Arquivo de dezembro, 2010

O último rolê do ano. A água de coco. A banca de revistas. O último mendigo andando perdido e sujo.

A Jaqueira no lusco-fusco e pouco a pouco com a noite, foi adormecendo deserta.

Cheguei agorinha mesmo. Suado e tudo. Gordo seboso…

Mas, voltando… que lugar bom da gota. Que pulmão bem pertinho de casa.

Li uma crônica de Joca Souza Leão (é esse o nome né André?)  onde ele apontava o esporte predileto ao andar/correr na Jaqueira: ouvir as conversas partidas, entrecortadas, os humores, as piadas, assuntos bons ,outros não tanto. Uma bela e colorida colagem da humanidade.

Na última volta, vislumbro um pai e um filho muito pequenino. Caminham muito devagar. Mesmo prá mim, tartaruga em extinção, eles parecem como num filme. O pai segurando a mão do pequenino conversam…

Escuto o seguinte trecho: aí filho… a mamãe falou para o papai que era melhor ele morar em outra casa… aí por isso, o papai foi alugar um apartamento e você e seu irmão vão dormir com o papai algumas vezes e vão ficar morando com a mamãe…

Confesso que tive vontade de abraçar este pai… um abraço talvez piegas ou por demais intrometido. Mas , pensei nas famílias que começam e terminam no início. Não critico a velocidade das relações e nem acho que esses meninos estejam com o futuro ameçado. Quem sou eu…

Mas é que a cena me tocou. Não gostaria de ter escrito este post nem tocado neste assunto. Mas é que quem seja este pai e este filho, desejo a eles e ao outro filho e irmão do pequenino, um 2011 cheio de harmonia e muito amor.

E por falar em desejo, essa música do Barão Vermelho mostra que mesmo no Rio, o rock não erra e há vida inteligente na Cidade Maravilhosa.

PS – Trechos da letra, genial:
Desejo que você tenha a quem amar e quanto estiver bem cansado, ainda exista amor prá recomeçar… prá recomeçar…

Rir é bom mas que rir de tudo é desespero…

Eu desejo que você ganhe dinheiro pois é preciso viver também. e que você diga a ele pelo menos uma vez quem é mesmo o dono de quem…

                                           MANUAL DO FESTIVAL

A Música Popular Brasileira deve muito à nossa TV.Programas como O FINO DA BOSSA,JOVEM GUARDA,A GRANDE PARADA,DIVINO E MARAVILHOSO nos legaram Chico,Elis,Tom,Caetano,Gil,Roberto e tantos outros.Até que o “jabá” invadiu as telinhas transformando lixos como o BREGANEJO,PAGODE MAURICINHO,AXÉ e o atual PAGODE MALOQUEIRO (“tá querendo tirar onda ?”) em “must” e Música Prápular Brasileira.
Nos anos 60 os Festivais foram praticamente o único caminho por onde seguiram todos os nossos talentos.Apesar das falhas e de certas injustiças, eram o espaço mais democrático para os novos artistas.E isso se espalhou pelo Brasil. Aqui mesmo em Recife,até um dia desses, proliferavam os festivais de frevo,forró e MPB.Mas como é nossa característica, infelizmente venciam sempre aqueles que faziam parte das “panelinhas”, do compadrio e gente como Lenine,Zé Rocha,Nando Cordel,Geraldo Maia e outros tantos compositores foram se desenganando e partiram prá outras alternativas (o aeroporo,o TIP e até carona). Os festivais foram perdendo credibilidade,visibilidade e minguaram apesar de aqui e ali alguém insistir com a idéia.
Foi nessa época que recebi de um amigo,e guardo até hoje,um brilhante manual que orientava o compositor a participar dos festivais locais com dicas extremamente pertinentes. Vou aqui,tentar resumir algumas delas.

FESTIVAL ESTUDANTIL (tipo DCE etc): Faça uma toada.Use alguns instrumentos sulamericanos como o “charango” e tambores tiípcos dos Andes.Proteste contra alguma coisa mas não esqueça de citar Guevara,lutas,fratenidade universal etc.

MARACATU: Falar de Cambinda,Rainha Dona Santa,negros,nagô,côrte,quilombo,imperial e que tais.Não ouse mudar de assunto.

FREVO DE RUA: para-pá para-pá,turi turi tiru.Eita tá bom demais! Escreva um tema central e abra espaço prá solos de trumpete,trombone,clarineta e sax.IMPORTANTÍSSIMO: Faça na melodia citações à VASSOURINHAS.É tiro e queda.

FREVO DE BLOCO: Aqui reinam a tristeza e a melancolia (e é música de carnaval).Nada de encontros amorosos bem sucedidos nem que “este” carnaval é fantástico.Melhor dizendo, SOFRA! Lamente pelos velhos carnavais,cite alguém (mesmo que ninguém o tenha conhecido) tipo “cadê Natanael Edemerval” e suas pastoras genias,confetes,serpentinas,pierrô,colombina e (fundamental) “que já não voltam mais”. Vai por ai.Depois é só chamar uma penca de mulheres (principalmente vovós) para cantar. Fique tranquilo que o segundo lugar é seu.Afinal,nessa modalidade o PRIMEIRO lugar é propriedade de Getúlio Cavalcanti.

FREVO CANÇÃO: Aqui sim, cabe falar em alegrias.Vale ser engraçadinho e moderninho. Até picante.Mas nada exagerado.Uma boa é o Cometa Halley, Apollo 11,porta-seio (infalível),monoquini e minissaia. Olinda e o Galo da Madrugada não podem faltar.Por segurança acrescente algo “armorial” porque quas e sempre Ariano é jurado.Além da Primeira Dama,a Miss Pernambuco e João Alberto.Só gente do ramo.

SAMBA DE ENREDO: Se você já fez algum no ano passado,serve. Certas palavras e expressões são fundamentais: alegoria,avenida,e foi…ah e foi,a (nome da escola) vem cantar (o tema).Nem pense em se inscrever como único compositor (mesmo que isso seja a mais pura verdade).Samba de Enredo não tem parceria,tem escalação. Ex: LIBERDADE,LIBERDADE (autores: Neco,Di,Doca,Arsênio do Cavaco,Dé,Edgar Tamborim,Zinha e André Poeta. Se por acaso você não tiver ou conhecer ninguém,pode escalar seu time do coração (Domingos,Gena,Mauro,Fraga,Clóvis,Salomão,Ivan,Nado,Bita,Nino e Lala da Vila).

FESTIVAL DA GLOBO: Por acaso tens algum amigo amigo do Boninho ?

O coração apertado , emocionado, agradecido  pelos comentários dos amigos(as) no post abaixo. Nâo posso encontrar palavras. Apenas uma: gratidão eterna.

Essa mensagem de Ano Novo ia se chamar quarentena. Quando completei 40 dias de caminhadas na Jaqueira. Mas passou e hoje são 50 dias. Não é nada, não é nada , mas hoje eu sinto que os benefícios começam a surgir: sono muito melhor, peso também (embora haja uma longa estrada, mas não tenho tanta pressa), taxas já melhorando (com 30 e poucos dias fiz exames e todas as taxas tinham diminuído), humor, amor, sensação de maior presença do corpo e maior vitalidade. Além é claro do prazer imenso de andar na Jaqueira.

Na maioria das vezes fui com Ana Luiza ou Daniel ou Izabella ou os três. Gabriela encara uma sessão de dança (tô fora), de sapateado, mas andar/correr não é com ela. Também fui sozinho: eu e o nobre God. Tentando aquietar o quengo, descarregar as tensões. Não conheço até hoje terapia melhor. Antes, invejava os corredores lépidos e fagueiros (novinho hein). Hoje não. Minha praia é caminhar. Obedeço aos limites do corpo.Ele me recompensa depois, quando estou na barraca da água de coco que vem a ser de um primo Zé Maia, que inclusive anda me devendo um puxão de orelhas , pois aumentou o coco para R$ 2,25. A recompensa do corpo vem com a liberação das endorfinas. Estava esquecido do prazer que elas proporcionam. E quero deixar este testemunho para as pessoas que fazem o Fusca junto comigo: acho que isso é uma forma de renascer, de dizer sim a si mesmo, de gostar mais da própria vida.

Obrigado por tudo. Pela amizade sincera e desprendida. Pela sinceridade. Pela pureza e pela franqueza. A todos, sem exceção e não vou nominar porque todos sabem que estão no meu coração, da mesma forma que eu sinto que estou no coração de vocês: UM FELIZ 2011. QUE  O BOM SEJA ÓTIMO. O ÓTIMO SEJA EXTRAORDINÁRIO E DAS COISAS MAIS SIMPLES, SAIBAMOS FAZER O BANQUETE, A FESTA, A NOSSA MORADA, A NOSSA FELICIDADE.

São os sinceros e fraternos e amorosos votos de Domingos, Ana, Daniel, Gabriela e Izabella.

PS – Uma das orações mais desconcertantes que aprendi com uma pessoa da família era mais ou menos assim: “Senhor obrigado por tudo! Já recebi tudo que preciso, ajude alguém que esteja realmente necessitado”. Tia Raquel, onde a senhora estiver, saiba que se existiu na minha vida uma pessoa grata, terna, amorosa e educada (na mais completa tradução da elegância e da simplicidade) foi você. Espero que você Raquel Amorim de Sousa esteja junto com meu Pai e minha Mãe e a turma toda e esteja cuidando de nós todos. Porque aqui embaixo a gente “tamos” precisando um “cadinho só” de proteção. No mais é ir se acostumando a rezar da sua maneira. A saudade é muito grande, justo você que não pode ir ao meu casamento porque não estava mais morando neste planeta extraordinário.

AMÉM.

Este poema foi escrito em outro aniversário de casamento. Na verdade todo dia é um novo aniversário , um novo renascer. E esse aprendizado ( afinal são 20 anos ), três filhos, um família que eu agradeço sempre de joelhos. Os amigos são minhas testemunhas de coração e muito bem quistas e são nas suas conquistas,  meus ídolos e referenciais. Agradeço por tanta poesia derramada nesta vida. E que tem valido a pena. No mais é agradecer por uma noite de paz, um belo jantar, boas lembranças, um futuro que nos espera de braços abertos para podermos darmos nossas braçadas e caminharmos juntos até o encantamento dos encantamentos…

“Pular bem dentro da tua alma é
como alcançar a paz,
no abismo dos oceanos
e se fazer homem,
É seguir rumo ao eterno vivendo
aqui a mais bela das aventuras..
Abrir meu coração para você
encontrando sempre novas
idéias, sempre novos saberes e
sempre celebrar a vida.
Viver bem dentro da tua alma é
como nascer de novo todos os
dias e saber que o tempo é
irmão dos amantes e acende a brasa
das paixões como o céu acolhe
as estrelas..
Olhar bem dentro da tua alma é
receber o alento da mais pura
generosidade, da luz que
emanas e na qual me alimento
como o mais feliz dos
namorados.. Seguir em frente,
confiando, amando, respirando,
ao teu lado, é a minha forma de
viver, e de saber que te dizer
sim foi a melhor maneira que
encontrei de renascer. “

                                                    A PALMATÓRIA

Para o GM Edgar que um dia lá atrás pediu-me prá contar.

Morando em Vitória de Santo Antão,aprendi as primeiras letras naquele típico coleginho de interior que a gente lia nas cartilhas.Uma casinha,uma professora tipo Tia Benta,aquela salinha e uns 1O moleques no máximo. Quando voltamos pro Recife,rua Bela Vista em Yellow House,meus irmãos se espalharam pelo Salesiano,Nóbrega e N.S. do Carmo mas eu fiquei numa escolinha (embora bem maior que a primeira) ali,numa transversal de casa onde mãe e filha eram as professoras.Mesa quadrada com um aluno em cada lado.Fiquei lá uns 3 anos mas acho que esse episódio se deu no meio de 1964.
O fato é que durante uma manhã,de repente escuta-se aquele alarido e,olha que 20 crianças berrando produz muito mais volume que 20 mil alvirrubros cantando parabéns prá Dom Dedé. Aquele berreiro vinha se aproximando e foi que me deparei com uma cena tão dantesca que até hoje lembro nitidamente. A professora um tanto constrangida desfilava de mãos dadas com uma criança com uma enorme orelha-de-burro com a molecada atrás a caçoar da pobre menina que se chamava Mércia,que chorava de dá dó com uma cara entre humilhada e assustada.Cara de pânico.Parte de minha turma aderiu,parte sorria amarelo e eu gelei.Fiquei estático.Pálido.
Pois bem,para a minha turma,de pouco mais idade,o castigo era outro (nem pior nem melhor) . Pois que meu chapa,colega de lei,fez uma peripécia qualquer e diante de todos foi brindado com 4 lapadas de palmatória.O pobre carrasco era um rapaz franzino,meio raquítico de uns 16 anos tipo o garoto que tentou afanar a bicicleta do menino Edgar.Nem lembro seu nome mas lembro bem do terror e dos berros de meu amigo Carslile. Tenho prá mim que parte era de dor mas também havia vergonha naqueles lamentos.
Ao sentar-se envergonhado ao meu lado,meu amigo (e boa parte da meninada também) me ouviu dizer que “comigo não! vai ter troco!”.
Já tinha contado a minha mãe sobre o caso de Mércia e me apressei em lhe contar sobre a palmatória e da minha possível reação.
Não lembro com exatidão mas acho que um mês depois chegou o meu dia.Nem lembro o que aprontei mas fui convocado às 4 porradas do rapaz.Em princípio eu afinei.Resolvi que não revidaria mas não emitiria um gritinho nem verteria uma lágrima  e cedi humildemente minha mão direita (sou canhoto até prá me benzer e malandro nasce feito) e deixei a canhotinha livre como a brisa.Juro por tudo que foi na reação,automática.Enquanto gritava um ÁI a canhota subiu,aberta,um chute de Alemão (zagueiro do Sport) na cara do pobre rapaz que no susto caiu sobre a mesa e dali pro chão.A classe veio abaixo.Virou “zona”.A diretora/professora à chamar a filha/professora,o rapaz atônito e eu gelado voltei pro meu lugar.Acalmada a balbúrdia me mandaram prá casa com a ordem de comparecer com minha mãe no dia seguinte.
Minha mãe foi show.Alfinetou sutilmente a diretora alegando que me perdoasse porque eu não estava acostumado com aquilo.Na minha casa não se batia nos filhos (batia sim.Ela de leve e papai de leva) e que meu castigo seria não ir à praia nem aos Aflitos no domingo.
Dias depois as professoras reunidas comunicaram a toda (pequena) escola que aquelas práticas estavam abolidas.E tenho que fazer justiça.Devo muito àquelas mestras.Eram competentes,carinhosas e bondosas.O fato é que aqueles tipos de punições eram tidos como deveras pedagógicas,educativas (aquela história do “dói mais em mim”) e antes desse episódio escutei várias vezes a filha relatar que abominava aqueles métodos que,já vinham sendo abolidos em larga escala.

Bom,mas o papo aqui não é musica ? Pois é,nessa época eu vinha escutando pelos rádios umas músicas adoráveis,diferentes,bem prá cima e que eu achava tratar-se de vários e diferentes cantores ou grupos.Foi que dias antes da palmatória,minha irmã interrompeu minha partida de botão chamando-me prá ver uns caras parecidos com Rita Pavone na TV.E então ? Lá estavam ELES.Twist & Shout,Please Please Me,I Want to Hold Your Hand,All My Loving,From Me To You,She Loves You e Long Tall Sally.Foi um soco no meu “estrombo”, uma porrada tão violenta que,afinal terminou resvalando na face do rapaz da palmatória!

LIZZIE BRAVO

Se ainda hoje há quem gaste o que pode e o que não pode com Festa de 15 Anos imagine isso ali por meados dos anos 60. Alugava-se clube,conjunto,gastava-se com bebidas,acepipes (adoro essa palavra) e jantar prá uma penca de convidados e o dobro de penetras.Sem falar nas roupas da debutante,irmãos,papai,mamãe,vovó e algum tio desempregado e, às vezes até,de uma dama de honra mais pobrezinha.Saía mais caro até que certos casamentos ou o passe de Brasão.

Mas a menina Lizzie,brasileira (paulista ?) foi taxativa. Não quis nada daquele folclore.Preferiu ir à Londres no ano seguinte,já com os 16 anos completos e sozinha.Só um mês.Além do mais teria tempo para economizar  uns trocados extras.Muito me admira que naquela época os seus pais tenham concordado.Certamente eram bastante “práfrentex” ou Lizzie pretestou com estudos de inglês,Bill Shekeaspere (?) ,ver Bebete II e a troca da guarda.

Mal botou os pés em Londres Lizzie se instalou numa modesta pensão e correu para a Saint John’s Wood, ou melhor, Abbey Road onde ainda hoje ficam os Estúdios da EMI começando sua romaria.Conheceu fãs de tudo que é lugar do mundo e jura que nenhum era cearense.Fez amizade com a turma de plantão permanente que costumava levar biscoitos,bolos e refrigerantes para os Beatles (é claro que,aqui nesse ponto vocês já notaram qual era o objetivo da viagem de Lizzie) fosse primavera,verão,outono,inverno ou Santa Cruz do Capibaribe na hora do chá.
Dessa turma,Lizzie ficou muito amiga de uma loirinha britânica chamada Gayleen que até lhe arrumou uns empreguinhos de meio turno e permaneceu na Inglaterra por quase dois anos (salvo engano). George Harrison as chamava de APPLE SCRUFFS, que depois viraria música de seu album solo, sensibilizado com aquela gente que,se muito via,eram seus sapatos,a baqueta do Ringo ou os óculos de Lennon e assim mesmo duma distância maior da que se vê a Europa de João Pessoa.

Eis que num dia terrivelmente chuvoso (é redundância mesmo) em Londres, o porteiro penalizado chamou aquele pequeno grupo para se instalar na escadaria da entrada dos estúdios e ali pelas 7 da noite a porta se abre e cara a cara com elas Paul pergunta se alguma das garotas sabia cantar.Lizzie se apresentou na hora,falante , dizendo que ela e sua amiga estudavam canto.Assim,McCartney as levou pro Estúdio 2 onde os Beatles estavam gravando ACROSS THE UNIVERSE.Lizzie conta que parecia estar na Terra do Nunca,cercada de instrumentos musicais , microfones e de beatles por todo lado.George,Ringo e John conversavam com o produtor George Martin.Eles foram gentis e as acalmaram explicando que elas cantariam apenas um pequeno verso a cada refrão cuja letra era “NOTHING’S GONNA CHANGE MY WORLD” e só.Ensinaram-lhes a música e elas foram repetindo até se acalmarem e entrarem no clima.De vez em quando ouviam o Martin repetir pelos fone para “chegarem mais perto” (do microfone).
Tiraram fotos,tomaram chá,conversaram,ganharam brindes e assinaram a autorização para o possível lançamento da canção.Depois foram gentilmente conduzidas à saída e nunca mais conseguiram contato com eles quatro.E Lizzie então,voltou pro Brasil.

NOTAS
– Lizzie Bravo  hoje é jornalista. Sei que tem uma filha.Ela é a morena gordinha que vocês verão no vídeo.
– A versão de Across The Universe com Lizzie e Gayleen foi lançada num LP beneficente chamado NOTHING’S GONNA CHANGE OUR WORLD para uma Fundação da Vida Selvagem já fora de catálogo. Agora faz parte do repertório oficial dos Beatles no CD PAST MASTERS 2. Vale conferir.
– Há mais 3 versões diferentes de Across The universe.A do disco LET IT BE,outra na série ANTHOLOGY 3 e outra no  LET IT BE NAKED.

 

OS TRÊS CEDROS

Conta uma antiga lenda que três cedros nasceram numa linda floresta do Líbano. Como os cedros levam muito tempo para crescer, estas árvores passaram séculos observando a vida, a morte, a natureza e os homens.

Nesse período, presenciaram a chegada de uma expedição de Israel, enviada por Salomão; mais tarde, viram a terra coberta de sangue durante as batalhas com os assírios. Conheceram Jezabel e o profeta Elias – inimigos mortais. Assistiram a invenção do alfabeto; se deslumbraram com as caravanas que passavam, cheias de tecidos coloridos… E, em um belo dia, decidiram conversar sobre o futuro.

– Depois de tudo o que tenho visto, disse a primeira árvore, quero ser transformada no trono do rei mais poderoso da terra.

– Eu gostaria de ser parte de algo que transformasse para sempre o Mal em Bem, comentou a Segunda.

– Por meu lado, eu queria que toda as vezes que olhassem para mim, pensassem em Deus, respondeu a terceira.

Algum tempo se passou e apareceram os lenhadores. Os cedros foram derrubados e um navio os carregou para longe. Cada uma daquelas árvores tinha um desejo, mas nem sempre a realidade leva em conta os sonhos.

O primeiro cedro, foi usado na construção de um abrigo para animais, e suas sobras serviam para apoiar feno.

O segundo, virou uma mesa muito simples.

O terceiro, não encontrou compradores, foi cortado e armazenado em uma cidade grande.

Apesar de felizes, as árvores lamentavam seu destino: “nossa madeira era boa e ninguém encontrou algo de belo para usá-la”.

Tempos mais tarde, numa noite cheia de estrelas, um casal que não conseguia encontrar refúgio resolveu passar a noite no estábulo, construído com a madeira do primeiro cedro. A mulher, em trabalho de parto, deu a luz ali mesmo, colocando seu filho entre o feno e a madeira que o apoiava. Naquele momento a primeira árvore entendeu que seu sonho tinha sido cumprido: ali estava o maior de todos os reis da Terra.

Anos mais tarde, numa casa modesta, vários homens sentaram-se em torno da mesa feita com a madeira do segundo cedro. Um deles, antes que todos começassem a comer, disse algumas palavras sobre o pão e o vinho que tinha diante de si. Nesse instante, a segunda árvore entendeu que ela sustentava não apenas um cálice e um pedaço de pão, mas a aliança entre o homem e a Divindade.

No dia seguinte, retiraram dois pedaços do terceiro cedro e fizeram uma cruz, que ficou jogada em um canto. Horas depois, um homem ferido a carregou nos ombros até um monte, onde foi cravado em seu lenho. Horrorizado, o terceiro cedro lamentou a herança bárbara que a vida lhe deixara. Porém, antes que três dias decorressem, a terceira árvore entendeu seu destino: o homem que ali estivera pregado era agora a Luz que tudo iluminava. A cruz feita com sua madeira tinha deixado de ser um símbolo de tortura, para transformar-se em sinal de vitória.

Como sempre acontece com os sonhos, os três cedros do Líbano tinham cumprido o destino que desejavam, mas não da maneira que imaginavam.

Autor desconhecido

PS – Obrigado Magna.

Devidamente passado a limpo pelos 5 Cavaleiros da Távola Redonda, ou melhor pelo Conselho Deliberativo do Fusca do Neno e do Jabá ( Edgar, João Carlos, André Gustavo, Osvaldo e Arsênio Meira Filho) e acredito pelos poetas Tadeu Rocha, Carlos Maia e pela poetisa Magna, a garota de Tamandaré ( Na rede e off line):
                                          

ORAÇÃO DE NATAL

Encerra-se mais um ano em sua vida… 
Quando este ano começou, ele era todo seu. 
Foi colocado em suas mãos… 
Podia fazer dele o que quisesse… 
Era como um Livro em Branco, e nele você podia ter um poema, um pesadelo uma blasfêmia, uma oração. 

Podia… 
Hoje não pode mais, já não é seu. 
É um livro já escrito… 
Concluído… 
Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe será lido, com todos os detalhes, e não poderá corrigi-lo. 

Estará fora de seu alcance. 
Portanto… 
Antes que termine este ano, reflita, tome seu velho livro e folheie com cuidado… 
Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciência; 
Faça o exercício de ler a você mesmo. 
Leia tudo… 
Aprecie aquelas páginas de sua vida em que usou seu melhor estilo. 
Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito. 
Não… 
Não tentes arrancá-las. 
Seria inútil… 
Já estão escritas. 
Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que será entregue.
Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e evitar repetir as ruins. 
Para escrever o seu novo livro, você contará novamente com o instrumento do livre arbítrio, e terá, para preencher, toda a imensa superfície do seu mundo. 

Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije. 
Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir, coloque-o nas mãos do Criador. 
Não importa como esteja… 
Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras: Obrigado e Perdão!!! 

E, quando o novo ano chegar, lhe será entregue outro livro, novo, limpo, branco, todo seu, no qual irá escrever o que desejar… 

FELIZ LIVRO NOVO ! 

PS – Eu agradeço a força dos amigos/irmãos queridos e amados. Mas , como me expressei mal no email poderam ser direcionados a supor que era da minha autoria. Desculpem-me. Sinceramente. O texto é muito bonito e ficaria muito feliz de poder escrevê-lo. Mas outro ser humano escreveu e estava com muita inspiração e muito amor no coração. Então que este Natal seja o melhor Natal de todos que aqui vivemos até hoje. Abração para todos.

HAPPY XMAS não é uma mera canção tolinha da Natal.Lennon a esvreveu em 1969 durante a campanha WAR IS OVER (If You Want It) contra as guerras em geral (na época Vietnam e Biafra) e foi gravá-la no final de 1971 já em Nova York com o coral de crianças negras do Harlem. As imagens são contundentes mas se adequam perfeitamente à idéia e a mensagem da canção.
PS: O que Simone fez com ela e virou peru de festa não foi uma versão mas uma verdadeira AVERSÃO!

PS – John, desculpe-me , mas a outra versão do Youtube faiô.

 

Natal aí chegando. O Menino Jesus nos convida na voz do Cordel, no vídeo-coração de Magna, na voz de todos os fusconautas, fuscopoetas e fuscoloucos. O brother Arsênio em Sampa tomando um chopps e dois pastel, cruzando a Ipiranga e a Avenida São João. Ano Novo chegando, Drummond mandando torpedos do Hubble, nós mandando torpedos para Leminski, Ana Maria César mandando dizer que no céu a poesia é melhor ainda. Vinicius, Bandeira, João Cabral e Alberto Cunha Melo traduzindo a essência cristã nos seu belos poemas sobre o nascimento do Deus Menino. João Carlos com sua coluna não sai de Candeias. André Gustavo do You Tube já mandou dizer que não mandou dizer nada e disse tudo. Edgar Mattos, comandante em chefe das forças poéticas, apostando no encontro. Tadeu calado e fazendo poesias. Carlos sumido repousando para voltar mais tinindo ainda. Osvaldo curtindo Lorenzo e seus dois meninos lindos, avisa que não vem porque no meio do caminho tinha uma Pedra. Clávio de Sampa nos olha e avisa que encontrou Arsênio na avenida Paulista( é lera ouviram? ). Eu só com a canhota segurando o copo de Chopps feito o caranguejo do Buraco da Gia. Que dia será afinal? Neste ano que se desmancha feito fogueira do poema de Mário Quintana. Os músicos underground todos querendo tocar pro Fusca e eu sei saber como vai ser. Não sei.

Só sei de uma coisa. Ou dessa vez sequestramos Millor Fernandes ou ele será apenas um retrato na parede. Com coluna e tudo. Avantes.

 ROBERTO CARLOS, A METAMORFOSE ONDULANTE

Nosso RC convivia com um roqueiro nato,Erasmo e com um “soul man” congênito,Tim Maia, mas acreditem, ele queria ser João Gilberto.Até arriscou um compacto com a bossinha JOÃO E MARIA que não colou e ele até hoje tenta esconder mas já bomba na Internet faz tempo.

 
Com a chegada da beatlemania a TV Record queria explorar esse filão e Carlos Imperial apontou o Roberto que ao lado de Erasmo e Wanderléa formaram a Santíssima Trindade da Jovem Guarda. Esse foi um período muito bom.RC fazia um som leve,de guitarras e levadas bem “surf music” com biquinis,monoquinis,a garota do baile,broto do jacaré,Lili e os 7 cabeludos.Uma delícia.E a Jovem Guarda se segurou até 1968.

 
Naquela época a música brasileira mais genuína era a Bossa Nova, que conquistou o mundo e justamente por isso seus próceres já tinham se instalado pelos EUA e Europa deixando por aqui um vazio que foi sendo ocupado pela Jovem Guarda e a turma da chamada MPB que,mais da parte desses últimos,rivalizavam radicalmente.Se a Jovem Guarda produzia uma música boba beirando a ingenuidade (tinha versões de arrepiar de ruins) a MPB era conservadora e bastante panfletária.E todos tiveram de se render ao Tropicalismo que chegou divino e maravilhoso colocando tudo dentro do balaio.Repensando e revazendo tudo na música brasileira.E sem querer o radicalismo da MPB e a pobrezinha Jovem Guarda ficaram caretas.E minguaram.

 
Mas o fim do movimento levou Roberto Carlos a mudar de rumo quase abruptamente.E por influência de Tim Maia,produziu 3 albuns fantásticos e inconfudivelmente “soul music”. Parecia coisa da Motown.Levadas,metais,órgão Hammond e backing vocals femininos com tudo que tinha direito..

Confiram os discos O INIMITÁVEL,DIAMANTE COR-DE-ROSA e RC 70. Além da dupla Roberto/Erasmo tinha Tim Maia,Caetano,Renato e até Antônio Marcos.
O Tropicalismo teve o dom de trazer pro topo o que havia de melhor na MPB e na Jovem Guarda.Além RC,Chico,Elis e Nara chegaram e a MPB virou uma coisa só,embora com estilos e tendências variados,ricos e com cara de Brasil.

Ao contrário dos colegas compositores, RC se acomodou e nunca se desenvolveu no violão.Ainda hoje toca primariamente o instrumento o que lhe limitou os caminhos.Sua música,cada vez mais pobre harmonicamente,virou um plágio de si mesma.Repetindo fórmulas à exaustão e aderindo ao mais medíocre popularesco.Troços como AMIGO DE FÉ,MULHER GORDINHA,MAGRA,CAMINHONEIRO e tantas outras além de um romantismo óbvio e repetitivo,o que não quer dizer que aqui e acolá ele acerte uma.

Sem preconceitos,Roberto virou ídolo de vovós e donas-de-casa suburbanas que discutem  sobre o preço da margarina,a novela das oito e o Evangelho Segundo Edir Macedo.
Pois é, o brasa que queria ser João Gilberto, virou Elvis, depois Stevie Wonder e terminou como Julio Iglesias da República das Bananas.Mas “esqueça, ele não te ama!”.

Coluna do Arsênio Meira filho.

Publicado: 18/12/2010 em Poesia

O DIA EM QUE OS (IMENSOS) POETAS REPENTISTAS FORAM DEFENDIDOS PELOS (GENIAIS) POETAS DE GRAVATA
  
para os meus amigos Edgar Mattos, Domingos Sávio Maia e Osvaldo Soares Neto
 
Certa feita, num  festejado congresso brasileiro de poetas, escritores e críticos litérários, com a ilustre presença de Neruda como convidado especial, a nata da literatura brasileira viu-se reunida num dos inúmeros recantos do velho Copacabana Palace. 
 
Estavam presentes Drummond, Murilo Mendes, Manuel Bandeira (o decano dos poetas que, a contragosto, foi o escolhido para intermediar os debates), Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, Antonio Houaiss, Mário Quintana, Aurélio Buarque de Holanda, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, Augusto Frederico Schmidt, Otto Lara Resende (Nelson Rodrigues estava doente e não pôde ir. João Cabral estava em Paris), Ascenso Ferreira, José Lins do Rego, enfim, muita gente, quase todos os bambas estavam presentes (compareceram também os coadjuvantes).
 
O clima era ameno, de total descontração, troca de experiências, bate-papo, histórias e etc. Vinicius tratou logo de abastecer o estoque de uísque, pois Neruda já estava meio bicado, Ascenso prometia ficar e, ele próprio Vinicius não via a hora de tomar a primeira dose.
 
Bandeira olhava pra Vinicius e pra Drummond, numa carinhosa provocação para com o poeta mineiro, que entendia o recado e ensaiva um sorriso como quem dizia : “esse aí (Vinicius) é que sabe viver…”
 
Pois bem.  Lá pelas tantas, quando o tema voltou-se para a poesia de cordel, um crítico literário do jornal “O Globo’, cujo nome hoje ninguém lembra, começou a desancar de forma irada os repentistas nordestinos. Com ares presunçosos, pensava o imbecil que iria ter o apoio de todos, pois confundiu-se todo ao imaginar que só a poesia dita oficial tinha valor para aqueles homens. 
 
Resultado: borrou-se na calças quando viu que a besteira que havia dito; pegara mal demais.  Porque uma coisa é a crítica, mas a ofensa gratuita é coisa para cafajeste (parece que essa foi de Quintana, que após soltar sua conclusão, placidamente voltou a fumar, ressaltando a todos que seria de bom tom ignorar para sempre aquele indíviduo).
 
Manuel Bandeira, Ascenso, Drummond, Vinicius partiram pra ataque. Pouco se importaram se ele era de o “GLOBO” ou não.  
 
Drummond, irritado, disse ao crítico e a todos que o mundo andava mesmo cheio de pobres – diabos, e que talvez por isso ele ficava cada dia mais amargo, mais cético e desgostoso com a natureza humana.
 
E disse em alto e bom som: “E agora, com a maior honra, apresento-lhes mais um idiota no mundo, o Srº critíco fulano de tal.” As gargalhadas começaram por aí.
 
Ascenso queria ir pra porrada, mas Ledo Ivo – cuja altura era praticamente a de um anão, conseguiu segurá-lo. (Ascenso era da Altura de papai, ou seja um gigante).
 
Vinicius – enérgico – pediu a palavra: dizem que na hora ele fez – de improviso – um irônico soneto de “louvor” à sabedoria do “Srº crítico tititca de galinha” (o beócio ficou sendo chamado de titica de galinha).
 
Mas a melhor defesa veio de  Manuel Bandeira, não só pelo fato de ser pernambucano do Recife, característica fundamental em sua poesia, pois todos sabemos o quanto ele amou o Recife de sua infância e as pessoas do seu imaginário de menino, mas principalmente pela devoção que ele sempre teve pelos seus pares repentistas.
 
Bandeira, já com 60 e poucos anos – com o seu jeito plácido e ao mesmo tempo incisivo, disse ao idiota mais ou menos o seguinte:
 
“Meu filho, aprenda uma coisa, só uma: esses poetas são melhores do que todos os que estão reunidos neste colóquio. E não é por piedade ou qualquer sentimento de conterraneidade que digo-lhe e afirmo-lho isso. Eles são melhores que nós pois – a despeito de uma vida castigada pela miséria, morte e ausência de educação formal , escreveram versos do mais profundo sabor liríco, como esses:
 
“Passa dia por mês e mês por ano
Passa ano por era, era por fase
Nessa base tão triste eu vejo a base
Do destino passar de plano em plano
Com a mão da saudade o desengano
Passa dando um adeus fazendo um S
Vem a mágoa o prazer desaparece
Quando chega a velhice, foge a graça,
Passa tudo na vida, tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece.”

  
Jó Patriota, de São José do Egito
 
E prosseguiu Manuel Bandeira, diante da plateia muda e embevecida. O “crítico”, aquela altura procurava um buraco onde enfiar sua pobre cabeça: 
 
 “Eles possuem – quando muito – apenas nível primário de escolaridade. Muitos assistiram a morte lenta dos próprios pais, dos seus entes queridos, condenados à própria sorte, em terras distantes, sem hospital, água ou luz. Não poderias jamais vir aqui e ofender a dignidade destes homens. Muitos deles assistem à morte lenta da região em que vivem. E mesmo assim são os Reis do Improviso. Reis da simplicidade e da beleza, como nesta quadra:
 
Até nas flores se vê
A diferença da sorte
Umas enfeitam a vida
Outras enfeitam a morte”.

 
Zé Lopes, de Afogados da Ingazeira


E finalizou, recitando de pé, os versos de Lourival Batista Patriota,  o Louro do Pajeú:
 
“Do gosto para o desgosto
O quadro é bem diferente,
Ser moço é ser sol nascente,
Ser velho é ser um sol-posto,
Pelas rugas do meu rosto
O que eu fui, hoje não sou,
Ontem estive, hoje não estou,
Que o sol ao nascer fulgura,
Mas ao se por deixa escura
A parte que iluminou.”



Bandeira foi ovacionado por todos, o encontro prosseguiu, o “crítico” tomou doril e Vinicius de Moraes escreveu – algum tempo depois – que ao sair do congresso, com a alma lavada, já estava pensando no que iria dizer pro seus amigos Ari Barroso e Antonio Maria  no  velho Amarelinho (o bar então em voga), mas lembrou-se de ir ao centro da cidade, onde precisava resolver algumas coisas cotidianas. 
 
E uma vez no centro do Rio de Janeiro, de repente, ele viu Drummond sozinho, sentado num banco, folheando uns livretos de poesia de cordel, com os olhos cheios de lágrimas.
 
Tudo isso graças à sensibilidade do grande amigo e mestre de todos eles, que se chamava Manuel Bandeira.

Arsenio Meira Júnior
Recife/PE, 15 de dezembro de 2010.  

É só o tempo de ir trocar o relê e o platinado (vixe) que hoje temos biscoitos finos, coisa boa, cultura da melhor qualidade:

1) Sábado Som – por João Carlos de Mendonça

2) Coluna de Arsênio, citando um caso extraordinário sobre a nossa riquíssima literatura de cordel.

Vale a pena esperar. Enquanto isso, na sala de justiça…  vamos para o FuscaTube.

Mário Quintana. Precisa dizer alguma coisa? Nada meus amigos. Só o puro deleite:

ESCÁRNIOS

Desatarei a fantasia em cauda de pavão num ciclo de matizes, entregarei a alma ao poder do enxame das rimas imprevistas.
Ânsia de ouvir de novo como me calarão das colunas das revistas esses que sob a árvore nutriz escavam com seus focinhos as raízes.

Vladimir Maiakóvski

Então é Natal (2)…

Publicado: 13/12/2010 em Poesia

Obrigado João Carlos, mestre das Antúrias, o músico ermitão, o poeta do humor e da beleza . O cara das idéias que movem o Fusca pelo pensamento. Combustível divino.

Obrigado Edgar. Não é fácil responder ao seu poema. Só outro poema igual e eu me sinto tão desmerecedor de tanto carinho, de tanta humanidade, nesta época tão difícil de tanta velo-cidade, tanto narcisismo e egoísmo que deleguei ao mestre Arsênio para responder por mim.

Meu coração hoje de tarde bateu realmente fora do compasso lá no banco. Tive de segurar a emoção. Muita mesmo. Emoção e gratidão.

Repito aqui o seu comentário para homenageá-lo de todas as formas que eu souber fazer. Um poema anda rondando meu coração e ando apanhando os seus fragmentos por onde vou desde que li o seu comentário extraordinário e demasiadamente humano. Então pois, vejam meus amigos a completa tradução da beleza, afiançada por João Carlos, Arsênio, Osvaldo, Tadeu , André, Julinho, a família toda reunida:

“Se o Fusca falasse diria que pra quem é movido a Poesia jamais faltará combustível… Depois o Fusca é flex: aceita também boa prosa tenha ou não no álcool a sua inspiração. Nele se pratica a direção solidária para os que, nos acesos da inflamada campanha, magoaram a “direita”. Depois, é só ligar o piloto automático que o Fusca sabe os caminhos do dono. E nunca se perderá quem pode sempre contar com o melhor dos GPS, aparelho alimentado eletrônicamente pela amizade cuja sigla significa: Guiado pela Sabedoria ! Nada de parar, portanto. Até porque o seu projeto é também o nosso: que todos os dias sejam (de) Domingos assim como é infinita a Poesia.”

Obrigado Edgar.

Então é Natal…

Publicado: 12/12/2010 em Poesia

O Fusca vem recebendo o apoio luxuoso dos amigos. Puxando o cordão da velha guarda da Yellow House, o mago João Carlos de Mendonça e sua coluna Sábado Som. Somem-se os nobres Edgar, Arsênio, Osvaldo, André, Tadeu. Enfim…

O Fusca vai sobrevivendo. Já cumpriu seu papel.

Tomei uma decisão e informo aos confrades em primeira e única mão (a esquerda) que o Fusca está vivendo da caridade e do amor dos fusconautas.

Estou deixando o blog na banguela.

A missão bela e cheia de vida foi cumprida. E comprida está a mala de poemas, comentários, hai-kais e muita vida, muita liberdade, muito respeito e transparência.

É hora de ir em busca do meu sonho, do meu projeto que vai me deixar melhor comigo mesmo. E isso demanda tempo que é um bem muito escasso para todos nós. Não há de forma alguma, tempo de sobra. E ser blogueiro não é meu ofício. Cheguei a esta conclusão.

Fiz as pazes com a poesia. Nesta vida não pretendo mais traí-la. De forma alguma.

A saúde está recomposta com relação a outros males. A mão, dos males o menor. Vida de bancário, mão podre , é assim mesmo. Na época das velhas máquinas de datilografia não tinhamos ninguém adoecendo dessa forma de hoje com os computadores. Teclados suaves, mouses opticos, telas de LDC. E mesmo assim…

Voltarei no Natal com  a mensagem que espero possa ser construída por todos para todos. Até lá vamos nos alimentando da poesia e da sabedoria dos amigos, pois como disse o nobre confrade Negão, o Fusca tá mais para uma “Barbearia em Manhã de Sábado”…