Arquivo de 01/12/2012

B  R  E  A D

BREAD (1)

Há um certo equívoco com relação ao som do Bread. Geralmente o grupo é rotulado como “baladeiro”, algo próximo ao BEE GEES, certamente porque de fato, suas canções mais recorrentes são lentas, belas, bem harmonizadas e inconfundíveis, o que encobria sua face “roqueira”. Mas ao ouvirmos seus álbuns completos nos deparamos com uma variedade de ritmos e levadas deliciosas. Não raro ouvimos contratempos e balanços sincopados de extremo bom gosto, execuções certeiras que não disfarçam as habilidades dos músicos que, flertavam com o blues,o jazz,o country, o funk e o puro rock, as vezes se misturando numa mesma música. Outra feliz característica da banda era o som limpo, cristalino, com os instrumentos muito bem realçados, cada um a seu tempo.


David Gates
, além de guitarrista e pianista, era um compositor bem acima da média, criador de melodias bem urdidas sobre elegantes harmonias. O mesmo pode-se afirmar da dupla Griffin/Royer que também criou canções memoráveis que costumavam dar o equilíbrio necessário aos discos do conjunto.

Em princípio, o BREAD se exibia em bares e casas noturnas médias em Los Angeles até que foram contratados pela WARNER/ELEKTRA apenas como grupo de estúdio, acompanhando outros cantores. Na mesma época o baterista Mike Botts, completaria o quarteto. Ao tomar conhecimento do trabalho que vinham desenvolvendo como banda, a gravadora não hesitou e lançou o single com Make It With You, que atingiu imediatamente o 1º lugar nos EUA, chegando muito bem à Europa. A canção também garantiu o sucesso do álbum BREAD de 1969 o que permitiu ao grupo realizar as primeiras excursões pelo país natal. O álbum seguinte, ON THE WATERS foi recebido com discrição. Mas a trilogia que viria adiante, levaria a banda a ganhar notoriedade e sucesso mundiais. O primeiro deles, MANNA, teve uma recepção arrebatadora, repleto de clássicos como Take Confort, She Was My Lady e a deliciosa Too Much Love. Mas bem acima destas pérolas, uma balada inebriante, lançada também como single, caiu nas graças e nos corações do planeta; “IF” surpreendeu de fato, com suas lindas letra,melodia e harmonia, pontuada por cordas discretas , bem desenhadas e uma guitarra com “wah-wah” arrepiante. A canção foi imediatamente acrescentada ao repertório de cantores que iam de Johnny Mathis à Elvis, embora nenhuma delas tenha sequer passado perto da versão original do Bread.

Quando as rádios começaram à executar Everything I Own , a sonoridade do BREAD já era inconfundível. Esta música também ganharia posteriormente várias regravações (eu encontrei umas 12 diferentes) e seguiu-se uma fileira de sucessos como Diary, Mother Freedom, Down On My knees e a canção-título do novo disco, Baby I’m-A Want You. Nestas alturas, o grupo já estava devidamente estabelecido mundialmente. Este álbum ainda figura entre os melhores trabalhos produzidos no rock/pop. Eu sou até suspeito porque sou fã desse disco de “cabo à rabo”. E olha que muita gente não atentou para duas canções que esbanjam elegância: Dream Lady e Daughter. Embora um pouco menos completo, o disco GUITAR MAN teve a merecida recepção de público e crítica.

Além da canção-título, trazia preciosidades como Welcome To The Music, mais uma balada clássica, Aubrey, entre boleros,rocks e tantos outros estilos. Mas sem perder a marca do grupo.

Eles se conheceram em 68 e separaram-se em 1973. Neste curto período produziram no mínimo 3 álbuns fundamentais e umas duas dezenas de músicas maravilhosas. Nunca ficou claro o motivo da cizânia, apesar de comentarem sobre uma disputa entre os compositores. Ensaiaram um retorno em 1977 com o disco LOST WITHOUT YOUR LOVE que recebeu elogios da imprensa e até teve um discreto sucesso. Mas ficaram nisso. E eu nem falei na maravilhosa canção, Clouds. Tudo tem seu tempo. Mas o que importa é que o BREAD é hoje, muito mais do que uma banda de pé de página nas publicações sérias sobre música pop.

Quase esqueço. O nome BREAD , literalmente significa “pão”. Mas naquele tempo era também uma gíria para “dinheiro”.