Olavo Bilac & Antônio Cândido. Dobradinha de luxo.

Publicado: 07/02/2012 em Poesia

” Última flor do Lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura:

Ouro nativo, que na ganga impura

A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura,

Tuba de alto clangor, lira singela,

Que tens o trom e o silvo da procela,

E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te , ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”

E em que Camões chorou, no exílio amargo,

O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Olavo Bilac 

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EXCELÊNCIAS DA LÍNGUA PORTUGUESA

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E que esplêndida língua o Brasil nos deve! Todas as raças que passaram por este canto da terra, aqui deixaram a flor e o ideal da sua alma. Desde a povoação céltica e a colonicação grega, de que tantos vestígios restam ainda nas nossas províncias do norte, até a invasão dos árabes que envolveram toda a civilização da península numa etérea poeria de luz e oiro – as imigrações sucessivas e as conquistas supervenientes contribuíram, todas à formação desta língua admirável que, sob muitos aspectos , não tem superior no mundo.

Serve a tudo: à epopéia e ao idílio, à lamentosa elegia e ao cântico de guerra.

Passada pelas cordas duma lira, é suave e doce como a voz do amor; assoprada na tuba épica, é vibrante, sonora e grandiosa ou terrível segundo os têrmos que versa, as ações que canta ou os heróis que celebra.

O sol doura-a , ilumina-a, aquece-a; e a nossa paisagem, tão variada e linda, tão florida e perfumada, reflete nela como na superfície clara dos nossos rios, e nas ondas, de tanta côr, que o mar estende por essas praias. Transladada ao sul da América, não perdeu o caráter grave, nem a têmpera máscula, nem o tom de funda, indefinível melancolia que lhe imprimiu a esforçada e trágica aventura de nossos avós; e ainda adquiriu preciosos elementos de encantadora suavidade, de frouxa, dolente e maviosa ternura.

Antônio Cândido – Discursos.

Apud Antenor Nascentes, 1960.

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