Arquivo de janeiro, 2011

29 de Janeiro de 1990. A esta mesma hora, quando raiava o dia, minha mãe levitava.

São 21 anos que não passam nunca. Como uma escada rolante defeituosa que me leva prá frente e prá trás.

São três netos que não puderam olhar nos olhos de uma avó amorosa, cuidadosa e que sabia tratar genros e noras como filhos.

Sábado foi silêncio por várias razões entre as quais essa razão.

Como sempre, nós os irmãos, fazemos contato com essa dor e nos falamos. E comentamos qualquer assunto. Estamos vivos e de pé na vida e devemos muito a ela.

21 anos em silêncio tocando a vida que não para. De nenhuma maneira, não importa o tamanho da nossa saudade, do buraco no peito , do eterno aleijão no coração.

Os nossos queridos e amados que nos deixam, em verdade, estão aqui. Sempre estarão.

É só olhar em volta que vejo a presença dela em várias pessoas. A cidade respira lusitanamente a sua poesia.

Hoje ela comentaria sobre o jogo, como estão os meninos, a nora/filha que ela conheceu e logo viu que o seu caçula havia parado de fazer escolhas erradas. Sim. Hoje ela seria bem vinda no café da manhã na minha casa, na casa de qualquer filho.

Partiu cedo. 64 anos. Quanto mais aniversários da sua ida, mais próximo se anuncia o reencontro. Na verdade o tempo é desconcertante. Quanto mais estamos inquietos, quanto mais tumultuada está a nossa vida, sempre se apresenta o silêncio como a oração que nos faz mais próximos de Deus. 

PS – Mãe, muito obrigado por você não ter desistido de mim.

 

Meu brother, ou broda como você carinhosamente me chama.

Hoje, por motivos que nós amigos sabemos, eu me arvorei e tive a ousadia de adiar para o próximo sábado a sua extraordinária coluna SÁBADO SOM.

Você sabe os motivos. Uma coisa não invalida a outra.

O momento é de contrição. Não que a beleza das suas palavras, a riqueza dos seus comentários e o vasto conhecimento de música, músicos, cenas, cenários, letras, melodias que você tem e tem muito mesmo, não seja oportuno nessa hora.

É que me foi pedido. E pedidos de coração a coração formam essa corrente que mantém desde este simples, singelo e lascado Fusca vivo e cheio de amor, até o mais sagrado e nobre dos nossos tesouros que são as nossas famílias.

O tempo é de pura esperança. A mais pura que se possa ter quando se tem o sentimento da amizade.

E fico por aqui, porque na verdade nossas vidas são um átimo. E essa palavra retirada do seu comentário sobre a Banda Nau foi o mote para que eu escrevesse essas mal traçadas… Somos nada. Nada somos.

No entanto… Fernando Pessoa nos legou: cabem todos os sonhos do mundo dentro da gente.

1985. Banda Nau. Voz: Vange Leonel.

Publicado: 28/01/2011 em Poesia

A Banda que lançou um disco apenas. Mas que som.

Augusto dos Anjos. “Idéia”.

Publicado: 27/01/2011 em Poesia

De onde ela vem?! De que matéria bruta

Vem essa luz que sobre as nebulosas

Cai de incógnitas criptas misteriosas

Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta

Do feixe de moléculas nervosas,

Que, em desintegrações maravilhosas,

Delibera, e depois, quer e executa!

 

Vem do encéfalo absconso que a constringe,

Chega em seguida às cordas da laringe,

Tísica, tênue, mínima, raquítica…

 

Quebra a força centrípeta que a amarra,

Mas, de repente, e quase morta, esbarra

No mulambo da língua paralítica.

 

 

A Musa de Fellini.

Publicado: 27/01/2011 em Poesia

Não existe fim,não existe inicio,apenas a infinita paixão da vida

Federico Fellini

1980. Outro ano que ainda nem começou que dirá acabou.

Ano que deu uma safra de sobrinhos e sobrinhas na minha família que benza Deus.

Hoje todos vivos , saudáveis, de pé na vida. Que bom.

Montreaux com o violão de Robertinho, a voz de Gal, nossos meninos correndo, o tempo correndo também, a cidade era Recife. Recife era azul. Eu lembro.

Tempo de Ivinho com o violão com um buraco sendo ouvido na platéia por Macca, ninguém menos. Ivinho que desembarcou na Village sem um tostão no bolso, lascado me pedindo uma lapada de cana. Nunca esqueci desse dia. Nâo achei o vídeo.

Foi dia…

Saudade.

Publicado: 23/01/2011 em Poesia

PS – Para Fazer um Soneto

Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
e espere um instante ocasional
neste curto intervalo Deus prepara
e lhe oferta a palavra inicial
Ai, adote uma atitude avara
se você preferir a cor local
não use mais que o sol da sua cara
e um pedaço de fundo de quintal

Se não procure o cinza e esta vagueza
das lembranças da infância, e não se apresse
antes, deixe levá-lo a correnteza

Mas ao chegar ao ponto em que se tece
dentro da escuridão a vã certeza
ponha tudo de lado e então comece.

Carlos Pena Filho

STEVIE WONDER

Nascido em Michigan em 1950, seu parto prematuro  (6 meses) causou-lhe a perda da visão.O nome científico da doença é mais complicado que escalar o time da Eslováquia em aramaico.Os pais se separaram e ele foi com a mãe e irmãos para Detroit onde aos 4 anos iniciou com raro talento seus estudos de piano,gaita,bateria e baixo. Pouco adiante alguém do grupo The Miracles apresentou-o ao chefão da,até hoje,gravadora dos maiores artistas negros dos EUA,Berry Gordon da Motown.Assim Little Stevie Wonder assinou seu primeiro contrato aos 11 anos.
Fizeram o garoto lançar 2 albuns quase simultâneos: O primeiro todo instrumental (The Jazz and Blues of Little Stevie Wonder) e o segundo com canções de Ray Charles (algo tipo Tribute to Uncle Ray) que não deram muito certo mas o moleque danou-se à compor para os artistas da Motown sempre acertando em cheio. E na década de 60, seus próprios discos começariam a sedimentar a criação do FUNK (o verdadeiro). Stevie Wonder foi ganhando as paradas com clássicos como Uptight,My Cherie Amour,Yester-me Yester-You Yesterday e For Once In My Life. Canções de primeira categoria mas que carregavam ainda o estilo,a cara e até “aquele” ranço sonoro (cordas,timbres etc) característicos da Motown. O melhor ainda estava por vir.

Quando completou seus 20 anos Wonder casou-se com a também cantora e compositora Syreeta Wright ao mesmo tempo em que expirava seu contrato.Sabiamente nem falou em renovar.Antes produziu dois discaços com seu verdadeiro som.Pilotando pianos,sintetizadores e bateria além de convocar os músicos certos. Albuns que redefiniram a música negra.Wonder passseava por vários estilos que iam das baladas diferentes ao funkaço balançado passando pelo jazz,blues,folk e tudo mais. Embora não se parecesse com nada do som “black” de então,também não se parecia com o som branco.Era único mas universal. O “tampa” Gordon Berry ficou de quatro.Mas  Stevie Wonder exigiu liberdade criativa e controle total sobre sua música. AMÉLIA às avessas, as exigências e detalhes fizeram do novo contrato um calhamaço de 100 páginas.

WHERE I’M COME FROM foi lançado e emplacou de cara a bela “Never Dreamed You’d Leave In Summer” ,um album  perfeito.Ninguém sabia que Stevie vinha desenvolvendo uma parceria com os 2 criadores dos modernos sintetizadores (sinclavier,arp string e que tais) quando saiu o album TALKING BOOK com 3 clássicos: I BELIEVE,SUPERSTITION e… bem o rapaz estava em 1969 com shows pela Bolívia ou Colômbia (não sei ao certo) e do seu quarto não parava de ouvir um pessoal batucando no bar do hotel uma música com melodia e rítmo bem curiosos que expertamente cuidou de gravar.Eram brasileiros comemorando mais uma vitória nas Eliminatórias ao som de VOCÊ ABUSOU (A.Carlos e Jocafi). E tudo terminou em YOU ARE THE SUNSHINE OF MY LIFE.

O rapaz cruzava fronteiras, saia do gueto atingindo o paladar de vários povos e raças.Não foi sem um certo pé atrás que a Motown teve de ve-lo lançar 2 clássicos do rock branquelo ( idéia copiada pelo cast da gravadora) ou sejam BLOWIN’ IN THE WIND de Dylan e WE CAN WORK IT OUT “Deles”. Vieram então mais 3 discaços. MUSIC OF MY MIND,INNERVISIONS e FULFILLINGNESS’ FIRST FINALE.Todos,como os 2 anteriores imprescindíveis. Todos premiadíssimos com GRAMMYS e que tornaram Stevie Wonder e sua arte reconhecida,reverenciada e referência no mundo inteiro.Mas ainda viria mais e melhor.

Dois anos foram gastos na produção de SONGS IN THE KEY OF LIFE.Quando tudo parecia pronto e perfeito Stevie mudava de idéia e recomeçava  do zero deixando os executivos da Motown se descabelarem mas…caladinhos.Por força contratual tiveram de lançar o album tal qual quis Stevie:  2 LPs mais um Compacto Duplo tudo devidamente embalado e lacrado.E,naturalmente,MUITO CARO! Mas não é que o disco vendeu mais que os outros ? Estourou nas paradas,encheu os cofres da gravadora e a crítica o aclamou como o “Sgt.Pepper da música negra”.
E vocês sabiam que este album venceu a TV GLOBO naquela época ? Pois bem.A mamãe Plim-Plim estreava uma novela e nos anúncios já aparecia a canção INS’T SHE LOVELY. Com sua velha arrogância a “poderosa” foi pedir as autorizações para que esta canção tocasse na novela e constasse no disco da Som Livre com a trilha.A Motowm deu OK para a novela mas “necas” de sair na trilha.A generalíssima Globo retirou a canção do ar e apostou em seu fracasso sem sua benção folhetinesca.SONGS IN THE KEY ganhou disco de Ouro,estourou nas rádios,boates,luzes vermelhas,elevadores,consultórios de dentistas e ainda hoje ai de quem não toca-la num “revival” dos 70’s.

Que me perdoem Michael Jackson,Marvin Gaye,Diana Ross,Quincy Jones,James Brown e tantos outros gênios da black music,mas O CARA chama-se STEVIE WONDER. Que continua na ativa. Gravando e colaboando com outros colegas. Que o digam Sting,Bono,Phil Collins,McCartney… Seu último CD, A TIME TO LOVE não me deixa mentir.E desde 1976 que aquele refrão continua na moda: LOVE’S IN NEED OF LOVE TODAY. Pois é…de Little Stevie Wonder a STEVIE the WONDER.

 

PS – Faltam chegar os outros vídeos, na previsão de Mr. John , o diretor de som do Fusca André Gustavo Youtube chega já por aqui com uma tuia deles e dos bons.

PS II – Enquanto isso Sabiá, enxerido, lembra de um grande amor na vida dele. Eita Sabiá romantico. Vamos lá, nos assustados da época era assim no gogó gugú, obrigado John:

 

É isso aí garoto. SUCESSO TOTAL E ABSOLUTO. Você merece !!!

Toda a família Fusca está com você neste momento especial.

PS – Gabriela manda saudações alvirrubras e felicitações pela sua conquista. Esse ano que é o ano a vera (em 2010 ela fez por experiência), ela vai acumulando uma quantidade muito grande de lições. Muitas ainda não aprendidas como as trapalhadas do Mec. Mas a vida é lição constante já legava meu pai. Então mais uma vez: PARABÉNS HOULDINE.

E vou ver o timbúzinho que agoniza mas não morre enfrentar o… quem mesmo?

E o auxílio luxuoso de Egberto Gismonti (Bachianas – Villa Lobos).

SONETO DO DESMANTELO AZUL

Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas,

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.

Como a POESIA nos liberta…

Publicado: 20/01/2011 em Poesia

Quando a gente não pode com a roda do tempo,

quando a vida nos soterra,

quando nos levantamos seguidas vezes,

quando o tempo não é nem ontem nem hoje nem amanhã, é dor

e dor é atemporal,

quando a nossa bile escorre do fígado e desvia da boca para não ferirmos ninguém,

quando a arte da gentileza vai chegando e se instalando em nosso coração,

quando o tempo é de abraços, beijos e carinhos,

entre irmãos, amigos, filhos e conjuges,

quando não lutamos mais contra a injustiça do mundo,

quando a injustiça do mundo não mais nos mantém reféns,

é porque fizemos as pazes com a poesia.

É nesta hora grandiosa, que o sol nasce dentro das nossas retinas.

É nesta hora que Drummond se junta a todos os grandes poetas de todos os tempos num círculo mágico unindo céu e terra.

É quando o ideograma chinês que significa “Perigo” pode ser lido como ameaça ou oportunidade.

É quando as grandes almas vão iluminando o caminho.

E mais não digo. Só vou contando as bençãos, num rosário infinito.

Amém.

 

PS – Dedicado a todos que cruzaram meu caminho até hoje. Como me legou dona Celeste, meu filho, que ninguém passe em vão ao vosso lado.

POEMA DO DIA:

TESTAMENTO DO HOMEM SENSATO

Quando eu morrer, não faças disparates
nem fiques a pensar: Ele era assim…
Mas senta-te num banco de jardim,
calmamente comendo chocolates.

Aceita o que te deixo, o quase nada
destas palavras que te digo aqui:
Foi mais que longa a vida que eu vivi,
para ser em lembranças prolongada.

Porém, se um dia, só, na tarde em queda,
surgir uma lembrança desgarrada,
ave que nasce e em vôo se arremeda,

deixa-a pousar em teu silêncio, leve
como se apenas fosse imaginada,
como uma luz, mais que distante, breve.

Carlos Pena Filho

Valeu a pena visitar a Mostra.

Uma pequena vantagem de trabalhar no Recife Antigo sempre Novo.

Melhor ainda adquirir o livro.

Livro que vai (já é presente) para o mano querido Arsênio.

O mais alvirrubro de todos os rubro-negros que conheço. No que essa frase pode ser entendida, como a possibilidade de civilidade entre dois clubes de rivalidade centenária e suas torcidas.

Pela possibilidade da paz. Da aceitação das diferenças.

E vamos ao que interessa.

Carlos Pena Filho:

SONETO

“O quanto perco em luz conquisto em sombra.

E é de recusa ao sol que me sustento,

Às estrelas, prefiro o que se esconde

nos crepúsculos graves dos conventos.

Humildemente envolvo-me na sombra

que veste, à noite, os cegos monumentos

isolados nas prças esquecidas

e vazios de luz e movimento.

Não sei se entendes: em teus olhos nasce

a noite côncava e profunda, enquanto

clara manhã revive em tua face.

Daí amar teus olhos mais que o corpo

com esse escuro e amargo desespero

com que haverei de amar depois de morto. 

PS ESPECIAL DE LUXO: GUIA PRÁTICO DA CIDADE DO RECIFE

No ponto onde o mar se extingue

e as areias se levantam

cavaram seus alicerces

na surda sombra da terra

e levantaram seus muros

do frio sono das pedras.

Depois armaram seus flancos:

trinta bandeiras azuis

plantadas no litoral.

Hoje, serena, flutua,

 metade roubada ao mar,

metade à imaginação,

pois é dos sonho dos homens

que uma cidade se inventa.

PS – Ainda há o excelente livro de Tereza Costa Rêgo. No toitiço.

PS III – Mano João Carlos, farei questão de lhe entregar em mãos o novo livro com a biografia de Sir John Lennon. Mas vou aí com Arsênio desentocar você e vamos comer uma mão de vaca no sarapatel de seu Zito aí pertinho em Prazeres. Prepare o figo.

POSTADO ÀS 16:02 EM 17 DE Janeiro DE 2011

 

Por Domingos Sávio Maia de Sousa

O Náutico poderia ser um clube grande. Mas não é.

Não faltam torcida, sócios, ex-sócios, amantes das cores vermelho e branca.

Não falta quem esteja disposto a colaborar e o CT é prova disso.

Mas tanto os frutos do CT quanto os frutos em campo, mostram que não há sintonia em quem vem dirigindo o clube ( principalmente dos anos 90 até hoje), com os anseios da torcida e dos colaboradores.

Há grandes alvirrubros e Conselheiros , que lutam pela reforma do Estatuto do Clube, pelo voto direto, pela transparência nas prestações das contas, por um planejamento e um gerenciamento digno da tradição de um clube prestes a completar 110 anos de vida. Pois o Náutico merece ser grande.

Se dependesse apenas desses grandes colaboradores, Conselheiros  e da torcida…

Mas não é . Vejamos o que 2011 prenuncia:

Mais uma vez se unem todos os que estavam afastados com um único objetivo: evitar o Hexa do Sport, como já foi feito em 2001 e em 1974 com o Santa Cruz.

É pensar muito pequeno.

É desejar perpetuar uma glória que passou, é nossa, tem grande valor, mas não podemos viver apenas dela. Sua natureza é transitória como toda as conquistas.

Ganhar mais títulos, ganhar expressão nacional, isso é administrar um clube sem projetos personalistas. Pensar na sua torcida. Pensar nas gerações perdidas que simplesmente não viam futuro no clube. E resultados são o grande atrativo para que a juventude renove o quadro de torcedores.

O Náutico merece e pode ganhar títulos nacionais. Entrar definitivamente no rol dos grandes clubes, com grandes patrocinadores, com um planejamento decente, onde não se fique um ano inteiro sem patrocinador master e se consiga um patrocínio-tampão por apenas dois meses.

Chega de amadorismo.

Nâo se faz futebol por improviso, num mundo onde os jogadores e seus procuradores sabem valorizar seus talentos e convivem muito bem com um mercado extremamente inflacionado.

Vejamos o exemplo do Internacional: Do ano de 2002 até hoje , conseguiu dez vezes mais sócios, foi campeão mundial e tem uma sólida estrutura financeira. Possui um excelente estádio , uma política de geração de novos craques que gera receitas e evidencia que aqueles que trabalham pelo clube o fazem de forma exemplar, transparente.

O Hexa se tornou uma maldição pelo uso indevido de políticos, dirigentes com pouca ou nenhuma visão e principalmente aqueles que não tendo alcançado sucesso profissional , fazem do clube um meio de vida.

O Náutico não merece essa distorção administrativa. Essa aberração.

Várias gerações que vieram depois do Hexa simplesmente deixaram de seguir seus pais e demais familiares porque o Náutico entrou num limbo, numa decadência que culminou com a humilhante queda para a série C. Depois de um breve recomeço em 2001, onde se parecia que os velhos erros não se repeteriam, novos erros foram praticados em quantidade absurda.

Caminhões de jogadores, ano após ano, foram sendo contratados de forma amadora, gerando um passivo trabalhista expressivo e nenhuma conquista dentro de campo.

Fora de campo o abandono da torcida, dos sócios, dos alvirrubros tidos como beneméritos. Enfim todos se afastaram ficando apenas aqueles que queriam governar sozinhos.

Vide a desastrosa gestão do sr. Maurício Cardozo. Prova de que em uma eleição direta, os sócios não cometeriam um erro dessa magnitude.

No ano em que o ano teve sua maior receita, as trapalhadas foram tantas que o prêmio não poderia ser outro: o rebaixamento a série B e mais dívidas trabalhistas, contas rejeitadas pelo Conselho e uma situação muito difícil para o seu sucessor.

Hoje o Náutico conta com o retorno dos beneméritos , uma aparente união no Conselho Deliberativo, a torcida empolgada (vide o retorno das camisas vistas pelas ruas da cidade), um leve retorno dos sócios (falta uma campanha melhor) , uma esperança que se renova mais uma vez.

Só não gostaria que o título dessa minha singela crônica fosse apenas uma alegoria sem sentido. Que o Hexa não seja a ilusão de que vamos sair do limbo e quando se vê, passado o campeonato pernambucano, tudo volte a pequenez de antes e mais uma vez o afastamento de todos que amam o Clube Náutico Capibaribe.

Que o futuro seja construído a partir de 2011 com um projeto de longo prazo, onde a sustentabilidade do Náutico seja o foco dessa e das futuras gestões.

Só assim o Hexa de 1968 entrará para a História e descansará no lugar merecido.

Nota: O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Torcedor.

PS – Em defesa do modelo de gestão que nos deu 7 (sete) títulos em 42 anos, um rebaixamento a série C, um humilhante e retumbante desastre em 2005, a série B quando mais TIVEMOS DINHEIRO , apareceu o contraponto através de um alvirrubro, oficial de marinha e mba em alguma coisa. O cara é foda. Gosta mais do Náutico do que qualquer um que eu conheça. Apenas o caminho que ele aponta é diferente do que temos aqui como senso comum. Democracia é isto: é o meu contra o teu. Fico com a minha opinião e temo pelo futuro do Clube Náutico Capibaribe. O leilão do estádio é favas contadas, da mesma forma que se foram o Caça e Pesca, o Country e outras cositas más. A nave desgovernada segue e eu do meu canto espero que estas pedras saiam do caminho… Drummond nos salve. Amém.

PS II – A ocasião faz o roubo, o ladrão já nasce pronto.

Olavo bilac

 

“O Náutico quer ser grande.”

Esse título já havia utilizado em um artigo publicado aqui mesmo e no Blog do Roberto. Mas o conteúdo é novo, é outro, o assunto é a união que acontece toda vez que o Hexa é ameaçado. Surgem apoios de todos os lados. Impressionante.

Aproveitando a deixa do amigo Lucas do blog “d.e.s.a.t.u.a.l.i.d.a.d.e.s.”, lanço o link para que vocês, na medida do possível passem uma vista, um zóiada, no toitiço:

http://jc3.uol.com.br/blogs/blogdotorcedor/canais/

/vozdotorcedor/2011/01/17/o_nautico_quer_ser_grande_89378.php

Logo agora que o Fusca vem recebendo o extraordinário auxílio dos Mestres, eu resolvi destravar um artigo e mandar para o Marcelo Cavalcante, editor daquele Blog. Estava na verdade pronto no meu quengo. Saiu de uma vez. Não é um desabafo qualquer. É a minha humilde opinião, eivada de esperanças para um futuro melhor, muito melhor para o Clube Náutico Capibaribe. Apenas isso. Nada mais.

Janelle Monáe.

Publicado: 17/01/2011 em Poesia

OS NOVOS BAIANOS

Ficou na memória.Eu estava indo pro Juju (sim, o Juracy Palhano ) à noite e meio atrasado peguei um táxi quando do rádio saiu aquela voz empostada “Tamandaré Maxi-Música…O Sucesso do Momento”.

Um violão cristalino começou aquela bela sequência de 2 acordes (acho que era D/F# – G/B) dissonantes e uma voz dferente.A música foi crescendo,crescendo enquanto entravam bandolim,violão aço,baixo,bongô,bateria e aquele côro animado e harmônico.Bonito,terno e diferente.

Eu estava ouvindo Preta Pretinha e os Novos Baianos pela primeira vez.Eu escrevi os acordes entre parênteses,não por boçalidade mas porque Preta Pretinha desde então virou o Hino Nacional do Barzinho, tão desgastada quanto tocada “sempre” de forma errada.Com acordes simples,primários. E chega a ser uma heresia o que se fazia (faz-se e fará) com uma toada tão bonita e despretenciosa,cujo fã número UM era ninguém menos  que João Gilberto.

Havia então uma certa estagnação na MPB. O fim dos Festivais, artistas exilados por convite ou por iniciativa própria, tudo em nome da Redentora.Nesse ambiente  os Novos Baianos foram um vendaval de vida,alegria e beleza.O estilo ? Todos e nenhum. A banda condensava e revigorava samba,toada,baião,jazz,latinidades,rock e mais apenas tudo.A voz coloquial,malandra e gostosa de Paulinho Bôca ou a anasalada e bela cantoria de Moraes. Baby Consuelo era para mim uma adolescente loirinha de Ipanema com a rouquidão perfeita,sexy e manhosa.Os instrumentistas então… basta dizer que hoje em dia todos (eu disse todos) fazem parte da elite da classe.

Outro caso à parte eram as letras de Galvão.Originais,às vezes rebuscadas e outras maravilhosamente óbvias.Particularmente eu adoro aquelas tiradas: “igual ao ôvo e a galinha/me diga lá/quem nasceu primeiro/foi a flor ou a mulher ?” – “minha carne é de carnaval/o meu coração é igual”. – “Adão não se vestiu/porque Adão não tinha sogro”. “Se eu não estivesse com aftas/até faria/uma serenata prá ela/que veio cair e morar/em cima da minha janela”. – Tem uma canção lindíssima cujo tema é bem incomum.Narra uma “pelada” no interior entre garotos e um deles,ao correr prá apanhar a bola, é atropelado e morre.Legal né ? Pois então ouçam.A canção não tem nada de triste nem melancólica e,ao contrário,a idéia serve prá exaltar a brasilidade no futebol,na conclusão: “… e o menino/deixa a vida pela bola.Só se não for brasileiro/nessa hora!”.

Os Novos Baianos não produziram um só disco bom. Só lançaram clássicos.Discoteca básica e fundamental.Eu que,acreditem,já fui menos liso do que hoje e tinha de comprar aos poucos,segui a seguinte ordem: NOVOS BAIANOS F.C., ACABOU CHORARE e FAROL DA BARRA.

Corram e vão comprar (ou baixar) os seus antes que acabem, sumam na poeira da breguice da atual MPB.E não adianta chorare.

… segue a sina de Jim Morrison, Sid Vicious, Kurt Cobain, Cazuza e cia ltda. Muita, mas muita doideira mesmo. O brinde que foram os cantores que abriram o show ,terminaram sendo o prêmio da noite. Anotem esse nome aí: Janele Monáe. Essa moça canta muito moçada. E profissa total. Pense num show arretado.

Ficou um gostinho de quero mais. E como sei que foi a única oportunidade. Primeira e última de ver Amy Winewhiskyvodcacanahouse estou satisfeito. Muitos amigos, Daniel do meu lado e Ana e Gabi, foi no toitiço. Me senti um coroa privilegiado com tanta gente jovem, bonita e elegante. Quando ao Pavilhão do Centro de Convenções, ali não é e nunca vai ser lugar para se fazer show. É lugar de se fazer feira…

E Valerie é uma bela música. Pena que o vídeo não pode ser incorporado mas deixo o link , pois é voz e violão (de aço, folk, qual será mister John?) arretado. Amy desgrenhada, chapada, na intimidade, mas com um vozeirão do cacete. Divas são assim mesmo. É muito dom prá pouco juízo. Falta orientação a essa moça como bem nos lembrou João Carlos em outro post. Acho que ela vai arribar rapidinho.

Tomara que não. Mas não tem Rehab que aguente…



PS – Está tudo certo de dia me mantenho ocupado. Compromissado o suficiente pra não ter que me perguntar onde ele está. Fiquei tão cansado de chorar . Então ultimamente quando me pego assim eu viro o jogo. Me levanto, limpo a casa, pelo menos não estou bebendo. Ando por aí então não preciso pensar em pensar.!!

(amy winehouse Paul O’Duffy ) W. S.

PS II – ÓIA.

PS III – ESPIA:

Mas Beatles… Forever

Ontem no velho e ainda experimental rolê na Jaqueira comprei a revista Continente.

É de lei. E Janeiro está aí, a revista tinindo com um especial de 10 anos.

E lá pelo meio no Profissões Ciclos vejo a matéria sobre o sr. João Carlos, proprietário de uma autentica , legítima loja de CDS. Nem Vinil, nem MP3.

João Carlos vende CDS dos bons. Desses que a gente pena prá achar, verifica no catálogo da Cultura ou da Saraiva e desiste pelo preço.

A loja é pequena, aparentemente. Os discos vão se acumulando e a loja pequena adentra por um corredor com uma montanha do chão até o teto, incluso belos DVDS de quebra.

Não resisti mesmo liso.

Saiu “Let it Be… NAKE”, de 2003, uma belezura, lacradinho pronto para ser saboreado.

Um Jaco Pastorius made in USA de 1976 preciosíssimo. Tava caro. Mas encarei.

E uma verdadeira jóia rara. Uma banda chamada “PESO”. O CD remasterizado em 2009 sobre o bolachão de 1975. Prefácio atual de Ezequiel Neves.

Lembrei do Pessoal do Ceará, mas essa rapaziada batia um bolão.

Fiquei envergonhado da memória privilegiada do João Carlos dos CDS.

E foi desfiando o final dos anos 60, passando pelos gloriosos bailes/assustados dos anos 1970. E como ele com o seu “moderno” Discman se isola no ônibus, ou nos mercados, onde gosta de tomar sua caninha e curtir a boa música se livrando do forrõ eletrônico a lá chimbinha e joelma.

Quem puder ir lá com tempo vai fazer um amigo e bater papo até fechar a loja.

É que ele mesmo se autodefine como um comerciante diferente. Vive daquilo, mas não se importa se você conversar o dia todo e não comprar nada.

Um dia você volta e faz a festa.

Eu quase fiz. Mas saí feliz prá caramba.

Quem sabe a família Fusca não dá uma chegada por lá?

Sim o endereço: Praça Machado de Assis, 66 – loja 139 – Boa Vista – por trás do Cinema São Luiz. O email: flowersrecordsbrazil@terra.com.br