SÁBADO SOM. POR JOÃO CARLOS DE MENDONÇA.

Publicado: 17/11/2012 em Poesia

S I M P L Y     R E D

Convenhamos, o “ruivo” canta muito ! E cada vez mais e melhor. MICK  HUCKNALL é além de tudo uma figuraça. Tranquilo, sorridente, canta com convicção e prazer facilmente detectáveis, mas ao mesmo tempo, longe, longe de afetações. Eu até demorei um pouco para percebê-lo. Conhecia algumas “doses” de seu talento, mas assistir ao SIMPLY RED no ROCK IN RIO em 93 foi revelador. Acreditem, não consegui desgrudar da TV, atônito com a beleza das canções e a interpretação de MICK acompanhado por músicos impecáveis, de matar de inveja muito afro-americano da gema. Poderia uma banda inglesa, oriunda de Manchester fazer uma “soul music” tão correta, elegante e sincera ? E… tão melhor ? Claro que sim! Típico do mundo da música.

Tanto que os criadores do estilo veneram o Mick Hucknall e foi lá, na América que o SIMPLY RED “estourou” primeiro suas músicas e seus discos. Pois sim!

Durante o movimento punk nos 70, MICK fez parte de uma banda chamada “Frantic Elevators”, de tiro curto mas, que o ajudou a perceber que seu estilo era outro, tinha um que daquelas baladas e balanços característicos da música “soul” americana. Tanto que aos 17 anos acabara de escrever sua primeira canção, Holding Back The Years, inpirado na mãe que o abandonara ainda garoto. Ao formar com sua turma da cidade o SIMPLY RED, contratados pela gravadora ELEKTRA, foi esta canção a primeira a estourar na América, apesar do sucesso discreto de Money’s Too Tight to Mention. Ambas do primeiro álbum, PICTURE BOOK. Nesse período o conjunto exibiu-se nos palcos mais descolados da Europa, inclusive no Festival de Montreux, na Suiça.

Estávamos ali, por volta de 1985 e desde então ficou claro que Mick Hucknall ditava as cartas na banda. Não de forma ditatorial, como poderia parecer, mas ao juntar o grupo, ele o fez deixando claro qual seria o estilo e a linha à seguir. E assim, desde os primeiros passos, alguns músicos foram se afastando e outros ocupando seus lugares mas isso não se fazia notar porque o “espírito” do grupo mantinha-se inalterado e seus membros cada vez mais cosmopolitas. Tinha americano, japonês, africano e até o guitarrista brasileiro HEITOR T.P. que no Rock In Rio serviu também como intérprete no palco, anunciando as canções. Outro detalhe que ratifica essa tese é que em todas as capas dos álbuns, apenas aparece a figura de MICK com seus cabelos vermelhos.

Sem tirar os pés do chão, o grupo flerta com estilos diversos como o reggae e a salsa e mesmo registrando predominantemente as músicas escritas por Mick, este costuma sempre mergulhar no passado, resgatando pérolas esquecidas por muitos e certamente, até desconhecidas pelas novas gerações. Músicas que costumam ganhar arranjos contemporâneos, interpretações sinceras e que por isso mesmo voltam a tornar-se clássicas. Posso citar de memória maravilhas como: Every Time We Say Goodbye, If You Don’t Know Me By Now, A Song For You e You Make Me Feel Brand New. Merece citação à parte a toada Positively 4th Street de Bob Dylan. Canção bela mas originalmente de melodia monótona, que se repete, ganhou um arranjo soberbo, robusto; ou seja, o primeiro verso é acompanhado por um saliente violão aço e a partir dos versos seguintes outros instrumentos vão se encaixando nas harmonias, um após o outro, entremeados por um “riff” de sopros empolgante. Certeiro.

Voltando aos álbuns do SIMPLY RED, Men And Women foi o segundo. E após uma excursão, o conjunto entrou em férias. Mick refugiou-se em Milão, fugindo dos tablóides ingleses que tratavam-no como milionário excêntrico e mulherengo. O artista adora a Itália cuja língua fala fluentemente e foi ali que começou a compor e elaborar o disco seguinte, A New Flame, que além da “soul music” traz toques do jazz e do pop. Em 1990 o Simply Red lança seu melhor e mais bem sucedido trabalho. Caprichadamente produzido, STARS nos delicia com a faixa-título, For Your Babies, Something Got Me Started e a cadenciada Your Mirror. 5 hits imediatos. Já em meados dos anos 2000, chegou às lojas o CD HOME e a banda caprichou em um de seus melhores momentos, registrando em DVD seu show de lançamento numa locação paradisíaca na Sicília, esbanjando elegância, competência e talento. É um dos meus poucos DVDs de cabeceira. Sensacional.

Em 2010, Mick Hucknall anunciou que a banda chegara ao fim. E junto com os CDs contendo seus maiores êxitos , ganharam o mundo naquela que seria sua última excursão. A reação foi de comoção, lágrimas e deleite por onde passou, inclusive no Brasil (incluindo o Recife). Até agora cumpriram o que prometeram e pararam. Deixando no ar a pergunta: o que fará o Mick Hucknall ? Sinceramente, para mim bastaria que ele fizesse mais do mesmo! Sem pestanejar!

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comentários
  1. Edu disse:

    Very Good. Muito very good. Não posso dizer que sou fã do Simply Red. Nunca comprei seus discos, tampouco acompanhei a carreira do grupo. Mas todos nós conhecemos os grandes sucessos que fizeram. Uma banda que acabou (?), mas deixou um legado de bom gosto. Uma joia para amantes de boa música. A que eu gosto mais é “Wonderland”. Beleza de texto, JC. Parabéns novamente e ótimo sábado a todos. SÁBADO SOM!

  2. Denise Maia disse:

    Eu sou fã! Foi mais um caso de “amor à primeira audição”. Apesar de ter virado ‘figurinha fácil” de algumas novelas, o som Mick & Cia está entre dos que mais gosto de ouvir.

  3. ANDRÉA NAVARRO disse:

    Jhony..adorei! Muito legal! Gosto muito do Simply Red! E adorei seu texto! Parabéns! Vou vir sempre aqui olhar…pelo menos todo sábado!
    Abração!

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