A VIDA EM 24 FPS. POR HOULDINE NASCIMENTO.

Publicado: 29/04/2012 em Poesia

Pacific (2009), de Marcelo Pedroso

Documentário, 73 min.

 

O título “Pacific” foi extraído do navio de mesmo nome, onde as ações ocorrem, em que um grupo de pesquisadoras do filme esteve a bordo, participando de um cruzeiro. O processo de feitura do longa-metragem é esclarecido já nos primeiros minutos. A produção detectou que algumas pessoas executavam filmagens durante a viagem deste navio. Não houve uma abordagem inicial aos que realizavam estas imagens, por parte da equipe. Somente ao término delas, a produção se aproximou dessas pessoas. Possivelmente, isso conferiu uma espontaneidade maior aos que se apresentavam diante das câmeras.

Em dezembro de 2008, um cruzeiro de “sete dias e seis noites” (conforme esclarece uma passageira) partiu de Recife com destino ao paradisíaco arquipélago de Fernando de Noronha. Diante do que é exposto, o espectador tem acesso à intimidade/vida privada de vários passageiros de Pacific. Naturalmente, estes fazem parte de uma camada privilegiada da sociedade. Pessoas que aparentam viver o sonho de suas respectivas vidas.

Torna-se inevitável compará-lo a “Um Lugar ao Sol” (2009), de Gabriel Mascaro. Diferentemente do que é executado neste filme, Pacific mostra aqui um lado mais humanista das classes dominantes com o qual o outro bolo da sociedade talvez não esteja familiarizado. Eles são apresentados como se vêem, sem um preparo, sem uma mise-en-scène demasiada para aparecer nas imagens.

Este é o segundo documentário em longa-metragem de Marcelo Pedroso (que realizou, no ano anterior e em conjunto com Mascaro, “KFZ-1348”). Da nova safra de cineastas de Pernambuco, o diretor preferiu não se envolver com as pessoas retratadas nas imagens, tanto que ele nem esteve neste navio. Quando entrevistado para o blog “Cine Esquema Novo”, Marcelo revelou que essa escolha lhe possibilitou maior liberdade na montagem.

Pacific é o que se poderia chamar de “filme-dispositivo”, no qual o diretor não sabe bem o que encontrará nas imagens. Há ainda o risco de não haver material plausível para a preparação de um filme, o que, felizmente, não foi o caso. No entanto, o filme faz jus ao seu nome: é “pacífico”, praticamente não há conflito, um clímax ou “momento-chave”, ou seja, aquilo que se espera de um documentário. De qualquer maneira, é uma obra diferenciada e que possui certas qualidades.

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comentários
  1. João Carlos disse:

    O problema é conseguir assistir um filme desses. Onde está ou foi exibido ? Já tem DVD ?

  2. Houldine Nascimento disse:

    Tem disponível para baixar no site do próprio filme. http://pacificfilme.com/#/filme/
    Aqui em Recife, deve ter sido exibido na Fundação [não tenho certeza].

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