A VIDA EM 24 FPS. POR HOULDINE NASCIMENTO

Publicado: 20/05/2012 em Poesia

A Dama de Ferro **1/2

Drama biográfico, 104 min.

Margaret Thatcher foi a pessoa que mais permaneceu no cargo de Primeiro-Ministro no Reino Unido: 11 anos (seu governo foi de 1979 a 1990). E, sem dúvida, se trata de uma das figuras mais controversas da política mundial. Não é possível ficar indiferente a sua persona. Amada por muitos e odiada por tantos outros, é inegável a firmeza com que conduziu seu mandato. Pela forte oposição ao Comunismo, os soviéticos lhe deram a alcunha de “A Dama de Ferro”.

O que tinha tudo para ser uma cinebiografia de alto nível vira mediana sob a direção de Phyllida Lloyd (uma realizadora que veio do teatro). Ao invés de mostrar como deveria aquela mulher irredutível, que foi um dos alicerces para a vitória do Capitalismo na Guerra Fria, o filme traz uma Margaret senil, acometida pela doença de Alzheimer. À “Dama de Ferro”, restam as lembranças da época em que esteve no poder.

A história se concentra na luta de Thatcher para se livrar das alucinações que tem, potencializadas na figura do já falecido marido, o empresário Denis Thatcher (Jim Broadbent). E o resultado só não é pior graças ao excepcional desempenho de Meryl Streep (justificando, então, o segundo Oscar de melhor atriz). Ela encarna com muita competência o papel, conseguindo reproduzir os tiques e a voz da Baronesa Inglesa.

O filme não se furta de exibir os períodos de impopularidade que o seu governo passou, incluindo a grande hostilidade aos sindicatos e os atentados sofridos, além do início de sua vida, filha de um simples dono de mercearia (nesta fase é interpretada pela estreante Alexandra Roach). Acompanha-se passo a passo a trajetória de Thatcher na política, quando ingressa no Partido Conservador e fará parte da Câmara dos Comuns, o Parlamento Inglês. Tem o mérito de sugerir uma mulher ausente na criação dos filhos.

O grande momento do longa, naturalmente, é quando vemos a sua determinação durante a Guerra das Malvinas, empenhada em recuperar o arquipélago após invasão dos argentinos. Nesse sentido, é curioso observar como o cinema tem o poder de influenciar a realidade. Foi só o filme ganhar notoriedade para a discussão acerca das Ilhas ser reacendida. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, chegou a fazer um pronunciamento exigindo a posse do arquipélago.

Longe de ser extraordinário, A Dama de Ferro é um retrato decente da mais notável chefe de Estado que já houve (para o bem ou para o mal). Phyllida deve muito à Meryl (elas chegaram a trabalhar juntas no fraco musical “Mamma Mia!”), pois o sucesso do filme repousa sobre os ombros desta que é uma das atrizes mais fascinantes de todos os tempos.

 

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comentários
  1. João Carlos disse:

    Eita! Ainda ontem chegou às minhas mãos este filme.Ainda não vi.Vou confeir com parcimônia já que Houldini deu-lhe o crédito necessário.

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