Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça. (*)

Publicado: 08/04/2012 em Poesia
 N O V E L A S

A novela BETO ROCKFELLER (1968-1969) da TV TUPI, é considerada um marco na teledramaturgia brasileira por ter mudado radicalmente o modelo estético até então adotado. No quesito trilha sonora,aquela novela também mudou de maneira contundente o formato da época.Até então, as cenas eram acompanhadas por música incidental (geralmente retiradas de temas eruditos) e mesmo a canção de abertura era instrumental.

Portanto, BETO ROCKFELLER, foi o primeiro folhetim à utilizar a música popular para pontuar as cenas e os personagens principais. Sua trilha continha ADAMO ( F… Comme Femme), BEE GESS (I Started A Joke), THE BEATLES (Here,There & Everywhere),ERASMO (Sentado À Beira do Caminho), LUIZ MELODIA(Estácio Holly Estácio) e outras tantas.

O fato é que as canções ganharam as rádios, alcançando os primeiros lugares nas paradas, mas não se dando conta daquele ótimo nicho comercial, a Rede Tupi não lançou um disco com as músicas, o que teria sido uma tremenda novidade mercadológica, a primeira trilha lançada em disco.

À partir de então, todas as emissoras que produziam novelas, passaram à utilizar a música pop em suas dramaturgias, especialmente a Rede Globo. Esta, de início, passou à contratar compositores para escrever canções e temas exclusivamente para cada uma de suas novelas. Não recordo especificamente para quais, mas as duplas ANTÔNIO CARLOS & JOCAFI e ROBERTO E ERASMO, produziram para este fim (alguns destes discos foram recentemente lançados em CD). Mesmo com canções inéditas, as trilhas sonoras eram sucessos de vendas e execuções. Mais tarde, a Globo viria à utilizar canções de vários artistas que não teriam sido escritas diretamente para esta finalidade, mas que encaixavam nas tramas.

Neste ponto da história, poucos lembram   de um “fenômeno” comercial que aconteceu durante um significativo período dos anos 70 e que eu chamo de era do FALSO INGLÊS. Por questões de custos financeiros ligados aos direitos autorais e de propriedades musicais, as redes de TV se viram quase que impedidas de continuar usando daquele expediente, notadamente com relação aos artistas estrangeiros.

A solução então foi criar o “falso inglês”. Artistas (cantores e compositores) brasileiros, até então desconhecidos ou iniciantes, passaram a compor e gravar na língua de Sua Majestade e a adotarem nomes artísticos também em inglês. Tudo era feito às escondidas e contratualmente estes “estrangeiros” tinham de manter-se no anonimato. Isto no período inicial da “armação”. Fábio Jr era Uncle Jack ou Mark Davis. Jessé, ora era Christie Burgh ora era Tony Stevens. Alguns tantos mantiveram os nomes até os dias atuais e outros simplesmente sumiram.Lembro de Christian (da dupla Christian e Ralph), Michael Sullivan, Dave McLean, Morris Albert (de Feelings) e Lee Jackson. Alguns, mais adiante, apareceram com muito sucesso e já sem a obrigação de se manterem anônimos, como as bandas LIGHT REFLECTIONS (de Tell Me Once Again) e “os” PHOLHAS. Esta banda, creio, foi a mais bem sucedida, estourando “singles” e LPs de forma arrasadora.

Mas a armação era limitada. Uma vez resolvido os problemas legais, as TVs voltaram à utilizar os artistas estrangeiros de fato,e a onda do FALSO INGLÊS esfriou e passou. Desde então, as novelas ganharam um poder no mercado de discos tão expressivo que cerca de 90% das músicas mais vendidas e executadas no Brasil passaram a ser do repertório delas. E as trilhas vendiam tanto, que chegou-se ao ponto de se lançar 2 álbuns.Um nacional e outro internacional. As Tvs,especialmente a Rede Globo, reza a lenda, passaram à ser cortejadas por artistas e gravadoras e condicionavam as apresentações ao vivo e/ou de exibições de “clips” destes, em seus “programas” , mediante a “liberação” de direitos autorais e conexos para as trilhas de novelas.Ao menos,é o que se relata à boca miúda.

É verdade que o telespectador foi brindado com várias pérolas e canções que viraram clássicos da MPB. Mas muita porcaria foi enfiada “mente” à dentro da gente. Mesmo não sendo verdadeiras as histórias dessas tenebrosas transações, tenho prá mim que sem o monopólio “noveleiro”, a MPB e mesmo a música internacional, estariam muito melhores. Ou não ?

 

De qualquer maneira, em um país onde se consumia com avidez música “internacional” feita por nativos que mal falavam o português, não dá prá estranhar mais nada. Vale tudo!

 

(*) a licença poética cassada. o domingo é de RAMOS. ALELUIA. O SÁBADO SOM EXCEPCIONALMENTE NUM DIA DE DOMINGO. APÓS A MISSA DE SÉTIMO DIA DO TIMBÚ. AMÉM.
O NÁUTICO VIVE, POSTO QUE É MORTO PELOS DIRIGENTES FRAUDES, MAS RESSUCITADO PELOS TORCEDORES HONESTOS.
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comentários
  1. Enquanto o engenheiro de som está viajando eu vou atirando no iutubio:,

  2. João Bosco e seu Sugyama: E arroi:

  3. O mestre Antonio Pecci Filho,Toquinho:

  4. Tremendão. Na titela:

  5. Domingos Sávio disse:

    òia Anjo Mau. Aquela atriz que fez a Paixão de Cristo em Nova Jerusalém era novinha, gostosinha, oxe, faz tanto tempo assim meu Deus?

  6. Domingos Sávio disse:

    Botei o remix de Anjo Mau. Este foi de 1997, a véia Suzana Vieira já tava véia prá kct. Vamos de Carinhoso:

  7. Domingos Sávio disse:

    O tema de abertura, Yellow House, Tamarineira Village, correr descalço pelas ruas, roubar frutas e de noite assistir essa novela. Bom demais. A Rede Bobo era boa não era rim não. rim é bom também, com farofa, pimenta e uma boa cachaça:

  8. João Carlos disse:

    Esse arranjo de Carinhoso, ai em cima, instrumental, é de uma elegância comovente!

  9. EDGAR MATTOS disse:

    Muito interessantes as revelações da aula de hoje. Sobre elas tenho algumas observações:
    a) a Globo, ultimamente, costuma aproveitar as novelas para lançar novos compositores/cantores.Certamente como solução mais barata e ainda para tirar proveito do provável sucesso do novo valor desde já vinculado por contratos leoninos com a sua gravadora;
    b) o Michael Sullivan, prolífero autor de versões, se queixa por não ser reconhecido em sua terra como pernambucano que é, irmão do Leonardo local ( o do chapéu ). Também escondido atrás desse nome quem o suspeitaria gente nossa ?
    c) na década de 50, um diretor social do Sport, sob o testemunho de uma minha tia que em seu escritório trabalhava, era perito em criar nomes estrangeiros para as orquestras locais contratadas para tocar nas festas do seu clube. Na época em que Náutico e Sport tinham vida social.

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