mundo; Carlos Drummond de Andrade morreu envolto na mais profunda angústia, diferentemente do que planejara em seu poema Os Últimos Dias; Manuel Bandeira castiço ou irreverente debruçou-se profundamente sobre os mortos do Recife; tudo depois de João Cabral “parece derramado e desnecessário” (mas não é, graças a Gullar e a Samarone Lima, poeta ainda inédito, mas que está pra chegar); Carlos Pena Filho “apenas pensa que morreu”; Quintana nunca foi um Poeta menor; Murilo Mendes sabia que “a poesia mais rica é um sinal de menos”, pois Drummond – caridosamente – ensinou esse postulado a todos; Cecília, Vinicius e Schmidt preservam a nossa integridade emocional e Chico Buarque de Hollanda, graças a Deus, ainda circula por aí.

A deferência com que tratam Nelson nada mais é do que a consumação ou, antes, o reconhecimento da genialidade.

E o tributo prestado a sua obra nos dá uma apaziguadora idéia de justiça; justiça a um homem que conheceu toda a sorte de tragédias; que ao longo da vida colecionou ruínas. Exemplo? Descobrir-se tuberculoso antes da penicilina, e sobreviver para ver depois de curado a morte do irmão caçula Jofre, a quem era mais ligado – vitimado pelo mesmo mal.

Sua vida “foi um lento deslizar de lancha entre as camélias”. Assistiu à própria consagração, mas viu a desintegração de toda uma família: em fevereiro de 1967, seu irmão Paulo Rodrigues, soterrado com esposa e filhos. Todos mortos num só instante, em função do desabamento do prédio em que todos moravam nas Laranjeiras, após catastrófica enchente que vitimou o Rio nos anos 60; no mesmo ano, o suicídio de sua cunhada, a viúva de seu irmão Mário Filho.
 
 
 

 

Botem na conta ainda o homicídio que ceifou a vida de seu irmão Roberto, o galã da família; a subseqüente morte do pai (morreu literalmente de culpa). 

Na juventude, a pobreza repentina devido ao empastelamento definitico do jornal que pertencia ao pai, a fome, o paletó furado, o aspecto doentio. Enfim, todos já devem ter lido a biografia de Nelson.

Portanto, mais uma loa que se entoa em seu favor é de boa medida. Nelson foi um dos poucos estandartes dos sentimentos amargos, revelou o recôndito, e soube compreender e desvendar a casta mais complexa da humanidade: os seres humanos.

 

 Arsenio Meira Júnior

 

*(publicado originariamente no Jornal do Comércio, edição do dia 21 de maio de 1995, seção Opinião).

 

Hoje revisado e enviado com orgulho para o Fusca.

 

O Fusca agradece II.

Publicado: 28/11/2010 em Poesia

Dear John, ao Mestre com carinho:

Eu estou aqui, de isquierda, lendo em meditação profunda, como respondeu o mestre Roberto Vieira, lá no seu blog, a pergunta de Osvaldo sobre o Fusca.

Agradeço a coluna de João Carlos, uma baita coluna.

Daqui a pouco sai a coluna do mestre Arsênio, outra coluna de primeira.

Muito embora houve duas colunas , pois o comentário de Arsênio foi um post dos melhores que já li. Referendado por André, Tadeu e meu irmão mais novo Edgar.

Então fico eu aqui, catando milho no PC. E em meditação…

   CHICO E 2 BESTEIRAS

Lembro que lá no Rio com Lula Queiroga, Lenine, Zé Rocha e tantos outros músicos e compositores anônimos entre 80 e 84, a turma ficava atenta:  Fábio Jr ou Fafá ou Gal ou Tim Maia…fosse quem fosse gravar alguém sempre descobria e a turma corria à compor prá “bola da vez” e acreditem, a maioria acertava na mosca. Embora nunca vingasse porque os caras já tinham a panelinha. Quem não é do ramo, em geral, vai na conversa de certas mitologias que a crítica impõe como rótulo mas qualquer compositor, do mais famoso ao absolutamente anônimo sabe do que vou falar.
Há duas bobagens históricas que se criou em torno da obra de Chico Buarque: “Chico é um grande letrista” e “Chico conhece a alma feminina”.
Ora, ele é um grande compositor.O nível superlativo de suas letras empatam com suas músicas.O cara tem um tremendo conhecimento de harmonias e é um melodista soberbo. Entenda,”melodia” é aquilo que você assovia caminhando contra o vento.E “harmonia” é o conjunto de acordes que vão compor o acompanhamento da melodia (cantada ou instrumental.Até assoviada). Todo mundo sabe que Chico foi criado entre feras das letras e da música.Logo cedo passou a ser requisitado por Jobim,Toquinho, Francis Hime, Dominguinhos e zilhões de gente para compor letras que aliás,sempre calavam fundo. Ao contrário da crítica burra, pegue seus discos de Chico Buarque, selecione as canções exclusivamente escritas por ele sozinho e facinho, facinho irás comprovar o que eu digo.

Diferente da maioria Chico não compõe. Ele compõe para. Se você pedir a Gil,  Djavan por ex. uma canção, eles te mostrarão um balaio e certamente cheio de pérolas. Chico,com muita sorte terá alguma coisa inacabada.Assim desde o início de carreira compondo para teatro e cinema, onde sempre havia personagens femininos, passou a ser bastante requisitado por gente como Elis, Claudete Soares, Márcia, Quarteto em Cy, Bethânia, Gal, Simone e mais a equipe feminina de volei. Como raramente tinha algo pronto, ele escrevia as músicas já direcionadas àquelas cantoras. Com a cara delas (e fazia também prá cantores). Assim, Chico despejou na MPB uma penca de clássicos que ajudaram a sustentar esse “mito” da alma feminina. Ele próprio admitiu que isso era uma balela. O que ele sabia sobre, estava no dia-a-dia, livros, novelas, filmes etc. Ou seja, todo o mundo sabia. Em quantidade menor, Caetano também fez e faz isso com a mesma competência. ESSE CARA, DOM DE ILUDIR, O MOTOR DA LUZ, LISBELA, MENINO DO RIO etc.
Um exemplo: Gal pede a Gil e Djavan uma música. Eles vão no baú e já tem prontas canções com temas digamos “unissex” como SE EU QUISER FALAR COM DEUS, AÇAI ou AZUL. Se ela pede ao Chico Buarque,este ou vai compor uma nova ou lhe entrega músicas criadas para teatro ou filme (Folhetim).

O fato é que criou-se o mito da alma feminina e os homens acreditaram e as mulheres endeusaram. Parece que ao vê-las vai desnudá-las até a alma como um guru-psicanalista-deus. Balela. E seus colegas compositores de copo e de cruz sabem disso. Como sabem que ele faz com rara competência. Divinamente. Ou MORENA DE ANGOLA não é a cara da Clara Nunes ? Ou BASTIDORES não é puro Cauby ? Ou o baião NÃO SONHO MAIS não é a própria Elba ?

Saber fazer o homem sabe.E como! Agora “conhecer a alma feminina” nem as mulheres conhecem.Aliás,nem as deusas!

PS: “Compor é 10% inspiração e 90% transpiração.” (Foi Jobim quem disse isso ?)

 

O Fusca agradece.

Publicado: 26/11/2010 em Poesia

João Carlos, Arsênio, Tadeu Rocha, Osvaldo, André Gustavo, Lucas Pereira. E a família fusconauta inteira.

Obrigado pela força. Descendo ou subindo ladeiras, com a força de vocês a gente consegue dobrar o Cabo da Boa Esperança.

Até lá é mais ou menos assim:

Nem tudo é fácil

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas…
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o…
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga…
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça…
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o…
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida…Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!

Cecília Meireles

 

É meus amigos fusconautas, fuscopoetas e fuscoloucos. O Fusca pede passagem e vai para a retífica.

Conto com o Sábado Som , a coluna mais do que nota 10 do mestre João Carlos I e ÚNICO.

Conto também com outras colunas. Arsênio cadê tú rapá? Destes o zignaw foi?

O zé roela aqui não está conseguindo teclar direito só com a canhota, uma vez que a mão bufada ainda está bufada e tem doído muito.

Além disso, depois de 15 dias de “molho” encontrei uma bela montanha de papéis para destrinchar.

Até prá casa estou trazendo trabalho. Coisa que não fazia há mais de uma década.

Então, encarecidamente agradeço a quem puder colaborar.

Vamos em frente toitiçando na requenguela do juízo de muita gente.

E viva eu e viva tú e viva nós.

Grande abraço a todos. No coração.

 

Dom Mingão.

Jason Mraz é o nome. Bela música. E a letra? Está mais para Tchubirubiru…

Um certo dia de Maio deste ano, o nosso Millor de Mendonça, o nosso Almir Chediak, só que muito melhor, também enveredou pelas sendas esotéricas.

Evocando o imortal Nelson Rodrigues, mr. John fez a seguinte declaração:

” O Sport não sobe e o Náutico não desce”

Devidamente registrado no Tabelionato de Notas e Ofícios de Yellow House, comandado pelo Notário Maruca e Cia Ltda.

Comprova-se que a Profecia estava corretíssima e trata-se de um acerto de 100%, em um esporte comandado pelo Sobrenatural de Almeida e pelo mais épico dos times: o Náutico.

Xico Sá talvez pendure as chuteiras depois dessa Profecia. Não sei.

Mas com relação a 2011. Também nada sei.

João Carlos alega que, após o dia 01 de Janeiro, irá consultar o Oráculo.

Quem viver sorrirá. Em Fá Sustenido Maior com Sétima Aumentada.

Amém.

Sábado Som. Por João Carlos.

Publicado: 20/11/2010 em Poesia

 PET SOUNDS E UMA BELA HISTÓRIA

Enquanto rolava a “Invasão Britânica” a ensolarada California caia aos pés dos Beach Boys.  A banda liderada pelo genial Brian Wilson se não fazia um som tão especial ao menos era bastante original.As letras de roquinhos e baladas sobre as Californias Girls, Surfing USA,Surfer Girl e que tais eram emolduradas por harmonias vocais tremendamente elegantes com cantos e contracantos de altos níveis.

Mas o inquieto Brian não estava satisfeito. Especialmente quando ouviu Rubber Soul  parece que antevendo o que viria , resolveu compor um disco realmente diferente e inovador.

PET SOUNDS foi realmente um passo à frente na época. Se talvez não fosse o melhor album dos Beach Boys, não se pode negar sua qualidade principalmente em algumas canções que fazem parte agora do melhor rock já produzido.

Mas acreditem,deu chabu.

O disco foi sonoramente ignorado nos States de cabo à rabo e depois de ouvir de Mike Love (guitarrista da banda e seu primo) que “esse disco é uma merda!” Brian Wilson se afundou nas drogas e Jack Daniel’s terminando internado numa clínica especializada com depressão até nas unhas.

Mas, onde era que as coisas aconteciam mesmo naqueles tempos ? Ora,na Swinging London brother. E o Pet Sounds chegou aos ouvidos dos Beatles, Stones, Clapton, Byrds, Eric Burdon, Marianne, Procol Harun, Moody Blues, George Martin… E essa turma se reunia em suas casas e numa boite chamada Bag O’ Nails , para curtir o disco que rolava a noite inteira.

Foi que um jovem, figuraça, empresário dos Rolling Stones chamado Andrew Old Logham (ou algo assim), contou à rapaziada sobre o fracasso do disco no States e da internação de Brian Wilson e, por sua iniciativa (com a concordância de todos) fizeram publicar um anúncio de página inteira em todos os jornais e revistas da Inglaterra, especializados ou não, anunciando a originalidade e a beleza de Pet Sounds assinados por todos (Beatles,Stones,Who e cia) e nesse dia, todo executivo de gravadora, mandou a secretária providenciar uma cópia e as rádios começaram a tocar o disco que imediatamente estourou na Inglaterra, espalhou-se pela Europa e virou notícia nos EUA. E assim, como que por mágica Pet Sounds chegou aos primeiros lugares na América e a crítica “descobriu” o album.

Ao receber seu empressário eufórico na clínica, Brian Wilson até chegou a duvidar de uma história tão fantástica e comovido, ligou prá todo mundo na Inglaterra e ouviu o seguinte: “Acredite Brian.Se o disco fosse uma merda a gente não faria o que fez”. Só podia ser John Lennon.

GEORGE MARTIN: Era muito bom!

Os rapazes estavam encantados, especialmente por aquela faixa 8 que se chamava God Only Knows. John me perguntou se conseguiríamos fazer algo assim. Eu lhe disse “Não John. Faremos melhor!”

PAUL McCARTNEY: Acho God Only Knows a música mais bela do rock and roll!

 

Mais de 10 milhões de brasileiros assistiram ao filme Tropa de Elite 2.

Num país de 190 milhões, menos de 10% podem ser um balizador, uma tendência de comportamento?

Para a revista Veja sim. O Brasil manda um recado, segundo os letrados da Abril.

As classes médias sofrem.

O pobre sofre.

Os adolescentes morrem. As crianças morrem.

Os idosos morrem.

Na guerra civil.

Ninguém dá conta. Nem o Judiciário, nem as polícias. Nem o IML.

Inquéritos? Julgamentos?

Nunca o serão. Poucos são … punidos.

A Tribuna é Livre. Por favor. A violência chega aos nossos lares de diversas maneiras.

Então… que recado é esse?

No toitiço estas entrevistas da grande economista Maria da Conceição Tavares. Dica do Mestre Julinho de Adelaide, mas conhecido como Emmanuel Jr nas rodas de samba ali de B.V. Conhecendo meu filho da forma que eu conheço, acho que ele escolheu a profissão certa. Amém.

Este humilde copidesqui (será assim) esqueceu de mencionar um aviso de extrema valia. Este artigo é dedicado a Lorenzo, filho recém-nascido do nosso grande amigo, poeta e mestre Osvaldo Soares Neto. Parabéns Lorenzo !!! Muita saúde e paz. Pé quente, já nasceu trazendo bons ventos ao Clube Náutico Capibaribe. Sinal de melhoras e novos tempos.

 

O JULGAMENTO E A LIÇÃO        

 

Certa vez, houve um julgamento em uma das turmas conjuntas do Tribunal de Justiça/PE. Nesse episódio, o Desembargador Presidente exprimiu, em decisivas e poucas palavras, a diferença ou diversidade existente entre as responsabilidades do defensor e do juiz.           

Esse Desembargador, hoje aposentado, homem raro e de alto valor intelectual e moral tinha – às vezes – uns modos um tanto quanto impacientes ou bruscos.       

Mas ele nunca comparecia às sessões sem ter estudado profundamente nos autos os recursos levados a julgamento (dizem por aí que muitos juízes não são assim… deve ser a famosa maledicência alheia…)

Porém, esse magistrado conhecia detidamente os detalhes de fato e de direito de qualquer causa.

Assim, quando percebia que um advogado divagava demais ou tentava desviar o tema para pontos não tão cruciais, o interrompia de imediato para chamá-lo de volta às questões essenciais do processo, crivando-o de perguntas e objeções          

Muitas vezes, o defensor via-se em dificuldades. Resultado: o velho sorriso amarelo, ou a vermelhidão na face a denunciar a pisada na bola. Necessário ou fundamental dizer que o Desembargador não distinguia A ou B: o advogado podia ser o amigo do Rei, recém egresso de Pasárgada ou então um simples iniciante. A conduta do velho Juiz era a mesma.

Os advogados mais experientes que o conheciam tinham se acostumado com esse modus operandi . E quando sabiam que a sessão seria presidida por ele, procuravam preparar-se a valer, com afinco, para o debate que se avizinhava.

Afinal, precisavam estar aptos para responder ou rebater qualquer questão levantada de súbito. (Sempre questões pertinentes e não meras cascas de bananas).

Mas aquele que, inexperiente, não conhecesse o Desembargador ou substimando-o, comparecesse à sessão com um discurso até bem construído, mas cheio de floreios verbais,  corria o sério risco de perder o fôlego sob a torrente de indagações. Foi o que aconteceu certa vez.

Um advogado inexperiente, jovem, vaidoso por vestir a beca em sua segunda sustenção oral, subiu à tribuna para sustentar um recurso de Apelação.

Iniciou a defesa solenemente e seu arrazoado até que não era um vazio digno de passar em brancas nuvens, levando-se em consideração sua inexperiência no mundo forense.

Mas pecava no essencial: havia floreios em demasia na peça, um certo refinamento inoportuno e inútil. Desta forma, eis que o refinamento – de uma hora pra outra – transformou-se em puro desperdício de tempo.

A defesa tinha lá suas qualidades: não era omissa, pois abrangia todas as questões.  O fato é que – no meio dela -havia realmente muito blá- blá- blá.

O Desembargador deteve-o logo na metade da sua explanação, convidando-o a concentrar suas forças no cerne da causa. O sujeito ficou bravo internamente, hesitou, pensou em responder, mas um certo pudor naquele instante o deteve de uma resposta (que seria  – nesse caso – malcriada e impertinente).

Então, o incipiente advogado voltou a falar… Nova interrupção.
Dessa vez um pouco mais alterada, de onde que o clima começou a pesar. 

Após um átimo de silêncio, o advogado voltou a concentrar-se, e inevitavelmente, como ele seguia as linhas cheias de retóricas do seu Apelo, não tardou a descobrir ser vítima de sua própria armadilha: a vaidade por ter escrito uma peça com o cardápio mais variado de sua pretensa cultura: havia citações de Voltaire, Nietzsche e Kant…

As citações eram até desnecessárias e temerárias naquele momento, diga-se, porque não há mal algum em justapor os ideais desses grandes pensadores em outras petições ou em outras ocasiões mais propícias. Tudo depende de quem ouve ou lê, no final das contas.

No fim, mais uma vez instado pelo Desembargador a centrar-se no essencial, o advogado não se conteve e bradou em alto e bom som, como se estivesse sendo vítima da mais grave injustiça: ” – V.Exª está impedido o cumprimento do meu dever! Protesto e renuncio à palavra, com a consequente alegação de cerceamento da defesa do meu cliente!”.

E foi, esbaforido, sentar-se. Minto. Retirou-se para fumar um cigarro e voltou à sala de julgamento. Pouco depois, vendo-o adentrar no recinto,  o Desembargador abrandou-se e lhe disse com tom sincero e cordial:

” – Jovem, entenda o meu proceder. O Doutor teria razão de ficar indignado se fosse um conferencista, que a plateia – às vezes – tem o dever de suportar em silêncio, ainda que não entenda absolutamente nada do que se diz. Mas o Doutor é algo melhor, bem melhor que um conferencista: é um advogado, isto é, alguém que fala para persuadir a nós, juízes, a julgar conforme o mérito posto em questão. Como alguém pode se convecer sem ter compreendido?

E arrematou:

” – Cumpra, pois, livremente seu dever, que é o de falar; mas sempre procure exercê-lo de maneira a nos ajudar a cumprir o nosso: que é o de compreender”.

O jovem advogado sorriu, reconhecendo a verdade e a lição dadas naquele instante, e mudou um bocado depois desse capítulo.

A fonte é segura sobre tais detalhes,  porque posso falar-lhes rapidamente sobre este advogado, outrora mais jovem, coadjuvante destas notas: é aquele que sempre foi e sempre será fissurado em Drummond, Chico Buarque, Beatles e Nelson Rodrigues.  

Ou seja, trata-se de alguém que nós conhecemos:  eu mesmo.

Arsenio Meira de Vasconcellos Júnior

 

Quem esperar não vai perder. Vai gostar e muito. O Biscoito Fino está chegando.

Aguardem:

Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de vinho do Porto, dizer a minha neta:

 – Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado. Tenho umas coisas pra te contar.

E assim, dizer apontando o indicador para o alto:

– O nome disso não é conselho, isso se chama corroboração!

Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis, a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte. Por isso, vou colocar mais ou menos assim:

É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.

Siga sempre seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.

E satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação.

Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.

Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim. Aproveite sua casa, mas viaje, vá a Fernando de Noronha, Rio de Janeiro, a Barcelona e a Austrália. Cuide bem dos seus dentes.

Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.

Não corra o risco de envelhecer dizendo “ah, se eu tivesse feito…”

Tenha uma vida rica de vida.

Vai que o carteiro ganhe na loteria – tudo é possível, e o futuro é imprevisível.

Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela.

Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor.

E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável. Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.

Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status.

A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco!

Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você. Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.

Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação. Leia.

Pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.

Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.

Cultive os amigos. Eles são a natureza ao nosso favor e uma das formas mais raras de amor.

Não cultive as mágoas – porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.

Era só isso minha querida. Agora é a sua vez.

Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?

Pesquei este video lá na Bodega, do Ivan Moraes Filho.

PS – A diferença entre a polícia e o bandido é que o crime paga melhor.

Ediel

  • TRAVELLING WILBURYSA gravação foi uma delícia.Todo mundo contribuiu com idéias para a música,arranjos e os vocais.Muita colaboração e diversão que culminou com um churrasco (segundo Tom Petty) . Acreditem, às vezes sai da cabeça de um executivo de gravadora boas idéias.Assim,quando a música foi apresentada,um desses caras deu a idéia de não lançá-la no single de George mas que eles se juntassem e mandassem ver um disco completo .Pois para surpresa geral e para o bem dos ouvidos universais, a turma não apenas topou como cancelaram compromissos,mudaram-se agendas e produziram um discaço.E no mesmo clima de antes.Cada um apresentava uma canção ou idéia e os demais caiam de cabeça.Nos clips você vai reparar que eles se revezam na voz solo,nos vocais e instrumentos.

    Enquanto trabalhava com Jeff Lynne,George e ele tinham uma expressão que usavam sempre que aparecia um pequeno erro ou falha irrelevante em alguma tomada: “We’ll bury it in the mix” algo como “a gente corrige (ou esconde) na mixagem”.  We’ll bury virou então WILBURYS e na tradição dos trovadores medievais veio o TRAVELLING.Então… THE TRAVELLING WILBURYS.

    Até por questões de agenda jamais tocaram ao vivo e para ajudar na divulgação produziram alguns clips e só.Mas o disco estourou no mundo inteiro.Sucesso de público e crítica. Se em cada carreira solo cada um deles tinha suas obrigações e compromissos estéticos,era nos WILLBURYS que eles podiam se libertar de ranços estilísticos e principalmente trabalhar sem amarras e com muita diversão.
    Pouco mais de um ano do lançamento resolveram lançar outro álbum. Mas vieram dois baques seguidos.ROY ORBINSON que já gravara uma faixa sofreu um infarte fulminante e se foi com sua voz maravilhosa.Mas,até mesmo em sua homenagem resolveram manter o clima e chamar DEL SHANNON (outro ídolo da geração de Roy) para ocupar a cadeira vazia.Combinaram de visitá-lo à noite,de surpresa mas,ironia das ironias,DEL SHANNON,deprimido,sem perspectivas cometera suicídio no início daquela tarde.Foi-se sem saber que seria um WILBURY. É até surpreendente que a turma tenha completado o segundo disco e no mesmo clima e com a mesma qualidade e alegria do primeiro. O álbum é tão bom e tão prá cima quanto o primeiro.Além de ter obtido a mesma aceitação e elogios da crítica.E para manter o clima de “piada” chamou-se TRAVELLING WILBURYS 3. Isto porque entre o primeiro e este, a pirataria desovou um disco com músicas que ficaram de fora e remixes do primeiro disco.

    Antes de a brincadeira perder a graça, a banda terminou sem traumas,brigas nem ressentimentos.A carreira solo de cada um falou mais alto.George foi ao Japão com Clapton e banda e ao voltar Ringo,Paul e Yoko o aguardavam com o Projeto Anthology dos Beatles.Dylan veio ao Brasil,Jeff Lynne retomou a Eletric Light e seus trabalhos de produtor e Roy foi cantar com Hendrix,Lennon e Janis.
    Os TRAVELLING WILBURYS já está no hall das melhores bandas de rock.Seus discos são fundamentais no gênero.Recentemente foram relançados com livros de fotos em edições luxuosas.

    PS: Em um dos clips,observem que no trecho de Roy Orbinson aparece uma cadeira com sua guitarra.
     

    No final de 1988 George Harrison acabara de lançar seu album CLOUD NINE depois de seis anos jardinando em sua modesta moradia chamada Friars Park em Londres.A Warner sugeriu o lançamento de um single com a música THIS IS LOVE quando Harrison estava em Los Angeles em companhia de seu produtor JEFF LYNNE (cantor,compositor,produtor,líder da Eletric Light Orchestra) . George tinha uma canção inacabada chamada HANDLE WITH CARE e resolveu gravá-la por ali mesmo.Antes almoçaria com seu ídolo juvenil ROY ORBINSON (aquele de Pretty Woman) ,tema do filme Uma Linda Mulher).
    Durante o almoço Roy topou participar da gravação e foi então que junto com Jeff,todos tentaram conseguir um estúdio de última hora mas acontece que não havia nenhum disponível para aquela tarde.Se estivesse em Recife,teria a mesma dificuldade.Vocês não imaginam o que tem de grupos e cantores evangélicos por aqui.
    Tal qual George,Bob Dylan tinha (e tem) um moderníssimo estúdio em seu barraco (parece que em Malibu) e,assim contatado Dylan não só cedeu o estúdio como topou participar também.
    Quando se dirigiam à casa de Dylan, passaram na residência de TOM PETTY (outra lenda,do Tom Petty and The Heartbreakers) para apanhar uma guitarra que Harrison deixara lá.Claro que Tom se ofereceu para participar.
    Embora essas feras sejam multi-instrumentistas chamaram o onipresente e monstro das baquetas JIM KELTNER (George,Dylan,Ringo,Lennon,Tina Turner,Clapton…fiquemos por aqui).



É ISSO:MAIS UM ALVIRRUBRO NASCIDO EM TOCANTINS.

PERNAMBUCO FALANDO PARA O MUNDO !!!

VALEU OSVALDO !!! PARABÉNS A SUA ESPOSA E AOS SEUS FILHOS PELA CHEGADA DE MAIS UM IRMÃOZINHO.

Da família FUSCA.

Ritalina não mamãe !!!

Publicado: 12/11/2010 em Poesia

A DROGA DA OBEDIÊNCIA

Assisto estarrecido entrevista na globo news com a Dra. Maria Aparecida Moysés, do Depto de Pediatria da Unicamp – SP.

O Brasil já é o segundo país do mundo (só atrás do tio Sam) em prescrição da Ritalina.

A droga da obediência.

Nos ensina a referida Dra., que a Ritalina tem semelhanças em escalas diferentes, com as anfetaminas, a codeína e a cocaína.

E nos relata que a maioria dos jovens que foram medicados a vida inteira com essa droga , vão em seguida,  dar os seus saltos para o crack, a cocaína e outras drogas semelhantes. Porque tudo é uma questão de hábito e de dependência.

Estimulantes procuram seus iguais.

Em 2004, após ler o excelente livro Mentes Inquietas, me considerei um velho com TDAH – Transtorno do Déficit da Atenção e Hiperatividade.

Não conseguia me concentrar, estudar.

Meti Ritalina no quengo durante um mês. Se sofrimento tivesse medidas e pudesse ser pesado, eu diria que levei um tiro de doze na caixa do peito. Nem completei os 30 dias. Foda-se Ritalin.

Fui curtir a Rita Lee.

Os quatro Cavaleiros de Liverpool.

A MBB – Música Brasileira da BOA.

E quanto escuto qualquer pai falar que quer medicar seu filho porque ele não está se concentrando, está com notas baixas etc e tal eu às vezes pergunto, outras me calo, outras até choro, de dó daquele coitado.

Minha pergunta sempre é: tú tivestes infância?

Que infância teu filho tem ou teve?

Brincou bastante? Sujou os pés, as mãos, subiu em árvores, passou o dia fora na rua batendo bola num campinho? Não?

Então você pelo menos esteve ao lado dele o escutando? Afeto, respeito, carinho. Inclusive com a mãe deles. Fundamental !!!

Normalmente não  há prosseguimento neste tipo de conversa.

Ninguém quer escutar conselhos. Conselhos não servem prá nada.

Mas se alguém me escutar neste grito solitário, por favor:

RITALINA NÃO MAMÃE. RITA LEE E MUITO AMOR E UMA ESCUTA ATIVA. MUITO ROCK AND ROLL, MBB, PRAIA, TEATRO, PARQUES, CAMINHADAS, APERTO DE MÃO, ABRAÇOS, BEIJOS. SUFOQUE SEUS FILHOS COM BEIJOS E ABRAÇOS. TEM UM PODER DE CURA EXTRAORDINÁRIO.

Substituem qualquer droga, mas qualquer droga mesmo.

Mesmo nos casos de diagnóstico preciso, exato, de algum transtorno de hiperatividade, a médica em questão diz que nunca prescreveria Ritalina. Em nenhuma hipótese.

Fica aqui a minha prece.

E O ENRIQUECIMENTO POÉTICO COM AS SEMENTES DE AMOR DE MAGNA, A POETA:

“Domingos, muito bom trazer o assunto à pauta. Deixo indicação de um livro que reflete um pouco mais: “Somos todos desatentos? – O TDAH e a construção de bioidentidades” de Rossano Cabral Lima. Não assisti à matéria que você falou, mas há um ano vi uma no JN, a qual trouxe a informação de um aumento de 600% de prescrição da droga(pode?). Logo após, recebi por email uma manifestação da ABDA(Associação Brasileira de Deficit de Atenção) totalmente contra a matéria e “apedrejando” uma pediatra(veja, só foi uma) que falou contra a medicação. Disse o Dr. Marco A. Arruda sobre a médica: “Ignora ela o impacto que o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade causa aos portadores, seus familiares e a sociedade como um todo, ignora ela que menos de 1% dos portadores são diagnosticados e tratados em nosso país”. E aí eu fiquei me perguntando: se menos de 1% são diagnosticados e o aumento da prescrição foi de 600%, como seria se 100% fosse diagnosticado? O fato, meu amigo, é que fanatismo não existe apenas na religião.
Não é negar a existência do TDAH, mas enquadrá-lo realisticamente.
Enfim, como vê, acabo me envolvendo com o tema. Questão profissional. O livro, no entanto, traz mais e melhores considerações. Não é à toa que, atualmente, buscamos explicações no nosso corpo para o que antes entendíamos como subjetivo.
Vamos em frente cuidando de nossas crianças.
Abraços”.
Magna

PS – Magna depois nos avisa que, não foram 600% e sim de 1.000% o aumento na prescrição da droga.

Saudades do futuro…

Publicado: 11/11/2010 em Poesia

Janelas:
Eu pensei que tinha ido longeeee. Mas André Gustavo foi buscar o ouro enterrado nas Minas e outras Minas. Brasilis. E João Carlos fez mais um hai-kai e elevou a quinta potência a palavra sem tradução em nenhuma língua: Sodade. No toitiço.
A manga que Dom Mingão falou. Vou perguntar a Maruc. Sei não disse ele com um cachimbo na mão…

PS – Recuerdos de Suape 1979 – 1980 . Eita danou-se. As obras do Porto ainda eram no papel e na cabeça do Marco Zero Maciel. A praia, o cabo de santo Agostinho, a casa, o carnaval, a massa, a paulista, a turma que veio das Geraes, o engarrafamento de estrelas no céu daquela terra tão boa e tão generosa. Os pescadores, suas famílias… Coisa boa, tudo regado a muita manga(rosa e espada e da outra), peixe, cervejas e muita viola. Eita danou-se, marejei, vou ali e volto já.