Arquivo da categoria ‘Domingos – Crônicas’

Rede-De-Bambu-Bambusa-Original-Frete-Grtis-Para-Todo-20120904042144

 

Madrugando neste começo de ano que já vem em altíssima velocidade , me pego na rede, de pano, de verdade em solitário deslumbramento.

A melhor felicidade, contrariando João Gilberto , Tom Jobim e Chico,é que é possível ser feliz sozinho. E assim ser feliz com os outros.

Em linha tronxa com Sartre, os outros nunca serão o inferno. Os outros espelhados dentro da gente é que são o verdadeiro inferno.

Aquilo que me ameaça, me assusta, causa náuseas sartreanas, da vida e das gentes é nascida de dentro.

O olho d´’agua é do coração prá fora. E a indesejada sensação de inadequação social, nada mais é que um arresto da solidão pedindo o conserto.

Ou seria CONCERTO?

Tem talvez conserto para a clausura virtual?

Me pego lendo, na rede de pano, olhando o que restou do estupro no Rosarinho, as poucas casas ainda de pé, a história do homem que resolveu passar 100 dias longe do facebook.

Eu passei dois, graças ao local distante e a operadora que me deu um presente de final de ano. Isolado, fiquei muito mais próximo dos meus próximos.

E espero continuar essa pisada, esse xote, esse baião de muitos neste ano.

Não se trata de promessa vã de início de ano.

Não se pode creditar o acaso.

Mas, de fato, vem acontecendo uma falta de ar, uma necessidade de viver e de sair desta prisão, que mesmo na blogosfera a tendência é sumir.

O que me salva é escrever, mesmo textos ruins , para me libertar.

Que me perdoem os menos de cinco leitores fiéis e que me sustentam nessa generosidade dos bons amigos.

Daqui não saio e nem da rede de pano.

Quero mesmo é comer jabá, quiabo e andar pelos mercados da Madalena, Encruzilhada, São José, Casa Amarela.

Dar pinotes nos caldinhos e respirar o ar desta nossa cidade tão odiadamente amada e tão esquartejada pelos seus alcaides.

Um de menos, já finado, graças a Deus e ao PT que se foi prá sempre. Tempos de esperança. Quem sabe?

Eu de nada sei. Mas quanto menos eu ficar nas redes sociais e mais na vida, obrigado Xico Sá e correr para a vida melhor será.

Assim seja.

Amém.

Feliz 2013.

(*) os créditos da foto são DA BAMBUSA. Fabricante desta rede fantástica. Criação de Bruno Gasparini.

Anúncios

frase-o-casamento-ocasiona-multiplas-dores-mas-o-celibato-nao-oferece-nenhum-prazer-samuel-johnson-114973

Um grande colega de trabalho, hoje aposentado, me liga em meio a litros de cerveja, para me desejar Feliz Ano Novo, etc pei bufe e coisa e tal.

A cevada já lhe invadindo o cérebro, os neurônios boiando no álcool, e ele relembrando momentos que confesso já havia esquecido.

As biritas tem dessas coisas. Transbordam memórias extintas e as repaginam de acordo com a nossa vontade. Uma matrix que só o álcool pode servir nas taças da vida.

E como não poderia deixar de ser, o amigo dana-se a falar mal do próprio casamento, mais longo do que o meu.

O casamento do amigo passou dos 30 anos e ele não perdeu a mania de ralhar com o cônjuge e maldizer sua condição de casado.

Sempre que alcoolizado, vale frisar.

Porque em verdade, essa parece ser a aritmética do casamento da maioria das pessoas que conheço um pouco melhor.

As pessoas se suportam, se toleram e extravasam na base da adrenalina, do álcool, do trânsito, das crises familiares, na educação dos filhos.

E vão tocando.

Prá mim casamento sempre foi soma. A subtração quem faz é o tempo. Na sua contagem louca e regressiva para a morte, ele vai nos tirando tudo, à medida que vai nos dando.

É um toma lá dá cá quase que atômico.

Segundos que chegam e se esvaem. Uma alucinante fita diante dos olhos.

Pois é, mas e a aritmética do casamento? Qual será?

Tem gente que divide tarefas, divide espaços, divide contas. Divide tanto que terminam definitivamente divorciados.

Tem gente que multiplica, patrimônios, dólares, cuecas, sutians, imóveis e se arrombam na divisão quando o divórcio chega.

Tem gente que subtrai. Esses são de fuderetê a chaminé do sétimo chacra.

Diminuem a energia do outro, sugam o outro. Diminuem a energia dos filhos, dos amigos.

Diminuem o espaço do outro, para chegar o espaço que lhes achar melhor, sogra, sogro, cunhados e aderentes.

Diminuem a capacidade de amar e de sonhar.

Diminuem tanto que desaparecem antes do divórcio. Mesmo que continuem casados, já sumiram na névoa da mais reles mediocridade.

Há os que somam.

No que a soma tem de mais poético, ao contrário de Vinicius que pedia a divisão.

Contrario o genial poetinha que somou tantos casamentos para dizer que a SOMA, a SOMA é a SALVAÇÃO.

Não a SOMA do terapeuta a SOMATERAPIA.

Não a SOMA infantilóide que se confunde com a multiplicação.

Falo da SOMA das dores.

Das aflições.

Dos terrores.

Dos gozos.

Das alegrias.

Das bençãos.

Falo da SOMA geral gratuita e bela que é a própria VIDA, na qual o CASAMENTO VERDADEIRO se insere.

Quem de fato vive bem consigo mesmo consegue se casar e ser feliz.

Mesmo que não seja prá sempre.

Mesmo assim terá valido a pena.

A SOMA deixa um saldo sempre positivo, prá mim essa é a única das operações que vale a pena no casamento.

As outras, as calculadoras, os abutres advogados e os parentes e aderentes se encarregam de torpedear.

E, de fato, Antonio Vieira, o padre jesuíta nos seus SERMÕES vaticinou:

” O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito de amar a menos. O tempo atreve-se a colunas de mármore quanto mais a corações de cera”.

 

Fundou-se novos partidos, reintegrados outros, pelos escombros dos que migraram do quase-extinto PARTIDO DOS TRABALHADORES.

Partido que saiu campeão de votos nestas eleições para prefeitos.

Partido que viu surgir um novo pequeno gigante que assombra a médio prazo a hegemonia da estrela.

O povo que votou, é o povo que pode se transformar numa nova classe média.

Onde carros, celulares, televisões e até moradias, deixaram de ser luxo e passaram a ser de todos.

Ou quase todos.

Mas já é um começo.

A indústria brasileira vai mal, o comércio vai bem, o agronegócio melhor ainda.

Mas a fórmula deu mais ou menos certo, noves fora os mensalões.

Porque afinal de contas , no primeiro mundo o estado provê, Educação, Saúde, Segurança e Transportes.

E o sentido da cidadania é muito mais amplo.

Por aqui, quinhentos anos de apartheid, na terra das cotas, nossa brasilisterracota a conversa é diferente.

Impunemente, nas maiores cidades, menores atacam, matam e ficam soltos.

Presos ficamos nós, nos engarrafamentos, nas casas, nos apertamentos. Nós de cidades.

Mas, como digo aí em riba, a soma do DEM, PMDB E PSDB, o que restou do PT ainda dá pro gasto.

Claro que se os bons que migraram para o PSOL, PV e até PSTU voltarem (sonho) seria utopicamente feliz. Eles  fazem falta.

Mesmo radicalistas, xiitas, etc pei bufe e coisa e tal.

Fazem falta no caldeirão vermelho.

Como oposição o PT era impecável.

Como governo pecou até mais que o PSDB e a ARENA e a direitona milicosa.

Mas olhou para os pobres, mesmo que com um olhar suspeito, maligno, de olho nas urnas, mas olhou e fez.

Hoje, conversando com um taxista, esse moderno psicólogo das neuróticas cidades, ele foi taxativo: com ou sem mensalão, é inegável que o PT fez a maior mobilidade de classes até hoje vista no país. Mesmo que por linhas tortas.

Me calei diante da sabedoria popular, pois o povo não é besta e desconfia de projetos longos que viram ditaduras disfarçadas.

Pois se FHC não conseguiu e Serjão morreu antes,

Se Lula ainda tropeça e dificilmente voltará a ser o Lulalá, com Dirceu e cia presos,

Nós estamos vislumbrando novas forças, nova geração chegando ao poder.

E rezando, para que todas essas siglas possam dar lugar a outras e que as pessoas sirvam e sejam muito mais importantes que os partidos.

Afinal de contas se Maluf andou por quase todos os partidos e se aliou incondicionalmente a todos,

pois já nos legava meu avô Pedro de Souza em meados dos anos 60 em conversa com meu pai lá em Yellow House:

– meu filho este país não tem mais jeito não. a corrupção….

Para uma grande amiga, levitada nos anos 80, que me disse em seu leito final: ” Deus não dá nem uma gota a mais de sofrimento… mas também não dá nem uma gota a menos”

 

foto: Catacumbas – Paris

 

 

O QUE NÃO LEVAMOS DESSA VIDA

As incompreensões

As punhaladas

As invejas

As grosserias

As brigas

Sejam pequenas, grandes, mistas…

As decepções

Masculinos e femininos, fatos e atos não importam.

Se estão aí por cima

Não levamos

Nem prá casa

Nem prá última casa, aquela…

O que de fato levamos dessa vida?

Cada um com sua bagagem vai dizer de fato o que significou sua passagem.

E coração é o lugar onde cabe tudo o que lhe diz respeito

e…

Lealdade

Respeito

Amizade

Carinho

Honestidade

Compreensão

Doação

Compromisso

Ética

Respeito

Sinceridade

Princípios

E…

Principalmente, após uma vida inteira de lutas, do bom combate, você possa estar em total estado de desapego e olhar prá trás por um relance apenas, nem um átimo a mais nem a menos e poder dizer, o pouco que eu semeei deixei o mundo um pouquinho melhor. Um pouquinho mesmo. Quase nada

Que vira infinito.

 

PS – EM MEMÓRIA DOS NOSSOS ANCESTRAIS, QUE NOS LEGARAM O NOSSO PRESENTE. NOSSO MAIOR PRESENTE.

Qual o seu legado para a humanidade?

O que deixará você desses seus anos. Sua vida. Seu mundo.

Seu quarto arrumado.

Seus papéis, seus extratos, sua contabilidade.

Suas finanças, seu saldo.

O que deixará você de bom para os que te conheceram?

Depois de algum tempo você será apenas um retrato, um santinho, memórias a se desbotar?

O que fará você depois de ter partido?

O que farão de você os que te amam, os que te odeiam, os que te suportam?

Quem deitará falta da tua presença?

Quem perderá o sono pela tua ausência?

Quem perderá o ar?

Haverá sentido na tua breve existência?

De fato estas perguntas foram raios que me atingiram no último final de semana.

Não necessariamente nesta desordem.

Mas o foram.

Raios na cabeça.

Que não explodiu porque faltaram miolos.

Ou porque é muito dura.

De fato é isto a passagem do homem sobre a terra.

Um pacote que a parteira entrega para o coveiro.

E ponto final.

O bom de tudo isso?

É apreciar o belo sem moderação.

E , definitivamente, poder escrever sem censura, sem mesura, sem frescura e sem nada dever e sem nada cobrar de ninguém.

Porque eu desconfio (como desconfia Luiz Fernando Veríssimo) que o homem verdadeiramente livre e feliz é o homem que não tem medo do ridículo.

 

 

 

Medra de medo.

Medra de caranguejos soltos.

Medra de sanguessugas.

Medra de nadra.

Nadra mesmo , como o bêbado da piada.

Medra de vaidades que erguem uma fogueira empire dubai states. Do tamanho da krausa perdida.

Nauseabundos beneméritos.

Incompetentes gestores.

Verbo gasto. Verbo exausto. Não medra merda nenhuma.

Que as palavras também limam nossa paciência.

Já cantei o requiem, a missa de sétimo dia, o desespero das arquibancadas, minhas noites doloridas.

Já cantei o fim, o começo e o meio. Como nem Raul ousou cantar. Pois o time dele era o Baêa. Ou não?

Já briguei, xinguei, perdi e ganhei amigos e no fundo não fiz nada.

Porque definitivamente não há nada a fazer.

O choro é livre, mas eu não choro por vidas perdidas.

Tenho pouco tempo. Tenho urgência.

Hoje vendo em nublado vídeo, o jogo do Barcelona, ainda me recuperando da ressaca, percebi o que é um clube, uma torcida e um estádio.

100,000 pessoas que já viram seu time ser campeão do mundo, espanhol, da liga da febe tife, da copa da murrinha, etc pei bufe e coisa e tal.

O que terão no sangue melhor que a gente miseráveis alvirrubros os catalães?

Vivemos o caminho de Santiago.

Eu vislumbro uma cova rasa.

Feita por Fields, Aquinos, Rapidões, Tungões & Cia Ltda.

Uma cova abertura com linha direta para o ceu@com.

Uma cova rasa cheia de um cinismo infinito.

Meu clube é morto.

Medra ao inverso do verbo crescer.

Nunca me foi tão triste nesta terça-feira modorrenta, ter tantas alegrias em minha vida familiar, afetiva e em sociedade e…

… ter um clube com tão pouco a me fazer sorrir.

Amigos me dizem que não pisam em um estádio desde os anos 1980.

A década que nunca terminou e que de lá prá cá o jasmineiro em flor sofreu a ação de carrapatos, cupins e politicos.

Não na mesma ordem.

Na mesma desordem.

Medrar, medrando, medo, medindo o tamanho da solidão de uma morte anunciada.

Desde que o primeiro negro não pode botar os pés em Rosa e Silva.

COMENTÁRIO DE JOHNNY B. GOOD – POR EMAIL:

O texto sobre o finado CNC está perfeito. Comovente. Estou (e conheço uma penca) entre os que largaram definitivamente o futebol. Não háuma inverdade no texto. E não me sinto feliz por isso.Apenas me contento pela minha saúde (física e mental). Um aperreio à menos. Depois que Carlos Alberto (garoto propaganda da Cometa) treinou o CNC e tachou a imbecilidade de que nossa torcida não cabia numa Kombi (com efeito, com ele como treinador, um fusca-taxi de 3 lugares já seria muito) é phoda constatar que 99% dos alvirrubros que vão à campo cabem no Blog do Roberto (1%,como eu, nem pensar!).

O banco parecia um barco em mar revolto.

Os clientes pareciam mais com ondas. Uma maré insana me cobria. Um tsunami de gente.

Gente.

Gosto de gente, mas de ressaca eu nem gosto de minha sombra.

Mas é a lei.

Vamos aos fatos:

1) Dirigir manhãzinha, com outros sonâmbulos, que a legião de insones é próspera.

2) Bater o pé no chão do estacionamento. Primeiro ruído vindo do estômago. O café amargo não descera bem. Talvez engarrafado, estivesse de greve entre o esôfago, o estomago e a bile hepática.

3) Abrir um banco. Não, abrir uma porta, um código e sentar numa cadeira. Abrir um banco é coisa para quem tem pedigree, eu poemito vira-lata.

4) Ligar o computador. A tela verde. A dor na alma. Ruídos distantes. A BR passa logo ali e o corpo lateja.

5) O primeiro dorflex do dia vem logo após. É preciso relaxar os músculos.

6) Café + água + adrenalina + banco aberto + responsa nossa de todos nós nos dai hoje= crise inteiramente, plenamente hipertensiva.

7) Fim do expediente. Uma morte de menos.

8) O retorno, pula esta etapa.

9) Um quadro de João Câmara passa por mim e vejo governador e prefeito escalados na parede e eu lhes aponto uma arma.

10) 10 horas após a saída de casa o retorno.

11) A tela do computador é azul. A esperança é azul. Os amigos são azuis.

FIM.

PS – O livro benfazejo me ampara no lado esquerdo do peito. Vou continuar lendo as crônicas do Broda caçula Edgar Mattos.

COMENTÁRIO DE JOHNNY B. GOOD  – POR EMAIL – PENSANDO QUE EU TINHA ENCHIDO A LATA. A RESSACA ERA DE SONO. A FALTA DE… À GUISA DE:

Meu velho, transformei meus domingos em dia de contrição. Não tenho mais idade prá brincar com a saúde enchendo a tampa prá encarar o trabalho com ressaca na segunda-feira. E olha que estou longe de chefiar qualquer coisa. Sexta à noite e o sábado ? Vou com tudo. Mas domingo é livro,filmes e o Fusca. Eventualmente 3 ou 4 latinhas antes da macarronada e da TV à cabo.
Mesmo esses feriadões não me pegam. A viagem de ida e volta, com sinais,lombadas eletrônicas e que tais mais me e stress am. Às vezes o resultado é pior que uma ressaca! Salvo raras vezes! Por isso, aproveito prá curtir meu barraco. Caminhada,Fusca,ler,escrever o SS… 2 ou 3 amigos, e o BBB (Brahma,Beatles e Bobagens em geral). Páscoa vai ser no meu templo. Com a pintura vencida,banheiro quebrado mas a alma lavada e enxaguada na tranquilidade (viva Dias Gomes), no papo de sempre Amém!

Madrugada…

Publicado: 03/04/2012 em Domingos - Crônicas

Paratodos

Ganhei um presente, um regalo, um mimo de extremo bom gosto e qualidade.

Junto com o envelope, a certeza de que temos bons e poucos amigos.

E como eles são importantes.

Raros.

Congruentes, nos fazem um bocado bem. Um bem bocado. Um tamanho de felicidade sem tamanho.

Existe, com certeza, uma confraria dos Insones.

Não sei ao certo onde ela fica, se tem sede, mas com certeza ela é real.

Das insônias clássicas, raras e eventuais, aprendi de tudo um pouco.

Porém, um livro nascido da Insônia, um livro que é um clássico, esse é um grande tesouro.

As madrugadas escorrem literalmente pelas mãos e somam brasas, acrescentam fogo aos nossos olhos,

que teimam em ficar cada vez mais ativos, expressivos, quase arregalados.

O cérebro não dorme. A alma nunca. O corpo? Ás vezes padece.

Quantas vezes entrei no chuveiro como num pit stop, para poder pegar no tranco e sem pensar começar o dia.

Começar o dia jogando comida prá dentro, colírio nos olhos, buscando todo oxigênio do mundo.

A madrugada deixou a ressaca, hora de levantar acampamento.

Já antevejo como será o dia de hoje, tendo que enfrentar oito, nove, dez horas de batente, com o motor avariado.

Me acompanha o tesouro. Lido já em fase adiantada e que servirá de companhia e releituras deliciosas por outras madrugadas.

Me acompanha o livro do caçula e broda, me acompanha o alemão para estressados, me acompanha até um gibi, como nas crônicas

do broda está lá devidamente registrado. A importância dos gibis no hábito de ler.

É bom saber-se acompanhado no silêncio insone das madrugadas.

Não há música. O barulho do teclado pode fazer a esposa acordar. A casa respira e dorme e pede silêncio.

Tenho de me deslocar em compasso lento, quase abreviando os passos, para não despertar o sono dos inocentes.

Devo ter um bocado de pecados, ou não tê-los nenhum, não sei ao certo como anda a minha contabilidade celestial,

mas decerto se há os que dormem o sono dos justos, com certeza reinvidico a insônia dos absolvidos, haja um corpo para que

eu posso me declarar por inteiro isento da culpa católica.

Já relatei sobre as penitências de um infante, hoje renovo os votos da parceria com a insônia, que me surpreende sem nenhuma causa

aparente.

Mas chegou, bateu, ficou e com ela não tem conversa.

O laranjinha já era. Foi embora. Prescreveu.

Não houve acordo que prorrogasse a sua manutenção e a sua existência circulando no meu pobre sangue plebeu.

No seu lugar, florais, chás, água morna e muita, mas muita insônia.

AInda bem que não há uma Remington ou Olivetti, como nos tempos de Garanhuns.

Mas a esta hora , nesta madrugada, o teclado parece uma escola de samba.

Já ouvi resmungos no quarto. O teclado estronda.

Paciência , eu peço.

Sempre que o relógio anuncia 04:00 eu entro no desespero final. Sempre faço uma súplica, uma oração.

E peço uma hora, no máximo 90 minutos. Tempo de uma partida de futebol.

Tempo que restaura num sono brevis esta vita brevis e me permite uma recomposição mínima.

E me lembro com toda a esperança do mundo de Helder Câmara, o dom da Paz:

– quanto mais negra a noite, mas próxima se anuncia a madrugada –

E Leminski fecha a madrugada, como num boteco lá do Hubble, informando que a casa já fechou: bar e a cozinha. Hora de ir prá casa:

tudo claro
ainda não era o dia
era apenas o raio

Razão de Ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

A noite me pinga
uma estrela no olho
e passa.

Paulo Leminski )

Definitivamente democracia não é para amadores.

E para ser chamado de profissional, uma existência apenas é muito pouco, quase nada, uma pálida sombra que se esvanece…

Cansei de brigar na internet e muito antes da internet, e nas épocas charmosas das máquinas de escrever e ainda com muita carta e selos dos correios, escritas noites a dentro, brigas intermináveis, reconciliações memoráveis, arranhões na pintura, esfoladuras na alma, esquartejamento do coração, amizades desfeitas, amores que se foram e a bile escorrendo aos litros.

Cansei de brigar no trabalho, sendo boi de piranha, ponta de lança, o cara que queria mudar o mundo e mal conseguiu mudar o seu mundinho, ajeitar o cantinho da alma, fazer uma limpeza meia boca, arranjar um polimento na alma, botar um cuspe nas feridas, lamber os restos mortais.

Muita briga. Muita paz. Tudo em excesso cansa.

Menos a democracia.

Que não sei o que é, mas a persigo em sonhos, sem ao menos saber o que significa “ser” democrático.

Pois não conheço ninguém assim.

Todos nós toleramos a maior parte das pessoas com quem convivemos.

E nos agarramos aos poucos amigos que conseguimos fazer, amigos que são tábua de salvação e que sofrem com o fogo amigo.

O filósofo francês assim definiu: ” O inferno são os outros…”.

A outridade. Nunca em nós, sempre no próximo, sempre o alvo, sempre terceiros, nunca a nossa culpa. O inferno são os outros.

O céu?

Também como face da mesma moeda, seria de bom tom que o Céu também fosse os Outros.

O mundo estaria em equilíbrio e até as guerras ditas santas escorreriam menos obuzes, almas, mísseis e corpos.

O mundo estaria em estado de reconciliação, uma vez que a arte de viver seria a arte de amar tanto quanto a arte da separação.

E assim cada dia mais perto, cada dia de menos, cada dia ao encontro da senhora da noite e da madrugada, nos faria menos covardes.

Porque se para se brigar é preciso coragem, para se viver em paz é preciso uma coragem IMENSA.

E como cultivar a plantinha da DEMO-CRACIA?

O terreno?

A água?

O sol?

Quais os elementos que esta enigmática representação precisa para se firmar e se fazer presente?

Confesso que não vi e não vivi Neruda. Confesso que sou réu.

Que de democracia eu só sei do grito, do punho, do peito enrijecido, da faca nos dentes.

Que de paz eu só entendo de brigas, embates, ranger de dentes e corações doendo.

Minha poesia lateja e eu me atrevo a poemas.

Não posso me dizer poeta pois seria a minha salvação.

Pegou mal, foi mal, agiu mal, mas é um poeta.

Os grandes, os Mahatmas podiam na época dos Jobins, Vinicius, Drummonds, João Cabrais e tais e Tins, como queriam os Caetanos e os novos Gilbertos Mutantes Buarques, podiam sim quebrar a vidraça, estilhaçar telhados, cortar no beiço e na gilete quem fosse desafeto, que no final a noite, a fumaça dos cigarros e do álcool e a poesia imensa geravam um perdão infinito.

Esses podem.

Esses passarinhos deixaram um mundo inesquecível.

Mas, a solitude quer me fazer pensar que eu não sou nada mais nada menos que um personagem de Vitor Hugo, um Jean Valjean,capengando de verso em verso, dia após dia, mastigando o tempo, cuspindo fogo e derramando a vida muitas vezes em vão.

A solitude em toda a sua beleza que revela toda a minha miséria que é de fato a minha única riqueza.

Sozinho, destino de todo vivente neste planeta azul e loucamente bipolar, não sei mais nada de Dom Quixote e seus moinhos de vento.

Não sei nada do que falam os Stones, os Beatles, os loucos, os que levitaram, os que pularam dos edifícios, os que beberam até morrer, os que cheiraram até sumir, os que fumaram até limar os olhos vermelhos, nada sei de nenhuma nova modinha, nenhuma música pode ser tema.

Não temas meu jovem navegante, meus filhos, meus amigos e minha mulher.

Não temas meus irmãos, meus inimigos, meus desafetos e quem eu nunca irei poder conhecer.

Não sou uma ameaça a democracia mesmo não sendo um democrata.

A única coisa que eu posso mesmo, o único poder que me foi dado em vida, foi o de silenciar, calar-se, bater em retirada.

Este é de fato o único poder que conheço.

E de fato é o único poder que eu nunca utilizei e que levarei virginalmente embalado no lado esquerdo do peito para o descanso e para o esquecimento…

PS – NELSON RODRIGUES EM TRÊS ATOS SENDO ENTREVISTADO POR OTTO LARA RESENDE. ISTO É BENÇÃO DIVINA:


Amadoristicamente não posso recomendar. Ou posso?

Mas só posso dizer se gosto ou não de um filme se for vê-lo.

E gostei muito. Fui com a reca toda. E todos gostaram.

Não entendo de roteiros, tomada de câmeras, estilos de cineastas, não não sou um especialista.

Fica para o broda Houldine.

Mas, parafraseando o caçula Edgar, entendo um pouco do bicho homem e suas misérias.

Do resto não entendo nada.

E vi Abileen ou sei lá como se escreve Abe  entrar no livro A Hora da Estrela de Clarice Lispector e virar Macabéa.

Vi todo aquele Mississipi ser o Nordeste e juro que vi Gilberto Freyre e os milhares de nordestinos que construíram São Paulo.

Porque o racismo é o mesmo em todos os lugares deste mundo belo e doente.

Mudam-se as placas, as línguas, as formas, mas o conteúdo e a dor fedem da mesma forma.

A cena de Constantine, velhinha, depois de doar a vida a uma família e ser despedida por receber a filha pela porta da frente, quando as madames de cor branca não permitiam… a sua mãe no vidro da porta… vidas secas. Graciliano Ramos redivivo.

Many ou mani ou sei lá. A mulher de fibra que faz uma bela torta e presenteia uma das KKK do filme com uma bela torta recheada de merda e a faz comer é impagável. E deixa o marido e salva-se e aos filhos. Nordestemor puro.

O racismo como explicado anos depois por Danilo Gentili , alguns posts atrás é isso aí mesmo. O politicamente correto que não faz outra coisa senão encobrir a ferida da humanidade.

E a solução que não há.

A não ser com palavras brandas que conseguem destroir até ossos.

Sim, eu vi poesia no filme.

E disse eu talvez entenda um pedacinho de nada.

E quando eu vejo poesia com toda a minha família reunida e alguns amigos eu ganhei meu domingo.

E continuo acreditando na humanidade.

Mesmo que tenha rir de uma torta recheada do antídoto contra a heresia branca.

Que pode ser de qualquer cor também.

Porque no final.

Não há santos.

Nem vencidos.

Nem heróis.

Se eu recomendo o filme?

Vá para poder opinar.

E mais não digo.

O Oscar?

Tem uma Dama de Ferro favoritíssima.

E a Academia? Sabe tudo…

Lá vai mais uma que se não é da Luz Vermelha é prá rir bastante.

Em conformidade com o bloco Nós sofre mas nós goza, que de bloco virou refrão e todo dia em todo canto alguém diz algo assim.

E no banco, lidando com gente, dentro de um grande Tribunal, não seria diferente.

Dada a introdução vamos aos fatos:

Tenho um nobre amigo que é bancário, está bancário mas tem outra profissão.

Que lhe toma muito mais tempo que as seis horas famélicas de todo o dia.

Conceituado no mercado, sobra dentro da atividade bancária.

Porém, como todo pavão, muitas vezes quer continuar o consultor dentro do bancário e vice-versa.

Complicado prá caramba. Ou como diria o gaúcho Negão: o bagual não se vê nas quatro paredes do banco. Tudo para ele é consultoria.

E de vez em quando o belo bluetooth do amigo funciona.

E o amigo para de funcionar, o bancário voa e tome consultoria no expediente bancário.

E  calha de vim trabalhar comigo. Eu que uma década depois, resolvo retomar uma tímida ascensão no banco na reta final.

Ali, pertinho de me aposentar. Ou quase isso. Que cinco anos passam supersonicamente.

E, de fato o colega é constantemente rodiziado, até que veio parar onde o zé roela aqui está tentando fazer algo de bom no cafofo do Ozama.

Conversa ali, conversa aqui e o bluetooth deu uma pausa significativa. Afinal, contrato de trabalho é prá se trabalhar, ora pois, já dizia minha lusitana avó Amélia que escolheu o Timbú para torcer. Tá explicado…

E hoje de manhã aconteceu algo, que narro pelas palavras do Negão e vim andando da Jaqueira até em casa rindo sozinho. Vejam só:

– Seu Jacinto Ferro (nome histronicamente fictício) senta para o atendimento e entrega o Alvará para o consulcário(consultor bancário).

O diálogo é dantesco e cômico ao mesmo tempo:

Consultor Bancário: O senhor está certo, é assim que se age…

CLIENTE: É isso mesmo, patrão ruim da gota

Consultor Bancário: ????? cara de zé roela apontando para o bluetooth

Consultor Bancário: Você deve ensinar a quem quer aprender, desista de quem não quer nada. Insista com os que estão motivados.

CLIENTE: É isso mesmo, o senhor adivinhou meus pensamentos, olhe tenho uma caso…

Consultor Bancário: corta a conversa apontando para o famigerado aparelho.

CLIENTE: (sem entender nada ainda) eu tinha um pequeno negócio e tratava assim meus empregados…

Consultor Bancário: (já impaciente) … a tomada de decisão numa empresa é algo inevitável, só sobrevivem os corajosos, você é um homem de visão…

CLIENTE: eu sei disso (kkkkkk) , mas quebrei por causa de uns empregados miseráveis e tome conversa …

Consultor Bancário: ?????? vou desligar agora, depois a gente conversa… (visivelmente irritado).

Consultor Bancário: Aqui está o seu Alvará, procure o gerente para liberação e depois dirija-se ao caixa (carranca da morrinha, cara de maus amigos).

Dom Mingão: Bom dia. Liberação?

CLIENTE: Sim. Mas rapaz , que papo bom tem o seu colega. Parece até que adivinha os pensamentos da gente.

Dom Mingão: Ah, ele é de primeira. Um dos nossos melhores funcionários kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

CLIENTE: Depois venho aqui para abrir uma conta. Tenha um bom dia.

PANO RÁPIDO.

PS –

VAIDADE

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo…
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho…E não sou nada!…

Florbela Espanca

Para o amigo João Carlos de Mendonça e para mim.

Dois alvos e rubros sofredores.

Para quem anda de carro, moto ou táxi.

Que não sabe o que é a Borborema, a Transcol, a Metropolitana,  a Globo (eita febe tife essa), a Pedrosa, a Vera Cruz e outro mói de roelas empresariais mamantes das tetas do Consórcio Grande Recife, este post não vale nada.

Mas para quem sofre como sofremos eu e o Broda JC , vai uma estorinha bela, bonita e bisonha, vivida por mim na quinta-feira passada:

Faz um mês marromenos que minha vida mudou abruptamente.

De uma saída do paraíso que é o Recife Antigo para a Imbiribeira. Inferno total.

Da Imbiribeira para a Sudene.

Sem comentários.

Tenho uma opção para quem precisa chegar as 07:30 da matina e abrir o posto do banco dentro do TRT.

Uma opção apenas.

A linha Macaxeira-Parnamirim. Descer aí na foto nesse inferno e pegar o Barro-Macaxeira.

Pense numa macaxeira no hoskofi da gente.

Tem um outro alienígena chamado CDU-CASA AMARELA-TRT.

Pensei que Yellow House ainda tinha respeito e um ônibus com o seu nome triunfasse nessas ruas sujas, esburacadas e entupidas de carros da nossa amada cidade Mauricéia.

Que nada.

Mas que nada…

Passa o primeiro ônibus às 06:10, depois outro entre 06:30 e 06:40 e outro depois da sete quando a cidade já parou. Engasgou enfumaçada.

Então este zé aqui, está pontualmente as 06 de la madruga na frente da Tamarineira, como bom doido, esperando seu busão chegar.

E ele chega pontualmente e consigo chegar na hora certa no banco.

Isso saindo de casa cheiroso e já chegando as sete e meia fedendo. Que esse aperto todo aí dura a viagem inteira.

É toitiço.

Pois bem. Com o aumento das passagens, mesmo sem ser o que queriam os abutres donos das empresas de ônibus, retiraram as placas indicativas do destino de muitas linhas.

Aí este mané aqui, mui ingenuamente, velho e burro, pega o ônibus CDU-CASA AMARELA-TRT as 06:20, pois havia perdido a macaxeira.

Piscava o luminoso indicando que aquele busão fidirapariga iria para o TRT/SUDENE.

Qual o quê?

Depois de fazer um belo city-tour pela Av.Norte, Alto José do Pinho, chega no Mercado de Casa Amarela, para e fica.

Todo mundo desce. O motorista, educado, olha para mim, para a cobradora e diz: – pegou o ônibus errado !

Esse agora só sai as 07 horas. E aí vai para o destino certo!

Eu disse , mas onde dizia que ele vinha prá cá para o terminal e não para o destino?

Ele justificou-se, argumentando que os empresários haviam retirado as placas indicativas, por causa do aumento das passagens.

E me chamou para tomarmos um café gostoso no Mercado, com munguzá, cuscuz, um café quente e um leitinho.

Recusei e pacientemente fui ler dentro do ônibus, esperando e contando que saindo as sete eu chegasse lá por volta das sete e quarenta.

Aí meus amigos, começa a quengagem.

O mesmo city-tour anarriê depois do anavantú.

As 07 : 40 eu estava na Rui Barbosa bem próximo do ponto onde havia pegando o mesmo ônibus as 06:20.

UMA HORA E VINTE MINUTOS PERDIDOS!

Desci, liguei prá cumadre, que por sorte estava em casa e pedi arrego.

Cheguei, com muito custo depois das oito e meia na Sudene. De carro.

ÔNIBUS?

SIM.

Mas só na MACAXEIRA.

PS – Gabi, me manda este Torpedaço, do seu livro da sua autora preferida. Vem bem a calhar, à guiza de:

Perder a viagem

Você pede ao patrão para sair mais cedo do trabalho, pega um ônibus lotado, vai para um consultório médico que fica no centro da cidade, gasta seus trocados, seu tempo e seu humor, e, ao chegar, esbaforido e atrasado, descobre através da secretária que sua hora, na verdade, está marcada para semana que vem. Sinto muito, você perdeu a viagem.

Todo mundo já passou por uma situação assim, de estar no lugar errado e na hora errada por pura distração. Acontecendo só de vez em quando, tudo bem, vai pra conta dos vacilos comuns a qualquer mortal. O problema é quando você se sente perdendo a viagem todos os dias. Todinhos. É o caso daqueles que ainda não entenderam o que estão fazendo aqui.

Estão perdendo a viagem aqueles que não se comprometem com nada: nem com um ofício, nem com um relacionamento, nem com as próprias opiniões. Estão sempre flanando, flutuando, pousando em sentimento nenhum, brigando por idéia nenhuma, jamais se responsabilizando pelo que fazem, pois nada fazem. Respirar já lhes é tarefa árdua e suficiente. E os dias passam, e eles passam, e nada fica registrado, nada que valha a pena lembrar.

Estão perdendo a viagem aqueles que, em vez de tratarem de viver, ficam patrulhando a existência alheia, decretando o que é certo e errado para os outros, não tolerando formas de vida que não sejam padronizadas, gastando suas bocas com fofocas, seus olhos com voyeurismo, sem dedicar o mesmo empenho e tempo para si mesmo.

Estão perdendo a viagem aqueles preguiçosos que levam semanas até dar um telefonema, que levam meses até concluir a leitura de um livro, que levam anos até decidir procurar um amigo. Pessoas que acham tudo cansativo, que acreditam que tudo pode esperar, que todos lhe perdoarão a ausência e o descaso.

Estão perdendo a viagem aqueles que não sabem de onde vieram nem tentam descobrir. Que não sabem para onde ir e nem tentam encontrar um caminho. Aqueles para quem a televisão pode tranqüilamente substituir as emoções.

Estão perdendo a viagem aqueles que se entregam de mão beijada às garras do tédio.

Martha Medeiros

 

 

Você cria seus filhos.

Lutando contra a pior das drogas: a televisão.

Sobrevive a família encontrando no DNA de todos os ancestrais o caminho do bem.

Seus filhos correspondem. Dão muito trabalho.

Mas as alegrias infindas.

E tudo vai passando.

Chega então o momento em que um deles lhe avisa:

– vou para o protesto contra as passagens de ônibus amanhã.

Você se lembra dos seus 17 anos e alguma coisa.

Você se lembra do primeiro congresso depois da reabertura da UNE.

Você foi ao primeiro comício de Arraes.

Participou das campanhas de Marcos Freire e Jarbas. Quando este não havia sido clonado.

E seus pais ali do lado lhe advertindo. Em vão…

Hoje eu rezo. Apenas.

Rezo para que um tiro de borracha não pegue na minha filha.

Ou uma porrada, ou um inocente gás de fazer chorar. Quem ri são os políticos.

Os próprios policiais que descarregam no braço o que o cérebro e o coração escasseiam: respeito ao próximo.

Não posso impedir minha filha de comparecer a um ato coordenado pela casa de Tobias Barreto.

Ela que nem matriculada ainda está no curso de Direito.

Mas é a vida.

E ela é muito perigosa mesmo.

Fico aqui rezando. Conselhos? – já desfiei um rosário deles.

Não adiantou comigo.

Pois a juventude tem seus ideais e suas idéias.

E isto é aproveitado muito bem pela nossa escória política.

Aqueles que andam de carros blindados e cujos filhos vão ao exterior.

Nós ficamos na Terra Brasilis, com crack e tudo.

Assalto a banco e tudo.

Tiros nos sinais e tudo.

E mesmo assim mantemos a fé.

A poesia nossa de cada dia que nunca nos falta.

A música que nos acompanha nos momentos de seca.

Os amigos e os familiares.

Então é ir.

E voltar.

Porque como diria Riobaldo:

“Eu careço de que o bom seja bom e o rúim ruím, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero todos os pastos demarcados… Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero. Ao que, este mundo é muito misturado.” Guimarães Rosa.

Caetano mandou avisar. Aqui da Terra mesmo.

Ontem, 21 anos.

Na trilha certeira dos brodas Edgar e João.
André e Arsênio.
E tantos outros.

No exemplo dos nossos pais.

Agradeço a Ana Luiza.

Aguentar esse chatonildo por 21 anos já lhe garante um bom lugar no Nosso Lar.

Agradeço aos meninos.

Como nos legam nossos amigos, os meninos e as meninas cresceram.

Eita, como estão bonitos.

Já estão rumando na direção das suas vidas.

Mas serão sempre os nossos ninos e ninas.

E mais não digo que o dia amanheceu.

E tem este longo dia até que a noite nos acalente.

Sem nóia e com o trocadilho do Paranóia só tem uma rima nessa hora:

Quem tem um amigo tem um tesouro,

o dinheiro não compra, nem diamante nem ouro.

Quem tem Arsênio, Edgar, Magna, André, Osvaldo, Tadeu, Houldine, é rico

Por essa riqueza.

Por todas essa riquezas.

Este ano teve imensas dores. Difíceis de suportar.

Pensei no recesso

Desisti em menos de 48 horas.

Agradeço aos anônimos que forçaram uma defesa coletiva.

Em prol do nosso Fuscopoeta caçula.

Mas, o principal é que este ano. Meus amigos.

Foi um ano inesquecível.

Lembrei de uma grande amiga que já levitou.

Muito cedo. Aos 30 anos.

Lembro dela com alegria.

Isso é muito importante.

Ela me legou a seguinte frase:

” Deus não dá nem uma gota a mais de dor que você possa suportar. Mas também  não dá nem uma gota a menos.”

Isto foi em 1981.

Para mim foi este ano de 2011.

Que nunca vai terminar.

Mas que ontem à noite.

No dia do meu aniversário aqui no Rosarinho.

Nos dias felizes do ano inteiro.

Eu sei que a contabilidade fecha no azul.

E isso não é pouco.

Repito: eu sou um homem rico.

Milionário.

Igual a vocês.

Porque tenho vocês.

Porque temos nossas famílias.

Porque com certeza, quando partirmos, o mundo terá sido um lugar melhor.

SHALOM.

E VAMOS DE CAETANO. E ARROI:

 

Recesso breve.

Um suspiro.

A vida continua e muitas vezes a vida é tão teimosa quanto um bolero.

Um bolero monocórdio, um compasso cego, uma goteira.

A vida é ácida, dói e a gente termina mais teimoso do que a própria vida.

De ansiedade em ansiedade, de insônia em insônia a gente consegue entrar nos dias.

Viver no tempo. Se achar na correria e ficar de pé na vida.

Esse para mim é o grande milagre. O grande legado.

Quando perdemos alguém em vida essa dor é sem medida.

Desmedida.

A dor de alguém que levita é outra dor que não sei quem em que lugar, coloca algum remédio e a dor congela.

Ela não melhora. Ela congela. Para que a gente sobreviva.

Mas a dor em vida. A tal morte Severina de Cabral. O poema invencível e indestrutível da dor nordestina, dos homens caranguejos.

Ah João. Essa “morte em vida” é danada de difícil de se suportar.

O outro. A outra. Ali tão perto.

Quase como uma muralha de palavras separando e… uma unica mísera palavra, não se faz presente e ponte para romper essa perda.

Não há vencedores quando perdemos alguém em vida.

Nâo há alegria.

Talvez alívio.

Um pano rápido, tema de livros, refrão batido, mas, pano rápido.

Nâo podemos enxergar a dura realidade sempre o tempo inteiro.

Cega os olhos. Inebria a alma de cansaço.

Talvez por isso precisemos de repouso. Para aliviar as dores invisíveis, dos remédios que não existem nas farmácias.

Da cura que nunca foi pensada.

Não precisei ir aos Pirineus, nem fazer o Caminho de Santiago.

Se bem que em sonhos, distantes, os faria, viagens familiares e talvez aprazíveis.

Não precisei jejuar, orar, nem ajoelhar em verdade precisei.

Procurei uma forma de fazer o coração se acostumar a  um pedaço que se foi.

Ele de fato não vai voltar ao tamanho normal.

Diferente da aldeia das idéias. Da nossa cabeça. Que ao expandir-se de fato nos dá um olhar e a certeza de que daquele tamanho não seremos mais. Tão pequenos não. Menos um pouco.

Grandeza?

Não.

Prefiro a solidão de Clarice Lispector. O olhar de Drummond. A leveza imensa de Quintana. A genialidade de Leminski.

São pilares dentre outros quasares infinitos que me sustentam.

Os poetas me sustentam.

Os de lá e os de cá.

Os do Fusca. Os poetas do Fusca?

São a nossa Barcelona de Espanha.

Na tabela nossa de cada dia, mesmo longe.

Se vendo anualmente, olhe lá.

Vivemos bem.

Estão todos bem.

Nem brigo. Nem digo mais nada.

O Fusca continua.

E essa canção vai para os amigos que eu sei onde estão.

 

 

O CARDEAL, O TALÃO DE CHEQUES E UM CLUBE PEQUENO

================================================

 

Houve um tempo em que arquibancadas enchiam-se do vermelho e branco.

Não faz nem trinta anos. Como passou rápido.

Uma montanha de gesso soterrou um sonho de milhares.

A bola ficou pequena. A cerca foi aumentada.  Começou o tempo dos Cardeais.

Devagar as crianças cresceram, vieram os filhos e gerações foram ficando distantes.

Muito lentamente , quando vimos, Maiakovsky na janela apontava para os Cardeais.

Ali havia uma botija de ouro. E como não havia torcida, o Cardinalato estava disposto a substituir as multidões.

Imagino um Estádio com um único torcedor. Que dor nos traz esse silêncio. Como ele poderá gritar e cantar o hino sozinho?

Quando haverá uma “Ola” com os seus dois braços?

Um clube se faz com pessoas, famílias, torna-se Nação. Não há sentido no vazio absoluto que essa ausência provoca.

O Cardeal é um notável abnegado.

Braços de guerreiro. De assinar cheques. De salvador da pátria.

Braços honestos.

Mas apenas dois braços.

Quando milhares compunham uma Sinfonia, os dois braços do Cardeal compõe a Valsa do Adeus.

E não sabe ele, no alto da sua bondade, que além do silêncio seus braços são os braços de um marionete.

Ele não sabe, pois há uma cortina de fumaça que não lhe informa que as pessoas querem ser felizes.

Junto com o Cardinalato. Mas sem pires na mão.

Passou o tempo dos brioches.

Maria Antonieta não entra mais no Castelo para nos assombrar de noite.

Nem expulsar os jornalistas.

Os descendentes bastardos dos Cardeais se apegam a imagens e quadros nas paredes impondo a pena centenária.

Não adianta. Pode não ser agora. Nesta eleição.

Mas não tarda, falta pouco.

As arquibancadas se encherão de novo de vermelho e branco.

E  a memória de um povo fará tombar a memória do isolacionismo.

Restará uma festa imensa. E milhares de braços para cultivar nossos sonhos.

 

PS – Esta é minha homenagem aos milhares de zés, marias, anônimos, que sob chuva e sol, domingos, feriados, quartas, terças, segundas. Em qualquer tempo , em qualquer lugar, tem o orgulho de vestir o manto alvirrubro e colocar os seus centavos, suados, trabalhados, honestos em prol de uma instituição centenária. Amada, desejada como um grande clube, mas infelizmente, ainda nas mãos de uns poucos que se acreditam muitos, mas que na verdade, na verdade, perderam o bonde da História. E como nos lega Francisco Buarque de Holanda: A História é um carro alegre, cheia de um povo contente, que atropela indiferente todo aquele que a negue…

Esse é o vídeo oficial disponibilizado pelo CNC. A versão de quem acusa:

Depois de nenhuma hora, nenhum minuto,nem um segundo de gravação ser apresentado e arrazoadas todas as questões envolvidas o TJD-PE deu a sentença:

“Por essa o presidente Berillo Albuquerque Júnior não esperava mesmo. Em julgamento realizado hoje à noite, no Tribunal de Justiça Desportiva de Pernambuco (TJD-PE), o mandatário alvirrubro foi punido pelo envolvimento no famoso “Caso Eduardo Ramos”, onde Berillo acusou o Sport de tentar comprar o meia alvirrubro nas finais do Estadual, porém, não provou nada.

Disse ter 200 horas ligação e nada. Também disse que “mostraria as provas num momento oportuno” e até agora nada. Sendo assim, após votação terminada em 7×2, a maioria dos membros do TJD decidiram pela suspensão de 120 dias (quatro meses).

Com base no artigo 172 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, Berillo está “suspenso de praticar qualquer ato oficial referente a respectiva modalidade desportiva e de exercer qualquer cargo ou função em poderes de entidades de administração do desporto da modalidade”.

Conversamos com o presidente do TJD, Etério Galvão, e ele resumiu as conseqüências dessa punição imposta ao presidente alvirrubro. “Ele está suspenso do futebol por 120 dias. Se cumprirmos o código com todo o rigor, ele não poderia nem entrar em estádios de futebol durante esse período”, explicou Galvão, para em seguida completar. “Ele não poderá participar a eleição para presidente do Náutico”.

Ou seja, com a decisão do TJD, Berillo está fora da disputa para tentar a reeleição, já que as eleições estão programadas para o dia 15 de dezembro, com as inscrições de chapa se encerrando no dia 25 deste mês.

O repórter Léo Lisboa, da Folha de Pernambuco, conseguiu entrar em contato com o presidente do Náutico. Ele se mostrou surpreso com a punição e disse que foi informado pela Imprensa, portanto, só poderá se pronunciar quando receber algo oficial.

Segundo Etério Galvão, a publicação oficial da punição será feita nesta sexta-feira (amanhã). Ou seja, logo logo Berillo poderá responder.

A punição é mais do que justa. O papelão que o atual presidente alvirrubro fez neste caso do suborno foi tão ridículo quanto a sua reação ao tomar conhecimento da punição.

Acusou e não provou nada. Inclusive, fez muitos alvirrubros sentirem vergonha quando o caso era citado.

Para piorar, depois ainda quis jogar toda a culpa do papelão nas costas do pai de Eduardo Ramos, afirmando que o dono das acusações era Carlos Ramos, não ele”.

(*) Agora contando com efeito suspensivo, o pr. Berillo Jr volta ao comando do clube até o final do seu mandato em 2011.
========================================================================================================================

E aí , como a gestão do sr. Berillo não apresentou em tempo hábil a prestação de contas do ano de 2010 olha só o que ocorreu:
A Mesa Diretora (comissão eleitoral), no uso de suas atribuições, informa aos associados do Clube Náutico Capibaribe e a quem interessar possa, que em 30 de novembro de 2011 recebeu uma impugnação contra a candidatura à presidência do executivo do CNC de Paulo Cezar de Almeida Wanderley. Em 01 de dezembro de 2011 recebeu uma impugnação contra a candidatura ao conselho deliberativo de Berillo Albuquerque Júnior. Na oportunidade foi designado relator dos referidos processos o Advogado e Conselheiro Tullio Ponzi Filho para exercer a relatoria dos feitos e aberto prazo de 2 dias úteis para os impugnados, querendo, fazerem suas respectivas defesas.

(**) Eu já vi este filme antes e não faz muito tempo.
Em 2009 renuncia o candidato Toninho Monteiro e a Presidência do Clube Náutico Capibaribe fica à disposição do único candidato , o sr. Francisco Dacal que também renuncia.
(***) Cenas dos próximos capítulos veremos em breve.
Em tempo: As eleições estão marcadas para 15 de Dezembro deste ano. Até lá muitos Campos e Krauses estarão tentando uma nova Arena, uma nova Lacerdagem para se perpetuarem no poder. Quem viver chorará, pois o voto agora é do sócio. E como todos sabemos o sócio está de olhos bem abertos para toda essa grana que virá em 2012.

Pensamento do dia:
Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta.
John Galbraith

Do Blog (Duplipensar.net) = http://www.duplipensar.net/

“Duplipensar” é um dos componentes da obra-prima de George Orwell, o livro 1984. Nesta obra, escrita em 1948 e publicada no ano seguinte, Orwell compõe uma distopia (utopia negativa) onde os cidadãos são vigiados todo o tempo pelas teletelas (aparelhos que transmitem e captam voz e imagem) sob a liderança do Grande Irmão. Em todos os lares dos integrantes do Partido, cafeterias, indústrias e praças as teletelas transmitiam a ideologia do Partido, mas do que isso, elas captavam todos os movimentos de seus filiados. O Grande Irmão zela por ti, repetiam as teletelas seus feitos e conquistas. Está explicado porque o programa se chama Big Brother.

Duplipensar é um termo da novilíngua (newspeak). Uma redução do idioma inglês usado oficialmente e baseado em unir e destruir palavras para que o pensamento fosse cada vez mais igual. A cada edição o dicionário de novilíngua diminuia, e, a resistência ao Partido na mesma proporção.

Através do controle da realidade o Partido tem o controle do presente  e do passado. O protagonistaWinston desafia-o tentando mudar o futuro do megabloco da Oceania, ele tem de lutar contra a realidade, o medo das pessoas em mudar o status quo e seu próprio duplipensamento.

Réquiem para uma quinta-feira futura.

==========================

O Planeta Azul onde você se encontra neste momento e não sabe o quão é importante é a sua vida, é o local onde vicejam escritores(Edgar Mattos), terroristas, músicos (passei batido o dia 22 vai aí Broda João o meu abraço), poetas (Arsênio, Magna, Tadeu Rocha), ditadores, policiais, virgens, tarados, pedófilos, amantes, crianças e seus pais exemplares (muita gente mas vai aí um abraço para André Gustavo), velhos, novos, novelhos, velhonovos, ratos, baratas e cartolas. E políticos?

O Planeta Azul onde você se encontra, tem um país ao sul do Equador. Na linha imaginária que divide os trópicos…

Numa Avenida de um dito Conselheiro existem alguns clubes.

Um deles é o Country. Os outros findam…

Não sei o que o findar quer dizer quando me refiro a sonhos…

Mas findar é um verbo miserável.

Nós findamos na estação lá do Hubble e não tem escapatória.

Nós findamos de volta prá casa de qualquer jeito.

Aqui é apenas uma viagem. Curtissíma, belíssima e ínfima.

George Orwell previu que em 1984 o mundo seria cheio de teletelas, a polícia do pensamento, o duplipensar.

Winston se rebela. Winston se apaixona. Winston se estrepa.

De sonhos e utopias já se estrepou meio mundo de gente.

Por isso me calei em respeito aos amigos e a George Orwell. O homenageado de uma quinta-feira futura.

Que já imagino como sendo a volta dos que nunca sairam. Ou melhor: como se fazer bem a maldade sem olhar a quem.

Uma meia dúzia de menos de meia dúzia. Um nada no meio da multidão. Uma insignificância de pessoas. Mas que calam uma multidão.

Que proeza. Que poder fantástico. Quanta arquitetura política para se permanecer derrotado sendo vencedor.

Se paradoxo fosse nome de clube este nome seria o clube desse paradoxo.

Se perde para se ganhar. Se divide para se conseguir o poder sem alternância. Se dança para se engessar. Se afunda pela ilusão do crescer.

Nas derrotas se pode analisar a índole de um povo.

A Alemanha do pós-guerra. A Inglaterra de Churchill. O Japão que nasceu da bomba e que Gil cantou tão bem.

E onde morreram mais de cem mil humanos. Iguais a nós. Em poucos segundos. Duas bombas.

Já vi cair bombas por aqui. Já vi bombas serem pagas por todos nós. Já vi gente morrer sonhando.

Já vi gente nascer sofrendo.

São 50 anos dos quais 40 e um tiquinho está na mão de uns titicas.

Uns pequenos. Como diria minha vozinha: uns pequerruchos e uns borrachos. Mas que fazem um mal danado.

Eita vida Severina. Ai meu deuzio diria Luiza , minha eterna babá e até hoje cabelinhos brancos, aparece de vez em quando por aqui.

Nas derrotas eu vi um povo bonito, cantando, dançando e passando alegre Chicobuarqueanamente (obrigado Magna) dando a volta por cima e esquecendo que nos vidros blindados aqueles pequerruchos riam em meio a fartura.

Fartura de abraços de urso. Fartura de apertos de mãos infiéis. Fartura de reuniões às escuras. Farturas de contas escondidas.

Fartura de falta de vergonha.

Fartura de falta de amor.

Pois não é que de tanta fartura a gente ainda não se enfartou?

Quem dera meu Deus que antes da minha triste partida, eu possa ver uma névoa e um amanhecer.

Tá muito difícil.

Mas o Dom da Paz nos legou: “Quanto mais negra a noite, mais se aproxima a madrugada”.

Então não tem como não dizer que SIM é a resposta a todo NÃO que encontramos nesses encontrinhos às escondidas.

Nessas duplas feitas às coxas. Às cegas. Ligeiro como quem rouba.

Nossos sonhos…

Normalmente quando eu entro em um debate, em blogs alheios, procuro me conter.

Quer dizer , de uns tempos prá cá.

Antes o pau cantava. A gente vai aprendendo. Afinal ponto de vista é só isso: um ponto.

Estava lendo um bom artigo no excelente blog Acerto de Contas.

Um professora da UFPE fala sobre comer carne e elabora suas teorias contra os carnívoros e a destruição do planeta.

Não vou resumir o texto que é bem escrito e tem lá sua dose de razão (até certo ponto e a professora é muito educada).

E postei lá que não me via naquele contexto e que um bife caia muito bem com uma salada e que carne de porco era celestial.

Antes , informei que como carne moderadamente.

Choveram comentários de todo tipo e o meu era apenas um deles. Um reles comentário.

Até a própria professora respondeu ao meu comentário educadamente o que respondi.

Aí a porca torceu o rabo. Ou a vaca, ou o perú, ou o peixe. Sei lá. Como diria Millor: phudeu!!!

Uma Vegana surgindo não sei de que planeta, me chamou de hedonista. A outra desejou-me estupro para mim e para os meus familiares.

Então pensei, vou responder na boa, passo no feicebuqui e detono aqui.

Afinal briga só dentro de casa. Na rua já passou o meu tempo de moleque.

E surgiu um bate-bola extraordinário com André Gustavo que colocou comentários e fotos prá lá de fantásticos, bem humorados , felizes e oportunos.

E Flávio Mello ainda botou uma vaca fazendo as necessidades na grama: Veganos minha comida caga na sua . Desculpem, mas eu ri bastante.

Ri dessa situação porque se não rimos pior para as nossas coronárias.

Ri também porque Jesus disse: O MAL É O QUE SAI DA BOCA DO HOMEM.

Prá mim carne, seja ela vermelha, branca, de peixe, de frango, cupim, maminha ou fraldinha ou picanha me dão proteínas, vitamina B12 e aminoácidos.

O homem cresceu , evoluiu, o seu cérebro se desenvolveu graças a proteína animal.

Ou não é verdade?

O chato dos ecochatos é que eles tem ódio de quem não comunga dos seus pensamentos.

Essa ecochatice, esses vegetarianismos absurdamente retóricos e mal resolvidos são um saco.

Viram religião. Viram fundamentalismo.

Conheci um restaurante macrobiótico aqui em Recife, no final dos anos 80, em que um pai foi tirar o filho de lá de dentro desnutrido, perturbado, pronto para uma clínica. O rapaz vivia só no arroz integral, fazendo uns jejuns malucos e o pai o resgatou.

Recuperado, aprendeu que de tudo se pode comer. Com moderação e equilíbrio.

Acho que essa é a receita.

E mais não digo.

PS – Oportunamente o Broda diagnosticou o problema das Veganas: falta de carne… se é que vocês entendem kkkkkkkkkkkkkk

PS II – A maior vantagem da comida macrobiótica é que, por mais que você coma, por mais que encha o estômago, está sempre perfeitamente subalimentado.

Millôr Fernandes

Berlusconi caiu. “Berluscome” segundo o Macaco Simão. O comentarista político mais sério deste país de quarta divisão.

Enquanto a Itália pode rolar sua dívida de Quatro Trilhões (quanto é isso gente?) ele deitou e rolou. Mesmo . Na boa. Que a Itália tem um quê de Brasil que não se explica. Só a Máfia é que não deu certo por aqui…

A Europa geme. O Euro balança. E por conta das” ekipeconomicas” como diria o famoso jornalista Elio Gaspari, os políticos vão renunciando, perdendo eleições, minguando , porque um continente que envelhece com ótimas condições sociais, precisa ter alguém para continuar bancando.

Não é justo depois de 30, 35, 40 anos, você continuar pagando e recebendo tão pouco como no Br. Na Zona do Euro ( Zona com z maiúsculo) as aposentadorias são com menos tempo de serviço, com valores muito maiores e com uma assistência médica invejável. A preços quase nulos.

Só que a população encolheu. As famílias encolheram. Na Alemanha, há cidades em que os casais tem animais domésticos e nenhum filho.

E aí os Turcos tomam na cabeça, os Árabes tomam no barbante, Maomé sai em quadrinhos, as mulheres não podem usar seus véus. Bairros inteiros tomados por estrangeiros. Que foram muitos, mas muitos mesmo convidados a servirem de mão-de-0bra nordestina nas São Paulo de lá.

Enquanto festejamos a volta de alguns irmãos lá do Sudeste em busca de empregos aqui na nossa região, por lá tenta-se devolver populações inteiras de estrangeiros para os seus países de volta.

Resultados & Capitalismo – Eleições.

Esta fórmula está mais velha do que a linha de produção da Ford.

Seu Henry era rochedo. Hoje talvez mandasse para a China suas fábricas.

E nós?

Vamos exportar nossos políticos?

Não sei , só sei que por enquanto o consignado aqui está dando no toitiço, as lojas vendem bastante, os imóveis pipocam de preço, paga-se uma fortuna por 50, 60 m2. Dois quartos + 1 reversível. Vai ver o preço. O limite é a renda. Quando topar a bolha estoura.

Quem apostou ganhou e se picou.

Quem vai apostar um conselho: aposte não. Teime, mas não aposte.

O que você tiver segure. Não venda.

Dinheiro? Na velha e boa poupança ou no velho e bom CDB.

Imóvel? Construa enquanto puder. Na planta nem vantagem existe mais.

Carro é passivo. Sempre. Nunca um bem. Sempre uma despesa.

E mais não digo. Que a República da Jaqueira me trouxe esse cadinho de inspiração. Um cadinho só.

Mas me deixou alegre.

Vamos nessa.

Abração a todos. Boa segunda-feira.

Ops.

Eleições? Com a palavra Mauro Shampoo , próximo entrevistado do Fusca falando nos 73 anos completados hoje.

Então viva o Íbis. Que está sempre na divisão de elite de todos nós.

PS – Sem compreendermos o capitalismo não podemos compreender a sociedade humana da maneira que ela atualmente existe.

George Bernard Shaw

 

PS II – Rochedo total. Essa é no gogó gugú. Pegando carona no tema para suavizar a noite. Que beleza: