Arquivo da categoria ‘Domingos – Poemitos Atrevidos’

O Blog volta.

O fusca, no toitiço da requenguela da titela, o blog de Duda Brama.

Que ousou por uns tempos, deu caldo, foi lá , marcou alguns gols e só.

Um entre bilhões de blogs na blogosfera, mais um na multidão , que o auxílio é mais do que luxuoso da musa e do cara da jovem guarda aí embaixo.

Amigos passaram, amigos passarão e nós passarinhos de novo , outra vez e quanta água correu no riacho dos desesperados.

De 2009 a 2011 força máxima.

De 2012 marcha forçada. Em 2013 morte súbita.

Que na vida amigos vem e vão, porque de fato são poucos os amigos.

E a poesia não nos deixa na mão.

O ano finda e não poderia deixar de ser uma croniqueta de boteco, dessas que só sai na base

da água ardente, do caldinho e da cerveja, das conversas sem rumo, dos olhares e das horas e do nada absoluto.

Que a WordPress nos seja leve.

O fusca que já foi adesivado, terminou de longe assistindo a vitória do MOVIMENTO TRANSPARÊNCIA ALVIRRUBRA.

Para arrumar de vez o coração dos alvirrubros depois de 40 anos clamando no deserto.

Amém.

Akbar.

Hosana.

Oxalá.

Saravá.

PS – Eu e você, sem um centavo no bolso, podemos comprar o que a terra tem de melhor (Walt Whitman).

waltwhitman

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maquina

o papel e a fidelidade eram em branco e preto

não havia telas,

sons,

vídeos,

só a tinta mágica branca que corrigia…

o papel e a liberdade eram em branco e preto

não havia nada além

das imagens,

dos sonhos,

das janelas,

e as redes de pano eram o nosso vício…

o papel e a música das teclas eram em branco e preto

não havia nada além

da inspiração,

do coração

dos afetos e do álcool

das musas

e do cansaço

e eu não passava de um sonhador…

a máquina de escrever morreu em branco e preto

e hoje eu

ando preso numa rede social

longe da janela do poeta,

da cidade do poeta

da praça do poeta,

todos os créditos são para os nerds

inventores da alquimia desta era,

mas seu eu pudesse

agora mesmo,

trocar este teclado silencioso

pelo som do maracatu da velha máquina

eu voltava correndo,

para o colo da poesia.

quarteto souza

as gerações batendo bola

que a vida é ligeira

e o som requer coragem.

as gerações se encontrando

 nesta tarde

em Piedade.

logo ali

que do Rosarinho

se fez um pulo.

eu, meu filho, meu irmão ,o filho dele e o neto.

estamos em boas mãos,

as violas agradeceram

e dessa maneira

vivemos o último sábado de 2012.

É pelas próprias virtudes que se é mais bem castigado.
Friedrich Nietzsche

a poesia pode amar

e antes e nunca,

pois amigos

existem no mundo

dos sonhos.

por isso a poesia

é 

 atreve-se

aos filósofos

e é ópio puro,

sem refinamentos.

da saliva prá baixo

tudo é pedra

a poesia

pode amar,

nós podemos

quase nada.

Para Magna Santos,Edgar Mattos, Arsênio Meira, Tadeu Rocha, João Carlos, André Gustavo, Oswaldo.

Eu tenho amigos poetas

Tenho amigos poetas

que  chegam em versos,

em

 gestos elegantes.

Eu tenho amigos poetas

que sabem quando

bile é bala

bala é doce

amor no ponto

ódio nunca.

Eu tenho amigos poetas

que encantam sempre,

todo dia

todo palavra

toda mensagem

toda música.

Sempre presentes

como o céu

e a terra.

Como a vida, a luz

e a respiração.

Eu tenho amigos poetas

que sabem de mim,

são meu coração em mim

e velam pela minha paz.

Minha bússola,

sem eles:

eu andaria só,

a vida seria estreita,

os nós apertados,

a voz embargada,

a comida, fria.

Eu tenho amigos poetas

e eles estão sempre perto,

e meu coração

quando os vê

vira óasis

em pleno deserto.

PS – A música da minha vida são meus amigos. Eles regem com a minha família o meu maior e único tesouro: a razão de eu estar vivo. Nem o trabalho ocupa este lugar. Nem poderia. Só há um lugar na terra onde vivo em paz: é o lugar onde habitam meus amigos e mesmo distante deles, nunca me separo. E mesmo só, nunca me sinto triste. Porque quem tem um amigo tem um tesouro. E assim a gente pode cair e levantar, errar e pedir perdão e seguir adiante. Porque para mim este é o sal da vida. Amém.

Dois Séculos

 

Eu te conheci

antes mesmo das palavras

que um dia

iam virar versos.

Eu, te perdi

antes mesmo de achar

o lugar onde meu coração se espraiava.

Tão generosos os dias

 Tão longas as noites,

 Emagreci,

mudei roupas e rosto,

em mim um novo homem.

Perdi a luta para um amor amorfo,

na festa do dia em que fizemos anos

na noite em que te disse adeus,

nas cartas que guardei,

 pura teimosia.

A poesia dos poetas menores

é sempre um conformar-se pelo que poderia ter sido,

a poesia atrevida não enxerga, é míope,

ela faz no seu ritmo a culpa se dissolver

como se não bastasse o talento,

fosse preciso demonstrá-lo.

Este amor foi encantado e durou pouco,

os dias foram passando e quase sem dor

eu me vi de novo a caminhar pela terra;

 amar só faz bem,

é assim que só agora, dois séculos depois

eu consigo te dizer obrigado…