Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

Publicado: 11/02/2012 em Poesia

D I R E    S T R A I T S

Já comentei que não sou chegado à eleições do tipo “Melhor Isso ou Aquilo”, até porque em música o que mais me agrada é a originalidade, a criatividade. Como apontar o melhor guitarrista ? Hendrix, Santana, Clapton, Harrison, Pepeu, Robertinho, Andy Summers… ? Há tantos e tão bons e “diferentes”.  Isso só no rock. E no jazz, blues, MPB ?  Os fãs de “heavy metal” adoram guitarristas velozes, mil notas por segundo. E daí ? Prá que tanta velocidade e tão pouco “feeling” ? Como são “iguais” os metaleiros ! Um grande guitarrista, além de sua técnica original, toca com o coração mais que com a paleta (ou os dedos). Faz uma canção brilhar intensamente, às vezes com comovente discrição. Abusa de sutilezas mas quando ataca o faz na hora e da maneira certa. O Sr.MARK KNOPFLER é um desses.

DIRE STRAITS, uma das melhores bandas dos anos 80, embora formada por músicos competentes e habilidosos, era na verdade, o grupo de apoio de KNOPFLER. Ele além de fundar e liderar o conjunto, escrevia, arranjava, cantava e tocava suas guitarras em todas as canções do DIRE STRAITS. Todas. E para confirmar isto, basta saber que fora o “baixista”, os demais membros variavam (entrava um saia o outro) quase a cada disco. Pouca gente é capaz de citar o nome de um deles.

Em 1977 Mark Knopfler fundou o grupo, e em meio ao movimento punk e ao ainda vigoroso “rock progressivo”, Sultans od Swing foi acaloradamente recebida como uma ousada novidade. A canção misturava as referências favoritas do músico: uma levada de country rock alicerdada em guitarras límpidas e tonitruantes . Canção que apesar de econômica instrumentalmente não disfarçava o virtuosismo de Knopfler como guitarrista, cantor e compositor. Uma estréia elegantíssima. Vale lembrar que nesse início o DIRE STRAITS era um quarteto com a formação básica do pop: bateria,baixo e duas guitarras (uma delas pilotada pelo irmão de Mark, David Knopfler), portanto,os arranjos eram desenvolvidos com vistas à essa instrumentação reduzida. Apesar de canhoto, o escocês Knopfler tocava como destro e sua técnica baseava-se em seu dedilhado nas cordas, já que não usava “palheta” (ou paleta), proporcionando uma sonoridade peculiar e única que logo chamou a atenção da crítica. O album seguinte, COMMUNIQUÉ mantinha o estilo “menos é mais” da banda mas já em MAKING MOVIES os primeiros sinais da característica sofisticação do grupo começariam à aparecer, especialmente no belo hit Romeu And Juliet com seus violões espanholados e o piano do tecladista recém contratado.Esse disco marcaria a saída do irmão DAVID do conjunto.

LOVE OVER GOLD, disco de 1982, definiria o novo som do DIRE STRAITS. Teclados elegantes (piano,órgão,sintetizadores,xilofones etc) eram realçados pela guitarras e os sublimes violões do artista. A canção título e a balada Private Investigations esbanjavam beleza e magníficos detalhes sonoros. Nessa fase, o DIRE STRAITS já lotava estádios na Europa,América e Japão, shows registrados no album  ALCHEMY, que continha a balançada Twisting By The Pool, lançada antes como “single”.

Por uma série de detalhes significativos, o disco de 1985, BROTHERS IN ARMS já é um capítulo à parte na história da música pop.Foi o disco mais vendido no Reino Unido nos anos 80. Foi o primeiro album lançado no novíssimo formato CD, permanecendo por mais tempo como número 1 nos Estados Unidos. As canções Walk Of Life,Money For Nothing, So Far Away, Your Latest Trick, Why Worry e claro, Brothers In Arms chegaram, cada uma, sucessivamente, aos primeiros lugares nas paradas. E a banda acrescentou mais um tecladista e um saxofonista. Um deleite. Obra prima do conjunto, o album figura entre os melhores da música internacional. BROTHERS IN ARMS foi tão aclamado que ofuscou o disco seguinte, ON EVERY STREET, uma pérola pouco notada que continha a deliciosa Calling Elvis, uma das mais competentes e instigantes execuções que já ouvi. Os quase 6 anos que separaram este disco do anterior foram preenchidos pelas excursões mundiais na esteira do Brothers In Arms.

Sem muito estardalhaço o DIRE STRAITS chegou ao fim em 1994. MARK KNOPFLER que,paralelo ao trabalho com o grupo vinha produzindo trilhas sonoras para o cinema (entre estas as lindíssimas canções do filme LOCAL HERO), continuou e continua na ativa com seus trabalhos solos,a maioria de excelente qualidade. Mas entenda-se um mundo desses ? O que é uma marca,um nome ? Eu comecei este post afirmando que o Dire Straits era Mark Knopfler. E é verdade. Só que, para os fãs, Mark Knopfler não conseguiu ser o DIRE STRAITS. E como a letra daquele samba-erudito, dos fãs, “só ficaram eu!”. Será ?

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comentários
  1. andre gustavo disse:

    Dire Straits é parte integrante de minha adolescência.Lembro do dia em que comprei Brothers in Arms,com dinheiro da mesada.Aliás,minhas mesadas sempre eram revertidas em discos.E nunca me arrependi disso.Mando ver logo a clássica,irretocável Sultains of Swing,extraída do Alchemy ao vivo,uma performance memorável.Essa canção conta a história de uma banda de jazz que toca Dixie num ‘quatro tempos dobrado’ e você se sente bem ouvindo.Vai pro brother Arsênio,o sumido que sempre estará presente:

  2. andre gustavo disse:

    Clássico oitentista,combina com a invasão dos clips na tv ecomeça justamente com “I want my MTV…”#awesome!:

  3. andre gustavo disse:

    Mais um dos Brothers in Arms,LP bom do início ao fim,coisa muito difícil:

  4. andre gustavo disse:

    Lindíssima cançao:

  5. andre gustavo disse:

    Quem não lemba desse sax?#foradeserie:

  6. andre gustavo disse:

    Anos 80 total!!:

  7. andre gustavo disse:

    Lá do início:

  8. andre gustavo disse:

    Tem nada a ver com o post,mas JC precisa ver isso:

  9. Essa é em homenagem a JC e Daniel. O mestre e o aluno. Mestre dos filhos dele e um exemplo de músico para que meu garoto siga os caminhos do bem nesta área. E então. Toitiço Geral Geléia Atômica . O homi Mark Knopfler:

  10. Again, para não dizer que não falei das guitarras eternas:

  11. Não sei se vai pegar. O iutubio é phodinha:
    http://www.youtube.com/user/dogswede1?ob=4

  12. Very interesting de rochederonio e arroi. Que inglês é caçange como diria meu sogro:

  13. Quando Pedro Bial ainda usava o cérebro para o bem de todos:

  14. Tem um tal de DogSwede1, é cada nome do kct. Cada fake do karai. Mas o cara tem um canal dentro do iutubio e deve ser abilolado pelo Dire e por Mark. Então vê se pega essa aí. É em homenagem ao Engenheiro de Som Oficial do Fusca. O resto… é apoio:

  15. Essa é para todos os Brodas & Brodas:

  16. EDGAR MATTOS disse:

    Como um sapateiro não deve ir além das botas, não ouso comentar as “implicações” artístico-musicais da aula de hoje. Então, chamando o “feito à ordem”, registro o estilo escorreito e elegante do texto, cada vez mais aprimorado do Maestro João Carlos, que termina com toques shakespeareanos quando indaga: “o que é uma marca ? um nome ?”.

  17. Arsenio Meira Junior disse:

    DOM MINGÃO ME AVISOU, E PUMBA!

    PRA VARIA, O SÁBADO SOM FOI DIRETO NA VEIA.

    ANDRÉ, REALMENTE, ESSA GRANDE BANDA MARCOU MINHA ADOLESCÊNCIA TAMBÉM.

    E JOÃO CARLOS EXPLICOU O PORQUE.

    GENEROSAMENTE.

    ABRAÇOS A TODOS DO AMIGO

    ARSENIO

  18. João Carlos disse:

    Mestre EDGAr sei que muitos dos artistas que aparecem pelo SS não lhe são familiares segundo o próprio mestre já afirmou mas ouça/veja o clip ai por cima da música YOUR LATEST TRICK e me confirme se não tem todos os ingredientes de uma bossa-nova ?

    Eita, não sei se é o original mas até o cover de Arsênio me comove! Acordar as 4 da matina e ler Edgar e Arsênio me elogiando já fez o domingo valer. E os elogios são pro VJ André também (caDe WHY WORRY ?). Só faltam Magna e Tadeu!

  19. Magna disse:

    Presente, João. Ó eu aqui.
    E nesta manhã de domingo fazer uma viagem na minha adolescência foi uma maravilha!
    Curti muito Dire Straits, mas longe estava de todo esse conhecimento que aqui tu esbanjas. Maravilha!
    Pois é, meu SS às vezes é no domingo, na segunda, mas nunca deixo de me deliciar, pois não sou besta.
    Abração em todos!
    Fiquem com Deus!
    Magna

  20. EDGAR MATTOS disse:

    Não estar ‘familiarizado” não significa não gostar. REalmente, João Carlos, a ‘batida” é bossanovista…

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