A VIDA EM 24 FPS. POR HOULDINE NASCIMENTO.

Publicado: 27/05/2012 em Poesia

Irandhir Santos

 

Ele já é considerado um dos maiores nomes de sua geração no cinema. Em pouco tempo – e com muito empenho -, Irandhir Santos conseguiu alcançar esse status. Ator da terrinha, nasceu em Barreiros, em 22 de agosto de 1978. Entretanto, passou boa parte da vida em Limoeiro, cidade de origem dos pais.

 

Formado em artes cênicas pela UFPE, em 2003, Irandhir começou chamando a atenção do público na televisão, ao protagonizar a microssérie de Luiz Fernando Carvalho, “A Pedra do Reino”, que foi uma adaptação da obra de Ariano Suassuna “Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta”. Nela, demonstrou todo talento ao fazer Quaderna, uma espécie de Dom Quixote Armorial. Mas, como já dito, ele construiu sua carreira na sétima arte.

 

Em 2005, fez uma pequena aparição em “Cinema, Aspirinas e Urubus”, de Marcelo Gomes. Um longa-metragem bastante delicado, que traz uma amizade construída no Sertão, entre um alemão fugido da Segunda Guerra e um nordestino que tenta chegar ao Rio, em busca de melhores condições.

 

Um ano depois, consegue um papel de relevo em “Baixio das Bestas”, do caruaruense Cláudio Assis. Um filme forte e polêmico – o que são marcas do diretor -, tratando de exploração sexual na Zona da Mata pernambucana. Pelo desempenho no longa, foi premiado no Festival de Brasília, levando o troféu de melhor ator coadjuvante.

Irandhir seguiu em projetos interessantes, como “Olhos Azuis”, de Jose Joffily, no qual fazia um brasileiro confinado durante horas em um aeroporto dos EUA e sofrendo as piores pressões, e “Quincas Berro D’Água”, de Sérgio Machado, vindo do texto de Jorge Amado.

 

A grande chance veio com “Tropa de Elite 2”, em que interpretou o deputado Diogo Fraga. A princípio, um antagonista de Nascimento (Wagner Moura), mas com o decorrer da trama, a situação muda. O filme se tornou a obra mais vista em nossos cinemas, com mais de 11 milhões de espectadores, ultrapassando “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, que mantinha o recorde desde 1976 (10.735 mi). Sobre os bastidores, é interessante observar que José Padilha não havia pensado inicialmente em Irandhir para o papel. O diretor chegou a convidar o baiano João Miguel (o Ranulpho de “Cinema, Aspirinas…”, também de “Estômago” e visto recentemente em “Xingu”), que recusou por estar envolvido com outros projetos.

Outro trabalho notável foi o desenvolvido no incomum longa-metragem “Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo”, de Karim Ainouz e Marcelo Gomes, onde nunca aparece, apenas escutamos sua voz e vemos imagens filmadas pelo seu personagem.

 

Ainda este ano, Irandhir poderá ser visto em “A Febre do Rato”, segundo trabalho com Cláudio Assis, em que vive um poeta anarquista numa Recife vista em preto e branco. Pela grande entrega – ainda mais intensa que a habitual -, essa talvez seja sua maior interpretação nas telonas. Ele e o filme acabaram premiados no Festival de Paulínia em 2011. E mais adiante, em “O Som ao Redor”, primeiro longa de ficção do crítico e cineasta recifense Kleber Mendonça Filho.

Sobre esse filme, uma história interessante: em agosto de 2010, precisamente no dia 9, eu estava retornando para casa de ônibus. Nas imediações de Setúbal, próximo ao que hoje é o Parque Dona Lindu. Eis que Irandhir embarca no mesmo veículo. Quase não acreditei. O ônibus estava com grande parte das cadeiras ocupadas, contudo, só eu consegui reconhecê-lo, tanto que ele demonstrou surpresa. Irandhir queria conhecer o Shopping Guararapes. Conversamos um pouco, eu falei que era fã desde “A Pedra do Reino”, comentei o fato dele estar em “Tropa 2”, que estreou dois meses depois, em outubro do mesmo ano, e brinquei, dizendo estar surpreso por um artista andar de ônibus. Ele comentou que estava hospedado num flat perto da parada onde subiu e que estava rodando um filme para a Fundação daqui (creio que seja a Fundarpe), dirigido por Kleber. Aparentou ser uma figura bem simples e receptiva.

 

Enfim, tudo isso comprova que o êxito não subiu a cabeça e que ele já é uma realidade, faltando pouco, muito pouco para estar no mesmo nível de um Selton Mello ou do próprio Wagner.

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comentários
  1. Magna disse:

    Maravilha, Houldine. Não conheço o cidadão, mas certamente, depois destas informações, ficarei atenta.
    Vamos torcer para ele permanecer simples sem estrelismos.
    Abraço.
    Magna

  2. João Carlos disse:

    Já o vi 2 vezes na telona. O post foi bem preciso!

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