Arquivo da categoria ‘Saudade da Porra’

Algumas músicas que estavam no PEN-DRIVE do carro dele. Eita meu velho…

Um pop bacana, riff da guitarra na medida:

 

O gênio Raphael Rabello e a Musa que andou por aqui e está sempre aqui:

o solo que ele faz igual e deixa a gente esperando tocar assim um dia:

tá nevando em Lyon – França, mas o sol vem. vamos que vamos Daniel:

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Poeminha: Última Vontade

Millôr Fernandes

Enterrem meu corpo em qualquer lugar.
Que não seja, porém, um cemitério.
De preferência, mata;
Na Gávea, na Tijuca, em Jacarepaguá.
Na tumba, em letras fundas,
Que o tempo não destrua,
Meu nome gravado claramente.
De modo que, um dia,
Um casal desgarrado
Em busca de sossêgo
Ou de saciedade solitária,
Me descubra entre fôlhas,
Detritos vegetais,
Cheiros de bichos mortos
(Como eu).
E como uma longa árvore desgalhada
Levantou um pouco a laje do meu túmulo
Com a raiz poderosa
haja a vaga impressão
De que não estou na morada.
Não sairei, prometo.
Estarei fenecendo normalmente
Em meu canteiro final.
E o casal repetirá meu nome
Sem saber quem eu fui,
E se irá embora
Preso à angustia infinita
Do ser e do não ser.
Ficarei entre ratos, lagartos,
Sol e chuvas ocasionais,
Estes sim, imortais
Até que um dia, de mim caia a semente
De onde há de brotar a flor
Que eu peço que se chame
Papáverum Millôr.

Lembrando Millôr Fernandes, face a seu falecimento em 27 de março de 2012.

Texto extraído do livro “Papáverum Millôr”, editado pela Editora Prelo, Guanabara –  1967, pág. 13. Publicado com a grafia de 1967.


EU TENHO É PENA.

Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, conhecido como Chico Anysio (Maranguape, 12 de abril de 1931 — Rio de Janeiro, 23 de março de 2012)

 

Um belo vídeo que homenageia Chico Anísio. O homem que inventou e reinventou o humor televisivo brasileiro. Um gênio:

Levitou… aos 48.

Publicado: 11/02/2012 em SAUDADE, Saudade da Porra

Cantora Whitney Houston morre aos 48 anos

Do Portal UOL.
  • Whitney Houston se apresenta em pré-festa de gala do Grammy 2011, em Beverly Hills (12/02/2011)Whitney Houston se apresenta em pré-festa de gala do Grammy 2011, em Beverly Hills (12/02/2011)

A cantora Whitney Houston morreu aos 48 anos neste sábado (11), segundo informações da agência de notícias Associated Press. De acordo com a empresária da cantora, Kristen Foster, as causas da morte e o local em que a artista foi encontrada ainda são desconhecidos.

Ela era considerada a rainha da música pop até que sua voz e imagem foram destruídas pelo uso de drogas e a vida pessoal tumultuada com seu último marido, o cantor Bobby Brown.

No auge, Whitney foi considerada a “garota de ouro” da indústria fonográfica. Entre o meio dos anos 80 e o fim dos anos 90 , ela foi uma das artistas que teve o maior número de vendagens de discos. Ela maravilhava as pessoas com sua voz poderosa, criada na Igreja Batista, mas ao mesmo tempo palatável para o gosto do grande público.

O sucesso a levou da música para o cinema, onde atuou em sucessos como “O Guarda-Costas” e “Falando de Amor”. A cantora influenciou uma geração de cantoras tais como Christina Aguilera e Mariah Carey.

No final de sua carreira, Houston tornou-se célebre por abusar das drogas. As vendas de seus álbuns diminuíram, e sua imagem serena foi abalada por um comportamento violento e aparições públicas bizarras. Ela confessou ter abusado de maconha, cocaína e comprimidos, e sua voz foi ficando cada vez mais rouca, fazendo com que ela não conseguisse atingir as altas notas que a tornaram famosa.

Ela deixa uma filha, Bobbi Kristina, fruto de seu casamento com Bobby Brown. Eles ficaram juntos entre 1992 e 2007.

02 de Fevereiro de 1997. Silêncio.

O som está aí.

Eterno.

Então:






19 de Janeiro de 1982.

36 anos e uma consagração.

Não adianta lembrar a data. Nem os trinta anos que se passaram.

A maior cantora do Brasil.

E acordamos em branco e preto.

Não havia a Web.

Não havia as ondas dos celulares.

Não havia os teclados loucos.

A pressa inimiga. As teletelas. BBB nem pensar.

Mas havia ELIS .

A pimentinha.

Nossa musa que amava o Recife e eu só vim saber hoje.

Que gostaria de voltar a terrinha após o último show em 1979 e não voltou mais por aqui.

A mulher que mais amou e mais cantou as dores das impossíveis separações.

E continuamos atrás da porta.

Esperando a sua volta.

Como os nossos pais.

Que da mesma forma que os nossos filhos também viveram o furacão.

Num Janeiro ensolarado houve um rápido eclipse.

E distante, uma pequena homenagem ao Criador.À Capela.

Ela foi falar com D’us sem piano e sem falsete.

PS – João Carlos faria algo muito mais belo, poético e musical. André Gustavo no Som e Arsênio completando com toda literatura e a história de Elis. Atrevimento meu. Mas está incompleto e será completado ainda por Magna, Edgar e Tadeu. E quem mais vier neste Arrastão de Saudades.

Só para lembrar:

” Metade de mim é um Anjo
A outra metade Tsuname
O conjunto efeito do momento”.
Elis.

Recifes antigos.

Publicado: 13/11/2011 em SAUDADE, Saudade da Porra




(*) Fotografia do blog Ponte da Saudade.

Para o dia 02:

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E no primeiro dia fez-se a luz. O verbo se fez carne antes.

E na Criação com as 22 letras do alfabeto hebraico D’us criou o Universo

Antes mesmo da primeira escola ser criada. Assim penso eu em respeito aos Judeus.

Já que D’us veio antes de todos nós.

E como ele pensa em tudo, então posso pensar que todos nós já existíamos. Muito antes de sabermos.

Antes de passarmos pelo túnel que nos trouxe a esta vida.

Este milagre diário de acordar, reencontrar-se, aos seus amores, aos seus temores.

E neste túnel apertado, sufocado, belo, arejado, comprido, rápido, estreito e largo.

Paradoxal até pelo nome: túnel.

Vamos nos rolando sem criar limo. Vamos prosseguindo. Combatendo.

Tudo no gerúndio? Viver é um ato de gerundismo?

Não sei, mas acredito que as nossas histórias não se encontraram e nem terminam por aqui.

Depois de mais uma noite semi-acordado e semi-morto e com sonhos e olhares bem abertos juro que ouvi o seguinte diálogo:

– Berto como estão os meninos lá na Terra?

– Minha véia estão bem. Estão todos bem. Nenhuma novidade.

– E o nosso caçula? E os filhos dele?

– Melhor do que ele acha que merece.

– Deu tanto trabalho lembra?

– É , mas era quem mais se chegava para uma conversa. Contestava…

– Admirava o danado. Teimoso…

– As arengas dele com os amigos ainda continuam…

– É se não fosse assim não era neto de quem ele é.

– Mas o bom é que os amigos dele sabem perdoar. Já seu pai …

– Os meninos sentem muita saudade dele. O jogo de gamão. O time de futebol…

– O primogênito saiu a você. Músico nato.

– Lindo. O pai está pensando que herdou dele. Deixa estar. É justo.

– E as meninas? Parecem as gêmeas. Tão parecidas e tão diferentes.

– Puxaram a mãe e a avó. Acho que do pai e do bisavô a contestação, os temperamentos fortes.

– São lindas. Gostaria de ter ficado um pouquinho com elas. Colocado prá dormir. Enfeitado, levado para passear nos carrinhos. Pentear seus cabelos..

– É mesmo minha véia. Mas a gente fez tudo isso por aqui mesmo não foi?

– Lembrei da minha aldeia. Meu pai tocando guitarra e cantando os fados. O vinho. Minha mãe no alpendre…

– Caruaru está uma capital. Não reconheço mais aquela gente. Mas tá bonito assim mesmo…

– Você tem saudades dos netos que não conheceu?

PS – Não sei porque nessa hora não escutei mais nada.

Os olhos não deixaram eu escutar a ligação…

PS I –  Eita por que as mães tem de levitar? Por que não posso escutar mais o piano e os conselhos que eu teimava eu não seguir mas a vida terminava mostrando que o pai estava certo. Nâo sei, mas esta pausa, esta quarta-feira, deixam a gente um bocado estropiado. É a semana de Drummond. É o dia 02. Eu sei. Nâo inventamos algumas regras. Não podemos escolher nem a entrada nem a saída. Na “programação divina” o software vem com arquitetura fechada. Estamos nas mãos D’ELE. SEMPRE. ETERNAMENTE. AMÉM.

PS II – Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
” Clarice Lispector”

Dia “d”

Publicado: 31/10/2011 em Poesia, Saudade da Porra





Dedicado à Velha Guarda da Portela do BB e dos Fuscopoetas de Hoje e de Sempre.
O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo…

Mário Quintana

A saudade diminuiu ou fomos nós que envelhecemos?

Millôr Fernandes

 

Venho tentando escrever com esta seca  braba. A insônia ajudou alguns posts abaixo. Valeu pela existência de tantas noites em claro. Pelo menos para mim.

Apertou-me a saudade, como quase sempre ela brinca de apertar meu peito. Nâo escolhe hora.

A saudade não se define nem se traduz em nenhuma outra língua. Pelo menos na minha saudosa e presente ignorância. Talvez em húngaro, que no dizer de Budapeste do Chico, é a única língua que o Demo respeita.

E a saudade travou como sempre nas horas mais incovenientes.

E eu vivo caindo em suas ciladas. A saudade é irmã do não tempo. Ela talvez seja a certeza da Eternidade. Venha como vier. Sem saudade como iríamos nos lembrar do amor que sentimos por quem não está mais conosco? Recordar valeria a pena se a saudade não lhe colorisse os tempos e os movimentos, as fotografias, as imagens em nossos mundos?

A saudade é de um força tão imensa, tão potente, que destranca o coração e muitas vezes manhãzinha, noite mal dormida , faz a gente marejar muitas vezes porque uma lembrança acordou a saudade. E mesmo moído, cansado, não tem jeito, há um despertar, um coração que diz estou aqui, você está vivo, e está sentindo é muita saudade! Então posso chorar, sorrir, escrever ou ir à luta para começar o dia me sentindo mais gente.

Às vezes me pego pensando como foi que fui ficando sem ver meus amigos como os via antigamente . Me recordo que habitualmente havia um grupo que uma vez por mês se reunia. Outro uma vez por semana. Os primeiros se aposentaram antes de mim e sumiram. Os outros já não vão a bares. Nem eu. Então:

Jogávamos era muita conversa fora. E das boas. Era vinho bom e raro servido à mesa. O vinho da saudade sendo bebido generosamente. E isso é um alimento tão raro hoje em dia, que penso que quando mais nos tornamos móveis eletronicamente, mais nos tornamos engessados para nos encontrarmos com quem a gente gosta.

Nâo desanimo, nem desespero. Enquanto houver esperança continuo teclando. Isso é pouco. Mas é melhor do que o vazio.

Continuo vendo todo dia meus filhos, minha mulher. Nâo passo em vão ao lado deles.

Gostaria de não passar em vão ao lado de tanta gente que amo.

Mas a vida é feita de algumas escolhas que podemos fazer. Outras não.

Essas pertencem ao acaso.

E o acaso não pertence ao mundo da saudade.

Hoje é tempo de ter saudade da lua cheia de anteontem. Que já mingua esplendorosamente.

Tempo de ter saudade do cara aí de baixo, que pouco antes de morrer escreveu que você não está sozinho. Bela música. Letra que é um poema de despedida para o Eterno.

Tenho saudade de tanta gente que enumerar seria unir minha lista a de todos os amigos e faríamos uma enciclopédia e um dicionário.

Belo. Eterno. Justo.

Mas definitivamente e ambiguamente eu gostaria de cada vez mais sentir menos saudade.

O que dá uma sensação de que não podemos escolher no calendário o dia de novos abraços, apertos de mãos e olhares sinceros.

Fica o telefone móvel carregado no bolso. Esperando…

Fica o coração indefeso abrindo e-mails para se nutrir.

Fica a vida sendo tocada no ritmo diferente daquele que gostaríamos de acompanhar.

Mas, fica cordialmente o meu sentimento incompreendido e talvez mal interpretado, de que se eu ligar para algum amigo em hora imprópria , me perdôe.

É mais uma cilada da saudade.

 

 

Há épocas de calmaria em que a rotina e o tédio nos fazem companhia.

Buscamos quebrar esses momentos mudando os hábitos, novas opções de lazer.

Reinventando a vida.

Há momentos em que estamos em tanta turbulência que até temos saudade da velha rotina.

Há momentos em que a paz desaparece e quando lá na frente nos abraça outra vez, o alívio é um renascimento.

Mas há as visitas da Ceifadeira.

Do Mistério. Do indefinido. Da outra margem.

Aquela em que só saberemos na mais completa solidão e abandono. Quando o mundo escuro e frio nos vier acalentar.

Quando o berço cruel  corta os laços deste mundo conhecido e nos arruma para a viagem ao mundo do nada. Do vazio absoluto.

De onde com certeza já não saberemos se somos. Para onde temos a certeza que iremos.

E de sexta-feira prá cá foi uma porrada atrás da outra.

Um menino de 16 anos, já humildemente lembrado no outro post e agora um amigo de mais de 40 anos. Irmão do meu irmão mais velho. Colegas do ITA . Me conheceu quando eu tinha 08 anos de idade. Amizade fraterna com toda a família, com os meus irmãos, meu pai, minha mãe. Um sujeito de raro caráter, desses que você passa um tempão sem ver e quando encontra parece que foi ontem. A mesma alegria. A mesma luz. A mesma bondade. Impressionante. É assim.

Mas a Morte  só precisa de um mote. Uma lâmpada, uma escada, uma queda e uma morte cerebral.

E nosso amigo levita. Deixando o sorriso e a amabilidade como marca maior.

O vi ano passado. Morava em São Paulo. No mesmo casamento da minha sobrinha onde estava o jovem filho da minha amiga. Os dois, coincidentemente, eram pessoas de uma alegria marcante. Um com 59 anos outro com 16 anos. E Vitor Hugo disse tudo. E eu não digo mais nada:

A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace.

Victor Hugo

E depois chego de novo para junto com o Pink Floyd , celebrar a vida desses dois seres humanos que não importando o tempo que passaram por esta Terra, foram de uma humanidade demasiadamente humana:

 

E a tradução do Cifra Club pode até em incorrer em erros, mas só hoje me apercebi que a música é estonteante e eterna. Mas a letra é poesia e infinita:

Queria Que Você Estivesse Aqui

Então,Então você acha que consegue distinguir
O paraíso do inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir um campo verde de um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu? Você acha que consegue distinguir?

Fizeram você trocar Seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
Ar quente por uma brisa fria?
Conforto frio por mudança?
Você trocou Um papel de coadjuvante na guerra Por um papel principal numa cela?

Como eu queria, como eu queria que você estivesse aqui
Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário Ano após ano
Correndo sobre este mesmo velho chão
O que encontramos?
Os mesmos velhos medos
Queria que você estivesse aqui