Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

Publicado: 31/03/2012 em Poesia

T R O P I C Á L I A  ?Acho que foi no final de 67 ou início de 68. Eu era apenas um garoto fissurado em música tentando entender todo aquele vanguardismo britânico de então e lembro bem daquela minha reação em frente à TV: TROPICÁLIA ? Recentemente,coisa de uns cinco anos atrás, li alguns livros e textos sobre o assunto e condensei o conteúdo em 3 ou 4 páginas que escrevi (para um trabalho escolar dos filhos) mas confesso que não fui procurá-lo para precisar datas,eventos e que tais. Vai no bolo.Com o coração,a emoção e as lembranças. Até porque o MOVIMENTO TROPICALISTA  envolvia literatura, teatro, cinema, artes plásticas e dança, embora todas estas artes tenham aderido à idéia proposta em princípio, pelo movimento musical. E era justamente esse quesito o que mais interessava aos músicos, curiosos e doidos…como eu.Depois da Bossa Nova, o TROPICALISMO foi o único autêntico movimento que mudou a estética e os conceitos da música brasileira de forma contundente, abrangente e eficaz. Tão impactante que pegou muita gente de calça curta. É bom lembrar que havia até ali,duas correntes musicais que competiam no Brasil. Por força da DITADURA, o público universitário, influenciado pelas patrulhas ideológicas, mais apreciava canções de temáticas “engajadas” e de rítmos nativos (sambas, toadas, nordestinidades etc) produzidas pela turma chamada de MPB.Os Festivais eram os espaços preferidos e quase exclusivos desse grupo. A outra corrente, liderada por Roberto Carlos, chamada JOVEM GUARDA , se era musicalmente pouco ou nada original (assentava-se em versões do “pop internacional”), além da grande aceitação popular, era muito influente no que concerne ao “comportamento”, especialmente entre adolescentes de todas as camadas sociais. É claro que entre o pessoal da MPB havia uma quantidade bem significativa de artistas de primeira linha, assim como na Jovem Guarda (embora bem menos), mas de certa forma havia muito “conservadorismo” em ambos.

ALÉM DE NÃO rejeitar peremptoriamente qualquer dessas duas correntes,o TROPICALISMO, especialmente seus líderes, CAETANO VELOSO e GILBERTO GIL, além de GAL COSTA, BETHÂNIA, MACALÉ, TOM ZÉ, TORQUATO NETO, OS MUTANTES, CAPINAM e o maestro ROGÉRIO DUPRAT, reconheciam uma certa estagnação e tradicionalismo que limitavam avanços na música brasileira e seus criadores.Naquele período , novidades tecnológicas e as influências da música internacional eram tão rejeitadas quanto os sons da “velha guarda” nacional. Inacreditável. Tanto se odiava a “guitarra elétrica quanto se esnobava Noel Rosa. A proposta tropicalista incluia tudo isto e muito mais. E se o vanguardismo harmônico e poético da Tropicália chocou os “puristas”,o mesmo se deu com o visual adotado.Enquanto os “mpbistas” se apresentavam trajando “smoking” ou paletó (até “esporte fino”), e a turma do “iê-iê-iê” ia na linha das roupas Calhambeque, o TROPICALISMO preferia um visual hippie. Roupas largas e coloridas, longas madeixas (black power valia), barbas e presença de palco um tanto histriônica.

Em recente depoimento, GILBERTO GIL declarou: “Minha primeira influência foi LUIZ GONZAGA, depois vieram DORIVAL CAYMMI e JOÃO GILBERTO. Então conheci CAETANO e nossas idéias convergiram porque, também adorávamos os BEATLES e os STONES. A idéia era fugirmos das convenções e adotarmos todas essas referências. A música brasileira já nasceu híbrida. PIXINGUINHA adotava todos os elementos do blues e do jazz. Em princípio, chamamos muita gente. Edu Lobo, Sidney Miller, Sérgio Ricardo, Dori Caymmi, Toquinho e outros mas, o pessoal ficou no muro. Então CAETANO falou: Vamos fazer! Só nós dois. E fizemos contra tudo e todos. E vieram logo “nossa turma” e até Nara Leão, Jorge Ben e mais gente. Juntaram-se artistas plásticos, poetas, cineastas e em seguida o Chico Buarque e a Elis passaram a nos apoiar”.

O exílio de Caetano e Gil, obra da brutalidade e da burrice da Redentora, teve efeito contrário.A MPB, no geral, já era tropicalista. A ausência forçada dos dois próceres, mais ainda mitificou o movimento. Os espaços estavam abertos para artistas já estabelecidos, como Chico, Edu, Milton e outros recém chegados que vislumbraram vários horizontes adiante. O resgate de artistas como LUIZ GONZAGA, NOEL, CAYMMI, PIXINGUINHA e até VICENTE CELESTINO já havia acontecido. Bandolins conviviam bem com as guitarras, o baixo elétrico com o piano, a flauta com os teclados eletrônicos etc,etc. O TROPICALISMO nunca foi. Continua sendo. Mesmo nos dias atuais, seja no Brasil, na Europa ou nas Américas, ainda são defendidas teses acadêmicas e uma vasta literatura sobre o assunto está ai, à disposição. Surpreendente ? Nem para mim, que aos 11 anos, questionava: Tropicália ?

PEQUENO GUIA MUSICAL

CAETANO: Alegria Alegria, Tropicália,Soy Loco Por Ti America,Trio Elétrico,Irene e Os Argonautas.
GIL: Domingo no Parque,Lunik 9,Louvação,Back In Bahia , Expresso 2222 e Procissão.
GAL: Divino e Maravilhoso, Sebastiana,Que Pena, London London e Tuareg.
MUTANTES: 2001,Dom Quixote,Algo Mais,Baby, Top Top,Caminhante Noturno e Ando Meio Desligado.
E mais BETHÂNIA,TOM ZÉ,ANTÔNIO ADOLFO/TIBÉRIO GASPAR, JARDS MACALÉ,JORGE MAUTNER e vai por ai!

ACONTECEU:
– Enquanto assistia junto ào Caetano, do alto de um prédio, o desfile “contra” a guitarra, NARA LEÃO disse está indignada e envergonhada com seus pares à ponto de vomitar!
– Caetano expulsou de um bar,quase à porradas, o Geraldo Vandré, ao fragá-lo destrantando Gal Costa pela música BABY, principalmente pelo verso “você precisa aprender inglês”.
– GIL, curto e grosso: “A Tropicália era uma mistura de ASA BRANCA com o SGT. PEPPER!”
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comentários
  1. andregustavo disse:

    Ei,meu véi,perái!!Preciso de tempo,Tropicália é assunto de doutorado,hehehehehe…..volto jajá….:

  2. andregustavo disse:

    Vou começar pelo fim.Escuta esse som aí:

  3. andregustavo disse:

    Sexta feira nobre.Maravilha:

  4. andregustavo disse:

    Vocês não estão entendendo nada!!!:

  5. andregustavo disse:

    Pérola,com os argentinos do Beat Boys:

  6. andregustavo disse:

    Essa capa “pimentiana” é um espetáculo!!:

  7. andregustavo disse:

    Pegaram Gil com o orégano na mão:

  8. andregustavo disse:

    Tropicalia sem Mutantes não dá:

  9. andregustavo disse:

    Lovely Rita:

  10. andregustavo disse:

  11. andregustavo disse:

    Esse video é fora de série:

  12. andregustavo disse:

    Òia!!!:

  13. Domingos Sávio disse:

    André de trivela na titela. É no gogó gugu. Palavras de Johnny B Good.

  14. João Carlos disse:

    Assino em baixo Domingão!

  15. EDGAR MATTOS disse:

    Mais um importante capítulo da história da MPB escrito pelo nosso Maestro, com a imprescindível ilustração musical do André. Gostaria de saber, amigo JC, sob que forma Chico Buarque apoiou o Tropicalismo. Há alguma composição sua que expresse essa adesão ? Esclareço que não estou duvidando da sua afirmativa. Estou apenas indagando por pura curiosidade de um atento aprendiz.

  16. João Carlos disse:

    Na verdade Edgar, havia um grupo liderado por Vandré,enciumado que, na falta de argumentos ponderáveis, usava o uso da guitarra e outros instrumentos eletrônicos para se opor ao Tropicalismo. Enquanto isso, um outro grupo (com Edu,Chico etc) ficaram em cima do muro até que Chico e Elis terminaram por emitir declarações à favor do movimento.

  17. João Carlos disse:

    usava o uso… ficou ótimo!KKKK

  18. João Carlos disse:

    o grupo ficaram… Hoje eu tô GG (joinha joinha).

  19. João Carlos disse:

    Valeu a correção Domingão!

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