A VIDA EM 24 FPS. POR HOULDINE NASCIMENTO.

Publicado: 14/10/2012 em Poesia

Glauber Rocha

 

Considerado o maior expoente do cinema brasileiro, o realizador baiano Glauber Rocha (1939-81) foi também um dos precursores do “Cinema Novo”, corrente surgida em meados dos anos 50 e início da década de 60, influenciada pelo Neo-realismo e a Nouvelle Vague e que buscava fazer filmes com maior identidade nacional. Em consonância com o movimento, suas obras nutriam um ideário político-social, que era o de se livrar da influência norte-americana sob diversos aspectos, incluindo a estética. É de Glauber a célebre frase “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, que serviu para demarcar o movimento. O talento do diretor ultrapassou o Brasil. Glauber inspirou cineastas na América Latina e esteve presente em diversas premiações de grande relevo, incluindo o Festival de Cannes, onde recebeu o prêmio de melhor diretor por “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, em 1969. Sem sombra de dúvidas um gênio e, como todos eles, às vezes cometia exageros.

Oriundo de Vitória da Conquista (BA), Glauber de Andrade Rocha foi um verdadeiro furacão que passou em nosso cinema. Ele chegou a se casar com a atriz Helena Ignez, que conheceu na Universidade Federal da Bahia e com quem teve a primeira filha, Paloma. Além dela, Glauber teve outros dois filhos: Pedro Paulo e Erik. Todos se tornaram cineastas.

Há três de suas obras que são fundamentais para se entender a realidade daquela época. A começar por Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), um marco no cinema nacional e o seu primeiro êxito. Na trama, o sertanejo Manoel (Geraldo Del Rey), após assassinar um latifundiário que tentava se apossar de seu gado, parte com a mulher (Yoná Magalhães) abandonando tudo e se junta a um grupo religioso, que lutava contra os latifúndios e buscava o paraíso após a morte. Acaba envolvido com o cangaceiro Corisco (Othon Bastos) e perseguido por Antônio das Mortes (Maurício do Valle).

Em Terra em Transe (1967), não poupa ninguém. Aqui ele faz uma crítica às diversas correntes políticas em vigor. Nem mesmo a esquerda escapa de suas lentes. Glauber cria até um país fictício, Eldorado, onde há uma disputa pelo poder. Sempre falando por metáforas. Impressiona o poder profético da fita, pois se fala em guerrilhas, o que só veio a acontecer anos depois no Brasil e nos outros países latino-americanos. Uma fita ampla e que alcança os dramas da América Latina, como planejara.

Dois anos depois, preparou O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (ou “Antônio das Mortes” – como o filme era conhecido no exterior), seu primeiro filme em cores. Pode ser visto como uma continuação de “Deus e o Diabo”. Depois de matar Corisco, o jagunço Antônio da Mortes (Do Valle) tem uma nova missão: dar fim a Coirana (Lorival Pariz), outro bandido. Ele consegue, mas rapidamente entra em conflito com o coronel Horácio (Jofre Soares), latifundiário da região e que o havia contratado. Nesta obra, Glauber tinha a intenção de fazer um faroeste, inspirado nos cineastas do chamado “Western Spaghetti” e em John Ford, o grande nome do gênero, nos EUA. Martin Scorsese chegou a dizer que esse é um dos seus filmes favoritos e que o cineasta baiano é uma das três personalidades que o influenciaram (os outros dois são Ida Lupino e John Cassavetes).

Glauber também realizou alguns filmes na Europa e na África. Para o papel principal de Cabeças Cortadas, convidou Francisco Rabal, um dos atores favoritos de ninguém menos que Luis Buñuel. Já em O Leão de Sete Cabeças, há a presença de Jean-Pierre Léaud, “ator-coringa” da Nouvelle Vague. Nestes dois trabalhos bastante significativos, continua a questionar a fé cristã como imposição colonial.

Ele não se ateve apenas à ficção, com a qual certamente obteve maior destaque. Realizou alguns documentários, como um “de encomenda”, Maranhão 66, quando esta figura que ocupa a presidência do Senado, José Sarney ascendeu ao poder do estado a que o curta faz referência, trazendo imagens do abandono, por parte das autoridades. Outro célebre é o performático Di-Glauber, no qual documentou a morte do amigo e pintor Di Cavalcanti.

Para quem tiver o interesse em ter contato com sua filmografia, indico a maravilhosa “Coleção Glauber Rocha”, feita há alguns anos com o apoio da Petrobras. Nessa antologia, estão presentes quatro de seus nove longas de ficção: além dos citados Terra em Transe e Dragão da Maldade, Barravento (1962) e A Idade da Terra (1980). Também há o “Tempo Glauber”, museu localizado no Rio de Janeiro (onde faleceu), em que se pode conhecer fatos da vida do maior nome que o cinema brasileiro já teve.

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comentários
  1. João Carlos disse:

    Maravilha Houldini! Vamos lá no Facebook porque os “povo” tem de ler isso !

  2. Megumi disse:

    Neo x Robocop foi massa d+, quem diria rsrsrs A edi o de video ta fincado cada dia sem limites e pura verdade.. Uma ideia na cabe a um computador na m o.. valeu um abra o

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