Arquivo de janeiro, 2012

“Lamentamos comunicar-lhe que seu livro…”

Umberto Eco

UMBERTO ECO propõe aqui uma brincadeira: algumas obras, hoje consagradas, são submetidas a um hipotético editor. E, analisadas em “fichas de leitura”, são, finalmente, recusadas. Esta é uma experiência pela qual todo escritor novo, em qualquer parte do mundo, já passou: mandar seus originais para uma grande editora, ficar esperando um contrato ou pelo menos uma proposta e, de repente, receber uma carta muito amável assinada pelo editor. Nessa carta. ele é informado de que certamente seu livro tem qualidades, de que provavelmente seu livro fará sucesso e de que infelizmente seu livro não será publicado.


ANÔNIMO

A BíBLIA


Devo confessar que quando comecei a ler os originais, e durante as primeiras páginas, senti-me entusiasmado. Ali há ação pura e tudo o mais que o leitor de hoje exige de uma obra de evasão: sexo (muitíssimo), com adultério, sodomia, homicídio, incesto, guerras, etc.

O episódio de Sodoma e Gomorra, com os travestis que pretendem violar os anjos, é digno de Rabelais; as histórias de Noé são o mais puro Emilio Salgari; a fuga do Egito é uma história que, mais cedo ou mais tarde, acabará sendo filmada… Em resumo, trata-se do verdadeiro roman-fleuvebem estruturado, que não economiza efeitos, pleno de imaginação com aquela dose de messianismo que agrada, sem chegar ao trágico.

Mais adiante, no entanto, percebi que se trata, na verdade, de uma antologia de vários autores, com muitos, excessivos, trechos do poesia, alguns francamente lamentáveis e aborrecidos, choradeira sem pé nem cabeça.

O resultado é um feto monstruoso que corre o risco de não agradar a ninguém, porque tem de tudo. Além disso, será cansativo estabelecer a questão dos direitos de tão diferentes autores, a menos que o representante de todos eles se encarregue da tarefa. Mas nem no índice encontrei o nome desse representante, como se houvesse da parte dos autores interesse em manter seu nome oculto.

Talvez fosse possível publicar separadamente os primeiros cinco livros. Aí estaríamos pisando em terreno firme. Com o título: Os Desesperados do Mar Vermelho.

HOMERO

A ODISSÉIA

Pessoalmente,  o livro me agrada. A história tem beleza, é apaixonante, cheia de aventuras. Tem a dose exata de amor, fidelidade e de escapadas adulterinas (multo boa a figura de Calipso, uma típica devoradora de homens); tem, inclusive, um momento “lolitico”, na melhor linha nabokoviana, com uma ninfeta chamada Nausicaa: no episódio, o autor se permite algumas ousadias, mas em momento nenhum incorre em excessos. O conjunto é excitante. As cenas merecem figurar ao lado das melhores já produzidas no gênero western: a luta é violenta, a cena do arco explora, até as últimas possibilidades, o potencial literário de suspense.

Que mais poderia dizer? Leio essa de um sopro, melhor que o primeiro livro do autor, excessivamente estático em sua insistência de permanecer no mesmo lugar, cansativo pela exuberância de acontecimentos (na terceira batalha e no décimo duelo, o leitor já entendeu todo o mecanismo). Ademais, a história de Aquiles e Patrocio, com seu fio latente de homossexualidade, nos transmite um certo desagrado. Ao contrário, neste segundo livro, tudo caminha maravilhosamente; até o tom é mais sereno: pensado mas não reflexivo. Depois, a montagem, o jogo de flash-backs, o encadeamento das histórias! Em suma, muita categoria. De fato, esse Homero tem talento.

Talento demais, seria o caso de dizer… Chego a me perguntar se tudo ali será farinha do mesmo saco. Sabe-se como é: escrevendo, escrevendo, a gente melhora (quem sabe se o terceiro livro será um estouro). Mas o que me faz vacilar (e, afinal, me leva a opinar negativamente) é a confusão que pode resultar da questão de direitos.

Antes de tudo, é impossível localizar o autor. Os que o conhecem dizem que, de toda maneira, seria inútil discutir com ele as pequenas modificações que deviam ser introduzidas no texto, pois é cego como uma toupeira e, em mais de uma ocasião, deu provas de ser incapaz sequer de escrever. Dizem que tinha seus originais na memória, mas que não estava muito seguro do que havia escrito, alegando que o copista havia introduzido interpolações na obra. Terá ele sido o autor ou apenas um testa-de-ferro?

DANTE

A DIVINA COMÉDIA

O trabalho de Alighieri, embora de um típico escritor de fim de semana que, na vida sindical, está filiado ao órgão de classe dos farmacêuticos, demonstra indubitavelmente, certo talento técnico e notável “alento” narrativo. A obra (em florentino vu!gar) compõe-se de quase 100 cantos em tercetos rimados e se constitui em leitura agradável e interessante. Gosto, principalmente. de suas descrições de astronomia e certos juízos concisos e densos, que faz com freqüência, sobre teologia. Mais inteligível e popular é a terceira parte do livro, que diz respeito a assuntos mais do gosto da maioria, e que concernem aos interesses cotidianos do possível leitor (assuntos tais como a salvação, a visão beatifica, a devoção à Virgem Maria). Obscura e caprichosa é a primeira parte, com passagens de baixo erotismo, violência e trechos francamente grosseiros. Esta é uma das poucas contra-indicações para superar esse primeiro “canto”, o qual, quanto à criatividade, não diz mais do que já foi dito por milhares de manuais sobre o outro mundo.

DIDEROT

A RELIGIOSA

Confesso que não cheguei a folhear os manuscritos, mas acredito que um critico deve saber, até de olhos fechados, o que deve e o que não deve ler. Conheço esse Diderot: redige enciclopédias e agora tem em mãos um projeto de obra em não sei quantos volumes, que provavelmente jamais será editada. Anda por toda parte procurando desenhistas capazes de copiar o mecanismo de um relógio, ou as minúcias de uma tapeçaria de Gobelin, e levará à falência seu editor. Não creio que se trate do homem indicado para escrever algo divertido numa narrativa, especialmente para uma coleção como a nossa, na qual sempre incluímos coisas delicadas, um pouquinho picantes, como Restif de la Bretonne.

SADE

JUSTlNE

O manuscrito estava em meio a um monte de coisas que eu devia ver esta semana, e, para ser sincero, não o li todo. Limitei-me a abri-lo três vezes, ao acaso, em três  lugares diferentes, e vocês sabem que para um olho experimentado isso é mais que o bastante.

Bem, da primeira vez encontrei uma avalanche de páginas de filosofia da natureza com divagações sobre a crueldade e a luta pela sobrevIvência, sobre a reprodução dos vegetais e a evolução das espécies animais. Da segunda vez, deparei com pelo menos 15 páginas sobre o conceito de prazer, sobre os sentidos e a imaginação, e mais coisas desse gênero. Da terceira vez, outras 20 páginas sobre as relações de submissão entre o homem e a mulher, nos diferentes países do mundo… Acho que isso basta. Não estamos procurando uma obra de filosofia; o público, hoje, quer sexo e mais sexo. Não importa a maneira como ele venha temperado.

CERVANTES

DOM QUIXOTE

O livro, nem sempre inteligível, é a história de um gentil homem espanhol e de seu criado, os quais vão pelo mundo perseguindo sonhos de cavalaria. Esse Dom Quixote é um tanto louco (sua figura é magnificamente concebida: de fato, Cervantes sabe narrar), enquanto seu criado é um simplório (dotado de certo e rude bom senso), com o qual o leitor logo se identifica, quando ele procura desmistificar as fantasias de seu amo. Até aqui o argumento, que se desdobra com alguns bons efeitos e com freqüentes episódios divertidos, parece bem. Mas a observação que quero fazer vai além de um juízo pessoal sobre a obra.

Em nossa bem sucedida coleção econômica Os Fatos da Vida, publicamos, com êxito notável, obras como Amadis de GaulaA Lenda do GraalO Romance de Tristão, etc. Agora temos opção de editar Reis da França, do mocinho de Barberino, livro que para mim será o grande êxito do ano. Pois bem, se nos decidirmos por Cervantes, poremos em circulação um livro que, não obstante ser muito bem feito, atirará no lixo o publicado até agora, fazendo esses outros romances parecerem coisa de idiota. Compreendo a liberdade de expressão, o clima de rebeldia e tudo o mais, mas não podemos nos prejudicar a nós mesmos. A última coisa que desejo é que, buscando novidades a qualquer preço, acabemos por comprometer uma linha editorial que até agora foi popular, moral e também rendosa. Recusar.

PROUST

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO

Trata-se,sem mais nem menos, de uma obra comprometida, talvez muito grande; mas é possível vendê-la através de uma série de livros de bolso.

Tal como está é impraticável. Falta nela um trabalho vigoroso de depuração. Toda pontuação, por exemplo, terá de sofrer uma completa revisão. Os períodos são muito cansativos e há alguns que chegam a ocupar uma página. Com um bom trabalho de revisão que os reduza a dois ou três linhas cada, com uma melhor utilização do ponto e do parágrafo, a obra teria muito a ganhar. Se o autor não concordar, o melhor será não editá-lo.

KAFKA

O PROCESSO

Não é mau essa livrinho; é policial, com momentos a Hitchcock: por exemplo, o homicídio final, passagem de público certo.

Parece, no entanto, que o autor o escreveu sob censura. Que significam essas alusões obscuras, essa falta de nomes, de pessoas, de lugares? De que crime acusam o personagem, afinal? Se esses pontos puderem ser esclarecidos, tornando a história mais concreta, a ação se tornaria mais límpida e mais certo o suspense.

Esses escritores jovens acreditam fazer “poesia”,  pois dizem “um homem”, em vez de dizer “o senhor tal, a tal hora, em tal lugar”.

Em síntese: se é possível fazer essas modificações, bem; caso contrário, devolver os origInais.

JOYCE 

FINNEGANS WAKE

Por favor, recomende à redação que tenha mais cuidado quando me envia os livros. Leio inglês e me mandam um livro escrito em sei lá que diabo da idioma. Em separado, estou devolvendo o volume.


UMBERTO ECO (1932), escritor, filósofo e lingüista italiano,  nasceu em Alessandria, região de Piemonte, Itália. Como professor na Universidade de Bolonha, desenvolveu uma sólido conhecimento na área de semiótica, sendo hoje o titular dessa cadeira.  É, também, diretor da Escola Superior de Ciências Humanas daquela universidade.  Ensaísta de renome mundial, dedicou-se também a temas como estética, filosofia da linguagem, teoria da literatura e da arte e sociologia da cultura, é considerado por muitos o maior intelectual vivo do planeta. Autor de artigos de opinião nos jornais Espresso e La Repubblica, estreou como romancista com “O Nome da Rosa”, em 1980.

Depois do imenso sucesso colhido na Itália e em todo o mundo, escreveu “O Pêndulo de Foucault” (1988), “A Ilha do Dia Anterior” (1994) e “Baudolino” (2000).

Entre suas obras ensaísticas destacam-se “Obra Aberta” (1962), “Apocalípticos e Integrados” (1964), “A Estrutura Ausente” (1968), “As Formas do Conteúdo” (1971), “Tratado Geral de Semiótica” (1975), “Seis Passeios pelos Bosques da Ficção” (1994) e “Sobre a Literatura” (2003).

Seus textos jornalísticos estão reunidos em “Diário Mínimo” (1963), “O Segundo Diário Mínimo” (1990) e “A Coruja de Minerva” (2000).

Da Web:

Murilo Monteiro Mendes nasceu em 1901, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Fez as primeiras letras na terra natal e no Colégio Salesiano, em Niterói. Foi dentista, telegrafista, auxiliar de guarda-livros, notário e Inspetor Federal de Ensino. Sua estréia na literatura se deu em revistas do Modernismo, Terra Roxa e Outras Terras e Antropofagia. Em 1934, converteu-se ao Catolicismo e com Jorge de Lima dedicou-se à “restauração da poesia em Cristo”. De 1953 a 1955 percorreu diversos países da Europa, divulgando, em conferências, a cultura brasileira. Em 1957, se estabeleceu em Roma, onde lecionou Literatura Brasileira. Participou do movimento Antropofágico, revelando-se um conhecedor da vanguarda artística européia. Ao mesmo tempo, manteve-se fiel às imagens mineiras, mesclando-as às da Sicília, Espanha, carregadas de história. Faleceu, em Portugal, em 1975.

 

 

A velocidade se opõe

À nudez essencial.

Para merecer o rompimento dos selos

É preciso trabalhar a coroa de espinhos.

Senão te abandonam por aí,

Sozinho, com os cadáveres de teus livros.”

(Murilo Mendes)

O EXILADO

Meu corpo está cansado de suportar a máquina do mundo.

Os sentidos em alarme gritam:

O demônio tem mais poder que Deus.

Preciso vomitar a vida em sangue

Com tudo o que amaldiçoei e o que amei.

Passam ao largo os navios celestes

E os lírios do campo têm veneno.

Nem Job na sua desgraça

Estava despido como eu.

Eu vi a criança negar a graça divina

Vi o meu retrato de condenado em todos os tempos

E a multidão me apontando como o falso profeta.

Espero a tempestade de fogo

Mais do que um sinal de vida.

o anjo pousa de leve
no quarto onde a moça pura
remenda a roupa dos pobres

Murilo Mendes

SOLIDARIEDADE

Sou ligado pela herança do espírito e do sangue
Ao mártir, ao assassino, ao anarquista.
Sou ligado
Aos casais na terra e no ar,
Ao vendeiro da esquina,
Ao padre, ao mendigo, à mulher da vida,
Ao mecânico, ao poeta, ao soldado,
Ao santo e ao demônio,
Construídos à minha imagem e semelhança

Murilo Mendes

É necessário conhecer seu próprio abismo . E polir sempre o candelabro que o esclarece.

Murilo Mendes

Faça de Deus seu refúgio.
Não seu emprego, seu cônjuge, sua reputação ou seu plano de previdência.
Faça de Deus seu refúgio. Deixe que Deus o cerque.
Deixe que ele seja o teto que protege o ambiente da luz do sol, as paredes que detêm o vento,
o alicerce sobre o qual você está!

Você jamais saberá que Jesus é tudo de que você precisa
até Ele ser tudo o que você tem…

 

 

O SENHOR VIVE!

Bendita seja a minha Rocha!

Este é o DEUS que em meu favor executa vingança,

Que a mim sujeita nações.

Tú me livraste dos meus inimigos…

E de homens violentos me libertaste.

Por isso eu te louvarei entre as nações, ó SENHOR!

Cantarei louvores ao teu nome (SALMO 18: 46-49).

 

OBS – Fique um bom tempo mergulhando no fedor de sua dor e você ficará com o cheiro da toxina que tanto despreza. (Max Lucado).

Quer vender aquela sua mesa de Pebolim?

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Jogo de fumaça e espelhos

A jogada de 489 bilhões de euros de Draghi

O novo veículo de empréstimos do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi — a Operação de Refinanciamento de Longo Prazo (ORLP) — ajudou a tirar o sistema financeiro do precipício de uma nova catástrofe tipo Lehman [Lehman Brothers, banco de investimento dos Estados Unidos cuja falência detonou a crise financeira de 2008], mas não trata dos problemas fundamentais criados pela crise (desequilíbrios contábeis, fluxos de capital).

O que a ORLP faz é permitir a bancos europeus que troquem garantias mambembes por empréstimos sem limites com prazo de 3 anos a uma taxa de juros de 1%. O dinheiro emprestado — quase metade de um trilhão de euros — perpetua a ilusão de que os bancos são solventes, especialmente porque a vasta quantia de bens desvalorizados que estavam na contabilidade dos bancos foi transferida para a contabilidade do Banco Central Europeu (O Banco Central dos Estados Unidos conduziu uma operação similar [Quantitative Easing 1, QE1] quando comprou 1,25 trilhão de dólares em papéis assegurados por empréstimos imobiliários dos bancos norte-americanos em 2009).

Assim, agora, o sistema bancário da União Europeia está navegando em liquidez e a taxa que os bancos pagam para emprestar uns aos outros caiu dramaticamente. Portanto, tudo está cor-de-rosa, certo?

Errado. Embora as taxas de empréstimos interbancários tenham atingido seu ponto mais baixo dos últimos dez meses (na segunda-feira passada), os bancos continuam estacionando o dinheiro que tomaram emprestado no Banco Central Europeu. Na última sexta-feira, os depósitos no BCE atingiram um recorde de 528 bilhões de euros, o que é 39 bilhões de euros mais que o que os bancos emprestaram usando a ORLP. Que doideira é essa?

Isso significa que o dinheiro emprestado pelos bancos não está sendo repassado a consumidores e empresários, como Draghi previa, mas está sendo usado pelos bancos para rolar dívidas e continuar a desalavancagem, permitindo a eles atingir as novas exigências de capital de 9%.

Isso é enganação da pior, tipo um jogo de fumaça e espelhos. Afinal, Draghi está pagando mais caro por bens que perderam valor. Qual é a vantagem disso? Pense qual seria a reação se o Banco Central dos Estados Unidos criasse um programa similar para combater os efeitos da bolha imobiliária. Vamos dizer que o presidente [Ben] Bernanke decidisse cobrir tudo o que os donos de casas perderam desde 2006.

Você acha que isso reduziria o número de casas em risco e as penhoras? Com certeza. Mas o povo miúdo não recebe ajuda desse tipo. O que se espera é que ele tome na cabeça. Todas as bondades vão para os caras do dinheiro. É por isso que existe a ORLP. O Banco Central Europeu está dando toneladas de dinheiro barato para seus amigos em troca de bens que, ELE SABE, não valem o dinheiro que está sendo emprestado. Assim, basicamente, é um subsídio (em outras palavras, golpe).

E o Banco Central Europeu está tentando esconder o que faz alegando que o mercado de financiamento bancário não está funcionando direito. Ou, como diz o sr. Draghi, as preocupações com o mercado de ações “causaram distúrbios severos no funcionamento normal dos mercados”.

Vocês já ouviram coisa tão idiota antes?

Quando os banqueiros inflam uma gigante bolha que explode e detona 8 trilhões de dólares em valor imobiliário, ninguém fala que “o mercado não está funcionando direito”, porque somos eu e você os perdedores. Mas quando os banqueiros correm risco, logo surgem as desculpas.

“Ah, não, não pode ser”, eles dizem. “Os mercados não devem estar funcionando direito”. Mas isso é nonsense. Não há nada de errado com os mercados. Afinal, estamos falando de compradores e vendedores, não de algum mecanismo intrincado que requer especialistas com suas pranchetas e jaquetas brancas. O problema é que ninguém está comprando o lixo que os bancos querem vender justamente porque o lixo perdeu muito valor no ano que passou. É só isso.

O sistema funciona assim: os bancos não ganham dinheiro com o João Ninguém e seu pequeno depósito que vem do salário semanal. Tudo isso mudou. A maneira como os bancos se financiam nos dias de hoje envolve grandes quantias de dinheiro que os fundos de investimento estacionam nos bancos enquanto se decidem sobre onde e como investir. Assim, os bancos usam o dinheiro para fazer empréstimos de curto prazo e colocam os bens garantidores dos empréstimos na contabilidade. O chamado “repo market” — sobre o qual estamos falando agora — é na verdade uma grande casa de penhor, sem qualquer regulamentação.

O problema inevitável é que as pessoas que tem acesso ao dinheiro grande (gerentes de fundos) se tornam mais e mais ressabiados com os bancos quando desconfiam do valor declarado dos bens usados como garantia. Assim, os bancos precisam dar mais e mais garantias para obter o mesmo tanto de dinheiro. Isso é equivalente a uma perda, o que significa que os bancos perdem mais e mais dinheiro em toda transação que fazem. Ao mesmo tempo, fica mais difícil para os bancos conseguirem dinheiro lançando ou vendendo ações. Por que? Porque a essa alturta todo mundo sabe que os bancos estão sentados sobre uma grande piscina fétida de bens financeiros podres, que  ninguém quer tocar nem mesmo com uma vara de 10 metros.

Isso significa que o mercado não está funcionando?

Não, na verdade o mercado está funcionando perfeitamente. Os investidores estão fazendo o que os investidores sempre fizeram. Estão separando o joio do trigo, nada mais que isso. É o sr. Draghi que está distorcendo o mercado ao bombar centenas de bilhões de euros numa bolha de ações que já implodiu faz tempo. Vocês tem acompanhado o que aconteceu com a Grécia recentemente?

Aqui está uma analogia que pode ajudar: vamos dizer que você precisa pagar uma prestação do automóvel de 500 reais. Você decide procurar alguma coisa no quintal para vender no Mercado Livre. No processo, encontra uma velha mesa de pebolim que só tem três pernas, cheia das manchas daquela festa-bebedeira que você fez anos atrás, e coloca o móvel à venda no Mercado Livre por 500 reais. Então, abre uma cerveja gelada e fica esperando pela enxurrada de ofertas.

[O Viomundo tomou liberdades poéticas com a tradução do parágrafo acima, para aproximá-lo de uma experiência que um leitor brasileiro teria]

Só que as ofertas nunca aparecem e você é obrigado a ligar para a financeira que está te importunando com as cobranças e dizer “desculpe, cara, não é culpa minha. O mercado não está funcionando direito!”.

Você acha mesmo que o cobrador vai te dar uma colher de chá?

O fato de que ninguém quer sua mesa de pebolim não é um sinal de que o mercado não está funcionando. A mesma regra vale para os papéis-lixo dos bancos. Ninguém os quer porque são lixo; nada mais que isso. Além disso, há sempre um preço para bens financeiros (mesmo o lixo); é uma questão de saber quanto as pessoas aceitam pagar por eles.

Neste caso, as ofertas por papéis da dívida soberana [de estados europeus, que estão na contabilidade dos bancos] são tão baixas que muitos bancos da União Europeis faliriam se vendessem os papéis e considerassem as perdas na contabilidade. É por isso que eles contam com o Draghi para salvá-los. E salvá-los é o que Draghi está fazendo.

O que deveria ter acontecido é que os bancos deveriam ter tido suas dívidas reestruturadas, para não forçar os contribuintes da eurozona a enfiar trilhões [de dinheiro público] neste novo regime de instituições bancárias-zumbi que eventualmente serão consideradas “muito grandes para falir”.

Mas a gigante operação de reinflação do Draghi é apenas um dos problemas da ORLP. Outra questão é que a montanha de garantias dos bancos está rapidamente se esvaindo, o que vai tornar mais difícil os empréstimos do Banco Central Europeu para os bancos em dificuldades em fevereiro, quando a fase dois da ORLP (estimada em 400 bilhões de euros) for lançada.

Mas, como pode ser? Isso significa que os bancos não teriam dinheiro, nem bens decentes para oferecer, o que significa que o sistema bancário moderno não passa de um jogo de enganar.

De fato, é um jogo de enganar. Veja, os bancos tem emprestado vastas somas de dinheiro usando os mesmos bens, de novo e de novo. É chamado de re-hipoteca e, na maioria dos casos, é perfeitamente legal. O problema surge, no entanto, nos ciclos de desalavancagem, quando os bens financeiros no cofre não batem com os que estão na contabilidade. E aí? Como o blog FT Alphaville, do Financial Times, notou: “… neste ambiente, os bancos poderiam facilmente ficar sem bens e falir (Dexia!) (“Death sanitised through credit“, FT Alphaville).

Isso coloca em dúvida o sucesso da chamada fase dois da ORLP. Afinal, existe um limite mesmo para o lixo que o BCE pode aceitar em troca de empréstimos.

Existem outros problemas com a ORLP, como o fato de que coloca o sistema de cabeça pra baixo, ao substituir os Estados pelos bancos privados. Como faz isso?

Ao dar aos bancos privados garantias implícitas sobre suas dívidas, ao mesmo tempo em que as dívidas dos governos perderam a garantia total do BCE, com isso reduzindo-as ao nível de junk. A razão pela qual isso aconteceu: Draghi sinalizou aos mercados que o BCE VAI agir como garantidor de último recurso para os bancos privados, mas não para os estados-membros. Assim, as taxas de risco para as dívidas de governos dispararam, enquanto as taxas para as dívidas de bancos privados cairam.  Naturalmente, isso criou pressão nos orçamentos de governos, já que os déficits continuam a explodir.

Pergunte a você mesmo o seguinte: em que mundo doido vivemos, no qual empresas privadas, que buscam lucro (como bancos) podem conseguir dinheiro emprestado mais barato que estados? Os estados empregam dezenas de milhares de trabalhadores, promovem programas sociais, pagam a polícia, a educação, o salário-desemprego, os serviços de saúde, etc. e operam em nome dos grandes interesses do público… e ainda assim, sob o regime de Draghi, banqueiros inescrupulosos podem usar sem limites os recursos dos bancos centrais com uma taxa de juros menor. Alguém poderia me explicar?

Naturalmente, é o que acontece quando as nações abrem mão do poder de imprimir seu próprio dinheiro. Perdem a capacidade de controlar seu próprio destino. Isso cria uma oportunidade para que as elites financeiras assumam o controle político-econômico, que é o que elas fizeram. A grande finança tomou o poder na Europa e está fazendo o que sempre fez, ou seja, está sistematicamente desmantelando as instituições que prestam serviços de saúde, de aposentadoria, que garantem o trabalho para milhões de pessoas comuns, jogando milhares na pobreza abjeta.

Não era esse o esquema? Não é isso o que o maestro italiano Draghi tinha em mente?

Uma última coisa: a ORLP não tem um mecanismo de transmissão. Em outras palavras, não há como fazer a liquidez que está se acumulando no sistema bancário passar para a economia real. Está tudo lá acumulado, como as reservas de mais de trilhão de dólares estão no sistema bancário dos Estados Unidos.

Assim, a luxuosa doação de 600 bilhões de euros do sr. Draghi não será investida em construções residenciais ou de novas empresas ou no desenvolvimento de novas drogas ou em veículos mais eficientes no gasto de energia.

Na verdade, a fortuna não será alocada para qualquer atividade produtiva. Em vez disso, será usada da mesma forma que os bancos dos Estados Unidos usaram os 700 bilhões de dólares do TARP [Troubled Asset Relief Program, programa de alívio a bens duvidosos, lançado pelo governo dos Estados Unidos para ajudar o sistema financeiro] ou o 1,25 trilhão da primeira etapa do QE [Quantitative Easing]; para turbinar bens em risco e para mandar o mercado de ações para a estratosfera durante um ano. E isso vai deixar a turma do Draghi muito feliz, já que eles vão ter lucros recordes, enquanto o resto da Europa mergulhará numa duradoura mini-depressão.

*MIKE WHITNEY vive no estado de Washington. Ele é contribuinte do livro Sem Esperança: Barack Obama e a política da ilusão, da editora AK. Responde e-mail no fergiewhitney@msn.com

 
Lá vou atrevidamente virar comentarista. Eu que não sei poha nenhuma de futebol. Muito menos de conquistas. Vamos lá.

61% de posse de bola.

O dobro de finalizações.

15 minutos de caguite e MP solto.

Depois os analistas já disseram tudo.

Belo jogo.

Placar justo no final.

Sem humilhação.

Porque no final o FREGUÊS SEMPRE TEM RAZÃO.

 

OBS – Eu não poderia deixar de enaltecer a falta que Rogério fez. Não é desculpa nem choro. Fez falta sim.

OBS II – Gostaria também de agradecer aos beneméritos eternos do Clube Náutico Capibaribe: Américo Pereira em primeiríssimo lugar. João Carlos Paes Mendonça, Gustavo Krause, André Campos, Ricardo Valois, Maurício Cardoso, Sérgio Aquino, Paulo Wanderley (o nosso PRESIDENTAÇO), Berillo Júnior (o bom menino) e tantos outros que meu Deus me perdôe o esquecimento. Eles são os grandes responsáveis por tantas glórias alvirrubras e tanta hegemonia local. ´

OBS III – Juntando todos aí da OBS II e multiplicando por 1.000 eu preferiria 1/2 Homero Lacerda + 1/2 Luciano Bivar não queria nem os dirigentes do passado que aí é covardia. A História seria outra.

OBS IV – Siloé o melhor jogador em campo( pelo Timbú).  Com certeza. Lembra a trajetória de Kieza e Rogério. Até que outro Americano quebre suas pernas a soldo sabe-se lá muito bem de quem.

FUTEBOL NÃO SE FAZ COM HOMENS DE BEM. É PRECISO MUITA CANALHICE PARA SE MONTAR E SE MANTER COM OS BASTIDORES FÉTIDOS DO MUNDO DA BOLA.

UM DIA APRENDEREMOS?

 

 

 

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with The Dragon Tattoo)

Suspense, 158 min. Cotação: **1/2

Qual é o sentido de refazer algo lançado não faz muito tempo e ainda por cima bem-sucedido? Essa é uma das tantas manias controversas que Hollywood tem. A indústria cinematográfica estadunidense costuma usar a justificativa de que o público de lá não tem o hábito de acompanhar histórias sem serem retratadas na sua língua, o que, a meu ver, é vergonhoso. Na esperança de pegar carona no êxito da versão sueca (Män som hatar kvinnor), levada ao cinema em 2009, a Columbia tratou de (re) adaptar o best-seller do escritor Stieg Larsson (falecido em 2004), “Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres”, primeira parte de uma trilogia, publicado no ano seguinte a sua morte.

Em linhas gerais, o longa-metragem de David Fincher (“Seven”, “Clube da Luta”, “O Curioso caso de Benjamin Button”, “A Rede Social”) traz a mesma trama, embora tente dar uma cara diferente. A história de um jornalista, Mikael Blomkvist (o 007 Daniel Craig, que até vai bem), que, após ser condenado pela justiça por acusar sem provas um empresário numa matéria feita para a revista onde trabalha – a Millennium, recebe convite do magnata Henrik Vanger (Christopher Plummer) para investigar um suposto assassinato de uma sobrinha, cometido há quase 40 anos. Mikael contará com a ajuda de uma hacker, Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma figura dark, perturbada, considerada insana pelo Estado e que passou por momentos de extrema dureza até chegar ali. Juntos, enfrentarão empecilhos até solucionarem o caso.

Sempre que aniversaria, Henrik recebe uma flor emoldurada de um anônimo, quem acredita ser o criminoso. Isso reavivou o desejo em esclarecer o desaparecimento de sua sobrinha. Ele suspeita que alguém de sua família a tenha assassinado para impedi-la de herdar o império. Outro fator importante é que alguns dos membros do clã tiveram ligação com o nazismo. Somam-se a isso algumas pistas, incluindo assassinatos contra mulheres e citações que envolvem a Bíblia.

As comparações são pertinentes e inevitáveis. Por mais que Fincher tente deixar sua marca, adicionando elementos que diferem do filme de 2009 (o final foi alterado, e isso talvez provoque mais raiva dos fãs do livro), a essência é a mesma, com várias sequências emuladas do antecessor. A diferença reside no fato de Fincher não ter o tato de aliviar no momento necessário, algo que Niels Oplev soube executar muito bem. Um exemplo disso está na figura do tutor de Lisbeth, que no longa sueco era irônico, debochado, e aqui parece um andróide, sem expressividade alguma.

O que faz repetir o questionamento do começo: qual o sentido de refilmar o que deu certo? E por que raios um cineasta como David Fincher aceitou entrar numa furada dessa? Não dá para entender… Com um orçamento de 90 milhões de dólares (até agora arrecadou pouco mais de U$$ 94 mi nos Estados Unidos – foi lançado por lá faz mais de um mês –, distante de se pagar) e cinco indicações ao Oscar 2012 (atriz – para Rooney, o que muitos questionam –, montagem, fotografia, edição de som e mixagem de som), talvez funcione para quem não tenha visto o original.

 

Houldine Nascimento é Jornalista. Autor do Blog do Dine. http://blogdodine.wordpress.com

TORPEDAÇO DE EDGAR MATTOS.

Publicado: 28/01/2012 em Poesia

Fundação Joaquim Nabuco

Conselho da Produção Científica –CONSEPEC

Obra: “Quase Memórias”

Autor: Mário Souto Maior

Parecer

Meus pares peço licença

Desse jeito inusitado

Pra tratar sem malquerença

De um caso bem delicado

 

Quem requer é uma figura

Que merece nota mil

Modesta, mas não obscura

Pois marcante é o seu perfil

 

Muitos filhos ele gerou

Livros muitos ele escreve

Mais que árvores ele plantou

Os exemplos que nos deu

 

Sogra, diabo, palavrões,

Do puxa-saco à cachaça

De tudo tirou lições

De tudo mostrou a graça

 

Agora, suas “Memórias”

Faltam um “quase” pra Ciência

Mas quem colheu tantas glórias

Dispensa condescendência

 

Pois Mário Souto, o Maior

Dos folcloristas vivos

Já fez muito e melhor

Sem precisar de incentivos

 

Se o nosso regulamento

Não lhe dá classificação

Sinceramente, lamento

Mas não choro a decisão

 

De resto ninguém deplore

Pois é coisa descabida

Tratar como folclore

Tão bela história de vida

 

Daí que peço licença

Pra negar o pleiteado

Sem demérito e sem ofensa

Para autor tão consagrado

 

Qual peixe aprisionado

Nas malhas da lei contido

Sigo os trâmites e o processado

E indefiro o seu pedido

 

Mas pela vida e pela obra

Esse contador de “causos”

Do CONSEPEC já cobra

Um grande voto de aplausos

 

Não se veja na proposta

Gesto de consolação

Se do autor tanto se gosta

É de Justiça a moção !

 

Consepec, 1996

EDGAR MATTOS

Nota: Esse Conselho, da Fundação Joaquim Nabuco, examinava trabalhos de cunho científico, classificando-os em diversos níveis, para efeito de concessão de incentivos financeiros. Tive a oportunidade de dar parecer favorável a todos os livros do emérito folclorista Mário Souto Maior que, inclusive, se tornou meu amigo.

Desta feita, porém, me vi numa “saia justa” pois o trabalho submetido ao Consepec era um livro de Memórias que, evidentemente, não se enquadrava como produção científica. Daí os versinhos, forma amena de dizer Não ! Que – diga-se de passagem – ele aceitou muito bem.

                                B  R  E  G  A

Lembro que o figurinista Denner cunhou o termo cafona, para designar tudo que representasse  o “mau gosto”. No âmbito da música popular, o termo Brega começou à ser usado no finalzinho dos anos 70. Sua origem mais provável se refere as casas/castelos do baixo meretrício das cidades do Nordeste mas , há quem acredite ter origem na Bahia numa rua onde funcionavam várias “casas das luzes vermelhas” chamada Rua Manuel da Nóbrega em Salvador. Há também quem admita que o termo é mais antigo e oriundo do Rio de Janeiro, onde pessoas da classe média referiam-se às empregadas domésticas como “breguetes” , expressão que, por conseguinte, designava seus hábitos, trajes e gostos em geral.

Particularmente, do ponto de vista musical, eu reconheço duas classificações para os BREGAS: os AUTÊNTICOS e os OPORTUNISTAS. Se eu já tinha simpatia pelos AUTÊNTICOS, mais ainda fiquei quando uma vez no Rio de Janeiro, conversando na EMI com um executivo, perguntei sobre a produção luxuosa de um disco do Milton Nascimento (capa,músicos de primeira linha,orquestra,horas de estúdio etc) que certamente venderia pouco (no máximo 80 mil cópias) e este me explicou que o lucro com os “bregas” cobriam tudo.  Noutras palavras, a gente de certa forma, pode se deliciar com o Clube da Esquina 2 graças as grandes vendagens e baixos custos de produção da turma da “cafonice”.

Imagine o sujeito criado em guetos de pobreza social e ecônomica alarmantes, geralmente filho de trabalhadores de pouca baixíssima remuneração, tais como carroceiro, empregadas domésticas, ambulantes e  afins, com pouca ou nenhuma escolaridade, e que sabe-se lá como, aprende , mesmo de forma rudimentar, à “tocar” violão.Que tipo de música este rapaz vai criar senão aquela oriunda deste ambiente?  As paixões, separações, brigas, traições e vinganças certamente era o conteúdo preponderante das canções que ele ouvia no barraco, no boteco, no puteiro e principalmente na vizinhança. Músicas que falavam coisas ao alcance dali, da tribo. Ou alguém imagina que esse jovem seria capaz de perceber uma metáfora buarqueana por mais óbvia que fosse ? Este é o verdadeiro roteiro da biografia comum dos AUTÊNTICOS. E eu tenho carinho, respeito (embora morra de rir ouvindo-os) e até alguns CDs. Podem acreditar. MAURÍCIO REIS é o meu favorito. Inusitadamente tão ruim, mas tão ruim que é ótimo. A voz dura, esquisita, parece que está brigando com a melodia.VERÔNICA é seu maior sucesso, mas tem também MERCEDÃO VERMELHO , com seu comovente refrão “tu és meu hotel, tu és meu espelho”. Sem falar do seu mais vendido LP, Fim de Noivado. Até a morte de MAURÍCIO se deu de forma incomum: afogou-se no meio de uma estrada. Uma chuva torrencial transformou um trecho de uma BR em rio e ele inadvertidamente “mergulhou” com carro e tudo na “estrada”. JOSÉ RIBEIRO é outro ícone. Mas como não se deliciar com ALMIR ROGÉRIO (Fuscão Preto), CARLOS ALEXANDRE (Feiticeira), FERNANDO MENDES (Cadeira de Rodas), e o grande BARTÔ GALENO ? Como esquecer o verdadeiro “rei”, com mais de 22 milhões de discos vendidos, AMADO BATISTA ? Tem gente mais da antiga (Waldick Soriano, Lindomar Castilho, Odair José, Jane & Herondi) e outros tantos que teimam em não vir à memória. Oh céus!

Os OPORTUNISTAS são muitos.Daria uma enciclopédia. Gente que faz música ruim, canta pessimamente, apela prá escrotice coreografada e exibe-se em trajes mínimos de eloquente mau gosto.Esse povo tem absoluta consciência de sua mediocridade mas sabe que é o jeito mais fácil de fazer grana.Breganejos,Axé,Pagode Mauricinho,Pagode Maloqueiro,Funk Carioca… por exemplos.Há também aqueles que se levam à sério.Se acham… ouFábio Jr,Maurício Mattar,Gretchen e Zé Augusto não se julgam um “must” ?

Nosso REGINALDO ROSSI é o maior representante da classe dos OPORTUNISTAS. Sei que tem muita gente que o aprecia, até por reconhece-lo como um AUTÊNTICO. Mas a verdade é bem outra.Eu era garoto quando o conheci cantando rock na banda The Silver Jets de Recife e dizia-se que ele era “professor de matemática” (?). No final da Jovem Guarda, até fez sucesso com um pastiche de FESTA DE ARROMBA (Erasmo Carlos)  chamado Festa Dos Pães. De verdade, ele nunca fez parte do Programa do Roberto. Não chegou nem na porta. Depois de zanzar sem sucesso pelo Sul,voltou ao Recife “emulando” a voz anasalada, o sotaque e as gírias já em desuso do Roberto Carlos ( Bicho!; Mora ? É uma brasa! etc) por volta dos anos 80 e de repente caiu na graça da breguice generalizada de nosso refinado “high society” (e dos incautos) , principalmente daquela fatia que não sai das colunas sociais. A maravilhosa GARÇON , muito provavelmente , vai virar o Hino Oficial de PE e ser executada em cerimoniais (até casamento). Outra pérola de seu repertório é a versão que ele “cometeu” do hino hippie SAN FRANCISCO, tranformando-o em QUANDO EU VOLTAR PARA O RECIFE. Noutra ode à Veneza Brasileira, algo tipo RECIFE TEM ENCANTOS MIL (“é um pedacinho do Brasil”… que rima, que achado sensacional! E eu que achava ser o Recife um pedacinho da Indonésia!) , no final da canção, num ato de covardia explícita, para não correr o risco de desagradar aos “não-pernambucanos”, faz uma discurseira elogiando outras cidades , quase se desculpando pela elegia ao seu cadinho natal. Prá concluir, lembro que ROSSI costuma se “esquecer” discretamente das obras de outrem. Pouca gente sabe que DEIXA DE BANCA é uma versão escrita por Erasmo nos anos 60, para uma música italiana e que virou BOROGODÁ pela goela de Reginaldo. Também, “sua” salsa AMIGO foi escrita pelo guitarrista CARLOS SANTANA e se chama GITANO(curiosamente lançada no album AMIGOS, do guitarrista mexicano). Não se iluda. Ele sabe muito bem onde pisa, conhece o verdadeiro tamanho do próprio talento.

Como se vê, BREGA é coisa séria.Assim como muita gente tirou (ou tentou tirar) proveito da Bossa Nova, do Tropicalismo e até do Regionalismo autêntico , muito oportunista enveredou pelo popularesco descaracterizando o legítimo BREGA. Tudo bem que ROSSI ganhe seu pão em cima dos desavisados mas, dói quando o vejo ser aclamado como o Rei da Música Pernambucana. A gente merece ? Com franqueza ?

Em memória de Gilberto Maymone, Francisco Neto & Cia Ltda. Foram muitos, tantos. Contra a homofobia que ataca os artistas, bancários, gente de todas as classes, pelas suas escolhas sexuais. Como se isso definisse se podemos ou não viver mais um pouco, um pouquinho só nesse mundão de Riobaldo…

Amor de poeta

Marcelino Freire


O poeta?

Conheci o poeta, sim, na rua.

É, na rua.

Lembro como se fosse hoje, agorinha. Existia uma praça e a gente ficava até a noite. Encostado, vendo o povo passar. Os caras para lá, lálálá. A gente às vezes assobiava sujo.

Eu trabalhava perto da São Bento. Perto da São Bento, não lembro.

Nasci em Araxá.

Sou mineiro de Araxá.

O poeta?

Ele estava de óculos, como sempre. E eu pisquei, eu pisquei assim.

Assim, ó: assim, para conquistar.

Não, não sabia.

Importante era presidente da república, governador. Nem sabia o que um poeta fazia da vida.

Não sabia.

Eu gostava de música.

De samba.

Samba de roda.

Ele me levou para sua casa, sim. Tocou piano, uma marchinha.

A gente ficou ali.

Ficou ali, só. Não tinha essa afobação no primeiro dia.

Dava para ver que era gente educada, letrada. Perguntou se eu estudava. Estudei nada. Escola era para quem tinha uma boa família.

E para quem não tinha preguiça. Eu não queria nada com a vida.

Morava na Barra Funda, Santa Cecília.

18 anos, acho.

O meu sorriso era bonito, ele dizia. E o meu corpo era bonito. Eu gostava de correr, montar, fazer exercícios.

E nadar no Rio Pinheiros.

No Rio Pinheiros, para você ver.

Ele deu um livro para mim. Eu aceitei.

O livro assinado. Se eu soubesse que valia alguma coisa não tinha jogado o livro na rua.

Jogado na chuva. Pisado em cima. Eu tinha roubado era a biblioteca toda.

Era uma biblioteca muito bonita.

Muito bonita.

Poesia nunca encheu barriga.

Até hoje é assim, não é?

A gente se encontrou outras vezes, na mesma esquina. Na mesma praça. Hoje nem sei o que foi feito daquela praça.

Você sabe o que foi feito daquela praça?

No terceiro dia, não sei. Ele veio me tocar. Eu cheio de saúde, deixei. Lálálá.

Eu não era bobo.

Ele me dava dinheiro, me dava camisa, comprava sapato. Mas foi ficando meio pegajoso. Pegajoso.

Agüentei por causa das facilidades, entende? Eu queria um terno, sei lá, uma casa.

Sim, uma casa para morar.

Ganhei um terno e um chapéu novo.

Ele conheceu meu pai, minha mãe. Conheceu minha irmã pequena.

Minha irmã pequena era doente. Morreu de repente.

Ele pagou o enterro todo.

Foi osso quando eu arranjei uma namorada. Foi osso. A coisa engrossou para o meu lado.

Queria compromisso, pode?

No meu pensamento, não era assim tão sério.

Ele inventou uma viagem só para me tirar de perto da Bebel.

Bebel era o nome dela.

Maria Isabel.

Pagou tudo e eu fui com ele. Conheci Pernambuco. Bebi muita água de coco. A gente viajou pelo Nordeste do Brasil.

Como é lindo o meu Brasil, ele dizia. Demorou cinco anos, não sei.

Que a gente ficou junto.

Ele falava sempre que tinha um livro novo. Me mostrava o jornal. Queria que eu entendesse o que ele lia, como podia? Eu, burro desse jeito.

Burro, burro.

Coisa comprida, de dá sono. Mas eu ficava ali, no maior interesse. Me dava de tudo, não queria que eu voltasse para a praça. Queria que eu ficasse com ele, a vida inteirinha.

Coisa chata. Não ia dar certo.

Fui ficando nervoso. Dei para beber. Ele ganhava uns vinhos importados. Era comigo mesmo.

O quê?

Eu também fumava. Depois que a coisa foi me cansando, aumentei o número do cigarro.

Comecei a beber cachaça.

Muita cachaça.

Ele detestava. Vivia querendo salvar o mundo com a sua poesia. Até hoje não sei para que servia tanto verso, tanto verso.

O Tietê tá aí, não deixou de morrer. São Paulo, dá dó de ver.

De quando em quando, eu lembro dele. Não dá pra esquecer, não é?

Era homem muito bom o poeta.

O que mais você quer saber? Mais o quê?

Descobriram o amante do poeta.

É. Todo mundo só fala nisso. O senhor é que foi o amante do poeta? Onde conheceu o poeta? Na rua?

A fofoca tá em tudo que é jornal.

Pode perguntar para o pessoal, ninguém daqui acredita. Ninguém acredita.

Faz tempo que eu não recebo assim tanta visita.

PS – Você vê aquela gorda?Ela sofre da obesidade,
Você vê aquele gay? Ele sofre da homofobia,
Você vê aquele “viciado” na rua? Ele sofre da desigualdade social,
Você se olha no espelho e descobre que sofre de sua propria ignorância.

A Academia Brasileira de Letras perdeu, não o poeta que ganhou as estrelas , sempre passarinho…

” Senhor! Que buscas Tú pescar com a rede das estrelas?” Mário Quintana.

Na voz de Flávio José. Primeira:

Lisbela e o prisioneiro, na voz de Elza Soares:

Uma homenagem de um fã:

Rosa, João Guimarães & Drummond.

Publicado: 24/01/2012 em Poesia

João Guimarães Rosa


“Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranqüilos e escuros
como o sofrimento dos homens.”

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Um chamado João

“João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?
Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas,
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?
Tinha pastos, buritis plantados
no apartamento?
no peito?
Vegetal ele era ou passarinho
sob a robusta ossatura com pinta
de boi risonho?

Era um teatro
e todos os artistas
no mesmo papel,
ciranda multívoca?
João era tudo?
tudo escondido, florindo
como flor é flor, mesmo não semeada?
Mapa com acidentes
deslizando para fora, falando?
Guardava rios no bolso,
cada qual com a cor de suas águas?
sem misturar, sem conflitar?
E de cada gota redigia nome,
curva, fim,
e no destinado geral
seu fado era saber
para contar sem desnudar
o que não deve ser desnudado
e por isso se veste de véus novos?

Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
e precipites prodígios acudindo
a chamado geral?
Embaixador do reino
que há por trás dos reinos,
dos poderes, das
supostas fórmulas
de abracadabra, sésamo?
Reino cercado
não de muros, chaves, códigos,
mas o reino-reino?
Por que João sorria
se lhe perguntavam
que mistério é esse?

E propondo desenhos figurava
menos a resposta que
outra questão ao perguntante?
Tinha parte com… (não sei
o nome) ou ele mesmo era
a parte de gente
servindo de ponte
entre o sub e o sobre
que se arcabuzeiam
de antes do princípio,
que se entrelaçam
para melhor guerra,
para maior festa?

Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
de se pegar.”

Carlos Drummond de Andrade 22/11/1967 – Versiprosa

 

Postei aqui há poucos dias a matéria com seu Lucas.

Dono do último táxi fusca e cor de  laranja que tinha os dias contados para rodar no Recife.

Apareceu tanto na imprensa, que sua vida sofrida , de tanta luta, foi abreviada.

Bandidos lhe roubaram a vida.

Seu Lucas.

Seu Fusca.

Nossa saudade.

 

PS – Carlos Pena Filho disse tudo:

“Recife, cruel cidade,
águia sangrenta, leão.
Ingrata para os da terra,
boa para os que não são.
Amiga dos que a maltratam
inimiga dos que não,
este é o teu retrato feito
com tintas do teu verão
e desmaiadas lembranças
do tempo em que também eras
noiva da revolução.”(Guia Prático da Cidade do Recife – O Fim, 1999:142-143)

 

 

 

Você cria seus filhos.

Lutando contra a pior das drogas: a televisão.

Sobrevive a família encontrando no DNA de todos os ancestrais o caminho do bem.

Seus filhos correspondem. Dão muito trabalho.

Mas as alegrias infindas.

E tudo vai passando.

Chega então o momento em que um deles lhe avisa:

– vou para o protesto contra as passagens de ônibus amanhã.

Você se lembra dos seus 17 anos e alguma coisa.

Você se lembra do primeiro congresso depois da reabertura da UNE.

Você foi ao primeiro comício de Arraes.

Participou das campanhas de Marcos Freire e Jarbas. Quando este não havia sido clonado.

E seus pais ali do lado lhe advertindo. Em vão…

Hoje eu rezo. Apenas.

Rezo para que um tiro de borracha não pegue na minha filha.

Ou uma porrada, ou um inocente gás de fazer chorar. Quem ri são os políticos.

Os próprios policiais que descarregam no braço o que o cérebro e o coração escasseiam: respeito ao próximo.

Não posso impedir minha filha de comparecer a um ato coordenado pela casa de Tobias Barreto.

Ela que nem matriculada ainda está no curso de Direito.

Mas é a vida.

E ela é muito perigosa mesmo.

Fico aqui rezando. Conselhos? – já desfiei um rosário deles.

Não adiantou comigo.

Pois a juventude tem seus ideais e suas idéias.

E isto é aproveitado muito bem pela nossa escória política.

Aqueles que andam de carros blindados e cujos filhos vão ao exterior.

Nós ficamos na Terra Brasilis, com crack e tudo.

Assalto a banco e tudo.

Tiros nos sinais e tudo.

E mesmo assim mantemos a fé.

A poesia nossa de cada dia que nunca nos falta.

A música que nos acompanha nos momentos de seca.

Os amigos e os familiares.

Então é ir.

E voltar.

Porque como diria Riobaldo:

“Eu careço de que o bom seja bom e o rúim ruím, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero todos os pastos demarcados… Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero. Ao que, este mundo é muito misturado.” Guimarães Rosa.

Para Edgar Mattos

” O homem não tem uma natureza, mas uma história.

   O homem não é um objeto, mas um drama.

   Sua vida é algo a ser escolhido, inventado ao longo de sua trajetória,

   e um ser humano é fruto dessa escolha e invenção.

   Cada ser humano é seu próprio romancista e , embora 

   podendo optar entre ser um escritor original ou um plagiarista,

   não pode escapar da escolha…

   Ele está condenado a ser livre.”

A VIDA EM 24 FPS. POR HOULDINE NASCIMENTO.

O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy, Inglaterra, 2012).  Suspense, 122 min. Cotação: ***1/2

Há alguns anos, “O Jardineiro Fiel” (2005), de Fernando Meirelles, havia dado uma lição de como uma obra de John Le Carré deve ser levada ao cinema. O filme era um thriller muito intrigante, que trazia o lado sujo da indústria farmacêutica, e não à toa é considerado a melhor adaptação de um livro dele. Entretanto, foi com romances de espionagem passados na Guerra Fria que Le Carré se fez notar. Um conhecimento que adquiriu enquanto diplomata no início dos anos 60. E o que é a sua especialidade, é trazido mais uma vez em “O Espião que Sabia Demais”, saído da publicação homônima de 1974.

Logo nos primeiros minutos, ficamos sabendo do que se trata: há um agente duplo no Circus, alto comando do serviço secreto britânico (o MI-6). E a missão de George Smiley, interpretado por Gary Oldman, é justamente descobrir quem é que envia as informações sigilosas para os soviéticos. Essa desconfiança partiu de Control (John Hurt), chefe dessa divisão de elite do MI-6 e que não tem condições de continuar a investigação.

Ex-membro do Circus, Smiley foi forçado a se aposentar há pouco depois de uma operação em Budapeste, na qual não estava envolvido, dar errado e tem de sair de seu descanso para averiguar essa suspeita de que uma das quatro pessoas com quem trabalhou na alta cúpula é o espião. Para isso, solicita a ajuda de Peter (Benedict Cumberbatch), que ainda continua a trabalhar no serviço secreto. Será preciso muita paciência para desvendar o caso, tal qual a analogia que se faz com as peças de um tabuleiro de xadrez.

Apresentado em uma narrativa não-linear, causa confusão na cabeça do espectador pelas inúmeras informações que surgem a cada minuto. Apesar de ritmo lento, o mais que denso roteiro exige muita concentração para que se captem as nuances. O diretor sueco Tomas Alfredson (aquele do terror vampiresco “Deixe Ela Entrar”) elaborou o filme contando bastante com a inteligência do público. De qualquer forma, é bem provável que uma única visualização não seja suficiente, o que configura um grande problema.

A história resulta datada e a sensação tida é de que os roteiristas despejaram além do que puderam dela (e só corrobora a tese de que não é fácil adaptar John Le Carré). Há mais de três décadas, precisamente em 1979, o mesmo texto originou uma minissérie na BBC com Alec Guinness no papel principal e fazia todo sentido naquele momento.

A seu favor, pode-se destacar o elenco de primeira classe (poucas vezes nos últimos anos se viu atuações tão pontuais). Encabeçado por Gary Oldman, que tem um desempenho extremamente analítico, calculista, diferente do que nos habituamos a ver (pouco lembrado em premiações, ele desta vez pode receber sua primeira indicação ao Oscar), também traz figuras conhecidas do grande público como o já citado John Hurt, o recém oscarizado Colin Firth, Mark Strong, Toby Jones e Tom Hardy.

Ao contrário do que se possa pensar, este é um filme sério e quase não tem relação com os tantos longas que se fazem nessa linha, tentando dar uma abordagem mais realista e com bem menos glamour (soa até irônico dividir espaço com “Missão Impossível 4”, ainda em cartaz no Brasil). Consegue fazer uma boa reconstrução da época, auxiliada por uma discreta fotografia que alterna entre o marrom e tons pastel.

Esquecido no Globo de Ouro, “O Espião que Sabia Demais” foi nomeado a 11 categorias do BAFTA, a maior premiação do cinema inglês. Conduzido com frieza, é um genuíno suspense, em que se acompanha passo a passo o seu delinear. Não é para qualquer um.

Tropa de Elite 2 fora do Oscar 2012

 

Na última quarta-feira (18), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles, responsável por distribuir os prêmios do Oscar, divulgou a lista dos nove filmes semifinalistas à categoria de filme em língua estrangeira. E o brasileiro “Tropa de Elite 2” foi um dos 54 eliminados.

 

Continuam na disputa: o iraniano “A Separação”, que é o favorito;

“Bullhead”, da Bélgica;

“Monsieur Lazhar”, do Canadá;

“Superclásico”, da Dinamarca;

O documentário alemão e em 3D “Pina”, de Wim Wenders;

“Footnote”, de Israel;

“Omar Killed Me”, do Marrocos;

“In Darkness”, da Polônia;

E por fim “Warriors of the Rainbow: Seediq Bale”, de Taiwan.

 

Os cinco nomeados serão anunciados na próxima terça (24).

 

Opinião: Já joguei a toalha. Francamente, quando fazemos um filme de grande qualidade e reconhecido pela própria crítica americana, eles tratam de rejeitar… A mesma coisa fizeram com “Cidade de Deus”. Não sei o que se passa na cabeça dessa turma…

 

 DESPACHO EM VERSO

 

                                              Por EDGAR MATTOS

 

A professora Lucyde Almeida Barbosa,lotada em São Bento do Una, dirigiu, em versos,  ao Secretário Estadual de Educação,  o seguinte requerimento:

 

“Exmo. Sr. Secretário de Educação

Desejaria apenas um minuto de atenção

Afastei-me da escola

Sem a sua permissão

Mas mandei requerimento

Justificando a razão

Desse meu afastamento

Pra cursar pós-graduação

Afastamento já aprovado

Pela Creuza Aragão

 

Como o curso começava

No início do mês em questão

Aproveitei todos os sábados

Feriado não levei em consideração

Dando as aulas que podia

Por antecipação

Completei a carga horária

E fiz recuperação

Tudo como explicitam as leis

Que regem a Educação

 

Mas como sempre acontece

Houve reprovação

E os trinta e dois reprovados

Da escola, aprontaram a delação

Dirigiram-se ao Dere

Que lhes deu toda razão

Mandou-me fazer novamente

Uma nova recuperação

Para aprovar todo mundo

Causou-me indignação

Se eu cumpri a minha parte

Consciente da minha missão

 

Complementei carga horária

Fiz recuperação

Aprovei quem tinha condição

Disso não tenham dúvida não

Por que me condenam ?

Por antecipar uma reposição ?

Ou por não jogar analfabetos

No meio da multidão ?

Então eu pergunto Excelência

Que papel é o do professor ?

De trabalhador da messe

Ou do circo o senhor ?

 

Eu conheço a videira

Que dá frutos de valor

Eu conheço a videira

Que dá vinho sem sabor

Quem mais conhece o filho

A mãe ou o genitor ?

Assim senhor Secretário

Analise a situação:

Não se pode reprovar !

Como anda a Educação

Se não agi com justiça

Não me dê nenhuma atenção

Ou defira o meu requerimento

Se der a isso aprovação

Porque tenho certeza de estar certa

E espero em Deus solução”

 

Para não mudar a forma do processo, eu, então o titular da Secretária Estadual de Educação, também despachei em verso:

 

Professora Sueli

Dessa terra de São Bento

Eis o que resolvi

Sobre seu afastamento

Para a pós-graduação

Que feito sem requerimento

Deu em tanta confusão

Se não houver prejuízo

Como reza a informação

Professora lhe aviso

Dou-lhe absolvição

Em homenagem a  seu verso

Que tem ritmo e picardia

Lhe perdoo mas lhe peço

Aprenda que autonomia

Tem limite no direito

Pois nesta Secretaria

Se se deixar “levar no peito”

Ensino vira anarquia

Sem São Bento que dê jeito.!

R  O  C  K     B  R  A  S  I  L

 

Uma crítica contumaz que se fazia e se faz ao chamado Brock é que,diferente dos outros tantos estilos musicais, este carece de um sotaque brasileiro. Nos anos 80, quando definitivamente o rock sentou praça por aqui, houve até quem relacionasse os “nossos”  com os originais estrangeiros.  Algo do tipo B-52s (Blitz), THE SMITHS (Legião Urbana), DURAN DURAN (RPM), HARRISON (Lulu),STONES (Barão Vermelho),THE POLICE (Paralamas) etc, etc. Ora, toda e qualquer música popular não veio do nada. Se formos atrás, elas estão bem distante, lá nas cavernas dos nossos antepassados. Os cantos e batuques tribais dos escravos africanos deram no blues/jazz e as canções do folk anglo-saxão deram na country music americana e, todos juntos deram no ROCK.  Este em particular, ao aportar na Jamaica virou “rock steady” e então, o reggae. Pelas mãos mexicanas/gitanas de CARLOS SANTANA deu-se o Latin Rock e no Reino Unido, virou o eternamente festejado British Rock, de onde se originou o psicodelismo,o progressivo, o heavy metal,o punk e o new wave e…

Foi com um olho nas Big Bands que Severino Araújo fundou a nossa eterna Orquestra Tabajara que além de Tommy Dorsey e Glenn Miller acrescentou a “gafieira” aos metais em brasa. Foram nossos heróis de formação erudita, que ralavam nas noites cariocas tocando jazz que trouxeram o samba prá pedaço e raiaram com a Bossa Nova e, hoje em dia, qualquer esquimó a identifica como música autenticamente brasileira.

A coisa toda é um “processo”. Às vezes lento, às vezes rápido. Acreditem mas, CAUBY PEIXOTO, AGOSTINHO DOS SANTOS e ELIS REGINA gravaram rocks sem muita aceitação mas, quando CELY CAMPELO lançou suas versões bem apropriadas, a coisa pegou e sobrou até para seu irmão TONY e o fugaz CARLOS GONZAGA. A JOVEM GUARDA, apesar de bem sucedida comercialmente, manteve as “versões” como padrão embora ROBERTO e ERASMO criassem alguns clássicos nos primórdios. Justamente o TROPICALISMO, já chegou com todos os ingredientes do rock brasileiro, juntando tudo,inclusive a Jovem Guarda,na panela. Claro que OS MUTANTES faziam rock com a cara (e a coragem) de MPB mas, é só dá uma olhada na época para se identificar em Gil,Caetano e Gal as mesmas tendências. Aquilo era rock sim e muito verde-amarelo-azul-anil. Mais tarde houve sim uma tentativa  fracassada de se copiar o “rock progressivo” mas ERASMO CARLOS e principalmente RITA LEE e o RAUL SEIXAS já esbanjavam nossa malemolência musical em seus inseparáveis rock and rolls. Nada mais brasileiro.

Só no início dos agora históricos ANOS 80 o rock tirou seu visto de permanência no Brasil. De início, tocando fundo a alma brasileira com temas do agrado nacional: humor e amor. A BLITZ estourou com o casal suburbano das batatas fritas. OS PARALAMAS cantavam a moto que papai proibia de Vital que, por trás das lentes era um cara legal. Paulinha e o KID ABELHA não queriam saber de solos de guitarra e de bermudas, o caso era sério. O BARÃO descrevia a trajetória de Bete Balanço para os “insensíveis” TITÃS enquanto a atônita LEGIÃO URBANA questionava: será só imaginação ?  É claro que, as gravadoras foram às nuvens e despejaram, sem critérios lixos do tipo METRÔ, MAGAZINE, SILVINHO BLAU-BLAU, CAMISA DE VÊNUS, ENGENHEIROS, NENHUM DE NÓS, YAHOO e… haja paciência ! Mas quem tinha bala na algibeira cresceu, depurou-se e criou canções que, marcaram uma geração e permanecem, já incorporadas à melhor música brasileira. Estilos foram depurados, experimentações musicais e líricas foram urdidas e só as tragédias da vida nos privou de artistas brilhantes que ainda prometiam mais e melhores “blues”. Confesso que não gostava da LEGIÃO. Achava que não estava a altura do talento do Renato Russo com sua voz e versos poderosos (mas é óbvio que não sou o Senhor Verdade Absoluta). CAZUZA cada vez mais cortava o cordão umbilical e o mimo dos papais e crescia como pessoa e artista. IRA,PARALAMAS e TITÃS mantiveram o nível de qualidade (Hebert Vianna é um gênio assim como o Arnaldo Antunes). LULU SANTOS continua perene como o último romântico (e guitarrista fantástico). PAULA TOLLER é sempre ótima e dulcíssima. Será que o Mangue Beat vingaria se os 80 não abrissem as portas ? E mesmo desse movimento musical pernambucano pudemos constatar que “quem é bom fica!” e gera frutos.  O SKANK já está entre os grandes e mesmo o deboche,a ironia e as piadas certeiras dos MAMONAS (que tanto me fizeram gargalhar) não escondiam os bons músicos que eram e a inteligência malandra do DINHO. O lixo “broda”, o gato enterrou, como de costume. E temos sim o nosso rock. Ou melhor… roque !

 

POSFÁCIO ESPECIAL DE LUXO POR EDGAR MATTOS:
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Mais que todas as instrutivas sabatinas do nosso Maestro JC, esta de hoje eu qualifico de ‘essencial”. De forma sintética e clara ela explica a origem de tudo. O processo. Mais Lavoisier ( foi ele mesmo ? ) do que nunca: nada se cria, tudo se transforma. Muito pedagógico. Simples e abrangente.Etimologicamente magistral ! Hoje vou dormir menos ignorante. Ao som de um brasileiríssimo roque…

 

PS – João Carlos, me permite esse vídeo “intrometido” no seu belo artigo.

Vamos esperar o nosso Engenheiro de Som chegar de Porto.

Mas vamos mandando nossos rocks por aqui. Brazucas. Do bão.

 

A não-violência e a covardia não combinam. Posso imaginar um homem armado até os dentes que no fundo é um covarde. A posse de armas insinua um elemento de medo, se não mesmo de covardia. Mas a verdadeira não-violência é uma impossibilidade sem a posse de um destemor inflexível.

Mahatma Gandhi

 

 

DIA NACIONAL DO FUSCA.

Publicado: 20/01/2012 em Poesia

O DIA MUNDIAL É OUTRA ESTÓRIA. LÁ PROS MUNDARÉUS DE JULHO.
Aqui é hoje.
E tome Fusca.
Eis o vídeo do clube do Fusca do ano passado.
Quem tiver alguma nova estória.
Estão na Tribuna Fusca.
Justa homenagem aos fuquinhas.