Luís Fernando Veríssimo e a Verdade.

Publicado: 16/02/2012 em Brasil mostra a tua cara!
Só assim podemos entender o BBB, a GROBO, os GROBAIS, O Congresso, O PT, O PSDB, DUDU, PRECATÓRIOS, Poder Judiciário e outras m… mais:
Uma donzela estava um dia sentada à beira de um riacho deixando a água do riacho passar por entre os seus dedos muito brancos, quando sentiu seu anel de diamante ser levado pelas águas. Temendo o castigo do pai, a donzela contou em casa que fora assaltada por um homem no bosque e que ele arrancara o anel de diamante do seu dedo e a deixara desfalecida sobre um canteiro de margarida. O pai e os irmãos da donzela foram atrás do assaltante e encontraram um homem dormindo no bosque, e o mataram, mas não encontraram o anel de diamante. E a donzela disse:

– Agora me lembro, não era um homem, eram dois.

– E o pai e os irmãos da donzela saíram atrás do segundo homem e o encontraram, e o mataram, mas ele também não tinha o anel. E a donzela disse:

– Então está com o terceiro!

Pois se lembrara que havia um terceiro assaltante. E o pai e os irmãos da donzela saíram no encalço do terceiro assaltante, e o encontraram no bosque. Mas não o mataram, pois estavam fartos de sangue. E trouxeram o homem para a aldeia, e o revistaram e encontraram no seu bolso o anel de diamante da donzela, para espanto dela.

– Foi ele que assaltou a donzela, e arrancou o anel de seu dedo e a deixou desfalecida – gritaram os aldeões. – Matem-no!

– Esperem! – gritou o homem, no momento  em que passavam a corda da forca pelo seu pescoço. – Eu não roubei o anel. Foi ela que me deu!

E apontou para a donzela, diante do escândalo de todos.

O homem contou que estava sentado à beira do riacho, pescando, quando a donzela se aproximou dele e pediu um beijo. Ele deu o beijo. Depois a donzela tirara a roupa e pedira  que ele a possuísse, pois queria saber o que era o amor. Mas como era um homem honrado, ele resistira, e dissera que a donzela devia ter paciência, pois conheceria o amor do marido no seu leito de núpcias. Então a donzela lhe oferecera o anel, dizendo “Já que meus encantos não o seduzem, este anel comprará o seu amor”. E ele sucumbira, pois era pobre, e a necessidade é o algoz da honra.

Todos se viraram contra a donzela e gritaram: “Rameira! Impura! Diaba!” e exigiram seu sacrifício. E o próprio pai da donzela passou a forca para o seu pescoço.

Antes de morrer, a donzela disse para o pescado:

– A sua mentira era maior que a minha. E eles mataram pela minha mentira e vão matar pela sua. Onde está, afinal, a verdade?

O pescador deu de ombros e disse:

– A verdade é que eu achei o anel na barriga de um peixe. Mas quem a cria nisso? O pessoal quer violência e sexo, não histórias de pescador.

 

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comentários
  1. João Carlos disse:

    Ler isso logo cedinho é um bálsamo! Veríssimo puro e certeiro!
    PS: Simão Pedro parece que não anda muito carnavalizante.
    PS 2: SÉRGIO OLIVEIRA disse: O Sport encontrou a fórmula de ganhar no Arruda. Jogar de branco.O Santa pensa que é o Náutico! KKKKKKK. Méritos do roupeiro!

  2. EDGAR MATTOS disse:

    A Verdade é a que queremos ouvir. Ou, como disse eu em momento de inspiração : História é a estória oficial. A parábola dos cegos e do elefante, Pirandelo, etc etc etc Bial e o “heroísmo” dos BBBs. A nossa vida é um Carnaval, Carnaval de Olinda cheio de sobe-e-desce… Eita, hoje amanheci filósofo !

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