O racismo da BMW. Direto de Viomundo.

Publicado: 23/01/2013 em Direto do Viomundo

bmw-quandt_2012543c (1)

dica do Stanley Burburinho, no Facebook do Preconceito Racial Não é Mal Entendido

por Ronald Munk e Priscilla Celeste

Sábado, dia 12 de janeiro, eu, meu marido e nosso filho fomos à concessionária BMW Autocraft na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, interessados em um automóvel.

Eu e meu marido somos brancos e nosso filho é um menino negro de sete anos. Chegando à loja, fomos atendidos pela recepcionista e perguntamos pelo vendedor que conhecemos e que já nos atendeu em outras ocasiões.

Como ele estava de folga, a recepcionista foi chamar um outro funcionário para nos atender. Enquanto olhávamos os automóveis aguardando atendimento, nosso filho assistia TV sentado no sofá.

O gerente de vendas da concessionária veio nos atender. Estávamos conversando com ele, quando nosso filho se aproximou de nós. O gerente voltou-se imediatamente para ele e, sem pestanejar, mandou que ele se retirasse da loja, dizendo que ali não era lugar para ele. “Você não pode ficar aqui dentro. Aqui não é lugar para você. Saia da loja.”

Nosso filho ficou olhando para ele, sem compreender o que estava acontecendo. Nós também. Ele insistiu. Meu marido perguntou então porque ele dissera aquilo e sua resposta foi: “Porque eles pedem dinheiro, incomodam os clientes. Tem que tirar esses meninos da loja.”

Quando meu marido disse a ele que o menino negro era nosso filho, ele ficou completamente sem ação, gaguejando desculpas atrás de nós enquanto saíamos indignados da concessionária. Nosso filho perguntou porque eles não aceitavam crianças naquela loja e porque tinham uma TV passando desenhos animados se não gostavam de crianças.

O gerente de vendas não viu em nenhum momento nosso filho interpelando, incomodando ou pedindo qualquer coisa a quem quer que fosse. Sua atitude foi uma ação preconceituosa e prepotente, além de totalmente descabida.

Como somos clientes da concessionária, esperamos que ela se manifestasse nos dias que se seguiram. Isso não aconteceu.

Enviamos então um e-mail ao Grupo BMW relatando o ocorrido, inclusive com transcrição da lei federal no. 7.716, que regulamenta os crimes de discriminação e preconceito racial.

O grupo BMW nos respondeu desculpando-se pelo fato ocorrido, prometendo que a concessionária seria notificada e isentando-se de responsabilidade, uma vez que, “não estamos legalmente autorizados a exercer qualquer ingerência, influência ou participação nas atividades diárias de qualquer concessionária da rede BMW, quer seja em razão de a BMW do Brasil e as concessionárias serem pessoas jurídicas distintas, quer seja em razão de o artigo 16, da Lei n. 6.729/79 expressamente proibir a BMW do Brasil de adotar qualquer postura que influencie a gestão administrativa dos negócios de suas concessionárias”.

Somente uma semana depois do ocorrido recebemos um e-mail do dono da concessionária, desculpando-se, qualificando a atitude de seu gerente como mal-entendido e justificando-a como reação natural de um funcionário que vê um menor desacompanhado em sua loja.

Segundo ele, “o gerente de vendas entendeu que o Sr. e a sua esposa estariam sozinhos e não acompanhados por qualquer outra pessoa, incluindo-se a criança. Assim, no momento em que o seu filho se aproximou do Sr. e de sua esposa, não se atentou que ele estaria acompanhado dos Srs., até porque, segundo relato do meu funcionário, ele não presenciou qualquer diálogo de vocês com o filho.”

O fato de o gerente de vendas não ter percebido que o menino era nosso filho e sua conclusão imediata de que um menino negro, aparentemente sozinho, dentro de uma concessionária BMW, seria um menor desacompanhado e sua atitude de colocá-lo para fora da loja não constituem, em hipótese alguma, um mal-entendido. Trata-se de preconceito de raça, sem qualquer possibilidade de outra interpretação.

A resposta da concessionária demonstra claramente que seu proprietário não tem noção da dimensão do fato ocorrido e compactua com a attitude preconceituosa de seu gerente de vendas. Sua mensagem, que tem como objetivo que esqueçamos o “mal-entendido”, termina com votos de que o fato não abale nosso relacionamento. O mal entendido neste triste episódio foi a tentativa de explicar um crime como mero mal-entendido, ao tentar transformar a situação em “pizza “ e acreditar que tudo acabaria bem e nós, “clientes amigos” para sempre.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s