Ritalina não mamãe. Repeteco em homenagem a Poeta Magna.

Publicado: 22/03/2012 em Poesia

A DROGA DA OBEDIÊNCIA ( publicado em 12/11/2010), com os comentários da Poeta Magna. De novo. E Amém.

Assisto estarrecido entrevista na globo news com a Dra. Maria Aparecida Moysés, do Depto de Pediatria da Unicamp – SP.

O Brasil já é o segundo país do mundo (só atrás do tio Sam) em prescrição da Ritalina.

A droga da obediência.

Nos ensina a referida Dra., que a Ritalina tem semelhanças em escalas diferentes, com as anfetaminas, a codeína e a cocaína.

E nos relata que a maioria dos jovens que foram medicados a vida inteira com essa droga , vão em seguida,  dar os seus saltos para o crack, a cocaína e outras drogas semelhantes. Porque tudo é uma questão de hábito e de dependência.

Estimulantes procuram seus iguais.

Em 2004, após ler o excelente livro Mentes Inquietas, me considerei um velho com TDAH – Transtorno do Déficit da Atenção e Hiperatividade.

Não conseguia me concentrar, estudar.

Meti Ritalina no quengo durante um mês. Se sofrimento tivesse medidas e pudesse ser pesado, eu diria que levei um tiro de doze na caixa do peito. Nem completei os 30 dias. Foda-se Ritalin.

Fui curtir a Rita Lee.

Os quatro Cavaleiros de Liverpool.

A MBB – Música Brasileira da BOA.

E quanto escuto qualquer pai falar que quer medicar seu filho porque ele não está se concentrando, está com notas baixas etc e tal eu às vezes pergunto, outras me calo, outras até choro, de dó daquele coitado.

Minha pergunta sempre é: tú tivestes infância?

Que infância teu filho tem ou teve?

Brincou bastante? Sujou os pés, as mãos, subiu em árvores, passou o dia fora na rua batendo bola num campinho? Não?

Então você pelo menos esteve ao lado dele o escutando? Afeto, respeito, carinho. Inclusive com a mãe deles. Fundamental !!!

Normalmente não  há prosseguimento neste tipo de conversa.

Ninguém quer escutar conselhos. Conselhos não servem prá nada.

Mas se alguém me escutar neste grito solitário, por favor:

RITALINA NÃO MAMÃE. RITA LEE E MUITO AMOR E UMA ESCUTA ATIVA. MUITO ROCK AND ROLL, MBB, PRAIA, TEATRO, PARQUES, CAMINHADAS, APERTO DE MÃO, ABRAÇOS, BEIJOS. SUFOQUE SEUS FILHOS COM BEIJOS E ABRAÇOS. TEM UM PODER DE CURA EXTRAORDINÁRIO.

Substituem qualquer droga, mas qualquer droga mesmo.

Mesmo nos casos de diagnóstico preciso, exato, de algum transtorno de hiperatividade, a médica em questão diz que nunca prescreveria Ritalina. Em nenhuma hipótese.

Fica aqui a minha prece.

E O ENRIQUECIMENTO POÉTICO COM AS SEMENTES DE AMOR DE MAGNA, A POETA:

“Domingos, muito bom trazer o assunto à pauta. Deixo indicação de um livro que reflete um pouco mais: “Somos todos desatentos? – O TDAH e a construção de bioidentidades” de Rossano Cabral Lima. Não assisti à matéria que você falou, mas há um ano vi uma no JN, a qual trouxe a informação de um aumento de 600% de prescrição da droga(pode?). Logo após, recebi por email uma manifestação da ABDA(Associação Brasileira de Deficit de Atenção) totalmente contra a matéria e “apedrejando” uma pediatra(veja, só foi uma) que falou contra a medicação. Disse o Dr. Marco A. Arruda sobre a médica: “Ignora ela o impacto que o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade causa aos portadores, seus familiares e a sociedade como um todo, ignora ela que menos de 1% dos portadores são diagnosticados e tratados em nosso país”. E aí eu fiquei me perguntando: se menos de 1% são diagnosticados e o aumento da prescrição foi de 600%, como seria se 100% fosse diagnosticado? O fato, meu amigo, é que fanatismo não existe apenas na religião.
Não é negar a existência do TDAH, mas enquadrá-lo realisticamente.
Enfim, como vê, acabo me envolvendo com o tema. Questão profissional. O livro, no entanto, traz mais e melhores considerações. Não é à toa que, atualmente, buscamos explicações no nosso corpo para o que antes entendíamos como subjetivo.
Vamos em frente cuidando de nossas crianças.
Abraços”.
Magna

PS – Magna depois nos avisa que, não foram 600% e sim de 1.000% o aumento na prescrição da droga.

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comentários
  1. Magna disse:

    Obrigada, meu irmãozinho Domingos.
    Para você ver como eu me repito.
    Abração.
    Magna

  2. João Carlos disse:

    O que me espanta,em particular no Brasil, é a formação dos nossos profisionais da área médica.Pelo que andei ouvindo,levam as cadeiras de farmacologia nas côxas e emprenham pelos ouvidos com todas as novidades medicamentosas. Some-se à isso, a incompetência em diagnosticar. O mesmo médico que não reconhecia os males do sal é o mesmo que algum tempo depois ve-lo como o belzebu. Sal é bom e é ruim, né André ? Falo porque testemunhei absurdos.É preciso saber diagnosticar e com a máxima precisão. No caso de crianças, 90% dos comportamentos “inadequados” tem muito mais fatores ambientais do que neurológicos envolvidos. E vamos por ai…

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