Arquivo de outubro, 2012

 

Fundou-se novos partidos, reintegrados outros, pelos escombros dos que migraram do quase-extinto PARTIDO DOS TRABALHADORES.

Partido que saiu campeão de votos nestas eleições para prefeitos.

Partido que viu surgir um novo pequeno gigante que assombra a médio prazo a hegemonia da estrela.

O povo que votou, é o povo que pode se transformar numa nova classe média.

Onde carros, celulares, televisões e até moradias, deixaram de ser luxo e passaram a ser de todos.

Ou quase todos.

Mas já é um começo.

A indústria brasileira vai mal, o comércio vai bem, o agronegócio melhor ainda.

Mas a fórmula deu mais ou menos certo, noves fora os mensalões.

Porque afinal de contas , no primeiro mundo o estado provê, Educação, Saúde, Segurança e Transportes.

E o sentido da cidadania é muito mais amplo.

Por aqui, quinhentos anos de apartheid, na terra das cotas, nossa brasilisterracota a conversa é diferente.

Impunemente, nas maiores cidades, menores atacam, matam e ficam soltos.

Presos ficamos nós, nos engarrafamentos, nas casas, nos apertamentos. Nós de cidades.

Mas, como digo aí em riba, a soma do DEM, PMDB E PSDB, o que restou do PT ainda dá pro gasto.

Claro que se os bons que migraram para o PSOL, PV e até PSTU voltarem (sonho) seria utopicamente feliz. Eles  fazem falta.

Mesmo radicalistas, xiitas, etc pei bufe e coisa e tal.

Fazem falta no caldeirão vermelho.

Como oposição o PT era impecável.

Como governo pecou até mais que o PSDB e a ARENA e a direitona milicosa.

Mas olhou para os pobres, mesmo que com um olhar suspeito, maligno, de olho nas urnas, mas olhou e fez.

Hoje, conversando com um taxista, esse moderno psicólogo das neuróticas cidades, ele foi taxativo: com ou sem mensalão, é inegável que o PT fez a maior mobilidade de classes até hoje vista no país. Mesmo que por linhas tortas.

Me calei diante da sabedoria popular, pois o povo não é besta e desconfia de projetos longos que viram ditaduras disfarçadas.

Pois se FHC não conseguiu e Serjão morreu antes,

Se Lula ainda tropeça e dificilmente voltará a ser o Lulalá, com Dirceu e cia presos,

Nós estamos vislumbrando novas forças, nova geração chegando ao poder.

E rezando, para que todas essas siglas possam dar lugar a outras e que as pessoas sirvam e sejam muito mais importantes que os partidos.

Afinal de contas se Maluf andou por quase todos os partidos e se aliou incondicionalmente a todos,

pois já nos legava meu avô Pedro de Souza em meados dos anos 60 em conversa com meu pai lá em Yellow House:

– meu filho este país não tem mais jeito não. a corrupção….

O Garoto da Bicicleta (Bélgica, 2011) Cotação: Bom
Drama, 84 min. Direção e roteiro: Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne. Com: Thomas Doret, Cécile de France e Jérémie Renier.

 

Ganhadores da Palma de Ouro por duas vezes (“Rosetta”, em 1999, e “A Criança” em 2005), os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne estiveram novamente competindo em Cannes, desta vez com O Garoto da Bicicleta (Le Gamin au Vélo). Embora sejam pouco conhecidos no Brasil (a primeira obra distribuída em nosso país foi “O Filho”, em 2002), os dois fazem filmes juntos desde o final dos anos 70, se firmando entre os principais nomes do cinema belga.
No novo trabalho – que está disponível em DVD – trazem a história de Cyril (Thomas Doret), um menino de 12 anos que não se conforma em ter de se separar do pai (Jérémie Renier, recorrente na filmografia deles). Por essa obstinação descomunal, ele tenta várias vezes fugir do orfanato, com intuito de voltar para casa.
Numa dessas ações, esbarra em Samantha (Cécile de France, de “Albergue Espanhol” e “Além da Vida”), uma cabeleireira que fica comovida e interessada em cuidar do garoto. Aos poucos, Cyril descobre que, na verdade, o pai não quer saber dele.
Desiludido, o menino passa os fins de semana com a moça e não tarda para se meter em encrenca (ele se envolve com um traficante local). Como uma mulher ‘cassavetiana’, Samantha tenta proteger Cyril de todas as formas, mas não consegue impedir que ele cometa um crime a mando do criminoso. Cyril acaba sofrendo a lição.
Praticamente em toda a fita é feito o uso de câmera na mão, acompanhando de perto o garoto. Outra marca dos Dardenne é a ausência de trilha, mas, para diferir dos trabalhos anteriores, surgem, de tempos em tempos, trechos do Concerto para Piano nº 5, de Beethoven.
O Garoto da Bicicleta nunca se deixa levar por sentimentalismos baratos, algo rotineiro no cinema de outros países. Pelo contrário: as ações são conduzidas a distância, com uma aridez de partir o coração, tanto que fica difícil não se envolver com a história retratada. O filme prende sem delonga a atenção do espectador e os Dardenne conseguem encontrar uma boa solução.

                                             L E O N    R U S S E L L

 

O pianista, compositor, cantor e arranjador LEON RUSSELL já era um artista conceituado e admirado nos EUA quando começou à ser notado no Brasil. Na verdade, só quando foi um dos protagonistas do CONCERTO PARA BANGLA DESH, Leon começou à ser percebido por aqui. Logo em seguida, novamente nas telonas dos cinemas, apareceria no filme MAD DOGS AND ENGLISH MEN, documentário sobre a excursão do genial cantor Joe Cocker, pela América, quando liderava a banda de apoio como pianista e arranjador, roubando algumas cenas. Adiante, com o lançamento da música Stranger in a strange land (onde pode-se ouvir um dos primeiros “rap” já criados), Leon caiu nas graças da crítica e do público mais antenado. Só assim, para surpresa geral, ficamos sabendo que era o autor de canções que faziam sucesso por outras vozes, como a belíssima A Song For You (com os CARPENTERS e RAY CHARLES) e This Masquerade também com os CARPENTERS e posteriormente com o GEORGE BENSON. Vale registrar que recentemente, A SONG FOR YOU foi gravada pelo SIMPLY RED.

LEON é daqueles artistas que apesar da carreira solo, participou, como músico, de vários clássicos de seus pares, vide ERIC CLAPTON, GEORGE HARRISON (All Things Must Pass e Extra Texture), BILLY PRESTON, THE ROLLING STONES (inclusive em shows)BOB DYLAN e LENNON (Rock And Roll), entre outros nomes. Em sua primeira temporada nos Estados Unidos, ELTON JOHN queria de qualquer forma conhece-lo. Era seu fã de carteirinha. E confessa que tremeu nas bases ao avista-lo nas primeiras filas da platéia. À propósito, os dois acabaram de lançar um disco juntos. Vale conferir.

Nascido em Oklahoma, para se apresentar ao lado de JERRY LEE LEWIS, mentiu sobre sua idade quando tinha apenas 13 anos. Já aos 17, estava em L.A. atuando como pianista e arranjador de IKE AND TINA TURNER. Só em 1968, lançou-se em carreira solo, conquistanto tanto a imprensa quando a audiência. A cada novo disco foi aumentando sua popularidade e chamando a atenção de outros artistas que, passaram à requisitar seus trabalhos como compositor e músico. À propósito, o contrário também aconteceu quando LEON lançou em 70 seu disco THE BLUE ALBUM acompanhado apenas por 2 beatles (George e Ringo), 2 stones (Charlie Watts e Bill Wyman), Steve Winwood do TRAFFIC e Eric Clapton. Neste fantástico álbum estão presentes a já citada A Song For You e outro de seus maiores sucessos, Delta Lady, que foi também gravada por Joe Cocker.

Tecnicamente, Leon Russel é uma referência em sua especialidade. Passeia com naturalidade pelo blues, o jazz (estilo New Orleans), o country e naturalmente, o rock. Sua voz rouca, “rasgada”, é outra marca registrada. Conta-se que os produtores do show para Bangla Desh, estranharam (e quase vetaram) quando Leon escolheu para sua apresentação solo um mix das canções YOUNGBLOOD e JUMPIN’ JACK FLASH, essa,  dos Stones. A reação da platéia e a empolgação da banda os fizeram desistir de qualquer crítica (ou censura).

Para fechar, um esclarecimento pertinente; algumas publicações brasileiras revelam que ele é chamado nos EUA de THE MOZART. Uma pequena confusão. Na verdade chamam-no de THE MOSAT (Master of Space And Time). Muito pouco, concordas ?

O Palhaço se consagra no GPCB

Na última segunda-feira (15), o Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi palco de mais um Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (GPCB). O evento, que segue o formato de premiações como Oscar, Bafta e César, tornou “O Palhaço” recordista de vitórias. Realizado por Selton Mello, o longa-metragem venceu 12 das 13 categorias a que foi nomeado, incluindo melhor filme, direção, ator (para Selton), roteiro, e ator coadjuvante (Paulo José), além do voto popular. O homenageado da noite foi Cacá Diegues, um dos líderes do “Cinema Novo”.

Ursinho boca-suja

A comédia americana “Ted” traz um ursinho de pelúcia nada convencional, se drogando e tendo diversão com várias mulheres. Mas no Brasil, o longa ficou notabilizado após a revolta do deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), que pediu ao Ministério da Justiça nova classificação indicativa para o filme (de 16 para 18 anos). Inicialmente, o parlamentar pretendia retirar o longa de circulação, mas mudou de ideia depois da reação popular. O motivo de sua “ira” foi o fato de ter levado o filho de 11 anos para assistir ao filme. Mas se o longa tem censura de 16, por que ele levou uma criança com uma idade menor para ver? O MJ indeferiu o pedido. Na semana seguinte ao protesto de Queiroz, “Ted” liderou as bilheterias do país.

Violência durante a Lei Seca

Na semana passada (12), “Os Infratores” (Lawless, EUA, 2012) estreou nos cinemas do Brasil. O filme se baseia em fatos reais e aborda a história dos irmãos Bondurant, contrabandistas de bebida, na Virginia, que conseguiram burlar as autoridades corruptas, entre os anos de 1931 e 33 (época em que a Lei Seca vigorava nos EUA). Este ano, o longa concorreu à Palma de Ouro e havia chamado atenção da crítica pela violência excessiva. No entanto, um dos grandes destaques fica por conta da magistral atuação de Guy Pearce, que dá vida a um ajudante de polícia bem esquisito e assustador, oriundo de Chicago. O diretor John Hillcoat havia realizado alguns anos atrás o drama apocalíptico “A Estrada”, que contava com Viggo Mortensen no papel central, tendo recebido elogios por este trabalho. Agora, ele trouxe um dos melhores filmes de 2012. Vale o ingresso!

Procurando Nemo em 3D

Os grandes estúdios já tornaram habituais os relançamentos, em 3D, de filmes que marcaram época. Clássicos como “Titanic”, “O Rei Leão” e “Guerra nas Estrelas” seguiram essa linha. Agora é o momento de “Procurando Nemo”, animação bidimensional lançada originalmente em 2003, que traz a conhecida história de um peixe-palhaço capturado por um mergulhador e levado a um aquário de um consultório odontológico, tentando escapar de lá a qualquer custo. Está em cartaz desde o dia 12/10 e ainda pode ser conferido nos cinemas.

Skyfall

Na próxima sexta-feira (26), estreará o vigésimo-terceiro filme da franquia James Bond. “Operação Skyfall” mostra novamente Daniel Craig na pele do agente 007. Desta vez, lutando para contornar uma missão em Istambul que fracassou, quando foram vazadas todas as identidades dos agentes do MI6. Sem dúvida, um dos trabalhos mais aguardados deste ano.

Publicado: 20/10/2012 em Poesia

C A R T O L A

Nunca fui muito de samba nem de jazz. De fato, quando me dei por gente a bossa-nova estava no auge e talvez por isso, sempre gostei de sambas que apareciam em discos de artistas de MPB, já estilizados, com batidas sincopadas, letras menos “pé-no-morro”, coisas de Chico,Elis, Djavan,João Bosco etc. Embora eventualmente vire fã, de um samba gravado pela turma “autêntica”, confesso que nunca comprei (ou mesmo ganhei) um disco do chamado “samba –de-verdade”, e não estou me referindo ao chamado “samba enredo”. Deste eu fujo em disparada, afinal, se já não apreciava antes, imagine agora que virou frevo disfarçado, com letras,rimas e jargões que se repetem desde priscas eras. Por isso muito me espantou quando li recentemente que Cartola é considerado pela crítica como o maior sambista da história da música brasileira. Eu que sempre o tive como um dos maiores da MPB e não necessariamente do samba. Sendo assim… bom para o samba!
O carioca ANGENOR DE OLIVEIRA , de família pobre e numerosa, aprendeu com o pai à tocar cavaquinho e violão… tomou gosto. Justamente por problemas financeiros, mudaram-se para uma favela, quase invasão, que viria à chamar-se de Mangueira e, foi por lá que tudo começou. Com sua turma de boêmios,entre estes CARLOS CACHAÇA, após o falecimento de sua mãe quando tinha apenas 15 anos, formou o BLOCO DOS ARENGUEIROS, largou os estudos ainda no final do Curso Primário e foi trabalhar como ajudante de pedreiro. Ali, para livrar-se dos respingos de cimento, pedras e cal passou à usar um chapéu-côco, ganhando o apelido e futuro nome artístico de CARTOLA. Mais tarde, junto com os bambas do pedaço, transformaram os Arengueiros na GRES ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA, para a qual escolheu as cores “verde-rosa” e compôs o primeiro samba para a escola desfilar, Chega de Demanda. Ganhou fama e credibilidade nos anos 30, tendo suas músicas gravadas por Aracy de Almeida, Carmem Miranda, Francisco Alves e Sílvio Caldas. De fato, a nata do período.
Mesmo considerando que naquela época os Direitos Autorais eram uma “merreca”, o sumiço repentino e duradouro de Cartola quando vivia seu melhor momento então, só foi explicado anos depois. À perda de sua primeira esposa, Deolinda, que morreu de repente, some-se um forte desentendimento com a turma da Mangueira, além de ter contraído uma forte doença (fala-se em meningite).
Por volta de 1956, o jornalista Sérgio Porto (o Stanislaw) o encontrou lavando carros em Ipanema e estarrecido o abordou. Não conformado, Sérgio Porto tirou-o dali, arregaçou as mangas e produziu seu retorno com shows e programas de rádio. CARTOLA voltou à compor, desta vez para uma nova safra de cantores. No meio disso tudo, conheceu sua segunda mulher, ZICA, com quem por volta de 64 inaugurou o restaurante ZICARTOLA que virou reduto de artistas de variados estilos, notadamente de sambistas. Parte da freguesia ia pela música que rolava sempre, parte pela culinária de Dona Zica. Mas em geral, pelos dois motivos. Tão logo o empreendimento deu sinais de decadência, com um seguro emprego público (quem ajudou ?), Cartola fechou a casa e, morando novamente na Mangueira, voltou à compor com mais afinco, contudo, apesar de ter suas obras sempre lançadas por outrem, só chegou ao primeiro LP em 1974. Depois vieram mais três. Foi nesse tempo que desabrocharam clássicos como O Mundo É Um Moinho, As Rosas Não Falam, Acontece(essa é a minha favorita), O Sol Nascerá (parceria com Elton Medeiros), Quem Me Vê Sorrindo (com Carlos Cachaça), Cordas de Aço, Alvorada e Alegria entre outras tantas. Já no início de 1980, por questões de saúde, mudou-se para Jacarepaguá, onde viria à falecer, consagrado como um dos maiores da MPB.
Nunca quis diminuir os chamados “sambistas” como Beth Carvalho, Paulinho da Viola, João Nogueira (que vozeirão!), Alcione, Pagodinho e outros bambas. Quase sempre me apaixono por algumas canções que produzem, mas não sou do ramo, não sou de comprar um CD e ouvi-lo de ponta à ponta como um fã. Frequentei, no Rio, rodas de samba e me diverti prá valer, especialmente com o mestre Xangô da Mangueira. Mas não é minha praia. Por minha sinceridade, levei uns trampos de uma carioca (de Brasília) revoltada. Mal sabe ela o que penso de coisas como Reginaldo Rossi, Lia de Itamaracá, Selma do Coco,Mestre Ambrósio, os atuais frevos-de-bloco, Lirinha e que tais… prefiro a  MPB de CARTOLA !

Glauber Rocha

 

Considerado o maior expoente do cinema brasileiro, o realizador baiano Glauber Rocha (1939-81) foi também um dos precursores do “Cinema Novo”, corrente surgida em meados dos anos 50 e início da década de 60, influenciada pelo Neo-realismo e a Nouvelle Vague e que buscava fazer filmes com maior identidade nacional. Em consonância com o movimento, suas obras nutriam um ideário político-social, que era o de se livrar da influência norte-americana sob diversos aspectos, incluindo a estética. É de Glauber a célebre frase “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, que serviu para demarcar o movimento. O talento do diretor ultrapassou o Brasil. Glauber inspirou cineastas na América Latina e esteve presente em diversas premiações de grande relevo, incluindo o Festival de Cannes, onde recebeu o prêmio de melhor diretor por “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, em 1969. Sem sombra de dúvidas um gênio e, como todos eles, às vezes cometia exageros.

Oriundo de Vitória da Conquista (BA), Glauber de Andrade Rocha foi um verdadeiro furacão que passou em nosso cinema. Ele chegou a se casar com a atriz Helena Ignez, que conheceu na Universidade Federal da Bahia e com quem teve a primeira filha, Paloma. Além dela, Glauber teve outros dois filhos: Pedro Paulo e Erik. Todos se tornaram cineastas.

Há três de suas obras que são fundamentais para se entender a realidade daquela época. A começar por Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), um marco no cinema nacional e o seu primeiro êxito. Na trama, o sertanejo Manoel (Geraldo Del Rey), após assassinar um latifundiário que tentava se apossar de seu gado, parte com a mulher (Yoná Magalhães) abandonando tudo e se junta a um grupo religioso, que lutava contra os latifúndios e buscava o paraíso após a morte. Acaba envolvido com o cangaceiro Corisco (Othon Bastos) e perseguido por Antônio das Mortes (Maurício do Valle).

Em Terra em Transe (1967), não poupa ninguém. Aqui ele faz uma crítica às diversas correntes políticas em vigor. Nem mesmo a esquerda escapa de suas lentes. Glauber cria até um país fictício, Eldorado, onde há uma disputa pelo poder. Sempre falando por metáforas. Impressiona o poder profético da fita, pois se fala em guerrilhas, o que só veio a acontecer anos depois no Brasil e nos outros países latino-americanos. Uma fita ampla e que alcança os dramas da América Latina, como planejara.

Dois anos depois, preparou O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (ou “Antônio das Mortes” – como o filme era conhecido no exterior), seu primeiro filme em cores. Pode ser visto como uma continuação de “Deus e o Diabo”. Depois de matar Corisco, o jagunço Antônio da Mortes (Do Valle) tem uma nova missão: dar fim a Coirana (Lorival Pariz), outro bandido. Ele consegue, mas rapidamente entra em conflito com o coronel Horácio (Jofre Soares), latifundiário da região e que o havia contratado. Nesta obra, Glauber tinha a intenção de fazer um faroeste, inspirado nos cineastas do chamado “Western Spaghetti” e em John Ford, o grande nome do gênero, nos EUA. Martin Scorsese chegou a dizer que esse é um dos seus filmes favoritos e que o cineasta baiano é uma das três personalidades que o influenciaram (os outros dois são Ida Lupino e John Cassavetes).

Glauber também realizou alguns filmes na Europa e na África. Para o papel principal de Cabeças Cortadas, convidou Francisco Rabal, um dos atores favoritos de ninguém menos que Luis Buñuel. Já em O Leão de Sete Cabeças, há a presença de Jean-Pierre Léaud, “ator-coringa” da Nouvelle Vague. Nestes dois trabalhos bastante significativos, continua a questionar a fé cristã como imposição colonial.

Ele não se ateve apenas à ficção, com a qual certamente obteve maior destaque. Realizou alguns documentários, como um “de encomenda”, Maranhão 66, quando esta figura que ocupa a presidência do Senado, José Sarney ascendeu ao poder do estado a que o curta faz referência, trazendo imagens do abandono, por parte das autoridades. Outro célebre é o performático Di-Glauber, no qual documentou a morte do amigo e pintor Di Cavalcanti.

Para quem tiver o interesse em ter contato com sua filmografia, indico a maravilhosa “Coleção Glauber Rocha”, feita há alguns anos com o apoio da Petrobras. Nessa antologia, estão presentes quatro de seus nove longas de ficção: além dos citados Terra em Transe e Dragão da Maldade, Barravento (1962) e A Idade da Terra (1980). Também há o “Tempo Glauber”, museu localizado no Rio de Janeiro (onde faleceu), em que se pode conhecer fatos da vida do maior nome que o cinema brasileiro já teve.

B A D   F I N G E R

Longe do conhecimento pormenorizado de um especialista, o que se segue é o relato de um fã. Um tributo e uma tentativa de fazer justiça à uma banda fun-da-men-tal que, desde priscas eras, costuma ser esnobada e desconsiderada pela mídia e por estudiosos do assunto. Mas a verdade é que os anos 70 estavam alvorecendo e o fim de grandes grupos além da morte por “overdose” de outros ícones, nos fazia acordar com um gosto amargo na boca. Mas êpa ! um som começou a ecoar pelas rádios. Um som um tanto pesado mas muito melodioso, assoviável, e aquela voz, aquele vocal parecia tão familiar que arrastou todo mundo ao seu encontro. No Matter What já nascia clássica, e quando o compacto-simples “bombou”, o murmurinho cresceu. A gravadora era a APPLE, então muita gente jurava que eram os Beatles disfarçados de BADFINGER. Ainda mais pela deliciosa canção no LADO B, Better Days. O lançamento do LP, que dividiu os beatlemaníacos saudosos e dependentes, chamava-se NO DICE, aquele discaço cuja capa, parecia querer nos confundir pois, trazia apenas a imagem de uma bela e exótica mulher. Confesso que não entrei naquela “lenda urbana”, principalmente depois de ouvir uma faixa do disco que, passou batida pelas rádios mas capturou os corações dos iniciados. Curiosamente, a balada Without You, ganharia os primeiros lugares no Brasil, uns 3 anos após,com uma bela versão na voz de HARRY NILSSON. Mais recentemente, até MARIAH CAREY a regravou. Foi assim que o BADFINGER chegou . Com tudo!
A origem do grupo começa pelo País de Gales com o genial PETE HAM (compositor, guitarrista, tecladista e cantor) ,passando por cidades britânicas onde nasceram os outros integrantes, TOM EVANS (baixista,compositor e cantor), o excelente baterista MIKE GIBBINS e por fim a fera JOEY MOLLAND (também guitarrista,compositor e cantor). Chegaram à Apple ainda como The Iveys (nome inspirado na canção Poison Ivy) pelas mãos do beatle-friend, MAL EVANS e até tiveram alguns sucessos no Reino Unido com Carry On Till Tomorrow e Midnight Caller, mas o primeiro hit mais significativo foi Come And Get It, escrito por McCartney. O sucesso lhes garantiu a trilha sonora do filme MAGIC CHRISTIAN (com Petter Sellers e Ringo). Acho que ainda não tinham mudado o nome da banda. O fato é que viraram BADFINGER inspirados em WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS, que de início chamava-se Badfinger Boogie.
Em 1971 lançaram um disco poderoso, tão bom e imprescindível que mais parecia um “greatest hits”. Chamava-se STRAIGHT UP, e trazia outro clássico inesquecível. Day After Day (ganhou até versão em português com Leno e Lilian) que contava com a produção e a guitarra de Harrison (que produziu parte do álbum). Mas tinha ainda Perfection, Baby Blue, Suitcase, Sweet Tuesday Morning e a linda Take It All. Esse disco manteve a banda no pico mas,de repente o grupo sumiu. Acontece que pelas mãos do novo empresário, um tal STAN POLLEY, apresentado ao conjunto por um crível Pete Ham, acabaram assinando com a Warner Bros já que naquelas alturas, a Apple parecia em frangalhos. Mas a coisa embolou porque enquanto brigavam com Allen Klein, saía o disco ASS pela Apple que passou a concorrer com o primeiro disco do Badfinger pela Warner. Um anulou o outro, mas o disco da Warner é maravilhoso. Bastaria a balada I Miss You para justifica-lo, mas tinha muito mais pérolas. Durante toda essa confusão, o grupo participava de exaustivas excursões incentivados pelo olho-grande de Polley (o empresário), que reservava uma minguada mesada para cada membro enquanto, à título de “investimento”, guardava o grosso do dinheiro. Já casados ou com namoradas, a banda chegou a viver como uma comunidade numa propriedade próxima a Londres. Período em que a Warner lançou o que muitos consideram o melhor trabalho da banda: Wish You Were Here. De fato, um álbum visceral, que contém a música-que-não-me-sai-da-cabeça: Know One Knows . Meu coração de filho que o diga!
Para mim, a história do Badfinger acaba mais ou menos por aqui. Ao descobrir que o tal Polley desaparecera com todo dinheiro do grupo e, certamente se sentindo responsável, PETE HAM suicidou-se, enforcando-se em sua própria casa. Deixou um bilhete desculpando-se com os companheiros e com sua namorada,então grávida. Sem falar que a Warner chutou a banda. Os demais até tentaram seguir adiante e até tiveram relativo sucesso mas, sem Pete…
Anos depois, em 1983, o baixista Tom Evans também chegaria ao suicídio. Enforcou-se no quintal de sua casa. O baterista Mike Gibbins viria à falecer em 2005 de causas naturais. Joey Molland continua na ativa, tentando manter viva a chama daquele maravilhoso grupo.
PS I LOVE YOU:
– O Badfinger foi a banda que acompanhou Ringo em IT DON’T COME EASY. Trabalharam com George em ALL THINGS MUST PASS e no BANGLA-DESH. Também participaram do disco IMAGINE de John Lennon.
– Na época, a imprensa e a crítica especializada cunharam o termo POWER POP para definir o som do Badfinger. Sim, depois vieram outros!
– No Concerto Para Bangla Desh, PETE HAM aparece ao lado de Harrison em Here Comes The Sun.
Apesar dos pesados Billy Preston, Mary Hopkin e até James Taylor, pelo talento, qualidade, criatividade e da criação de tantos clássicos, por si só o BADFINGER já justificaria a Apple Records.

IMPORTANTE: Este “post” é dedicado (e em parte plagiado) ao amigo e guru, EDU BADFINGER, PhD em Beatles e Badfinger. Majoritário do melhor blog sobre os Beatles e a cultura pop: O BAÚ DO EDU (www.obaudoedu.blogspot.com).

” Violeta foi para o céu (Violeta se fue a los cielos, 2012)
Drama biográfico, 105 min. Cotação: Bom

 

Cantora, compositora, poetisa, pintora e ceramista, a chilena Violeta Parra se transformou em uma das artistas mais admiradas da América Latina. De personalidade forte, essa mulher pouco ainda conhecida em nosso país teve suas composições utilizadas durante a ditadura de Pinochet como hinos que se opunham à opressão militarista.

 

Músicos brasileiros reinterpretaram algumas de suas canções, como foi o caso de Elis Regina, com “Gracias a La vida”, e de Milton Nascimento – junto com Mercedes Sosa – com “Volver a los 17”. Ela tem a vida retratada no novo longa-metragem de Andrés Wood (“Machuca”), Violeta foi para o céu.

 

A co-produção entre Argentina, Brasil e Chile estreou na última sexta-feira (5), no Cinema da Fundação, e toma como base o livro escrito pelo filho, Angél Parra. Empregando uma abordagem não-convencional sobre a trajetória de Violeta, o filme traz a infância sofrida, quando a garotinha órfã de mãe teve de abandonar os estudos e acompanhar o pai alcoólatra pelos bares, tendo também aprendido a tocar violão desde cedo e por conta própria.

 

Obviamente, não se limita a isso. A trama é sempre demarcada por suas músicas. Vemos Parra já adulta (Francisca Gavilán) na ida à Polônia para divulgação de seu trabalho, a perda de um filho nesse período e, mais adiante, a conturbada relação amorosa com um suíço. Na passagem pela Europa, esteve em Genebra, habitou Paris por dois anos e teve obra exposta no Museu do Louvre.

 

Violeta tinha um sonho: criar um centro de referência para a música folclórica de seu país. Por algum tempo, essa ideia recebeu apoio político. Entretanto, o filme mostra que o fracasso desse projeto e a desilusão sofrida com o companheiro foram determinantes para que o fim de sua vida fosse tragicamente antecipado.

 

É sempre difícil fugir das convenções em filmes de caráter biográfico. Andrés Wood tentou ao máximo transpor essa barreira. Um dos grandes méritos do longa é o fato de mostrar as imperfeições da biografada no momento em que deve, assim como acerta na hora de ressaltar as qualidades da pessoa retratada.

 

Contudo, em obras desse tipo, todas as atenções se voltam, inevitavelmente, ao ator central, se conseguiu ou não encarnar o papel da maneira como deveria. No caso de Francisca Gavilán, podemos dizer que ela entrega uma atuação magistral, passando ao público um tanto da dimensão dessa figura mítica, que resiste eternamente nos corações dos chilenos.”

 

 

M A R I S A   M O N T E

 

Ela já chegou com tudo. Música tema de novela e um álbum ao vivo que nos revelava uma cantora segura, sem exageros interpretativos, excelente técnica vocal e principalmente, um gosto refinado e eclético. Seu disco MM, passeava por diversos estilos mas, longe de parecer uma colcha de retalhos, tinha unidade. Na medida em que foi “acontecendo”, via-se que Marisa controlava bem sua carreira. Sua presença na mídia sempre se deu na dose certa, sem superexposições e/ou abuso de imagem. Sua presença de palco, apesar de sua beleza não muito “nativa” (tem a pele branca, cabelos negros, lábios realçadamente vermelhos e uma silhueta de top model), é irretocável. Marisa usa muito bem os movimentos do corpo (até parece dança) para impulsionar a voz, que soa sempre límpida, não raro, melhor ao vivo que nas gravações. Sua tranqüilidade e simpatia não escondem uma artista que sabe o que quer e que domina bem sua vida. Por isso, às vezes some, às vezes reaparece mas, sua voz está sempre por perto. Seja numa novela, numa mini-série ou num disco tributo coletivo.
Na adolescência, enquanto estudava piano, bateria e canto, esboçando suas primeiras criações, a carioca Marisa Monte participava de musicais (foi dirigida por Miguel Falabella) e com 17 anos embarcou para a Itália para estudar canto lírico. Nas horas vagas exercitava seu talento apresentando-se em pequenos bares executando músicas brasileiras até que numa daquelas noites, cruzou com o Nélson Motta na platéia. O genial produtor/jornalista/escritor percebeu logo o que tinha em mãos e trouxe-a de volta ao Brasil. Aqui, montou uma estratégia certeira, selecionando canções de diversos artistas (indo dos Titãs, Roberto Carlos até Luiz Gonzaga) entre contemporâneos e clássicos da MPB. Montou uma banda de primeira linha e emprestando o seu nome e prestígio , saiu com Marisa pelas principais casas de espetáculos do Rio e de São Paulo. A cantora não demoraria a cair nas graças do público mais exigente e lançou seu primeiro disco, registro daqueles shows . Claro, entre canções já conhecidas e aprovadas, Motta encaixou uma quase inédita. Na verdade uma versão escrita pelo próprio de uma música italiana, que em português tornaria-se BEM QUE SE QUIS, já devidamente “selecionada” para a trilha da novela global O SALVADOR DA PÁTRIA. Esquema perfeito. A cantora que provocava “zum-zum-zum” entre os descolados, agora estava na boca do povo.
Pouco ou nada se sabe sobre o seu “desligamento” de Nélson Motta. Nenhum dos dois deu declarações sobre. O que aconteceu foi que seu segundo álbum, MAIS, assim como o seguinte, veio sob a batuta do “cara da hora”, o músico ARTO LINDSAY. Marisa seguiu mantendo sua proposta e coerência artística, trabalhando com colegas e parceiros diversos e acumulando sucessos (Beija Eu, Maria de Verdade, Amor I Love You…) , com discos e shows concorridíssimos e principalmente a admiração da mídia especializada. Arrebatou e continua arrebatando prêmios diversos, ganhando da revista ROLLING STONE o título de “melhor cantora do Brasil !” Entre 2000 e 2006, não publicou nenhum disco solo mas, nesse ínterim, envolveu-se em um sucesso arrebatador. O projeto disco/vídeo TRIBALISTAS, juntamente com Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, que de início parecia despretensioso e despojado (a exibição pela Globo deu-se às 2:00 Hs da manhã de uma segunda-feira). De repente,graças à qualidade e o bom gosto de sua produção, conquistou os brasileiros de todas as camadas com pérolas como Já Sei Namorar, Velha Infância e a música título. Na verdade, por sua quase inocência, sua sinceridade e graça, TRIBALISTAS é sim, um dos melhores discos da história da MPB. Obviamente, acumulou merecidos prêmios. Curiosamente, o trio (exceto na premiação da MTV) jamais excursionou, nem montou shows juntos. Mantiveram a idéia inicial.
Marisa Monte parece planejar com pormenores, tanto sua vida particular quanto artística. Seus períodos de afastamento envolveram a chegada dos filhos, dos amigos e amores. Projetos paralelos para o cinema (produziu um filme sobre a velha-guarda da Portela), lançamentos de DVDs e discos “ao vivo”. Não sei se ela é de fato a “melhor” do Brasil, mas não enxergo ninguém à sua frente. Apesar de assentar seu trabalho em canções inéditas (dela mesma ou dos amigos) está sempre “flertando” com belos clássicos da MPB (gravou um disco só com sambas da Portela). Continuo achando que Marisa e Cássia Eller tiveram trajetórias semelhantes e as mesmíssimas influências. Só que enquanto Cássia tinha uma “pegada” mais “rock”, Marisa Monte deriva mais prá MPB (ou seria “jazz ?). Num imaginário encontro entre as duas, regado à vinho e violões, as afinidades musicais chegariam à madrugada e comoveriam corações. E eu estaria lá, escutando por alguma fresta e me deleitando. Sonhos, sonhos são !

“Há um provérbio popular alemão que reza: “você bate no saco mas pensa no animal que carrega o saco”. Ele se aplica ao PT com referência ao processo do “Mensalão”. Você bate nos acusados mas tem a intenção de bater no PT. A relevância espalhafatosa que o grosso da mídia está dando à questão, mostra que o grande interesse não se concentra na condenação dos acusados, mas através de sua condenação, atingir de morte o PT.
De saída quero dizer que nunca fui filiado ao PT. Interesso-me pela causa que ele representa pois a Igreja da Libertação colaborou na sua formulação e na sua realização nos meios populares. Reconheço com dor que quadros importantes da direção do partido se deixaram morder pela mosca azul do poder e cometeram irregularidades inaceitáveis.
Muitos sentimo-nos decepcionados, pois depositávamos neles a esperança de que seria possível resistir às seduções inerentes ao poder. Tinham a chance de mostrar um exercício ético do poder na medida em que este poder reforçaria o poder do povo que assim se faria participativo e democrático.
Lamentavelmente houve a queda. Mas ela nunca é fatal. Quem cai, sempre pode se levantar. Com a queda não caiu a causa que o PT representa: daqueles que vem da grande tribulação histórica sempre mantidos no abandono e na marginalidade. Por políticas sociais consistentes, milhões foram integrados e se fizeram sujeitos ativos. Eles estão inaugurando um novo tempo que obrigará todas as forças sociais a se reformularem e também a mudarem seus hábitos políticos.
Por que muitos resistem e tentam ferir letalmente o PT? Há muitas razões. Ressalto apenas duas decisivas.
A primeira tem a ver com uma questão de classe social. Sabidamente temos elites econômicas e intelectuais das mais atrasadas do mundo, como soia repetir Darcy Ribeiro. Estão mais interessadas em defender privilégios do que garantir direitos para todos. Elas nunca se reconciliaram com o povo. Como escreveu o historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma no Brasil 1965,14) elas “negaram seus direitos, arrasaram sua vida e logo que o viram crescer, lhe negaram, pouco a pouco, a sua aprovação, conspiraram para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continuam achando que lhe pertence”.
Ora, o PT e Lula vem desta periferia. Chegaram democraticamente ao centro do poder. Essas elites tolerariam Lula no Planalto, apenas como serviçal, mas jamais como Presidente. Não conseguem digerir este dado inapagável. Lula Presidente representa uma virada de magnitude histórica. Essas elites perderam. E nada aprenderam. Seu tempo passou. Continuam conspirando, especialmente, através de uma mídia e de seus analistas, amargurados por sucessivas derrotas como se nota nestes dias, a propósito de uma entrevista montada de Veja contra Lula. Estes grupos se propõem apear o PT do poder e liquidar com seus líderes.
A segunda razão está em seu arraigado conservadorismo. Não quererem mudar, nem se ajustar ao novo tempo. Internalizaram a dialética do senhor e do servo. Saudosistas, preferem se alinhar de forma agregada e subalterna, como servos, ao senhor que hegemoniza a atual fase planetária: os USA e seus aliados, hoje todos em crise de degeneração. Difamaram a coragem de um Presidente que mostrou a autoestima e a autonomia do país, decisivo para o futuro ecológico e econômico do mundo, orgulhoso de seu ensaio civilizatório racialmente ecumênico e pacífico. Querem um Brasil menor do que eles para continuarem a ter vantagens.
Por fim, temos esperança. Segundo Ignace Sachs, o Brasil, na esteira das políticas republicanas inauguradas pelo do PT e que devem ser ainda aprofundadas, pode ser a Terra da Boa Esperança, quer dizer, uma pequena antecipação do que poderá ser a Terra revitalizada, baixada da cruz e ressuscitada.
Muitos jovens empresários, com outra cabeça, não se deixam mais iludir pela macroeconomia neoliberal globalizada. Procuram seguir o novo caminho aberto pelo PT e pelos aliados de causa. Querem produzir autonomamente para o mercado interno, abastecendo os milhões de brasileiros que buscam um consumo necessário, suficiente e responsável e assim poderem viver um desafogo com dignidade e decência.
Essa utopia mínima é factível. O PT se esforça por realizá-la. Essa causa não pode ser perdida em razão da férrea resistência de opositores superados porque é sagrada demais pelo tanto de suor e de sangue que custou.
Leonardo Boff (http://leonardoboff.wordpress.com/2012/09/17/manter-viva-a-causa-do-pt-para-alem-do-mensalao/)”
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