Arquivo de outubro, 2011

Dia “d”

Publicado: 31/10/2011 em Poesia, Saudade da Porra





LIÇÕES OCULTAS


Fruto
podre.

Fora pomo
disputado, mas estava podre agora.

Transeuntes, ao
darem com ele, torciam o nariz.

Censurava-se, à
meia voz, a quem havia deixado ali,

na rua,
semelhante imundície.

Fruto podre gera
podridão — diziam homens prudentes.

Mulheres que
passavam referiam-se a desleixo.

Crianças
aproximavam-se e tocavam-no, de leve,

para atirarem com
ele, de novo, ao chão, com desprezo evidente.

Nem os animais se
sentiam tentados a incluí-lo na ração.

Mas veio o
lavrador e tomou-o com bondade. Cortou-lhe

os envoltórios,
dissecou-lhe os tecidos e apanhou-lhe

as sementes,
vivas e puras, internando-as no solo…

E, em pouco
tempo, árvores vigorosas, nascidas do fruto

menosprezado,
erguiam-se da terra, carregadas de

flores e frutos
nutrientes.

***

Nossos erros são
também como frutos podres.

Vezes e vezes,
quem passa olha para eles

com ar de
repugnância.

Quem os analisa,
quase sempre amaldiçoa ou reprova.

Mas, se lhes
buscarmos as lições ocultas, que existem
quais as sementes nos frutos
deteriorados, com elas

construiremos
caminhos outros no rumo da perfeição.

Todos somos
lavradores da terra de nós mesmos.

E a cultura perfeita de
nossas experiências e destinos
pede também que plantemos e replantemos.

Valerium
(do livro “Bem aventurados
os simples”, cap. 18,
psicografado por Waldo
Vieira)

Capitães da Areia

 

Aventura, 96 min. Cotação:
***

Direção: Cecília
Amado. Elenco: Jean Luís Amorim, Ana Graciela, Robério Lima, Paulo Abade,
Israel Gouvêa, Jordan Mateus.

Era de se esperar que uma das mais belas páginas  da literatura brasileira ganhasse uma versão para o cinema.* Capitães  da Areia, conhecida obra do escritor baiano Jorge Amado, conta a  história de um grupo de menores de rua abandonados na Salvador dos anos 30. E  ninguém melhor que sua neta, Cecília Amado, para realizar a adaptação.

O filme se encarrega de mostrar a célebre trama  do livro. Apelidada de “capitães da areia”, essa turma vivia num trapiche, era  liderada por Pedro Bala (Jean Luís Amorim) e mal vista pela sociedade por  praticar pequenos golpes. Todos estão presentes. Desde o sedutor Gato (Paulo  Abade) ao solitário Sem-Pernas (Israel Gouvêa), o simpático Boa Vida (Jordan  Mateus) e o sábio Professor (Robério Lima), além dos outros tantos.

Mas o que a  sociedade não percebia – ou não queria perceber – é que todos eles necessitavam  de afeto.

Depois de tantas aventuras, tantos perigos, Dora  (Ana Graciela, um talento) entra na vida dos garotos. Ela carrega a inocência  que eles perderam devido às adversidades. Quando de sua partida, uma grande  comoção, pois sua figura feminina simbolizava a mãe que todos sentiam falta,  desejavam ter.

Capitães da Areia inicia as comemorações  do centenário do escritor, nascido em 1912. Cecília começou a rodá-lo em 2008,  finalizando o projeto em 2009. Segurou por dois anos para que o filme ganhasse  força.

O livro foi lançado em 1937. É uma das primeiras  obras de Jorge Amado e foi feito quando o escritor trazia em seus textos forte  teor de denúncia social. Por isso, chegou a ser censurado naquela época pela  ditadura de Getúlio Vargas.

Cecília Amado se mantém fiel ao escrito, uma  forma de reverenciar o avô. Ela não deixa de lado a sensualidade, fé e malícia  características da Bahia e que permeavam a obra. Além disso, o potencial  conflito por Dora, entre Professor e Pedro Bala, é bem explorado. Mas se engana  quem pensa que o filme não tem inventividade. A montagem e os movimentos de  câmera são bastante ágeis e, nesse aspecto, fazem lembrar “Cidade de Deus”.

Não é perfeito. Em certas situações, tropeços.
Como na parte em que Pedro Bala é agredido pelo bando de Ezequiel e há um corte  brusco, não mostrando o desenrolar disso. E pela inexperiência da maioria do  elenco, as atuações (sobretudo em alguns momentos da primeira metade) são  vacilantes.

Talvez a trilha de Carlinhos Brown fosse o que  mais preocupava, mas até ela agrada por carregar a essência baiana, embora, vez  ou outra, “reivindique” maior destaque do que a trama.

Apesar dos eventuais problemas, é impossível não  se envolver com os personagens. Há pelo menos dois momentos de pura poesia: um  deles é a criação da antológica cena do carrossel que por décadas rondou o  imaginário dos fãs.

E a parte em que Dora flutua sobre a água, um simples e  notável ponto na imensidão.

Em seu primeiro filme, fica a sensação de dever  cumprido pelo bom resultado e pelo significado que a obra tem para a diretora.
E se Jorge estivesse vivo, certamente teria do que se orgulhar.

* Em 1971, houve o lançamento de um filme
pouco conhecido que se inspirava na obra: “The Sandpit Generals”, de Hal
Bartlett.

I S O L D A

Segundo os mais atuais estudos sobre genética, curiosamente, herdamos  características físicas, traços da personalidade e principalmente, talentos,
mais de nossos avós e tios do que propriamente de nossos pais. Talvez isso  explique melhor a aptidão de Isolda e de seu irmão, Milton Carlos
para a música. O bisavô , maestro, compositor e arranjador, veio da França para o  Brasil, trazendo esposa e filho, convidado para realizar trabalhos musicais e  terminou se estabelecendo definitivamente por aqui, sendo inclusive autor dos  hinos de várias cidades paulistas. O filho (avô da compositora) seguiu os  passos do pai e tendo crescido em nosso país,era também maestro e  arranjador,tendo trabalhado especialmente com peças para teatro musical. Se  essa bela herança musical não se manifestou na mãe que, até casar-se (com um bancário), trabalhava como secretária, não demorou a manifestar-se nos filhos  do casal.

Nascida em meados dos anos 50 em São Paulo, Isolda imaginava-se  jornalista ou algo ligado às comunicações graças as suas afinidades com a
escrita, mas já nesse período costumava “brincar” de compor músicas sozinha ou  com o irmão, MILTON CARLOS, este sim, determinado à seguir carreira musical.
Vale conjecturar que certamente reconhecendo o talento congênito da irmã, este  passou à requisitar sua parceria nas canções que os levaram de início à  participar dos festivais de música que se multiplicavam pelas  cidades, notadamente dos interiores de São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. E
venceram muitos destes. E foi mais ou menos nesse período que os irmãos foram  convidados a participar de diversas gravações, fazendo côro (backing vocals)  para outros cantores. Não demorou para que alguém percebesse o belo e raríssimo  timbre do MILTON (seu registro era bem semelhante,quiçá igual, ao do Ney  Matogrosso) e este começou sua carreira de cantor registrando as criações em  parceria com ISOLDA. E foi um belo começo. Ou alguém não lembra das antológicas  SAMBA QUADRADO e MEMÓRIAS DO CAFÉ NICE (esta como intérprete  apenas) ? E vale ressaltar que paralelamente à estes sucessos,vários cantores  (e até mesmo compositores/intérpretes) passaram à solicitar suas criações.

Mais confiantes, ousaram enviar ao Roberto Carlos uma de suas  canções que julgaram apropriada ao estilo do cantor.

Passado algum tempo tiveram a surpresa de lerem na imprensa o repertório do então novo disco do  Roberto e lá estava,“AMIGOS,AMIGOS”. Não tardaram a aparecer mais  colegas requisitando as músicas da dupla que, motivada, compunha cada vez com  mais afinco,dedicação e satisfação.Não sei com exatidão o período mas Roberto  Carlos ganhou (e registrou) outro clássico dos irmãos, UM JEITO ESTÚPIDO DE  AMAR.

Paralelo ao trabalho como compositor, MILTON CARLOS vinha se saindo  muito bem como cantor. com agenda lotada e viagens constantes.

Para ISOLDA, mais que parceiro e irmão, ele era seu melhor amigo e  conselheiro.

Portanto, é inimaginável avaliar a extensão de sua dor quando ao chegar em casa , naquela noite, tomou conhecimento do fatídico acidente que
vitimou o MILTON CARLOS. Uma perda irreparável para a MPB, os amigos, colegas e  a família (especialmente,ISOLDA). Além de sua voz superlativa, perdemos um  melodista acima da média,que transitava com naturalidade por diversos estilos.

Prova disso são suas canções que foram gravadas por intépretes que iam de Nélson  Gonçalves à Eduardo Dusek passando por sambistas, sertanejos (de  verdade), românticos e que tais.

Em meio à tempestade e à solidão, Isolda reconhece que o abraço e  o carinho dos verdadeiros amigos fizeram-na seguir adiante, continuando à
“brincar” de fazer canções, mas agora com responsabilidade dobrada: manter o  mesmo nível de qualidade da parceria. E numa daquelas noites,enquanto dedilhava  seu violão,uma melodia começou a nascer e com esta,a letra daquela que, pode ser  ou não sua mais bela composição, mas certamente, é a sua obra mais representativa: OUTRA VEZ estourou e tocou  o coração de todos nós na voz de Roberto e desde então já teve cerca de 200  regravações, no Brasil e no mundo. Longe da pieguice, OUTRA VEZ é de um romantismo comovente, que paradoxalmente narra a perda e a saudade de forma  afirmativa ,positiva e repleta de ternura. Típico de uma grande compositora,  marca registrada de ISOLDA.

Embora recentemente tenha lançado um CD com suas criações (só e com  diversos parceiros) Isolda não se considera cantora nem pretende
trabalhar como tal. Dirige uma Editora. Seus parceiros mais constantes são Eduardo Dussek,Armando Manzanero e Joanna. Claro que outras pérolas virão para nosso deleite, porque a bela ISOLDA ainda vai  continuar por muito tempo sendo aquela menina que brinca de fazer música.

PS: Seria impossível anotar aqui todas as canções de ISOLDA (algumas em parceria) gravadas. Segue abaixo,algumas delas e o

intérprete.

ROBERTO CARLOS: Amigos,Amigos – Jogo de Damas – Elas

Por Elas – Pelo Avesso – Um Jeito Estúpido de Amar – Outra Vez – Tente Esquecer

– Como É Possível – De Coração Prá Coração – Quando Vi Você

Passar.

BETHÂNIA: Um Jeito Estúpido de Amar

SIMONE: Quem É

Você – Sou Eu (da novela SEXO DOS ANJOS).

EDUARDO DUSSEK: Sou

Eu.

ALCIONE: O Pior é Que Eu Gosto.

E mais

JOANNA,GAL,TROVADORES URBANOS,ANA CAROLINA,RONNIE VON,TÂNIA ALVES,NÉLSON

GONÇALVES,ROSA MARIA COLIN e muitos outros,inclusive estrangeiros como PEPPINO

DE CAPRI,ARMANDO MANZANERO e RICHARD CLAYDERMAN.

Do Blog Conversa Afiada:

 

Magic Paula foi convidada para ser uma das secretárias do Ministério do Esporte na gestão Agnelo Queiroz.

Orlando Silva era Secretário também e cuidava da parte de Educação e Esportes.

Magic Paula, de Esporte Olímpico.

Magic Paula pediu a conta rápido.

Aliás, pediu a conta por causa de uma prestação de contas.

Ela foi a Barcelona numa missão oficial, na companhia do Ministro Queiroz.

Na hora de pagar a conta do hotel, soube que alguém muito poderoso, ligado ao esporte, tinha pago por ela.

Ao chegar a Brasília,  já saturada de tantas irregularidades, resolveu usar a conta do hotel para pedir a conta.

Perguntou como fazia para devolver as diárias.

Foi um Deus nos acuda !

Devolver as diárias, onde já se viu uma coisa dessas ?

Se ela devolvia, os outros, também objeto da gentileza, tinham que devolver.

Magic Paula devolveu e foi embora do Ministério.

E deu uma entrevista a este ansioso blogueiro no programa “Edição de Notícias” , da TV Record.

Ali, ela contou também que recebeu a incumbência de promover um evento de esporte amador em Manaus.

Havia em cima da mesa do Ministro uma oferta de produzir o evento por R$ 7 milhões.

Proposta de alguém muito poderoso, ligado ao esporte.

Magic Paula pediu tempo e correu atras de patrocínios.

Voltou ao Ministério com uma alternativa: conseguiria realizar o evento por R$ 2 milhões.

Uma pena !

A proposta de R$ 7 milhões era irrecusável !

Quem são esses poderosos que rondam o Ministério do Esporte ?

Quantos poderosos sentaram praça no Ministério do Esporte na véspera da Copa e das Olimpíadas ?

Magic Paula, depois que saiu do Ministério, jamais voltou a ser entrevistada na Globo.

Logo na Globo, onde Armando Nogueira sobre ela e Hortência escreveu textos memoráveis.

Pois é, amigo navegante, bem que a Polícia Federal poderia ter uma conversinha com a minha colega Magic Paula, que está aqui em Guadalajara, e recuperou para este ansioso blogueiro o nome deste poderoso dirigente, tão querido no Ministério.

Quem será ?

Por que a Globo o protege ?

Paulo Henrique Amorim

Na luta do bem contra o mal, é sempre o povo que morre

Na parede de um botequim de Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: Ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca.
 
Há aqueles que crêem que o destino descansa nos joelhos dos deuses, mas a verdade é que trabalha, como um desafio candente, sobre as consciências dos homens.

Quando as palvras não são tão dignas quanto o silêncio, é melhor calar e esperar.

“Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara.”

“A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu; e ela não perde o que merece ser salvo.”

 

De nuestros miedos
nacen nuestros corajes
y en nuestras dudas
viven nuestras certezas.
Los sueños anuncian
otra realidad posible
y los delirios otra razón.
En los extravios
nos esperan hallazgos,
porque es preciso perderse
para volver a encontrarse.

“As pulgas sonham em comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico de sorte chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chova ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.”

O mundo
Um homem da aldeia de Negu・ no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida
humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
— O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de
fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras
de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem
queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.

Eduardo Galeano

A piada do PIG (*)

Publicado: 26/10/2011 em Gréa

(*) Como dizem por aí PIG: Partido da Imprensa Golpista. Aqui em Pernambuco deveria ser PIJ: Partido da Imprensa Jabazeira.

Do Blog Vi o Mundo de Luiz Carlos Azenha:

Anonymous desmascara a Veja: Um show de manipulação

A Veja desta semana tenta linkar o movimento Anonymous com os protestos anti-corrupção no Brasil, utilizando a máscara de Guy Fawkes, símbolo do movimento, em sua capa. Um show de manipulação, já que uma coisa não tem nada a ver com outra.

Em resposta à Veja, o Anonymous postou este vídeo no Youtube

 

Vamos começar pelo Jornal do Commercio de hoje.

Jornal que definitivamente irei cancelar a assinatura, pois lança as matérias e depois vejam vocês:

EDIÇÃO DE HOJE 25/10/2011 – PRIMEIRA PÁGINA DO CADERNO DE ESPORTES.

COTAS DA ARENA:

” O presidente Berillo Júnior explicou a situação das cotas que o Náutico tem direito a receber da negociação com a Odebrecht para jogar na Arena Pernambuco. O mandatário alvirrubro reconheceu um ofício pedindo o bloqueio da verba por dívidas fiscais com a União, como foi publicado ontem pelo JC. Mas o dirigente afirmou que nada ainda foi bloqueado.

São débitos anteriores a 2008. Por isso, entendemos que se enquadram no Refis (Programa de Recuperação Fiscal), que o Náutico aderiu em novembro passado e está rigorosamente em dia. Tivemos uma reunião com dois Juízes Federais e dois representantes  da Procuradoria  da União na semana passada. Vamos ter outro encontro ainda nesta semana. Mas nada foi bloqueado, até porque o Náutico ainda não recebeu o dinheiro”, alegou Berillo Júnior que é advogado.”

Agora os pontos que alguns alvirrubros extraordinários me fizeram enxergar. Alvirrubros em quem confio a minha vida:

1)  para o Náutico – com a Arena, com a negociação dos Aflitos e com a nossa possível ( embora difícil ) ascenção a série A – são EXCELENTES. Agora, se não elegermos um gestor competente e honesto nada disso será suficiente. Receio que, essas boas perspectivas, atraiam o interesse de aproveitadores. E, se colocarmos uma raposa no galinheiro, estaremos perdidos.

2)  Especificamente nesse caso da Arena entendo que o negócio é muito bom para o Náutico, Todos os detalhes foram amplamente discutidos em duas reuniões do Conselho.  o que é que o negócio da Arena tem a ver com isso ? As vantagens oferecidas não desapareceram. Mesmo que não possam ser aproveitadas pelo Náutico para fazer face aos seus compromissos com, por exemplo, a folha de atletas, ainda assim estarão servindo para amortizar dívidas do clube que, mais cedo ou mais tarde, teriam que ser enfrentadas ( aliás o Sport – que é modelo invocado por muitos – acaba de enfrentar problema idêntico, com  débito bem maior do que os do Náutico ). Considere-se, ainda, que os investimentos, da ordem de 5 milhões de reais,  a serem feitos pela Odebrecht no Centro de Treinamento ( construção de um Hotel para 40 atletas, com cozinha industrial, academia, piscinas térmica e gelada, gabinete de fisioterapia, salas de reunião, restaurante, auditório etc etc além de mais dois campos de treinamento ) continuam de pé não tendo sido objeto do confisco judicial. Enfim, a negociação com a Arena não foi nenhum factóide. Ela existiu de fato. E suas vantagens também.

3) Negociação dos Aflitos:. Apenas foram feitas consultas a algumas das maiores empresas construtoras. A tendência da maioria do Conselho é contrária a uma alienação pura e simples. Pretende-se um arrendamento ou uma parceria que possa assegurar ao Náutico uma renda permanente e reajustável. Seja como for, a decisão do Conselho Deliberativo, em quorum qualificado, TERÁ QUE SER REFERENDADA PELA ASSEMBLÉIA GERAL DOS SÓCIOS. . Essa muito mais importante pois terá a ver com o destino do nosso patrimônio, especialmente do atual estádio dos Aflitos.

4) Gustavo Krause: Usei indevidamente o nome desse cidadão. Político e consultor, a quem peço desculpas públicas e me retrato. Na verdade acho que ele é o que tem menos a ver com nada vezes nada no que diz respeito a Arena e ao Eládio de Barros Carvalho (estádio).
 
5) Como as prerrogativas vieram de pessoas a quem confio a minha vida e a vida da minha família. Que são muito mais importantes para mim do que Náutico, Futebol e outras coisas mais, posso dizer: ESTOU MUITO MAIS TRANQUILO. Estava realmente bastante chateado, muito triste e pesaroso. Agora me sinto realmente mais tranquilo e aliviado.
 
Um grande e fraternal abraço a todos os Fuscopoetas, Fusconautas e irmãos que conheço e sabem que a eles me dirijo.
 
Obrigado. Obrigado mesmo.
 
Domingos Sávio Maia de Sousa

Para relaxar…

Publicado: 25/10/2011 em Gréa

Jornal do Commércio de hoje (24/10/2011) pág 4 do caderno de esportes:

DINHEIRO DA ARENA É BLOQUEADO POR JUSTIÇA

“Todo o valor da negociação entre o Náutico e o Consórcio Odebrecht, no acordo firmado no último dia 17 , em cerimônia ocorrida no Palácio do Campo das Princesas, foi bloqueado a pedido da Procuradoria-Regional da Fazenda Nacional da 5ª Região. Não só a quantia de R$ 1,5 milhão, repassada ao clube no ato da assinatura de contrato, como as parcelas a serem pagas pela Odebrecht nos próximos meses – até julho de 2013 – , vão ser destinadas ao pagamento de dívidas do clube com o Fisco Federal.

O negócio entre o Náutico e a Odebrecht diz respeito ao mando dos jogos do clube na Arena Pernambuco nos próximos anos. Até Julho de 2013, enquanto o estádio não for entregue ao Timbú, o consórcio ofereceu como contrapartida parcelas mensais de R$ 350 mil ou R$ 500 mil, dependendo de participação do Náutico na Série B ou na Série A, respectivamente.

No dia da assinatura, fiscais da Procuradoria Federal compareceram no Palácio para intimar as partes. Atualmente , o montante se encontra retido, já que a Justiça do Trabalho entrou com uma reclamação semelhante e o dinheiro ainda não teve um destino. Segundo informações do órgão Federal, o clube alvirrubro pode recorrer da decisão. ( kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk o riso  é meu ).

O pedido da Procuradoria-Regional foi acatado pelo Juiz Bruno Zanatta, da 11ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco. A reportagem do JC tentou contato com o presidente alvirrubro, Berillo Júnior – inclusive por meio de sua assessoria de imprensa -, mas seus telefone celular estava desligado.”

 

PS – Eu ainda estou sem acreditar. Leio o jornal duas três vezes. A Arena começou errada e vamos ficar sem Eládio, sem Arena, sem renda. É melhor então não subir, pois iremos ser menos sangrados: R$ 350 mil em vez de R$ 500 mil. Na semana do clássico que notícia arretada. É isso que dá esta eterna falta de transparência do Clube Náutico Capibaribe. E agora? Vai alguma poesia aí Gustavo Krause? Vai chorar também agora? Ou vão ficar sorrindo com a faca entre os dentes prontos para engolir os 44.000 mil metros quadrados que valem meio bilhão de reais?

PS II – Por vergonha na cara, vou retirar os dois posts que coloquei sobre a Arena e a carta de Berillo. Não tenho compromisso com os meus erros.

 

O Escafandro e a Borboleta

Este é provavelmente o melhor filme de 2007, tendo estreado na edição do Festival de Cannes daquele ano. Aqui é narrada a vida do editor da revista de moda francesa Elle, Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric). Ele chega a sofrer um acidente vascular cerebral, o que deixa seu corpo completamente paralisado, à exceção do olho esquerdo, se mantendo consciente.

Jean-Do recebe o auxílio constante de duas terapeutas, uma delas (a boa Marie-Josée Croze) adota um sistema de “piscadelas”. Cada movimento corresponde a uma letra, se comunicando dessa forma. E foi assim que ele preparou o livro autobiográfico “O escafandro e a borboleta”, servindo como base para este filme (a publicação ocorreu em 1997 e Bauby morreu 10 dias depois).

É o terceiro longa de Julian Schnabel, um artista plástico por excelência. Os dois filmes realizados antes foram “Basquiat – traços de uma vida”, sobre o pintor nova-iorquino (que também era seu amigo), e o ótimo “Antes do anoitecer”, que traz a história do poeta cubano Reynaldo Arenas. No entanto, O escafandro e a borboleta (Le scaphandre et le papillon) supera os trabalhos anteriores, se estabelece como sua obra-prima e “acidentalmente” o consolida como um especialista em filmes biográficos.

Johnny Depp seria o responsável por interpretar Jean-Dominique, mas felizmente acabou desistindo por conta de “Piratas do Caribe 3” (foi ele mesmo quem chamou Schnabel para comandar esse projeto). Não que seja mau ator, mas diante da belíssima representação de Mathieu Amalric (que venceu o César), não dá para imaginar outro sendo Bauby. Além disso, com Depp o filme deveria tomar outro rumo, sobretudo no que confere o idioma – o inglês em detrimento do francês.

As filmagens ocorreram em um hospital. O uso de câmeras é soberbo. Na primeira parte, quase não é possível ver Bauby. O espectador assume o seu lugar, visualizando as pessoas que entram em contato com ele. No decorrer da fita, é conhecida a vida que teve antes do derrame e os personagens que a povoaram: os filhos e a ex-mulher (Emmannuelle Seigner), abandonada meses antes, a namorada (Marina Hands) e o pai (o veterano Max von Sydow). A narração é feita “em off” pelo próprio Bauby, revelando certo senso de humor diante da trágica situação. O filme, inclusive, abre espaço para belas referências à Oito e Meio, de Fellini, e Os Incompreendidos, de Truffaut.

A fotografia de Janusz Kaminski (parceiro de Spielberg) transmite, com efeito, as sensações do personagem. Paul Cantelon assina a delicada, suave trilha sonora, importante na condução da história.

Foi indicado apenas a quatro Oscars: direção, roteiro – para Ronald Harwood, de O Pianista, montagem – para Juliette Welfling – e fotografia. Poderia ter recebido outras nomeações (esqueceram de Amalric e Cantelon) e até vencido. Schnabel chegou a dizer que é um filme sobre a visão, de que é preciso discordar. Antes de tudo, O escafandro e a borboleta é um sublime canto à vida.

 

 

 

PARABÉNS EDGAR MATTOS.

Publicado: 23/10/2011 em Poesia
Lembro que quando tinha algo em torno dos 12 anos,escutar meus 3 irmãos mais velhos “tramando” um jeito de convencer o meu pai à ceder o carro nas noites de sábado. Enquanto um jogava para o outro o “argumento” certo eu entrava com minha opinião e quase sempre era aclamado.E dava certo. É mais ou menos assim que eu vejo o nosso caçula Edgar.
Sempre com a palavra certa, correta e elegante (longe de exibicionismos gramaticais) . Seja opinando,discordando,dizendo,contra-argumentando… vê-se logo estarmos diante de um cidadão exemplar.Um amigo sincero e sem outros interesses.
Como alvirrubro está longe dos tipos radicais que chamo de Idiotimistas e Apocalípticos. Edgar é realista.Com a dose certa de “torcedor”. Tivessemos mais meia dúzia dele no clube e eu dormiria tranquilo.
Infelizmente só estive com ele ao vivo e em cores uma vez (justamente quando também conheci os brodas/irmãos Arsênio e Domingão). Mas foi o suficiente para comprovar que ele é o que escreve.
Para mim é uma honra e um orgulho fazer parte das suas pessoas queridas e estimadas.
E para não perder a musicalidade,invoco a canção do genial produtor Phill Spector para falar do Edgar: TO KNOW HIM IS TO LOVE HIM”.
 
Parabéns mestre! Muitas felicidades.
 
                                                         João Carlos.
 
PS: Parei de beber aos domingos. Mas hoje vou brindar ao nosso caçula com convicção e satisfação.
 

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MENSAGEM AO NOSSO AMIGO EDGAR MATTOS NO DIA DO SEU ANIVERSÁRIO
Digam a meu amigo Edgar Mattos
Que às vezes me sinto calhorda, mas reajo, graças a seus conselhos, a sua presença, mesmo quando não física, mas de toda forma presença, espiritual ou aquela que viaja através das lembranças que todos nós cultivamos em um secreto reduto.

 É lá que travamos, em longas jornadas dentro da noite veloz, o duelo constante das nossas próprias interrogações.

Digam-lhe que meu sentir me diz que Deus me deu um amigo porque o mereci, posto que, de tantos que já tive ou tiveram em mim, o sumo se espremeu para converter o vinho ou sangue, talvez, na redenção da ferida que se armou em coágulo.

Digam-lhe que ele luta, luta e luta, e nada será em vão; um ser humano a serviço do bem comum, justo e valente como o ardor do homem só, a postos, diante de um esquadrão de soldados arrogantes;  contemplativo ante a parte esquálida e esquecida da face mais triste de uma menina chamada Terra;

Digam-lhe que o sabemos humano, mas mais que humano, humanamente esperançoso, de que a vida se converta, para todos, em júbilo e serenidade.

Que estou perfeitamente esclarecido da necessidade de nos revermos o mais breve.

Digam-lhe, discretamente, ou por meio de anúncios em alto-falantes
Que revê-lo será sempre uma alegria boa demais: que se ele não mandar buscar os amigos antes, certamente Os levaremos conosco, que quero muito
vê-lo tranquilo, cercado pelo aroma da permanência de todos os seus.

Digam, por favor ou por tudo neste mundo a meu amigo Edgar Mattos, que é pena não estar chovendo aqui neste dia tão cheio de alegria e de memórias.

Mas que brindaremos à sua saúde, e ele há de estar entre nós
O bravo Capitão Edgar, avis rara como pai, amigo e chefe de uma família que elide, ao menos parcialmente, uma boa cota dos pecados do homem;

Grave em seu gorro de campanha alvirrubra, suas sobrancelhas e seus olhos circunflexos  não escondem o amigo sempre afetuoso em seu olhar experiente e comovido;

Mas digam-lhe que não esqueceremos jamais, do seu rugido feroz, que surge quando os incautos ferem a justeza das razões.   
Abnegado em prol do bem-querer e da civilidade, mas agilíssimo em seu modo de falar ao telefone,
brindaremos à sua figura única, à sua poesia única, à sua paixão, e ao seu cavalheirismo;

Lá, entre as velhas paredes renascentes e os doces montes cônicos de feno;

Lá onde o vento descobre-se uma estrela inusitada;

Lá, na casa de sua infância, ou na sua casa repleta de ternura, ou no Estádio encarnado e branco que o ilumina
Digam-lhe:

Que ele seja feliz para sempre, e forte, e se lembre com saudades
de nós todos e (perdoem-me a angústia) especialmente de mim.

No dia 23 de outubro  (digam-lhe urgentemente) que nós resgatamos todas as alegrias do mundo, para abraçá-lo, com carinho, comoção e gratidão, pois Edgar ensina, aos que estão perto/longe do seu coração e com rara galhardia, a difícil tarefa de CON-VIVER.

ARSENIO MEIRA DE VASCONCELLOS JÚNIOR

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AMIGO POR VOCAÇÃO

Outro dia, vislumbrei palavras carinhosas, respeitosas e amigas. Eram como um aperto de mão, um aceno tão perto que resolvi prestar atenção.

Palavras benfazejas, amparadas num caráter digno e generoso, ao que tudo indicava.

Mais outro dia e outro e outro e outras palavras, mais palavras, fazendo um itinerário que eu queria buscar, todos juntos queríamos buscar a bordo de um Fusca pequeno e grande, ao mesmo tempo.

Hoje não tenho mais dúvidas sobre as palavras e o coração. Elas já chegaram à porta da minha casa para me presentear, como se fosse preciso… Depois da frustração de não conhecer os mosqueteiros, uma bandeira branca me chegou às mãos através de um deles e, confesso, chorei. Desde então, não consigo mais ficar sem esperar um email, uma palavra, uma troca precisa de alguém que escuta minhas bobagens como se fossem verdades pontuais, ainda deixando um dica, uma sugestão, um oferecimento incondicional…

Meu querido amigo Edgar, o que te dizer neste dia? Com estas palavras meio apressadas e improvisadas, embora sinceras, permita-me te parabenizar: cavalheiro generoso, amigo por opção, talvez, por vocação…acho mesmo: por vocação. Obrigada, meu amigo.

Que Deus te multiplique as bem-aventuranças, a força, a coragem e a fé que sempre foram tuas companheiras. Teu paizinho, teus familiares aqui e no céu, certamente, te saúdam neste dia. Recebe as bênçãos do Nosso Senhor. Segue tua trilha de dignidade, estreitando passado, presente e futuro como se fossem um só tempo, como, de fato, são. Tens plantado boas lições em todos nós e naqueles do teu convívio –  preocupação maior de tua vida. Quando um avô fala, até as estrelas param pra escutar, já te disse isso. Que nunca te falte, portanto, clareza e sensatez para adquirires mais e mais lições neste teu caminhar.

Louvado seja Deus e que Ele te abençoe sempre!

Parabéns!

Abração!

Magna

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Assim lhe brinda Edgar, o engenheiro do Fusca ANDRÉ GUSTAVO:











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Este Mural ainda não está concluído. Falta Houldine, que com muita generosidade tem escrito para o blog e mandou sua coluna com esforço e de madrugada.
Falta Osvaldo, Falta Tadeu Rocha. Carlos Maia. Presentes todos na verdade, mas à guiza de, quando chegarem a gente vai postando.
Então eu vou tentar num poemito atrevido.
É ousado fazer um poema. Para o irmão caçula é prá torar o toitiço na requenguela:

” Há um querer bem que não se explica
que os nomes nem chegam perto,
que os olhos não alcançam,
mas que o coração traduz.
Há um sentir que conforta,
nos momentos em que a vida é mar revolto
os nossos mundos se estreitam
e o abraço faz-se presença à mesa.
Há um querer bem que nos alimenta
nos aviva, seiva benfazeja.
Sim, todas as vezes sim,
eu quero
sempre estar presente.
Tua companhia é alegria
o querer bem que abre uma eternidade de esperanças
a lealdade de que nos agiganta
e nos ensina o que é a amizade.”

Domingos.

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Nesse momento mais que especial, deixo os meus cumprimentos ao homem que, certamente, é um exemplo para todos nós.
Uma pessoa de grande coração, um humanista por excelência, grande caráter.
Sempre nos felicita com os seus belos textos, seja aqui no Blog de Domingos, seja no Blog do Roberto. E com sua reconfortante presença.
Construímos uma sólida amizade e agradeço a Deus por isso sempre.
Desejo que ele continue a ter saúde, paz, felicidade e o melhor que a vida tem a oferecer.

Ao nosso querido Edgar Mattos, meus parabéns.

Houldine Nascimento.

B  I  G     B  O  Y

Para muita gente do ramo musical, basta ouvir estas duas letras, DJ ( dee-jay) para sentir ânsia de vômito. O antigo e modesto “botador” de discos das rádios, boates e festinhas, graças às modernas tecnologias à disposição de qualquer um e à baixos custos, viraram “astros” da música contemporânea, ditando modas e tendências. Na verdade o que um DJ faz é misturar batidas eletrônicas de suas maquininhas com músicas já existentes e enche-las com gracinhas modernosas (tipo a gagueira: para-para-para-parabéns prá você). Nos EUA nem tanto, mas na Europa e por conseguinte em países menos influentes (como o Brasil,claro) esses picaretas viraram mania e criaram escola.Em geral, não dominam “nenhum” instrumento musical e nem conhecem um mínimo de teoria. Mas são anunciados como artistas “criadores”, lotam shows e em qualquer festival pode-se avistar a famosa Tenda Eletrônica onde um bando de alienados movidos à ecstasy e cia, se esbaldam (à frente do palco) ao som dos batidões produzidos por máquinas controladas por esses “estranhos performers”,que se limitam à trocar os CDs,mexer em botões e claro, ficar pulando prá “animar” os incautos. O pior , é que se julgam verdadeiros “artistas” , até usam dos jargões dos músicos, tipo: “está noite VOU tocar em tal lugar.” Tocar o que ?

Até o início dos anos 70, um programa radiofônico era produzido da seguinte forma: o PROGRAMADOR selecionava as músicas e entregava uma cópia com os discos ao DJ. Este, munido de 2 pick-ups preparava os discos na ordem programada e na “deixa” do locutor  os colocava para tocar (controlava também os anúncios , propagandas etc). O LOCUTOR, geralmente de voz grave e impostada, seguia religiosamente o roteiro (que incluia as canções à anunciar) e pronto. Foi nesse cenário que o jovem NEWTON ALVARENGA DUARTE, aficionado em música contemporânea de várias tendências, colecionador ávido, cismou de trabalhar em rádio. Inspirado nos DJs americanos, especialmente WOLFMAN JACK, não via a hora de por em prática tudo que aprendera com aquela locução coloquial, alegre, vibrante, cheia de gírias e, antes de tudo jovial de seu mentor americano.

Com suas raridades musicais sob o braço fazia incansável ronda diária nas rádios cariocas, em princípio na RÁDIO TAMOIO, então a mais atualizada do Rio, mantendo contato com programadores, locutores, gerentes e com os fãs (como ele) do rock. Sua obstinação começou à dá resultado quando de última hora, na ausênsia de um locutor, foi convocado para substitui-lo. E já entrou com seu bordão que viraria história: “HELLO CRAZY PEOPLE!”. Entre as canções, “conversava” com os ouvintes como um fã, um amigão de longas datas e mais que anunciar severamente “o próximo número musical”, dava detalhes, curiosidades e dicas sobre as músicas. Gargalhava, deixando transparecer sua autêntica admiração pelos artistas e canções. O sucesso foi tanto que no dia seguinte foi convidado para participar da reformulação da RÁDIO MUNDIAL-AM. E o Newton Gordinho virou o BIG BOY, nome artistico que adotou dai em diante.

O fato é que a Rádio Mundial monopolizou o público jovem. Big Boy tinha dois programas diários: o BIG BOY SHOW e o RÍTMOS DE BOITE e um semanal , CAVERN CLUB (repleto de raridades e versões alternativas dos Beatles). E mais um programa diário na Rádio Excelsior de São Paulo.De tão requisitado,BIG BOY largou seu emprego de professor de Geografia e se assumiu como RADIALISTA.

Além de atuar como programador e locutor de rádio, BIG BOY passou à promover festas pelos mais diversos locais do Rio, os famosos BAILES DA PESADA. Competente, quando na Zona Norte, o repertório contemplava os clássicos do funk (Marvin Gaye,Stevie Wonder,Kool And The Gang etc) mas rolava rock. E fazia o inverso na Zona Sul. Foi assim que surgiram os primeiros discos do Baile da Pesada, sem interrupções entre as faixas de vários estilos dançantes.Convidado pela TV GLOBO, no Jornal Hoje  comentava sobre lançamentos e exibia diariamente um CLIP (na época não se chamava assim). Chamado pela TV RECORD-SP, apresentava o programa PAPO POP,no qual, por sua imposição ,apresentavam-se grupos e artistas de vanguarda, de variados estilos, que tentavam entrar no mercado musical. Que eu lembro, os SECOS & MOLHADOS,BELCHIOR e o MADE IN BRAZIL (um pastiche dos Stones bem ruinzinho).Mesmo com tanto trabalho,BIG BOY não se omitiu de colaborar com a decadente RÁDIO ELDORADO, implementando inovações que recuperaram o prestígio da  ELDO POP,uma das primeiras FM brasileira.

BIG BOY levitou no dia 7 de março de 1977, sufocado por um ataque de asma num hotel em São Paulo. Tinha apenas 33 anos.

Pouca gente se lembra dele e a grande maioria sequer já ouviu falar do seu nome.Principalmente as novas gerações.Mas a grande lição que o gordinho deixou deveria ser matéria obrigatória para os atuais DJs ARTISTAS. BIG BOY sempre afirmou ser “RADIALISTA”. Fã de música e divulgador abnegado dos artistas e das músicas que amava. Assim como o fazia nos “Bailes da Pesada” ,interferia entre as músicas citando os verdadeiros artistas.Nos discos que produziu,os intérpretes e compositores eram devidamente relacionados e seu nome aparecia como “coordenador de repertório”.Jamais ousou acrescentar batidas ou se apropriar das obras de outrem. Teve convicção e coragem de mudar a linguagem radiofônica (e até televisiva) do Brasil e jamais alguém o viu jactar-se por nada disso.Na verdade,seu único orgulho e legado foi uma coleção de mais de 20.000 discos,além do inesquecível bordão: “Hello Crazy People!”

O Tao. Por Osho.

Publicado: 20/10/2011 em ESPIRITUALIDADE

Tao: a grande rebelião

 
 
Os mestres taoístas falam apenas do “Caminho”; Tao significa o Caminho, e eles nunca falam sobre o objetivo. Eles dizem: “O objetivo virá por si mesmo; você não precisa se preocupar com ele”.

Se você conhece o Caminho, conhece o objetivo, pois o objetivo não está no final do Caminho, mas ao longo de todo o Caminho; a cada momento e a cada passo ele está presente.

Não que você atinja o objetivo quando o Caminho termina; se você estiver no Caminho, estará no objetivo a todo momento, onde quer que você esteja.

Estar no Caminho é estar no objetivo. Por isso os mestres taoístas não falam sobre o objetivo, não falam sobre Deus, não falam sobre moksha, nirvana, iluminação… não, absolutamente. A mensagem deles é muito simples: você precisa encontrar o Caminho.

As coisas ficam um pouco mais complicadas porque eles dizem: O Caminho não tem mapa, não está cartografado, não é tal que você possa seguir alguém e encontrá-lo. O Caminho não é como uma auto-estrada; é mais como um pássaro voando no céu, sem deixar rastro… O pássaro voou, mas nenhum rastro foi deixado e ninguém pode segui-lo.

Assim, o Caminho é um percurso inexplorado; ele é um percurso, mas inexplorado; ele não está pronto, não está disponível, você não pode simplesmente decidir caminhar por ele; você terá de encontrá-lo.

E você terá de encontrá-lo à sua própria maneira, pois nenhuma outra servirá para você. Buda caminhou, Lao Tzu caminhou, Jesus caminhou, mas esses caminhos não irão ajudá-lo, porque você não é Jesus, não é Lao Tzu, não é Buda. Você é você, um indivíduo único. Somente ao caminhar, somente ao viver a sua vida, você encontrará o Caminho. Isso é algo de grande valor.

É por isso que o Taoísmo não é uma religião organizada, e nem pode ser. Ele é uma religiosidade orgânica, mas não uma religião organizada.

Você pode ser um taoísta se simplesmente viver sua vida autêntica e espontaneamente, se tiver coragem de entrar no desconhecido por conta própria, sozinho, sem depender de ninguém, sem seguir ninguém, mas simplesmente penetrando na noite escura sem saber se chegará a algum lugar ou se ficará perdido.

Se você tiver coragem, esse risco existe; é arriscado, é uma aventura.

O Cristianismo, o Hinduísmo e o Islamismo são grandes rodovias: você não precisa arriscar nada, simplesmente segue a multidão. Com o Tao, você precisa seguir sozinho, precisa estar sozinho.

O Tao respeita o indivíduo e não a sociedade; respeita o único e não a multidão; respeita a liberdade e não a conformidade. O Tao não tem tradição; ele é uma rebelião, e a maior rebelião possível.

Osho, em “Tao: Sua História e Seus Ensinamentos”
Imagem por Joe Shlabotnik

Surpresa no Aeroporto Gilberto Freire: encontro a PENTATLETA CAMPEÃ YANE MARQUES!

Dizer o quê desta jovem guerreira?

Pernambuco orgulhoso.

Família  orgulhosa.

Todos com a camisa estampada com a sua foto e a frase: NA MIRA DO OURO.

Imprensa.

As saudações alvirrubras que eu não podia deixar passar.

A família desta ATLETA EXTRAORDINÁRIA é toda Alvirrubra!

A promessa de no Clássico dos Clássicos homenageá-la com uma bela faixa.

Promessa que cumprirei.

E no final a repórter (uma das presentes) me diz em segredo: eu também sou alvirrubra!

Bem que o CNC podia patrocinar YANE.

Nessa hora não tive mais palavras.

Passei batido e fui até o CT da Guabiraba. Pelo menos 30 km do Aeroporto até lá.

Só para dar a volta e ir prá casa.

Sem comentários.

VALEU YANE.

VOCÊ É OURO PERNAMBUCANO !!!

 

Para que todos se reconheçam. Eu me reconheço.

Há 10 dias sem ver Ana Luiza.

E os filhos? Mas não tem essa de volta logo não.

Mini-férias merecidas. Merecidíssimas. Bem longe do Brasil. Amém.

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Ela Lava e Ele Enxuga

Fernando Sabino


Como já tive ocasião de contar (Aventura do Cotidiano – 4, em “A Falta que Ela me Faz”), eram três solteirões que viviam com o pai viúvo naquela casa do interior de Minas. Um dia o mais novo, e já não tão novo, conheceu uma moça, gostou da moça, acabou se casando com a moça.

Casou e mudou.

Tempos depois, indo visitar o pai e os irmãos, não escondeu seu entusiasmo:

— Gente, vocês não sabem como mulher é bom! Serve para tanta coisa…

Não deixa de ser uma definição do casamento, como era concebido antigamente. Hoje em dia, prevalece mais a que decorre do comentário feito por aquele outro, depois que se casou:

— Então quer dizer que casamento é isso? Ela lava e eu enxugo?

— Pois comigo agora vai ser diferente — pensava ela, ao deixar o trabalho. Em vez de ir direto para casa fazer o jantar do marido, foi ao cabeleireiro mudar o penteado.

Depois de vários meses sem cozinheira, chegara enfim o dia de não encostar a barriguinha no fogão, como ele costumava gracejar, aliás sem graça nenhuma.

Em vão ela havia tentado avisar, telefonando-lhe para o escritório, que queria jantar fora naquela noite: não está na sala, está em reunião, ainda não chegou, já saiu. Onde diabo estaria? Nenhuma ponta de ciúme chegou a se manifestar na sua irritação por não encontrá-lo: parece até que está fugindo de mim, pensou apenas, indo finalmente para casa.

— Eu hoje quero jantar fora — foi declarando, categórica, quando ele lhe abriu a porta.

— Onde você andou? — perguntou ele, dando-lhe passagem.

— Fui ao cabeleireiro. E você? Tentei te avisar o dia todo.

— Me avisar o quê?

— Que eu queria jantar fora.

— Vim mais cedo para casa. Como não te encontrei…

— Nem podia encontrar, pois eu estava no cabeleireiro.

— Eu sei, você já falou. Não te encontrei, e estava com fome…

Que é que ele queria dizer? Que já havia jantado?

— Jantado, propriamente, não. Como estava com fome, fritei um ovo, e tinha um resto de arroz na geladeira… Não achei mais nada.

— Não achou nada porque eu não vim fazer o jantar.

— Estou sabendo. Foi ao cabeleireiro.

— Isso mesmo. Fui e hoje eu quero jantar fora — insistiu ela: — Não venha me dizer que você não vai me levar só porque comeu um ovo.

— Calma, minha filha — fez ele, evasivo: — Jantar onde? Você nem acabou de chegar da rua e já quer sair de novo. Que diabo de penteado é esse?

O comentário final foi a gota d’água — ela, que esperava dele um elogio pelo penteado.

— Não pensa que você me leva na conversa — protestou, indignada: — Eu quero saber se vai me levar para jantar. Se não vai, diga logo, que eu vou sozinha.

Um tanto temerária, aquela afirmativa, admitiu ela para si mesma: jantar sozinha como? onde? com quem? e pagar com quê?

— Estou com fome… — choramingou, para ganhar tempo.

Ele fora sentar-se diante da televisão, indiferente, enquanto ela ficava por ali, lamuriando a sua fome.

— Vê se encontra aí qualquer coisa para comer, como eu fiz — ele se limitou a dizer.

Ela botou as mãos na cintura e sacudiu com raiva a cabeça, ao risco de desmanchar o penteado:

— Olha bem para mim e vê se me acha com cara de arroz com ovo.

— Ovo, só tinha um — ele ria, o cínico! — E o arroz já era.

Num impulso de revolta, ela se voltou para a porta:

— Não preciso de você. Na casa da mamãe deve ter sobrado alguma coisa do jantar.

— Ridículo — ele se limitou a suspirar, e voltou a se distrair com a televisão.

Em vez de sair, ela partiu batendo os saltos em direção à cozinha. Pôs-se a remexer ruidosamente em tudo, devassando a geladeira, abrindo latas e destampando panelas. Acabou encontrando duas bolachas e, no armário sobre a pia, uma simples, única e solitária cebola. Começou a descascá-la, já em lágrimas, soluçando alto para que ele ouvisse lá da sala. Em pouco ele vinha bisbilhotar:

— Que é que você está fazendo? Está chorando por quê? Por causa dessa cebola?

— Não seja estúpido — reagiu ela, enxugando as lágrimas com as costas da mão: — Estou chorando porque estou sem comer! Quando me casei com você jamais pensei que ainda ia acabar passando fome.

— Amanhã te levo para jantar fora — concedeu ele.

— Não preciso de você. Se eu quiser, eu sei como encontrar alguém que me leve ainda hoje.

O sorriso irônico dele não animava a prosseguir nesse caminho: não encontraria ninguém, ainda mais assim de repente — nem ao menos uma amiga tão infeliz quanto ela. Descobrindo no armário um tablete de caldo de carne, animou-se e com deliberação pôs-se a preparar uma sopa de cebola, enquanto ele voltava para a televisão.

Levou a bandeja com a sopa para tomar na sala, com as duas bolachas, como se fosse o melhor dos jantares, esperando que o cheiro que dela emanava, realmente apetitoso, provocasse nele alguma fome. Se tal aconteceu, ele não deu mostras: em pouco desligava a televisão e, espreguiçando, ia para o quarto dormir.

Como era de esperar, passaram a noite de costas um para o outro. Pela manhã nenhum dos dois tomou a iniciativa de romper o silêncio. E em silêncio partiu cada um para o seu trabalho. O que mais doía nela era o detalhe do penteado-que fez questão de desfazer durante o banho.

Ao longo do dia não se telefonaram, como costumavam fazer.

À tarde, quando ela regressou, teve a surpresa de sua vida: encontrou a mesa posta, com o que havia de melhor a esperá-la para o jantar dos dois. Até mesmo, como sobremesa, aquela tortinha de mil-folhas de que gostava tanto.

Ao lado do prato, um bilhete: “Para que você hoje não passe fome.”

— Como é que você fez tudo isso? — exclamou, ao vê-lo surgir do quarto.

— Encostando a barriguinha no fogão.

— Encomendou no restaurante — ela concluiu, encantada.

Ele a abraçou, afagou-lhe os cabelos:

— Ficam tão mais bonitos assim, ao natural.

Findo o jantar, ele quis levá-la em seguida para o quarto, mas ela pediu que esperasse: ia primeiro tirar a mesa e lavar os pratos.

— Eu lavo e você enxuga — disse, com doçura. Mais tarde, já na cama, ao tê-la nos braços, ele admitiria para si mesmo:

— Como mulher é bom! Serve para tanta coisa…


Texto extraído do livro “No Fim Dá Certo”, Editora Record – Rio de Janeiro, 1998, pág. 153.

18 DE OUTUBRO.

Dia dos Médicos.

Aniversário de Dona Celeste.

Aniversário de Casamento de Adalberto e Celeste.

Pronto.

Dois filhos médicos. Duas netas médicas.

Pronto.

Vivendo o tempo presente tenho o relógio de Pedro de Souza na parede da sala.

Cuidadosamente zelado por Daniel.

Com direito a “nível” e tudo.

Toda semana horário conferido, corda conferida. relógio brilhando.

Mais de um século de história da família Souza. Maia de Sousa. O “s” entrou na estória.

Não me perguntem como.

Hoje é dia deste triplo aniversário.

É ir ao trabalho. Cuidar dos filhos. Ser paitorista e tudo o mais.

Ana viajando, merece o descanso.

Eu incrivelmente feliz.

Sem nenhuma palavra nova. Nem me atrevo a escrever nada mais do que o agora me permite.

O dia começou bem e espero que o amor me faça companhia durante este 18 de outubro.

E agradeço a todos os médicos que pude conhecer nesta vida.

Profissão nobre, difícil e que sem alma não se põe de pé.

A todos as mães que pude conhecer nesta vida.

Que não há o que se falar de mãe. Apenas querê-las como o ar. Vitais.

A todos os casamentos. A todos os casais.

Marquei triplo neste dia.

E acho que ganhei.

 

PS – Depois de escrito o post recebo este torpedaço lá no feicibuki: