Arquivo de janeiro, 2010

Brasil decola…

Publicado: 31/01/2010 em Poesia

 

Não é cartilha do PT como andam dizendo. Fui checar, após receber e-mail com esta capa e com as comparações dos governos FHC e LULA . Alguns itens que destaco na matéria são:

FHC          *                                                                                                   

LULA       **

Risco Brasil: 2.700 pontos          *                                                       

Risco Brasil: 200 pontos.             **

Salário Mínimo:  78 dólares.       *                                                     

Salário Mínimo: 210 dólares.      **

Dólar: R$ 3,00                                   *                                                    

Dólar: R$ 1,78                                    **

Indústria Naval: nihil                      *                                                   

Indústria Naval: reconstruiu.      **

Univ.Fed. novas: nihil                      *                                                  

Univ. Fed. novas: 10                         **

Extensões universitárias: nihil      *                                                  

Extensões universitárias: 45          **

Escolas Técnicas: nihil                       *                                                

Escolas Técnicas: 214                         **

Valores e Reservas do Tes.Nac.: (- 185 bilhões U$)    *          

Valores e Res Tes.Nac.: + 160 bi U$                                  **

Créditos pop/PIB:  14%                                                             *       

Créditos pop/PIB:  34%                                                          **

Tem outros ítens como:

Mobilidade social, empregos, infra-estrutura, câmbio, taxas de juros, crises internacionais, estradas de ferro, estradas rodoviárias e Mercado Internacional onde finalmente no governo Lula o Brasil conseguiu o grau de Investment Grade.

PS – Não é campanha. Embora seja um panfleto político. Acho que muitos dos indicadores que eu relacionei e os que estão no PS são perfeitamente questionáveis. A educação e a saúde estão realmente melhores? As estradas? Ferrovias ????? . Agora que isso dá coceira em tucano isso dá. Porque lá tem um economista por centímetro quadrado. E pecaram no fundamento primordial de um governante: se a economia vai bem… vejam o menino Bush. Depois vem a conta para o povo pagar. Depois.

TOQUE- Carpinejar.

Publicado: 31/01/2010 em Poesia

Esse post do Fabrício Carpinejar ,me inspirou hoje ,a atrever-me a cometer um poema. O tema: rico e pouquíssimo comentado. Não entra nas pautas. Nâo sei sinceramente a razão. Vamos lá:

Masturbação feminina é inconciliável com a masculina.

Se a senhora tem alguma dúvida sobre orgasmo múltiplo, não pode negar seu inegável talento para a excitação prolongada. Não diga que é natural, não humilhe seu parceiro, tampouco menospreze o dom. O homem não conhece esse controle remoto do corpo.

A mulher é bem capaz de se masturbar no chuveiro, transar no quarto e não haverá nenhuma diminuição do ritmo. Sua nudez é insaciável. Assim como demora mais para se excitar, demora muito mais para abandonar a excitação. O homem facilmente se prontifica, porém larga a atmosfera com enorme rapidez.

O orgasmo liquida o homem e reinventa a mulher. Virtude de um, defeito do outro.

A fêmea ama na volta (o homem somente ama na ida). Não negará o sexo mesmo que tenha se violentado secretamente. Ficará inflamada. Desejosa. Sequiosa.

Sua libido é narração. Pretende continuar com a fantasia, aumentar a trama, propor encruzilhadas.

Caso seu parceiro pedir e merecer (as duas operações são complementares), ainda que já tenha gozado sozinha, seguirá adiante, procurando ir além do gemido. Os braços masculinos serão a continuidade dos seus dedos.

Tanto que o homem é tarado antes do ato, a mulher é tarada depois dele.

Levando o fôlego como parâmetro, mulher na cama é romancista, homem é poeta, isso quando ele não inventa de fazer haicais.

A excitação dos machos é monotemática. Até hoje supõe que bater uma é anular a chance de sexo no dia. Sua masturbação é como uma saída de emergência. Não é um aperitivo, uma preliminar, mas a aceitação do fracasso. É como um desabafo, algo como não deu para aguentar.

Nenhum adulto confessa com orgulho para sua namorada ou esposa: bati uma punheta. Tem receio de receber um olhar piedoso, de Seguro-Desemprego.

A fase adulta traz a imperiosa necessidade da transa para ser feliz. Superada a adolescência, o homem se masturba a contragosto. Lamentando que não tenha um resultado melhor. Provável que isso demarque toda sua conduta psicológica. Vive a resignação, uma espécie de solidão indesejada. Acha que se tocar é o deserto da agenda, a absoluta falta de aventura, um sinal de rejeição, que ninguém o quer, nem ele.

Na hipótese de se masturbar e transar no mesmo turno, sofrerá de retardo mental. Sem pressa alguma. Sem volúpia. Com dificuldade de concentração. Seu objetivo é um só: gozar de novo. Não é de continuar gozando. Pensa que traiu sua companhia com a ejaculação solitária.

É um processo semelhante quando escolhemos uma música como aviso de chamada do celular. Nunca mais teremos condições de apreciá-la, apesar de ser a nossa balada favorita. Os ringtones matam a leveza imaginária da canção. O toque lembrará agora trabalho, prazo, incomodação, urgência. Ao ouvir os acordes no rádio, mergulharemos em pânico, tentando localizar o aparelho.

O que me faz crer que a punheta do homem é seu ringtone do sexo.

DESPLUGADO

 

a mão esquerda

não é o corpo

virtual,

o esforço

do sexo

lateja

na mão direita.

Não  compõe

um hino,

um clássico

um mísero poema.

As mãos lutam

bravamente,

na solidão real.

A lembrança

que homenageia

o corpo  ausente,

é um ralo rio anônimo

como destino presente.

 

PS – Para os heróicos anos da puberdade. Que leminskianamente  falando, acabarão lá pros setentinha. No toitiço.

À guiza de… João Carlos!

Publicado: 31/01/2010 em Poesia

Lusitanamente eu deixei passar batido esse vídeo extraordinário. No dia 20 era para ter ido para o front. Mas não tem nada não. Alegra o nosso domingo.
No toitiço.

Led Zeppelin.(Felipe Machado)

Publicado: 31/01/2010 em Poesia
por Felipe Machado, Seção: Trilha Sonora 20:20:48.

led

Desculpe a demora em publicar algo sobre uma das maiores bandas de rock da história (e uma das minhas favoritas, quero deixar bem claro). É que eu estava ocupado vendo os vídeos que os fãs do Led Zeppelin colocaram no youtube com trechos do show de ontem. Dia 10 de dezembro de 2007, o dia em que o rock renasceu.

Já fui muito, mas muito fã do Led Zeppelin quando tinha uns 16, 17 anos. Só para se ter uma idéia, eu fazia ‘pasta’ da banda. Funcionava assim: era tão difícil encontrar matérias sobre as grandes bandas de rock que eu e meus amigos (isso era comum, tá, gente?) íamos até a Woodstock Discos ou Galeria do Rock e comprávamos fotos, matérias importadas e guardávamos em pastas de plástico. Era muito legal.

Para quem não sabe, o Led Zeppelin acabou em 1980, com a morte do baterista John Bonham. Em nome da amizade, eles acabaram a banda e nunca mais tocaram juntos (com exceção de uma apresentação medíocre no Live Aid, em 1985), e uma canja no Rock and Roll Hall of Fame, em 1995. Mas ontem foi a volta definitiva: o vocalista Robert Plant (nossa, como eu queria ser esse cara), o guitarrista Jimmy Page (nossa, como eu TAMBÉM queria ser esse cara), o baixista John Paul Jones e, no lugar de John Bonham… o filho dele, o ótimo baterista Jason Bonham.

(Um parênteses:

“A volta do Led Zeppelin foi a má notícia do ano. Ninguém precisa ou merece.” – Álvaro Pereira Jr.

Nossa, fico impressionado como tem gente que não entende nada de música dando palpite…)

Não preciso nem dizer que fiquei super emocionado vendo esses vídeos do show de ontem no youtube. Os caras estão velhos? Claro que sim. Mas isso não interessa. Interessa é que eles são ELES, quer dizer, eles eram e sempre serão o Led Zeppelin. A foto acima é da minha amiga Adriana Del Ré. Veja a galeria de fotos da Rolling Stone.

Também fiquei emocionado ao ver Jason Bonham tocando no lugar do pai, morto. Já imaginou a emoção? John Bonham era considerado um dos melhores bateristas da história do rock (com o Led Zeppelin é assim, tudo é no superlativo) e Jason aprendeu criança, ouvindo o pai tocar. No filme ‘The Song Remains the Same’ (que por aqui ganhou o ‘genial’ nome de ‘Rock é Rock Mesmo’), Jason aparece garoto, brincando com uma bateria de criança. Quem diria que ele estaria na bateria de verdade tantos anos depois… Eu já entrevistei Jason e posso dizer: está aí um cara muito legal. Como é possível ser humilde sendo filho do John Bonham? Ele é.

Eu não fui na volta do The Police, mas dá pena comparar as duas bandas. Claro que Sting & cia. eram de outro estilo, pop, e faziam isso com competência e muito talento. Mas eu vi o show na TV e bocejei a partir da quarta música. Sting é ótimo, mas como frontman num estádio fica a desejar; Andy Summers é um guitarrista maravilhoso, mas difícil encontrar alguém mais ‘estátua’ no palco; o baterista Stewart Copeland é genial, mas fica parado atrás da bateria. Show de trio em estádio não funciona, sejam eles o The Police ou o Rush.

De volta ao Led Zeppelin: não vou colocar os links para os vídeos do youtube porque são vários. Dê um ‘search’ Led Zeppelin e escolha o seu. Não importa: mesmo quando a imagem e o áudio são ruins, os vídeos são todos maravilhosos.

Daniel Piza.com.br

Publicado: 31/01/2010 em Poesia
O rock dá a volta no relógio
fonte: Continente Multicultural 01 de setembro de 2004
O rock chegou fora de forma aos 50 anos. Desde que ele arrebatou as rádios e as vitrolas com o primeiro compacto de Elvis Presley, em julho de 1954, nunca teve o espaço tão disputado quanto agora. A juventude passa muito mais tempo chacoalhando ao ritmo hipnótico da música eletrônica e venerando DJs que apenas eventualmente usam o rock em suas colagens e distorções; a TV está dominada por clips de um pop pasteurizado, de sub-Madonnas que chamam mais atenção pelo swing do corpo que da música; o hip hop é a voz da comunidade negra e, devidamente amaciado, cai no gosto da classe média branca; no Brasil, outros gêneros como o sertanejo (ou popnejo) e o funk (dos mais grosseiros) também dividem a lista dos sucessos. O rock deixou de ser “mainstream”, especialmente a partir dos anos 90: não é mais a fonte central de hits e ídolos; não é mais quem dita os comportamentos.

Um fã do rock diria então: o rock nunca vai morrer; e se ele saiu da moda, tanto melhor. Mas o fato é que, mesmo “alternativas”, as bandas de rock diminuem em qualidade média também. Não por acaso alguns dos melhores discos que ainda podem ser chamados de “rock’n roll” – ou seja, uma mistura de batida e balada, em que a articulação vigorosa entre ritmo e melodia predomina sobre a harmonia – são hoje feitos por veteranos, por nomes como Lou Reed, David Bowie e Neil Young, que já estão na estrada faz tempo. E que grandes ídolos do passado como Paul McCartney e Rolling Stones continuam a atrair multidões – para ouvir seus “clássicos”, não suas composições mais recentes. Ou que ex-roqueiros como Elvis Costello (Painted from Memory) e Tom Waits (Alice) estejam no auge justamente por terem se aproximado do jazz e da grande canção americana da primeira metade do século 20, o universo de Cole Porter e Gershwin e tantos mais.

É claro que há boa música de rock, ou pop-rock, sendo feita, por bandas novíssimas como White Stripes, Strokes, The Hives, Yeah Yeah Yeahs e Franz Ferdinand; por outras que já surgiram há algum tempo, o “britpop” (pop britânico) de Oasis, Blur, Coldplay; e por gente que usa o rock como um de seus elementos de estilo, a exemplo de Beck, Radiohead e Ben Harper. Mas repare no próprio nome das bandas e escute suas canções mais conhecidas: as referências à era de ouro do rock – a Beatles e, digamos, todos aqueles que dominaram o mercado musical entre 1962 e 1972 – são muitas e óbvias. Nem mesmo com o pop-rock já inferior dos anos 80, de gente como U2, REM, Smiths, Prince e Nick Cave, todos ainda sobrevivendo, aquela atual geração pode ser comparada em frescor e frisson. A única exceção é o Radiohead, cujo último CD Hail to the Thief tem a sofisticação e a inquietude de um Sargent Pepper’s – mas justamente por unir experimentalismo eletrônico, melodia triste e “riffs” viris.
Não é difícil determinar a causa. O rock surgido com Elvis, que era o primeiro a dizer que não o inventou, veio do rythm’n blues dos negros com pitada do country dos brancos e, assim, pegou na veia de todo o mundo – especialmente da juventude que naquele pós-guerra pródigo buscava formas mais espontâneas e informais de existência, em oposição ao moralismo e ao puritanismo de seus pais. Como uma espécie de jazz acelerado, tomou a América nos anos 50 como seu antecessor a tomara nos anos 20, com três diferenças essenciais: 1) seu impacto era sobretudo físico, porque o ritmo marcado e veloz esquenta o sangue e dá compulsão de mexer e cantar (ou rebolar e gritar, “twist and shout”); 2) esse impacto foi amplificado por uma indústria fonográfica e radiofônica de escala muito maior e, principalmente, pelas ascensão da TV como veículo número 1 da sociedade (Elvis, que um branco bonito com voz de negro, ia ao programa de Ed Sullivan e requebrava a pélvis como num ato sexual, a tal ponto que no começo só o filmavam da cintura para cima); 3) a América de depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) se consolidou como a maior potência econômica e cultural do globo cada vez mais globalizado.

O rock, portanto, surgiu num contexto histórico e comportamental único; se fez tanto sucesso, foi porque trouxe algo novo e ao mesmo tempo imediato. À medida que a comunicação de massa adquiria alcance e poder, trazendo a força do instantâneo que modificaria as modas e as artes (pense na pop art de Andy Warhol fazendo o elogio – que depois pretendeu irônico – da repetição, dos ícones de consumo e celebridades), o rock cresceu e virou o negócio hegemônico das gravadoras. A partir de 1962, quando os Beatles emplacaram com o refrão “She loves you/ yeah, yeah, yeah” e quase puseram de escanteio astros como Frank Sinatra (que por um tempo se tornaria música de velho, não de jovem – um tempo que felizmente já passou, pois Sinatra hoje é eterno), o rock deu as cartas quase sozinho.

É impressionante, porém, pensar em como se transformou já em seu primeiro decênio. Como fenômeno histórico, acompanhou os tempos e fez coro com a contracultura (liberação sexual, movimento pacifista, exaltação juvenil): já em 1967 os Beatles trocaram o estilo pseudo-ingênuo dos álbuns iniciais por um bem mais elaborado e ousado, cheio de sons dissonantes, imagens surreais e crítica social, como faria também Bob Dylan, vindo do popular folk americano. Grupos mais agressivos, com uma sonoridade e uma atitude muito marcantes, como os Rolling Stones, foram tomando espaço. Janis Joplin gravou o “standard” Summertime em versão rascante e alucinada. Jimi Hendrix, vindo do blues, deu em 1970 o famoso show em Berkeley, fazendo literalmente o diabo com a guitarra. (A ascensão da guitarra, por sinal, é parte integrante da ascensão do rock. Nada melhor para encantar agredindo ou agredir encantando do que esse instrumento elétrico de seis cordas que se encaixa ao corpo como outro corpo.)
Então o rock se multiplicou ou se dividiu: vieram os movimentos – punk, metal, progressivo, etc. – e, embora quase toda banda de rock “pesado” tenha feito algumas baladas lentas e lindas ou mesmo canções violentas mas densas (Led Zeppelin, The Doors, Pink Floyd, Velvet Underground, The Clash), a sutileza foi sumindo do mapa. Nos anos 80 é que se começou a falar mais ostensivamente em “pop” para designar a música comercial pós-rock, normalmente estruturada em bandas jovens compostas de guitarra, bateria, baixo e vocal, que nasciam como cogumelos em garagens do mundo inteiro. Alguns grupos, como Queen e The Who, que recorreram até à ópera, reacenderam o rock e sua popularidade. Mas o pop-rock já então não era o mesmo: estava adocicado, industrializado, no topo do “establishment” da indústria do entretenimento, ao lado dos filmes de Hollywood. Mesmo no Brasil, o chamado “roquinho nacional” – Paralamas, Titãs, Barão Vermelho, Lulu Santos – parecia mais uma mistura de pop americano com MPB.
Nos anos 90, apesar de sucessos como o Nirvana (cujo vocalista, Kurt Cobain, morreu em 1994 como morriam os ídolos de rock antigamente, cometendo suicídio depois de deixar um bilhete em que se queixava de não poder recuperar o paraíso sensorial da infância), o rock saiu do primeiro plano. De certo modo, o que dizia a música do bom Neil Young, “Hey, hey, my, my/ Rock’n roll will never die”, é verdadeiro: o rock nunca vai morrer, porque será sempre uma referência de juventude e porque já deixou um bom número de canções – de entrelaçamentos de letras e notas que podem captar um espírito de época como numa polaroid afetiva e injetar um amor pela vida intensa, em contraposição ao futuro sempre adiado em que tantas pessoas sobrevivem. Mas, se você considerar o barulho que fez e a quantidade de “artistas” que lançou num semestre para sumir no seguinte, muito tempo da vida do rock foi vivido em vão, o que é uma contradição e tanto. Rock around the clock

PS – Para sacudir o nosso fusca. Piza vai para o trono ou não vai?

Regra de três.Qual a resposta?

Publicado: 30/01/2010 em Poesia

BY ANDRÉ GUSTAVO. TRI-TOITIÇO.

Cavalera. Tá valendo?

Publicado: 30/01/2010 em Poesia

Refrescando a memória para não nos impressionarmos com os novos éticos.

Para não acreditar mais em nenhum governo.

Nunca devemos nos esquecer que a Cia. Vale do Rio Doce foi vendida por R$ 3 bilhões
de reais,financiados pelo BNDES, e hoje vale somente 48 bilhões de dólares.

“Um estudioso de São Paulo, Altamiro Borges, recuperou brevemente a nossa memória
política da década recente e a colocou na rede. O sociólogo Rogério Chaves enxugou o texto, que envio a vocês na esperança de que possa contribuir com o debate – e para que não
esqueçamos dos anos tucanos (ainda tão recentes e precocemente esquecidos) e de que a campanha presidencial já começou.

– Sivam: Logo no início da gestão de FHC, denúncias de corrupção e tráfico de influências no contrato de US$ 1,4 bilhão para a criação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) derrubaram um ministro e dois assessores presidenciais. Mas a CPI instalada no Congresso, após intensa pressão, foi esvaziada pelos aliados do governo e resultou apenas num relatório com informações requentadas ao Ministério Público.

– Pasta Rosa: Pouco depois, em agosto de 1995, eclodiu a crise dos bancos Econômico (BA), Mercantil (PE) e Comercial (SP). Através do Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer), FHC beneficiou com R$ 9,6 bilhões o Banco Econômico numa jogada política para favorecer o seu aliado ACM. A CPI instalada não durou cinco meses, justificou o “socorro” aos bancos quebrados e nem sequer averiguou o conteúdo de uma pasta rosa, que trazia o nome de 25 deputados subornados pelo Econômico.

– Precatórios: Em novembro de 1996 veio à tona a falcatrua no pagamento de títulos no Departamento de Estradas de Rodagem (Dner). Os beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor destes precatórios para a quadrilha que comandava o esquema, resultando num prejuízo à União de quase R$ 3 bilhões. A sujeira resultou na extinção do órgão, mas os aliados de FHC impediram a criação da CPI para investigar o caso.

– Compra de votos: Em 1997, gravações telefônicas colocaram sob forte suspeita a aprovação da emenda constitucional que permitiria a reeleição de FHC. Os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do PFL do Acre, teriam recebido R$ 200 mil para votar a favor do projeto do governo. Eles renunciaram ao mandato e foram expulsos do partido, mas o pedido de uma CPI foi bombardeado pelos governistas.

– Desvalorização do real: Num nítido estelionato eleitoral, o governo promoveu a desvalorização do real no início de 1999. Para piorar, socorreu com R$ 1,6 bilhão os bancos Marka e FonteCidam – ambos com vínculos com tucanos de alta plumagem. A proposta de criação de uma CPI tramitou durante dois anos na Câmara Federal e foi arquivada por pressão da bancada governista.

– Privataria: Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas entre Luis Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações, e André Lara Resende, dirigente do banco. Eles articulavam o apoio a Previ, caixa de previdência do Banco do Brasil, para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o tucano Pérsio Árida. A negociata teve valor estimado de R$ 24 bilhões. Apesar do escândalo, FHC conseguiu evitar a instalação da CPI.

– CPI da Corrupção: Em 2001, chafurdando na lama, o governo ainda bloqueou a abertura de uma CPI para apurar todas as denúncias contra a sua triste gestão. Foram arrolados 28 casos de corrupção na esfera federal, que depois se concentraram nas falcatruas da Sudam, da
privatização do sistema Telebrás e no envolvimento do ex-ministro Eduardo Jorge. A imundície no ninho tucano novamente ficou impune.

– Eduardo Jorge: Secretário-geral do presidente, Eduardo Jorge foi alvo de várias denúncias no reinado tucano: esquema de liberação de verbas no valor de R$ 169 milhões para o TRT-SP; montagem do caixa-dois para a reeleição de FHC; lobby para favorecer empresas de informática com contratos no valor de R$ 21,1 milhões só para a Montreal; e uso de recursos dos fundos de pensão no processo das privatizações. Nada foi apurado e hoje o sinistro aparece na mídia para criticar a “falta de ética” do governo Lula.

E apesar disto, FHC impediu qualquer apuração e sabotou todas as CPIs. Ele contou ainda com a ajuda do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que por isso foi batizado de “engavetador-geral”. Dos 626 inquéritos instalados até maio de 2001, 242 foram engavetados e outros 217 foram arquivados. Estes envolviam 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e ex-ministros e em quatro o próprio FHC.
Nada foi apurado, a mídia evitou o alarde e os tucanos ficaram intactos. Lula inclusive revelou há pouco que evitou reabrir tais investigações – deve estar arrependido dessa bondade!

Diferente do reinado tucano, o que é uma importante marca distintiva do atual governo, hoje existe maior seriedade na apuração das denúncias de corrupção. Tanto que o Ministério da Justiça e sua Polícia Federal surgem nas pesquisas de opinião com alta
credibilidade. Nesse curto período foram presas 1.234 pessoas, sendo 819 políticos, empresários, juízes, policiais e servidores acusados de vários esquemas de fraude –
desde o superfaturamento na compra de derivados de sangue até a adulteração de leite em pó para escolas e creches. Ações de desvio do dinheiro público foram atacadas em 45
operações especiais da PF.

Já a Controladoria Geral da União, encabeçada pelo ministro Waldir Pires, fiscalizou até agora 681 áreas municipais e promoveu 6 mil auditorias em órgãos federais, que resultaram em 2.461 pedidos de apuração ao Tribunal de Contas da União. Apesar das bravatas de FHC, a
Controladoria só passou a funcionar de fato no atual governo, que inclusive já efetivou 450 concursados para o trabalho de investigação. “A ação do governo do presidente Lula na luta decidida contra a corrupção marca uma nova fase na história da administração pública no país, porque ela é uma luta aberta contra a impunidade”, garante Waldir Pires.

Diante de fatos irretocáveis, fica patente que a atual investida do PSDB-PFL não tem nada de ética. FHC, que orquestrou a recente eleição de Severino Cavalcanti para presidente da Câmara, tem interesses menos nobres nesse embate. Através da CPI dos Correios, o tucanato visa imobilizar o governo Lula e desgastar sua imagem, preparando o clima para a sucessão presidencial. De quebra, pode ainda ter como subproduto a privatização dos Correios, acelerando a tramitação do projeto de lei 1.491/99, interrompida pelo atual governo, que acaba com o monopólio estatal dos serviços postais.”

———————
Conclusão: OK, o atual governo usou da corrupção pra fazer política, mas o anterior, que hoje evoca a “ética” para desgastar a imagem dos petistas, passou por vários escândalos de corrupção – e, importante: nenhum deles devidamente investigado. Quem está mais ganhando nesta crise não é Roberto Jefferson ou a corja do PFL, que já é reconhecidamente corrupta. Mas os tucanos, que estão se saindo com a imagem de éticos, graças ao esquecimento geral da nação. Isso poderá se refletir nas eleições do ano que vem, em que (o ditador) Aécio
Neves, Geraldo Alckmin, FHC, José Serra – ou qualquer outro que concorrer – poderá chegar à Presidência da República, com todo seu histórico de corrupção na bagagem.

PS – Fora alguns pontos que nitidamente estão fora do contexto atual, nomes, cpis e empresas, o texto reflete muito do “modus operandi” de se fazer política no Brasil. Mesmo assim votei no Lula nas duas eleições. E caso Marina não saia da bolha, votarei em dona Dilma.

O fusca é completamente político até o talo. Até o toitiço. Todos os que gostam de política ,de todos os partidos ,estão sempre com as portas abertas para arriar a madeira, elogiar, enfim o canal é de todos.

Vamos em frente.

Nos meus parcos conhecimentos musicais.
O melhor baixista do mundo do jazz.
Um gênio.
Com uma morte estúpida.

Julinho nos envia essa pérola. Nada contra os baianos. Acho a Bahia o estado mais importante da Federação. Ela nos separa dos sudestinos …. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Acho que vou ser processado….

O Senadinho…

Publicado: 30/01/2010 em Poesia

Sobre empregos, realizações, frustrações e o pão nosso amassado…

 

Esta semana um assunto bonito e polêmico, surgiu naturalmente durante o batente.

De vez em quando alguém “desperta” do sono diário robotizado e “acorda” para as possibilidades da vida.

Ou para o que poderia ter feito.

E não fez.

Em nome da segurança. Do conforto.

A primeira sentença proferida: … Como eu posso exigir de meu filho que vai fazer vestibular, que escolha uma profissão, se eu até hoje estou aqui no banco e não me realizei?

Na verdade o que é realização?

Segurança, o pão nosso amassado, mas sempre pão, é tudo na vida?

E a bola foi rolando, o tempo curto, curtas elocubrações.

Mas outras belas sentenças foram surgindo.

Cada pessoa com sua bela história de vida refletindo sua sabedoria.

Frases condensando uma vida.

Eu nesse dia apurei os ouvidos. E resolvi falar no final.

Depois de um colega dizer:  rapaz, o que a gente ganha de vale-etc  é o salário de muita gente nesse país.

Eu disse pêra aí meu irmão, que a seara agora complicou.

Se grana fosse o único objetivo do trabalho só quem trabalhava era rico. (filosofia da porra).

Outra coisa, nós que andamos pelos tribunais da vida, vemos constantemente pessoas que ganham muito bem, e o ambiente é aquele tédio, sem vida…

Aqui a gente faz igual ao “bloco nós sofre mas nois goza”.

E arrematei.

Toitiçando com Stephen Kanitz para sair do limbo em que me meti:

Só existem duas categorias imprescindíveis: Os professores e os Médicos.

Eita que o Senadinho deu uma “travada”como diria Zé Limeira.

E eu candidamente, como uma Lady ainda arrematei outra pérola:

Se você gostar de gente, de atender gente, de tentar e quase sempre conseguir resolver os problemas dos clientes, isso é uma missão.

Não é uma missão grandiosa. Mas você pode olhar para os seus filhos e se orgulhar, caso você se orgulhe do que você faz.

Porque se existe uma coisa que o meu pai me ensinou, no sacerdócio dele, na escolha que ele fez, é que muito além da missão existe o amor ao trabalho.

Não importa qual seja.

Todo trabalho é sagrado, é importante. E vivemos mesmo do suor diário.

Matando um leão por dia e correndo de dois.

O senadinho evaporou-se…

 

 

PS – O leão aqui metaforicamente entrou como Pilatos no Credo. Não na ilha do Retiro. Saudações especiais aos amigos Arsênio, Clávio e Houldine.

E aos médicos e professores que conheci no blog do Roberto Vieira (começando por ele) que são o exemplo vivo da missão que escolheram. Bem como os advogados Edgar, Arsênio. Os economistas Emmanuel e Francisco Avelar, o multidisciplinar profissional João Carlos. Bem ,eu não conheço todas as profissões dos amigos da blogosfera. Mas tenho certeza de que embora todos tenham lá as suas dificuldades, os seus dias de acordar e sentir talvez como eu sinto ,um certo “cansaço” para pegar no batente, todos tem a sua missão. E foram escolhas próprias. E a vida é bela como ela é já nos legava Nelson Rodrigues.

 

PS – Eu acredito demais na sorte. E tenho constatado que, quanto mais duro eu trabalho, mais sorte eu tenho.

Thomas Jefferson

Pensar é o trabalho mais difícil que existe. Talvez por isso tão poucos se dediquem a ele.

Henry Ford

Todos vós, que amais o trabalho desenfreado (…), o vosso labor é maldição e desejo de esquecerdes quem sois.

Friedrich Nietzsche

Oficina Brasileira de Clipping.

Publicado: 30/01/2010 em Poesia

Jornalistas acreditam que blogs podem pautar a imprensa
Notícias exclusivas e assuntos diferenciados postados em blogs podem pautar a grande imprensa. É o que os jornalistas reunidos no painel “Jornalismo na rede”, na Campus Party, acreditam. Um exemplo é o PEbodycount, blog sobre segurança público, mantido pelo jornalista Eduardo Machado e sua equipe, que retrata os índices de violência em Pernambuco. A página já chegou a pautar veículos e programas como Le Monde, Los Angeles Times, Profissão Repórter e Fantástico.

O blog apresenta números de homicídios e detalhes dos crimes que são atualizados diariamente. “A força disso é que quando o governo dizia que tinha tido um dia tranquilo, ou que a violência estava diminuindo, nós tínhamos esses dados para confrontar”, explica Machado.

O jornalista, que também é repórter do Jornal do Commercio de Pernambuco, conta que já rebateu uma informação oficial, de que uma das mortes registradas no estado teria sido causada por um atropelamento, saindo assim dos índices de criminalidade. Na realidade, os dados do blog, obtidos por fontes confiáveis, afirmavam que a pessoa havia sido morta a tiros. Para confrontar a informação oficial, os blogueiros postaram o texto “Atropelado por três tiros”, que gerou grande repercussão.

Para manter o blog, Machado conta com mais três profissionais na equipe e apoio da Associação do Ministério Público de Pernambuco (AMPE), que oferece R$ 1,5 mil de orçamento mensal para a manutenção da página.

Caminhos alternativos

Sem encontrar espaço nos grandes veículos ou patrocínio, muitos jornalistas optam por criar páginas independentes, como é o caso de Paulo Fehlauer, do blog garapa.org, coletivo multimídia, e André Deak, que mantém, ao lado de outros profissionais, o Haiti.org.br. No caso do portal sobre o Haiti, que é atualizado com informações gerais sobre o país, os jornalistas pretendem levantar uma verba para viajarem até o Haiti para cobrir o país de perto. Outra ideia é uma exposição com o trabalho dos principais fotógrafos que atuaram no Haiti.

Em todas essas investidas, os jornalistas não sabiam se teriam algum retorno ou não. “Nós sempre fizemos as coisas sem saber qual seria o retorno financeiro disso”, diz Fehlauer.

Nos blogs e sites alternativos, os profissionais acreditam que conseguem fazer o tipo de jornalismo que pretendem e investir nas reportagens multimídias, um grande diferencial. Deak só não entende porque os veículos brasileiros se afastam desse tipo de trabalho. “Os jornais do Brasil não valorizam a reportagem multimídia. É uma cegueira dos chefes de redação”.

Apesar de concordarem que o bom jornalismo custa caro, os profissionais criticam a cobrança de conteúdo na web. “Cobrar pelo conteúdo na internet é a vanguarda do atraso”, contesta Deak.

Exercício do jornalismo

Para exercer a profissão de jornalista, os palestrantes defenderam o fim da obrigatoriedade do diploma. Para eles, a faculdade é importante, mas não deve ser uma exigência para fazer jornalismo.

“Os melhores sites de economia são feitos por economistas. A faculdade é importante, mas é como no caso de publicidade, que é um curso aberto”, defendeu Marcelo Soares, jornalista profissional que escreve para o blog E você com isso?, da MTV.

Deak também é da mesma opinião. ”Os blogs nos mostraram que existe vida inteligente fora das redações”.

Maurício Stycer concorda e compara o trabalho de um blogueiro a de um jornalista. “Existem coisas que valem para qualquer mídia, como a apuração. São os princípios do bom jornalismo. A ideia do blog como ferramenta jornalística tem me fascinado”, declara.

PS – Depois de ler esta notícia, acredito tanto no fusca, mas tanto, que vou comprar um platinado novo.

PS II – Meu Deus, por que existem tantos olhos no mundo?

Nelson Rodrigues

“A blague do Blog”

Publicado: 29/01/2010 em Poesia

Tornou-se famosa a blague do magnata da mídia Assis Chateaubriand, o Chatô, que costumava ralhar com seus empregados: “Quem quer ter opinião, que compre um jornal!”. Hoje, quem quer ter opinião só precisa “postar” num blog na internet.

“Blog” é a corruptela de “weblog”, diário da Web, termo inventado em dezembro de 1997 pelo nerd e teórico americano Jorn Barger. Ninguém tem de saber linguagem ASP, PHP ou a já anciã HTML para publicar num blog; ele não passa de um site simplificado, organizado em ordem cronológica, com recursos básicos dos sites, como possibilidade de dar upload (carregar) de imagens e links. A ferramenta, grátis, revela-se tão fácil quanto um programa de e-mail sediado na web. Tecnicamente, o blog, instrumento público, transforma qualquer usuário da Internet em emissor de idéias, em “blogueiro”, como se diz no jargão internético local, ou “blogger”, na expressão consagrada em inglês. Há dezenas de sites que fornecem gratuitamente espaço para blogs.

É fácil deduzir as conseqüências da facilidade: proliferam blogs como baratas Internet adentro, alguns deles com cérebro de insetos. Outros atuam feito bombas de dissuasão/persuasão. É preciso compreender se o fenômeno é modismo ou representa a sonhada democratização dos meios de comunicação.

A blague do blog é que, a despeito de seu amadorismo fragmentário, ele está balançando as estruturas da imprensa. De um salto, os blogs grudaram as ventosas na jugular do “quarto poder”, sugando seu sangue e sujando seu nome. Isso porque o assunto favorito dos blogueiros tem sido a mídia. Blogs são “fantasy shows” contra a imprensa. A exemplo do Napster, que livrou a música do CD e quebrou o show business, os blogs provocam a metástase das palavras e podem levar a mídia à bancarrota. Jamais a espetacularização da informação foi tão anarquizada quanto com o advento do blog. A curiosidade do internauta não resiste. A blogagem triunfa porque chamou a atenção da imprensa – ela própria feitora de blogs às ocultas em redações.

E pensar que os blogs começaram como esconderijo de adolescentes onanistas nos idos de 1994… Na época, a Netscape lançou o primeiro navegador com interface gráfica. As homepages ganharam relevo, principalmente com o site Geocities, que oferecia (e ainda oferece) hospedagem gratuita de sites. Naquele tempo não se falava em “portal” nem em blogs. Milhões desenvolveram páginas pessoais. Mas elas exigiam do usuário algum conhecimento de linguagem HTML, o que significava “pegar o touro com a unha” e montar vírgula com rotinas e códigos. Logo os pré-blogueiros caíram do touro bravo e até hoje sites-zumbis, com sintaxe arcaica, erram clamando por um log-off de misericórdia. Em 1997, nerds simplificaram o processo, oferecendo modelos pré-fabricados, os blogs. O site Infosift foi o primeiro a compilar weblogs como categoria à parte. Em 1999, apareceram ferramentas que melhoraram a operação. Resultado, a comunidade blogueira sofreu um pop-up em escala malthusiana.

Onã foi o deus fundador da genealogia blog. Diários íntimos deram a largada. Avatares de cartoons comentavam clipes no anos pré-MP3. As mulheres encontraram na ferramenta o meio ideal de ampliação de suas febres eróticas. Na extrema-unção da década de 90, era fácil topar com precursoras do livro A Vida Sexual de Catherine M. – que não passa de um blog às antigas em papel. Os aliases, como são chamados os pseudônimos na Web, viraram procedimento comum. Os blogs se expandiram para todos os fins e línguas: diários íntimos, receituários, blogs de escárnio e maldizer, de amigo, de comentários sobre blogs, blogs de blogs de blogs. Ao sol do caos, a árvore cresceu frondosamente.

Dados do site de busca Blogdex, do MIT, da conta de mais de 500 mil blogs no ar no mundo. Três anos atrás, segundo a mesma fonte, havia 23 weblogs. O site BlogTree escrutina as árvores genealógicas de blogs. Ostenta hidras com milhões de cabeças que engendram outras tantas.

O fato atual peculiar reside no deslocamento da expressão subjetiva para o plano da circulação pública de informação. A opinião, esta quimera, foi promovida à carta magna da nebulosa blog. A intimidade escancarada do diário dá lugar ao questionamento da mídia, à agonística – a luta pela leitura crítica – no mundo impalpável da Rede. Onã anseia em ser Aeropagita, polemista de grandes causas, e debater-se no areópago gigantesco da infovia.

É lícito remeter a discussão à Aeropagítica, de John Milton, discurso que o poeta proferiu em 1644 no parlamento britânico pela liberdade de imprensa. Cria Milton que o saber é um processo dinâmico, construído com opiniões e deslizes que alumiam o progresso: “Onde é grande o desejo de aprender, é também grande a necessidade de discutir, de escrever, de ter opinião. Porque a opinião, entre homens de valor, é conhecimento em formação”.

O opínio-onanismo da cultura blog ganhou impulso na razão direta das megafusões das empresas de comunicação, na virada deste século. Quanto mais fortes e automáticas as corporações, mais bagunçada soa a ala blog. AOL-Time Warner contra o gonzo – imprensa de gozação surgida nos anos 70 nos EUA. O fundador do gonzo journalism, o americano Hunter S. Thompson, cunhou um aforismo sobre sua atividade e que serve como profecia: “Quando as coisas ficam bizarras, os bizarros viram profissionais”.

Adentrar a selva selvaggia dos blogs pode ser uma expedição desgastante, mas hilária. Há uma profusão de brasileiros blogados 24 horas, morando na rede, transmitindo notícias e boatos, exaltando o palavrão e a gíria. Embaralham expressão, opinião e diálogo. Blogs perigam degenerar em monólogos lunáticos. Reclama-se da ausência de ética de alguns. Mas talvez o que mais lhes falte é talento. Há os que se ocultam em aliases, como as garotas ousadas dos anos 90, para destilar verrinas. Protegem-se no anonimato, causando distorções, pois há os que usam a máscara para enxovalhar a vizinhança. São centenas de blogs intrusivos dedicados a tal fim – e os mais visitados. Existe, porém, uma maioria de blogs responsáveis. Jornalistas blogaram porque viram sua seara sofrer concorrência nerd, para não falar da crise na profissão. Pena que usem blogs como sites tradicionais.

Os bloggers desejam ser vistos como heróis da contracultura deste início de século. O medo deles é de que ocorra uma invasão da civilização off-line. Esforçam-se para se manter na idade adâmica do vale-tudo e separar blogueiro de jornalista. Se o nome é o patrimônio do jornalista, o alias é o do blogueiro.

Até agora, a Rede passou incólume às garras da lei. Blogueiros não temem a dura lex… Talvez lhes falte senso de responsabilidade. Mas os conteúdos mudam e blogs se profissionalizam. O resultado é que os bizarros teimam em ser ainda mais absconsos.

No pólo oposto, Globo e iG lançaram serviços de blog, seguindo a mídia internacional, que percebeu o perigo da agitação da opinião pública causado pelos blogs e está tratando de domesticá-los e anexá-los. É o caso do jornal inglês The Guardian, cujo blog, mantido pelos jornalistas do veículo, é melhor do que o site. A rede MSNBC também tem o seu, apresentado por seus melhores âncoras.

A internet jogou de tal forma os meios de informação na vala comum, que é impossível vigiar conteúdos. Blogs são filhos do descontrole. Os megagrupos querem tragá-los para reorganizar sua essência. Hoje, como no tempo de Chatô, os meios de comunicação são instrumentos de domínio da opinião. A dos articulistas pode não representar a do dono, mas é chancelada por ele. Traz um imprimatur em marca d’água. Qual a diferença entre um blog attachado a uma gigacorporação e os portais que elas sustentam? Nenhuma, salvo a rapidez da operação. Os blogueiros têm furado os portais noticiosos; é urgente manietá-los.

Ainda que se avizinhe uma batalha entre a razão off-line e a fantasia internética, blogs continuam sendo ferramentas que proporcionam a sensação da liberdade de expressão, infensos à censura do imprimatur. Muitos blogs fazem a apologia da opinião leviana, mas abrem uma válvula de escape necessária em um universo tecnológico, autômato e irrespirável. Os fatos resultam cada vez mais bizarros e a realidade perde o pé no universo virtual. Ao preço de não abdicar do sacramento do livre pensar, todos nós, profissionais ou não, talvez tenhamos de nos converter em gonzos. E nos aturarmos uns aos outros.

Luís Antônio Giron.

PS – Interessante. Esse texto foi publicado na revista Bravo em setembro de 2002 !!!

Estrelas, Cecílias e Betânias…

Publicado: 29/01/2010 em Poesia

“Caminho do campo verde
estrada depois de estrada.
Cerca de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.
Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.
Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão vazia, mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!
Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a tarde é minha.
Os meus passos no caminho
são como os passos da lua;
vou chegando, vai fugindo,
minha alma é a sombra da tua.
Eu ando sozinha
por dentro de bosques.
Mas a fonte é minha.
De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto,
meu peito é puro deserto.
Subo monte, desço monte.
Eu ando sozinha
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha.”
(Cecília Meireles)

APOSENTADOS DEVEM R$ 22 BILHÕES AOS BANCOS

Aposentados sofrem a pressão das dívidas
Autor(es): Vânia Cristino
Correio Braziliense – 29/01/2010
 

Empréstimos consignados no sistema bancário cresceram 152,3% no ano passado

Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão pendurados em dívidas. No ano passado, eles pegaram R$ 22,3 bilhões em empréstimos no sistema financeiro, montante 152,3% maior que os financiamentos obtidos em 2008, o ano da crise econômica mundial. Esse volume de empréstimos representa um quarto de todas as operações de crédito consignado realizadas no ano passado por trabalhadores públicos ativos e inativos e mais os segurados do INSS, segundo dados do Banco Central.

Só em dezembro, as operações de empréstimo com desconto em folha feitas pelos aposentados somaram R$ 1,85 bilhão, com alta de 122,7% em relação a dezembro de 2008. O empréstimo consignado é a modalidade de financiamento que mais cresce no sistema financeiro. O motivo é a taxa de juros bem mais em conta. Segundo o Banco Central, enquanto os juros do crédito pessoal chegam a alcançar, em média, 44,4% ao ano, a taxa do crédito com desconto em folha(1), com menor risco para os bancos, fica em 27,2% ao ano. Para os segurados do INSS, o juro pode ser ainda menor. O Conselho Nacional de Previdência Social fixou o teto máximo de juros para os aposentados em 2,34% ao mês. Em muitos casos, eles ficam em torno de 1%.

A Previdência Social atribui o crescimento do volume de crédito ao aumento de 10% do comprometimento da renda, permitido para o empréstimo consignado no ano passado. Até a decisão do conselho, os segurados só podiam comprometer 20% da renda com o pagamento do empréstimo. Os outros 10% , se necessários, tinham que ser pegos na modalidade cartão de crédito, que é mais cara e, na prática, inibia as operações de financiamento.

Pelos dados da Previdência Social, mais de 60% das operações de crédito realizadas em dezembro foram feitas pelos aposentados e pensionistas com renda de até um salário mínimo. No total, eles pegaram R$ 875,3 milhões de crédito, cerca de 47% do volume total liberado pelos bancos para os segurados no mês.

Em média, os segurados com renda de até um salário mínimo contrataram empréstimos de —R$ 2,2 mil em dezembro. O valor médio dos financiamentos obtidos por segurados com renda entre um e três mínimos foi um pouco maior, em torno de R$ 2,9 mil. Já os aposentados e pensionistas com renda acima de três salários mínimos contrataram empréstimos em torno de R$ 5 mil.

1 – Facilidade
O empréstimo consignado ou com desconto em folha é aquele tipo de financiamento que não dá trabalho nem para o banco nem para o tomador do crédito. O valor da parcela já vem descontada no salário ou na aposentadoria. No caso dos segurados do INSS, cabe à Dataprev, empresa de processamento de dados da Previdência Social fazer o desconto, depois de autorizado pelo segurado, e repassar o dinheiro ao banco.

PS – É um fato. Não sou economista. Bancário. Que profissão mais doida. Faz um pouco de tudo e não é nada. Nem tem valor de mercado. Mas o fato é que a notícia aí em cima preocupa. Os aposentados foram um alvo fácil da ganância dos bancos. O consignado saiu das prateleiras para atingir em primeiro momento, esse segmento importante do povo brasileiro. Nunca na história desse país… os aposentados se endividaram tanto e com tanta facilidade. Onde já se viu, você por telefone, conseguir um empréstimo. Eu nem falo de fraudes etec pei bufe coisa e tal. Falo é que a maioria dos aposentados virou arrimo de família e estão pendurados nos bancos. Isto é fato. Preocupante.

Patativa do Assaré pede licença.

Publicado: 28/01/2010 em Poesia

AOS POETAS CLÁSSICOS.

Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá.
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá — O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.

Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.

Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
— Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.

Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.

Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.

Dêste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lêsma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.