Arquivo da categoria ‘Atualidades’

TULIPA RUIZ. ADMIRÁVEL !!!

Publicado: 12/02/2013 em Atualidades

Fui dormir com a notícia de que Sócrates havia melhorado mas o estado era grave. Lá no Blog do Juca. A notícia era de cautela.

Acordo agora, cinco horas depois e leio que às  04:30 desta madrugadomingosaudades o dr. Sócrates levitou.

E mais não digo. Talvez um poema da saudade. Não sei escrever epitáfios.

Melhor:

http://www.youtube.com/watch?v=Tpi-ocuEAnA

Caro Lula,

Há exatamente cinco anos soube que estava com câncer. Foi terrível. Não é fácil para ninguém constatar que é finito. É uma lapada sem pena nem dó na bunda limpa, como falava Preta, filha de Xangô, que rezava a mim e a meus irmãos com folha de pião roxo quando a doença encostava.
Fazer o caminho do consultório médico até em casa foi o calvário. Nesses cinco anos conviver lado a lado com o medo e não perder a esperança não tem sido fácil. A cicatriz do corpo está à mostra como prova de que sou uma mulher de sorte. Portanto, nada a reclamar.
O pior momento é o da anunciação, os outros, sem dúvida, são menos assustadores. Se bem que perder a mama e depois o cabelo é pau pra comer sabão e pau pra aprender que sabão não se come. Ser tratada por profissionais competentes, ter uma família que nunca se apiedou de mim e amigos
solidários é meio caminho andado nesta luta diária contra este mal. Nenhum demérito em poder pagar para tratar qualquer doença, principalmente quando esta se chama câncer.
Lembro que à época uma amiga teve o mesmo diagnóstico. Sabendo que eu já estava numa fase mais adiantada do tratamento me ligou pedindo informações sobre os profissionais com os quais ainda me trato.
Passei os telefones, dei todas as referências possíveis, irmanada na mesma luta.
O tempo passou e nunca mais a gente se encontrou. Fiquei feliz ao vê-la recuperada em um casual encontro na praia. Evidente que falamos sobre a doença. Surpresa quando me contou que tinha ido fazer o seu tratamento em um hospital público, em São Paulo, onde seu primo é médico e, por ser assim, não gastou nenhum centavo e ainda teve o “privilégio de não entrar na fila”, emudeci. A criatura é bem remunerada profissionalmente e, sem dúvida, deve ter um seguro saúde ou dinheiro suficiente para pagar um tratamento particular, ao invés de ocupar a vaga de quem só conta com a rede pública de saúde. Perplexa, encerrei ali a conversa para ficar com a minha indignação.
Quando soube que você estava com câncer não temi pela sua morte. Conheço cada palmo desse caminho e sei que gente passada na casca e na gorda, nunca joga a toalha. Sei também que já levou muita lapada na bunda limpa e engrossou o couro ao longo da vida, portanto, não vai ser o agouro
de dois ou três gatos pingados que irá derrubá-lo dessa vez. De luta, sobrevivência e esperança você entende como poucos. Aliás, é doutor com títulos
recebidos em consagradas universidades do mundo para o desgosto e inveja dos mesmos gatos pingados que lhes secam com o olho gordo da inveja, mais uma vez.
Desde domingo estou vigilante que nem um cão de guarda como sempre estive comigo mesma em semelhante desdita. Como poderia ficar ausente na sua hora de maior precisão? Não seria eu, por certo. Quem me conhece, quem é meu amigo ou até mesmo quem vem de vez quando passear neste Turbante sabe que tenho por você um apreço imenso, que sempre fui uma ardorosa defensora do seu ideário e dos seus bons propósitos.
Nem mesmo quando estava sob o impacto de haver extirpado a mama para me livrar do câncer, ainda fazendo os curativos, deixei de participar da sua luta. Era outubro de 2006. Escondida dos meus filhos, que também haviam ido à passeata e ao comício, tomei um táxi para vê-lo e ouvi-lo no Largo do Carmo, em Recife (campanha de 2006 para renovação do mandato de presidente). Para mim, esta foi a primeira das oito quimioterapias que fiz, as
quais estavam programadas para começar no mês seguinte. Tanto que quando me perguntam quantas sessões fiz, digo nove.
Diversas vezes o vi na TV sob os olhares de admiração de reis, dirigentes e poderosos do mundo inteiro. Sem falar inglês nem francês ou ter anel de doutor, com altivez, provou em todas a que veio. Já o vi também contar muita história de vida simples e chorar de alegria e tristeza. Na certa, domingo não foi diferente. Deve ter puxado do bolso o mesmo lenço de pano branco que abriu ante a emoção de ser presidente de um país onde, até então, a
miséria era tão calamitosa quanto o câncer.
Por certo, com a mesma simplicidade deve ter enxugado os olhos, a cabeça, as orelhas e o nariz encharcados de lágrimas e suor sob o impacto do diagnóstico. Depois, mais uma vez, se esperançou e seguiu em frente. Assim, não vamos perder tempo com discussões rasas sobre se o tratamento
vai ser no SUS, no Texas ou em Caetés. Mais uma vez estamos juntos e dessa vez, mais do que nunca, pela mesma causa meu caro Presidente.
Naire Valadares

Nina Crintzs: Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto

por Nina Crintzs, no blog do Luis Nassif, por sugestão de Lu Witovisk

Há seis anos atrás eu tive uma dor no olho. Só que a dor no olho era, na verdade, no nervo ótico, que faz parte do sistema nervoso. O meu nervo ótico estava inflamado, e era uma inflamação característica de um processo desmielinizante. Mais tarde eu descobri que a mielina é uma camada de gordura que envolve as células nervosas e que é responsável por passar os estímulos elétricos de uma célula para a outra. Eu descobri também que esta inflamação era causada pelo meu próprio sistema imunológico que, inexplicavelmente, passou a identificar a mielina como um corpo estranho e começou a atacá-la. Em poucas palavras: eu descobri, em detalhes, como se dá uma doença-auto imune no sistema nervoso central. Esta, específica, chama-se Esclerose Múltipla. É o que eu tenho. Há seis anos.

Os médicos sabem tudo sobre o coração e quase nada sobre o cérebro – na minha humilde opinião. Ninguém sabe dizer porque a Esclerose Múltipla se manifesta. Não é uma doença genética. Não tem a ver com estilo de vida, hábitos, vícios. Sabe-se, por mera observação estatística, que mulheres jovens e caucasianas estão mais propensas a desenvolver a doença. Eu tinha 26 anos. Right on target.

Mil médicos diferentes passaram pela minha vida desde então. Uma via crucis de perguntas sem respostas. O plano de saúde, caro, pago religiosamente desde sempre, não cobria os especialistas mais especialistas que os outros. Fui em todos – TODOS – os neurologistas famosos – sim, porque tem disso, médico famoso – e, um por um, eles viam meus exames, confirmavam o diagnóstico, discutiam os mesmos tratamentos e confirmavam que cura, não tem.

Minha mãe é uma heroína – mãos dadas comigo o tempo todo, segurando para não chorar. Ela mesma mais destruída do que eu. E os médicos famosos viam os resultados das ressonâncias magnéticas feitas com prata contra seus quadros de luz – mas não olhavam para mim. Alguns dos exames são medievais: agulhas espetadas pelo corpo, eletrodos no córtex cerebral, “estímulos” elétricos para ver se a partes do corpo respondem. Partes do corpo. Pastas e mais pastas sobre mesas com tampos de vidro. Colunas, crânio, córneas. Nos meus olhos, mesmo, ninguém olhava.

O diagnóstico de uma doença grave e incurável é um abismo no qual você é empurrado sem aviso. E sem pára-quedas. E se você tá esperando um “mas” aqui, sinto lhe informar, não tem. Não no meu caso. Não teve revelação divina. Não teve fé súbita em alguma coisa maior. Não teve uma compreensão mais apurada das dores do mundo. O que dá, assim, de cara, é raiva. Porque a vida já caminha na beirada do insuportável sem essa foice tão perto do pescoço. Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença de morte lenta e degradante. Dá vontade de acreditar em Deus, sim, mas só se for para encher Ele de porrada.

O problema é que uma raiva desse tamanho cansa, e o tempo passa. A minha doença não me define, porque eu não deixo. Ela gostaria muitíssimo de fazê-lo, mas eu não deixo. Fiz um combinado comigo mesma: essa merda vai ter 30% da atenção que ela demanda. Não mais do que isso. E segue o baile. Mas segue diferente, confesso. Segue com menos energia e mais remédios. Segue com dias bons e dias ruins – e inescapáveis internações hospitalares.

A neurologista que me acompanha foi escolhida a dedo: ela tem exatamente a minha idade, olha nos meus olhos durante as minhas consultas, só ri das minhas piadas boas e já me respondeu “eu não sei” mais de uma vez. Eu acho genial um médico que diz “eu não sei, vou pesquisar”. Eu não troco a minha neurologista por figurão nenhum.

O meu tratamento custaria algo em torno de R$12.000,00 por mês. Isso mesmo: 12 mil reais. “Custaria” porque eu recebo os remédios pelo SUS. Sabe o SUS?! O Sistema Único de Saúde? Aquele lugar nefasto para onde as pessoas econômica e socialmente privilegiadas estão fazendo piada e mandando o ex-presidente Lula ir se tratar do recém descoberto câncer?

Pois é, o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente o tratamento que eu faço para Esclerose Múltipla. Atenção: o ÚNICO. Se isso implica em uma carga tributária pesada, eu pago o imposto. Eu e as outras 30.000 pessoas que têm o mesmo problema que eu. É pouca gente? Não vale a pena? Todos os remédios para doenças incuráveis no Brasil são distribuídos pelo SUS. E não, corrupção não é exclusividade do Brasil.

O maior especialista em Esclerose Múltipla do Brasil atende no HC, que é do SUS, num ambulatório especial para a doença. De graça, ou melhor, pago pelos impostos que a gente reclama em pagar. Uma vez a cada seis meses, eu me consulto com ele. É no HC que eu pego minhas receitas – para o tratamento propriamente dito e para os remédios que uso para lidar com os efeitos colaterais desse tratamento, que também me são entregues pelo SUS. O que me custaria fácil uns outros R$2.000,00.

Eu acredito em poucas coisas nessa vida. Tenho certeza de que o mundo não é justo, mas é irônico. E também sei que só o humor salva. Mas a única pessoa que pode fazer piada com a minha desgraça sou eu – e faço com regularidade. Afinal, uma doença auto-imune é o cúmulo da auto-sabotagem.

Mas attention shoppers: fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto. É, talvez, falha de caráter. E falar do que não se conhece é coisa de gente burra. Se você nunca pisou no SUS – se a TV Globo é a referência mais próxima que você tem da saúde pública nacional, talvez esse não seja exatamente o melhor assunto para o seu, digamos, “humor”.

Quem me conhece sabe que eu não voto – não voto nem justifico. Pago lá minha multa de três reais e tals depois de cada eleição porque me nego a ser obrigada a votar. O sistema público de saúde está longe de ser o ideal. E eu adoraria não saber tanto dele quanto sei. O mundo, meus amigos, é mesmo uma merda. Mas nós estamos todos juntos nele, não tem jeito. E é bom lembrar: a ironia é uma certeza. Não comemora a desgraça do amiguinho, não.

Na luta do bem contra o mal, é sempre o povo que morre

Na parede de um botequim de Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: Ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca.
 
Há aqueles que crêem que o destino descansa nos joelhos dos deuses, mas a verdade é que trabalha, como um desafio candente, sobre as consciências dos homens.

Quando as palvras não são tão dignas quanto o silêncio, é melhor calar e esperar.

“Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara.”

“A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu; e ela não perde o que merece ser salvo.”

 

De nuestros miedos
nacen nuestros corajes
y en nuestras dudas
viven nuestras certezas.
Los sueños anuncian
otra realidad posible
y los delirios otra razón.
En los extravios
nos esperan hallazgos,
porque es preciso perderse
para volver a encontrarse.

“As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chova ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.”

O mundo
Um homem da aldeia de Negu・ no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida
humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
— O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de
fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras
de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem
queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.

Eduardo Galeano

Do Blog Vi o Mundo de Luiz Carlos Azenha:

Anonymous desmascara a Veja: Um show de manipulação

A Veja desta semana tenta linkar o movimento Anonymous com os protestos anti-corrupção no Brasil, utilizando a máscara de Guy Fawkes, símbolo do movimento, em sua capa. Um show de manipulação, já que uma coisa não tem nada a ver com outra.

Em resposta à Veja, o Anonymous postou este vídeo no Youtube

 

Sensacional. Lindo de se ver. O mundo não é uma Arena. O mundo vale a pena.

E essa . A garotinha pensa que a revista é um Ipad:

A campeã de audiência:

O Opera Mundi alerta.

Publicado: 17/10/2011 em Atualidades

Movimento de “indignados” consegue respaldo mundial

do Opera Mundi

O movimento dos “indignados”, que defendem a democracia e protestam contra a crise financeira, adquiriu neste fim de semana dimensão planetária, levando às ruas dezenas de milhares de pessoas em mais de 80 países. Inspirados pelos espanhóis, que desde maio desse ano realizam protestos em cidades como Madri e Barcelona e o “Occupy Wall Street”, cujo quartel-central é a Liberty Plaza, em Nova York, os manifestantes chamaram a atenção mundial e ganharam seguidores e admiradores.

É a primeira vez que uma “iniciativa cidadã” consegue organizar “de forma coordenada tantas manifestações em lugares diferentes e afastados”, disse o jornal El Pais, da Espanha. Sob slogans como “povos do mundo, levantem-se”, ou “sair à rua cria um novo mundo”, os “indignados” convocaram no sábado manifestações em 951 cidades. “Evidentemente, existe agora um movimento internacional”, confirmou o editorialista do Repubblica, Eugenio Scalfari.

Marcha de “indignados” na Espanha

Para Jon Aguirre Such, um dos integrantes do grupo Democracia Já, da Espanha, o alcance e a extensão dos protestos “demonstra que não se trata de um tema que diz respeito unicamente aos espanhóis, mas sim ao mundo inteiro. “A crise é mundial, os mercados atuam em escala global, a resposta, então, é mundial”, disse.

Na Itália, houve forte repressão policial

Além de Roma, onde dezenas de milhares de pessoas protestaram pacificamente, Madri e Lisboa foram cenário das maiores marchas. Milhares protestaram também em Washington e Nova York, onde 88 pessoas foram detidas. “Somos o povo, e eles nos venderam”, “a cada dia, a cada semanas, ocupemos Wall Street”, foram suas principais mensagens.

Em Londres, várias centenas de “indignados” passaram a noite de sábado para domingo em barracas na praça na frente da catedral de St. Paul, no coração da City, após a manifestação do dia anterior, marcada também por alguns confrontos e prisões. No sábado, de 2.000 a 3.000 “indignados”, segundo estimativas da BBC, protestaram ao redor da St. Paul, entre cartazes contra a política de austeridade do governo britânico e os cortes orçamentários, assim como contra o sistema financeiro.

Em Portugal, as manifestações também tiveram sucesso

Genebra, Miami, Paris, Saraievo, Zurique, Cidade do México, Lima, Santiago, Hong Kong, Tóquio, Sidney… a “indignação” contra o capitalismo foi expressada no sábado praticamente em todos os continentes.

Curiosamente, na França, o país de Stéphane Hessel, autor do livro Indigne-se, que deu nome ao movimento através do mundo, as marchas tiveram um impacto limitado. Em Paris, houve vários grupos de manifestantes que convergiram para a sede da Prefeitura, onde realizaram uma Assembleia Popular, mas sem o impacto visto nas outras cidades europeias.

Na América do Sul, o Chile foi palco de um dos maiores protestos

Popularidade

Para Todd Gitlin, pesquisador da Universidades de Columbia, o respaldo popular aos indignados vem acontecendo de forma mais rápida do que o conquistado pelo movimento antibélico, ou o movimento dos direitos civis. “Uma das principais demandas dos manifestantes é a crescente desigualdade e a falta de emprego”, afirmou o acadêmico ao Prensa Latina.

A Argentina também contribuiu para a revolta global

Em Washington, onde protetos também aconteceram, os manifestantes coincidiram com a Casa Branca ao expressar seu mal-estar contra o Congresso por não ter aprovado uma iniciativa do presidente Barack Obama para criar mais empregos.

Apesar de que alguns setores discutam a falta de liderança visível deste movimento, analistas dizem que outros protestos, como a dos direitos civis do século anterior, tiveram começo similar. “É hora que ocupemos Wall Street, ocupemos Washington, ocupemos o Alabama”, exclamou o reverendo Al Sharpton, dirigente dos direitos civis nos Estados Unidos e um dos organizadores da marcha.

Óia.

Publicado: 14/10/2011 em Atualidades

Do Blog  Vi O Mundo de Luiz Carlos Azenha:

Breve comentário sobre a cobertura da greve dos bancários

por Igor Felippe

As matérias da imprensa conseguiram me esclarecer que grandes problemas do nosso país são causados pela greve dos bancários.

Idosos que não recebem o INSS, homens que não pagam a pensão e podem ser presos, lojas cheias de dinheiro a mercê da criminalidade, famílias que não conseguem pagar suas contas…

Interessante que, pela cobertura, o lucro dos seis maiores bancos do Brasil, em torno de 46 bilhões de reais em 2010, não causa problema nenhum.

Será que a intransigência em aceitar as reivindicações dos trabalhadores bancários não coloca nos bancos (que coincidentemente formam o setor econômico que mais lucrou e lucra com o atual modelo econômico por mais de 15 anos) alguma responsabilidade pela situação?

Abaixo, mais uma dessas matérias que esclarecem para toda a sociedade o “mal” que faz a greve.

Igor Felippe

12/10/2011 – 06h00

Greve dos bancos acumula dinheiro em lojas e gera risco de segurança

Aiana Freitas, Especial para o UOL Economia, em São Paulo

A greve dos bancários, que já passou de duas semanas, já começa a prejudicar o comércio, segundo o assessor econômico da Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), Fábio Pina.

“Os efeitos da greve não dependem apenas de os bancos oferecem alternativas ou não, mas do tempo da paralisação”, diz Pina. “Se tivesse durado um ou dois dias, não haveria tantos problemas.”

Um dos pontos é o acúmulo de dinheiro em caixa. “Essa é uma questão, principalmente, de segurança. O ideal é o comerciante ir fazendo depósitos aos poucos no caixa eletrônico, para deixar o mínimo possível de dinheiro em caixa”, sugere.

O assessor econômico da Fecomercio aconselha o comerciante, ainda, a tentar pagar os fornecedores em dinheiro. E nunca levar o dinheiro para casa. “Isso apenas transferiria o risco de um lugar para o outro.”

Fábio Pina diz que a greve dos Correios, que durou quase um mês, também causou transtornos aos comerciantes. O Tribunal Superior do Trabalho determinou que os funcionários dos Correios devem retornar ao trabalho nesta quinta-feira (13).

Além de terem dificuldade para pagar contas –inclusive de serviços que podem ser suspensos por falta de pagamento-,  os lojistas viram também seus custos aumentarem, uma vez que tiveram de optar por outras formas de envio de produtos e documentos, contratando empresas de entrega ou motoboys.

… Iphone, Ipad, Ipod, sei lá, o cara criou uma legião de novos equipamentos que mudaram a história da humanidade. Um gênio com certeza. De T.I e das Finanças. Eu nunca fui maníaco pelos Mcintosh da vida, nunca tive um (são muito caros) muito menos o tablet que já vai no 2 daqui a pouco chega ao 3. Nunca dormi na frente de nenhuma loja para adquirir nenhum dos seus produtos. Até porque se pudesse ou não pudesse (como de fato não posso), não concordo com esse estímulo ao consumo enlouquecido, onde não se aproveita o produto que se tem em mãos. Essa ansiedade quase cocainômana de se esperar o próximo lançamento.

Mas… essa frase de Steve Jobs é muito sábia na minha humilde opínião. Vale o escrito já dizia Carlito Maia:

Não se esquecer da morte é a melhor maneira de evitar a armadilha de achar que você tem algo a perder.
— Steve Jobs .

DESABAFO


“Na fila do supermercado o caixa diz a uma senhora idosa que deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não eram amigáveis ao meio ambiente. A senhora pediu desculpas e disse: “Não havia essa onda verde no meu tempo.”

O empregado respondeu: “Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente. “
“Você está certo”, responde a velha senhora, nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente.
Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.


Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

 
Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.


Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos ‘descartáveis’ e poluentes só porque a lámina ficou sem corte.

 
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou de ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

 
Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?
(Agora que voce já leu o desabafo, envie para os seus amigos, e especial para os que têm mais de 50 anos de idade.)

Crianças e mulheres primeiro…

 

 

“É a Goldman Sachs que manda no mundo”

Do Blog Viomundo de Luiz Carlos Azenha:

Islândia: O país que disse não aos banqueiros

Não pode pagar, não vai pagar

O ‘não’ em alto e bom som da Islândia

Pela segunda vez, o povo da Islândia votou por não pagar as dívidas internacionais causadas pelos bancos, e banqueiros, pelas quais toda a ilha está sendo responsabilizada. Com a presente turbulência nas capitais europeias, poderia ser este o caminho a seguir pelas outras economias?

por Silla Sigurgeirsdóttir e Robert H Wade, na versão em inglês do Le Monde Diplomatique*

Tradução: Pedro Germano Leal**

A pequena ilha da Islândia tem lições para dar ao mundo. Ela realizou um referendo em abril para decidir, mais ou menos, se as pessoas comuns deveriam pagar pela folia dos banqueiros (e por extensão, se os governos podem controlar o setor corporativo, já que suas finanças dependem dele). Sessenta por cento da população rejeitaram um acordo negociado entre a Islândia, a Holanda e o Reino Unido para pagar de volta os governos britânico e holandês o dinheiro que gastaram para compensar correntistas do banco Icesave, que faliu. Houve menos resistência do que no primeiro referendo, na primavera passada [N.T. no Brasil, outono], quando 93% votaram não.

O referendo foi significativo, uma vez que os governos europeus, pressionados por especuladores, o FMI e a Comissão Europeia, estão impondo políticas de austeridade, as quais não foram votadas por seus cidadãos. Mesmo os devotos da desregulamentação estão preocupados com o grau de servidão que o mundo ocidental tem para com instituições financeiras que não sofrem qualquer constrangimento. Após o referendo islandês, mesmo o Financial Times, que é liberal, noticiou com ares de aprovação, em 13 de abril, ter sido possível “colocar os cidadãos em primeiro lugar, ao invés dos bancos”, uma idéia que não encontra ressonância entre os líderes políticos europeus.

A Islândia é  um exemplo excepcionalmente puro da dinâmica que bloqueou a regulamentação e causou a fragilidade financeira no mundo desenvolvido por 20 anos. Em 2007, pouco antes da crise financeira, a renda média da Islândia foi a quinta mais alta do mundo, 60% acima dos níveis dos EUA; lojas de Reykjavik foram recheadas com produtos de luxo, seus restaurantes fizeram Londres parecer barata, e SUVs sufocaram suas ruas estreitas. Os islandeses foram as pessoas mais felizes do mundo de acordo com um estudo internacional realizado em 2006 (1). Grande parte deste fenômeno residiu no crescimento super-rápido de três bancos islandeses que saltaram de instituições de pequeno porte em 1998, para estar entre 300 maiores bancos do mundo, oito anos depois, aumentando os seus ativos de 100% do PIB em 2000 para quase 800% em 2007 – uma proporção superada apenas pela Suíça.

A crise chegou em setembro de 2008 quando os mercados monetários foram tomados após o colapso do Lehman. Em uma semana, três grandes bancos da Islândia entraram em colapso e se tornaram propriedade pública. A agência de classificação Moody’s agora lista-os entre os 11 maiores colapsos financeiros da história.

A caminho da modernização

Depois de mais de 600 anos de dominação estrangeira, a estrutura social da Islândia era a mais feudal de todos os países nórdicos no início do século 20. A pesca dominava a economia, gerando a maior parte dos ganhos em moeda estrangeira e permitindo o desenvolvimento de um setor comercial baseado em importação. Isso viabilizou atividades econômicas urbanas: construção, serviços, indústria leve. Após a segunda guerra mundial, a economia cresceu fortemente, por causa da ajuda do Plano Marshall (havia na Islândia uma grande base militar dos EUA-OTAN); de um produto de exportação abundante, peixes de água fria, raramente abençoado com alta elasticidade-renda da demanda; e de uma pequena população alfabetizada com um forte senso de identidade nacional.

Conforme a Islândia tornou-se mais próspera, ela estabeleceu um estado de bem-estar social, de acordo com o modelo escandinavo, financiado por impostos, e pela década de 1980 havia atingido um nível e uma distribuição de renda igual à média nórdica. No entanto, manteve-se tanto mais regulada quanto mais dominada por clientelismo do que seus vizinhos europeus; um oligopólio local restringiu o panorama político e econômico.

Há uma linha de descendência direta entre as estruturas de poder quase-feudais do século XIX e o capitalismo islandês modernizado do final do século XX, quando um bloco de 14 famílias, popularmente conhecido como “O Polvo”, constituía a elite econômica e política dominante. “O Polvo”  controlava as importações, transportes, bancos, seguros, pesca e suprimentos para a base da OTAN, e fornecia a maioria dos políticos de primeiro escalão. As famílias viviam como chefes de clãs.

“O Polvo” controlava o Partido da Independência (IP), de direita, que dominou a mídia e decidiu sobre nomeações de altos funcionários no serviço civil, policial e judicial. Os bancos estatais locais foram efetivamente comandados pelos partidos dominantes, o IP e o Partido do Centro ou CP (2). Pessoas comuns tinham que passar por funcionários do partido para obter empréstimos para comprar um carro, ou para comprar moeda estrangeira para viajar para o exterior. As redes de poder operavam como teias de bullying, servilismo e desconfiança, impregnadas de uma cultura machista, algo como a antiga União Soviética.

Esta ordem tradicional foi desafiada a partir de dentro por uma facção neoliberal, o grupo “Locomotiva”, que se uniu no início da década de 1970 após estudantes de administração e direito da Universidade da Islândia tomarem um jornal, A Locomotiva, e promoverem idéias de livre mercado. O objetivo deles não era apenas transformar a sociedade, mas também para abrir oportunidades de carreira para si mesmos, ao invés de esperar pelo patrocínio do “Polvo”. No final da guerra fria, a posição do “Locomotiva” foi reforçada material e ideologicamente, conforme os comunistas e os social-democratas perdiam o apoio popular. O futuro primeiro-ministro do IP, David Oddsson, era um membro proeminente.

Oddsson, nascido em 1948 em uma família de classe média, foi eleito vereador pelo IP para conselho municipal de Reykjavik em 1974; por volta de 1982, ele foi prefeito de Reykjavik, conduzindo campanhas de privatização, incluindo a venda de indústria municipal de pesca, para o benefício de membros do grupo “Locomotiva”. Em 1991, ele liderou o IP para a vitória na eleição geral, e reinou (não, não é uma palavra muito forte) como primeiro-ministro por 14 anos, supervisionando o crescimento do setor financeiro, antes de instalar-se como diretor do Banco Central, em 2004.

Ele tinha pouca experiência ou interesse no mundo além da Islândia. Seu protégé no grupo “Locomotiva”, Geir Haarde, ministro da Fazenda de 1998 a 2005, assumiu como primeiro-ministro pouco depois. Estes dois homens foram diretamente responsáveis por realizar o grande experimento da Islândia para criar um centro financeiro internacional no Atlântico Norte, no meio do caminho entre a Europa e os Estados Unidos.

A Islândia liberaliza

A liberalização da economia começou em 1994 quando, aderindo ao Espaço Econômico Europeu, o bloco de livre comércio dos países da UE, mais a Islândia, Lichtenstein e Noruega, suspenderam as restrições sobre os fluxos transfronteiriços de capitais, mercadorias, serviços e pessoas. O governo Oddsson, em seguida, vendeu ativos estatais e desregulamentou as leis trabalhistas. A privatização começou em 1998, implementada por Oddsson e Halldór Ásgrímsson, o líder do CP. Quanto aos bancos, o Landsbanki foi entregue a grandes nomes do IP; o Kaupthing, a seus equivalentes no CP, seu parceiro de coligação; licitantes estrangeiros foram excluídos. Mais tarde, o Glitnir, um banco privado formado a partir da fusão de vários outros menores, juntou-se à liga.

Assim, a Islândia rugiu nas finanças internacionais ajudada, globalmente, pelo crédito barato e abundante, e a livre mobilidade do capital; e, internamente, por um forte apoio político aos bancos. Os novos bancos fundiram banco de investimento com banco comercial, de modo que ambos compartilhavam garantias do governo. E o país tinha uma dívida soberana baixa, o que garantiu aos bancos notas altas das agências internacionais de classificação de risco. Os principais acionistas do Landsbanki, do Kaupthing, do Glitnir e seus spin-offs inverteram a dominação da política sobre as finanças, antes vigente: as políticas do governo eram agora subordinadas aos interesses das finanças.

Oddsson e seus amigos relaxaram as regras estatais de hipoteca, permitindo empréstimos de 90%. Os bancos recentemente privatizados correram para oferecer condições ainda mais generosas. O imposto de renda e as taxas de VAT [‘imposto sobre valor acrescentado’, IVA] foram reduzidos para transformar a Islândia em um centro financeiro internacional com baixos impostos. A dinâmica da bolha tomou seu lugar. Gestores urbanos buscaram mudar a trajetória de Reykjavík, de uma cidade comum, para uma cidade do mundo (apesar de sua pequena população de 110 mil habitantes) e aprovaram vários novos e grandiosos edifícios públicos e privados, dizendo: “Se Dubai pode, por que não Reykjavik?”

A nova elite bancária da Islândia tinha a intenção de expandir sua propriedade sobre a economia, competindo e cooperando uns com os outros. Usando suas ações como garantia, alguns assumiram grandes empréstimos de seus próprios bancos, e compraram mais ações dos mesmos bancos, inflando os preços das ações. Funcionava assim: o Banco A emprestava aos acionistas do Banco B, que compravam mais ações do B usando ações como garantia, elevando o valor das ações de B. O Banco B retornava o favor. Os preços das ações dos dois bancos subiam, sem que qualquer dinheiro novo entrasse no esquema. Os bancos não tornaram-se apenas maiores: eles cresceram mais e mais interligados. Vários negócios deste tipo estão agora sob investigação criminal por um promotor especial, como casos de manipulação do mercado.

A pequena Islândia logo conseguiu entrar na liga dos grandes bancos, com três bancos entre os 300 maiores do mundo até 2006. A superabundância de crédito permitiu que as pessoas consumissem, em uma celebração extravagante de sua fuga das décadas anteriores, de racionamento de crédito (que por sua vez repousava em outra fuga, a da dominação estrangeira, tão recentemente quanto 1944). No fim das contas, eles se viam como totalmente independentes, o que pode explicar sua classificação no ranking da felicidade. Os proprietários e gerentes remuneravam-se em uma escala cada vez maior. Quanto mais ricos se tornassem, mais atraíram o apoio político.

Seus jatos particulares, rugindo para dentro e fora do aeroporto de Reykjavík, pareciam ser uma prova visual e auditiva para a população que os via de baixo, parte admirando-os, parte invejando-os. A desigualdade de renda e riqueza cresceu, ajudada por políticas governamentais que aumentaram a carga tributária da população mais pobre (3). Os banqueiros fizeram grandes contribuições financeiras para os partidos do governo e empréstimos gigantescos para políticos-chave. O principal porta-voz islandês da economia de livre mercado declarou ao The Wall Street Journal: “o experimento Oddsson com as políticas liberais é a maior história de sucesso no mundo” (4).

Na euforia, os perigos de uma estratégia de “crescimento econômico baseado em vasto endividamento externo” foram ignorados. Os islandeses viveram o ditado de Plauto, dramaturgo romano do terceiro século a.C., que fez um de seus personagens declarar: “eu sou um homem rico, enquanto eu não pagar meus credores.”

A mini-crise de 2006

Em 2006, havia preocupações na imprensa financeira sobre a estabilidade dos grandes bancos, que estavam começando a ter problemas em captar recursos nos mercados monetários (nos quais seu modelo de negócio dependia). O déficit em conta corrente da Islândia havia disparado de 5% do PIB em 2003 para 20% em 2006, um dos mais altos do mundo. O mercado de ações multiplicou-se nove vezes entre 2001 e 2007.

O Landsbanki, o Glitnir e o Kaupthing estavam operando muito além da capacidade do Banco Central da Islândia de apoiá-los como mutuante de último recurso; suas responsabilidades eram reais, mas muitos de seus ativos foram duvidosos. Em fevereiro de 2006, a agência de classificação Fitch rebaixou as perspectivas da Islândia de estável para negativa e desencadeou a “mini-crise” de 2006: a krona [N.T. ‘coroa islandesa’, moeda corrente da Islândia] caiu drasticamente, o valor dos passivos dos bancos em moeda estrangeira subiu, o mercado de ações caiu, a insolvência aumentou, e a sustentabilidade de dívidas em moeda estrangeira tornou-se um problema público. O banco Danske de Copenhagen descreveu a Islândia como uma “economia geyser”, a ponto de explodir (5).

Os banqueiros e os políticos islandeses desprezaram a crise. O Banco Central da Islândia pegou um empréstimo para dobrar as reservas cambiais, enquanto a Câmara de Comércio, administrada por representantes do Landsbanki, do Kaupthing, do Glitnir e seus spin-offs, respondeu com uma campanha de relações públicas. Ela pagou ao economista monetário americano Frederic Mishkin $135.000 para emprestar seu nome a um relatório atestando a estabilidade dos bancos da Islândia.

Supostamente pagou ao economista Richard Portes £58.000 ($95.000), da London Business School, para fazer o mesmo por um relatório mais tarde. Em 2007, o economista pelo lado da oferta, Arthur Laffer, assegurou a comunidade empresarial islandesa que o crescimento econômico rápido, com um grande déficit comercial e a e o crescimento da dívida externa eram sinais de sucesso: “a Islândia deve ser um modelo para o mundo” (6). O valor dos “ativos” dos bancos era, então, cerca de oito vezes maior do que o PIB da Islândia.

Nas eleições de maio de 2007, a Aliança Social Democrática (SDA) entrou em um governo de coalizão com o IP, ainda dominante. Para o constrangimento de muitos dos apoiadores do SDA, líderes do partido abandonaram suas promessas pré-eleitorais e endossaram a contínua expansão do setor financeiro.

Apesar de terem sobrevivido a 2006, o Landsbanki, o Glitnir e o Kaupthing tinham dificuldades em levantar dinheiro para financiar suas compras de ativos e pagar as dívidas existentes, em grande parte denominadas em moedas estrangeiras. Então, o Landsbanki criou algo novo com o Icesave, um serviço online que visava ganhar depósitos de poupança em varejo, oferecendo taxas de juros mais atraentes do que os bancos tradicionais.

Fundado na Inglaterra em outubro de 2006, e na Holanda 18 meses depois, o Icesave chamou a atenção de sites de finanças, especializados em ofertas pela internet, e logo foi inundado com depósitos. Milhões de libras vieram da Universidade de Cambridge, da Autoridade Geral da Polícia Metropolitana de Londres, e mesmo da Comissão de Auditoria do Reino Unido, responsável pela supervisão de fundos do governo local, bem como dos 300 mil depositantes do Icesave só no Reino Unido.

As entidades do Icesave foram legalmente estabelecidas como filiais, ao invés de subsidiárias, então elas estavam sob a supervisão de autoridades islandesas, ao invés daquelas dos países onde se instalavam. Ninguém percebeu que a agência reguladora islandesa tinha uma equipe total, incluindo recepcionista, de apenas 45 pessoas, e que sofreu uma alta rotatividade já que muitos passaram a trabalhar para os bancos, que ofereciam melhor remuneração.

Ninguém se importava com isso, já que de acordo com as obrigações da Islândia como membro do Fundo de Garantia de Depósito do Espaço Econômico Europeu, a sua população de 320.000 seria responsável pela indenização dos depositantes no exterior em caso de falha. Acionistas do Landsbanki colheram os lucros de curto prazo enquanto a maioria dos islandeses não sabia absolutamente nada sobre Icesave.

Cartas de amor

A segunda “solução” para as dificuldades em levantar novos fundos foi uma maneira de obter mais acesso à liquidez sem oferecer ativos reais como garantia. Os Três Grandes venderam títulos da dívida a um banco regional menor, o que levou estes títulos ao Banco Central, e tomavam empréstimos contra eles, sem ter que fornecer garantias adicionais; eles então emprestavam de volta para o banco em questão. Os títulos foram chamados de “cartas de amor” — meras promessas. Ao participar deste jogo e aceitando como garantia reclamações sobre outros bancos islandeses, o Banco Central foi conivente na estratégia dos bancos de jogar para conseguir a ressurreição.

Então os bancos internacionalizaram o processo: os Três Grandes abriram subsidiárias com sede em Luxemburgo e venderam cartas de amor para elas [as subsidiárias]. As subsidiárias vendiam por sua vez ao Banco Central do Luxemburgo ou ao Banco Central Europeu e recebiam dinheiro vivo em troca, que poderiam passar de volta para o banco-sede na Islândia ou usar elas mesmas. A Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) calcula que apenas as cartas de amor domésticas, entre o Banco Central da Islândia e os bancos islandeses, causou prejuízos ao CBI e ao Tesouro de 13% do PIB (OECD Economic Surveys: Islândia, junho de 2011).

Colapso financeiro

Os bancos islandeses caíram duas semanas depois do Lehman Brothers. Em 29 de setembro de 2008, o Glitnir aproximou-se de Oddsson no Banco Central para ajudar no combate ao problema de liquidez que estava a caminho. Para restaurar a confiança, Oddsson instruiu o Banco Central a comprar 75% das ações do Glitnir. O resultado disso não impulsionou o Glitnir, mas, ao contrário, minou a confiança na Islândia.

A classificação de risco do país afundou, e linhas de crédito foram retiradas do Landsbanki e do Kaupthing. Deu-se início a uma corrida às agências do Icesave no exterior. Oddsson adiantou-se, em 7 de outubro de 2008, e buscou indexar a krona [coroa islandesa] a uma cesta de moedas com um valor próximo ao período pré-crise. Com a moeda caindo e na ausência de controles de capital, as reservas cambiais foram exauridas: a indexação durou só algumas horas, tempo suficiente apenas para que aqueles a par da situação trocassem suas kronas por outras moedas com uma taxa muito mais favorável.

Fontes internas indicam que bilhões deixaram a moeda nessas horas. Em seguida, a krona flutuou, e afundou. Em 8 de outubro, o então primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, congelou os ativos do Landsbanki no Reino Unido com o apoio legal das leis anti-terrorismo. O mercado de ações, títulos bancários, valores imobiliários e o rendimento médio entraram em queda-livre.

O FMI chegou em Reykjavik em outubro de 2008 para preparar um programa de gestão de crise. Esta foi a primeira vez que o FMI havia sido chamado para resgatar uma economia desenvolvida desde a Grã-Bretanha em 1976. Ele ofereceu um empréstimo condicional de 2,1 bilhões de dólares para estabilizar a krona e apoiou as demandas dos governos britânico e holandês de que a Islândia deveria honrar duas obrigações junto ao Fundo de Garantia de Depósito Europeu e recompensá-los por suas operações de resgate aos depositantes do Icesave.

A população normalmente calma da Islândia entrou em erupção em um irado movimento de protesto, dirigido principalmente a Haarde, Oddsson e ao IP, embora ministra das relações exteriores Ingibjörg Gísladóttir, do SDA, também tenha sido foi considerada culpada. Milhares de pessoas reunidas na principal praça de Reykjavík – nas tardes congelantes de sábado entre outubro de 2008 e janeiro de 2009 – bateram panelas e abraçaram o edifício do parlamento para exigir a renúncia do governo, e alvejaram o prédio com comida.

Em janeiro de 2009, a coalizão IP-SDA se rompeu. Até agora, a Islândia é o único país a ter mudado claramente para a esquerda após a crise financeira. Um governo interino SDA-LGM (Social Democratas-Movimento Verde de Esquerda) foi formado em janeiro de 2009 para conduzir o país até as eleições em abril. Nas eleições, as cadeiras do IP foram reduzidas a 16. Apesar do favorecimento esmagador do sistema eleitoral em seu favor, este foi o pior resultado do IP desde a sua formação em 1929.

A rejeição da dívida do Icesave

O governo SDA-LGM veio à luz sofrendo uma pressão imediata para que pagasse a dívida Icesave; grande parte do empréstimo do FMI foi retida até que Reykjavík concordasse em pagar. O novo governo também se dividiu sobre a possibilidade de se candidatar a membro pleno da UE e da Zona do Euro, com maioria SDA fortemente a favor. Em outubro de 2009, após longas negociações, o governo apresentou ao parlamento a proposta a que tinha chegado em relação a dívida Icesave: 5,5 bilhões de libras esterlinas (7,8 bilhões de dólares), ou 50% do PIB da Islândia, seriam pagas aos cofres britânicos e holandeses entre 2016 e 2023.

Em protesto, o Ministro da Saúde renunciou e cinco dissidentes se recusaram a votar com o governo. O projeto de lei foi aprovado forçadamente no dia 30 de dezembro de 2009, contra a vontade da população. Em 5 de Janeiro de 2010, o  Presidente Grímsson anunciou que não iria assinar a lei, por respeito a vontade da população. No referendo que se seguiu, o projeto de lei foi decisivamente rejeitado.

Nas eleições municipais Reykjavík, em maio de 2010, a SDA caiu para 19% e um comediante foi eleito prefeito da cidade. Em outubro, os protestos recomeçaram, e a coalizão concordou em realizar eleições para uma assembleia constituinte com o objetivo de elaborar uma nova constituição (a então existente fora herdada da Dinamarca na época de sua independência em 1944). Quando a eleição foi invalidada pela Suprema Corte, a assembleia foi reconvocada como um conselho constitucional nomeado pelo parlamento.

O acordo na mesa neste segundo referendo sobre o Icesave, em abril, envolveu concessões substanciais por parte dos governos britânico e holandês. Após a votação pelo ‘não’, o desacordo pode ter que ir aos tribunais internacionais.

A crise adiada

O custo das perdas em empréstimos e garantias, adicionado ao custo da reestruturação das organizações financeiras, traz o total de custos diretos da crise fiscal para cerca de 20% do PIB – maior do que em qualquer outro país com exceção da Irlanda (OECD Economic Surveys, Islândia, junho de 2011). Mas o adiamento de grandes cortes nos gastos públicos até este ano deu à economia um tempo para respirar, e a forte desvalorização ajudou a gerar um superávit comercial pela primeira vez em muitos anos.

Até agora, a Islândia sofreu quedas no PIB e nas taxas de emprego menores que países com grandes cortes em gastos públicos, tais como a Irlanda, Estônia e Lituânia. A taxa de desemprego, de apenas 2% em 2006, tem oscilado entre 7% e 9% desde 2009, mas a taxa de emigração, de islandeses e outros trabalhadores europeus (predominantemente poloneses), foi a maior desde 1889. No entanto, o governo SDA-LGM anunciou cortes drásticos nos gastos públicos para 2011 e além. Governos locais não têm orçamento para novos projetos. Hospitais e escolas estão cortando salários e demitindo funcionários. O congelamento das ações de despejo expirou em 2010.

Finanças no volante

A decisão do governo IP-SDA de fornecer garantias ilimitadas de depósitos bancários ilustra a sua dívida para com a elite financeira. Se tivesse limitado a garantia a 50 milhões de kronas (70 mil dólares), ele teria protegido os depósitos de 95% dos depositantes. Apenas os 5% mais ricos, incluindo muitos políticos, beneficiaram-se da garantia ilimitada, o que significa agora mais restrições nos gastos públicos.

A reduzida escala da Islândia parecia tornar mais fácil desafiar a negação do governo de que havia uma crise iminente, mas o oposto também era verdade. O governo Oddsson realizou uma privatização extrema da informação. O Instituto de Economia Nacional da Islândia tinha a reputação de uma instituição com pensamento independente, e Oddsson acabou com isso em 2002. A partir de então, os bancos, agências internacionais de classificação de risco e a Câmara de Comércio foram praticamente a única fonte de informação e comentários sobre o estado da economia, presente e futuro.

Paradoxalmente, uma série de relatórios críticos foram publicados quando a bolha estava em seus estágios iniciais, incluindo um do CBI. Mas, por volta de 2007-08, quando havia perigos muito sérios, os relatórios, incluindo os do FMI, tornaram-se visivelmente mais suaves no tom. Parece que as instituições financeiras oficiais, bem como banqueiros e políticos, entenderam que a situação era tão frágil que bastaria falar dela para desencadear uma corrida aos bancos.

Em outubro de 2010, o parlamento decidiu indiciar o primeiro-ministro Haarde por violação de responsabilidade ministerial. O secretário permanente de finanças Baldur Gudlaugsson (ex-membro do grupo “Locomotiva”) foi sentenciado a dois anos de prisão por usar informações privilegiadas para a sua vantagem pessoal ao vender suas ações do Landsbanki, em setembro de 2008. Mas o promotor especial encarregado da investigação dos bancos já trabalha há 2 anos com uma equipe de 60 advogados e outros profissionais e até agora formalizou nenhuma acusação.

Enquanto isso, Oddsson foi nomeado em setembro de 2009, como editor-chefe do Morgunblaðið, principal jornal impresso na Islândia, e orquestrou a cobertura da crise. Um comentarista disse que isso seria o mesmo que nomear Nixon editor do Washington Post após Caso Watergate. A elite da Islândia sabe tomar conta dos seus.

Notas:

(1) World Database of Happiness (‘Banco de dados mundial da felicidade’), 2006: http://worlddatabaseofhappiness.eur.nl

(2) Na oposição estão o Partido Social-Democrata e, mais à esquerda, o Partido do Povo.

(3) Stefán Ólafsson e Arnaldur Sölvi Kristjánsson, “Income Inequality in a Bubble Economy: the Case of Iceland 1992-2008”, trabalho apresentado na Luxemburg Incomes Study Conference, 28 a 30 de junho 2010; http://www.lisproject.org/conferenc…

(4) Hannes Gissurarson, “Miracle on Iceland”, The Wall Street Journal, New York, 29 de janeiro de 2004.

(5) Danske Bank, “Iceland: Geyser Crisis”, Copenhagen, 2006.

(6) Arthur Laffer, “Overheating is not dangerous”, Morgunblaðið, Reykjavik, 17 de novembro 2007.

Robert Wade é professor titular de economia política da London School of Economics; Silla Sigurgeirsdottir professora de políticas públicas da Universidade da Islândia. Esta é uma versão atualizada do artigo “Lessons from Iceland”, publicado pela primeira vez no New Left Review, London, setembro/outubro de 2010.

* O Viomundo recomenda fortemente que nossos leitores assinem o Le Monde Diplomatique, aqui (em inglês) eaqui (em português).

**Pedro Germano Leal é o novo tradutor do Viomundo. É também escritor e pesquisador. Atualmente, é doutorando em teoria literária e cultura visual na Universidade de Glasgow (Escócia), sendo representante de pós-graduação do Centre for Emblem Studies. É professor de língua portuguesa, tradutor e intérprete do University of Glasgow Language Centre. Foi professor de língua latina e argumentação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Fui buscar a dica no excelente blog Acerto de Contas.






Por Manuela Modesto Dantas, especial para o Blog de Jamildo

Permitam-me continuar iniciando essa coluna com trechos de músicas de Chico Buarque, afinal ele, mesmo sem saber, ajudou a construir a “minha história” e foi assim também durante a minha recuperação do acidente.

Foram incontáveis os dias internada nos hospitais Memorial São José (2 meses) e Albert Einstein (6 meses), aonde compreendi, a despeito dos longos dias de estudo na UFPE, que tudo realmente é relativo…Internada naqueles Centros de Excelência Médicas, cada segundo parecia uma eternidade e o tédio e a monotonia dominavam o meu espírito andarilho.

Dormia todas as noites esperando que na manhã seguinte nada fosse como antes, porém a frustração ao acordar e verificar que nada tinha mudado se apoderava lentamente da minha alma inquieta e ansiosa.

A frase de Chico não saia da minha cabeça “Amanhã vai ser outro dia”, até que num lampejo de iluminação divina, o físico Albert Einstein se associou ao mestre Chico Buarque e finalmente entendi que o amanhã não era o dia seguinte e sim um ponto indeterminado no futuro.

Mas como poderia uma humilde engenheira entender os mistérios das ciências médicas e neurológicas, que nem os mais renomados médicos entendem completamente?

Entender que tudo tem seu tempo?

Eu preferi construir as minhas estradas no hoje e lutar pela minha recuperação e para ganhar um mínimo de independência, que me garantisse realizar a simples atividade de ficar sentada, sem precisar de um apoio externo, como também realizar dezenas de outras atividades diárias, facílimas para mim no passado, mas que se tornaram inexplicavelmente complicadas após o acidente.

Lembrei das palavras de Chico Xavier.

“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo; Qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”

Foi assim que decidi que não ia esperar sentada pelo dia em que voltaria a correr incessantemente em busca dos meus sonhos. Deste modo precisava avançar na minha recuperação, pois queria voltar para Recife, queria voltar a trabalhar, queria voltar a ter uma vida fora das paredes brancas dos hospitais.

Oxalá, se o amanhã não fosse tão distante…

As melhoras vieram e foi assim que, seis meses após o meu acidente, pude ficar em pé sem auxílio de fisioterapeutas, mas apenas com o apoio de uma órtese.

Seria o fato de ficar em pé uma façanha tão grande? Sim… Todas as conquistas até hoje foram conseguidas a custa de muito suor, amor, e ajuda de profissionais super habilitados em lesões neurológicas em um Centro de Reabilitação.

Aprendi que, ao contrário do que me foi ensinado nas aulas de biologia, os neurônios são capazes de se regenerar, muito mais lentamente do que as demais células do corpo, por ser a célula mais diferenciada que possuímos.

Aprendi também que dar uma forcinha para os meus neurônios favorece a minha recuperação.

Mas como ajudar o meu corpo? Com muito esforço e com as ajudas necessárias de fisioterapeutas, fisiatras, nutricionistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, enfim de uma equipe estruturada para ajudar pessoas como eu.

The Life is going on, era a frase de entrada no Centro de Reabilitação e era assim que eu encarava a minha luta individual, a vida continua… Percebi que esse era o grande foco das minhas conquistas nesse Centro de Reabilitação. Percebi que eu poderia voltar a ter uma vida normal com o desenvolvimento e treinamento do meu corpo e tendo as informações e orientações corretas para esse fim.

Porém, como lutar sozinha, se eu tinha milhares de colegas pernambucanos sem acesso a um Centro de Reabilitação, o qual foi fundamental para que eu estivesse em pé após 6 meses de acidente, como também me impulsionou para retornar ao trabalho após 8 meses da lesão medular?

Iniciei a pesquisar e descobri no IBGE que Pernambuco tem a quarta maior taxa de deficientes do País. Temos mais de 1,34 milhões de deficientes!

Descobri também, através da Secretaria Estadual de Saúde, que temos na região metropolitana de Recife mais de 50.000 deficientes físicos e em Pernambuco mais de 500.000 deficientes físicos e me questionei: aonde estão essas pessoas, como são tratadas, como estão suas vidas?

Descobri que a maioria deles não são tratados e estão em suas casas, sem ter acesso a uma vida digna.

Por ventura, no meio dessa triste descoberta, veio a luz.

O Hospital IMIP, como sempre olhando pelos mais necessitados e oprimidos socialmente, estava iniciando a montagem de um Centro de Reabilitação em Recife. No entanto, ainda faltam muitos recursos materiais em termos de equipamentos mais avançados e faltam, principalmente, recursos humanos e capacitação desses, pois o IMIP, que é 97% sustentado pelo SUS, não tinha recursos para fazê-lo, apesar de ter uma grande vontade e motivação dos seus integrantes.

Decidi então, assumir essa causa e essa missão. E assim nasceu o Projeto “Novos Horizontes”, para transformar o Centro de Reabilitação do IMIP em um dos melhores centros de reabilitação do País e que possa devolver a esperança a milhares de pernambucanos especiais, que apesar de terem algumas limitações podem contribuir imensamente para o nosso estado e para o nosso País.

Findo o meu segundo artigo com a forte convicção de que prefiro acreditar em mim e desconfiar do destino…

Prefiro realizar do que sonhar…

Prefiro viver do que esperar…

Prefiro confiar do que desesperar…

Prefiro acreditar que a vida tem valor e como Chaplim prega: temos valor diante da vida!

Prefiro continuar acreditando nas pessoas como Rousseou fez ao escrever há 300 anos. “O homem é bom por natureza”.

Prefiro acreditar no amor ao próximo que Jesus pregou há quase 2000 anos atrás.

Prefiro acreditar em vocês…E pedir…Vamos participar desse projeto e ajudar a milhares de bravos guerreiros a contribuírem para tornar Pernambuco IMORTAL, IMORTAL…

PS: A ficha de participação pode ser encaminhada para o e-mail manuela.modesto@hotmail.com


 

Nota do Blog – Quem é Manuela Dantas?

Manuela Dantas tem 32 anos e trabalha como engenheira civil, formada pela Universidade Federal de Pernambuco.

Em abril do ano passado, ela sofreu um grave acidente de trabalho. O carro em que viajava para Salgueiro, nas obras da Transnordestina, capotou no interior do Ceará. Teve politraumas, perfuração do pulmão, hemorragia interna e lesão raquimedular. Tornou-se cadeirante desde então. Poderia aposentar-se, pelas leis trabalhistas, mas não aceitou trilhar o caminho mais fácil.

Como nunca desistiu de lutar, agora também guerreia por uma vida com igualdade de condições para todos os deficientes físicos que enfrentam dificuldades diárias nas situações mais cotidianas.

A convite do Blog, Manuela escreve semanalmente, para falar de cidadania e louvar o milagre da vida, conversando conosco.

Postado por Jamildo Melo 

 

 

Amy Winehouse titubeia. Volta da clínica , faz show surpresa e quando tudo parece bem, se apresenta na Sérvia completamente chapada. E é vaiada. Prá mim, que a milhas de distância do palco pude assistir o show, que nem foi lá essas coisas diga-se de passagem, e muito caro também , acho que com tudo que a mídia promove hoje em cima de um artista, essa moça sempre vai receber aplausos. Não tem lógica. Da mesma forma que Adele,( aí uns posts abaixo, que minhas filhas gostam muito) acaba de dizer que vai parar de cantar por causa de uma laringite proveniente do cigarro. A mesma Adele que faz o estilo caretona, disse que prefere parar de cantar do que parar de fumar.

Vamos então, para mim, zé roelisticamente falando escutar esse ao vívo com um violão de aço. Escuta aí Johnny B. Goody, Arsênio, Magna, Edgar, André , Tadeu, Carlos, enfim Brothers & Sisters. Amy canta muito. Ou cantava. Que eu não entendo nunca os artistas que tem uma propensão danada a morrerem jovens. Sid Vicious & Cia. Ltda:

 

Adele.

Publicado: 19/06/2011 em Atualidades

Dica das meninas. Que a ouvem muito.
Estou aprendendo a gostar.
De verdade.