SÁBADO SOM. POR JOÃO CARLOS DE MENDONÇA.

Publicado: 18/05/2012 em Poesia

 D E E P    P U R P L E

Meu pai tinha acesso livre à discoteca das rádios gêmeas, CLUBE e TAMANDARÉ, que funcionavam no saudoso Palácio do Rádio (Av. Cruz Cabugá). Lá trabalhava um rapaz negro,bastante atencioso e antenado, que nos tratava com especial atenção e boa vontade. Não lembro o seu nome, mas sei que era discotecário (recebia,catalogava,armazenava e selecionava as músicas e discos requisitados pelos programadores). Um dia,nos revelou que que tinha um projeto para um programa semanal,aos sábados,exclusivamente de rock (e suas vertentes), que seria então, pioneiro aqui em PE. Mas vinha encontrando dificuldades para convencer seus superiores. Ele seria o produtor, escreveria os textos e selecionaria as músicas e os artistas. Mas não seria o locutor (sua voz não ajudava). Meu pai comprou a idéia e como tinha muita credibilidade com o pessoal dali,defendeu com argumentos irrefutáveis o programa que, juro,também não lembro o nome.Parece que era SÁBADO ROCK. O Programa estreou às 15 Hs pela Rádio Tamandaré (a dona do pedaço,então) e teve um retorno surpreendente. O rapaz selecionou um monte de bandas e artistas solos dos quais a maioria eu desconhecia. Lembro do Black Sabbath, Bob Dylan e de uma desconhecida banda chamada DEEP PURPLE com sua Smoke On The Water que pegou todo mundo de surpresa. Muito  oportunamente, a segunda edição do programa foi inteiramente dedicada ao Deep Purple, em especial,ao seu recém lançado LP, MACHINE HEAD. E não se falava noutra coisa na cidade. Para alegria de todos,choveu patrocinadores atrás de espaço e meu pai,claro,correu para comprar aquele discaço.

O DEEP PURPLE revelou vários músicos e vocalistas que fizeram história e ainda estão atuando em bandas de rock atuais, todavia sua formação e seu som inimitável, centrava-se na guitarra veloz e melódica de RITCHIE BLACKMORE, no órgão envenenado com distorção do virtuoso JON LORD, na fantástica bateria de IAN PAICE, no baixo certeiro de ROGER GLOVER e nos vocais de IAN GILLAN (que até hoje é referência dos histéricos vocalistas do “metal”).  Entre 68 e 69, a banda lançou 3 discos sem muito retorno. Mas já com sua formação clássica,o PURPLE começou à fazer história, moldando um rock pesado (definido como hard rock) claramente inspirado na música erudita, base da formação musical de Blackmore e Lord. Tudo isso sustentado por um balanço e uma “pegada” irresistíveis. Quando o PURPLE e o LED emularam o “heavy metal” ,antes de tudo, exigia-se criatividade,harmonia e originalidade no rock. Pena que seus seguidores dos 80 prá cá, desvirtuaram o estilo, resumindo-o à zoada,velocidade e um vocalista pedindo socorro à beira do abismo. O melhor da banda está em seus 7 álbuns lançados entre 1970 e 1975. As pérolas são: In Rock (70), Fireball (71), Who Do We Think We Are (73), Burn (74), Stormbringer (74) e finalmente, Come Taste The Band (75). Todos fundamentais, especialmente COME TASTE THE BAND, onde usaram elementos e balanços do “funk”. Mas peraí ? O que eles fizeram em 1972 ?

Em 1972, alugaram a unidade móvel de gravação dos Stones e foram para Montreux,na Suiça, “cometer” um dos melhores discos de rock da história, recheado de clássicos, discoteca básica, item fundamental para qualquer colecionador.  MACHINE HEAD, o disco, deveria ser obrigatório nas escolas de artes. Talvez os atuais metaleiros estivessem fazendo algo digno. E aqui,cabe um acontecimento que entraria para os anais da música contemporânea. Quando o grupo já estava finalizando o projeto, resolveu assistir à apresentação de Frank Zappa e sua banda Mothers Of Invention, no já então reverenciado FESTIVAL DE JAZZ DE MONTREUX. Acontece que no ápice do show, um fã tresloucado resolveu inadvertidamente, disparar um sinalizador de embarcações na direção do teto. A coisa quase vira catástrofe. As cortinas do teatro começaram à arder em chamas,o show foi cancelado e o público retirado com segurança do local que, ficava à beira mar (ou seria um rio ?). Este episódio poderia passar batido, uma quimera, não tivesse inspirado a banda a criar um dos mais significativos rocks de todos tempos,cujo “riff” de guitarra é considerado o “melhor” já escrito, e que acompanha a letra que narra exatamente todo  aquele acontecimento. A canção é ela mesma, Smoke On The Water.  Além dessa maravilha, o álbum tem a hiper-eletrizante Highway Star, que o “velho” adorava,especialmente pelos solos de guitarra e órgão lindamentes “bachianos” (confiram!). Na cadenciada Maybe I’m A Leo, os solos acentuam as vertentes jazzísticas dos músicos. Outra maravilha do disco, que chegou imediatamente às paradas foi um rock prá lá de elegante chamado Never Before. MACHINE HEAD  tinha (tem) ainda, LAZY, PICTURES AT HOME e a estonteante Space Truckin’.

Sempre que escuto as canções deste CD e aprecio sua capa, minha mente e meu coração voltam-se para aquele período. Lembro daquele prédio da Cruz Cabugá, de Dona Lourdes Sorel e Zezé,  do meu pai… mas confesso que não me perdôo por não lembrar o nome daquele rapaz que entrou em minha história. É prá ficar realmente deep purple de vergonha!

Anúncios
comentários
  1. Oxe, é ela seu menino. Dando um ninja em André Gustavo kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk:

  2. Uma cachoeira de som, não é o carlinhos bad boy, são os roxos phuderosos:

  3. andregustavo disse:

    Essas recordações me matam,como diria Roberto Carlos.Texto da poha de John(pra variar).Será que um dia Felipe lembrará dele cantando comigo no carro Drive My Car?Espero que sim…amanhã venho com os videos rapaziada,”on the Lake Geneva shoreline”…!

  4. João Carlos disse:

    Estamos na espera VJ ANDRÉ! Por enquanto eu fico com os acepipes do Domingão!

  5. João Carlos disse:

    Pessoal! OLHA A RARIDADE! 1967! Dá prá acreditar ? Mas são eles mesmos!http://youtu.be/yAX_tg1me1A

  6. Já deixei testamentado lá no feissibuki aos dois traíras João Carlos e André Gustavo, que quando forem ao Paranóia do Mar e deixarem a gente aqui com a seca do sertão inteiro no boca, saudades da Germana, eu vou daqui papouco com donana Ana Luiza, spring e summertime da minha life, para o Canavial detonar um cupim toitiço puro. E deixando vocês também com uma seca da morrinha, aqui não tem bebedor na zona norte kkkkkkkkkkkkkkk:

  7. E como hoje é meu dia de traíra vou trairando o Engenheiro de Som do Fusca, o sr. André Gustavo que está perdido em algum engarrafamento e esculhambando a CTTU kkkkkk:

  8. e vamosimbora que o homi pegou ar lá no feissibuki, essa é prá você Johnny B Good:

  9. óia que arretado, da gota serena:

  10. essa música fez meu irmão cometer o crime de quebrar o LP. Escutei tanto BURN chapado que não fez buraco no disco, mas deu um rebu do kct. a dona Celeste coitado comprou um Led Zep prá mim depois. o fela do meu irmão estudava Medicina e praguejei tanto o condenado, prá depois ele salvar o meu figado. Pense numa história bonita. qualquer dia conta ela aqui: agora é rock do caralho:

  11. andregustavo disse:

    Vou emendando logo pa torar:

  12. andregustavo disse:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s