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Já nos legava o Marechal Jimmy Brown, o popular Maruca da Village Tamarineira, aquele popular filósofo da zona norte zen: quem sai aos seus não degenera.

E como vai dando errado o governo Temer com tão poucos dias de inescrupulosa tomada.

Uns dizem que é golpe, outros que é farsa, outros que tudo foi no devido processo legal.

Que nada.

O manual do golpe é antigo.

Vem com verbas do Tio Sam e para as repúblicas de banana da AL é mais do que suficiente.

Com a ajuda de um jornalismo escroto e com poucas e escrotas famílias no comando o poder volta aos 1% que possui mais de 45% da renda e do PIB nacionais.

E continuará dando errado até o fim que espera seja breve.

Fico com a poesia de Manoel de Barros, Alice Ruiz e Paulo Leminski para nos salvar do impoderável e da eterna luta entre o bem e o mal. Que particularmente em nosso país sempre deu ganho de causa ( injusta causa ) ao mal. Aos males. A casa grande:

Quem anda no trilho é trem de ferro. Sou água que corre entre pedras – liberdade caça jeito.

Manoel de Barros

amigo grilo
sua vida foi curta
minha noite vai ser longa

Alice Ruiz

acordei e me olhei no espelho
ainda a tempo de ver
meu sonho virar pesadelo

Paulo Leminski

 

 

OS ROLEZINHOS.

Publicado: 14/01/2014 em Domingos - Crônicas
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role

 

 

Jovens negros, pobres e moradores da periferia morrem mais do que jovens brancos, classe média e moradores mais ao centro.

O Brasil não se reconhece na periferia. O Brasil se reconhece no crediário, no shopping, na tv, no auditório macaqueando faustosilvasexuxasebigbrothers.

O Brasil não se interessa se os jovens não tem espaço público para prática de esportes,

escola para a educação da vida,

teatros, cinemas, cultura para não morrer da verdade escaldante do concreto nosso de cada morte de cada dia.

Jovens negros, pobres e moradores da periferia metem muito medo à classe média de Marilena Chauí, satanizada por Marilena Chauí, embalsamada por Marilena Chauí.

O Brasil não tem governo que se interesse pelo outro Brasil onde a PM mete bala de verdade, mata de verdade, esconde de verdade os jovens negros da periferia

e não se conta nada a ninguém.

Só ao medo interessa mais medo.

Ficamos nem lá nem cá sem espaço algum.

Os encapsulados só vestem concreto e se divertem respirando o ar podre dos shoppings centers.

Os da periferia respiram nos ônibus o hálito da cidade envenenada e não conseguem chegar até o ar podre dos shoppings centers.

Não se busca educação.

Não se busca cultura.

Nâo se busca emprego e muito menos cidadania.

Bem que seu Lula avisou que tinham mais de 300 picaretas com anel de Doutor.

Anel que não lhe cabe na cultura mínima e na aposentadoria fraudulenta dos nove dedos do homem que Golbery inventou.

300 picaretas há que muito mais há de nos caber nos 300 mil empregos dos cumpanero do partidodostrabalhadoresquenãotrabalharam.

O rolezinho não vai terminar bem.

Acreditem.

Povo sem educação implode…

 

PS –

Vagabundos como eu, que não têm dinheiro pra pagar rolê, sempre precisam de algo mais pra convencer. E eu gosto de rap, sou trabalhador, inteligente, então me diz amor, tá bom pra você, ein?

Projota

Nada de roupa,nada de carro, sem emprego, não tem ibope , não tem role sem dinheiro…. sendo assim sem chance sem mulher você sabe muito bem o que ela quer é, encontre uma de caracter se você puder… é embaçado ou não é.

MANO BROWN

O Blog volta.

O fusca, no toitiço da requenguela da titela, o blog de Duda Brama.

Que ousou por uns tempos, deu caldo, foi lá , marcou alguns gols e só.

Um entre bilhões de blogs na blogosfera, mais um na multidão , que o auxílio é mais do que luxuoso da musa e do cara da jovem guarda aí embaixo.

Amigos passaram, amigos passarão e nós passarinhos de novo , outra vez e quanta água correu no riacho dos desesperados.

De 2009 a 2011 força máxima.

De 2012 marcha forçada. Em 2013 morte súbita.

Que na vida amigos vem e vão, porque de fato são poucos os amigos.

E a poesia não nos deixa na mão.

O ano finda e não poderia deixar de ser uma croniqueta de boteco, dessas que só sai na base

da água ardente, do caldinho e da cerveja, das conversas sem rumo, dos olhares e das horas e do nada absoluto.

Que a WordPress nos seja leve.

O fusca que já foi adesivado, terminou de longe assistindo a vitória do MOVIMENTO TRANSPARÊNCIA ALVIRRUBRA.

Para arrumar de vez o coração dos alvirrubros depois de 40 anos clamando no deserto.

Amém.

Akbar.

Hosana.

Oxalá.

Saravá.

PS – Eu e você, sem um centavo no bolso, podemos comprar o que a terra tem de melhor (Walt Whitman).

waltwhitman

blogar

 

 

Que verbo mais louco,

que vida virtual…

num blog ou blogue , a pequena derivação de diário ou blogger

a vida segue com mais ou menos fôlego na conjugação do verbo blogar.

Milhões de diários,

de histórias e estórias,

poemas, versos, políticas, amores,

lutas, guerras, fomes e vitórias,

um estoque absurdo,

uma biblioteca de Alexandria, de Roma,

cabendo nos TERABYTES dos provedores da rede mundial.

Eita,

blogar se aprende apanhando,

chorando,

sorrindo,

em todas as formas de todos os imperfeitos lugares de se conjugar a vida,

blogar se aprende teclando, na mão,

no papel,

nos rabiscos das canas homéricas em papéis de pão,

em todas as esquinas que o olhar alcança,

blogar se aprende errando

e muito…

 

harpa1

 

 

Pensei nas últimas semanas, agi, corri feito louco.

Sofri assédio moral quase que diário, escapei, sobrevivi a um dia de chuva, a outro dia de fúria.

Chorei sozinho no banheiro, mas ainda não era o fim do mundo.

Me afoguei em toneladas de papel, serviço, responsabilidades, dinheiro dos outros para cuidar, mas ainda não era o fim do mundo.

Nada é o fim do mundo.

O fim do mundo, do mundo de cada um, que é o que nos cabe cuidar e melhorar,

é quando  o amor se desvai, se finda, não medra, não se explica, nem se justifica.

O fim do mundo, normalmente é uma escuridão.

E nela é quando não vemos nem a nossa sombra.

O mundo precisa é nascer, é preciso viver esse parto,

é  preciso medir e aceitar e perceber que o amor não é depender de ninguém,

que o outro longe, um dia volta, ou um dia a gente se encontra.

O outro longe é lugar que nunca existe nem existiu.

Sempre haverá no calor da ausência uma certeza

que não deixa ir embora nosso sorriso.

(*) escrito nos engarrafamentos de Raincife e Hellcife entre alguns dias de Maio ou desmaio. como seja.

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o velho amigo de trinta anos me liga novamente,

com litros de cerveja no quengo,

animado e triste ao mesmo tempo, uma obra que só as cervejarias conseguem produzir em nossos cérebros.

preocupado o amigo, ralha de novo com o seu casamento trintão e passa a detonar um cunhado distante,

talvez uma boa obra de ficção,

pois ao que me consta o amigo é filho único,

pois vai…

anuncia ele que a irmã está vivendo há mais de uma década com um mala, mentiroso, prá lá de qualquer adjetivo,

parece crônica de Nelson Rodrigues,

a vida prevaricada, a vida como ela era,

nem sei o que dizer,

mas eu nem consigo dizer nada,

o amigo diz que a irmã descobriu uma vida inteira de traições, mentiras, abandono afetivo , abandono dos filhos,

desse cara que é , pasmem, supostamente o marido dela,

ainda.

apanhado no maior flagrante ainda saiu atirando antes de bater a porta,

desanimado o amigo diz que a irmão vai perdoar,

aí eu entro pesado,

como um rinocerante,

amigo,

em dias modernos, uma mulher independente vive assim nesse abandono, abandonando os filhos em tempo real

é porque é tão bandida quanto o homem.

cúmplica,

parceira,

tão sacana quanto o sacana.

viver dependendo da manutenção do status quo é viver num estacionamento confortável.

e na vida, digo eu ao amigo exaltado: não existem estacionamentos confortáveis.

 

 

PS – para reflexão do amigo, da irmã e de todo mundo que conheço:

Sentir-se amado

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”.

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.”

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

Martha Medeiros

POLITICAMENTECORRETO

chafurdamos  desde sempre pelas teletelas globais

quando começou essa onda do politicamente correto não lembro

é muito chata

estonteantemente chata

tão chata e ridícula

quanto ouvir a globo news

ou ler a coluna do novocaetanomanobabaca no estadão ou no globo

é bom ler

como é bom assinar a Veja

para saber como não devemos pensar

pelo menos assim penso eu.

tenho de saber como pensam os sacanas, os oligarcas, os banqueiros , os políticos, os donos dos grandes grupos midiáticos

para poder não sucumbir.

nessa esteira surgiu esse totalitarimo tupiniquim vindo do totalitarismo fundamentalista americano

que ameaça a sua liberdade

a minha liberdade

todas as liberdades

em nome de supostas regras, sãs e fundamentais.

um cacete.

politicamente correto não me convenceu até hoje

nem me fará sucumbir

da mais remota possibilidade de gritar

de testemunhar o meu tempo

de fazer um grão de areia do meu tempo

de não abdicar do direito à preguiça

de dizer não à escravidão

de não apodrecer no lugar comum do gado pastando dentro dos ônibus , metrôs, vilas e subúrbios.

de não ser pensado, agido e coagido,

de não ser calado, ficar calado, engolfado, colhido, mastigado, jogado fora e cuspido.

de não poder dizer não,

de dizer não na tora.

de dizer sim quando quiser.

e iremos  assim

como o poeta Manoel de Barros o fez e faz no seu revolucionário dialeto onde afirma:

ser poeta é a arte de ser inútil!!!!

 

PS – e poder pisar na grama sim.

OBS:

Se você procura alguém coerente, sensata, politicamente correta, racional, cheia de moralismo… Equeça-me! Se você sabe conviver… com pessoas intempestivas, emotivas, vulneráveis, amáveis, que explodem na emoção: acolha-me.”

Clarice Lispector

cuidado-com-o-cachorro

 

 

sábio amigo e conselheiro, o gaúcho colorado Negão, me disse certa vez:

– eu me tenho sempre em constante cuidado com as palavras que me saem da boca,

pois seu eu não souber guardar…

simples e profundo e grandioso conselho.

as palavras podem ser um elo de ligação, um poema, um hai-kai,

um vir a ser,

as palavras tem um poder que constroem jardins e deitam pontes e fazem azul, amarelo e mais azul e o eterno.

No princípio era o Verbo,

e nós conjugamos tudo errado.

 

PS – 

Os homens de poucas palavras são os melhores.

William Shakespeare

 

As palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade.

Victor Hugo

A pintura é poesia sem palavras.

Voltaire

 

advogado-do-diabo

 

 

já houve o tempo das linhas cruzadas,

também a questão do ser tão rico

que só não tinha dinheiro

e tão pobre que só possuia o mesmo dinheiro,

agora o tempo é dos ataques frontais,

o assédio nosso de cada dia não nos dai hoje

mas que em se dando saibamos como receber

e nos sair das empreitadas.

eis que um desses distintos engravatados

muito pobre,

mesmo,

até de educação, se posta diante do colega

e afronta frontalmente

funcionário do BB já teve dinheiro

hoje tá tudo passando fome…

o colega, com tirocínio de camelô em fuga na 25 de março

responde calmamente:

–  a vida é feita de fases, já estivemos bem, hoje não tão bem

da mesma forma os advogados,

tudo são fases meu amigo,

o distinto engravatado, ajeitando e suando um pouco

retruca:

-eu já não sei o que fazer com tanto dinheiro que ganho,

o amigo mais rápido ainda,

em desabalada fase resolve lhe contar uma piada:

– sabe como contrato um advogado?

levo sempre um gato comigo,

o distinto maneira com olhar de apatetado:

como?

é simples , se ele for um rato eu entro,

se for um cachorro saio correndo…

sorriso esverdeado batendo em retirada.

cinderela

 

 

meio sem querer, distraído, andante em piso de shopping

esquecido das vitrines e olhando para o mundo

das idéias do ontem,

nem sacolejei quando de soslaio sapequei o meu olhar na criatura

a cinderela techno.

lembrei de um conto graciliano ou terá sido

guimaraesrosaproseano e ainda

drummond e suas bençãos ,

sobre essa matéria morta e decomposta

das nossas relações familiares,

meio sem querer, distraído, andante em piso de shopping

uma mulher techno, cinderela, viúva de marido vivo

muito vivo

me inspirou essa epitáfio,

por todas as mulheres modernas, emancipadas,

independentes e inteligentes,

que não se libertaram

do feudo masculino e seus grilhões…

O PT É DO PSDB.

Publicado: 25/01/2013 em Domingos - Crônicas

lula_petralhas

 

o partido que mais iludiu pessoas depois de hitler e sua suástica

o partido que mais roubou ilusões e ideiais

o partido que mais botou sindicalistas em cargos chaves no governo

improdutivos

corruptos

inativos

sonegadores.

o partido que mais parece com a sua outra metade o PSDB

o partido que agora quer acabar de vez com o BANCO DO BRASIL.

o partido que foi devidamente enquadrado no STF ,agora quer acabar com

o patrimônio de todos os BRASILEIROS.

NÃO PASSARÃO.

carmosina eye drops

 

 

 

Não sei quem é a comentarista que nos brindou com o poema abaixo no post de Affonso Romano de Sant”Anna, mas agradeço imensamente e o publico aqui, valeu olhos de drops. Que beleza mais linda de ser ler:

Os Limites do Autor Às vezes, ocorre um autor estar aquém — do próprio texto. De o texto ter-se feito, além dos dedos, como gavinha que inventou a direção de seu verde, e fonte que minou o inconsciente segredo. Um texto ou coisa que ultrapassa a régua, a etiqueta e o medo, copo que se derrama, corpo que no amor transborda a cama e se alucina de gozo onde havia obrigação. Enfim, um texto operário que abandonou o patrão. Às vezes ocorre um autor estar aquém da criação. O texto-sábio criando asas e o autor pastando grudado ao chão. — Como pode um peixe vivo estar aquém do próprio rio? — Que coisa é esse bicho que rompe as grades do circo e se lança na floresta no descontrole de fera? — Que coisa é essa que se enrola? É fumaça? ou texto? que se alça do carvão? Lá vai o poema ou trem que larga o maquinista na estação e se interna no sertão. Ali o poema olhado de binóculo — só de longe tocado — e o autor, falso piloto largado na pista ou salas do aeroporto, atrás do vidro, enquanto o texto levanta seu vôo cego com o radar da emoção. Enfim, um poema que vira pássaro onde termina a mão ou avião desgovernado que ilude o autor e a pista e explode na escuridão.

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Já me acostumei a ser chamado de louco desde a mais tenra infância,

me recordo bem da santa indignação de minha mãe, quando criança, pivete, pirroto, dentro de um supermercado,

alguém perguntou a ela – esse menino é doido?

recordo para sempre da sua indignação,

comigo inclusive,

como se eu tivesse culpa da minha loucura…

Não tenho nenhum problema e juro , já me acostumei a ser chamado de louco.

Na maioria das vezes as pessoas o fazem por carinho, admiração.

não, não é loucura não, é que as pessoas costumam se admirar e para não dar bandeira elas te chamam de louco,

repare se não acontece o mesmo com você.

Você está muito feliz e declama um poema do seu poeta louco preferido, um trecho de sua música dos Beatles preferida,

qual a reação?

Você está muito feliz e beija e abraça pessoas conhecidas e até estranhos,

qual a reação?

Você sempre está com um motivo para celebrar, cantar, dançar e…

qual a reação?

Você está triste e fica muito triste mesmo e quando vem o banzo é prá torar, é intenso,

as pessoas se assustam, pois você na sua intensidade mete muito medo,

qual a reação?

Você se espanta e não deixa o tédio lhe tomar conta,

os dias não escorrem, eles pulsam vivo dentro da sua poética maneira de ser.

Você busca em plena terça-feira uma nesguinha de céu, cata uma estrela, puxa o ar dos pulmões com força

vai pela inspiração, pelo coração: você é louco.

É muito bom ser assim,

dá prá dormir em horas incertas,

acordar muitas vezes em horas mais incertas ainda,

dá para seguir a banda dos descontentes e viva Torquato Neto,

dá para continuar gostando de riffs de guitarras, solos de bateras,

violões clássicos que ninguém ouve mais,

vozes raras que ninguém nem ouviu ainda mas estão lá nos bolachões de vinil,

dá para fazer um bocado de coisa boa em nome da loucura

que nada mais é do que a poesia nossa de cada dia.

Isso sem ter feito mal a ninguém.

Meus amigos, não tenho amigos.

Essa sim, é a loucura de hoje e dói prá caramba…

 

Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.
Friedrich Nietzsche

Nunca existiu uma grande inteligência sem uma veia de loucura.
Aristóteles

A psicologia nunca poderá dizer a verdade sobre a loucura, pois é a loucura que detém a verdade da psicologia.
Michel Foucault

 

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uma dose cavalar de educação

outra dose de bom senso,

uma homeopática dose de respeito as leis do trânsito

saber que o seu carro

é apenas mais um carro

num montanha de ferro empacada.

buzinar, só dentro do seu quarto,

avançar sinal só dentro do seu banheiro,

contra-mão só no sonho, pensando no proibido,

dar fechada, não dar a preferência,

xingar, blasfemar, catar coquinhos,

só quando tiver a pé e de madrugada.

o berço que nos embalou

agora é o nosso asfalto quente, sujo e triste de todo dia,

o berço que nos embalou

nos faz motoristas esquecidos

da nossa condição de pedestres,

parecemos mais rupestres criaturas

com fúria e insanidade e as mãos no volante.

a solução para o nosso trânsito

passa por milhões de projetos

e muita engenharia de tráfego

mas não tem viaduto, túnel e avenida,

não tem binário, VLT e METRÔ

 que resolva a questão de tanto carro na rua

e tanta gente mal educada,

apenas e tão somente o berço…

Não espere o horário do trânsito livre, não espere ouvir o que você não quer, não espere a vida dar merda para colocar a culpa na vida.
Tati Bernardi

mamaecoragem

Eu me lembro sempre da música do Ave Sangria onde em determinado ponto da letra a poesia de Marco Polo apontava:

– minha casa é o reino do mal o meu pai é um animal, minha mãe há muito que enlouqueceu, só resta eu com a minha faca e a minha Nau…

Era comum as gerações que viraram os anos 60, entrarem nos anos 70 com o peso do chumbo nas costas e com suas famílias destroçadas.

Eu mesmo e a torcida do framengo inteiro conhece alguém que sobreviveu a esses núcleos enlouquecedores e estão por aí, vivos e redivivos.

No bairro onde me criei, não precisei sobreviver a este tipo de núcleo pois tive muita sorte.

Não sei se mereço.

Mas foi assim.

Minha família despertava inveja da grande família Maia, tido como modelo de acerto e perfeição.Choviam tijoladas e mais tijoladas de ácidas críticas.

Tudo porque tínhamos um quantum de normalidade que não invalidava as nossas loucuras, pelo contrário, cada um era respeitado mas tinha limite.

Isso fez a diferença.

Somos seis e estamos bem.

Agora somos cinco no regaço meu e de Ana e os meninos  começam a voar para o controle das suas vidas.

Agora estamos com uma saudade de Daniel que nem sei dizer.

Mas ele está com um sorriso tranquilo,

uma paz que continua,

sua marca registrada.

Está com seu violão,

com o seu coração grande e bonito

e estamos aqui com ele sempre.

Passei aqui neste domingo chuvoso para lembrar a Ana e as meninas: Gabi e Bella que o bom está apenas começando para ele e elas.

Daniel vai passar pela melhor aventura que um estudante pode ter na vida e que graças a Deus pudemos lhe oferecer:

Intercâmbio, no que a palavra tem de mais honesta e decente.

Lá na França ele vai aprender e muito o que a vida tem lhe reservado de  bom, de desafios, de dificuldades, de superação.

E mais uma vez, como diriam os gênios bahianos: mamãe mamãe não chore…

catarina-migliorini

 

não tanto pelo fato de um japonês ter pago por um pequeno pedaço do corpo, milionário pedaço por sinal, valer a pena ou não,

muito menos pelas questões éticas e morais que foram enlaçadas na mídia

ou pelos furiosos ataques dos extremistas religiosos,

 a questão é que em tempos de leilões de cérebros, leilões de consciência, toneladas de silicone, plásticas e muito BBB e FAZENDA,

alguém não perceba a migração violenta que muitas pessoas interessantes estão fazendo:

trocando a vida acadêmica, o esforço de pensamento, o amor ao trabalho, pela amor as bundas, peitos, olhos, narizes, cabelos, atributos cada vez mais valorizados, em detrimento da espiritualidade, do caráter bem formado, do esforço em se tornar melhor a cada dia de dentro prá fora,

eu pouco li a respeito desse leilão e de outros que proliferam como mosquitos da dengue por aí.

isso é consequência…

as causas são o excesso de teletelas globais permeando e impermeabilizando a capacidade das novas gerações de usar o seu discernimento.

as causas são os desdobramentos cruéis da primeira Lei, a LEI DE GÉRSON.

que infelizmente marcou o nosso país para sempre.

não sei se esse leilão em particular se perpetrou.

sei que já há uma capa de Playboy,

haverá talvez um filme a la Surfistinha,

convites para virar atriz,

e talvez, mais alguns bons trocados na conta-corrente.

agora me digam mesmo,

não é muito mais decente a vida das meninas do calçadão?

 

PS – Os virgens

(…)Quando falamos em virgindade, logo pensamos em sexo, e a partir do dia que o experimentamos, o mundo parece perder seu mistério maior. Não somos mais virgens! Que grande ilusão de maturidade.
Virgindade é um conceito um tanto mais elástico. Somos virgens antes de voltar sozinhos do colégio pela primeira vez. Somos virgens antes do primeiro gole de vinho. Somos virgens antes de ver Paris, Somos virgens antes do primeiro salário. E podemos já estar transando há anos e permanecermos virgens diante de um novo amor.
Por mais que já tenhamos amado e odiado, por mais que tenhamos sido rejeitados, descartados, seduzidos, conquistados, não há experiência amorosa que se repita, pois são variadas as nossas paixões e diferentes as nossas etapas, e tudo isso nos torna novatos.
As dores, também elas, nos pegam despreparados.A dor de perder um amigo não é a mesma de perder um carro num assalto, que por sua vez não é a mesma de perder a oportunidade de se declarar para alguém, que por outro lado difere da dor de perder o emprego. Somos sempre surpreendido pelo que ainda não foi vivido.
Mesmo no sexo, somos virgens diante de um novo cheiro, de um novo beijo, de um fetiche ainda não realizado. Se ainda não usamos uma lingerie vermelha, se ainda não fizemos amor dentro do mar, se ainda cultivamos alguns tabus, que espécie de sabe-tudo somos nós?
Eu ainda sou virgem da neve, que já vi estática em cima das montanhas, mas nunca vi cair. Sou virgem do Canadá, da Turquia, da Polinésia. Sou virgem de helicóptero, Jack Daniels, revólver, análise, transa em elevador, LSD, Harley Davidson, cirurgia, rafting, show do Lenny Kravitz, siso e passeata. A virgindade existencial nos acompanha até o fim dos nossos dias, especialmente no último, pois somos todos castos frente à morte, nossa derradeira experiência inédita. Enquanto ela não chega, é bom aproveitar cada minuto dessa nossa inocência frente ao desconhecido, pois é uma aventura tão excitante quanto o sexo e não tem idade para acontecer.
Martha Medeiros

amizade2

 

Um luto que dura alguns segundos para mim é um milagre.

Hoje de tarde pude passar pelo aperto do coração e pela certeza de uma amizade finda.

Que não sei absolutamente nada do que ficou.

Se houve, tenho certeza, uma amizade, bons momentos, alguns até raros, hoje me despeço dela.

Pensei que houvesse dor nesta partida,

pensei que houvesse mais do que essa dor,

houvesse uma saudade,

uma vontade de abraçar, 

apertar as mãos pelo menos,

sorrir,

contar alguma velha nova história,

bater de ombros, jogar conversas…

mas nada,

uma amizade finda é algo raro e belo em nossas vidas,

me revela o que são de verdade as pessoas quando não estão diante da tela de um computador.

As pessoas de carne e osso, com seus medos e heroísmos,

com seus antagonismos,

com seus espelhos de nós, o teatro e o seu duplo do grande mestre Artaud,

eis que se arvora a hora destes finais sem grandes finais.

Uma amizade finda é algo quase como um negócio desfeito.

Devolvem-se os bens, se põe as mãos nos bolsos e se foge dali.

Cuidei bem de mim e não cuidei bem do meu ex-amigo.

Parece soneto de Wilde e os seus amigos amantes,

o que de fato não é meu caso.

Parecia uma irmão,

ora mais do que isso,

parecia uma compreensão,

ora menos do que isso,

parecia um acerto definitivo,

ora menos do que isso.

Parecia tudo e até me enganei,

mas no fundo, bem no fundo da minha alma tacanha e bizonha,

creio ter sido um trote, um telefonema errado, uma linha cruzada no meio do oceano.

Não fica nada de uma amizade finda, porque simplesmente de concreto houve o ENGANO.

duda2013

 

 

Perto, bem perto de bater na primeira trave. A trave dos 30 anos de labuta no BB.

Recordo dessa frase aí em riba, do meu querido velho sempre a dizer: Domenico Ricodarti di me…

Estávamos em 1982 e chegou o comunicado do banco me chamando para os exames de admissão. Gelei, afinal com 20 anos ia assumir um emprego.

Na época, um grande emprego e ainda hoje sim, porque não. Não devemos no prato…

Quando me amofinei prás bandas de Garanhuns escutava essa voz, um diapasão, parecia o seu piano Essenfelder a batucar um samba de uma nota só.

Caramba e se passaram três décadas daquela tarde em que ao telefone, meu velho pai ligou para todos os amigos possíveis e impossíveis para dizer do orgulho do filho caçula.

Caçula que começava ganhando mais do que ele um Médico, um salvador de vidas, um anônimo guerreiro que me pedia para não esquecê-lo.

Hoje procuro neste mapa-mundi aí  e peço ajuda ao Hubble para ver se encontro a sua música, a sua voz, os seus passos.

Procuro em vão.

Ele nos olha, tenho certeza e nos tem sempre chegado em momentos difíceis, nas horas precisas e nas horas dos festejos, que almoço e música foram um dos seus legados.

Mas a terra é muito pequena e suas mãos precisavam reger outras harmonias.

Sinto sua falta e hoje é dia de dizer ao meu filho, que está de malas prontas para a França.

Daniel, Ricordati di me…

E a vida segue.

Como dizia Adalberto, que saudade linda meu filho.

E então…

 

amor bandido

 

ou a lógica dos amantes que se chamam de Mô, Mozinho, Mozão, Amor, etec pei bufe e coisa e tal.

 

O amor tem razão,

tem mentiras,

tem de suportar,

não tem de ser eterno.

O amor tudo padece

o evangelista nos ensina,

o amor não tem razão,

nem lógica,

nem compostura,

pois

quando os amantes

colocam

apelidos

ingratos,

insanos,

delituosos,

tortos

obscenos,

a coisa tende a ser tudo

o que pode haver de mais além,

só não é amor.

Nem aqui

nem em outro planeta.

Né não Mô?

O QUE DER NA TELHA…

Publicado: 04/01/2013 em Domingos - Crônicas

telha

 

Pensando nas mudanças que nunca ocorriam,

correndo da responsa de compromissos por aqui,

fazendo de conta que tinha um blog.

Estes foram meus últimos 12, 15 meses.

Chamava-se FUSCA, NO TOITIÇO e tinha uma LEGIÃO DE AMIGOS.

Acho que ainda os tenha, mas ao contrário de DJAVAN não sei onde estão.

Espero-os todos bem, mas…

por conta de questões bem reais e também paralelas

quase que quebravam meu bandolim e minha caneta e censuraram-me.

Amigos me censurando.

É a vida,

quando Regina Brett escreveu este maravilhoso texto ela estava com 50 anos de idade e tinha saído de um câncer de mama aos 41.

Achei genial. As pessoas acham que ela tem 90. Precisa ter noventinha para se ter juízo e sabedoria?

Meu filho tem 21 e tem mais juízo, sabedoria e tenência que eu aos 51.

Eu acho esse um dos meus milagres preferidos.

O outro é estar de volta no comando do blog e escrever o que der na telha.

E vamos a REGINA BRETT. O texto é realmente muito muito bom:

A vida não é justa, mas ainda é boa.
Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno .
Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.
Pague o total de seus cartões de crédito, nunca o mínimo.
Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.
Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.
É bom ficar bravo com Deus, Ele pode suportar isso.
Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.
Quanto a chocolate, é inútil resistir.
Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.
Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.
Respire fundo. Isso acalma a mente.
Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre..
Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.
Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.
Use os lençóis bonitos, use roupa chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.
O órgão sexual mais importante é o cérebro.
Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você.
Enquadre todos os assim chamados “desastres” com estas palavras ‘Em cinco anos, isto importará?’
Sempre escolha a vida.
O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo.
Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.
Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.
Acredite em milagres.
Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.
Envelhecer ganha da alternativa — morrer jovem.
Suas crianças têm apenas uma infância.
Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.
Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.
Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os dos outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.
A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
Acredite, o melhor ainda está por vir.
Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.
Produza!
A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.