A VIDA EM 24 FPS. POR HOULDINE NASCIMENTO.

Publicado: 08/10/2012 em Poesia

” Violeta foi para o céu (Violeta se fue a los cielos, 2012)
Drama biográfico, 105 min. Cotação: Bom

 

Cantora, compositora, poetisa, pintora e ceramista, a chilena Violeta Parra se transformou em uma das artistas mais admiradas da América Latina. De personalidade forte, essa mulher pouco ainda conhecida em nosso país teve suas composições utilizadas durante a ditadura de Pinochet como hinos que se opunham à opressão militarista.

 

Músicos brasileiros reinterpretaram algumas de suas canções, como foi o caso de Elis Regina, com “Gracias a La vida”, e de Milton Nascimento – junto com Mercedes Sosa – com “Volver a los 17”. Ela tem a vida retratada no novo longa-metragem de Andrés Wood (“Machuca”), Violeta foi para o céu.

 

A co-produção entre Argentina, Brasil e Chile estreou na última sexta-feira (5), no Cinema da Fundação, e toma como base o livro escrito pelo filho, Angél Parra. Empregando uma abordagem não-convencional sobre a trajetória de Violeta, o filme traz a infância sofrida, quando a garotinha órfã de mãe teve de abandonar os estudos e acompanhar o pai alcoólatra pelos bares, tendo também aprendido a tocar violão desde cedo e por conta própria.

 

Obviamente, não se limita a isso. A trama é sempre demarcada por suas músicas. Vemos Parra já adulta (Francisca Gavilán) na ida à Polônia para divulgação de seu trabalho, a perda de um filho nesse período e, mais adiante, a conturbada relação amorosa com um suíço. Na passagem pela Europa, esteve em Genebra, habitou Paris por dois anos e teve obra exposta no Museu do Louvre.

 

Violeta tinha um sonho: criar um centro de referência para a música folclórica de seu país. Por algum tempo, essa ideia recebeu apoio político. Entretanto, o filme mostra que o fracasso desse projeto e a desilusão sofrida com o companheiro foram determinantes para que o fim de sua vida fosse tragicamente antecipado.

 

É sempre difícil fugir das convenções em filmes de caráter biográfico. Andrés Wood tentou ao máximo transpor essa barreira. Um dos grandes méritos do longa é o fato de mostrar as imperfeições da biografada no momento em que deve, assim como acerta na hora de ressaltar as qualidades da pessoa retratada.

 

Contudo, em obras desse tipo, todas as atenções se voltam, inevitavelmente, ao ator central, se conseguiu ou não encarnar o papel da maneira como deveria. No caso de Francisca Gavilán, podemos dizer que ela entrega uma atuação magistral, passando ao público um tanto da dimensão dessa figura mítica, que resiste eternamente nos corações dos chilenos.”

 

 

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comentários
  1. João Carlos disse:

    Sempre me surpreende como filmes imperdíveis passam meio batido por aqui. A coluna de Houldini já me apresentou uns 10 (grosso modo). Este é mais um. Violeta Parra.
    Devido a moleza e mal-estar ontem,não entrei aqui nem vi a mensagem do Domingão. Não posso abrir o facebook aqui, mas, à noite farei um “H”. Este post merece e garanto que como eu tem um monte de gente “voando”.

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