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PEQUENO RECADO A BANDEIRA*

Esqueci teu aniversário, lembrei apenas do índio que compartilha o dia teu. Tu, pequeno como te julgavas, deve se alegrar por partilhar a data com estes esquecidos de tudo. Eles que um dia foram muitos, como testamento, não deixam nem terra nem água, pois não consideram nada como seus. Deixam, como tu: a vida, a lida e o muito do que não têm.

Assim, Bandeira, em nome de todos os esquecidos, que teu nome seja hasteado em todas as estações, sobretudo no inverno, aquecendo os desabrigados.

Assim seja.

Magna Santos

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Amigos, segue sem comentários. Sinceramente, acho fabuloso, porque nada é maior que nossa própria consciência. Pequenas coisas assim me fazem ganhar o dia e me fazem também pensar quantas “dívidas” temos e nem as consideramos como tais. Acabei lembrando desta passagem: “Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto estais com ele a caminho, para que ele não vos entregue ao juiz, o juiz não vos entregue ao ministro da justiça e não sejais metido em prisão. – Digo-vos, em verdade, que daí não saireis, enquanto não houverdes pago o último ceitil. (S. MATEUS, cap. V, vv. 25 e 26.).
Abraços!
Magna
http://g1.globo.com/parana/noticia/2012/03/apos-50-anos-aposentada-paga-divida-comerciante-do-parana.html

14/03/2012 13h42 – Atualizado em 14/03/2012 14h06

Após 50 anos, aposentada paga dívida a comerciante do Paraná

Caso aconteceu em Curitiba; dívida foi feita na década de 60.
Idosa guardou a lista das compras e afirmou que ‘nunca esqueceu’.

Do G1 PR, com informações da RPC TV

72 comentários

 

Uma aposentada, de 84 anos, que mora em Curitiba, pediu para que as duas netas pagassem uma conta da década de 60 a um comerciante, também curitibano. A aposentada ficou devendo, na época, 7.490 cruzeiros. O valor pago pela aposentada foi de R$ 150.

A honestidade de dona Hermelinda Granado, também conhecida como Linda, surpreendeu o comerciante Celso Leitóles.  Ele afirmou não lembrar da dívida depois de tanto tempo. “Ela disse – você não se lembra, mas eu me lembro que te devo. E eu quero te pagar”.

A aposentada contou que na época não pôde pagar a dívida porque o marido tinha ficado doente e que a família havia passado por uma crise financeira. “Eu fui pagando com muito sacrifício as dívidas maiores e nunca esqueci da conta com o Celso”, explicou.

O bilhete com a anotações das compras que a idosa tinha feito foi levado pelas netas junto com o valor atualizado. Ela conta que gostaria de ter ido procurar o comerciante pessoalmente, mas não pôde por conta de um problema nas pernas, que a impede de andar.

Na lista de compras, feita pelo comerciante no dia da compra, constam um pacote de açúcar, três pacotes de café, dois quilos de arroz, um pacote de macarrão, meio quilo de banha, um quilo de feijão e um pote de margarina.

O armazém de Celso foi fechado em 1961. Na época, comum em vários estabelecimentos, ele vendia fiado e deixava uma cópia da lista com os clientes. “Eu não quis aceitar, mas as netas disseram que se eu não aceitasse a Linda iria ficar muito ‘sentida’ porque ela faz questão de pagar”, relatou o comerciante.

“Eu acho que ainda existe muita gente honesta. A gente sempre diz que não existe mais gente assim (…), mas eu acredito que ainda existe muita gente boa que quer mudar esse país, que quer ajudar o próximo e quer ver um Brasil diferente. Eu fiquei emocionado”, desabafou o comerciante.

“Agora eu estou aliviada e contente. Não devo mais nada para ninguém. Eu fui ensinada pelos meus pais que nunca deveria pegar que fosse uma agulha dos outros. A honestidade é tudo!”, finalizou a aposentada.

Torpedaço de Magna.

Publicado: 09/03/2012 em Magna Santos

Para Magna.Poeta Maiúscula.

Publicado: 07/03/2012 em Magna Santos

A neve e as tempestades matam as flores, mas nada podem contra as sementes.

Khalil Gibran

Torpedaço de Magna Santos.

Publicado: 10/02/2012 em Magna Santos

PROBLEMA OU SOLUÇÃO

 

Era 1933. Eu havia sido demitido de meu emprego de meio expediente e não podia mais contribuir para a despesa familiar. Nossa única renda era o que mamãe conseguiu ganhar fazendo roupas para os outros.

Então mamãe ficou doente durante algumas semanas e incapaz de trabalhar. A companhia elétrica veio e cortou a força quando não conseguimos pagar a conta. Depois foi a companhia de água. Mas o Departamento de Saúde os fez religar a água por motivos sanitários. A despensa ficou quase vazia. Felizmente, tínhamos uma pequena horta e podíamos cozinhar os legumes numa fogueira no quintal.

Um dia minha irmã mais nova veio saltitante da escola para casa dizendo:

– Amanhã temos que levar para a escola alguma coisa para dar aos pobres.

Mamãe começou a esbravejar dizendo:

– Não conheço ninguém mais pobre do que nós!

Mas a mãe dela, que estava morando conosco na época, a fez calar, franzindo as sobrancelhas e tocando-lhe o braço:

– Eva – disse -, se você passar para uma criança a idéia de que ela é “pobre” com essa idade, ela será “pobre” para o resto da vida. Sobrou um pote daquela geléia caseira. Ela pode levar aquilo.

Vovô achou um pedaço de papel de seda e um pedacinho de fita cor-de-rosa com os quais embrulhou nosso último pote de geléia e minha irmã foi saltitando para a escola no dia seguinte levando orgulhosamente seu “presente para os pobres”.

E, para sempre depois disso, se havia um problema na comunidade, minha irmã naturalmente presumia que ela deveria ser parte da solução.

 

Edgar Bledsoe

VERDADE

 

Verdade é
Tatuagem com convicção
Depois de um tempo…
Vê-se que o dragão
Poderia ser uma flor
Ou apenas
Uma semente

Talvez.

Magna Santos

MENTIRA

Mentira é o não
Inconformado
Por ser não.
Desistente de si mesmo.

Magna Santos

ENLUARAR

Peguei o meu carro e saí por aí
Por aí não
Destino certo:
Descanso

Afoguei meu cansaço no mar
Engoli meus anseios
Com peixe
Deliciando-os um a um

Plantação de gotas
Em dias de verão
Derramou-se sobre mim
Uma chuva prateada
Junto com a lua cheia

São Jorge não apareceu
Mas mandou mensageiro:
Não adianta pisar o meu chão
Enquanto não estiveres leve
Não adianta mirares em mim
Enquanto não te enxergares
Não adianta te encantares por mim
Enquanto não te namorares
Não adianta pular de fases
Enquanto não me assistires minguando

Escutei tudo aquilo em fase cheia
Agora sou nova
A enluarar

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BUSCA

 

Sim, ele estava nu ao amanhecer
Rasgou-se das sedas que vestia seu corpo
E quase como louco
Estava a vagar.
Onde estava a lua que refletia o dia na escuridão?
Onde estava a estrela que pairava no ar?
Onde estava?
Neste momento ele olhou para si
E surpreso percebeu…
Seus pés tinham raízes
Seus braços eram de sol

Então ele chorou
E sorriu.

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A BÊNÇÃO, RECIFE

 

Imagens de suas pontes correm o mundo. De Veneza Brasileira foi batizada, mas o que não se sabe é quantos caminhos existemem Recife. Aconchegodos poetas, que repousam nas suas praças, se embriagam com sua beleza, encostam-se nos baobás em plena tarde para acordarem por algum guarda desavisado, à procura de manter a ordem pública.

Sim, Recife, tuas alas, tuas ruas que tantos já andaram, que pousaram os pés de Manuel Bandeira, de Antônio Maria, que agitam tantos outros no vai e vem do frevo, ou do “frevo” do cotidiano, do frenesi do teu trânsito que nos tira o sossego.

 

Perdemos as horas encontrando caminhos mais curtos e esquecemos da Avenida Caxangá, cortando bairros, da Avenida Norte, atravessando a sorte, rebatizada com um segundo nome para lembrar mais um cearense que te adotou. Lembramos apenas do Coque das páginas policiais, esquecendo que a história, há tempos, toma outro rumo nas mãos dos meninos que folheiam as páginas dos livros da Biblioteca Popular do Coque ou, simplesmente, afinam os ouvidos, escutanto histórias carinhosamente contadas por bocas abençoadas.

 

Sim, Recife, nos acostumamos com tua agonia e com tuas surpresas, constantemente nos fazendo olhar para o céu em plena segunda-feira. Bênçãos, Recife, para teus habitantes que são privilegiados com tuas árvores centenárias a fazerem túneis por tuas ruas. Bênçãos, Recife, tu jorras em forma de pontes, como a lembrar que não precisamos de muros. Bênçãos, Recife, nas encostas dos teus morros que desassossegados esperam o inverno e tuas chuvas calamitosas. Dignidade, Recife, para teus filhos pequeninos que estacionam nos sinais à espera do que eles nem sabem ainda, mas, certamente, suas mães – nas calçadas – têm certeza. Quanta dor, Recife, ao mirarmos olhos tão tristes, por já pedirem! Misericórdia, Recife, para que as balas se percam para sempre no espaço de ninguém, sem atingir ninguém, sem fazer sofrer mães, pais, famílias inteiras.

Ah, bênçãos, bênçãos…bênçãos é também poder andar por ruas que carregam palavras benfazejas: amizade, harmonia, aurora, concórdia…bairros que nos desejam: boa viagem, boa vista.

Sim, Recife, teus problemas não são apenas teus. Infelizmente, tens muitas outras companheiras espalhadas neste país, capitais que carregam infelicidades, mas tuas virtudes são singulares e sentidas por quem te vive como os teus rios. A água passa, o tempo passa, mas sempre terá uma ponte para atravessar, para ligar, unir…és ponte, Recife!

 

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TERRA A VISTA

 

Ah, e eu nem lembro mais de ti, Robinson Crusoé
Nesta terra que agora vivo
Meus índios são sexta, segunda, terça, quarta e quinta-feira
Aí volto a bobina e começo tudo outra vez
Esqueci do sábado e do domingo
Na última vez que fui viajar
Arrisquei-me nas encostas da noite
E só voltei no clarão do dia
Salva pelo segunda-feira

Tenho respirado na minha ilha
Com pulmões astrais
O ar às vezes é denso demais
Pasmo
Engasgo
Passo mal

É então que me lembro do jasmim
E respiro normal outra vez
Jasmim perfumado
De mãos perfumadas, antigas…
Espalhou-se por minha terra inteira

Por isto te grito, Crusoé:
_ Terra a vista!
MAGNA SANTOS

LIÇÕES OCULTAS


Fruto
podre.

Fora pomo
disputado, mas estava podre agora.

Transeuntes, ao
darem com ele, torciam o nariz.

Censurava-se, à
meia voz, a quem havia deixado ali,

na rua,
semelhante imundície.

Fruto podre gera
podridão — diziam homens prudentes.

Mulheres que
passavam referiam-se a desleixo.

Crianças
aproximavam-se e tocavam-no, de leve,

para atirarem com
ele, de novo, ao chão, com desprezo evidente.

Nem os animais se
sentiam tentados a incluí-lo na ração.

Mas veio o
lavrador e tomou-o com bondade. Cortou-lhe

os envoltórios,
dissecou-lhe os tecidos e apanhou-lhe

as sementes,
vivas e puras, internando-as no solo…

E, em pouco
tempo, árvores vigorosas, nascidas do fruto

menosprezado,
erguiam-se da terra, carregadas de

flores e frutos
nutrientes.

***

Nossos erros são
também como frutos podres.

Vezes e vezes,
quem passa olha para eles

com ar de
repugnância.

Quem os analisa,
quase sempre amaldiçoa ou reprova.

Mas, se lhes
buscarmos as lições ocultas, que existem
quais as sementes nos frutos
deteriorados, com elas

construiremos
caminhos outros no rumo da perfeição.

Todos somos
lavradores da terra de nós mesmos.

E a cultura perfeita de
nossas experiências e destinos
pede também que plantemos e replantemos.

Valerium
(do livro “Bem aventurados
os simples”, cap. 18,
psicografado por Waldo
Vieira)

(*) Textos publicados no seu Blog Sementeiras em 18/05 e 17/10 do santo ano de 2009:

Para salvar o Fusca.

Valeu Magna !

EPIDEMIA

Tempos atrás, após um comentário de Hérlon do Arqueologia da Alma sobre gostar da minha “veia poética”, fiquei pensando sobre minha saúde artística (se é que posso chamar assim, mas por falta de nome, fica este mesmo). E, pela falta de inspiração e de tempo, nas quais estou mergulhada nos últimos dias, só me resta uma confissão: a minha veia encontra-se obstruída.
Acabo de visitar o Arqueologia e percebo que o mal foi igualmente confessado pelo autor do blog. Vou ao Inscritos em Pedra e o Josias encontra-se mais silencioso que a caricatura de um psicanalista. Ana Cláudia, do Ninho da’Ninha, está Lúgubre desde o dia 15 de setembro. Até o Samarone, que parece inesgotável nos assuntos, recentemente declarou-se sem inspiração. Então tiro a conclusão fatal: trata-se de uma epidemia.

Corram, portanto, aqueles que ainda não se contaminaram. Defendam-se como puderem, porque o caso é sério. Desse mal, creio, alguns já sabem do antídoto, mas a maioria não. Já ouvi falar que essa tal de inspiração é besteira, que escritor que é escritor não precisa da dita cuja, o negócio, dizem, é transpiração. Porém, isto só agrava minha situação, uma vez que não tenho essa petulância de me dizer escritora. Assim, confesso aos quatro ventos: preciso de inspiração, até porque transpiração em si não me tem faltado.

 Enquanto meus colegas de infortúnio não me derem a solução, quero mesmo é encontrar um doutor-das-veias-poéticas-obstruídas para me fazer um cateterismo ou angioplastia urgente. Pagarei com letras e palavras serenas à vista, se achar melhor, pois a prazo também me custa. Não pedirei desconto ou regalias, só uma coisa, pelo amor de todos os poetas: deixe-me ir para casa logo. Perambular sem rumo, como estou agora, dá-me a sensação de que não sei para onde ir. Sim, porque estar com essa obstrução, acarreta tais sintomas: perder o rumo de casa, estar sem bússola e com uma venda amarrada nos olhos.

 Contudo, a brisa, o vento e a luz que teima em penetrar na escuridão sinalizam que estou encontrando o caminho de volta. Em breve, chegarei. Chegaremos, amigos.

 Magna Santos

DONA INSPIRAÇÃO

Há dias que a espero, mas ela finge não me ver. Aliás, é sempre assim: quanto mais a queremos, mais a perdemos. Melhor é deixá-la ir, por si só terá vontade de voltar um dia.

Sempre temperamental, chega quando quer, não adianta espernear. Alguns dizem que já a possuem naturalmente. Não consigo entender e me controlo para não julgá-los mentirosos. Talvez não sejam, talvez não. Talvez o problema seja meu que ainda não ganhei sua simpatia incondicional. Sim, terá que ser incondicional, pois o que farei nos dias que a preguiça não deixar pensar? No dia em que as palavras gargalharem em vez de sorrirem, gritarem ao invés de sussurrarem?

Ah, bendita inspiração que acontece quando menos esperamos, que nos surpreende sem nenhuma caneta, cotoco de lápis, muito menos papel e com uma memória incapaz de reter o já sabido, quanto mais o inusitado…

Santa inspiração que gosta das noites, quando o silêncio vem nos visitar. Gosta daquela solidão instantânea, passageira, quando os momentos parecem se alongar ou refletir a beleza das ruas, das praças, das gentes.

O relógio se arrasta e a fuga é inevitável. Impossível não viajar nos pensamentos, nos sonhos, nas ilusões. A falta dela nos deixam volúveis, enche um barril inteiro de ausências, ao ponto de estar aqui sem saber como terminar esta conversa, mantida por força dos dedos. Perdoem-me a escassez de assunto e essas palavras tão evasivas. Quando ela voltar mais complacente, há de deixar os seus rastros neste terreno de sementes. Por ora aceito humildemente a sua falta e peço: paciência.

Magna Santos

Magna vem de Dockside.

Publicado: 15/07/2011 em Magna Santos, Poesia

Julho chega ao final com uma rapidez digna de fevereiro. Nem deu tempo de ver o Bem Amado, mas vi Plano B e lembrei que dificilmente tenho um. Até plano B é passível de falhas, pois a vida é cheia de surpresas. Lembrei que quando os pequenos desejos e sonhos não são realizados no tempo que queríamos, talvez tenhamos outra oportunidade de fazê-lo. Talvez, quem sabe.

 

Nem todo adolescente tem chiliques, rebeldias, exigências materiais. Os sonhos são comuns, desejos, anseios, perguntas mil. E eu, na época, apenas queria um dockside. Não era bem “apenas”. Desejava muitas coisas, mas me via constantemente estacionando os olhos nos pés de uma das amigas e ficava lá imaginando como deveria ser confortável. O desconto do colégio, conseguido graças ao bom desempenho escolar, era fundamental para me deixar naquela escola, como também para me colocar os pés no chão, sem dockside mesmo, estava ótimo! O meu sapato era maravilhoso para correr até o ponto do ônibus. Pra que outro?

 

Pois bem, nesta altura da vida, sem ter que responder a tantos “pra quês”, ontem adquiri o meu dockside. O vendedor riu com certo desdém, quando confessei ser meu sonho de adolescente. Eu nem sabia que ainda existia. O sonho não, o dockside. E como sonho só vale se for colorido, calcei algo assim vermelho e rosa e saí por aí. As sapatilhas usadas guardei na mesma embalagem do meu sonho e os coloquei nos pés. Foi quando percebi que quando calçamos mesmo os nossos sonhos, andamos seguramente mais confortáveis e, sem dúvida, é inevitável pular de alegria.

Magna Santos

ENCONTRO COM PESSOA

Hoje encontrei Pessoa

Numa sala contígua à da esperança

Não esperava sua presença

Sua ausência nem me era sentida

Muito menos doída

 

Tenho sonhos que não vejo

Donde só entra o que sinto

Pressinto

Ou antevejo

 

Quem é esse de olhos doídos

De sorriso deserto

De peito estreito

E suave descanso?

Quem é esse que eu não conhecia

E já conhecia

Antes de imaginar?

Quem é ele que não vive em sonhos

Mas em realidade

Se faz passar?

 

Quem é ele?

 

Pessoa de heterônimos

Aparece em derradeiro

Depois de tantas línguas

Passadas e estudadas

 

Acaso teimastes em voltar?

Acaso espreita a natureza

Ao luar?

Ah, pastor de palavras…

Cada cria recriada

Nos versos artesanais

Ah, rebanhador de letras…

 

Acaso te dedico esta canção que não escutas

Acaso também te sonho novamente

E se, por acaso, adormeces

Eu me despeço

Te digo impropérios

Te solto um verbo que não posso dizer

Mas, te escrevo…

Em letras garrafais.

 

Magna Santos

 

 
 

CAMINHO

Quando a ilusão nos perde de vista
Ganhamos o horizonte das possibidades.

Magna Santos.