SÁBADO SOM. POR JOÃO CARLOS DE MENDONÇA.

Publicado: 04/08/2012 em Poesia

VERSÃO OU AVERSÃO BRASILEIRA

A história das versões musicais no Brasil remete aos anos 30 e 40. Sabe-se que em princípio eram feitas diretamente para desenhos animados da Disney, o que é compreensivo, como ainda costuma acontecer. Mas, já naquela época, gente do peso de Braguinha e Aloysio de Oliveira se especializaram nas músicas de Hollywood, principalmente as de Charlie Chaplin, enquanto o Haroldo Barbosa, preferia as canções hispano-americanas como o bolero mexicano, o tango argentino e mais tarde,nos anos 50, a guarânia paraguaia, segundo monografia de Claudio Calabria que, oportunamente cita o final dos anos cinqüenta, no nascimento do rock ‘n’ roll, quando fomos buscar na Itália (Marcianita e Banho de Lua) e até na Alemanha (Boogie do Bebê) originais para “abrasileirarmos”. Até que veio a Jovem Guarda.
Realmente, à partir de 1964 a coisa desandou beirando o tragicômico. Embora gente como Erasmo Carlos, Renato Barros,Carlos Imperial e outros tantos, cometessem versões à mil por hora, não podemos deixar de citar dois versionistas que praticamente dominaram o mercado: ROSSINI PINTO e FRED JORGE. Talvez,e bota talvez nisso, só o Roberto Carlos não tenha registrado nenhuma versão escrita por um deles. Não gosto de admitir isso mas,salvo um gol aqui e outro ali, a maioria do que se produziu era lixo. Apenas denegriram boas canções.
Não sou inimigo das versões. Há verdadeiras pérolas nesse nicho mas, observem que em geral, foram escritas por verdadeiros gênios da MPB. Gente com bagagem e curriculum de categoria e que, quando o fazem, acontece eventualmente e principalmente respeitando o tema original da música. Posso citar ÍNDIA, FASCINAÇÃO, SORRI, ou mais prá cá, Caetano com NEGRO AMOR de Bob Dylan, CHICO BUARQUE que descobriu a italiana (?) MINHA HISTÓRIA e GILBERTO GIL com NÃO CHORE MAIS de Bob Marley. E tem muito mais, prá perder a conta.
Por outro lado, o que se fazia nos anos 60 era tão ruim, que até hoje a tragédia continua via duplas sertanejas, grupos de forrofuleiro, axé e pagodeiros. Os Beatles foram massacrados. Inclusive com “letras” que versavam exatamente sobre o inverso da letra original. Imagine uma música que diz “será que ela sabe que a dor pode levar ao prazer ?” transformada na canhestra MEU BEM por Imperial. Tem até a Melô do Pedófilo (Ah! Deixa essa boneca e vem brincar de amor). O que diria Lennon ao saber que seu refrão “Cristo, do jeito que as coisas estão, eles vão me crucificar!” transformado em “o mundo de hoje não é tão triste assim!”. E fiquemos por aqui. Numa mesa de bar num sábado, a gente gasta uma tarde só com mais exemplos.
Tudo bem com as versões mas sabe o que eu ouvi de um parente dias desses ? Com toda delicadeza possível ele falou-me que não entendia tanto estardalhaço em torno dos Beatles. Afinal, tinham boas músicas mas as letras eram tão medíocres! E terminou citando todos os trechos das versões gravadas por Renato e Seus Blue Caps. É ou não é prá ficar incrível ?
À guisa: você já ouviu uma música romena chamada DRAGOSTEA DIN TEI ? Ouviu! Na versão de Latino virou o sucessão, FESTA NO APÊ.

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comentários
  1. Denise Maia disse:

    Excelente crítica. Falando em ‘aversão’ me lembrei da lastimável “É isso aí, cantada por Ana Carolina e Seu Jorge, assassinando a bela “The blower’s daughter” tema do filme Closer.

  2. João Carlos disse:

    De fato Denise! Ponha-se lastimável nisso. É isso ai!

  3. Sóstenes Lennon Fonseca disse:

    Bróda John…parabéns, é verdade, precisamos de um dia todo numa mesa de bar…ou em qualquer lugar…
    Em tempo: sem querer saber quem é, mas, acho que esse seu parente é cunhado…

  4. Anônimo disse:

    Oi meninos, o blog tá muito legal, gostoso de ler. Quanto a este texto VERSÃO OU AVERSÃO BRASILEIRA , muito interessante João Carlos, apesar de eu não ser contra a versões. Também não vou deixar de dizer que tem muuuiiitas que são terríveis, principalmente as com baixarias. bjs.

  5. Anônimo disse:

    esqueci de colocar o meu nome! Rose Falangola. rsrsrsrsrsrsrsrsrs…

  6. Márcio Vilarinho Amaral disse:

    Outra podre (embora eu até goste da música) é “O Astronauta de Mármore”, versão gravada pelo Nenhum de Nós para “Starman”, de David Bowie. No refrão, “There’s a starman waiting in the sky” virou “Sempre estar lá e ver ele voltar”…

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