Arquivo de fevereiro, 2011

 

Vodka

Vário do Andarai 

Às vezes cobro o valor da corrida bem abaixo do que deu. Ou nem cobro nada bem abaixo do que deu. Ou nem cobro nada.

De madrugada os ônibus rareiam, e é muito comum – muito comum – pegar família humilde plantada há horas num ponto ermo e escuro de alguma rua valha-me-a-sorte. Eu imagino o cálculo que o cara faz pra estender a mão e me chamar. Sei da angústia dos poucos reais a mais da diferença entre o que ele gastaria nas passagens do ônibus e o que vai pagar pela minha corrida.

São às vezes cinco, às vezes seis. Na verdade eu nem posso levar cinco pessoas, porque, em caso de acidente, posso me encalacrar. Mas eu levo. Quero mais é que que-se… E levo sabendo que o destino é sempre pra dentro do olho da miséria.

É bem verdade que quando é pra subir morro, eu me recuso a ir lá nas grimpas. Explico o real motivo e os deixo em algum lugar cômodo pra eles e bom pra mim. E o real motivo não é pela segurança, porque não tenho medo de subir morro. 0 real motivo é que a gente vai subindo e a coisa vai se estreitando: a rua vira viela, a viela vira beco e o beco vira corredor. Chega ao ponto de a gente mal conseguir abrir a porta do carro. E onde manobrar? Não tem lugar. Tem que se descer de ré, no escuro, às vezes sob chuva, enxergando nada atrás, arriscando atropelar alguém.

Mas como se manter indiferente o tempo todo, a vida toda? A família pobre — você vê que é pobre —, casal e crianças, acenando, num vazio de tudo e querendo pagar o que não pode pra poder chegar em casa. Como se manter à parte sabendo que aquela mixaria dá pra três, quatro quilos de feijão.

E entram no carro quase obsequiosos, avisando de antemão que não vai ser preciso entrar na comunidade, e acaba que por si sós pedem pra ficar no tal lugar cômodo pra mim e pra eles. E às vezes, pasmem, olham o taxímetro, contam o valor e querem deixar gorjeta. O absurdo me soa tão grande que chega a dar vontade de ser grosseiro:

— Amigo, pega essa gorjeta, compra um formicida e coloca na garrafa térmica de café do seu patrão!

Que mundo cão do cacete é esse? Eu sei que tem miséria muito mais aflitiva pelo mundo afora, que há lugares por aí em que o homem degradado atinge o status de barata. Mas minha África é aqui:

— Quanto deu aí?

— 7,00.

— 7,00? Mas tá marcando 21,00 aí.

— Mas hoje é 7,00 — respondo vexado, sabendo que meu gesto magnânimo (a magnanimidade de um verme patético) é uma humilhação pra ele.

Dá vontade de receber os 21,00, beber 7,00 de cachaça e dar os 14,00 pra algum estorvo miserável no primeiro sinal que fechar pra ele tomar também de cachaça.

Então é isso? A vida aqui está destinada a ser sempre um romance dostoievskiano em que todo mundo se avilta?

País ordinário. Cidade ordinária. Mundo ordinário. Vida precária.


E-MAIL: 
deddalus@globo.com
http://www.variodoandarai.com.br

 

Já já sai no Cansástico.

A pacata Porto Alegre, no dia 25-sexta-feira.

Terra de Quintana.

De Moacyr Scliar, que amava Pernambuco, sugeriu uma ponte aérea ligando Recife a POA e que veio duas vezes para a Fliporto. Levitado hoje , quando o dia começava e o parto dele acontecia.

Pacata Porto Alegre. Os pit-boys te saúdam. Ontem eram os Passats TS, depois vieram os Golfs, agora são os I-30.

O Brasil não se sustenta com tanta injustiça.

Em Amsterdã , o povo vai de bicicleta para tudo que é lado.

Recife lembra Amsterdã nos seus limites com o mar. Nível/desnível. Comportas, arrecifes.

Poetas e pintores e moinhos de vento.

Aqui talvez ocorresse um fato desses com uma caminhada de estudantes. Um massacre.

Alguém lembrou, sabiamente, que o fato de estarem em cima de bicicletas levou aos 09 cidadãos atropelados, uma chance de escaparem com vida.

O que de fato aconteceu. Nenhuma morte.

E o criminoso escapou. Impune.

Alguém me disse não tem nem um mês: acho que muitas vezes o Limite é mais importante que o Amor. Pois só dá Limites quem Ama.

Sábia pessoa.

Ciclistas apavorados, mas amparados por um milagre.

A vida segue.

E Recife é a segunda capital mais violenta do País. Em mortes de jovens por armas de fogo.

É fogo.

obs- através do alvirrubro Tovinho Tenório, lá no Facebook , pude ver esse vídeo e mostrar estarrecido aos meus familiares. Nada comentei. Todos emudeceram também. Chocante.

 

Do Blog Eterno Retorno:

http://www.eternoretorno.com/2009/05/10/emil-cioran-e-suas-palavras-demolidoras/

Um pequeno trecho de Emil Cioran, o suficiente para demolir os pensamentos. Difícil, porém, tão válido quando confrontado com a estupenda e magnífica civilização a que estamos: mil risos de ironia.

“É inútil construir tal modelo de franqueza: a vida só é tolerável pelo grau de mistificação que se põe nela. Tal modelo seria a ruína da sociedade, pois a “doçura” de viver em comum reside na impossibilidade de dar livre curso ao infinito de nossos pensamentos ocultos. É porque somos todos impostores que nos suportamos uns aos outros. Quem não aceitasse mentir veria a terra fugir sob seus pés: estamos biologicamente obrigados ao falso. Não há herói moral que não seja ou pueril, ou ineficaz, ou inautêntico; pois a verdadeira autenticidade é o aviltamento na fraude, no decoro da adulação pública e da difamação secreta. Se nossos semelhantes pudessem constatar nossas opiniões sobre eles, o amor, a amizade, o devotamento seriam riscados para sempre dos dicionários; e se tivéssemos a coragem de olhar cara a cara as dúvidas que concebemos timidamente sobre nós mesmos, nenhum de nós proferiria um “eu” sem envergonhar-se. A dissimulação arrasta tudo o que vive, desde o troglodita até o cético. Como só o respeito das aparências nos separa dos cadáveres, precisar o fundo das coisas e dos seres é perecer; conformemo-nos a um nada mais agradável: nossa constituição só tolera uma certa dose de verdade…” – Breviário da Decomposição. Cioran, E

Aforismos de Cioran(uns poucos):

“Enquanto preparavam a cicuta, aprendia Sócrates uma canção na flauta. “Para que te servirás? lhe perguntaram.” “Para sabê-la antes de morrer.” Ouso recordar esta resposta que os manuais banalizaram, pois que ela me parece a única justificação séria da vontade de conhecer, que se dá até mesmo às portas da morte ou em outro momento qualquer.”

“Quem não sofreu não é um ser, quanto mais um indivíduo.”

“Cada indivíduo que desaparece carrega consigo o universo: de uma só vez suprime-se tudo, tudo. Justiça suprema que legitima e reabilita a morte. Partamos sem tristeza, pois que nada nos sobrevive, sendo nossa consciência a só e única realidade: ela apaga, tudo é apagado, ainda que saibamos que nada disso é objetivamente verdade, e que de fato nada consente a nos seguir, nem se digna a evaporar conosco.”

“Certamente é mau escritor quem pretende escrever para a posteridade. Não se deve saber para quem se escreve.”

“A vida do louco não tem alegrias, é agitada, está toda direcionada para o futuro”. Esta opinião de Sêneca, citada por Montagne, é útil para demonstrar que a obsessão pelo sentido da história pode ser fonte de desregramentos, como de fato é: seguir o fluxo ou contrariá-lo dá no mesmo, pois que nos dois casos não cessamos de vislumbrar o futuro, como vítimas consentidas ou arrastadas.”

 

 THE WHITE ALBUM

Pouco antes de seguirem para um retiro na Índia, os Beatles lançaram um single que já prenunciava que a fase psicodélica, ao menos musicalmente, já tinham deixado prá trás e iriam pegar outra estrada. Mais uma vez, quando todo mundo embarcava numa onda beatle, eles tomavam outros rumos. LADY MADONNA, um rock com base no piano, balanço e canto no estilo Fats Domino, com um côro no estilo “music hall” e George numa pegada de guitarra arrepiante, dobrando com um saxofone. No Lado B vinha THE INNER LIGHT uma bela canção de Harrison, cuja indumentária indiana, alicerçava uma linda e terna melodia ocidental. Deixaram as pistas.

Prá variar, o ALBUM BRANCO surpreendeu. A capa era uma guinada total, imaculadamente “branca”, frente e verso, apenas com o nome do grupo em relevo. Nada poderia ser tão oposto à super-produção das inovadoras capas do Pepper e do Magical Mystery Tour. O artista plástico inglês D. Hamilton teve a idéia, mas criou no entanto,um poster com fotos dos quatro com as letras imprimidas atrás  (ou você pendurava o poster ou lia as letras) e mais 4 fotografias, uma de cada fera.

O repertório, quase todo composto no ashram do Maharish, era tremendamente variado, contemplando diversos estilos. Rock, blues, canções acústicas, country, música vitoriana, vaudeville, baladas e até uma colagem de efeitos sonoros totalizando 30 canções e muita coisa ficou de fora como NOT GUILTY, CHILD OF NATURE (Jealous Guy), MARY JANE e JUNK . Ainda, como aperitivo, lançaram durante os trabalhos, o single HEY JUDE/REVOLUTION. Lennon mais tarde, diria que o disco era quase um trabalho solo de cada um (tava ressentido) mas no lançamento, em entrevistas, não disfarçava seu orgulho.

Ora, tem as demos feitas na casa de Harrison em Esher e várias gravações dos ensaios que nos mostram a banda lá, juntos,tocando e cantando. Naturalmente, em razão do tempo, eventualmente eles estavam ocupados cada um numa sala diferente gravando “overdubs” (orquestra , metais ou acrecentando um instrumento etc). Também não vou citar nenhuma canção do disco, pois seria injusto com as outras 29 músicas. E todo mundo conhece.

O fato mais marcante relacionado ao White Album e que deu uma publicidade extraordinária ao disco, estava completamente fora do âmbito da banda e de seus mais inventivos divulgadores. É que um maluco ,psicopata americano chamado CHARLES MANSON e seus seguidores invadiram a residência do cineasta Roman Polanski (que estava na França) e assassinaram sua esposa, a atriz Sharon Tate (grávida) e uns amigos do casal que por azar estavam lá,com requintes macabros e violência irracional. Com o sangue das vítimas,picharam a casa com PIGGIES, BLACKBIRD, HELTER SKELTER (títulos das canções do album). O disco foi ouvido na íntegra no tribunal. Manson,que alegava ser Jesus,acreditava que os Beatles eram mesmo os 4 Cavaleiros do Apocalipse e que o WHITE ALBUM continha mensagens subreptícias a ele dirigidas , autorizando-o a começar a Nova Era (ou coisa parecida). Ele e sua gangue continuam até hoje enjaulados e recentemente foi lançado um filme sobre este absurdo chamado Helter Skelter bastante esclarecedor.Ele ouvia o disco e ficava mostrando aos outros “as mensagens”.

– Passei a vista (escondidinho) no aeroporto em um livro com os 100 discos mais vendidos dos anos 60 nos EUA. O primeiríssimo lugar é do ALBUM BRANCO.
– Lennon mandou instalar no estúdio uma cama com  um microfone para Yoko repousar e pitacar.
– George Martin queria lançar um disco simples.Achava que tinha excesso de músicas e que venderia pouco.
– Hey Jude é o compacto mais vendido da história do rock.
– Recentemente um grupo de “blueseiros” americanos regravou o “album” completo (sem Revolution 9,claro!).
– OB-la-di  Ob-la-da é um ska (derivação do reggae) inspirado por um percussonista africano amigo de Paul que usava sempre esse jargão. Macca ficou sabendo que era “iorubá” e significava “life goes on” (a vida segue).
– Paul conta que ao ouvir WHILE MY GUITAR GENTLY WIPS ficou maravilhado e Lennon autenticamente emocionado.Eles queriam que George a registrasse ao violão com Paul no órgão e as cordas de George Martin, mas Harrison interpretou a idéia erroneamente como “má vontade” e terminou trazendo Eric Clapton para o estúdio, obrigando os outros a se comportarem direitinho e o arranjo com a banda completa entrou no disco. Muito bom por sinal.
– No último dia 13/2/11 Paul McCartney ganhou o Grammy de Melhor Performance AO VIVO pela gravação de HELTER SKELTER.
 

 

Parabéns a Raquel. Linda mãe. Linda filha.

Ao mano Marcelo. Avô meu velho! Olha aí. A responsa é grande.

Parabéns a Thiago, Pati e a vovó Letícia.

Bela família. Cada vez mais cheia de amor.

Eu caducando de longe. BH é logo ali. Talvez no Carnaval?

Não vai dar pois o O.O.O. é no gogó gugú. Depois tivô chega por aí.

Felicidade galera. Muito bom.

 D’US renova a esperança na humanidade quando envia cada criança a este planeta azul. Azul da cor dos olhos de Raquel .

Seja muito bem vinda Beatriz. Sua luz nos ilumine. Amém.

O bloco é saudoso.
O bloco é obstinado.
O bloco é colesterol jogando no ataque com triglicerídeos e glicose . No meio a esteatose hepática de volante em dupla com a gastrite.
O resto do time está no D.M.
E vamos saudando a Garoa. E os Demônios. Que ninguém é de ferro.

E uma bela homenagem ao nosso glorioso timbú de ouro:

NÃO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Então cometamos poesia em demais(ia) , alucinações reais para suportar o dia a dia, como nos lega Belchior, que sumiu dentro do próprio Paraguai do seu desespero.

Então cometamos mais atos em nome do amor. Enloucresçamos como nos lega ainda Drummond.

Pois, todo poeta, tem seu valor.

Todo poema tem seu destino certo.

Todos aqui estamos participando da eternidade.

Que já começou. Não é promessa.

Vejam o que nos ensina Platão:

O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel.

Platão

Anfetaminas.

Cocaína.

Crack.

Rupinol.

Maconha.

Ecstasy.

Outras/outros/tudo junto e misturado.

Por quê o Brasil inteiro endoidou?

Nelson Rodrigues não é para neófitos:

Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos…

Só o inimigo não trai nunca…

O brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte.

Essa é a Tribuna Livre do Ano. Será a primeira?

Não sei.

Só sei que meu pai, antes do meu casamento me disse: meu filho, empregada doméstica é um mal necessário.

Hoje assino embaixo, e corro contra o tempo numa impossível viagem.

Corro sonhando com o dia em que tudo seja como numa família americana.

Menos a grama e os filhos , que só Paulo Leminski sabia escrever em Latim. Os nossos filhos e o verde anil, são nossos melhores amores.

Sonho com o dia em que nosso lar será nosso e dos amigos e teremos privacidade.

Sonho com o dia em que a tecnologia nos favoreça.

E que essas milhares de pessoas que hoje trabalham nessa função “empregado doméstico”, tenham conseguido ou se aposentar ou as que estão começando, consigam qualificação e trabalhem em outra função.

O Brasil será um país melhor.

Aguardo os mestres.

Pois agora de manhã, antes de ir ao banco, me aguardam uma pequena pilha de pratos, garfos, louças, copos( minha cota na divisão das tarefas do lar ). A nossa ex-quase perfeita secretária do lar (bonito né não?) arribou que nem Asa Branca.

Deve ser porque a coisa tá preta, a seca chegou na casa dos funcionários públicos/servidores de empresa de economia mista? Sei lá, só sei que foi assim… arribou…

Genial idéia. Idéia já comprada.

Vamos ao primeiro encontro.

Geograficamente, a Diretoria está dispersa (não estamos excluindo ninguém) , é porque sempre há a primeira reunião.

Sugestões: Boteco em Boa Viagem para o Vice-Pr. Arsênio ficar em casa.

Bar do Nô, ou do Maxixe, ou a critério do Presidente Edgar, se sentir o pastor entre os seus Cordeiros.

Bar do Neno, que é e já foi uma espécie de senadinho/escritório/anexo do Dom Mingão. É que lá até a conta vem com sal .

Vamos nos encontrar. Antes do Galo chegar no sábado de ZÉ PEREIRA.

Avante Obstinados. E viva o chopss e dois pastel.

Nada impede no entanto, que convidados de HONRA e MUITA HONRA estejam nos concedendo um tempinho precioso das suas vidas, a saber:

 João Carlos de Mendonça (autor do Hino dos Obstinados).

André Gustavo (autor do primeiro e único clip dos Obstinados).

Tadeu Rocha, Luiz Maia, Carlos Maia, Osvaldo Soares, autores do Estatuto em prosa/verso/poesia e hai-kais.

Magna, porta estandarte de HONRA e MUSA ÚNICA dos Obstinados.

Quem mais se atreve?

Olha a foto aí embaixo: Vai encarar?

” Gordo, quando está fazendo dieta, sempre faz a barba antes de se pesar.”

Jô Soares

 

 Diário do Dom Mingão:

100 dias. Uma guerra.

Uma epopéia fazendo o possível para se encaixar na tabela médica que diz que os triglicérides tem que ficar abaixo de… O bom colesterol entre… e … o mau colesterol bis idem.

A glicose… santo chocolate de cada dia nos trai hoje, nos faça arrependermo-nos quando a Nestlé fizer a festa diante de nós ou qualquer outra fábrica de sonhos (que viram pesadelos?) e cia ltda.

Os gordos!

Pior do que o careca, o baixinho, o magro demais, o narigudo, o feio, o obtuso, o mala, o chato. O gordo sai mal na foto. Qualquer uma.

Só escapa no photoshop. A bondade da tecnologia nos salva, nos ilude, como uma droga. Não dá.

O gordo!

Tenta e luta e cai e se levanta e não consegue. Uma nação de Obesos. Um planeta Obeso.

Quando você começa a ganhar a guerra vem as pequenas alegrias. Eu diria mesmo até felicidades eternas.

Uma blusa que não cabia mais, tem até folga. Uma bermuda. Um blaser ou um paletó cheirando a mofo.

As pessoas começam a notar e até a elogiar o esforço.

Mas sempre tem um sacana. Aquele filhote de Maquiavel.

Você está no maior dos piques, empolgado. Pensa em dispensar a analista e o cara: olha aí galera, Dom Mingão está andando na Jaqueira e já emagreceu uns 100 gramas. Estão vendo?

Você vai em frente, cada dia melhor. E não liga nem um pouco. Ou pensa que não liga.

Mas as pessoas congelam sua imagem.

Você que vem acompanhando milimetricamente as suas bochechas, a sua pança. Você vê até o seu amigo íntimo com mais facilidade. Que felicidade.

Não liga, segue em frente, comendo melancia de madrugada. Água de coco e torradas.
 
Na hora do almoço só tem olhos para coloridos estoques de folhas, legumes, arroz integral, feijão de soja e pouca , mas muito pouca carne mesmo. Carnes brancas de preferência e sem preconceito, porque o gordo já sofre preconceito prá cacete.

Comer frugalmente.

Nos intervalos o desespero. A glicose cai. Você arrisca uma fruta. Duas. Segue ouvindo mais um conselho. Água, beba água como um camelo depois de atravessar o Saara.
Segue mais um dia. E outro. Chega no dia de número 100.
Faltam 20 dias para o primeiro bloco da maratona.
Um vestibulinho. Novos exames virão. Dirão se valeu a pena.
A balança espera, como a guilhotina esperou na França até o seu inventor, o dr. Guillotin.

 
Na primeira vez menos de 4 quilos.
O que terá havido agora?
Há uma perspectiva de rebelião.
Um Carandirú de células adiposas começa a virar um Carandiruzinho e apontam para uma rebelião estrondosa.

 
Sigo em frente.
Hora de confirmar o alarme no celular: 04:30 horas.
Tudo de novo. Um dia de cada vez.
No Natal, tenham certeza, ocorrerá a minha vingança:

– Camisa apertada, boyzinho de 50 anos, zombarei do primeiro Papai Noel que encontrar no primeiro Shopping que visitar.
Rirei da sua pança e direi para os meus filhos e minha mulher (os únicos que sinto me apoiam incondicionalmente):
Vamos dar uma corridinha no Parque da Tamarineira Noelzinho?
E com certeza ele dirá a mesma velha e infame piada: Tá Doido?

 
 
 
OBS – A FACE DO MAL:
 
 
 

 

 

TAMARINEIRA VILLAGE

No início dos anos 70 aqui em Recife um músico/compositor tinha de optar entre “fazer a noite”, que consistia em tocar em clubes,bares e boates e,nesse caso, manter-se reproduzindo os sucessos de outrem para deleite do público ou radicalmente largar as noitadas para se dedicar à compor e quase mendigar espaços onde pudesse divulgar suas criações, abdicando do dinheirinho seguro das festas.

Foi nesse contexto que Almir e Ivinho reuniram coragem para formar o grupo TAMARINEIRA VILLAGE, ocupando-se em trabalhar um repertório escrito por seus corações e mentes.Não lembro a ordem de chegada mas foram  se juntando aos dois o percussionista Agrício,Rafles (que não era músico mas funcionava como empressário,roadie e divulgador com raro carinho), o fantástico baterista Israel e o jornalista, poeta e cantor Marco Polo. Sinceramente, não lembro se havia mais alguém. Mas sei que fizeram tudo certinho.Estava começando na cidade um movimento musical bastante salutar apoiado principalmente pelos movimentos universitários que, foi tomando conta do ambiente e assim,gente como Alceu Valença,Geraldo Azevedo,Marconi Notaro,Flaviola e o Bando do Sol,Aristides Guimarães e as bandas Phetos e Tamarineira Village, entre outros. começaram a abrir portas. Nesse cenário o Tamarineira passou a ganhar destaque com shows cada vez mais prestigiados e com boa cobertura da imprensa. A banda chegou inclusive e numa época difícil a promover suas apresentações no sagrado palco do Teatro de Santa Isabel.

Com público cativo e apresentações cada vez mais concorridas não havia outro caminho senão chegar ao primeiro disco por uma grande gravadora e consequentemente à uma carreira bem sucedida no mercado nacional. E não deu outra. A então poderosa Continental contratou
o grupo que logo estaria no Sudeste para gravar o album.Criou-se então  tremendo “reboliço” ,zumzumzum e expectativa na mauricéia nunca antes acontecido. Lembro que mesmo os concorrentes diretos torciam pelo sucesso do Tamarineira Village posto que, mesmo aqui na terra do “caranguejo”, toda gente sabia que as Leis da Música não mudariam. Ou o sucesso dos Beatles não arrastou toda a caipirolândia de Liverpool para as gravadoras de Londres ? Ou Gil e Caetano não abriram as fronteiras do Brasil à baianada geral ? Ou aqui mesmo em Recife o Quinteto Violado não estava escancarando o mercado para o Som da Terra,Banda de Pau e Corda e que tais ?

A distância dos anos e uma estada no Rio em 1982 me ajudaram a formatar uma opinião. Começa pela mudança do nome do conjunto para AVE SANGRIA que atrapalhou até um possível sucesso local.A produção do disco foi catastrófica.Pior que péssima.Mesmo no mais poderoso equipamento sonoro soava como rádio de pilhas. O som do disco é capenga,os instrumentos mal distribuidos,sem peso.Um absoluto desequilíbrio entre os volumes da voz (lá em cima) e do acompanhamento (lá embaixo e embolado). A voz de Marco Polo parecia debochar (e não cantar) das músicas como um Caetano Veloso mais afetado. Mas,mesmo com um Almir resumido a uma só canção (e quase não cantar) o repertório era bom.Músicas bem acabadas com letras contemporâneas e até bastante ousadas, brilhantes. Mas cadê o produtor ? Para completar,além de uma capa beirando o brega que exibia uma ave-mulher, a Censura vetou SEU VALDIR,música que por seu tema (uma declaração de amor homossexual anarquista) começava a ser tocada nas rádios. O nosso  jornalista-autor de endereçários João Alberto deve ter ficado bastante satisfeito.

O fracasso comercal do disco precipitou o fim da banda. É óbvio que houveram desentendimentos e o velho empurra-empurra prá lá e prá cá. Almir,com suas permanentes elegância e ternura não abriu mas eu li nas entrelinhas. Para mim a história “fechou” quando estive no Rio.

Por pagar altos impostos, uma gravadora grande se defendia usando de artimanhas contratuais ou seja; ela fechava com o artista um contrato de 5 anos com um disco anual. Ficando obrigada a lançar o primeiro disco apenas e só esta poderia cancela-lo.Já o artista contratado tinha de cumprir os 5 anos sem apelação.Se o primeiro disco “estourasse” claro que a “poderosa” logo lançaria o seguinte,caso não acontecesse,o contratado era obrigado a manter-se “enjaulado” até expirar o dito cujo.Por isso mesmo as gravadoras investiam muito pouco na produção e divulgação do disco ainda podendo abater nos impostos toda (irreal) despesa com o fracasso.E por longos 5 anos.
Tenho que esse fato deixou a banda sem alternativas já que assinou o contrato individualmente .Cada um deles.O que impedia que usassem outro nome (quem sabe Tamarineira Village mesmo) pois seriam denunciados.
Cada membro do grupo foi embora se virar como podia. E o sonho deles, e de uma geração pernambucana de raro talento,acabou e voltamos à ser,aos olhos preconceituosos dos sudestinos,apenas Vassourinhas e Asa Branca.


Cartaz de campanha internacional contra o alcoolismo Bebo, sim, não nego.
E já fiz muita merda sob os eflúvios etílicos: já brochei, briguei,falei toneladas de besteiras, discuti com mulher, perdi carteiras e documentos, chorei em público, dormi à mesa de bar, dirigi 250km bêbado em cima de uma moto numa rodovia, já acordei ‘n’ vezes sem lembrar nada da noite anterior.

Não me orgulho de nada disso.

Daí, venho maneirando há um bom tempo. Quase nunca bebo em bares, tomo um vinho com Iracema ao jantar duas ou três vezes por semana, uma ou duas vezes por mês arrisco uma cachacinha Sanhaçu com Alberto na pousada dele e de Telma aqui em Maragogi, não dirijo mais quando estou bebendo (só falhei nessa resolução uma vez e por pouco não fui apanhado numa blitz do bafômetro). Pretendo ser mais rígido nesse quesito.

E sabem por que? Porque o álcool, exceto tomado em doses mínimas, é um câncer social. Tô parecendo um pastor puritano? Não importa. Vamos aos fatos: leio hoje nos jornais relatório da Organização Mundial de Saúde revelando abre aspas que o álcool já mata mais no mundo que epidemias como a Aids, tuberculose, violência ou guerras fecha aspas. Releiam o trecho entre aspas aí em cima. Viram a gravidade da coisa? Além disso, o Brasil aparece em primeiro lugar no ‘ranking’ de alcoolismo no mundo, folgadamente, superando os russos e outros bebuns contumazes. Essa Taça aí, positivamente, não é motivo para soltar girândolas.

Antes do estudo, o primeiro em cinco anos sobre o consumo de bebidas, eu já vinha desconfiando dos malefícios sociais do álcool (os pessoais variam caso a caso e dependem da tomada de consciência de cada um).

As evidências, disponíveis nas páginas dos jornais diariamente: o número de brigas, rixas, ferimentos e mortes, assim como o de acidentes de trânsito, cresce exponencialmente todo final de semana em relação aos dias comuns, e mais ainda nos feriados e, sobretudo, feriadões. O motivo, cara pálida, é um só: aumento do consumo de álcool. Pois então como se explicaria que, justamente nos dias de menor circulação de pessoas e de diminuição do estresse cotidiano e, ainda, de muitos menos carros circulando nas ruas e estradas, aconteçam mais brigas e acidentes? Não é só hipótese: os registros dos prontos socorros e as notícias jornalísticas explicitam a presença sinistra do álcool nos cenários dos crimes e desastres automobilísticos.

Mas não é só: mesmo quando não mata por briga ou colisão, o álcool aleija um monte de gente, mutilando suas vidas e acarretando despesas enormes à rede pública de saúde, em forma de internamentos, cirurgias, medicamentos. O absenteísmo (sabe aquela segunda-feira que a ressaca inutiliza? Multiplique por milhões de dias, ao longo do ano…) reduz a produtividade no trabalho. Sem falar na previdência social, que arca com as aposentadorias precoces e pensões dos prejudicados. Mas todo mundo, toda a sociedade é prejudicada, pois a conta, camaradas, sai do bolso de todos em forma de impostos, mesmo quem seja abstêmio radical.

Companheiros agridem companheiras, casais se desmancham, filhos são espancados, lares abandonados, jovens se tornam traumatizados e revoltados quando um ou os dois cônjuges são alcoólatras. Não seis se já fizeram alguma correlação, mas creio que o crescente número de mulheres cabeças de casal, em especial e de forma cada vez mais freqüente nas camadas mais pobres, isto é, na maioria da população, tem a ver com o alcoolismo dos maridos. Isso não é discurso de aiatolá fundamentalista nem senhoras da Liga pela Temperança, é realidade.

Leio num saite médico: “O abuso do álcool e o alcoolismo estão entre os principais problemas da nossa sociedade. O álcool é uma droga como a heroína, a cocaína e o crack. Por que ? Porque vicia, altera o estado mental da pessoa que o utiliza, levando-a a atos insensatos, muitas vezes violentos. Pior, causa mais problemas à família e à sociedade. Infelizmente, faz parte da nossa cultura o seu uso.”

Aí está a questão: “faz parte da nossa cultura”, como o ópio em antigas civilizações asiáticas etc. Isso quer dizer que a droga, pior que a heroína, a cocaína, o crack etc., é aceita socialmente e estimulada. A maioria de nós já cresceu vendo um pai ou um tio bonachão bebendo; aniversários, casamentos, batizados, festas de natal, ano novo, são João são impensáveis sem que sejam regadas a álcool. O vício elemento essencial dos ritos de iniciação: bebi meu primeiro gole de cerveja (e achei horrível, amarga pra cacete!) aos 13 ou 14 anos, porque queria ser rapaz, ser aceito pelos garotos mais velhos e admirado pelas meninas. Sendo desajeitado pra requebrar, enchia a cara pra tirar as gatas pra dançar nos bailinhos de fins de semana. Quantos amigos são inaptos para engatar uma conversa descontraída ou produzir competentemente os passos da dança de sedução do sexo oposto (atenção damas: muitíssimas de vocês estão também nesse time!) sem um bom e largo (e repetido, quase sempre) trago?

E não suponham (talvez vocês já saibam, mas evitem pensar a respeito) que alcoólatra é só o papudinho de bochechas lustrosas e mãos trêmulas do botequim do subúrbio. Ou o morador de coberturas incapaz de botar a cara no mundo sem, antes, entornar uma dose da água que passarinho não bebe vinda diretamente da Escócia.
Não, meus caros. Segundo os especialistas, todos que bebam em excesso e pratiquem atos fora do ou contra o estado normal de consciência são alcoólatras (ou alcoólicos, como estão chamando mais comumente agora, mas o termo me parece sempre se referir a algo não humano, como “teor alcoólico”, por exemplo). Alguém aí coloca a carapuça? Eu coloco.

Quase nunca nos damos conta dessas verdades evidentes porque a coisa faz parte da cultura, isto é, estamos imersos nela.

Principalmente por um detalhe: o ato de beber, de tanto ser socialmente aceito, foi incorporado à nossa super-estrutura, isto é, está plenamente legitimado por lei, exceto para menores de idade. E o fato de estar legalizado torna o vício mais socialmente aceito e aí está formado o círculo vicioso, dificílimo de quebrar, ainda mais por vir reforçado por interesses econômicos poderosíssimos da indústria de bebidas e entretenimento em geral, pela condescendência dos governos que cobram altos impostos (mas que talvez gastem mais com os custos dos prejuízos citados no começo, alguém precisa fazer essa conta, cadê os economistas?). Reforçado, principalmente, pela formidável máquina publicitária, que gasta bilhões anualmente para nos convencer de que ser viciado em álcool é bom, charmoso e faz bem à saúde, além de estar sempre associado a sambistas e jogadores de futebol, ao lado de mulatas gostosíssimas rebolando seus bumbuns maravilhosos numa festa de espuma. Claro que aquela advertência obrigatória, exposta em letras miúdas nos anúncios impressos e ditos em voz não persuasiva pelos locutores de comerciais (“Beba com moderação”) não passa de hipocrisia, pois os fabricantes querem é que bebamos até cair e levantar para beber de novo, os governos enchem as burras com os impostos da engrenagem comercial-industrial envolvida e nós quase nunca estamos dispostos a parar após um ou dois goles.

“Fazem parte da cultura” as velhíssimas anedotas com o bebinho inofensivo, as tiradas babacas tipo “Deus protege os bêbados”, os milhares de saites chamados Fanáticos do Botequim, Loucos por Álcool, Confraria da Cachaça ou que tais, apresentando as mais constrangedoras e embaraçosas histórias e fotos como troféus. Olhem e vejam o ridículo dos flagrantes, ostentados despudoradamente como feitos esportivos.

Mas o fato, amigos, que me soa patético é ver gente inteligente se gabando do porre que tomou na véspera (quando isso deveria ser segredo de polícia), zombando de quem não é viciado (quando poderia ser o inverso, pois no fundo, quem precisa de metabolizante etílico para as mais prosaicas atividades somos todos dignos de pena e, talvez, de zombaria) e deixando de fazer um monte de coisas interessantes para jogar literalmente conversa fora nesses locais legalmente dedicados ao tráfico dessa droga lícita, tão cantada em prosa e verso por aí afora.

Não defendo a proibição do comércio de bebidas alcoólicas, claro, cujo resultado é o tráfico ilegal e seu rosário de crimes (vide Lei Seca americana da década de 20 e o caso da cocaína e crack no Rio e tantos lugares), mas o máximo de restrições à sua disponibilidade, acesso e propaganda, além de taxação fortíssima. E campanhas fortes dee conscientização para que o cidadão possa escolher entre ser um sensato sóbrio ou um babaca bêbado.Também estou descobrindo (com algum esforço, com algum esforço) ser possível conversar, dançar, trepar, torcer pela Seleção, dizer coisas interessantes, conhecer pessoas, falar em público, sem uma muleta etílica. Ou, pelo menos, buscando parar exatamente naquele momento crucial implícito na célebre frase de Humphrey Bogart (“A humanidade está duas doses abaixo do normal”).

Juntar quatro machos, numa mesa de bar, para falar de mulheres (quando melhor é estar com elas), discutir futebol (correndo o risco de perder um amigo) e, principalmente, gastar tempo e dinheiro pra nada, a não ser ir criando as condições para o desabrochar das cirroses, hepatites, gota e delirium tremens? Tô fora! E se me virem nessa situação num bar, me internem ou me carreguem para casa, porque estarei borratcho.

PHIL SPECTOR

Não há nada mais importante na feitura de um album musical do que o produtor. Ao menos antigamente.Da escolha do repertório passando pelos arranjos, captação e timbres dos instrumentos e vozes até as mixagens e a ordem das canções. Por tudo isso, essa função sempre foi da alçada de um músico com formação robusta. Gente como Quincy Jones, Eumir Deodato, George Martin, Steve Lillywhite e o polêmico Phil Spector. Hoje a função de produtor está entregue a DJs sem nenhuma formação musical, a maioria curiosos que abusam de computadores e outros brinquedinhos eletrônicos que dispensam a participação de músicos de verdade, até porque devem detestá-los.

Phil Spector, americano de Nova York, começou cedo, no tempo de Elvis e aos vinte e poucos anos já escrevia canções , arranjos e produzia sucessos em sequência. Grupos vocais como The Teddy Bears, The Ronnetes, Ben E King e tantos outros eram seus obedientes discípulos em troca de produções bem acabadas com lugares cativos nas paradas.Figura excêntrica e controversa, costumava trabalhar sozinho nas mixagens, distribuia esporros em qualquer um e não raro aparecia nas sessões fantasiado de cowboy, médico, gari e até tiros em paredes e vidros dos estúdios ele cometia. Mesmo assim era requisitado por artistas da moda e dos mais variados estilos (jazz,rock,blues,soul e country) graças também a marca que imprimia aos seus arranjos  que ficou conhecida como “THE WALL OF SOUNDS” (algo como “muralha ou muro de sons”). Na verdade Phil foi influenciado pela música de Wagner e sua divina grandiloquência e costumava usar de um tudo. Cordas, metais, palhetas e coros vocais preenchendo os espaços vazios ou nem tanto mas com uma sabedoria e sensibilidade imensas. Não deixava nada sobrar ou embolar a canção , pois na mixagem distribuia aquele turbilhão de sons de forma sutil e exata.

Foi nessa fase que passaram uma batata quentíssima às mãos de Spector.Os Beatles resolveram fazer um filme e disco tipo “volta às raizes” criando e executando as músicas com a formação básica, sem truques de estúdio (dobrar vozes,acrescentar outros instrumentos etc) convocando inclusive o tecladista Billy Preston para ajudar no projeto. Mas depois de muita grana , tempo, brigas jogadas no ralo (além dos pitacos de Yoko) resolveram deixar a idéia de molho, chamaram o George Martin e foram gravar seu mais belo e último disco cujo lançamento e estrondoso sucesso culminou com a separação da banda. Mas antes tinham de resolver um pequeno problema. O filme estava sendo concluido e seria necessário lançar o disco com a trilha sonora e George Martin não queria nem ouvir falar de LET IT BE. O jovem produtor Glyn Johns assumiu mas depois de 2 tentativas desaprovadas pelos Beatles, desistiu. Então Lennon convenceu George e Ringo a chamarem o Phil Spector e este aceitou (quem recusaria os caras naquele tempo ?) mas queria poder absoluto. Os 3 beatles aceitaram, até porque já estavam cuidando de suas vidas mas ficou claro que o disco além das canções teria vinhetas, papos e ambientações para se ajustar ao filme.

Para quem tinha à disposição um material tão tosco e inacabado, Spector fez um tremendo trabalho embora muitos “entendidos” ainda hoje o reneguem, criticando obviamente o “Wall of Sounds” do produtor. Tolice boçal. Com muita competência Phil Spector lapidou com seus arranjos 4 diamantes brutos: The Long and Winding Road, Across The Universe, Let It Be e I Me Mine. Aproveitou outras 4 performances impecaveis do Concerto No Teto fazendo  mixagens perfeitas para I’ve Got A Feeling, One After 909, Dig A Pony e Get Back
usou 2 versões de estúdio ótimas (For You Blue e Two Of Us) e  sem abusar, falas e  vinhetas (Dig It e Maggie Mae). O disco ganhou uma sonoridade única e tremendamente agradável.

Quando Paul recebeu sua cópia ficou P… com o coro feminino de The Long And Winding Road e pediu para retirá-lo mas por obra de Klein (o empressário da discórdia) o album já estava nas lojas e serviu de pretexto para McCartney chutar o balde. Phil Spector ficou bastante decepcionado com Paul , magoado até hoje. Sob efeito de drogas e álcool Phil Spector foi acusado de matar uma atriz em sua mansão em 2003, com um tiro. Apesar de jurar inocência foi condenado e cumpre pena de 19 anos na cadeia. Certamente não suporta nem ouvir falar de Paul McCartney e por isso mesmo ainda não se deu conta de que em seus shows, Macca costuma executar LET IT BE e THE LONG AND WINDING ROAD exatamente como Phill as produziu. E com direito ao WALL OF SOUNDS.

PS: Phil Spector foi o produtor dos albuns de LENNON: Plastic Ono Band, Imagine, Sometime In New York City, Walls and Bridges e parte do Rock and Roll. Produziu também os albuns ALL THINGS MUST PASS e THE CONCERT FOR BANGLA-DESH de HARRISON.

Aí vai o meu agradecimento a todos que comentaram/poetizaram com os seus belos e grandiosos corações sobre o post abaixo. Este poemito ficou grande pela luz de vocês e nela tenho bebido comentário por comentário tantas vezes quando eu pude com o tempo que escorre pelas mãos. E não poderia ser senão com Marisa Monte e Gentileza para agradecer a todos vocês. No coração para sempre. Obrigado.

PS – Gabriela sorriu, iluminou o quarto e saiu. O Pai também agradece o carinho de todos com ela. Tanto amor. Tantas bençãos. Que família grande. Obrigado.

Espero que não vejam a métrica, a rima, o compasso, os versos, a lógica. É um poema simplesmente, ou melhor um poemito. Feito com um coração descompassado de pai. A crítica literária talvez virasse o nariz, mas os corações dos pais acho que não. Gabi me deu um beijo na testa e disse: Obrigado pai. Preciso dizer mais o quê?

Para minha filha Gabriela:

O coração do Pai

nasce

quando outro coração

começa a bater

desde pequenino,

na barriga,

da mulher

amada.

O coração do Pai

às vezes é brabo,

ruge,

range,

não dialoga.

É posse,

é extravio,

é encontro,

é descaminho.

O coração do Pai

não tem descanso.

É alvoroço,

é alegria,

com a alegria

dos pés que caminham

descobrindo o mundo.

O coração do mundo

se encanta

quando a menina

se faz mulher.

E o coração do Pai

se cala.

A sua voz agora é ausente,

o coração da FILHA

descobre outro coração

e só por ele a sua vida tem sentido.

Essa é a verdade,

posta sobre a mesa.

De nada adianta

impedir a roda do tempo

e a ceifadeira

que a todos vai pegando neste campos

do Senhor.

O coração da FILHA

é senhora do seu destino.

Que o seu AMOR

possa abrigar esse imenso vazio e povoar o céu.

Seu pai. Domingos Sávio


PS – Esse poema homenageia por tabela todos os pais extraordinários que leem ou leram o  Fusca: Edgar Mattos, André Gustavo, João Carlos, Felipe Holder, Osvaldo Soares, Roberto Vieira, Emmanuel Júnior, meus irmãos, Tadeu Rocha, Carlos Maia, quem mais meu Deus? Todos. E em especial a um cara que além de irmão é um Tio/Pai especial de luxo e que com certeza, abençoada será a sua prole: Arsênio Meira Filho. O nosso querido mano Arsênio. Que sabe e entende o coração do velho Dom Mingão neste momento, neste ano de 2011. E estamos juntos brother. Todos nós. Amém. E vivam as mães, ora pois, porque senão eu tô frito!

 

Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada.

Albert Einstein

 

 

O cara que poetiza com música, vídeos, muita imagem, muito som. Enfim o Youtube é a sua cara. Ele traz alegria, bondade , amizade.Tudo com a mais brancura das almas, um coração de menino, do tamanho do coração do seu filho Felipe. Para o Pai e para o Filho.

PS – Faiô.
PS II – Agora é só esperar que o homi vem com uma enxurrada de belos vídeos. O nosso Leminskitubeano.

A mão do coração…

Publicado: 06/02/2011 em Poesia

 

Quando eu volto da minha caminhada diária (já estão de saco cheio de falar dela né?) eu percebo cinco coisas:

1) Dediquei 01 hora só prá mim, cuidar da saúde e higienizar o cabeção.

2) Deixo a cabeça esfriar e lá pela terceira volta vou começando a me harmonizar com o ambiente em volta que é prá lá de legal.

3) Escuto retalhos de histórias e embora não faça conexão com nada, algumas são até compreensíveis, resultaram até num post, mas me faz muito mais pertencente a raça humana. Me sinto incluído na minha humanidade.

4) Saboreio ao final , o cérebro agradecendo e mandando endorfinas e outros neurotransmissores de nomes incríveis tais como: serotonina e cia ltda.

5) Tenho a sensação de estar habitando um corpo que pouco a pouco vai ganhando vida e isso ajuda na escolha da alimentação e no cuidado com a mão que de vez em quando ainda amanhece doendo e preciso cuidar dela com carinho.

Enfim são cinco pilares que escrevi numa rede social:

Ancoro a minha vida em:

1) Trabalho. 2) Amor. 3) Exercício físico. 4) Autoconhecimento. 5) Alimentação=cuidado.

Bom é simples. Não tem segredo. A vida é muito difícil com o que a gente já tem que suportar e não pode mudar.

Por isso agradeço ao mano Arsênio que sempre ao se referir a mim em elogios, nunca esquece o bordão: “às vezes áspero”. Sim meu amigo e irmão. Áspero. Faz parte de mim. E creio que até a minha morte terei esse lado que aprendi a aceitar. Nunca serei sempre doçura, ternura e veludo. O lado áspero me permite conviver com a minha sombra e em paz. Que a minha aspereza não seja nem sinal de fraqueza nem motivo de afastar as pessoas que amo. Mas ser áspero para mim faz parte da minhas poucas virtudes. Espero ter me feito entender. Fui áspero?

PS – Porque há o direito ao grito.
então eu grito.

Clarice Lispector

PS II – AS INDAGAÇÕES
A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.

Mário Quintana

A Domingueira.

Publicado: 06/02/2011 em Poesia

Gostaria de estar postando aqui o vídeo da vitória Timbú em homenagem a todos os alvirrubros e em especial a André Gustavo com os seus vídeos espetaculares.

Mas Caruaru é terra cruel, principalmente para alvirrubros e tricolores e uma mãe para os rubro-negros. Vai entender essa lógica.

Hoje é dia dos tricolores com direito a bolo. Ponto. Futebol para por aqui.

Lusco-fusco já passou, buzinas no bairro/cidade inteira e hora de ir para a Jaqueira.

Hora de agradecer. Hoje o músico lá em João Pessoa deve ter feito sua apresentação de número 3.736 (ontem a família toda = 40 pessoas,assistiu a de número 3.735).

Ravel e o seu bolero e depois uma violinista.

Um por do sol de luxo. Coisa de cinema.

Nada se repente e até a Filosofia se lasca: não, a repetição não é o pior dos fardos, pois a natureza detesta a repetição.A vida é uma dádiva. Aqui chegamos e por isso devemos simplesmente agradecer por aqui estar. Cada um e sua jornada.

Cada caminhar é diferente…

Cada dia por mais igual, chato , desconfortável e repetitivo, se prestarmos bem atenção, mas muita atenção mesmo, veremos que foi único e irrepreensivelmente raro. E nunca mais entraremos no mesmo rio. Ninguém entra.

E assim partindo para minha conversa com a maravilha chamada Jaqueira, deixo aqui para você amigo navegante, um raro raríssimo vídeo. Parece que foi ontem e foi mesmo: