Arquivo de março, 2011

Poesia tem que ter estrela (II) ?

Publicado: 31/03/2011 em Poesia

BANANA SPLIT

Eduardo Alves da Costa
 

Aos que devoram o mundo
tranquilos, como se comessem
uma banana split;
aos que usam as assembléias
como balcão de negócios,
na esperança de vender
seu estoque de bombas;
aos banqueiros internacionais,
pressurosos em atender
os mendigos de Estado,
em troca de pequenas concessões;
aos que plantam suas máquinas
em terras estrangeiras,
para espremer os frutos,
o solo e as gentes;
àqueles que falam doce
e mandam seus missionários
catequizar os gentios
com hinos de dúbia letra;
aos amantes da ciência,
magos e feiticeiros,
hábeis em curar moléstias
geradas por eles mesmos;
aos que levam nosso ferro
e areias monazíticas
e nos devolvem em troca
o saldo de suas festas;
aos que matam nossa fome
com sacas de feijão podre
e nos afogam a sede
num mar de refrigerantes;
aos que abrem suas asas
sobre nossas cabeças ocas
e nos fazem aliados
contra o inimigo deles;
enfim, a todos aqueles
que usando de artimanhas
suas artes nos ensinam,
nossa gratidão eterna.
E a promessa de que um dia,
tão logo estejamos prontos,
restituiremos em dobro.

Belinha passou, leu a história de Totó/Cotó e mandou esse vídeo:

UM CACHORRINHO CHAMADO COTÓ

                                                                       Por EDGAR MATTOS

Quando foi recolhido da rua por Christina, para substituir o nosso Pastor que se fora, não passava de um cão sujo e sarnento. Esquálido pela fome mal servida no lixo  das ruas onde perambulava ao relento, sujeito às inclemências do tempo, exposto à sanha de gratuitas e sádicas agressões, tal qual a que o privara de metade do rabo. Era cotó e, à falta de outro, Cotó ficou sendo seu nome. Sob meus protestos que, não desejando fazer-me cúmplice dessa forma cruel de ressaltar sua deficiência física, passei a chamá-lo de Totó. Sem capacidade para discernir a diferença dos tratamentos, eufonicamente semelhantes, passou a atender indistintamente aos dois apelidos.

Tratado,  limpo e bem alimentado logo mudou sua aparência. Tornou-se forte e até apresentável com sua pelugem escovada e brilhante, embora privado da inteireza da sua cauda que, mesmo mutilada, não diminui sua alegria que através desse apêndice se manifesta

Sempre que o libertamos do canil fica endoidecido; corre em círculos perseguindo a própria cauda; dá saltos imensos em proezas quase circenses.

Adora um afago, sobretudo da sua dona, Christina, eleita por ele em flagrante preferência. Comigo a relação é mais cerimoniosa porque ele já percebeu que eu prefiro assim. Mesmo que conversemos muito através de um portão de ferro. Ele de um lado; eu, do outro. Ele, patas apoiadas na grade, cabeça oferecida ao meu afago nunca sonegado. E assim, olhos semicerrados ele escuta atentamente minhas falas. Geralmente declarações de amor que ele parece entender..

Vez por outra, aproveitando-se de um descuido de portão aberto, ganha as ruas em disparada. Segundo Christina vai rever os antigos companheiros de infortúnio. Já para mim são escapadas para a farra. Recaídas de boemia.  Nessas ocasiões ele demora às vezes mais de um dia para reaparecer, deixando-me cheio de angústias e de cuidados. Temo que ele seja atropelado ou que possam perpetrar novas maldades contra ele. Quando volta – e volta sempre – se posta em frente ao portão até que alguém o veja e o faça entrar. Nessas horas, minha conversa com ele assume outro tema. Passo-lhe uma reprimenda embora sussurrada que é o tom que sempre uso para falar com ele. Digo-lhe: “não gosto dessas suas saídas; tenho medo que lhe aconteça alguma coisa;. lembre-se de que você não é mais um cão de rua; você tem uma casa; você tem donos que gostam de você”. Ele a tudo ouve com um olhar bem triste e desconfiado. Extenuado pela aventura, sujo, demasiadamente sujo, carente como nunca de um agrado, percebe que nas minhas palavras há mais carinho do que admoestação. E só se retira para o seu canil, para o necessário descanso, quando eu o autorizo. É muito obediente o Totó.

Curioso que, mesmo sendo um vira-latas, exerce com estilo e competência a  função de um autêntico cão de guarda. Passa a noite em intensa atividade, correndo da frente para os fundos e vice-versa, latindo ferozmente ao menor ruído de aproximação de alguém pela calçada que margeia nossa residência.

Não é de raça o nosso Cotó/Totó. Não tem pedigree, nem tampouco elegância. Mas é um membro da família. Faz parte  das nossas vidas. É um cachorro muito querido.

Seguindo o voto do Presidente do nosso Senadinho Poético, o nosso MGM Edgar Mattos e após parecer do também jurista, poeta e confrade Arsênio Meira Filho, apreciando as PEC’S ou melhor licenças poéticas de André Gustavo e Magna Santos, passamos a ter o seguinte Estatuto:

Artigo Primeiro – Não se moderam nem censuram comentários.

Artigo Segundo – O bom humor é livre mas é obrigatório. É obrigatório mas é livre.

Parágrafo Único – O Fusca é dos amigos como o céu é do Condor, a praça é do povo e o blog é o nosso bosque, o nosso arvoredo, como já escreveram o grande Poeta Castro Alves e o atrevido poeta Dom Mingão.

Cláusula Pétrea – Temos de nos encontrar pelo menos uma vez por ano. De preferência em Candeias , desintocando João Carlos do seu Mosteiro.

Cláusula Pétrea II – Ao Fusca fica permitido Política e Futebol. Em qualquer ordem e em qualquer tempo. Mas vamos ao que interessa: POESIA, POESIA E POESIA. MÚSICA, MÚSICA E MÚSICA. CRÔNICAS, CRÔNICAS E CRÔNICAS.

Parágrafo Segundo – As Colunas dos amigos tem preferência sobre o que este aprendiz de blogueiro vier a escrever. Elas sempre serão publicadas em caráter de extrema prioridade. Da mesma forma que os poemas, as crônicas, as críticas, os puxões de orelha. Enfim. Tudo.

Parágrafo Terceiro – O único responsável por tudo e por todos e assim deve zelar pela amizade em primeiríssimo lugar é o Domingos Sávio. Missão Impossível. Próxima… Vou tentar.

Parágrafo Quarto – Como Thiago de Mello fez o Estatuto do Homem , eu me atrevo a puxar uma parte de um dos seus maravilhosos Artigos e dizer que nós confiamos um nos outros como um menino confia em outro menino.

Cláusula Pétrea III – A Poesia é mãe, pai, irmã, irmão, tio, tia, genro, cunhado, sogra, sogro, enfim, a Poesia é SOBERANA. Ela dita e desdita e reedita os rumos do Fusca. Por isso o Fusca não tem rumo, tem prumo. O que já está de bom tamanho.

Parágrafo Quinto – Qualquer Fusconauta, Fuscopoeta, Fuscolouco, Fuscosábio, Fusco-lusco pode escrever o que quiser , do jeito que quiser, na hora que quiser e será publicado, salvo as disposições em contrário. Que disposições?

Parágrafo Final – Esse Estatuto está registrado no Cartório de Poemas dos nossos corações sobre o Livro da Eternidade, s/nº, com Firmas Desconhecidas, sob o Livro da Imortalidade e sob o TEMOR DE DEUS. Que com a Mâo Dele ninguém brinca. O Boliche de DEUS É FOGO.

 

Artigo Primeiro – Não se moderam nem censuram comentários.

Parágrafo Único – O Fusca é dos amigos como o céu é do Condor, a praça é do povo e o blog é o nosso bosque, o nosso arvoredo, como já escreveram o grande Poeta Castro Alves e o atrevido poeta Dom Mingão.

Cláusula Pétrea – Temos de nos encontrar pelo menos uma vez por ano. De preferência em Candeias , desintocando João Carlos do seu Mosteiro.

Cláusula Pétrea II – Ao Fusca fica proibido Política e Futebol. Em qualquer ordem e em qualquer tempo. Vamos ao que interessa: POESIA, POESIA E POESIA.

Parágrafo Segundo – As Colunas dos amigos tem preferência sobre o que este aprendiz de blogueiro vier a escrever. Elas sempre serão publicadas em caráter de extrema prioridade. Da mesma forma que os poemas, as crônicas, as críticas, os puxões de orelha. Enfim. Tudo.

Parágrafo Terceiro – O único responsável por tudo e por todos e assim deve zelar pela amizade em primeiríssimo lugar é o Domingos Sávio. Missão Impossível. Próxima… Vou tentar.

Parágrafo Quarto – Como Thiago de Mello fez o Estatuto do Homem , eu me atrevo a puxar uma parte de um dos seus maravilhosos Artigos e dizer que nós confiamos um nos outros como um menino confia em outro menino.

Cláusula Pétrea III – A Poesia é mãe, pai, irmã, irmão, tio, tia, genro, cunhado, sogra, sogro, enfim, a Poesia é SOBERANA. Ela dita e desdita e reedita os rumos do Fusca. Por isso o Fusca não tem rumo, tem prumo. O que já está de bom tamanho.

Parágrafo Quinto – Qualquer Fusconauta, Fuscopoeta, Fuscolouco, Fuscosábio, Fusco-lusco pode escrever o que quiser , do jeito que quiser, na hora que quiser e será publicado, salvo as disposições em contrário. Que disposições?

Parágrafo Final – Esse Estatuto está registrado no Cartório de Poemas dos nossos corações sobre o Livro da Eternidade, s/nº, com Firmas Desconhecidas, sob o Livro da Imortalidade e sob o TEMOR DE DEUS. Que com a Mâo Dele ninguém brinca. O Boliche de DEUS É FOGO.

 

PS – Todas as Cláusulas e Parágrafos acima, podem e devem ser revogados pelos seguintes sócios:

1) Edgar Mattos.

2) Arsênio Meira Filho.

3) João Carlos de Mendonça.

4) André Gustavo.

5) Osvaldo Soares.

6) Magna Santos.

7) Tadeu Rocha.

8) Francisco Aurélio.

9) Carlos Henrique.

10) Carlos Maia.

11) Quem mais vier.

No ano da graça de Dois mil e onze, do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

” Eu não tenho medo da morte. Tenho medo da desonra.” José de Alencar.

A Vitória do Guerreiro da Luz.

Publicado: 28/03/2011 em Poesia

 

Para Arsênio Meira Filho (*)

 

Duas Eternidades. E um espaço no meio.

Uma vida dividida entre uma pena. A Justiça legalmente constituída.

Uma vida dividida,  um dreno permanente , incessante, no bolso de um jovem trabalhador.

Nos seus descaminhos errou. Errou e pagou caro . Uma conta com juros. Conta de agiota. Exterminando quase por completo a sua fé.

Faltou forças no caminhar. Caiu, levantou e seguiu. Companheiro da esperança, sempre adiando. Sempre levantando e subindo a ladeira mitológica, como numa fábula  grega. 

 A anestesia da dor insuportável. A dor do sofrimento solitário, não compartilhado. Uma vida de silencioso desespero.
É uma amargura a ser esquecida. Metade de uma vida agora é página virada.

O sol sim . Chegou  para clarear o caminho. Agora redivivo, sentença cumprida. Comprida. O espaço entre duas eternidades.

Agora são outros sinais da vitória. Agora é a vida retomada aquilo que lhe foi usurpado. Com a pena legal. A Justiça legalmente constituída.

Um campo verdejante já se insinua à terra arrasada.

Uma floresta e sua imaginável e infinita bondade já se espalham quase que por mágica.

Há um dono. Uma voz. Uma razão.

Há um Senhor e sua Pena. A Pena que defende legalmente das injustiças, os injustiçados.

Há um irmão. Um cidadão. Algo e além do que cabe na Lei, foi exercido com magistral dedicação. Há um escopo, uma construção e no final um edifício inteiro, perfeito, acabado, resultando nesta vitória que hoje, 28 de Março de 2011, finalmente o jovem pode recuperar, respirar e agradecer. Já grisalho. A juventude lhe foi timidamente roubada.

Admira o belo edifício. Construído com material de primeira: Competência, Dedicação, Honestidade, Esforço, Generosidade, Força. Poder legalmente constituído.

A esperança renasce dessa força imensa e que não cabe apenas neste post. É do tamanho do coração de um Guerreiro. Guerreiro da Luz.

Lá na terra de Bartolomeu Bueno da Silva , em plena vigência desvairada da Paulicéia e das toneladas de papel, os Bandeirantes foram vencidos. Pelo rito pleno e honroso de um homem e sua missão.

Um homem e o seu Ofício. Muito além do que a palavra DIGNIDADE pode caber em si.

 

(*) Por segredo de Justiça, mostra-se o Santo e o Milagre.

Só Fernanda Takai. Lembranças de Nara Leão. Com as duas para começar a semana é moleza:

Nos idos de 80/90 a nossa seleção de voleibol não tinha títulos, nem camisa, nem mística. Não ganhava quase nada. Ou se ganhava era por aqui mesmo. Na latino-america. Exceção ao ano de 1984. Milagre praticado por uma geração excepcional. Que ultrapassou os seus limites. Quem não lembra? Renan, Xandó, Bernard e cia ltda? Jornada nas estrelas?

Os EUA de Barack eram o país do voley. Além do basquete, do golfe, do tênis, da natação, do atletismo, do futebol americano, do rugby, do beisebol. O país do esportes. Tem mágica? Tem não.

Investimento nos jovens. Leiam a entrevista de Joaquim Cruz, que mora nos EUA desde 1984, casado com uma americana. Embora esteja na Veja, a entrevista é histórica. Lá , Joaquim Cruz ensina o básico. A cartilha de como se investir em esportes.

Foi o que o Banco aí da Camisa Canarinho resolveu fazer. Banco que aliás conheço um cadinho , resolveu entrar no circuito. Ou na Arena.

E com um dirigente chamado Carlos Arthur Nuzmann. Amado/odiado. Nunca ignorado. Para mim um grande dirigente. Para outros um picareta. Existiram outros, Bebeto de Freitas. Mas Nuzmann é Nuzmann.

Não importa.

A partir da chegada do Banco aí da foto, a nossa seleção de volley começou a sua jornada rumo ao infinito.

A seleção com o maior número de títulos mundiais da história do volley.

Superando a Itália.

Superando a descrença.

Desacreditando essa história de que camisa pesa.

Pesa nada.

O que vale é a grana. Bons salários. Treinos com tudo que há de mais moderno.

Jogadores tranquilos quanto ao seu futuro e o futuro da suas famílias.

E o futebol?

Bem diferente é verdade.

A lógica de qualquer outro esporte não se aplica ao futebol.

Enquanto a seleção de Bernardinho ganha 8 de 10 partidas, no futebol a nossa melhor seleção ( a de 1982 , na minha singela e burra opinião ) não passou pela Itália, num dia abortivo onde Cerezzo entregou a pizza, a cereja, o bolo, o kct a quatro e voltamos prá casa tocando samba quadrado.

Mas e aqui em Pernambuco. A terra de Ariano rubro negro Suassuna?

A terra do Capiba tricolor Lourenço bancário?

A terra do flu e alvirrubro Nelson sobrenatural Rodrigues?

O que tem feito o peso das camisas?

As camisas?

Os símbolos?

A numerologia?

O que diria Carlos Penna Filho? Ascenso Ferreira? Manoel Bandeira?

Quais os seus times? Errei algum aí por riba?

Errei o time do grande brasileiro e governador Barbosa Lima Sobrinho? O Timba?

Quem tem mais garra, quem é mais frouxo?

Qual a torcida que empurra mais o seu time?

Quem ama mais um clube?

Que mística afinal é essa?

Que macumba mais doida provoca um pulo de um torcedor em direção à morte?

Amizades desfeitas? Por causa de um time?

Que mística é essa?

Para mim, o símbolo nos ombros e na frente da camisa representa o cifrão – $$$$$ – , a bufunfa, o papé bordado, o arame.

Esse é o motor da mística.

Salários em dia.

Salas de recuperação e um CT à altura de um São Paulo, um Santos.

Médicos, fisiologistas, preparadores físicos, massagistas, ortopedistas, dentistas. Um timaço. Bem pago.

Salários em dia. O carimbo para as conquistas.

Transparência: o caminho para o retorno dos grandes patrocinadores.

Foi assim com o Volley.

Com um ele ou dois.

Pode ser assim em Pernambuco para o Náutico e o Santa Cruz.

Faltam os Nuzmann para as bandas dos Aflitos e do Arruda.

Hegemonia prá mim é isso.

Mística é outra coisa.

E mesmo morando em Salvador eu nunca bati um bombo, nunca comprei nem vendi animais e muito menos os sacrifiquei.

E não acredito em bruxas.

Mas que elas existem, existem…

Como dizer obrigado…

Publicado: 27/03/2011 em Poesia

(Em especial atenção ao amigo João Carlos de Mendonça).

 

No final do ano passado o Fusca rateou. Pela décima quinta vez. Platinado, vela, bateria, soleira, cabeçote, carburador… enfim, o Fusca precisava de socorro. Chegaram João Carlos, Arsênio e Edgar (e claro o Engenheiro do Fusca: André Gustavo).

Cada um do seu jeito, depois vieram Magna, um presente divino, uma amiga que ainda não cheguei a conhecer no plano terreno, mas no plano espiritual posso afirmar que somos irmãos de luz, nossas famílias bis idem. Minha irmã caçula. Que bom.

E do jeito que cada um pode, vem João Carlos e afirma-se como um grande escritor. Mostra o seu raro, raríssimo conhecimento musical, da história da música, dos bastidores, da feitura dos discos, do mundo dos produtores, enfim o cara é o cara.

E dessa ajuda ao Fusca, salvo engano aqui do bancário aluado e metido a poeta, são 21 colunas que começou com a abençoada vinda de Macca ao Brasil.

Do dia 05/11/2010 até hoje. Um livro que já é um livro e que não foi ainda para o prelo, porque João Carlos ainda o está escrevendo. E vai passar a régua e fazer os acertos.

O resto a gente embala para presente e faz a festa.

Que a Bagaço está aí para nos ajudar.

O que eu posso dizer é que ao “broda” João obrigado é muito pouco.

Todos nós ficamos bem melhores lendo a sua coluna Sábado Som.

PS – Se formos computar os seus comentários/aforismos/poemas e haicais, outro livro de 500 páginas já estará também no prelo.

B A N G L A    D E S H
 
 
Foi um quase desesperado e entristecido RAVI SHANKAR (maestro,sitarista e mestre indiano) que procurou George Harrison para lhe contar sobre a situação calamitosa de fome e desamparo que passava seu povo, fugido da guerra e refugiados em Bangla Desh. Numa época em que pouco ou nada se falava na imprensa  sobre tal tragédia,mesmo o beatle se surpreendeu com a extensão da catástrofe e prontamente se propos à ajudar mesmo sem saber ainda como. Harrison,que acabara de perder a mãe de forma dolorosa,  escreveu uma canção, Bangla Desh, onde narra exatamente seu encontro com Ravi (“my friend came to me with sadness in his eyes…) e lançou-a num single com Deep Blue (feita para a sua mãe) no lado B, com renda e direitos revertidos para a causa. Mas ainda era pouco.
 
George, que estava envolvido na produção do discaço do Badfinger pela Apple, lar- gou tudo e resolveu entrar de cabeça num projeto grandioso que incluiria inclusive a UNICEF. Ficou decidido então que seriam realizados dois shows em Nova York , filmados para um documentário  e gravados para um album. Mobilizou toda equipe da Apple em Londres e Estados Unidos tendo ALLEN KLEIN na produção geral e PHIL SPECTOR na produção musical (concertos e disco). Mais que um show de George Harrison e banda,  pensou em algo inédito: um palco cheio de estrelas da música, tocando juntos, todos servindo de banda e apoio de todos. Para tal empreitada, teve que se despojar de vaidades, “vestir” as sandálias da humildade e “calçar-se” com os mais humildes farrapos de um faquir, ligando, contatando e religando para todos os incensados do pop/rock de então.
 
Não foi fácil. Naquele tempo, dá uma canja num disco ou até num show não era raro mas no máximo os artistas se apresentavam uns após os outros num mesmo concerto, todavia reorganizar agendas de uma constelação para estarem todos prontos para ensaios, passagens de som e tocarem juntos como uma grande banda seria um nó cego. Mas deu certo. Apesar de muita gente “faiá” a maioria dos convidados se fez presente. Só havia uma data disponível no Madison Square Garden (1/8/71) onde realizaram os concertos (à tarde e à noite) e a tropa instalou-se uma semana antes num mesmo hotel de onde saiam para os ensaios.
 
Ravi Shankar exultava com os ingressos esgotados mas George Harrison sabia que a “grana” de verdade viria com o filme e o album desfilando pelos continentes.O beatle não pegou num centavo e mesmo os demais artistas fizeram questão de pagar suas passagens aéreas e hospedagens. A UNICEF cuidou da dinheirama, no entanto, Klein, diz-se, fez umas traquinagens. Phil Spector prá variar “arrasou”. Ainda hoje o Concerto Para Bangla Desh rende dividendos tendo sido recentemente lançado remasterizado em CD e DVD com bônus com depoimentos do Secretário Geral da ONU ,políticos e artistas. Iniciativas semelhantes tornaram-se corriqueiras (Graças…) de lá para cá mas foi o coração de George Harrison quem falou primeiro e falou bonito. Hare Krishna! Hare HarriSONGS!
 
– “John me disse que se era prá carregar o peso dos Beatles não teria escrúpulos de faze-lo por boas causas.Pensei nisso e mandei ver!” (G.H.).
– A primeira parte do show foi de música indiana com um quarteto liderado por Ravi Shankar.
– Ringo Starr e Jim Keltner (baterias), Klaus Voorman (baixo), Harrison, Clapton, Jesse Ed Davis e Don Preston (guitarras), Leon Russel (piano), Billy Preston (órgão Hammond), Jim Horn e sua turma (sopros) além de Bob Dylan que se apresentou numa sessão acústica, o Badfinger nos violões e acho que todos os vocalistas disponíveis em NYC na ocasião formaram a banda base.
– John Lennon chegou a viajar mas no hotel soube que George queria apenas ele (sem Yoko) e desistiu meio p…
– Paul McCartney foi convidado. Disse mais tarde que alegou compromissos inadiáveis com os Wings mas na verdade, na ocasião estava em litígio com Klein e por extensão com os outros beatles e não queria parecer “falso” ou incoveniente.
– O filme termina com a canção BANGLA DESH onde aparecem cenas comoventes dos refugiados (vejam o clip) que quanto mais eu vejo mais …

My friend came to me, with sadness in his eyes
He told me that he wanted help
Before his country dies

Although I couldn’t feel the pain, I knew I had to try
Now I’m asking all of you
To help us save some lives

Bangla Desh, Bangla Desh
Where so many people are dying fast
And it sure looks like a mess
I’ve never seen such distress
Now won’t you lend your hand and understand
Relieve the people of Bangla Desh

Bangla Desh, Bangla Desh
Such a great disaster – I don’t understand
But it sure looks like a mess
I’ve never known such distress
Now please don’t turn away, I want to hear you say
Relieve the people of Bangla Desh
Relieve Bangla Desh

Bangla Desh, Bangla Desh
Now it may seem so far from where we all are
It’s something we can’t neglect

E vamos de Lula que deixou saudades. Agora , do Hubble ,pode nos avisar sobre terremotos, maremotos e outras motos que nos perturbam no cotidiano.
O Desengano já partiu. Agora é tempo de esperança e perdão.

Cascão.

Publicado: 25/03/2011 em Crônicas

Um dos melhores amigos que já tive na vida.

Simplesmente Cascão. Ou Mauro Ferreira da Silva.

Decentemente, o conselheiro da turma. Um pouco mais velho, fazia às vezes de tio, irmão , nos livrou uma vez até de um assalto, atravessando a rua e dispersando o grupo, ali pertinho, no oitão do Hospital Agamenon Magalhães.

O tempo em que assaltante não atirava, visava os relógios e não a vida. Quando frustrados, se limitavam a encarar as quase-vítimas e iam embora. Bufando, mas iam. E voltavam, que os filhinhos de papai (na opinião deles ) eram todos zé manés.

Ali subindo a Mangabeira e o Alto José do Pinho ia visitar meu amigo. Que retribuia a visita. Época em que preto e pobre entrava nos clubes desconfiado. Mas entrava. E a gente aproveitou um bocado da vida. Clube Alemão era brincadeira. O Português nem se fala. O Náutico eita , deixa prá lá. Pular muro, levar carreira de vigia, voltar prá casa a pé de madrugada sem medo de nada. Liberdade sem libertinagem.

Cascão que nasceu no meio da malandragem, das drogas, da pobreza e sempre trilhou o caminho do bem. Parece até que estou em outro mundo viajando nessas lembranças. Nâo havia o crack é verdade. Mas se houvesse, o craque Cascão driblava essa também.

É que me calhou um episódio em que vi meu pai se desculpar e apenas essa vez, por um juízo de valor infeliz. Meu pai, cujos conselhos eram bastante diretos e bem sábios. Pensava bastante antes de aconselhar e por isso falava pouco.

Preocupado com o caçula. Preocupado com a esquadrilha da fumaça da Rural, da Tamarineira, dos morros. Fumaça prá tudo que é lado, o velho deu uma direta que até hoje me lembro. Traulitada das boas. Pena que foi o pobre amigo Cascão que pagou o pato.

Foi a única vez que vi o nobre amigo me confessar: – Rapaz, só porque eu sou preto, pobre ,  o teu pai vem sugerir que tú escolhas melhor as amizades. Gelado estava eu. De vergonha. Cascão até marejou, de leve e disfarçadamente, que o cara era foda até nessas horas.

Ainda me disse no portão da rua Gomes Coutinho 218: – Sabiá, nessas horas dá vontade mesmo é de experimentar um baseado. Mas fica tranquilo. Siga meus conselhos. Fuja dela. Vamos tomar uma.

E fomos.

E a vida separou cada um dos nativos da zona norte. Seguimos caminhos.

O velho Cascão se mandou para o Rio de Janeiro. Sabiá foi para Salvador e de lá direto para Garanhuns.

O resto é café pequeno. Fogueiras puladas. Quantas…

Penso nos amigos de hoje em dia e vejo que tenho muita sorte. Mesmo a gente se vendo pouco. Mesmo a correria que teima em consumir nossas vidas. Mesmo a gente lutando para ter mais calma, continuo com sorte. Muita sorte. Bons e poucos amigos tem cruzado meu caminho.

Sinto falta de outros Cascões. Não sei por onde andam.

Nessa sexta-feira, onde mais uma vez a humanidade enloquece para depois de ressaca encarar as manhãs de sábado, penso onde estará o velho amigo. E lhe envio uma prece.

Espero encontrar-lhe um dia. Cheio de filhos. Vida tranquila. Meia idade. Paz de espírito. Continuando a ser o grande conselheiro e leal amigo de todas as horas.

E a gente possa relembrar um médico amigo. Tocando piano para dois jovens. Sorrindo desculpas. Medindo as palavras. Sem jeito. Quase num lamento a dizer: Cascão, seja bem vindo nesta casa.

Naquele dia eu reencontrei meu pai. Graças a um grande amigo. E o jogo da vida estava começando. E começando bem.

PS – Dedicado ao meu filho Daniel. Neste ano se revelou meu melhor amigo. Não tem sido um ano fácil. 2011 começou arrochado. Prá todo mundo aqui em casa. E Daniel tem sido um oásis em nossas vidas. Tenho tido o cuidado de não precisar sorrir amarelo, pedir desculpas. Cometer injustiças. Mas nunca se sabe. Quem ama cuida. E só erra quem está vivo. Um beijão meu pai. Esse prece também é sua. O seu neto dedilha no quarto ao lado o violão . Com a sua veia musical. Meu querido velho. Eu escuto em paz e é assim que quero adormecer um dia…

Vossa Excelência… Titãs !

Publicado: 23/03/2011 em Poesia

Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro.

Carl Jung

PS – Até que o sol não brilhe, acendamos uma vela na escuridão.

Confúcio

Poderia compor um Álbum Duplo melhor do que George, Ringo, Macca e John.

E este Álbum cheio de poemas, seria da fábrica de aforismos de um nobre sujeito, com o coração imenso, uma alma leve, um humor extraordinário e uma inteligência refinadamente poética.

E seria muito pouco. Pois tem o pai amoroso, o marido exemplar, o cidadão correto, cumpridor da sua lida.

Tem o companheiro de todos nós, embora um ermitão( não feito João Gilberto, o seu primo menor), mas capaz de a distância nos fazer rir,  ver o lado bom oculto nas situações dificeis. Nunca lhe falta a palavra certeira, cirúrgica. A pena impávida. Um menino passarinho.

Um jovem que ano após ano vai colhendo sabedoria e espalhando generosamente seu olhar humano por um mundo melhor, um mundo com sorrisos. Um mundo onde ser cristão é ser João.

Acho que a Lua Cheia antecipou em um dia a sua majestade e correu 50 mil quilômetros para ficar mais próxima da Terra, para que na véspera ,em silêncio cósmico  e absurdamente belo, homenagear o nosso João.

Então diante dessa Lua eu nem sei o que dizer.

Palavras , poemas, sorrisos. Uma festa completa. Acepipes? Bebidas? Nem precisamos.

Basta um sinal de fumaça, tambores, violões, baixos e bateria. A banda de John fornecendo o pão nosso de cada poesia/dia.

E estamos soberbamente alimentados.

Neste seu aniversário mr. João Carlos de Mendonça, receba mil corações amigos em seu coração. Nele cabem todos os nossos sonhos e precisamos nos ver enfim.

Um abraço, palavras, silêncio, o momento mágico do encontro. O som. A vida celebrada pelos homens de bem. Que aprenderam a lhe admirar.

Enquanto esse dia não vem, por favor, apague as trocentas velinhas do seu bolo.

Cada dia mais novo, cada dia mais João. O menino que cresceu e nunca perdeu a maravilhosa capacidade de ser um jovem desafiando o tempo. Jogando a sua bola como só os craques sabem fazer.

(*)Domingos Sávio (do Sábado (Som) para o Domingo do aniversário , observando pela janela a Lua mais linda dos últimos anos.

 E V I N H A 
 
 
Uma linda família brasileira.Negros,bonitos e acima de tudo talentosos. Nunca a frase de Caetano caberia tão bem quanto naquela trupe de cantores de tanta “elegância discreta”. Quatro deles,homens, formaram os GOLDEN BOYS e o rapaz caladão e tímido Mário (Roberto Carlos pegava no pé dele por isso) juntou-se às duas irmãs (Marisa e Regina) para formar o TRIO ESPERANÇA. Essa formação durou pouco pois Marisa resolveu casar-se e abandonar o estrelato que se aproximava mas,a solução estava ali,em casa mesmo, na voz de anjo da caçulinha Eva Correia José Maria substituio. E Evinha (apelido caseiro e adotado pela turma da Jovem Guarda) começou a desabrochar.
 
Tanto os Golden Boys quanto o Trio Esperança ajudaram a Jovem Guarda a deslanchar. Os primeiros com “hits” como MÁGOA,ALGUÉM NA MULTIDÃO,PENSANDO NELA e outras versões,como era muito comum na época.Eram também muito requisitados para gravar vocais de fundo para vários artistas,inclusive de outros estilos da MPB. E o Trio Esperança esbanjava graça e charme com suas canções juvenis como FILME TRISTE e A FESTA DO BOLINHA cuja letra se referia aos personagens dos “quadrinhos” da Turma da Luluzinha.
 
Apesar de todo aquele clima ingênuo do movimento,a voz de EVINHA chamava a atenção dos produtores e compositores “mais sérios” do período e quando a Jovem Guarda começou a minguar a menina resolveu cortar o cordão umbilical e alçar carreira solo. No meio de um time de cantoras de fazer inveja como Elis,Gal,Bethânia,Nara e Beth Carvalho foi EVINHA a escolhida para interpretar a CANTIGA PARA LUCIANA pelos autores Paulinho Tapajós e Edmundo Souto. Bola na caçapa,a canção venceu o FIC na fase nacional e internacional e a menina ganhou credibilidade e reconhecimento de público e crítica.Isto se deu em 1969.
 
Longe dos estrelismos da época, a doce Evinha ,correndo por fora , seguia arrebatando prêmios e sucessos interpretando canções que marcaram corações e mentes como TELETEMA e CASACO MARROM. Eu mesmo já perdi a conta das atuais regravações destas pérolas.
Em 1977, o maestro francês PAUL MAURIAT (que assim como Ray Conniff adorava gravar discos recheados de sucessos requentados e arranjos modorrentos.Enfim: cafona mesmo!) resolveu produzir um album com músicas brasileiras e naturalmente caído por aquela voz,convidou Evinha para cantar no disco todo.
 
Com o estrondoso sucesso da empreitada pelo mundo, Mauriat incorporou Evinha à sua orquestra numa longa excursão (Europa,Ásia etc)  e nossa menina deu de se apaixonar pelo pianista do grupo,o músico Gerard Gambus com quem se casou e se instalou em Paris.
Com a chegada dos filhos,Evinha afastou-se da música dedidando-se integralmente à criação da família.
 
Evinha continua casada com Gambus e residindo em Paris. Filhos criados,retomou a carreira mas atuando basicamente na Europa.Mas,com seu (ainda) rostinho de anjo vez em quando vem ao Brasil rever a família,os amigos ,  apresentar-se em shows sempre concorridos ,infelizmente sempre no sul maravilha e naturalmente,beber na fonte.Depois volta para a França com seu lindo casaco marrom.

 

 

Peguei o título emprestado de uma bela música do grande batera Israel Semente.

É que só botando o Ave Sangria de novo prá tocar ( o que é impossível, pois um já levitou, o outro endoidou, e o que ficaram evoluíram para melhor) para podermos entender esse boom imobiliário. Bolhas mil!

É que, nos meus parcos 28 anos de bancário aprendi alguma cositas. Boas e más.

As más, é que os “jênios” do mal sempre encontram uma forma de lavar dinheiro.

Tem uma lavadora que dá 10 anos de garantia no seu motor.

É importada e é das boas.

Tem lavanderia dando 30 anos de usura para construção de um Arena.

E tome cobiça. E tome atiçar a ganância do povão. E tome desvio de foco das gestões temerárias. Dos passivos trabalhistas, fiscais e previdenciários.

Muito se tem falado em Arena nos últimos dias.

Arena que ficou velha pro lado dos Aflitos. Desbotou o Luso, ficou o Jiquiá, depois migrou para São Lourenço e em verdade continuamos muito mal obrigado, no Eládio de Barros Carvalho.

Me recordo de uma amiga da minha mãe. Uma decente viúva com uma bela casa no Parnamirim. Enorme terreno, custos elevados de manutenção. Troca a casa por área construída. A Construtora vai a falência. Nem casa, nem apartamentos. Miséria.

Já levitou a nobre senhora. Causa mortis: desgosto.

Outras Arenas se anunciam.

Com a palavra (se assim o permitir a prudência) o mano mais novo.

Não vou nem dizer o nome dele. Mas todos sabem quem é o sócio majoritário do Fusca junto com João Carlos e André Gustavo e Magna e Edgar.

Arenas por todo lado.

Futebol ruim por toda parte.

Federação carcomida dando nos nossos nervos.

Arbitragem ruim prá cacilda.

Eu sou um pessimista?

Quem dera.

Morro de otimismo incorrigível.

Todo dia ao acordar lembro do mestre que disse: abra os braços, se não topar nas paredes de um caixão, já começou o dia no lucro.

A grande diferença do otimista para o idiota é justamente essa:

-O otimista não bota mão em cumbuca prá ver se de lá sai uma Arena.

 

PS – Amanhã tem Sábado Som. E sol iluminará de novo o blog. Por enquanto os refletores do Fusca estão meia boca porque esse papo de Arena prá mim que olho sempre o lado financeiro , é a maior roubada. Pelo menos nos Aflitos. Em outras bandas a banda é outra e a música também.

PS II – Dizia meu avô, Pedro de Souza, rubro-negro por sinal e dos bons, que todo dia sai um sabido e um besta de casa. Quando eles se encontram não tem clipe, nem birilo, nem tungão que separe. Pelo contrário, é pelas tungadas dos tungões que a gente se lasca.

É fumo. De rolo e pacaio. No toitiço !!!

OLHA QUE PS – REPENTE AGALOPADO. OITO PÉS A QUADRÃO.

Chega de Arena. Pelo menos por ora.
Corregedoria, eis tua hora.
Agora é que são elas.
Gavião, olhos de serpente,
falsas sentinelas, tristes paladinos,
Aves de rapina, boi tungão,
Escutem as dobras dos velhos sinos…
mas alguém me diz, com razão:
– estão na espreita, estão na espera…
Mas podem virar picadinho,
que bonzinho por bonzinho
o recado ja foi dado:
não haverá primavera
a luta vai ser renhida,
cada um cuide da vida
de modo bem afinado
para o boi não virar comida
do seu próprio gado.

Arsênio Meira Filho

por Conceição Lemes (DO BLOG VIOMUNDO, de Luiz Carlos Azenha).

Há no mundo 441 reatores nucleares em funcionamento.

Estados Unidos são os que têm mais – 104. Seguem-se França (58), Japão (55), Federação Russa (32) Coréia (21), Índia e Inglaterra (19 cada), Canadá (18), Alemanha (17), Ucrânia (15), China (13), Suécia (10), Espanha (8), Bélgica (7), República Checa (7), Finlândia, Hungria e República Eslovaca (4 cada).

Vários países têm dois reatores: Argentina, Brasil, Bulgária, Paquistão, México, Romênia e África do Sul. Eslovênia, Armênia e Holanda possuem um.

Há 61 reatores em construção. Boa parte na China (24) e Federação Russa (11). Coreia tem cinco e Índia, quatro. Bulgária, Japão, República Eslovaca, Ucrânia, dois. Argentina, Brasil, França, Paquistão, Estados Unidos, Finlândia e Irã. Isso sem contar os muitos projetados – só no Brasil, 50 para os próximos 50 anos.

Esse novo impulso da energia nuclear está alicerçado em alguns fatores, especialmente estes:

1) Até as explosões dessa semana no complexo de Fukushima, Japão, acidente grave em usina nuclear já era história, memória, vaga lembrança. Dos 191 milhões de brasileiros, cerca de 80 milhões sequer eram nascidos quando houve o de Chernobyl, em 1986, Ucrânia (então parte da extinta União Soviética), considerado ainda o maior da história.

2) O modelo teórico de que o tempo de vida útil de um reator atômico é de 40 anos, prazo que foi estendido por mais 20. Ou seja, um reator duraria 60 anos.

3) A informação de alguns especialistas de que o reator seria a fonte produtora de energia que emitiria menos C02 (gás carbônico) na atmosfera, produzindo menos efeito estufa. Consequentemente, seria útil para reduzir o aquecimento global.

“Acontece que informações mais recentes revelam realidade diferente, geralmente omitida pelos defensores da energia nuclear”, alerta a professora Emico Okuno, doDepartamento de Física Nuclear do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). “Para começar, não procede que o tempo médio de vida de um reator é 40 anos, 60 então nem fala. Isso é blefe.”

NOS EUA, OS REATORES DURAM, EM MÉDIA, 18,9 ANOS

Com base em modelos matemáticos, se estabeleceu que um reator tem vida útil média de cerca de 40 anos, agora de 60. É em cima desse prazo que se fixa o custo da energia nuclear.

Só que a prática está mostrando que eles duram muito menos. Dados até 2008 revelam que o tempo médio de vida dos reatores nos Estados Unidos é de 13,9 anos. Tempo máximo, 34 anos. E o mínimo, 1 ano. Lá, três funcionaram apenas um ano; e nove, em média, 7,6 anos.

“Eles foram fechados ou porque não eram economicamente viáveis ou porque tiveram algum tipo de problema”, diz a professora Emico. “Só os grandes acidentes tornam-se públicos, os menores, e eles ocorrem com frequência, não chegam à mídia.”

Na Alemanha, o tempo médio de vida dos reatores é de 13,8 anos. Tempo mínimo, 1 ano. Tempo máximo, 47 anos.

Na França, o tempo médio é de 19,6 anos. O mínimo, 9 anos. O máximo, 24.

Os do Reino Unido são os de vida mais longa: 34,7 anos, em média; mínimo, 18 anos; máximo, 47 anos.

“Portanto, a história de 40 e 60 anos, em média, é balela”, reforça a professora Emico, que, diga-se de passagem, não teve acesso a informações privilegiadas. “Elas estão no site da Agência Internacional de Energia Atômica, para quem quiser acessar. O que eu fiz foi analisar esses dados. As pessoas favoráveis à energia nuclear não mentem, mas elas também não contam, pois isso não lhes interessa dizer.”

Por falar nisso, quando termina a vida útil de um reator, ele tem de ser “destruído”. Esse processo chama-se descomissionamento. É a construção do reator ao contrário. Demora 60 anos para ele ser descomissionado totalmente e transformado num parque público. Isso sem contar o lixo radioativo de alta atividade que é o combustível exaurido produzido ao longo da existência dele.

O dinheiro gasto para o reator ser “destruído” é quase igual ao empregado para construí-lo. E quem paga essa conta? O governo ou a concessionária? Isso provavelmente não está escrito em lugar algum. É uma briga das boas.

CADEIA PRODUTIVA DE ENERGIA NUCLEAR PRODUZ MAIS CO2 DO QUE A HÍDRICA

“A informação de que a energia nuclear provocaria menor emissão de CO2 parece também que não é verdadeira”, observa a professora Emico. “Novos estudos indicam que a energia nuclear é mais poluente do que a hídrica.”

De uns três anos para cá, cientistas fizeram cálculos matemáticos dos níveis de emissão de CO2 das diferentes fontes de produção de energia. A partir daí elaboraram uma escala, indo do mais ao menos poluente. Em primeiro lugar, está o carvão, em segundo, o óleo combustível, em terceiro, gás, em quarto, a energia hídrica. Em seguida, energia solar, eólica, biomassa e – a menos produtora de CO2 – energia nuclear. Detalhe: esses autores consideraram a emissão de CO2 apenas no reator.

Mais recentemente outros cientistas decidiram levar em conta não apenas a emissão de CO2 no reator, mas em toda a cadeia produtiva para se obter a energia nuclear. Ou seja, desde a exploração do urânio na mina – é preciso dinamitá-la – até o seu enriquecimento para ser usado no reator como combustível.

Para se ter uma noção dessa cadeia, o urânio explorado no Brasil (quarta reserva do mundo) é extraído em Caetité (BA). Aí, é transformado em yellow cake, um pó amarelo. Via porto de Salvador, vai para o Canadá, onde é transformado em gás. Do Canadá vai para a França, para ser enriquecido. De lá, volta ao Brasil, para ser transformado em pastilhas, que serão usadas nos reatores de Angra 1 e Angra 2, no Rio de Janeiro. Há informações de que o Brasil já detém a tecnologia para fazer tudo isso aqui. De qualquer forma, o urânio teria de passar por etapas.

Pois bem, há estudos revelando que toda essa cadeia produtiva acaba produzindo mais CO2 do que a energia hídrica. Assim, a energia nuclear ocuparia o quarto lugar em termos de poluição e a energia hídrica, a quinta.

“Na verdade, todas as formas de energia têm algum tipo de problema”, pondera a professora. “A energia hídrica é limpa, mas leva à inundação de grandes áreas. Já a energia solar ainda é muito cara.”

E qual a posição da professora Emico Okuno em relação aos reatores nucleares?

“França e Japão, por exemplo, não têm muita alternativa. Já o Brasil, por enquanto, não precisa de reator para geração de energia”, expõe. “O Brasil tem condições de produzir muita energia a partir da energia hídrica, eólica, solar. No Nordeste do Brasil, há sol para dar e vender.”

“O Brasil, porém, precisa de reator nuclear para produção de materiais radioativos, para uso na Medicina”, defende a professora. “É para não ficarmos reféns de outros países, como aconteceu no ano passado. O reator do Canadá que fornecia radioisótopos teve de fechar. Praticamente o mundo inteiro ficou na mão. O Brasil conseguiu um pouco com a Argentina. Mas o conveniente é que tenhamos a nossa própria produção de material radioativo para fins médicos.”

Quando há um grave acidente nuclear, a discussão sobre os reatores reacende. Foi assim pós Three Mile Island, Pensilvânia, EUA, em 1979. Depois, pós Chernobyl. Com Fukushima não será diferente. A diferença é que agora há informações mais precisas para o debate. Por exemplo, considerando que duram muito menos do que se supunha, será muitos mais  serão construídos? Será que do ponto de vista econômico se justificam, já que têm menor tempo de vida? E do ponto de vista ambiental, considerando que possivelmente sejam mais poluentes do que as energias hídrica, eólica, solar e a biomassa?

O fato é que por mais seguros que os reatores sejam, eles têm um risco. Fuskushima está aí para nos fazer refletir. Infelizmente.

 

 

Me lembrei de Acosta. Tranquilo, tranquilo. Com cara de guaranitupimalandramente, deu o pé na bunda do timbú e hoje é reserva do Brasiliense. Com direito a perna quebrada no timão.

Não sei qual o motivo de colocar Acosta aqui neste post.

Mas é que o Náutico é o patrão mais pobre do Brasil e o que mais enriquece ex-funcionários.

Infelizmente, pude testemunhar a nossa sede ir a Leilão no TRT duas segundas -feiras. Uma antes do Carnaval, outra depois.

Uma dívida com um preparador físico que passa de R$ 1.000.000,00.

Berg, tem a receber apenas R$ 600.000,00.

É uma mina de ouro o timbuzinho.

O paraíso dos boi-tungões.

Chega-se liso. Não importa a função.

Jogador, dirigente, preparador físico, tá empregado, no futuro tá rico.

Nós pagamos essa conta.

Não sei a burrica de ouro que acharam para pagar a folha e etec e tal.

Mas em 2012 a gente vai assistir e pagar nas arquibancadas aquilo tudo lá ir pro beleléu.

Restará a sede. Tombada. Junto com os nossos sonhos.

Um grande abraço a todos.

PS – Se toda empresa fosse gerida da mesma forma que o Timba. Tinha mais gente preso do que solto. Podia ser qualquer um. Que não faz a menor falta. Uma empresa que enxota seus clientes (sócios), trata mal os seus funcionários administrativos, não publica balanços corretamente, finge que tem um Conselho e o respeita, quando faz o contrário. Já tinha falido desde 1901 e não chegaria aos 110 anos. Realmente o CNC é um enigma contábil. E de moral e ética também.