A VIDA EM 24 FPS. POR HOULDINE NASCIMENTO.

Publicado: 17/06/2012 em Poesia

Febre do Rato

 

Não dá para falar do cinema pernambucano atual sem pensar em Cláudio Assis. O diretor caruaruense, dos premiados “Amarelo Manga” e “Baixio das Bestas”, sempre leva às telonas temas ousados e, obviamente, polêmicos. Em seu terceiro longa-metragem, Febre do Rato, trouxe uma história mais palatável, sem deixar de lado suas inquietudes.

Essa “brandura” está evidente na figura de Zizo (estupenda interpretação de Irandhir Santos), um poeta marginal recifense que possui um periódico intitulado “A Febre do Rato”. A expressão é conhecida da população local e serve ainda para evidenciar todo o anarquismo do poeta, sua voracidade.

Ele nutre um peculiar gosto por mulheres de idade avançada, transando com elas em seu tanque. Também costuma declamar suas poesias para os amigos em diversas ocasiões. Certo dia, Zizo conhece Eneida (Nanda Costa), uma bela jovem que desperta sua atenção. O poeta cria uma espécie de devoção por ela e não vai sossegar até conquistá-la.

Paralela a essa situação, conhecemos personagens divertidos e suas histórias. O vai-e-vem da relação entre o coveiro Pazinho (um sereno Matheus Nachtergaele) e sua parceira. E a turma da construção abandonada, Oncinha (o pianista Victor Araújo), Boca Mole (Juliano Cazarré) e Rosângela (Mariana Nunes).

No dia em que se comemora a Independência do Brasil, Zizo decide realizar um manifesto no centro da cidade. É aí que vem o clímax do filme e todo o som e a fúria do diretor.

Febre do Rato foi aclamado no ano passado, no Festival de Paulínia, quando recebeu oito prêmios, entre eles o de melhor filme, ator – para Irandhir – e atriz – para Nanda.

As poesias são de autoria de Miró, um poeta bem popular em Pernambuco e dão um toque especial ao excelente roteiro de Hilton Lacerda. Há que se louvar a fidelidade dos atores a Cláudio Assis, pois eles se entregam de todas as formas aos seus pedidos, sem medo de expor seus corpos.

Isso criou problemas, sobretudo numa cena rodada na Rua da Aurora, onde a polícia interveio. “Estava tudo certo, pagamos tudo o que era preciso e não ganhamos nenhum centavo da Prefeitura, nem de nada. Vieram quase dez carros de polícia para prender os dois atores”, revela o diretor.

O personagem central se confunde com o próprio Assis – que é poeta por excelência, sempre entregando obras com paixão. Ele é bastante corajoso ao escolher, em conjunto com o diretor de fotografia Walter Carvalho, rodar em preto e branco, e isso faz do filme um primor ainda maior.

A fita é mais que uma declaração de amor ao Recife (ou um “beijo na boca”, como prefere o diretor), o que já seria grande coisa.  É um hino à liberdade, seja ela qual for, política ou sexual.

P.S.: Assisti ao filme em novembro de 2011, na abertura do IV Janela Internacional de Cinema do Recife. A projeção apresentou problemas. Além de considerável atraso para a exibição do filme, mal dava para ouvir o som de “Febre…”. Dessa maneira, fiquei impossibilitado de acompanhar alguns momentos poéticos, embora “lutasse” para tal. A previsão de estreia do longa é para a semana que vem, dia 22 e deve ser exibido no Cinema da Fundação. Pretendo rever.

O link gentilmente cedido por Houldine:

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comentários
  1. João Carlos disse:

    Puxa vida! Só me aborrece essa história de Cinema da Fundação, lá nos cafundós.Parece elitismo cultural. Logo eu que ouvi tanto falar desse filme mas sem saber do enredo tão bem explicado por Houldini. Talvez mais tarde com o DVD…
    PS: Isso é filme para csalas dos shoppings.Ao menos uma de cada!

  2. Houldine Nascimento disse:

    João e amigos:

    “Febre do Rato” também entra em cartaz nesta sexta (22), no UCI do Shopping Recife. São quatro sessões por dia: 13h25m, 15h45m, 18h05m e 20h25m.

    Já na Fundaj-Derby, os horários variam de acordo com o dia. Acessem este endereço para conferir. http://www.fundaj.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=247&Itemid=227

    Abraços.

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