A VIDA EM 24 FPS. POR HOULDINE NASCIMENTO.

Publicado: 09/12/2012 em Poesia

 

laranja

“Laranja Mecânica (A Clockwork Orange)
Inglaterra, 1971. Drama, 138 min. Direção: Stanley Kubrick. Elenco: Malcolm McDowell, Patrick Magee, Adrienne Corri.

Clássico absoluto do cinema, é incrível o poder profético que Laranja Mecânica teve ao mostrar nos anos 70 que gangues atacariam pessoas sem algum motivo aparente, além dos processos de ressocialização pouco efetivos, por vezes grotescos, e a manipulação do povo pelas diversas correntes políticas.

Inspirado no livro homônimo do escritor britânico Anthony Burgess (1917-93), o filme dirigido por Stanley Kubrick conta a trajetória de Alexander DeLarge (o genial Malcolm McDowell), um jovem que vive em uma Inglaterra do futuro, fazia uso da chamada “ultraviolência”, praticava roubos, estupros e nutria grande apreço pela música de Beethoven, especialmente pela 9ª Sinfonia.

Alex é líder de uma gangue, cujos membros são chamados “drugues” (“amigos”, em russo), que cometiam diversos tipos de crime. Juntos, agridem um idoso morador de rua, invadem a casa de um escritor, onde a destroem, batem nos que lá estão e chegam ao extremo de cometer um estupro. Em outra invasão, Alex comete um assassinato e, após este fato, é capturado pela polícia e condenado a vários anos de prisão.

Ele enxerga em uma técnica experimental de recuperação criada recentemente por um cientista, a “técnica Ludovico”, uma chance de escapar dali. Só que esse agressivo método patrocinado pelo governo, ao invés de recuperá-lo, o torna vulnerável, uma vez que ele não tem mais poder de reação a qualquer ato de violência, tampouco tocar uma mulher nua.

É abandonado pelos pais, agredido por idosos e por uma dupla de policiais que eram ex-companheiros de gangue. Depois de diversas agressões sofridas, Alex ironicamente retorna à casa do escritor, militante de oposição, onde é, de início, acolhido, mas depois sofre um tipo de tortura ao ser trancado em um quarto e obrigado a escutar a Nona Sinfonia de Beethoven (pela qual havia criado aversão na técnica experimental), com objetivos políticos de conduzi-lo à morte e culpar o governo.

DeLarge, ao se ver oprimido por todos que cruzam o seu caminho e, ao mesmo tempo, por sua impotência, tenta de forma desesperada o suicídio, uma maneira de se libertar de todo aquele sofrimento. Não consegue.

De tantas, a cena mais memorável, indiscutivelmente, é a da invasão à casa do escritor, feita de improviso, na qual canta “Singin’ in the rain”. A ideia de utilizar a canção naquela passagem partiu de Malcolm.

O filme pode ser visto como uma alegoria que tem o intuito de criticar a submissão do homem ao Estado. Conforme constatado em pesquisas, o aumento do crime e da delinquência em governos posteriores à época do filme estava ligado ao declínio da família, à degeneração moral e ao desgaste dos valores tradicionais.

O título do livro advém de uma expressão inglesa: “As queer as a clockwork Orange” (“tão bizarro quanto uma laranja mecânica”). Burgess fez uma tremenda sátira à sociedade de seu país. Muito bem adaptado por Kubrick, “Laranja…” é considerado um dos grandes trabalhos do cineasta.”

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comentários
  1. João Carlos disse:

    Absolutamente fantástico.Lembro que fiquei meio zoró no final. E acredite, nunca o revi. Já passa da hora!

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