Arquivo da categoria ‘Coluna de Houldine’

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Globo de Ouro divulga os indicados

O fim de ano chega e as grandes premiações começam a anunciar os filmes concorrentes. Na semana passada (13), o Globo de Ouro divulgou os indicados da 70ª edição, que acontece em 13 de janeiro. O prêmio é organizado pela Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood (HFPA) e se divide entre a TV e o Cinema. Dirigido por Steven Spielberg, o drama “Lincoln” tem sido bastante elogiado e larga na frente com sete indicações, incluindo filme-drama, diretor, ator (Daniel Day-Lewis) e atriz coadjuvante (Sally Field). Em seguida, nomeados em cinco categorias, estão empatados “Django Livre”, de Quentin Tarantino; e “Argo”, de Ben Affleck. Para filme estrangeiro, despontam “Amor”, de Michael Haneke, e “Intocáveis”, de Olivier Nakache e Eric Toledano. Também indicado à categoria está “Ferrugem e Osso”, de Jacques Audiard. O filme ainda garantiu nomeação de melhor atriz à Marion Cotillard. Alguns longas brasileiros tentaram entrar na disputa: “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça Filho; “Heleno”, de José Henrique Fonseca; e “Xingu”, de Cao Hamburger.
Oscar anuncia lista de semi-finalistas em filme estrangeiro

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles (AMPAS) divulgou, na última sexta-feira (21), uma lista com nove filmes pré-selecionados para a categoria filme estrangeiro do Oscar 2013. O representante do Brasil, “O Palhaço”, ficou no meio do caminho. O longa de Selton Mello chegou a ser exibido para os membros, em L.A. Entre os filmes que continuam lutando por uma das cinco vagas, estão o ganhador da Palma de Ouro 2012, “Amor”, de Michael Haneke; o chileno “No”, de Pablo Larraín, que trata dos bastidores do plebiscito que decidiu pela saída de Pinochet como Chefe de Estado; e o francês sucesso de público “Intocáveis”. O anúncio com os todos os nomeados sai no dia 10 de janeiro.
Confira lista com os nove filmes que permanecem na disputa:

“Amor”, de Michael Haneke (Áustria);
“War Witch”, de Kim Nguyen (Canadá);
“No”, de Pablo Larraín (Chile);
“O Amante da Rainha”, de Nikolaj Arcel (Dinamarca);
“Intocáveis”, de Olivier Nakache e Eric Toledano (França);
“The Deep”, de Baltasar Kormákur (Islândia);
“Kon-Tiki”, de Joachim Rønning e Espen Sandberg (Noruega);
“Além das Montanhas”, de Cristian Mungiu (Romênia);
“Sister”, de Ursula Meier (Suíça).

 

 

It’s only SCORSESE … BUT I LIKE IT !

joao carlos de mendonca
Por João Carlos de Mendonça.

O fato é que dia desses, conversando com o primo Sílvio Cavalcanti sobre o tema, ele me deu uns toques interessantíssimos sobre os documentários musicais produzidos e/ou dirigidos por MARTIN SCORCESE, inclusive detalhes que creio, a grande maioria dos fãs de rock e blues desconhece. Fiquei matutando sobre e… entrei em campo. Achei um bom material e constatei que conhecia 99% do conteúdo mas não lembrava das mãos de Scorsese neles. São filmes fundamentais , e acreditem, todos estão entre os melhores já produzidos.O cineasta evidentemente, revela-se um profundo conhecedor do rock. Alguém que certamente acompanha (e acompanhou de perto) toda a cena e que, como todos nós, tem suas preferências. Então tão !

WOODSTOCK (1969)
O festival mais icônico do rock, embora meio bagunçado, revelou ao mundo boa parte dos talentosos artistas que, à partir dali, ganhariam corações e mentes daquela e várias gerações. Destacando-se JOAN BAEZ, RITCHIE HAVENS, JOE COCKER, THE WHO, SANTANA e JIMI HENDRIX. Mais que os 3 discos lançados, foi o excelente filme o maior responsável pelo seu sucesso extraordinário. MARTIN SCORCESE não só trabalhou na montagem como atuou como assistente.

THE BAND: THE LAST WALTZ (1978)
Dirigido por nosso personagem, A ÚLTIMA VALSA documenta o show de despedida do grupo THE BAND de forma irretocável. Tanto que, para muitos, é o melhor filme no estilo. O brilhante conjunto que gravou e excursionou com BOB DYLAN, faz um balanço musical de seu melhor material com participações estelares: O próprio DYLAN, ERIC CLAPTON, VAN MORRISON, MUDDY WATERS e RINGO STARR, entre outros. Imperdível. Foi por esse filme que virei fã de carteirinha do THE BAND.

ERIC CLAPTON: NOTHING BUT THE BLUES (1995)
Diz-se, fala-se, comenta-se… mas ninguém viu! Ao menos oficialmente. Acontece que Scorsese montou uma biografia do mais celebrado guitarrista/cantor/compositor de sempre, recheado de depoimentos e performances ao vivo, especialmente do disco From The Cradle. Infelizmente esse não chegou às telas e ninguém sabe a razão. Também é impossível descobrir a origem das cópias piratas que rolam mundo afora. Deve ser, no mínimo, ótimo !

NO DIRECTION HOME: BOB DYLAN (2005)
Este documentário cobre o periodo inicial da carreira de DYLAN (1961/1966). Registra a chegada do bardo à Nova York (para conhecer seu guru, WOODY GUTHRIE). Seus primeiros sucessos, suas apresentações acústicas e a fase em que juntou-se ao THE BAND para eletrificar sua música, quando foi tachado como “traidor” pelos fãs folk-radicais. A verve afiada de Dylan, devidamente captada pelo diretor, é uma delícia! Bastante revelador e portanto, fundamental.

SHINE A LIGHT: THE ROLLING STONES (2008)
Muito mais que a filmagem de um show (na verdade foram dois), SCORSESE também dá um “show”, revelando pormenores, depoimentos do grupo lá “das antigas” e traços da personalidade dos 4 membros remanescentes da melhor banda de rock em atividade. Absolutamente caprichado, o filme exibe o conjunto como nunca antes. Seja na sonoridade, nas imagens. O repertório não poderia ser melhor, e as rugas não são disfarçadas… muito pelo contrário, revelam que quem tem história sabe o que sabe. As presenças decorativas de CHRISTINA AGUILERA e JACK WHITE (do White Stripes) não estragam nada mas BUDDY GUY faz diferença… e como ! A nota engraçada/curiosa é a presença do próprio Scorsese discutindo com a banda no início das filmagens e, na saída do palco, orientando (bem excitado) os câmeras ! Sorte dos Stones de terem um fã tão fã como o cineasta.

GEORGE HARRISON : LIVING IN THE MATERIAL WORLD (2011)
Sensacional e absolutamente completo. A personalidade do genial “beatle” GEORGE HARRISON é exposta com indisfarçáveis carinho , admiração e respeito. Começando pela infância em Liverpool, a paixão pelas guitarras, os ídolos,a amizade colegial com McCartney, a entrada nos Quarrymen de Lennon, a descoberta do sexo e da barra pesada de Hamburgo, a soberba carreira com os BEATLES, a carreira solo, os projetos paralelos, os amores, o filho único e a definitiva “levitação” do beatle mais amado. Tudo isso recheado por depoimentos mais que significativos e claro, música da melhor qualidade! O filme revela com competência o envolvimento de Harrison com a cultura indiana e como ele absorveu tudo aquilo. Genial !

Outro item essencial do envolvimento de Scorsese com a música é a coleção THE BLUES de 2003. Além de produzir todos os 7 episódios, para os quais ele convocou 6 colegas, ele mesmo dirigiu um deles. Biscoito finíssimo.

Agora entendo porque ele é reconhecido como “o maior cineasta americano vivo”. Já não bastasse sua obra genial na, digamos, filmografia “convencional”, o currículo musical de Martin Scorcese nos revela um brilhante, inventivo e com conhecimento de causa, roqueiro empedernido. Se você já assistiu alguns dos musicais acima, há de concordar comigo ! Yeah !

Os 70 anos de Martin Scorsese

Por Houldini Nascimento.

 

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Um dos maiores nomes do cinema americano, Martin Marcantonio Luciano Scorsese completará, no dia 17 de novembro, 70 anos. Para celebrar esse grande momento, preparamos um especial com a vida e a obra do diretor nova-iorquino.

Nascido no distrito de Queens e criado em Little Italy, lugar que serviu de inspiração para vários de seus filmes, Scorsese é uma figura querida no meio cinematográfico. Scorsese tem raízes fincadas na Itália (seus avós emigraram para os EUA). Não por acaso, traz muito do país europeu para os seus filmes. De baixa estatura, “Marty” – como é chamado carinhosamente – conta com obras de enorme valor em sua carreira.

Sua trajetória se confunde com a própria formação da Nova Hollywood, período em que os diretores foram peça-chave na indústria. Dos grandes nomes daquela geração, é o que continua a fazer bons filmes.

O destaque inicial se deu com “Caminhos Perigosos” (1973), primeiro trabalho com Robert De Niro e contando com a presença de Harvey Keitel, seu amigo de escola. O filme é colocado informalmente como o início da “Trilogia da Máfia”, abrindo caminho para “Os bons companheiros” e “Cassino”. Antes de ser aceito pela Warner, Mean Streets (título original) foi rejeitado pela Paramount, contrariando as expectativas.

Um ano depois, por indicação da protagonista Ellen Burstyn, dirigiu “Alice não mora mais aqui”. A atriz recebeu o Oscar por sua interpretação. A sua primeira obra-prima veio em 1976: Taxi Driver realizava uma abordagem dura das ruas de Nova Iorque, sob a visão do ex-combatente do Vietnã, Travis Bickle (De Niro). O longa foi agraciado com a Palma de Ouro, além de 4 nomeações ao Oscar. Há inclusive um monólogo impactante de um personagem feito pelo próprio diretor. A imponente trilha jazzística ficou por conta do lendário Bernard Herrmann.

Após os três sucessos, Scorsese partiu para um musical. O processo de feitura de New York, New York foi bastante conturbado, pois não havia um roteiro definido. Além disso, Martin sofria com o seu consumo desenfreado de drogas e as várias relações amorosas, incluindo o caso mantido com Liza Minnelli, estrela deste longa-metragem. Não em vão, o filme não obteve o êxito dos trabalhos anteriores.

Ele ficou magoado com a crítica. Somado a isso, tinha graves problemas de saúde. De Niro foi muito importante para sua recuperação. Por pouco nunca ouviríamos falar em “Touro Indomável” (1980). Mas o filme saiu, felizmente. A história trazia a vida do pugilista Jake La Motta, em uma primorosa fotografia em P&B. Robert De Niro venceu o Oscar de melhor ator e surgiu a primeira indicação para Scorsese na categoria direção. Martin acabou sendo derrotado por Robert Redford (“Gente como a gente”).

Ao longo da década de 80, mais trabalhos de bom nível: “O Rei da Comédia”, “Depois de Horas”, “A Cor do Dinheiro” e “A Última Tentação de Cristo” – católico fervoroso que é.

Em 1990, realiza o que é considerado um dos grandes filmes de máfia: “Os bons companheiros”. Novamente com a participação de seu ator favorito, De Niro, e Joe Pesci (“Touro Indomável”) é uma obra vigorosa, em que emprega toda energia em cada plano. The Goodfellas é colocado no mesmo patamar de “O Poderoso Chefão” e “Era uma vez na América”. Robert ainda apareceu em “Cabo do Medo”, remake do filme de 1962, transformando num thriller contínuo; e “Cassino”, trazendo a máfia de Las Vegas, durante a década de 70.

Mais perspectivas de sua cidade natal surgem com “A Época da Inocência”, ambientado no século 19, e “Gangues de Nova Iorque”, que trata da complicada formação da cidade, com a conflituosa imigração irlandesa. “Gangues…” marca o início de uma parceria entre Martin e o ator Leonardo DiCaprio, que se estendeu em “O Aviador”, biografia sobre o excêntrico magnata Howard Hughes; “Os Infiltrados”, refilmagem que garantiu uma tardia estatueta do Oscar para Scorsese, apenas na sexta nomeação; e “A Ilha do Medo”.

Recentemente, teve sua primeira experiência com o 3D ao realizar “A Invenção de Hugo Cabret”. Diferentemente de quase todos os filmes no formato, se vale de praticamente todos os recursos dessa tecnologia, além de executar uma belíssima homenagem ao início do cinema, em particular a Georges Méliès, um dos responsáveis pelo estabelecimento do cinema enquanto arte.

É interessante observar que foi preciso que cineastas consagrados fizessem uso da tecnologia para tirar bom proveito dela (Wim Wenders e Werner Herzog também foram bem-sucedidos em seus trabalhos com o 3D).

Scorsese também realizou bons documentários, muitos deles sobre músicos (como João bem abordou em seu texto). Ele tem alguns projetos encaminhados e o que chama mais atenção é uma biografia sobre Frank Sinatra, que deve ser lançada em 2014. Já no próximo ano, tem ao menos um filme para estrear: “O Lobo de Wall Street”, com DiCaprio no papel central.

Martin é cinéfilo de alto nível, além de “mecenas” da sétima arte (ele é o presidente da World Cinema Foundation, que tem como objetivo preservar filmes de regiões menos privilegiadas). O que impressiona é que, quanto mais o tempo passa, mais competente fica.

Festival
No 5º Janela Internacional de Cinema do Recife, que acontece desde o dia 9 e vai até o dia 18 deste mês, um clássico do diretor será exibido no São Luiz, próximo sábado (17), às 22h. É a grande oportunidade de ver “Taxi Driver” na tela