A Vida em 24 fps. Por Houldine Nascimento.

Publicado: 04/03/2012 em Poesia

O Homem que Virou Suco

 

Por Houldine Nascimento

 

Premiado no Brasil e no mundo (incluindo a Medalha de Ouro no Festival de Moscou e prêmios de melhor ator para José Dumont em Brasília, Gramado e Huelva), O homem que virou suco (1981) foi restaurado pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, entre 2005 e 2006, sob aprovação do diretor João Batista de Andrade e do fotógrafo Aloysio Raulino.

 

De narrativa bem intensa, apresenta uma história interessante. O filme já inicia mostrando o assassinato de um empresário americano por um de seus funcionários, José Severino (Dumont), eleito como operário do ano. Mas não é a história deste homem a ser contada, e sim a de Deraldo (também interpretado por José Dumont), um poeta paraibano que chegou há pouco tempo em São Paulo. Ele tenta ganhar a vida através dos seus escritos, mas é impedido pela fiscalização do governo de vender os folhetos de cordel na rua.

 

Por ser muito parecido com José Severino, é confundido com este e passa a ser perseguido pela polícia. Deraldo não tem documento para comprovar quem é e acaba fugindo. A partir daí, começa a perambular pela capital paulista, transitando por vários empregos: carrega cebola na feira, vira pedreiro numa construção de prédio e vai trabalhar na casa de uma dondoca (a cena do “cachorro veado” é impagável). Essa primeira parte é conduzida com bom humor.

 

Posteriormente, a situação fica mais séria. Seguindo a sugestão de um ex-colega de trabalho, tenta arrumar emprego no metrô. Continua atormentado por sua condição de forasteiro, pela opressão e os diversos preconceitos sofridos, apesar de jamais se curvas às pressões. É levado para um abrigo de mendigos mantido por uma socialite (Ruth Escobar). Mantém a curiosidade pelo sósia e parte ao seu encontro. Nos minutos finais, é explicado o porquê de Severino ter cometido aquele crime.

 

“O homem que virou suco” é das melhores fitas realizadas no Brasil. José Dumont conduz de forma magistral os dois papéis. Tudo isso não seria possível sem a direção extremamente original e competente de João Batista de Andrade, sempre preocupado com questões político-sociais. O filme ainda abre espaço para as participações dos músicos Vital Farias (responsável pela trilha) e Dominguinhos.

 

 

 

 

Anúncios
comentários
  1. Trailer. Bom demais. Não sei como esse filme passou na Censura. Afinal ainda era 1981:

  2. João Carlos disse:

    Assisti na época e gostei muito.Será qe vai ser relançado em DVD ?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s