A VIDA EM 24 FPS. POR HOULDINE NASCIMENTO.

Publicado: 05/05/2012 em Poesia

Cavalo de Guerra

War Horse (EUA, 2012). Cotação: ***

Aventura, 146 min. Direção: Steven Spielberg. Com Jeremy Irvine, Peter Mullan, Emily Watson, Niels Arestrup, Tom Hiddleston.

“Tubarão”, “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, “E.T.” e “A Lista de Schindler” são grandes filmes. Se Steven Spielberg tivesse realizado apenas estes quatro, isso já seria suficiente para alçá-lo à condição de um dos maiores cineastas do século XX. Mas, não satisfeito, Spielberg também dirigiu outras obras de valor como “A Cor Púrpura”, “Prenda-me se for capaz”, “Munique”, além de ter criado as sagas de Indiana Jones (junto com o amigo George Lucas) e do Parque dos Dinossauros. Não há dúvida de sua importância.

Como se sabe, sua nova empreitada é Cavalo de Guerra, história vinda de um livro infanto-juvenil de Michael Morpurgo, publicado em 1982. No entanto, o que despertou o interesse de Spielberg foi uma peça britânica de 2007, que se baseava na publicação e atingiu enorme sucesso. Vendo o caráter imagético da obra, tratou de adaptá-la.

Fundamentalmente, é sobre uma amizade entre Joey, um cavalo puro-sangue, e o jovem Albert (o estreante Jeremy Irvine), dias antes de a Primeira Guerra Mundial ter início, numa cidadela inglesa chamada Devon. Joey vai parar na fazenda de Albert depois que o seu pai, Ted (Peter Mullan), o comprou em um leilão após uma disputa com um senhorio. Isso preocupa a mãe (Emily Watson), pois com o alto preço pago pelo cavalo, a família encontra dificuldade para quitar o aluguel e se vê obrigada a realizar uma colheita. Mas como, se não há um animal especializado nisso?

Albert trata de treiná-lo para fazer o serviço. Não adianta muito e o cavalo acaba vendido para um oficial do exército britânico (o competente Tom Hiddleston). A partir disso, Joey passará a ser testemunha ocular de uma guerra. Transitando pelo campo de batalha alemão, conhecendo dois jovens desertores e até mesmo fazendo companhia a uma garotinha (a revelação Celine Buckens) e ao seu avô (o francês Niels Arestrup, de “O Profeta”). Os anos da Primeira Guerra são percorridos e o garoto não esquece o velho amigo. O amor é tanto que decide servir às forças armadas de seu país, na esperança de reencontrar Joey.

 

O velho Spielberg é conhecido pelo sentimentalismo exacerbado. E o que é uma de suas marcas, não fica ausente aqui. Ele carrega o filme de um tom melodramático e que se torna uma forma apelativa de envolver o espectador (é improvável não se comover na cena em que o cavalo fica preso por arames). O principal problema reside na maneira com que se conduz a história.

Não há como negar o preciosismo técnico. O visual de “Cavalo de Guerra” é espetacular, no que é a colaboração do fotógrafo habitual, Janusz Kaminski, e reverencia a era de ouro hollywoodiana. É preciso também reconhecer a competência de Steve na simulação das cenas de guerra, algo que havia mostrado muito bem em “O Resgate do Soldado Ryan”. Na hesitação dos combatentes ingleses nas trincheiras, ele executa uma homenagem a Stanley Kubrick, em particular a “Glória Feita de Sangue”.

Contudo, apesar dos artifícios de apelar à emoção e de sequências graciosas, o filme é um tanto disperso, não conseguindo prender como deveria a atenção. Talvez houvesse uma objetividade maior e fossem cortados vários minutos de gordura, ajudasse a criar maior empatia. E a escolha de Irvine para fazer esse jovem se faz precipitada pelo seu desempenho vacilante.

Indicado a seis Oscars (filme, trilha – John Williams -, edição sonora, direção de arte, fotografia e mixagem de som), “Cavalo de Guerra” não é uma nova obra-prima (e está longe de ser). Steven Spielberg merece respeito por tudo o que fez, mas não dá para dizer que este é um grande filme.

 

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comentários
  1. João Carlos disse:

    Mesmo assim. Confiando no taco de Houldini, eu vou espiar!

  2. Magna disse:

    Pois, então, depois desta tua sentença, Houldine, vou priorizar outros. Aliás, o tempo não me tem dado muitas oportunidades de ver filmes. Perdi de ver “Método Perigoso” – o que lamentei bastante – o Palhaço, enfim, a lista das faltas está aumentando. Porém, recentemente, assisti a um documentário que você deve ter visto: Raul – Começo, fim e o meio de Walter Carvalho, salvo engano. Cerca de 2 horas de filme valem a pena, embora o sentimento no final (meu) foi de assistir a algo deprimente, pois sempre acho deprimente alguém se destruir. No entanto, o filme é muito mais do que isto, portanto, vale mesmo a pena. Pena não ter sido tão prestigiado como deveria. Já saiu de cartaz do único cinema em que estava:Rosa e Silva.
    Abraço.
    Magna

  3. Houldine Nascimento disse:

    João,
    Cavalo de Guerra está distante de ser um grande filme de Spielberg, mas, embora piegas, é um trabalho razoável.

    Magna,
    Gostei bastante do documentário sobre Raul. E você tem razão, pois é realmente triste ver uma pessoa se destruir, como ele chegou àquilo. Mas uma coisa que acho bacana é que Walter não se furta de “dar voz” às pessoas que estiveram envolvidas com Raul Seixas, até mesmo àquela seita satânica que ele e Paulo Coelho aderiram [Raul persuadido por este, embora fosse responsável por si]. Confesso que este momento me incomodou bastante, em especial as imagens de um filme com essa ideologia, cujo trecho com um animal sendo degolado é exibido, inclusive.

    Abraços.

  4. Magna disse:

    A mim também, Houldine, incomodou bastante. E o depoimento de Paulo Coelho…sinceramente, viu…muito muito triste. Que Jesus o proteja!
    Abração.
    Magna

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