SÁBADO SOM. POR JOÃO CARLOS DE MENDONÇA.

Publicado: 01/09/2012 em Poesia

 

 

J I M  G O R D O N

Vária vezes eu citei, em diversas circunstâncias, o caso desse fantástico baterista que, apesar dos pesados (e bota peso nisso) ainda é citado pelas revistas especializadas entre os 100 melhores mágicos dos tambores. Tenho para mim que a tragédia em que se envolveu até supera a de outros heróis da música como Hendrix, Janis Joplin, Mama Cass e tantos outros que se fascinaram pelas drogas pesadas. Por isso mesmo resolvi “assuntar” sua vida e não foi mole mas valeu. Acreditem, a vida de JIM GORDON é digna de pena. De lamentos.
Já aos 17 anos, após tocar com os Everly Brothers resolveu encarar a ensolarada California em 1963, desembarcando como baterista de Ike & Tina Turner e foi ganhando notoriedade, visto como um garoto prodígio. Era tão inventivo que, apesar de gravar com quase todos os “grandes” da época, começou à ser requisitado pelos “gigantes”. Não por acaso participou com os BEACH BOYS do histórico álbum Pet Sounds e logo estava com Eric Clapton e sua DEREK AND THE DOMINOES, de quem virou parceiro ao criar o trecho de piano para a icônica canção, LAYLA. Quando Joe Cocker arregimentou um time de primeira para sua “tour” americana (Mad Dogs and English Man), Gordon foi imediatamente convocado. Portanto, logo logo estaria com Lennon, Harrison, Delaney & Bonnie, Leon Russel e Jackson Browne.
Jim Gordon era reconhecidamente um cara do bem, do tipo “certinho”, mas o caçula das feras, certamente deslumbrado com a carreira meteórica, embarcou de vez no mundo de “sex, drugs and rock ‘n’ roll” da época. E os exageros que levaram muitos de seus pares às clínicas para dependentes, desencadeou um surto latente de esquizofrenia no pobre JIM que foi encontrado ao lado da mãe. a quem acabara de esfaquear brutalmente, murmurando baixinho algo como “eles mandaram, eles mandaram”. O rapaz que vinha se queixando de “ouvir vozes” foi posteriormente diagnosticado como portador de esquizofrenia aguda. Essa tragédia se deu por volta de 1983 e apesar da defesa contundente, pegou “perpétua” e ainda permanece preso. Depois de todos esses anos, JIM GORDON recebe religiosamente seus direitos por LAYLA e por seus tantos trabalhos com vários artistas. Aliás, Clapton tentou leva-lo para receberem o GRAMMY mas não obteve autorização.
OLHA O QUE EU DESCOBRI !
Por volta de 1972, o produtor Michael Viner foi contratado como executivo da MGM para cuidar das trilhas sonoras e entre vários filmes B, compôs para um deles duas peças instrumentais, “Bongo Rock” e Bongolia. Para grava-las, precisando de gente talentosa contratou o “rei do bongô”, KING ERRISON e… JIM GORDON. A empreitada deu certo e imediaramente VINER resolveu produzir um LP, com músicas baseadas na vigorosa percussão de King e Gordon. Assim nascia a quase fictícia banda THE INCREDIBLE BONGO BAND. Foram selecionadas músicas autorais e alguns “covers” , além de músicos de estúdio. Acontece que no meio daquilo, havia uma faixa, APACHE, antigo sucesso do The Shadows , cuja combinação da vigorosa percussão da dupla somada aos ataques de metais, chamava atenção. Contudo, o disco da INCRÍVEL BANDA DE BONGÔ não vingou, quando lançado em 1973.
Bem mais recentemente, um tal DJ KOOL HERC achou num sebo em Nova Iorque, uma cópia do LP e caiu de quatro ao ouvir APACHE, passando à usar os “loops” das percussões em suas apresentações. Não tardou e logo outros nomes do “hip hop” passaram à utilizar as passagens de KING e JIM em longos trechos das suas músicas. O fato é que a espetacular percussão de Apache é hoje considerada o trecho de música mais sampleado da “Black Music” americana. Entre os que utilizaram desse trecho da canção estão o DJ SHADOW, MISS ELLIOT, FAT BOY SLIM e ela… MADONNA (ouçam com atenção “Like A Prayer”) . Para o NEW YORK TIMES, o produtor Gflash declarou que Apache era o Hino Nacional do Hip Hop: “a “levada” dos caras deu feição ao que fizemos depois. A música é seminal !” Tanta “roubada” de sua obra, até agora não rendeu nada aos criadores. Relançado em CD, o disco recebeu 4 estrelas da Rolling Stone (refiro-me à matriz da revista) e foi declarado como um “artefato de um momento brilhante”.
Distante de tudo isso, JIM GORDON se diz outro. Curado e a mais de 30 anos sem usar drogas. Tentou várias vezes reduzir sua pena ou muda-la para prisão domiciliar. Depois de longo tempo no manicômio judiciário, JIM cumpre pena em um presídio comum e sempre que o som de LAYLA aparece na TV ou nas rádios, seus colegas exultam. Mas o que ele gostaria mesmo era de voltar a tocar com Clapton. Quem sabe ? Quem sabe ? Mas a verdade é que aquele garoto é mesmo digno de nossa misericórdia!

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comentários
  1. Garimpando a gente encontra:

  2. João Carlos disse:

  3. João Carlos disse:

  4. João Carlos disse:

    ATENÇÃO: Os clips acima são: 1) George Harrison com destaque para a bateria de Jim. 2) O trecho de piano final composto por JIM para LAYLA (parceria com Eric Clapton. 3) APACHE com a Incrível Banda de Bongô com destaque a dobra da bateria de Jim com o bongô que atualmente é utilizado por artistas de Hip Hop conforme narra o texto.

  5. João Carlos JIM com Lennon disse:

  6. Denise Maia disse:

    Que triste a história dele… Eu pensava que ele já havia morrido.

  7. Edu disse:

    Jim Gordon não era o Comissário Gordon? Rsrsrs… Brincadeirinha à parte, caro amigo João Carlos: parabéns por mais este belíssimo ensaio. Jim Gordon realmente “pirou o cabeção”. Foi do lado “de lá” comprar cigarros e nunca mais voltou. Completamente esquecido e ignorado pela mídia e pelo tempo, sei lá, fico imaginando como esse cara estaria hoje… se ainda seria capaz de tocar… sabe-se lá… apenas conjecturas. Se recebe os direitos de algumas coisas, não deve ser tão bobo. Deixo aqui um grande abraço, nobre amigo. E os mais sinceros votos de sucesso em cada passo que caminhamos nessa vida. Valeu, até o próximo sábado. SÁBADO SOM!!!

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