O good de Johnny o broda.

Publicado: 26/04/2012 em Poesia

Johnny entendeu o aviso da Kabbalah.

Até no aportuguesamento que virou Cabala ou Kabala ou diga lá Broda.

Tá valendo.

No entendimento lusitano misturado ao refinamento nordestino, poeticamente, João, o Carlos, o nosso músico e bem humorado poeta, tirador das mais bem tiradas palavras saidas do seu céu e que nos brindam num encaixe perfeito dentro de frases e ocasiões, tem sido quase que um ghost writer do blog.

Nem menos espero um passar de um expediente e quando retorno ao Fusca o vejo ensolarado.

Lembra até a Mansão/Hotel/Pousada/Manicômio/Paraíso que muitos músicos, poetas, artistas, atores, viveram no Rio nos dourados anos 60/70.

Como era mesmo o nome?

Não me vem a memória. Uma pena.

O bom mesmo é saber que se tem um Broda.

Entre tantas possibilidades reais de um encontro há mais de trinta anos atrás, o encontrei há menos de 3 anos na frente.

Sempre na frente do seu tempo.

Dormindo cedo.

Acordando mais cedo ainda.

Curtindo seu som e suas caminhadas e corridas.

Vivendo ecologicamente dentro do impossível e real mundo de Candeias. Edu Lobo não faria melhor.

Reiventando a zona sul além da zona sul.

E nos recordando da zona norte. Sempre ela.

O nosso berço épico e saudoso, que dia após dia vai sumindo por detrás dos edifícios e dos automóveis.

Triste sina que não esmorece o cantar good de João.

Porque ainda se tem uma Jaqueira, uma Tamarineira, o Sítio da Trindade.

Pode-se chegar logo ali no Alto José do Pinho e olhar a cidade.

Mais alto , lá do Morro da Conceição, com a Padroeira… Recife não tem fim.

Ainda há muito verde por cá. De se cuidar com carinho.

Passeando pelo Dom Bosco, pela feira, pelo Mercado, na Rosa e Silva e na Estrada do Arraial.

Sem pressa de pegar a Rui Barbosa que nos leva prá longe.

Querendo ficar no Poço… da Panela. Casa Forte de tantas lutas.

A missa em tantas igrejas diferentes.

É, a zona norte não esquece de Johnny.

O cara que eu passei triscando naquelas décadas e fico de imaginar a pessoa que eu não pude testemunhar.

E que de testemunhos se adianta hoje em busca de uma vida plena. João que caminha e segue no compasso de um belo hai-kai.

Parei.

Esse texto é o primeiro da minha vida que não sai de uma invernada.

No ver de João, há que se parar e se refazer.

Vem o se…

O condicional que talvez me tivesse evitados contratempos, brigas, mágoas.

O impulso.

Quase uma autobiografia autorizada e desaprumada.

A bile cantada e decantada.

A bile que enfrenta o RECEBER, ou a KABBALAH ou o destino, ou quantos livros caibam no bolso que de saber às vezes prefereriria não saber ler, para não encontrar tantos homens em busca de Deus pelo caminho em que também me perdi.

Parei.

Um espaço entre duas eternidades.

Um tour pela amizade e pela cidade.

A certeza do que é a inspiração. Ou a incerteza.

Mais uma reflexão.

O broda merece o esforço de pensamento.

A ação seguida e consentida para que no amanhã todos estejam salvos.

E mais não digo.

 

PS –

Poema de sete faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade

 

 

 

 

 

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comentários
  1. João Carlos disse:

    Eu num falei broda ? Olha tu ai me deixando ancho.Partindo meu coração. Logo cedinho!
    PS: Não acredito na insônia! Acredito que não se briga com o sono. Alguém aposta ? Então que tal trabalhar de vigia noturno sem poder cochilar ?

  2. João Carlos disse:

    Um toque: precisamos de um texto desse para Arsênio daddy! Pro José Vicente e para Belly. Parabellycamará!

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