Sábado Som Especial. Por João Carlos de Mendonça.

Publicado: 21/04/2012 em Poesia

               

 B A N D   O N   T H E   R U N

Este disco representou a redenção de Paul McCartney e de sua banda WINGS, que até então não vinha tendo nenhuma boa vontade da crítica com seus trabalhos. Mesmo acumulando sucessos nas paradas, suas músicas eram constantemente comparadas às dos Beatles e à de seus ex-companheiros de grupo. Certamente por isso, o músico recusava-se à tocar os clássicos de sua antiga banda em suas excursões. Mas o ano de 1973 começaria bem para Paul, cujo single com My Love chegou aos primeiros lugares creditada como sua melhor canção desde THE LONG AND WINDING ROAD. Logo em seguida, outro single com a música tema do filme 007, Live And Let Die, chegaria ao topo coberta por todos os encômios da imprensa. Assim, tão logo finalizou uma “tour” pelo Reino Unido, McCartney começou à esboçar o embrião de seu próximo LP, ensaiando e gravando “demos” em sua fazenda escocesa.

BAND ON THE RUN foi um álbum cercado por problemas  e fatos  curiosos. Querendo mudar de ares, de posse de uma lista com os estúdios da EMI pelo mundo, Paul decidiu por Lagos na Nigéria (o Rio de Janeiro também foi cogitado), mas antes mesmo da viagem o guitarrista da banda se desentendeu com ele e se mandou. Por sua vez, o baterista pediu às contas na véspera do embarque, alegando entre outras coisas que não queria ir pro fim do mundo. Determinado como sempre, Macca  viajou apenas com Linda e o guitarrista Denny Laine, além do produtor e engenheiro Geoff Emerick, velho camarada de Abbey Road e mais 2 “roadies”, disposto à assumir as “baquetas” e outras guitarras. E o fez.  Só quando já se encontrava em Lagos, deu-se conta de que o país vivia sob um regime militar duríssimo com patrulhas fardadas em cada esquina. As ruas exibiam esgotos à céu aberto e o estúdio era precário, com uma mesa defasada de 8 canais e, como já era convencionado por lá, teve de abrir a carteira, “dá um por fora” para conseguir suprir as necessidades técnicas e todas as que, por ventura, iam aparecendo. De certa feita, viu-se cercado por uma daquelas patrulhas e foi destratado com certa violência. Noutra ocasião, foi assaltado por 5 marginais que além do dinheiro e outros pertences, surrupiaram as fitas gravadas dos ensaios na Escócia, com o repertório do futuro disco e, isso custou-lhes o trabalho de “puxar” pela memória para lembrar detalhes dos arranjos e trechos de melodias.  Uns dizem que foi o músico Fela Kuti, outros afirmam ter sido o ativista político e músico Ransomi Kuti (vai ver,  são a mesma pessoa) que acusou Paul de utilizar (explorar) músicos nativos. O fato é que o tal sujeito foi convidado ao estúdio para comprovar que isso não estava acontecendo e a idéia de se contratar, com pagamentos justos, artistas nigerianos foi deixada de lado. Para completar, o ex-baterista de Hendrix, GINGER BAKER, que tinha um estúdio na cidade, queria porque queria que os WINGS gravassem nele. Politicamente, como sempre, Paul utilizou-o para registrar uma música, Picasso’s Last Words (Drink To Me) onde Ginger aparece tocando percussão.. Além dessa faixa, o grosso de BAND ON THE RUN foi finalizado em Lagos com a música-título e as demais (Jet,  Bluebird, Let Me Roll It, Mamunia, No Words, Helen Wheels e 1985). De volta à Londres, o álbum foi  acrescentado com os arranjos de cordas e metais de Tony Visconti, o sax de Howie Casey (em Bluebird e Mrs. Vandebilt) e acreditem, o músico nigeriano Remi Kabaka, foi contratado para gravar mais percussão em Bluebird. Seria o velho humor inglês ?

Naturalmente, a capa do disco foi inspirada pelo título, sendo feito várias fotos  numa sessão externa de um domingo. Além dos Wings,  posaram para a capa (e filme em 16mm) alguns atores,um campeão de boxe, amigos de Paul. O disco foi lançado no final de dezembro de 73, atribuído à PAUL McCARTNEY AND WINGS, chegando ligeirinho aos primeiros lugares e por lá permanecendo até 1975. Foi bastante festejado pela crítica como a primeira obra-prima de McCartney. Ainda nos dias atuais a obra permanece entre as mais brilhantes do rock. Mas a melhor notícia sobre esse LP (hoje CD) é que  depois de seu lançamento e estrondoso sucesso, McCartney  resolveu revisitar o repertório dos Beatles em shows. Bom prá nós!

PS I LOVE YOU:

– BLUEBIRD é literalmente uma bossa-nova com todos os ingredientes.

– De férias com Linda na JAMAICA, Paul encontrou-se com Steve McQuenn e Dustin Hoffman,que filmavam PAPILLON por lá. Conversando com Macca, Hoffman estava curioso sobre o processo criativo musical e foi informado que era como os dos atores. Bastava aparecer um “motivo”. No dia seguinte, Hoffman estava comentando sobre o falecimento de Pablo Picasso, contando que na noite anterior ao seu falecimento, este teria oferecido aos amigos uma bebida ,dizendo: “Bebam por mim! Bebam à minha saúde! Vocês sabem que eu não posso mais beber!”. Quase que imediatamente,Paul pegou o violão e cantarolou o refrão (“Drink to me! Drink to my health! You know I can’t drink anymore!”). Dustin Hoffman afirmaria que, depois do nascimento dos filhos, aquele teria sido o momento mais fantástico que testemunhara. PICASSO’S LAST WORDS (Drink To Me) é uma música com trechos melódicos completamente diferentes entre si, inspirada no “cubismo”.

– MAMUNIA vem do árabe e significa “abrigo seguro”. Sua letra versa sobre os benefícios da chuva. Alguém lembrou de RAIN dos Beatles ?

– HELEN WHEELS era o apelido do Jeep da família. Um trocadilho com Hell On Wheels . É um rock sacolejante sobre um passeio por cidades britânicas (como Back In The USA de Berry). Exceto nos Estados Unidos, ela saiu como single e ficou fora do LP.

– A canção BAND ON THE RUN foi em princípio, inspirada por George Harrison que, nas reuniões de negócios dos Beatles com seus contadores, costuma repetir  “If I ever get out of here!”  (algo como. “se eu pudesse dá o fora daqui!”).

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comentários
  1. Remédio para insônia I:

  2. Remédio para insônia II:

  3. João Carlos disse:

  4. andregustavo disse:

    Hoje é o dia de Paul!!!Volto já…

  5. andregustavo disse:

  6. andregustavo disse:

  7. andregustavo disse:

  8. andregustavo disse:

  9. andregustavo disse:

  10. andregustavo disse:

  11. andregustavo disse:

  12. andregustavo disse:

  13. andregustavo disse:

    E está completo o LP:

  14. João Carlos disse:

    Show de bola ANDRÉ! Bluebird sensacional. Com o sax Howie Casey dos velhos tempos de Liverpool e do Cavern Club. CASEY E OS CASSANOVAS.

  15. Magna disse:

    Que maravilha, João! Maravilha! Estou aqui quase em estado de graça, imagine se eu estivesse lá ontem no Arruda.
    Por falar nisso, quem foi dos mosqueteiros, hein? Deve ser assunto obrigatório repassar aqui no Fusca as peripécias da experiência. Tu foste, João? Como disse Arsênio, mês atrás, deu pra vender o “figo”?
    Abração!
    E boa semana a todos!
    Magna

  16. João Carlos disse:

    E arroi Magna ? EU FUI! E Domingão e o André também! Arsênio ? Não sei! Só sei que o amigo encheu nossa segunda-feira de alegrias! Õ JOSÉ VICENTE CHEGOU! HOJE! CEDINHO!

  17. Magna disse:

    E vocês vão ficar aí caladinhos sem contar aos reles mortais aqui que não encontraram quem comprasse o “figo”, é?

    Mas hoje…hoje, de fato, é o dia que meu irmãozinho Arsênio ganha uma poesia tão grande que não pode mesmo caber em si. Que felicidade! Que Deus abençoe essa família que agora está ainda mais plena de amor!
    Abração.
    Magna

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