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CAIOF

No hospital, fiquei amarrado numa maca, nu, sem poder me mover. Dois dias num corredor, com frio, e ninguém me dava um cobertor. Acho que fiquei delirando, acordava e dormia, e só lembrava de filmes, principalmente Frances, com Jessica Lange. O que achei até meio chique. Dois dias depois acordei numa cama. Minha irmã, Cláudia, entrou no quarto, nos abraçamos e choramos. Fiquei dois meses no hospital. Comecei a tomar AZT.

Também me diverti muito. Fiz amizade com muitas enfermeiras – habituadas a lidar com as verdades da vida, são pessoas diretas e sinceras – com todo mundo. O cara que fazia a faxina era pai-de-santo, uma outra enfermeira fazia parte de um grupo que tinha contatos com uma civilização extraterrestre, uma médica era kardecista, uma psicóloga me disse que tinha feito uma masectomia e estava toda ligada em anjos. O médico que me tratava era meu leitor. Ele teve um cuidado especial comigo e fiquei confiando nele. Eu pensava: “Bom, se o Francisco gosta do que escrevo, não vai querer me matar”. Quando saí do hospital , tudo me parecia tão precioso.
Como não escondi, desde o primeiro momento, que estava com Aids, não tive vergonha. Quando a gente não esconde, não há rejeição. Posso contar nos dedos de uma mão as pessoas que pararam de ligar. Nenhum amigo íntimo desapareceu. E tem uns, como a escritora Lygia Fagundes Telles, que ligam toda semana. Talvez eu tenha sorte, meus amigos sejam muito bons. Ou talvez, no meio em que eu circulo, isso já virou meio arroz-de-festa, ninguém mais nota a questão da Aids.
Mas quando entro no avião as pessoas se cutucam, me viram na TV e dizem: “Esse aí é o Caio Fernando Abreu, o escritor que está com Aids”. Recentemente dei um grito no avião. Duas peruas se cutucavam e cochichavam. Fiquei impaciente e disse aos berros: “Sou eu mesmo, o que foi?” Elas ficaram envergonhadas. Na maioria das pessoas senti uma coisa solidária, às vezes um pouco tensa. Elas não sabem muito bem o que fazer comigo.
A Aids mudou a relação das pessoas com o sexo. Deu origem até a coisas não muito boas, como o sexo por telefone, sexo por computador. Nesse sentido, nos deixou muito mais solitários com a nossa libido. Tocar o outro é uma aventura. Há dez anos era uma coisa banal. Isso é manipulado pela sociedade, pela igreja. Eu tenho amigos e amigas que não treparam mais. A camisinha pode rasgar, tem orifícios minúsculos. Eles ficaram paranóicos. O mundo contemporâneo está conduzindo o ser humano a uma grande solidão.
Não fiquei santificado com a doença. De alguma forma, sempre busquei a religiosidadee acreditei que este plano é ilusão. Uma passagem para tentar melhorar nós mesmos. Minha parte são os livros, uma tentativa de ajudar as pessoas a se conhecerem. Sou muito ligado em candomblé, e isso está refletido no trabalho. Meu romance Onde Andará Dulce Veiga? tem a estrutura hierárquica de um jogo de búzios. Todos os orixás são invocados no livro. O primeiro é Exu, que estabelece a ligação entre o humano e o divino.
Em agosto do ano passado, fiquei hospitalizado. Saí em setembro, vim para Porto Alegre, juntei forças e fui, no mês seguinte, à Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha. E retornei definitivamente. É gostoso voltar a morar com os pais, voltar à própria cidade. Descobri que os lugares não existem. Passam a existir quando se olha para eles e se adjetiva o lugar. Meu corpo está aqui. Não tenho a menor necessidade de sair daqui.
Muitos amigos foram embora, outros moram no Rio e Sâo Paulo. Por aqui, vejo o Luciano Alabarse, diretor de teatro gaúcho, falo com a escritora Lya Luft. E tenho um bom amigo, que conheci há uns dois anos, que se chama Léo de Oxalá – é um pai-de-santo. Não vou me relacionar com pessoas que ficam dizendo coisas desagradáveis. Tem os que sumiram por causa da Aids. Compreendo. Eu mesmo, quando alguns amigos ficaram doentes, fugi. Era o medo do espelho, talvez.
Que bom que eu tenho um tempo determinado. Posso me concentrar nas coisas que quero fazer. Posso escrever. Agora publiquei Ovelhas Negras, restos que nunca joguei fora. É o que foi ficando na gaveta desde os 14 anos de idade. Uma tentativa de revisar a mim mesmo. Parece um pouco com um livro póstumo e é uma maneira de fazer isso antes de morrer, revisando eu mesmo minha obra. O livro é uma passagem por momentos meus e do país: a ditadura, o sonho hippie, o exílio, a Aids. Tinha medo de não conseguir terminar o livro. Mas ele está aí, juntei tudo, já que vou morrer.
No livro tem uma história que foi censurada pelo Jornal do Brasil na época da eleição do Collor. O jornal pediu para o Márcio Souza escrever sobre o Lula e eu faria o mesmo com o Collor. Escrevi a história de um menino que sonha com um garoto ruivo e manco. No dia seguinte, vai para as pedras do Arpoador, no Rio, e lá aparece o garoto. Ele pergunta ao menino Collor se quer ser o dono de um país inteiro. Ele diz sim. E o garoto acaba comendo ele – era o demônio. O conto se chama O Escolhido. O José Castello, que era o editor, disse que a cúpula do jornal optou por não publicar. Quando o Collor ganhou, liguei e disse: “Por causa de covardia como a de vocês é que o cara foi eleito”. Tive receio de publicá-lo no livro. Acho que o caso do irmão, Pedro Collor, foi coisa de magia negra.
Tem uma coisa da Aids que é preocupante. Um dia eu estava no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, uma mulher atravessou o saguão e disse: “Deixe-me abraçá-lo. Você foi escolhido”. Eu agradeci. Ora, escolhido! Eu desejo saúde. A Aids não é um castigo de Deus. Pode ser um castigo no sentido de que a natureza foi violada demais. Então o homem tem que ser punido. O planeta, Gaia, é um organismo vivo, como uma planta.
Não sei quanto tempo tenho pela frente. O Betinho está aí há sete ou oito anos. Fisicamente não tenho nada. A única coisa grave é o sarcoma de Kaposi, uma forma rara de câncer na pele. Essa mancha no nariz é uma das lesões que eu queimei. O problema é que eu tenho por todo o corpo, e pode dar por dentro do corpo. É uma das infecções oportunistas. No hospital Emílio Ribas, vi um rapaz com esse câncer na boca, do tamanho de uma bola de tênis. Tenho horror da deformação.
Aprendi comigo mesmo a sair do próprio bode. Acho que todas as pessoas deveriam pensar no lado da luz. Está com vontade de se matar? Tudo bem, toma um banho, vai ao cinema, compra umas flores. Ficar trancado no quarto não vai resolver os problemas. Ora, vai na locadora, pega um vídeo da Doris Day e pronto!
Depois que fiquei doente, minha auto-estima não diminuiu. A minha vaidade é que acabou. E a coisa é irônica comigo, a doença me atingiu no rosto. Meus valores passaram a ser outros. A viagem delirante do ego parou de existir. Não preciso provar mais nada. Agora quero ter saúde e continuar meu trabalho. Ultimamente eu respondo assim aos que se queixam pra mim: “Pensa no Zaire”. “

Depoimento a Fátima Torri – Revista Marie Claire – Set 1995

Rubem Alves. Eterno.

Publicado: 01/05/2012 em ESPIRITUALIDADE

Sobre a morte e o morrer

Rubem Alves


O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de
um ser humano? O que e quem a define?


Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (…) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora…

Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar…” Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.

Cecília Meireles sentia algo parecido: “E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega… O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias… Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto…”

Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. “Minha filha, sei que minha hora está chegando… Mas, que pena! A vida é tão boa…”

Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.

Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.

Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.

Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.

Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida” é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?

Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.

Muitos dos chamados “recursos heróicos” para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.

Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei…”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.

Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietà” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.


Sobre a morte e o morrer.

Publicado: 30/04/2012 em ESPIRITUALIDADE

 

Gil, na sua poesia imensa afirma: – morrer deve ser tão frio, como na hora do parto…

Rubem Alves, em sua filosofia extraordinária, lembra o bruxo Dom Juan quando afirma: – como você pode achar algo sério, se a morte está do seu lado esquerdo ao alcance da sua mão. Pergunte a ela – a morte como Conselheira.

Clarice Lispector termina A Hora da Estrela com um estupor e uma pergunta: – meu Deus só agora eu me lembrei que as pessoas morrem, mas EU TAMBÉM ?

Drummond morreu em vida logo depois de sua filha…

Castro Alves atiçou o Senhor ao afirmar que… o estilete de Deus quebrou a minha taça…

De noite, sempre nas conversas antes de dormir (ela sim eu quase sempre não durmo) me vem a pergunta eterna:

– O que nos acontece depois que sairmos deste mundo?

– Acho que voltamos para o lugar de onde viemos.

– Suor frio, taquicardia, insônia clara que virá depois da resposta. Não sei e toda vez que entro no caixão figuradamente, não consigo o tão sonhado desapego. Tenho tantas raízes por aqui…

– Mas será que teremos memória?

– Kundera responde por mim, lembrando que todo esforço do homem é para esquecer.

Será que viemos para esquecer de tudo?

Não há como viver no esquecimento se a morte respira junto a nós e seu hálito fresco se renova todo dia, como agora, em que presenciei mais um nascer do sol da minha varanda e sei que ELA está tão perto de mim que posso alcançá-la com meu braço…

Ela dorme o sono dos justos. Eu vou pagar meu Karma perambulando pela casa, sofá , rede, televisão, livro, internet, até que surja pelo cansaço a entrega ao sono brevis. Mais ou menos como nos debatemos diante da morte.

A vida inteira nos preparamos para não morrer.

A vida inteira nos iludimos com o esquecimento.

A vida inteira , na verdade, termina sendo apenas uma preparação.

Para a morte.

Que vem a ser algo desesperador. Estremecedor. Violentamente inútil.

As palavras irão desaparecer.

O conhecimento e a memória irão sucumbir.

A sua foice é tão poderosa que a comparam ao poder do AMOR.

A MORTE COMO CONSELHEIRA.

– A vejo tão bela entregue ainda ao sono dos justos. Já invejei o seu sono reparador, a sua tranquilidade, a sua coragem.

Hoje a admiro.

Quem consegue dormir de prima não deve temer a morte.

Pois consegue se desligar do mundo com rapidez e partir para o mundo dos sonhos.

Que creio, vem a ser o mundo dos mortos.

Onde podemos encontrar as pessoas que partiram.

Que nos deixaram aleijados.

De saudade…

De falta de ar…

Da total desorientação de não podermos simplesmente nos olharmos através dos olhos deles e delas.

Não há mais aquele abrir de portas e a expressão: – oh meu filho, você já jantou?

Não há mais aquelas mãos deslizando no piano e a voz de barítono me chamando: – meu filho venha escutar essa valsa…

Beijei aquelas mãos frias,

Beijei o rosto materno em cor de cera,

Me despedi de tanta gente neste meio século de desventuras,

Que acho natural , cruelmente natural, que daqui há pouco meus filhos estejam beijando o meu corpo em completa dissolução.

Buda sentou-se embaixo da árvore sagrada e começou o seu processo de dissolução no Universo.

Como creem os budistas.

E partiu na mais completa consciência, desperto, pronto para se dissolver.

Eu , sinceramente, agradeço por este dia de branco.

Dia de trabalhar.

Dia de fuga.

Dia de esquecimento.

A mente ocupada não deixa penetrar pensamentos sobre a morte.

E o morrer.

A vida quer pressa, quer urgência.

A vida quer da gente coragem.

E mesmo tremendo de medo, quase congelado, seguindo passo a passo.

Eu vou…

 

 

PS – Meu deus, só agora me lembrei que a gente morre. mas – mas eu também?! não esquecer que por enquanto é tempo de morangos. sim.

Clarice Lispector

 

Poética

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

Vinícius de Moraes

 

A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais.

Epicuro

 

SONETO LXV
Se a morte predomina na bravura
Do bronze, pedra, terra e imenso mar,
Pode sobreviver a formosura,
Tendo da flor a força a devastar?
Como pode o aroma do verão
Deter o forte assédio destes dias,
Se portas de aço e duras rochas não
Podem vencer do Tempo a tirania?
Onde ocultar – meditação atroz –
O ouro que o Tempo quer em sua arca?
Que mão pode deter seu pé veloz,
Ou que beleza o Tempo não demarca?
Nenhuma! A menos que este meu amor
Em negra tinta guarde o seu fulgor.

William Shakespeare

 

A morte parece menos terrível quando se está cansado.

Simone de Beauvoir

O TESTAMENTO.

Publicado: 25/04/2012 em ESPIRITUALIDADE

Um homem muito rico estava morrendo. Além de rico, o homem também era um sábio. Riqueza e sabedoria não são comumente encontradas juntas. Ele tinha um filho ainda menino de uns dez ou onze anos. O homem fez então um testamento e ordenou que fosse entregue aos anciões daquela cidade.

No testamento o homem declarou: “Tirem de minha propriedade tudo o que mais gostarem e depois dêem a meu filho”.

Logo o homem morreu. Como o testamento era claro e não apresentava nenhuma dúvida para os cinco anciões, eles dividiram a propriedade do homem entre eles. Como nenhum dos cinco anciões quiz uma inútil e pequena parte, esta foi dada ao menino.

Entretanto, antes de morrer, o homem rico e sábio deu ao menino outra carta com a instrução de que deveria ser aberta apenas quando ele chegasse à maioridade. Quando o menino atingiu esta idade, abriu a carta que seu pai tinha deixado e leu o seguinte texto: ” Os anciões podem ter interpretado de seu próprio modo, é claro! Entretanto o que eu disse em meu testamento tem uma outra interpretação, a minha interpretação. Quando você chegar à maioridade, dê-lhes esta interpretação, Este é o significado do que escrevi: “Tirem tudo o que vocês mais gostarem e então dêem tudo isso de que mais gostaram a meu filho”.

O filho apresentou a carta aos anciões. Eles nunca haviam concebido tal significado. Por isso, haviam dividido tudo entre eles mesmos. Então, diante desta nova realidade, tiveram de devolver tudo porque o significado estava claro. Além disso o menino estava pronto.

O pai também escreveu na carta: “É bom que os anciões interpretem do seu próprio jeito, até chegar o momento em que você possa tomar conta de tudo. Se eu lhe desse tudo diretamente, antes de sua maioridade, a propriedade seria destruída pelos próprios anciões que tomariam conta dela conforme a tradição. Assim, deixei-os protejê-la como se fosse deles até que você estivesse pronto para assumir a direção”.

Eles a tinham protegido, como o velho sabia que eles fariam, porque era deles.

História Sufi

O tesouro do mendigo.

Publicado: 25/04/2012 em ESPIRITUALIDADE

Era uma vez um andarilho muito sábio que vagava de vila em vila pedindo esmolas e compartilhando os seus conhecimentos nas praças e nos mercados.

Ele estava em uma praça em Akbar quando um homem chegou perto dele e disse:

– “Ontem, uma mago muito poderoso me disse que aqui nesta praça eu encontraria um mendigo, que apesar de sua miserável aparência me daria um tesouro de valor inestimável e que isto mudaria completamente a minha vida. Quando vi você percebi de imediato que era o homem que eu procurava. Por favor, me dê o seu tesouro”.

O mendingo olhou para ele sem falar nada, enfiou a mão em um alforge de couro bem desgastado e em seguida estendeu a mão para o homem, dizendo:

– “Deve ser isto então!” Entregando-lhe um diamante enorme.

O outro levou um grande susto e exclamou: – “Mas! Esta pedra deve ter um valor enorme!”

– “É mesmo? Pode ser. Eu a encontrei no bosque.” Disse o mendigo.

– “Muito bem, quanto devo dar por ela?

– “Nada! Para mim ela não serve. Não preciso dela. Se ela lhe serve, leve-a. Não foi isto que o mago lhe disse?”. Perguntou o mendigo.

– “Sim, foi isto que ele me disse. Obrigado”. Muito confuso, o homem guardou a pedra e foi embora.

Meia hora mais tarde ele voltou. Procura o mendigo na praça e encontrando-o diz:

– “Tome sua pedra e me dê o tesouro”.

– “Não tenho nada para lhe dar”. Disse o mendigo.

– “Tem sim! Quero que me ensine como pôde abrir mão dela sem que isso o incomodasse”.

O homem então passou anos ao lado do mendigo até que aprendeu o que era o desapego.

M.D., psiquiatra infantil e de adolescents, autora do livro sobre crianças bipolares: : “Bipolar Kids: Helping Your Child Find Calm in the Mood Storm”. 
Atualmente trabalha no lançamento de seu próximo livro sobre a vida de sua mãe, uma sobrevivente do holocausto: “Secrets in the Suitcase: Stories My Mother Never Told Me”

Minha mãe, Molly Greenberg, nasceu em 22 de dezembro de 1924 numa pequena aldeia do Leste Europeu chamada Skala Podolskaya, localizada então na Polônia. Sua vida, segundo qualquer escrutínio razoável, conteve muitas razões para que ela fosse um ser humano amargo, desanimado, misantropo. Afinal, ficou órfã ainda muito cedo, tendo perdido ambos os pais devido a doenças – o pai, quando ela contava apenas três meses, e a mãe aos dois anos de idade. Seus cinco irmãos mais velhos, três irmãos e duas irmãs, a criaram.

Sua infância foi pontuada por uma infinidade de privações; noites em que ia dormir faminta, um escasso suprimento de roupas, intensa solidão, e o desejo de ter o carinho de mãe que obviamente era impossível receber de uma irmã apenas doze anos mais velha. Porém, ela foi abençoada com o amor ao estudo e uma sabedoria e compreensão sobre as pessoas e a vida, muito além da sua idade. Sua forte crença em D’us e Sua Torá foi crucial para sua capacidade de sentir felicidade num mundo incerto.

O pouco de estabilidade que havia no mundo de minha mãe foi abalado em 17 de setembro de 1939, quando o exército soviético invadiu e tomou o controle de Skala. Aquele dia assinalou o fim de uma próspera comunidade judaica. Ao final de julho de 1942, foram os militares alemães que controlaram a área. Nenhum judeu em Skala estava a salvo. Não até minha mãe ficar mais velha e entrar na casa dos sessenta, ela pôde reconhecer (através da palavra escrita, mas ainda não verbalmente) sua sofrida juventude de viver durante o Holocausto.

Estou no processo de escrever um livro sobre sua vida, centralizado em suas histórias do passado. Não há dúvida de que os crimes do passado jamais devem ser esquecidos. Para mim, seu triunfo sobre a adversidade, sua capacidade de amar e fazer mais que apenas sobreviver, e o forte papel que D’us desempenhou em sua vida são exemplos com os quais podemos aprender e receber forças.

Minha mãe conseguiu sobreviver à guerra fingindo que era Mary (não Molly), uma não-judia. Mesmo em seu disfarce, ela vivia num temor constante de ser descoberta e exterminada.

Quando pensamos em Chanucá, lembramo-nos dos macabeus e do milagre do azeite que ocorreu tanto tempo atrás. Para mim, lembra o poder de D’us e Sua benevolência demonstrados pelo milagre que Ele realizou no primeiro dia de Chanucá em 1942.

Vale registrar que em 2008, 22 de dezembro marcou o primeiro dia de Chanucá. Naquele dia, se estivesse viva, Molly Greenberg estaria celebrando seu 84º aniversário.

Segue-se a história verdadeira que minha mãe, Molly Greenberg, escreveu explicando, em parte, como sobreviveu à Segunda Guerra Mundial:

Chanucá, a Festa das Luzes, é uma época de alegria, gratificação e celebrações festivas. É tempo de latkes e bolinhos de geléia. Para mim, Chanucá tem um significado especial. Foi durante a Segunda Guerra, quando a Polônia estava ocupada pelos nazistas. Era o ano de 1942, quando a Gestapo iniciou o processo de tornar as cidades e aldeias “Judenfrei”, que significa “livre de judeus”. Eles reuniam um grande grupo de pessoas e as matavam, ou então as trancavam em vagões para gado e as enviavam para campos de concentração.

Após um desses “pogroms”, no qual perdi parte da minha família, eu senti que deveria fazer alguma coisa. Não poderia apenas esperar até ser morta. Era uma moça de dezessete anos, loira com olhos azuis e bastante esbelta. Parecia uma típica garota polonesa não-judia. Portanto decidi ir para uma cidade distante onde ninguém me conhecesse, e ninguém soubesse que eu era judia.

Porém era mais fácil falar do que fazer. Como tinha passado a vida numa pequena aldeia, jamais tinha saído dali antes, e pegar um trem pela primeira vez era difícil para mim, além do grande perigo que a viagem representava. Para assegurar que ninguém era judeu, os alemães estavam conferindo cada passaporte ou algum outro documento. Com uma grande quantia em dinheiro era possível conseguir um passaporte ariano, mas eu era muito pobre e não consegui obter um. Portanto decidi ir mesmo assim. Sabia que não tinha nada a perder; iria morrer de qualquer maneira.

Era 12 de dezembro, o primeiro dia de Chanucá. Minha irmã empacotou algumas roupas e alimentos para eu levar na viagem. Tirei minha estrela de David amarela, que todo judeu era forçado a usar no braço direito, e fui para a estação ferroviária. Comprei uma passagem, entrei no último vagão e sentei-me num canto, assustada como se estivesse para morrer.

De repente, ouvi alguma confusão perto da porta. Olhei e vi um guarda da Gestapo entrando no vagão. Ele estava checando a bagagem e os documentos de cada passageiro. De repente percebi que a comida que minha irmã tinha embrulhado era uma arma mortal que certamente me mataria. Ela tinha colocado latkes de Chanucá e bolinhos de geléia – comidas tradicionais, simbólicas do Judaísmo. Eu sabia que mesmo que por algum milagre conseguisse me safar por não ter um documento não-judaico, mentindo – dizendo que tinha perdido ou esquecido em casa – jamais poderia explicar os latkes e bolinhos na minha sacola.

O que aconteceu nos minutos seguintes posso apenas descrever como algum tipo de milagre. Enquanto estava ali sentada, paralisada pelo medo, não conseguindo sequer me mover ou pensar claramente, vi um oficial da Gestapo vindo na minha direção. Naquele momento, uma garotinha que estava sentada perto de mim com a mãe, comendo uma maçã, levantou-se de repente e saiu correndo pelo vagão, cuspindo pedaços de maçã por toda parte. O guarda da Gestapo deu mais um passo na minha direção, escorregou num pedaço de maçã e caiu. Não sei o que aconteceu com ele. Eu estava perplexa demais, abalada demais para fazer perguntas. Vi algumas pessoas carregá-lo para fora do vagão e então o trem saiu da estação, levando-me ao meu destino.

Percebi então que Alguém lá em cima queria que eu sobrevivesse.

 

Amigo fusconauta, leitor do blog e comentarista bissexto, me envia um email.

Pede um momento de parada e de reflexão. Uma parada nas críticas e na acidez para que o tempero da vida fique mais leve.

Me ensina e eu tento aprender, que devemos parar de criticar quem quer que seja.

Ou perdoamos, ou na melhor das hipóteses ignoremos os mal feitos.

É difícil, retruco eu por email.

Mas o insistente amigo me envia este artigo, do excelente livro de Lilian Prist – A Hora da Kabala:

Na memória viva e atuante dos Kabalistas Isaac Luria e Baal Shem Tov:

” Em visita a um Tzadikim, ocorre o seguinte diálogo” :

– … Em qualquer situação , por pior que seja, devemos encontrar sempre algo de bom.

– … Mesmo na pior das situações?

– … Sim, porque os kabalistas dizem que, ao olharmos para qualquer coisa, sempre poderemos ver tanto o lado bom como o mau. Tudo o que existe no mundo é uma combinação de elementos positivos e negativos. Nada é absolutamente  positivo ou absolutamente negativo. Cabe a nós fazer a escolha de colocar nosso foco no aspecto melhor, e não pior, das coisas, situações, circunstâncias e pessoas.

– … Mas tem tanta gente que não presta no mundo! Como encontrar algo de bom nelas?

– … Os kabalistas, em especial, o Apta Rebbe, dizem que sempre existe uma centelha da Luz do Criador, mesmo na pior das pessoas. Basta procurar que encontraremos.

– … Éstá me parecendo que praticar este tipo de coisa não é nada fácil.

 

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” Você é um Deus? “, perguntaram ao Buda. ” Não “, respondeu ele. ” Então você é um anjo?” ” Não “. ” Então, o que  você é?”

– Disse o Buda: ” ALGUÉM DESPERTO”.

 

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Perguntei a uma criança, que caminhava com uma vela: ” De onde vem esta luz?” No mesmo instante ela a apagou.

” Diga-me para onde foi, que lhe direi de onde veio” .  Imam Hsan Al-Basri.

 

PS – Se as portas da percepção fossem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito.

(William Blake. O casamento entre o Paraíso e o Inferno).

 

DIRIGENTES AQUI TAMBÉM JÁ HOUVE.

Não adianta chorar que a HISTÓRIA É IMPLACÁVEL.

OS ROUBOS, AS LADROAGENS, A SACANAGEM INTERNA E EXTERNA ESTA PASSA.

FICAM AS GLÓRIAS, A HEGEMONIA, A BELEZA, A ESTRELAS, A SOBERANIA, MESMO QUE FEITA NOS BASTIDORES.

 

ENTÃO OREMOS.

PELO TÚMULO DO FUTEBOL QUE VIROU A NOSSA PROVÍNCIA.

 

AMÉM.

Contraponto…

Publicado: 11/03/2012 em ESPIRITUALIDADE

Depois de ler o meu post logo abaixo sobre Somos Todos Romanos Modernos, um amigo navegante, leitor e fã de Rubem Alves, me dá uma dica, eu chego na livraria Cultura e compro Variações sobre o Prazer.

E para dar um gostinho, que a leitura vai se desenrolando no desprazer de assistir ao jogo do ex-naútico, agora a Coisa, o time que não é o meu, mas está com jogadores vestidos com o manto sagrado, então a porca torce o rabo, a fera vai engolindo o timinho e Petrolina é logo ali:

 

” Será que Deus fica feliz quando vê os seres humanos sofrendo? Digo isso pelo fato de que os fiéis, ao fazerem promessas a Deus para obter seus favores, o que lhe oferecem são sempre objetos dolorosos.

Nunca ouvi de um devoto que tivesse oferecido a Deus uma sonata de Mozart ou um poema de Fernando Pessoa.

A Igreja ensinou que o prazer é o ninho do pecado. Como se o mundo fosse um imenso jardim cheio de árvores com frutos doces e coloridos, com placas em todas elas dizendo: PROIBIDO!

O poeta inglês William Blake disse isso num curtíssimo poema: – Fui andar pelo Jardim do Amor, e o que vi não era o esperado: encontrei, ao invés das flores, sepulturas e lápides frias espalhadas. Sacerdotes em vestes negras vigiavam e, com espinhos, os risos e as alegrias amarravam.

A espiritualidade que nos ensinaram foi construída sobre a negação do prazer. O caminho da santidade é o caminho do sofrimento, Nâo conheço nenhum santo que tenha um rosto sorridente.

Alegrando-se na contemplação das telas da Bíblia de Marc Chagall, o filósofo e poeta francês Gaston Bachelard proclamou a sua fé: ” O Universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso”.3

PS – HAI-KAI DE Matsuó Bashô:

Casca oca:

a cigarra

cantou-se toda.

PS II – Já que se falou em poetas maiúsculos, o clip extraordinário que fala da nossa Vita Brevis.

 

Enviado por um amigo.

Igrejas? Religiões? Versões?

Nâo importa.

O que carregamos em nossos corações é visto pelo Criador e ele nos vê e nos guia, da mesma forma que guiou Davi.

Afinal o que é a duração da vida do homem sobre a terra?

“Quem nos separá do AMOR de CRISTO? (Romanos 8:35)

– Aí está. Esta é a pergunta. Aqui está o que queremos saber . Queremos saber até quando o amor de Deus durará. Deus realmente nos ama para sempre? Não só no domingo de Páscoa, quando nossos sapatos estão lustrados e nosso cabelo arrumado. Quero saber (lá no íntimo, todos queremos saber, não é mesmo?) como DEUS se sente em relação a mim quando sou um idiota? Não quando estou animado, confiante e pronto para lidar com a fome no mundo; nessa hora, não. Sei com ele se sente com relação a mim em momentos como esses – até eu gosto de mim nessas ocasiões. Quero saber como ele se sente com relação a mim quando sou ríspido com qualquer coisa que se move, quando meus pensamentos são terríveis, quando minha língua está afiada o suficiente para cortar uma pedraComo ele se sente em relação a mim nesses momentos?

– E quando coisas ruins acontecem – DEUS se preocupa? Ele me ama em meio ao medo? Ele está comigo quando o perigo está à espreita? DEUS deixará de me amar?

– Esta é a questão. Esta é a preocupação. Oh, você não diz; você nem pode saber. Mas eu posso vê-lo em seu rosto. Posso ouví=lo em suas palavras. Será que exagerei nesta semana? Na última terça-feira, quando bebi vodca(Germana) até não conseguir andar… na última quinta-feira, quando meus negócios me levaram a um lugar que não tinha nada a ver… no último verão, quando amaldiçoei a DEUS que me criou enquanto eu estava em pé ao lado do túmulo do filho que ele me deu?

– E para provar, ele fez algo extraordinário.

– Deixando seu trono, ele tirou seu manto de luz e se revestiu de pele: da pele humana pigmentada. A luz do universo entrou em um ventre escuro e molhado. Aquele a quem os anjos adoram aconchegou-se na placenta de uma camponesa, nasceu na noite fria e, depois dormiu sobre o feno destinado a uma vaca. Maria não sabia se lhe dava leite ou louvor, mas lhe deu ambas as coisas , uma vez que ele estava, até onde ela podia imaginar, com fome e era santo. José não sabia se o chamava de Júnior ou Pai. Mas, no final ele o chamou de Jesus, seguindo as palavras do anjo e reconhecendo não ter a mínima idéia do nome que deveria dar a um DEUS que ele poderia embalar nos braços. Nem Maria nem José foram tão diretos, mas você não acha que a cabeça deles se inclinou e a mente se perguntou: Afinal , o que você está fazendo, DEUS? Ou, melhor: DEUS, o que você está fazendo no mundo?

– Alguma coisa pode me fazer parar de amar você? – pergunta DEUS. – Escuta falar a tua língua, dormir na sua terra e sentir as suas dores. Veja o Criador da visão e do som enquanto ele espirra, tosse e assoa o nariz. Você me pergunta se eu entendo como você se sente? Olhe nos olhos alegres da criança em Nazaré; é DEUS indo para a escola. Pense na criancinha à mesa de Maria; é DEUS derramando o seu leite.

– Você se pergunta até quando meu amor durará? Encontre sua resposta em uma cruz cheia de lascas, em uma colina escarpada. Sou eu, seu Criador, seu DEUS, que você vê lá em cima. Transpassado por cravos e jorrando sangue; todo cuspido e molhado pelo pecado. É o seu pecado que estou sentindo. É a sua morte que estou morrendo. É a sua ressurreição que estou vivendo. Isso é o quanto eu amo você.

– Alguma coisa pode nos separar? – pergunta o Filho primogênito. Ouça a resposta e firme seu futuro nas palavras de Paulo: ” Estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de DEUS que está em Cristo Jesus Nosso Senhor” (Romanos 8:38,39).

A Lei e o Pecado (Romanos 7) (um Poemaço Bíblico):

O que vamos dizer então? Que a própria lei é pecado? É claro que não! Mas foi a lei que me fez saber o que é pecado. Pois eu não saberia o que é a cobiça se a lei não tivesse dito: ” Não cobice. Porém o pecado se aproveitou dessa lei para despertar em mim todo tipo de cobiça. Porque, se não existe a lei, o pecado é uma coisa morta. Pois houve um tempo em que eu não conhecia a lei e estava vivo. Mas, quando fiquei conhecendo o mandamento, o pecado começou a viver, e eu morri. E o próprio mandamento que me devia trazer a vida me trouxe a morte. Porque o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, me enganou e, por meio do mandamento, me matou. Assim a lei vem de Deus; e o mandamento também vem de Deus, diz o que é certo e é bom. Então será que o que é bom me levou à morte? É claro que não! Foi o pecado que fez isso. Pois o pecado, usando o que é bom, me trouxe a morte para que ficasse bem claro aquilo que o pecado realmente é. E assim, por meio do mandamento, o pecado se mostrou mais terrível ainda. Sabemos que a lei é divina; mas eu sou humano e fraco e fui vendido ao pecado para ser seu escravo. Eu não entendo o que faço, pois não faço o que gostaria de fazer. Pelo contrário, faço justamente aquilo que odeio. Se faço o que não quero, isso prova que reconheço que a lei diz o que é certo. E isso mostra que, de fato, já não sou  eu quem faz isso, mas o pecado que vive em mim é que faz. Pois eu sei que aquilo que é bom não vive em mim, isto é, na minha natureza humana. Porque, mesmo tendo dentro de mim a vontade de fazer o bem, eu não consigo fazê-lo. Pois não faço o bem que quero, mas justamente o mal que não quero fazer é que eu faço. Mas, se faço o que não quero, já não sou eu quem faz isso, mas o pecado que vive em mim é que faz. Assim eu sei que o que acontece comigo é isto: quando quero fazer o que é bom, só consigo fazer o que é mau. Dentro de mim eu sei que gosto da lei de Deus. Mas vejo uma lei diferente agindo naquilo que faço, uma lei que luta contra aquela que a minha mente aprova. Ela me torna prisioneiro da lei do pecado que age no meu corpo. Como sou infeliz! Quem me livrará deste corpo que me leva para a morte? Que Deus seja louvado, pois ele fará isso por meio do Nosso Senhor Jesus Cristo! Portanto, esta é a minha situação: no meu pensamento eu sirvo à lei de Deus, mas na prática sirvo à lei do pecado.

Além da religião…

Está a espiritualidade.

Além do preconceito está o amor.

Quando se compreende que além da religião está a espiritualidade e além do preconceito está o amor, podemos entender e fazer coisas que promovam a paz, a alegria e a união…

REPASSANDO PARA OS IRMÃOS E AMIGOS….

 
Lucidez de um Pastor (Simplesmente Espetacular!!!…)

 

O jovem Pastor Ed René Kivitz lançando um de seus livros.

Parece mentira, mas foi verdade. No dia 1°/Abr/2010, o elenco do Santos, atual campeão paulista de futebol,  foi a uma instituição que abriga trinta e quatro pessoas. O objetivo era distribuir ovos de Páscoa para crianças e adolescentes, a maioria com paralisia cerebral.

Ocorreu que boa parte dos atletas não saiu do ônibus que os levou.

Entre estes, Robinho (26a), Neymar (18a), Ganso (21a), Fábio Costa (32a), Durval (29a), Léo
(24a), Marquinhos (28a) e André (19a), todos ídolos muito aguardados.

O motivo teria sido religioso. A instituição era o Lar Espírita Mensageiros da Luz, de Santos-SP, cujo lema é Assistência à Paralisia Cerebral.

Visivelmente constrangido, o técnico Dorival Jr. tentou convencer o grupo a participar da ação de caridade. Posteriormente, o Santos informou que os jogadores não entraram no local simplesmente porque não quiseram.

Dentro da instituição, os outros jogadores participaram da doação dos 600 ovos, entre eles, Felipe (22a), Edu Dracena (29a), Arouca (23a), Pará (24a) e Wesley (22a), que conversaram e brincaram com as crianças.

Eis que o escritor, conferencista e Pastor (com “P” maiúsculo) ED RENÉ KIVITZ, da Igreja Batista de Água Branca (São Paulo), fez uma análise profunda sobre o ocorrido e escreveu o texto abaixo que tenho o prazer de compartilhar.
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No Brasil, futebol é religião (por Ed René Kivitz)

Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa.
Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso, cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.

A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé.
A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.

Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno; ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo; ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.

O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai.
E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.

Mas, quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.
Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, faz com que os discordantes no mundo das crenças se deem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.

Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibusQuando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina  ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.

Ed René Kivitz, cristão, pastor evangélico e santista desde pequenininho.

 

 

“Lamentamos comunicar-lhe que seu livro…”

Umberto Eco

UMBERTO ECO propõe aqui uma brincadeira: algumas obras, hoje consagradas, são submetidas a um hipotético editor. E, analisadas em “fichas de leitura”, são, finalmente, recusadas. Esta é uma experiência pela qual todo escritor novo, em qualquer parte do mundo, já passou: mandar seus originais para uma grande editora, ficar esperando um contrato ou pelo menos uma proposta e, de repente, receber uma carta muito amável assinada pelo editor. Nessa carta. ele é informado de que certamente seu livro tem qualidades, de que provavelmente seu livro fará sucesso e de que infelizmente seu livro não será publicado.


ANÔNIMO

A BíBLIA


Devo confessar que quando comecei a ler os originais, e durante as primeiras páginas, senti-me entusiasmado. Ali há ação pura e tudo o mais que o leitor de hoje exige de uma obra de evasão: sexo (muitíssimo), com adultério, sodomia, homicídio, incesto, guerras, etc.

O episódio de Sodoma e Gomorra, com os travestis que pretendem violar os anjos, é digno de Rabelais; as histórias de Noé são o mais puro Emilio Salgari; a fuga do Egito é uma história que, mais cedo ou mais tarde, acabará sendo filmada… Em resumo, trata-se do verdadeiro roman-fleuvebem estruturado, que não economiza efeitos, pleno de imaginação com aquela dose de messianismo que agrada, sem chegar ao trágico.

Mais adiante, no entanto, percebi que se trata, na verdade, de uma antologia de vários autores, com muitos, excessivos, trechos do poesia, alguns francamente lamentáveis e aborrecidos, choradeira sem pé nem cabeça.

O resultado é um feto monstruoso que corre o risco de não agradar a ninguém, porque tem de tudo. Além disso, será cansativo estabelecer a questão dos direitos de tão diferentes autores, a menos que o representante de todos eles se encarregue da tarefa. Mas nem no índice encontrei o nome desse representante, como se houvesse da parte dos autores interesse em manter seu nome oculto.

Talvez fosse possível publicar separadamente os primeiros cinco livros. Aí estaríamos pisando em terreno firme. Com o título: Os Desesperados do Mar Vermelho.

HOMERO

A ODISSÉIA

Pessoalmente,  o livro me agrada. A história tem beleza, é apaixonante, cheia de aventuras. Tem a dose exata de amor, fidelidade e de escapadas adulterinas (multo boa a figura de Calipso, uma típica devoradora de homens); tem, inclusive, um momento “lolitico”, na melhor linha nabokoviana, com uma ninfeta chamada Nausicaa: no episódio, o autor se permite algumas ousadias, mas em momento nenhum incorre em excessos. O conjunto é excitante. As cenas merecem figurar ao lado das melhores já produzidas no gênero western: a luta é violenta, a cena do arco explora, até as últimas possibilidades, o potencial literário de suspense.

Que mais poderia dizer? Leio essa de um sopro, melhor que o primeiro livro do autor, excessivamente estático em sua insistência de permanecer no mesmo lugar, cansativo pela exuberância de acontecimentos (na terceira batalha e no décimo duelo, o leitor já entendeu todo o mecanismo). Ademais, a história de Aquiles e Patrocio, com seu fio latente de homossexualidade, nos transmite um certo desagrado. Ao contrário, neste segundo livro, tudo caminha maravilhosamente; até o tom é mais sereno: pensado mas não reflexivo. Depois, a montagem, o jogo de flash-backs, o encadeamento das histórias! Em suma, muita categoria. De fato, esse Homero tem talento.

Talento demais, seria o caso de dizer… Chego a me perguntar se tudo ali será farinha do mesmo saco. Sabe-se como é: escrevendo, escrevendo, a gente melhora (quem sabe se o terceiro livro será um estouro). Mas o que me faz vacilar (e, afinal, me leva a opinar negativamente) é a confusão que pode resultar da questão de direitos.

Antes de tudo, é impossível localizar o autor. Os que o conhecem dizem que, de toda maneira, seria inútil discutir com ele as pequenas modificações que deviam ser introduzidas no texto, pois é cego como uma toupeira e, em mais de uma ocasião, deu provas de ser incapaz sequer de escrever. Dizem que tinha seus originais na memória, mas que não estava muito seguro do que havia escrito, alegando que o copista havia introduzido interpolações na obra. Terá ele sido o autor ou apenas um testa-de-ferro?

DANTE

A DIVINA COMÉDIA

O trabalho de Alighieri, embora de um típico escritor de fim de semana que, na vida sindical, está filiado ao órgão de classe dos farmacêuticos, demonstra indubitavelmente, certo talento técnico e notável “alento” narrativo. A obra (em florentino vu!gar) compõe-se de quase 100 cantos em tercetos rimados e se constitui em leitura agradável e interessante. Gosto, principalmente. de suas descrições de astronomia e certos juízos concisos e densos, que faz com freqüência, sobre teologia. Mais inteligível e popular é a terceira parte do livro, que diz respeito a assuntos mais do gosto da maioria, e que concernem aos interesses cotidianos do possível leitor (assuntos tais como a salvação, a visão beatifica, a devoção à Virgem Maria). Obscura e caprichosa é a primeira parte, com passagens de baixo erotismo, violência e trechos francamente grosseiros. Esta é uma das poucas contra-indicações para superar esse primeiro “canto”, o qual, quanto à criatividade, não diz mais do que já foi dito por milhares de manuais sobre o outro mundo.

DIDEROT

A RELIGIOSA

Confesso que não cheguei a folhear os manuscritos, mas acredito que um critico deve saber, até de olhos fechados, o que deve e o que não deve ler. Conheço esse Diderot: redige enciclopédias e agora tem em mãos um projeto de obra em não sei quantos volumes, que provavelmente jamais será editada. Anda por toda parte procurando desenhistas capazes de copiar o mecanismo de um relógio, ou as minúcias de uma tapeçaria de Gobelin, e levará à falência seu editor. Não creio que se trate do homem indicado para escrever algo divertido numa narrativa, especialmente para uma coleção como a nossa, na qual sempre incluímos coisas delicadas, um pouquinho picantes, como Restif de la Bretonne.

SADE

JUSTlNE

O manuscrito estava em meio a um monte de coisas que eu devia ver esta semana, e, para ser sincero, não o li todo. Limitei-me a abri-lo três vezes, ao acaso, em três  lugares diferentes, e vocês sabem que para um olho experimentado isso é mais que o bastante.

Bem, da primeira vez encontrei uma avalanche de páginas de filosofia da natureza com divagações sobre a crueldade e a luta pela sobrevIvência, sobre a reprodução dos vegetais e a evolução das espécies animais. Da segunda vez, deparei com pelo menos 15 páginas sobre o conceito de prazer, sobre os sentidos e a imaginação, e mais coisas desse gênero. Da terceira vez, outras 20 páginas sobre as relações de submissão entre o homem e a mulher, nos diferentes países do mundo… Acho que isso basta. Não estamos procurando uma obra de filosofia; o público, hoje, quer sexo e mais sexo. Não importa a maneira como ele venha temperado.

CERVANTES

DOM QUIXOTE

O livro, nem sempre inteligível, é a história de um gentil homem espanhol e de seu criado, os quais vão pelo mundo perseguindo sonhos de cavalaria. Esse Dom Quixote é um tanto louco (sua figura é magnificamente concebida: de fato, Cervantes sabe narrar), enquanto seu criado é um simplório (dotado de certo e rude bom senso), com o qual o leitor logo se identifica, quando ele procura desmistificar as fantasias de seu amo. Até aqui o argumento, que se desdobra com alguns bons efeitos e com freqüentes episódios divertidos, parece bem. Mas a observação que quero fazer vai além de um juízo pessoal sobre a obra.

Em nossa bem sucedida coleção econômica Os Fatos da Vida, publicamos, com êxito notável, obras como Amadis de GaulaA Lenda do GraalO Romance de Tristão, etc. Agora temos opção de editar Reis da França, do mocinho de Barberino, livro que para mim será o grande êxito do ano. Pois bem, se nos decidirmos por Cervantes, poremos em circulação um livro que, não obstante ser muito bem feito, atirará no lixo o publicado até agora, fazendo esses outros romances parecerem coisa de idiota. Compreendo a liberdade de expressão, o clima de rebeldia e tudo o mais, mas não podemos nos prejudicar a nós mesmos. A última coisa que desejo é que, buscando novidades a qualquer preço, acabemos por comprometer uma linha editorial que até agora foi popular, moral e também rendosa. Recusar.

PROUST

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO

Trata-se,sem mais nem menos, de uma obra comprometida, talvez muito grande; mas é possível vendê-la através de uma série de livros de bolso.

Tal como está é impraticável. Falta nela um trabalho vigoroso de depuração. Toda pontuação, por exemplo, terá de sofrer uma completa revisão. Os períodos são muito cansativos e há alguns que chegam a ocupar uma página. Com um bom trabalho de revisão que os reduza a dois ou três linhas cada, com uma melhor utilização do ponto e do parágrafo, a obra teria muito a ganhar. Se o autor não concordar, o melhor será não editá-lo.

KAFKA

O PROCESSO

Não é mau essa livrinho; é policial, com momentos a Hitchcock: por exemplo, o homicídio final, passagem de público certo.

Parece, no entanto, que o autor o escreveu sob censura. Que significam essas alusões obscuras, essa falta de nomes, de pessoas, de lugares? De que crime acusam o personagem, afinal? Se esses pontos puderem ser esclarecidos, tornando a história mais concreta, a ação se tornaria mais límpida e mais certo o suspense.

Esses escritores jovens acreditam fazer “poesia”,  pois dizem “um homem”, em vez de dizer “o senhor tal, a tal hora, em tal lugar”.

Em síntese: se é possível fazer essas modificações, bem; caso contrário, devolver os origInais.

JOYCE 

FINNEGANS WAKE

Por favor, recomende à redação que tenha mais cuidado quando me envia os livros. Leio inglês e me mandam um livro escrito em sei lá que diabo da idioma. Em separado, estou devolvendo o volume.


UMBERTO ECO (1932), escritor, filósofo e lingüista italiano,  nasceu em Alessandria, região de Piemonte, Itália. Como professor na Universidade de Bolonha, desenvolveu uma sólido conhecimento na área de semiótica, sendo hoje o titular dessa cadeira.  É, também, diretor da Escola Superior de Ciências Humanas daquela universidade.  Ensaísta de renome mundial, dedicou-se também a temas como estética, filosofia da linguagem, teoria da literatura e da arte e sociologia da cultura, é considerado por muitos o maior intelectual vivo do planeta. Autor de artigos de opinião nos jornais Espresso e La Repubblica, estreou como romancista com “O Nome da Rosa”, em 1980.

Depois do imenso sucesso colhido na Itália e em todo o mundo, escreveu “O Pêndulo de Foucault” (1988), “A Ilha do Dia Anterior” (1994) e “Baudolino” (2000).

Entre suas obras ensaísticas destacam-se “Obra Aberta” (1962), “Apocalípticos e Integrados” (1964), “A Estrutura Ausente” (1968), “As Formas do Conteúdo” (1971), “Tratado Geral de Semiótica” (1975), “Seis Passeios pelos Bosques da Ficção” (1994) e “Sobre a Literatura” (2003).

Seus textos jornalísticos estão reunidos em “Diário Mínimo” (1963), “O Segundo Diário Mínimo” (1990) e “A Coruja de Minerva” (2000).

Faça de Deus seu refúgio.
Não seu emprego, seu cônjuge, sua reputação ou seu plano de previdência.
Faça de Deus seu refúgio. Deixe que Deus o cerque.
Deixe que ele seja o teto que protege o ambiente da luz do sol, as paredes que detêm o vento,
o alicerce sobre o qual você está!

Você jamais saberá que Jesus é tudo de que você precisa
até Ele ser tudo o que você tem…

 

 

O SENHOR VIVE!

Bendita seja a minha Rocha!

Este é o DEUS que em meu favor executa vingança,

Que a mim sujeita nações.

Tú me livraste dos meus inimigos…

E de homens violentos me libertaste.

Por isso eu te louvarei entre as nações, ó SENHOR!

Cantarei louvores ao teu nome (SALMO 18: 46-49).

 

OBS – Fique um bom tempo mergulhando no fedor de sua dor e você ficará com o cheiro da toxina que tanto despreza. (Max Lucado).

Terça de Paz.
Terça de Agradecimento.
Terço no Pátio do Terço tomando uma caeba.
Ou um Bu-canas.
Terça de joelhos.
Terça com o vizinho arrancando os últimos miligramas de paciência.
Terça em semitom.
Terça em tablatura.
Terça em bemóis.
Terça de Céu.
É um longo caminho meus Brodas.
E até aqui nos ajudou Nosso Senhor Jesus Cristo.

Woke up this morning
Singing an old, old Beatles song
We’re not that strong, my lord
You know we ain’t that strong
I hear my voice among others
In the break of day
Hey, brothers
Say, brothers
It’s a long long long long way
Os olhos da cobra verde
Hoje foi que arreparei
Se arreparasse a mais tempo
Não amava quem amei
Arrenego de quem diz
Que o nosso amor se acabou
Ele agora está mais firme
Do que quando começou
It’s a long road
A água com areia brinca na beira do mar
A água passa e a areia fica no lugar
E se não tivesse o amor
E se não tivesse essa dor
E se não tivesse sofrer
E se não tivesse chorar
E se não tivesse o amor
No Abaeté tem uma lagoa escura
Arrodeada de areia branca

Poema de Chaplin.

Publicado: 07/01/2012 em ESPIRITUALIDADE, Poesia

Até o fim do recesso.

Peço desculpas a todos.

Mais uma semana e o Fusca volta na boa.

Em paz.

Eis a poesia nossa de cada dia, direto do BLOG : GALAKA.WORDPRESS.COM

 

 

Charles Chaplin -poemas

Posted on janeiro 20, 2008

 

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?
Charles Chaplin

Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.
Charles Chaplin

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é… Respeito.
Charles Chaplin

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz
Charles Chaplin

Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.
Charles Chaplin

Cada um tem de mim exatamente o que cativou, e cada um é responsável pelo que cativou, não suporto falsidade e mentira, a verdade pode machucar, mas é sempre mais digna. Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão. Perder com classe e vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a quem mais se atreve e a vida é muito para ser insignificante. Eu faço e abuso da felicidade e não desisto dos meus sonhos. O mundo está nas mãos daqueles que tem coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos.
Charles Chaplin

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é “muito” pra ser insignificante”
Charles Chaplin

 

“Não há lugar na Terra onde a morte não nos possa alcançar – mesmo que voltemos a cabeça uma e outra vez perscrutando em todas as direções, como numa terra estranha e suspeita…Se houvesse algum modo de conseguir abrigo contra os golpes da morte – não sou homem de recuar diante dela…Mas é loucura pensar que se pode vencê-la…
Os homens vão, vêm, trotam e dançam, e nem um pio sobre a morte. Tudo parece bem com eles. Mas aí quando ela lhes chega e às suas mulheres, filhos e amigos, pegando-os de surpresa e despreparados, que tormentas de paixão os esmagam, que gritos, que fúria, que desespero!…Para começar a tirar da morte seu grande trunfo sobre nós, adotemos o caminho contrário ao usual; vamos privar a morte da sua estranheza, vamos freqüenta-la, acostumarmo-nos a ela; não tenhamos nada senão ela em mente…Não sabemos onde a morte nos espera: então vamos por ela esperar em toda a parte. Praticar a morte é praticar a liberdade. Um homem que aprendeu como morrer desaprendeu a ser escravo”. (Montaigne)

Conto Sufi.

Publicado: 20/12/2011 em ESPIRITUALIDADE

ISSO TAMBÉM PASSARÁ.

 

Um dervishe, depois de uma árdua e longa viagem através do deserto, chegou por fim à civilização. O povoado se chamava Colinas Arenosas e era quente e seco. Não havia muito verde, exceto feno para o gado e alguns arbustos. As vacas eram o principal meio de vida das pessoas de Colinas Arenosas. O dervishe perguntou educadamente a alguém que passava se havia algum lugar onde poderia encontrar comida e abrigo para aquela noite.

– Bem, disse o homem coçando a cabeça – não temos um lugar assim no povoado, mas estou certo de que Shakir ficará encantado de lhe brindar com sua hospitalidade esta noite.

Então o homem indicou o caminho da fazenda de propriedade de Shakir, cujo nome significa “o que agradece constantemente ao Senhor”.
No caminho até a fazenda, o dervishe parou perto de um pequeno grupo de anciões que estavam fumando cachimbo e eles confirmaram a direção. Eles disseram que Shakir era o homem mais rico da região.
Um dos homens disse que Shakir era dono de mais de mil vacas.

– E isso é maior do que a riqueza de Haddad, que vive no povoado ao lado.
Pouco tempo depois o dervishe estava parado em frente a casa de Shakir a admirando. Shakir, que era uma pessoa muito hospitaleira e amável, insistiu para que o dervishe ficasse por alguns dias em sua casa.
A mulher e as filhas de Shakir eram igualmente amáveis e deram o melhor para o dervishe. Inclusive, ao final de sua estadia, lhe deram uma grande quantidade de comida e água para sua viagem.
No seu caminho de volta para o deserto, o dervishe não conseguia parar de se perguntar o significado das últimas palavras de Shakir.
No momento da despedida o dervishe havia dito:

– Dê Graças a Deus pela riqueza que tens.

– Dervishe – havia respondido Shakir – não se engane pelas aparências, porque isto também passará.

Durante o tempo em que havia passado no caminho Sufi, o dervishe havia compreendido que qualquer coisa que ouvisse ou visse durante sua viagem lhe oferecia uma lição para aprender, e portanto, valia a pena considerá-la. Além de tudo, essa era a razão pela qual havia feito a viagem, para aprender mais.
As palavras de Shakir ocuparam seus pensamentos e ele não estava seguro de ter compreendido completamente o seu significado.

Quando estava sentado sob a sombra de um arbusto para rezar e meditar, recordou do ensinamento Sufi sobre guardar silencio e não se precipitar em tirar conclusões para finalmente alcançar a resposta. Quando chegasse o momento, compreenderia, já que havia sido ensinado a permanecer em silêncio e sem fazer perguntas. Para tanto, fechou a porta dos seus pensamentos e submergiu sua alma em um estado de profunda meditação.

E assim se passaram mais cinco anos, viajando por diferentes terras, conhecendo pessoas novas e aprendendo com suas experiências no caminho. Cada nova aventura oferecia uma lição a ser aprendida. Entretanto, como requeria o costume Sufi, permanecia em silêncio, concentrado nas ordens do seu coração.

Um dia, o dervishe voltou a Colinas Arenosas, o mesmo povoado onde havia passado alguns anos antes. Se lembrou de seu amigo Shakir e perguntou por ele.

– Está vivendo no povoado ao lado, a dez milhas daqui. Agora trabalha para Haddad – respondeu um homem do povoado.

O dervishe lembrou surpreendido que Haddad era o outro homem rico da região. Contente com a idéia de voltar a ver Shakir outra vez, se apressou para ir ao povoado vizinho. Na maravilhosa casa de Haddad, o dervishe foi bem recebido por Shakir, que agora parecia muito mais velho e estava vestido em andrajos.

– O que lhe aconteceu? – quis saber o dervishe.

Shakir respondeu que uma enchente três anos antes o havia deixado sem vacas e sem casa; assim ele e sua família se tornaram empregados de Haddad, que sobreviveu à enchente e agora desfrutava da posição de homem mais rico da região. Entretanto, esta alteração na sorte não havia mudado o caráter amistoso e atencioso de Shakir e de sua família.
Cuidaram amavelmente do dervishe na sua cabana durante os dois dias e lhe deram comida e água antes dele sair.
Na despedida, o dervishe disse:

– Sinto muito pelo que aconteceu com você e sua família. Mas sei é que Deus tem um motivo para aquilo que faz..
– Mas não se esqueça, isto também passará.

A voz de Shakir ressoou como um eco nos ouvidos do dervishe. O rosto sorridente do homem e seu espírito tranqüilo não abandonavam seu pensamento.

– O que ele quer dizer com esta frase desta vez?

O dervishe sabia agora que as últimas palavras de Shakir na sua visita anterior se anteciparam às mudanças que ocorrerem. Mas dessa vez, se perguntava o que poderia justificar um comentário tão otimista. Assim deixou a frase de lado outra vez, preferindo esperar pela resposta.
Passaram meses e anos, e o dervishe, que estava ficando velho, continuou viajando sem nenhuma intenção de parar.
Curiosamente, suas viagens sempre o levavam de volta ao povoado onde vivia Shakir. Assim sendo, demorou sete anos para voltar a Colinas Arenosas e Shakir estava rico outra vez. Agora vivia na casa principal da propriedade de Haddad e não na pequena cabana.

– Haddad morreu há dois anos – explicou Shakir – e, como não tinha herdeiro, decidiu deixar sua fortuna para mim como recompensa dos meus leais serviços.

Quando estava terminando sua visita, o dervishe se preparou para a viagem mais importante de sua vida: cruzaria a Arábia Saudita para fazer sua peregrinação a pé até Meca, uma antiga tradição entre seus companheiros. A despedida de seu amigo não foi diferente das outras vezes. Shakir repetiu sua frase favorita:

– Isto também passará.

Depois da peregrinação, o dervishe viajou à Índia. Ao voltar a sua terra natal, Pérsia, decidiu visitar Shakir mais uma vez para ver o que havia acontecido com ele. Assim, mais uma vez se pós em marcha para Colinas Arenosas. Mas em vez de de encontrar seu amigo Shakir, lhe mostraram uma humilde tumba com a inscrição “Isto também passará”. O dervishe ficou ainda mais surpreendido do que das outras vezes, quando o próprio Shakir havia pronunciado estas palavras.

– As riquezas vem e as riquezas se vão – pensou o dervishe – mas, como pode trocar um túmulo?

A partir de então o dervishe adquiriu o costume de visitar a tumba de seu amigo de tantos anos e passava algumas horas meditando na morada de Shakir. Entretanto, em uma de suas visitas o cemitério e a tumba haviam desaparecido, arrasados por uma enchente. Agora, o velho dervishe havia perdido o único vestígio deixado por um homem que havia marcado tão excepcionalmente as experiências de sua vida. O dervishe permaneceu durante horas nas ruínas do cemitério, olhando o chão fixamente. Finalmente, levantou a cabeça em direção ao céu e então, como se houvesse descoberto um significado mais elevado, abaixou a caberá em sinal de confirmação e disse:

– Isto também passará.

Finalmente o dervishe ficou muito velho para viajar, decidindo se fixar e viver tranqüilo e em paz pelo resto de sua vida.

Os anos se passaram e o ancião se dedicava a ajudar a quem se acercava dele para os quais aconselhava e a compartilhar suas experiências com os jovens. Vinha gente de todas as partes para beneficiar-se de sua sabedoria. Finalmente, sua fama chegou até o grade conselheiro do rei, que casualmente estava buscando alguém com grande sabedoria.

O fato era que o rei desejava que lhe fizessem um anel. O anel teria de ser especial: devia ter uma inscrição de tal forma que quando o rei se sentisse triste, olhasse o anel e ficaria contente e se estivesse feliz, ao olhar o anel se entristeceria.

Os melhores joalheiros foram contratados e muitos homens e mulheres se apresentaram para dar sugestões sobre o anel, mas o rei não gostava de nenhuma. Então o conselheiro escreveu para o dervishe explicando a situação, pedindo ajuda e o convidando para ir ao palácio. Sem abandonar sua casa, o dervishe enviou sua resposta.

Poucos dias mais tarde, um anel foi feito com uma esmeralda e foi entregue ao rei. O rei, que havia estado deprimido por vários dias, mal o recebeu, botou o anel no dedo e olhando-o, deu um suspiro de decepção.
Logo começou a sorrir e, pouco depois, ria às gargalhadas.
No anel que usava estavam escritas as palavras “Isto também passará”.


O Sucesso.

Publicado: 20/12/2011 em ESPIRITUALIDADE

 

Rir muito e com frequência; ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; merecer a consideração de críticos honestos e suportar a traição de falsos amigos; apreciar a beleza, encontrar o melhor nos outros; deixar o mundo um pouco melhor, seja por uma saudável criança, um canteiro de jardim ou uma redimida condição social; saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque você viveu. Isso é ter tido sucesso.

Ralph Waldo Emerson

Caro Lula,

Há exatamente cinco anos soube que estava com câncer. Foi terrível. Não é fácil para ninguém constatar que é finito. É uma lapada sem pena nem dó na bunda limpa, como falava Preta, filha de Xangô, que rezava a mim e a meus irmãos com folha de pião roxo quando a doença encostava.
Fazer o caminho do consultório médico até em casa foi o calvário. Nesses cinco anos conviver lado a lado com o medo e não perder a esperança não tem sido fácil. A cicatriz do corpo está à mostra como prova de que sou uma mulher de sorte. Portanto, nada a reclamar.
O pior momento é o da anunciação, os outros, sem dúvida, são menos assustadores. Se bem que perder a mama e depois o cabelo é pau pra comer sabão e pau pra aprender que sabão não se come. Ser tratada por profissionais competentes, ter uma família que nunca se apiedou de mim e amigos
solidários é meio caminho andado nesta luta diária contra este mal. Nenhum demérito em poder pagar para tratar qualquer doença, principalmente quando esta se chama câncer.
Lembro que à época uma amiga teve o mesmo diagnóstico. Sabendo que eu já estava numa fase mais adiantada do tratamento me ligou pedindo informações sobre os profissionais com os quais ainda me trato.
Passei os telefones, dei todas as referências possíveis, irmanada na mesma luta.
O tempo passou e nunca mais a gente se encontrou. Fiquei feliz ao vê-la recuperada em um casual encontro na praia. Evidente que falamos sobre a doença. Surpresa quando me contou que tinha ido fazer o seu tratamento em um hospital público, em São Paulo, onde seu primo é médico e, por ser assim, não gastou nenhum centavo e ainda teve o “privilégio de não entrar na fila”, emudeci. A criatura é bem remunerada profissionalmente e, sem dúvida, deve ter um seguro saúde ou dinheiro suficiente para pagar um tratamento particular, ao invés de ocupar a vaga de quem só conta com a rede pública de saúde. Perplexa, encerrei ali a conversa para ficar com a minha indignação.
Quando soube que você estava com câncer não temi pela sua morte. Conheço cada palmo desse caminho e sei que gente passada na casca e na gorda, nunca joga a toalha. Sei também que já levou muita lapada na bunda limpa e engrossou o couro ao longo da vida, portanto, não vai ser o agouro
de dois ou três gatos pingados que irá derrubá-lo dessa vez. De luta, sobrevivência e esperança você entende como poucos. Aliás, é doutor com títulos
recebidos em consagradas universidades do mundo para o desgosto e inveja dos mesmos gatos pingados que lhes secam com o olho gordo da inveja, mais uma vez.
Desde domingo estou vigilante que nem um cão de guarda como sempre estive comigo mesma em semelhante desdita. Como poderia ficar ausente na sua hora de maior precisão? Não seria eu, por certo. Quem me conhece, quem é meu amigo ou até mesmo quem vem de vez quando passear neste Turbante sabe que tenho por você um apreço imenso, que sempre fui uma ardorosa defensora do seu ideário e dos seus bons propósitos.
Nem mesmo quando estava sob o impacto de haver extirpado a mama para me livrar do câncer, ainda fazendo os curativos, deixei de participar da sua luta. Era outubro de 2006. Escondida dos meus filhos, que também haviam ido à passeata e ao comício, tomei um táxi para vê-lo e ouvi-lo no Largo do Carmo, em Recife (campanha de 2006 para renovação do mandato de presidente). Para mim, esta foi a primeira das oito quimioterapias que fiz, as
quais estavam programadas para começar no mês seguinte. Tanto que quando me perguntam quantas sessões fiz, digo nove.
Diversas vezes o vi na TV sob os olhares de admiração de reis, dirigentes e poderosos do mundo inteiro. Sem falar inglês nem francês ou ter anel de doutor, com altivez, provou em todas a que veio. Já o vi também contar muita história de vida simples e chorar de alegria e tristeza. Na certa, domingo não foi diferente. Deve ter puxado do bolso o mesmo lenço de pano branco que abriu ante a emoção de ser presidente de um país onde, até então, a
miséria era tão calamitosa quanto o câncer.
Por certo, com a mesma simplicidade deve ter enxugado os olhos, a cabeça, as orelhas e o nariz encharcados de lágrimas e suor sob o impacto do diagnóstico. Depois, mais uma vez, se esperançou e seguiu em frente. Assim, não vamos perder tempo com discussões rasas sobre se o tratamento
vai ser no SUS, no Texas ou em Caetés. Mais uma vez estamos juntos e dessa vez, mais do que nunca, pela mesma causa meu caro Presidente.
Naire Valadares