Sábado Som. Por João Carlos de Mendonça.

Publicado: 04/02/2012 em Poesia

V A M O S    B A I L A R

Dando uma olhada para trás, lembrando do tempo em que eu tocava em bandas, constatei um fato curioso. Naquela época, tenho prá mim que as festas eram exclusividades da juventude. Aquela turma que vai da adolescência até uns 30 anos. Lembro que o repertório de todos os grupos eram praticamente os mesmos e, basicamente rock, pop e MPB “do momento”. Se porventura a nova música do Chico Buarque não era muito dançante, a gente dava um jeito, modificando o rítmo ou o andamento e sempre agradava porque “tocava” nas rádios e TVs . Nossos equipamentos, embora modernos, eram de uma pobreza franciscana. Um órgão CARIBBEAN de 2 teclados era a apoteose da sofisticação e, a Giannini preponderava. Ter uma guitarra envenenada por Robertinho do Recife era para poucos (a gente tinha) e caixas de retorno nem pensar. O baterista ficava entre os amplificadores,à frente os microfones e a gente ali no meio mandando ver. Uma caixa de som de cada lado (logo depois dos microfones) de frente para o público e pronto.

Mesmo depois de anistiado terminei sentando praça em Candeias e fazia séculos que não botava o pé na calçada à noite. Durmo no máximo às 21Hs e às 4 Hs já estou de plantão. Mas dois eventos,quase no mesmo período me obrigaram à sair da toca.Um aniversário de um parente e a formatura de uma sobrinha. O aniversário coincidia com uma festa no Country Club, e a formatura foi num lugar metido à besta na Rua Benfica. No Country estava a Orquestra de Spok e na Benfica uma tal Orquestra Universal. Eita como me diverti.Virei uma espécie de MICHAEL TRAVOLTA ASTAIRE DA SILVA.

Equipamentos ultra modernos, todos os instrumentos microfonados (sem fio) e no mínimo uns 15 músicos por banda.Num certo momento,Spok acompanhado por outros instrumentistas de sopro, saiu em fila indiana, desfilando pelas mesas e o som lá. Limpo. Cristalino. Fiquei incrível.

Notei que eles começam com clássicos das “big bands” (In The Mood,Cheek to Cheek, etc) então os cantores se revezam dentro dessa mesma linha (Sinatra,Bennet,Ella…) e tome festa. Bossa Nova, Tropicália, rock, pop, salsa, sons de todos os matizes (Brasil,England,Caribe…) e prá fechar uns bons frevos (de bloco,canção e de rua) e quando dei por mim… perdi a caminhada do domingo.

Arranjos e execuções do mais alto nível. Exceto brega , lixos do tipo funk maloqueiro e axé, o bom gosto preponderava, contemplando os mais diversos estilos e épocas. No salão podia-se sentir o clima de satisfação e alegria que tomava conta dos casais de 8 a 80 anos.Dos netos aos avós,tenho certeza,todo mundo se divertiu. Eu mesmo,daqui a uns cinco anos,quando liberarem novamente meu “visto” não perco outra.

Até meados dos anos 80 era uma verdadeira resenha, uma maratona, encontrar um instrumentista de qualidade razoável e disponível em Recife, notadamente os “de sopro”. O Conservatório, sempre vetusto, formava poucos e com certa mentalidade elitista,”desaconselhava” suas virtuoses à trabalharem fora da música erudita, conservadora . Então,de repente surgiu o CENTRO DE CRIATIVIDADE MUSICAL,mais aberto, moderno, alegre e principalmente acessivel aos menos favorecidos. Ainda quando o CCM engatinhava, pude testemunhar a felicidade indisfarçável no rosto de uma molecada que num átimo (adoro essa palavra) começava a descobrir seu caminho com aquela oportunidade que se abria tão generosamente.Lembro de Spock,Nena,Tostão (hoje baterista de Elba Ramalho) e tantos outros.Lembro de minha amiga saudosa Dora (esposa do também querido Dr.Romário ), que trabalhava (e vibrava) no Centro de Criatividade.Tenho quase toda certeza que o CCM foi o principal responsável por esse ressurgimento musical do Recife. Só sei que hoje em dia, ao caminhar pela cidade corre-se o risco de tropeçar num trompetista ou trombonista ou… da melhor qualidade. E isso explica  o nascimento de bandas e orquestras de padrões 5 ESTRELAS na cidade. E são muitas.

PS: Sem puxasaquismo e com toda justiça, esse post é uma homenagem ao caçula EDGAR MATTOS que, tem responsabilidade por esse fenômeno musical que vem magnetizando o Recife.

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comentários
  1. João Carlos disse:

    “O repertório dos grupos ERA praticamente o mesmo!” O que eu escrevi lá no post foi uma aberração! Quem mandou gazear aulas ?

  2. João Carlos disse:

    DOMINGÃO, vou tentar mandar por e-mail o clip de uma Orquestra do texto.Ai tu publica aqui! OK ?

  3. Yes Broda. Esse SS saiu de madrugada conforme o engenheiro de som pediu. Cadê o homi?

  4. Achei uma sequência de vídeos dos 50 anos da Super Oara. Vale apena Brodas & Brodas:

  5. The Fevers. Um clássico e arroi:

  6. Pholhas. Amém. É baile e brega. Vixe. E arroi:

  7. Procurei os Alcanos. Os Selvagens. Cadê tú JC? Aí vou de Glenn Miller & Orquestra. Para meu mano caçula e para todos nós e então:

  8. andre gustavo disse:

    #GVTfail.Teclo do celular.Segunda porto pra NET fone.partiu Cha Grande

  9. Eita, dei uma fuçado no imaiu e vejo um CLIP COMPLETO DE JC. Primeira sem segunda:

  10. Rapá tú tá feito Pierre do Acerto de Contas levando desacerto da GVT é? kkkk , até agora tenho dado sorte. Farrapa aqui e acolá, mas tem sido melhor do que a Velox.

  11. Magna disse:

    Marvilha, João! Enquanto não chega segunda, vamos nos esforçando nos vídeos.
    Abraços!
    Magna

  12. Magna disse:

    E nesta ninguém se segura:

  13. EDGAR MATTOS disse:

    O depoimento autorizado e insuspeito de JOão Carlos me deixa muito feliz. Realmente o Centro de Criatividade Musical foi uma das nossas mais gratas realizações. Cheguei a colher alguns dos seus frutos. Em 1985 promovi uma festa de encerramento do ano letivo das escolas públicas estaduais no clube Português, ao som de uma orquestra constituída por alunos do Centro, regida por Nino ( filho de Duda e Maves Gama ), Foi um sucesso. Também, na mesma época, o Conservatório vivia grande fase 17 novas salas de aula e com a Orquestra de Cordas Dedilhadas e o seu repertório armorial. Trouxe de volta ao Recife o grande bandolinista Rossini Ferreira, há muitos anos ausente da terrinha. Estimulei a formação de bandas musicais em diversas escolas, sendo a do Ginásio Pernambucano campeoníssima em certames da categoria.
    Realmente, dançar ao som de uma orquestra é um prazer incomparável. Há alguns anos, predominava no cenário musical pernambucano a Super O´hara de Beto de Arcoverde. Tão requisitada que teve que manter mais de uma formação: a Super O´hara B, C etc para dar conta de compromissos numa mesma noite. Eu já sabia de cor o seu repertório: New York, New York, abrindo o salão, depois Besa-me Mucho, seguindo-se uma série de boleros imortais, meu gênero dançante preferido. Sabem, tenho um velho projeto irrealizado: promovef um baile para, no máximo, 40 casais, em um espaçoso dancing, com uma bela Orquestra. Quem sabe nos meus oitenta anos, se o velhinho ainda estiver em “condições dançantes” ?

  14. João Carlos disse:

    Verdade mestre. Rossini era uma espécie de guru da turma do chorinho daqui. Lembro bem da euforia do Marcos César com o seu retorno. Quanto ao Baile dos 80, aposto que juntos com a turma do Fusca exibiremos uma coreografia do Michael Jackson.
    E Magna continua suprinto a falta do André com categoria. Habemus VJ!

  15. o queDomingos, so vcs para tirar-me do marasmo, SUPER OARA, organização arcoverdense de ritmos americanos, lembro,lembro, bem dos Tradicionais Bailes do Clube Polimatico da Pedra ao som da Oara, olha, , não sei como está,mais ela se apresentava muito pouco, so, digamos, em festas tradicionais, ou apresentações. Estudei e formei-me com um dos filhos de Beto o dono da Oara, ele baterista, acho, quem esta cantando é o filho mais velho do Beto. Recorda-me tambem a alembrança do meu prof. de matematica do ensino fundamental e torcedor fervoroso do santa, pois alem de professor, tornou-se para me uma referencia, uma amizade que perdurou mais de 40 anos e hoje ao ligar para Pedra soube do seu falecimento, seu nome FRANCISCO JONAS FEITOSA COSTA, sim alem de prof. de mat. era professor de Musica e acho que nos anos 60 tocou sax na OARA. um abraçao a todos

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