SÁBADO SOM. POR JOÃO CARLOS DE MENDONÇA.

Publicado: 25/08/2012 em Poesia

       

                                 J   A   C   Q   U   E   L   I   N   E

 

De fato, este “post” estaria menos deslocado numa coluna sobre cinema ou artes cênicas em geral. Mas acredito que nem o nosso Houldini já ouviu falar dessa “jovem”. Certamente a grande maioria dos que lerem não saberão de quem se trata ou já a viu alguma vez. Afinal, como cantaria Chico Buarque; “ela assim como veio, partiu, não se sabe prá onde!”  No começo dos anos 60 ela surgiu como um furacão. Arrebatadora. Audiência certa e fiel fosse na TV, rádio,teatro,cinema e… música. Para se ter idéia, passados 50 anos, mais ou menos, aquela “musiquinha” vez em quando me vem à mente e meio sem querer me pego à “cantarolar” como sempre.  Com seu ar de “Lolita” francesa, exalando sensualidade pelos poros, Jacqueline era cobiçada por garotinhos, adolescentes, coroas, idosos… e realmente admirada e/ou invejada pelas mulheres.

Jacqueline Myrna, na verdade nasceu na Romênia em 4 de dezembro de 1944, em Bucareste. Não se sabe ao certo mas, provavelmente sua família chegou ao Brasil fugindo ainda dos horrores da guerra. Aos 17 anos, estava decidida à tornar-se atriz e, embora não se saiba se ela chegou a ter algum treinamento, foi imediatamente participar de programas humorísticos. Com seu sotaque lindamente desconcertante (Araraquara era “arrarraquarra”. Carioca virava “carriôca” etc) e aquele corpão adolescente perfeito. Tudo emoldurado  por uma atmosfera de ingenuidade, que enlouquecia a libido nacional. E naquela época, nem se imaginava o surgimento das chamadas “revistas masculinas”. Na TV, ela foi muito bem apresentada ao fazer um quadro semanal como a “linda estrangeira inocente” sempre cercada por um garanhão nativo, ficando famoso o seu bordão “brasileiro é tão bonzinho!” que, nos anos 70 voltou à moda interpretado pela americana KATE LYRA (então esposa de Carlinhos Lyra) na mesma  A Praça é Nossa.  Logo logo, Jacqueline estaria monopolizando as atenções. Aparendo em outros tantos programas de TV, estreando no cinema com 3 filmes do ucraniano naturalizado brasileiro, Constantin Tkaczenco, “Isto é Streap-Tease”, “Superbeldades” e “Amor na Selva”. Desse ponto em diante, começou a descobrir-se como atriz e a exigir papéis mais relevantes. Portanto, embora lotasse os teatros com suas performances (que incluíam esquetes cômicos e dramáticos,dança e canto), foi atuar na novela de IVANY RIBEIRO, A INDOMÁVEL, grande sucesso da TV EXCELSIOR.  E não demorou à filmar com o Walter Hugo Khoury.  Por sua atuação em  “As Cariocas” recebeu o prêmio Governador do Estado de melhor atriz. Em 1968 magnetizou a audiência por outra grande atuação ao lado do ator PAULO JOSÉ em  “As Amorosas”. E ao filmar no Brasil, o cineasta egípcio GINO PALMISIANO a fez estrelar seu “A Desforra”. Assim, nossa deusa afrancesada seguiu carreira cinematográfica, filmando com os principais cineastas brasileiros na época, até 1971 com o filme “As Confissões de Frei Abóbora”.  Com o movimento cultural brasileiro em plena efeverscência na música, no teatro,no cinema, literatura… apesar do recrudescimento do regime militar (ou por isso mesmo!),e antes de as portas começarem à se fechar, JACQUELINE MYRNA casou-se com um estrangeiro e mudou-se para a Europa definitivamente. Desde então, ninguém sabe onde foi de fato residir, se ainda esta viva (estaria beirando os 80 anos). Sumiu e nunca mais se falou dela por aqui. Teria filhos ?

 

Ah……………….. Johnny não está loki bicho!  A musiquinha, à qual eu me referi lá em cima, chama-se FRANCESINHA DE ARAQUE. Estourou em todas as mídias de então. Bem ou mal, todo brasileiro repetia (e tentando emular o sotaque) suas primeiras estrofes. Deixou a Jovem Guarda no chinelo e até as feras do rock. Olha eu aqui, agorinha à cantarolar “de São Paulo/vim pro Rio de Janeiro/de São Paulo/vim pro Rio de Janeiro/por favor ninguém me toque/eu aqui sou carriôca…” Obrigado Jacqueline! Deus te abençoe!

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comentários
  1. Denise Maia disse:

    Rapaz… Dessa eu nunca tinha ouvido falar. Verdadeira “cultura de rodapé” rsrs

  2. João Carlos disse:

  3. Anônimo disse:

    Oh my God!!! João, dessa vez você foi longe demais e bateu no fundo do meu coração. Na época eu era FÃÃÃÃÃÃÃÃ n.1 dela. Sabe que cheguei a me emocionar? Cara, eu canto sempre a música “De San Parro vim pô Rio de Janerro…”, exatamente com ela cantava, com aquele sotaque engraçadíssimo! Já falei muito sobre ela, para os meus filhos. Maria Luiza, minha filha, morre de rir porque eu canto imitando ela. Era uma mulher linnnnnnnnnnnnda, simpátississima, de corpo estrutural, loura, alta e usava roupas bem sensuais. Não tenho muita certeza mas acho que ela chegou a participar do programa “Bossa 2”, na TV Jornal do Commercio, do Recife, sob o comando de José Maria Marques. Lembra? Na minha casa todos éramos fãs de verdade. Que pena que não se sabe sobre o seu paradeiro. Pô, cara, valeu o delicioso texto, valeu pelas lembranças que revivi, valeu, valeu e valeu! Beijos e um excelente final de semana. Meta bronca sábado que vem… kkkkkkkkkkkkkkkkkkk…

  4. Rose Falangola disse:

    Oh my God!!! João, dessa vez você foi longe demais e bateu no fundo do meu coração. Na época eu era FÃÃÃÃÃÃÃÃ n.1 dela. Sabe que cheguei a me emocionar? Cara, eu canto sempre a música “De San Parro vim pô Rio de Janerro…”, exatamente com ela cantava, com aquele sotaque engraçadíssimo! Já falei muito sobre ela, para os meus filhos. Maria Luiza, minha filha, morre de rir porque eu canto imitando ela. Era uma mulher linnnnnnnnnnnnda, simpátississima, de corpo estrutural, loura, alta e usava roupas bem sensuais. Não tenho muita certeza mas acho que ela chegou a participar do programa “Bossa 2″, na TV Jornal do Commercio, do Recife, sob o comando de José Maria Marques. Lembra? Na minha casa todos éramos fãs de verdade. Que pena que não se sabe sobre o seu paradeiro. Pô, cara, valeu o delicioso texto, valeu pelas lembranças que revivi, valeu, valeu e valeu! Beijos e um excelente final de semana. Meta bronca sábado que vem… kkkkkkkkkkkkkkkkkkk…

  5. Houldine Nascimento disse:

    Hahaha, que barato, João! Eu realmente nunca ouvi falar dessa “garota”. Mas devia ter algum talento como atriz, então, já que esteve em filme de Khouri. Grande abraço.

  6. Edu disse:

    Muito boa. Sensacional a lembrança de Jacqueline Myrna. Sou fascinado por essas histórias de sucesso, decadência e desaparecimento de tantos daquela época que considero a mais rica da cultura popupar brasileira e mundial. Parabéns, João Carlos. É sempre muito bom saber que em algum lugar, existe vida inteligente comandando a máquina. Manda mais!

  7. Rose Falangola disse:

    aff… todo mundo já leu o meu ESTRUTURAL – mas, estruturalmente esculturallllllllllllllllllll!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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